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    Austin-Sparks, T.

    Jesus Cristo como Rei

    Vou levá-los de volta àquela passagem. Há poucos minutos, lemos essa grandiosa e maravilhosa história do Senhor Jesus entregando Sua vida. Amém.

    Vocês devem ter percebido que toda essa cena gira em torno de uma única questão e nela se concentra. Foi isso que levou as coisas àquela situação, pois essa questão governava tudo o que estava acontecendo. E a questão era a reivindicação de Jesus Cristo — a realeza de Jesus Cristo.

    Vocês percebem como esse era o problema para os judeus: seus governantes, seus sacerdotes e muitos dentre o povo. A acusação que fizeram contra Ele era que Ele afirmava ser rei. Ele reivindicava a realeza.

    Vocês percebem que era isso que inquietava e preocupava Pilatos, o governante romano. Ele diz: “Ah, muito bem…” Para ele, tudo aquilo envolvia uma questão de grande importância.

    A expectativa judaica de um rei

    Quanto aos judeus, como nação, estavam sem rei havia centenas de anos. Davi, o grande rei de Israel, e seu filho Salomão — bem, na verdade, os últimos dos grandes reis.

    Vários outros homens assumiram o trono e tentaram ser reis, mas cada um deles foi um fracasso, um terrível fracasso, e morreu tragicamente. Poderíamos dizer de toda aquela sucessão: quase nenhum deles foi realmente rei. A realeza chegou ao fim com Salomão, e depois vieram todos aqueles séculos até o período sobre o qual estávamos lendo. Eles não tinham rei.

    Naquela época, Roma havia invadido sua terra, e os representantes romanos, como Pilatos, estavam no comando. Os judeus estavam sem rei havia centenas de anos; mas aquilo que desejavam e de que precisavam, mais do que qualquer outra coisa, era um rei.

    Durante aquelas centenas de anos, todos os seus profetas profetizavam sobre a vinda de um rei — o Rei deles. Aquilo pelo qual ansiavam era esse Rei. E aquilo de que certamente precisavam, para sua salvação, sua paz e sua prosperidade, era um rei: um verdadeiro Rei.

    Quando Davi reinava, a situação era tal que trouxe à nação verdadeira bênção e prosperidade. Tudo isso havia desaparecido. Jesus veio.

    Ele Se apresentou, ou foi apresentado a eles, como o Rei que correspondia a todas as suas esperanças, expectativas, desejos, necessidades e anseios, de acordo com todas as Escrituras e as profecias. Ele veio em cumprimento de todas elas. Aqui está Ele.

    Não se trata de uma questão falsa. Não se trata de algo errado. Ele não está fingindo; Ele não é um impostor. Ele é o Rei. Ele é Aquele de Quem precisam. Ele é Aquele de Quem os profetas falaram.

    A natureza da realeza de Cristo

    Mas, embora Ele fosse o Rei designado por Deus — e não há dúvida quanto a isso, como creio que veremos antes de terminar —, vocês veem o que aconteceu no que dizia respeito aos judeus. Eles tinham suas próprias ideias sobre o tipo de rei que queriam, e Ele não Se encaixava nessas ideias.

    O que queriam era um rei que simplesmente tornasse possível a satisfação de todos os desejos terrenos e egoístas, que correspondesse a tudo o que desejavam neste mundo — coisas inteiramente egoístas. Para eles, a questão da justiça, da pureza de vida e de todos esses assuntos era de importância bastante secundária.

    Jesus não era esse tipo de Rei. Jesus colocava em primeiro lugar a questão de uma vida correta — o tipo de vida que agrada a Deus.

    Ele seria Rei neste sentido: reinaria sobre o coração dos homens, e não apenas sobre seus corpos para lhes dar satisfação e contentamento, mas para transformar seu coração. Essas pessoas não estavam interessadas nisso. Não se preocupavam com isso.

    E, quando O viram, de muitas maneiras Ele não correspondia às ideias que tinham de um rei. E foi assim que tudo aconteceu.

    O pecado como questão central

    Vejam, tratava-se da questão do pecado. Jesus, como Rei, precisa tratar da questão do pecado. Ele sabe muito bem que esse é o problema — que é o pecado que arruína e destrói a vida dos homens, que lhes rouba a paz de que precisam no coração.

    É o pecado que está na raiz de todos os problemas humanos. E ser Rei, no caso Dele, significa que isso precisa ser tratado. Isso precisa mudar. Precisamos chegar à própria raiz de toda a miséria, decepção, sofrimento e escuridão da mente dos homens, e do mal que há neste mundo por causa da natureza humana; precisamos chegar à raiz disso e tratar dessa questão. Esse é o tipo de Rei que Ele é.

    Mas eles não queriam esse tipo de coisa. Não, não era isso que queriam. À medida que Ele apontava continuamente essa causa dos problemas dentro deles, isso os fazia se rebelar, e essa coisa terrível cresceu em seu coração até que, por fim, quando tiveram a oportunidade, eles O prenderam e O levaram à presença do governante.

    O clamor era:

    Fora com Ele! Crucifica-O!

    Essa foi a escolha deles. Esse foi o desfecho.

    Vocês percebem até onde os homens chegam quando se toca naquele ponto em que realmente está a causa do problema, e eles não estão dispostos a permitir que ela seja tratada. Se vocês tivessem procurado qualquer um daqueles governantes ou sacerdotes judeus em outra ocasião e lhes dissessem: “Então César é o rei de vocês, é?”, eles os teriam matado na mesma hora. A vida de vocês não teria valido nada.

    Se vocês lhes tivessem sugerido algo assim — que César era o rei deles —, teriam dito: “Nós nos recusamos terminantemente a reconhecer César. Não admitiremos nem a sugestão de que César seja nosso rei”.

    Por que admitiríamos, por um momento sequer, que um estrangeiro que entrou aqui, tomou posse de nossa terra, nos sujeitou a si e nos obrigou a pagar tributos e impostos — por que admitiríamos que ele é rei? Nunca!

    Vejam até onde chegariam quando se toca nessa questão do pecado — nessa questão da vida:

    Não temos rei, senão César.

    Até onde foram para se livrar Daquele que estava realmente tocando na causa de todos os problemas humanos: o pecado. Guardem isso por um momento. Vocês veem o que eles fazem:

    Fora com Ele! Crucifica-O!

    Não aceitam argumento algum. Não aceitam nada além da morte por crucificação para Aquele que toca na questão do pecado.

    A decisão de Pilatos

    Deixemos isso por um momento e olhemos para Pilatos. Pilatos, esse representante do Império Romano na cidade deles, na capital deles, no país deles.

    É uma história muito impressionante. Se vocês lerem os diferentes relatos nos registros dos Evangelhos, verão como ela é tremendamente impressionante. E o que impressiona tanto é isto: esse homem, Pilatos, está como um rato numa ratoeira — mas isso soa forte demais —, como um leão numa jaula.

    É um homem que caiu numa armadilha, que foi apanhado, e está fazendo tudo o que se possa conceber, recorrendo a todos os caminhos imagináveis para sair desse impasse, dessa situação. Olhem para ele. Está se contorcendo. Está fazendo de tudo. Tenta isto; não funciona. Tenta aquilo; não funciona. Tenta outra coisa; não funciona.

    Toda vez que tenta encontrar uma porta dos fundos para sair dessa situação, descobre que não há saída alguma. Tem de voltar à porta da frente. Vocês percebem como isso aparece na história que lemos: então ele saiu; então ele saiu. Entrou e tentou se livrar do impasse, mas não conseguiu, e teve de sair novamente pela porta da frente. É assim: o homem está simplesmente encurralado.

    Sob o governo de Deus, Pilatos foi confrontado com essa questão. Jesus, o Rei e Salvador designado por Deus, havia sido apresentado a Pilatos — em certo sentido, colocado em suas mãos. Era como se Deus estivesse dizendo: “O que você vai fazer com o Meu Rei? O que vai fazer com Ele?”

    Você tem a oportunidade de sua vida. O que vai fazer a respeito?

    Esse homem está vacilando diante daquilo que, em sua própria consciência, sabe que deveria fazer. Sua consciência está agindo, e ele diz repetidamente:

    Não acho crime algum neste Homem.

    “Não encontro culpa alguma Nele. Pelo que posso ver, não há nada de errado com Ele.” Então, se isso é verdade, e estou em posição de fazer alguma coisa a respeito, qual é a atitude correta que devo tomar?

    Ah, mas vejam: minha posição, meus interesses neste mundo, meu nome — há tudo isso também. São questões nas quais preciso pensar: a política, a diplomacia, meu futuro, como isso vai me afetar. Vou perder ou ganhar? Essas são coisas que precisam ser ponderadas com muita seriedade.

    E assim ele ficou fazendo rodeios entre sua consciência, seu dever e aquilo que considerava suas vantagens neste mundo. Mas o ponto é este: Deus o estava conduzindo a uma decisão definida e deliberada, sem lhe deixar saída. Ele não podia escapar disso. No fim, tinha de decidir.

    Vocês não acham isso terrível? Não creio que haja alguém aqui, por mais baixo que tenhamos caído, por mais mentiras que estejamos dispostos a contar na vida, que não sinta, ao ler essa história: “Bem, ele não é um homem muito admirável — não é realmente o tipo certo de homem”.

    Pilatos agiu mal. Todos nós temos senso moral suficiente para dizer que ele foi covarde. Ele teve medo. Estava pensando em si mesmo quando sabia muito bem — sabia muito bem; disse com seus próprios lábios — o que deveria fazer.

    Mesmo com essa convicção de que aquele Homem não havia cometido nenhum mal — nenhum crime Nele, nada digno de morte —, o relato diz, por fim:

    Então, entregou-O a eles para que fosse crucificado.

    A decisão apresentada a cada pessoa

    Agora vocês dizem: “Tudo bem. Isso está na Bíblia. É uma história de muito, muito tempo atrás”. Qual é o ponto? O ponto é este: Deus reservou todo um período na história deste mundo — e esse é o período em que estamos vivendo nesta noite.

    Ele reservou esse período para levar homens e mulheres a essa decisão: apresentar-lhes Seu Filho, Jesus Cristo, como Rei, como Senhor, como Salvador. E Ele os confronta diretamente com essa questão.

    Não pensemos que seja apenas um acidente, um acaso, uma eventualidade ou uma coincidência estarmos aqui neste lugar nesta noite. Há uma soberania de Deus por trás de tudo isso.

    Esta é a era em que Deus, por todo este mundo, está apresentando Seu Filho aos homens e dizendo: “O que vocês vão fazer com Ele? O que vão fazer a respeito desta questão — se Meu Filho será ou não Rei na vida de vocês? Qual é a resposta de vocês?”

    Quando Jesus ressuscitou dentre os mortos — depois de O terem crucificado —, Ele reuniu Seus discípulos, aquele primeiro grupo de homens, e disse: “Agora, ide por todo o mundo”. O que Ele disse?

    Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.

    Ele é Rei. Vão por todo o mundo e anunciem isso. Apresentem-Me aos homens como Rei. Isso tem acontecido ao longo de todos esses anos. Está acontecendo por todo o mundo hoje. Em toda parte, homens e mulheres estão sendo confrontados com esta questão: Jesus é o Rei designado por Deus para a sua vida. O que você vai fazer a respeito?

    A transformação produzida pelo reinado de Cristo

    Vocês podem percorrer este mundo hoje. Alguns de vocês, sem dúvida, já estiveram em diferentes partes do mundo, em diferentes países, e podem ver toda a diferença que isso fez na vida de homens e mulheres que permitiram que Jesus Se tornasse Rei de sua vida. Uma diferença tremenda. Uma diferença maravilhosa.

    Por um lado, isso significa salvação. Significa paz interior. Significa comunhão com Deus. Ah, significa tanta coisa! Vocês podem procurar algumas pessoas que estão aqui nesta noite e perguntar-lhes a respeito. Elas conhecem a diferença que Jesus fez.

    Percorram este mundo inteiro e ouvirão o que homens e mulheres têm a dizer: “Sim, eu jamais seria o mesmo sem Jesus”. Vão a um país como a Índia, por exemplo. Ora, é um país de trevas, um país de pecado terrível. Bem, não deveríamos falar assim de outro país, porque este país também é terrível em seu pecado; mas o pecado parece estar tão exposto em países como aqueles.

    Há trevas e miséria — pessoas daquele país tão oprimidas e abatidas, tão entregues ao mal, tão miseráveis e tão infelizes. Mas, à medida que vocês circulam por ali, veem outros tipos de pessoas.

    Foi isso que me impressionou mais do que qualquer outra coisa quando fui à Índia pela primeira vez, e em todas as vezes em que fui à Índia: ali estão pessoas com o rosto cheio de sorrisos, cantando e felizes — sim, realmente felizes.

    Ali estão elas, juntas, desfrutando de momentos tão bons; e relógios não importam naquele país. De fato, não há paciência para relógios. Horas e horas e horas juntos — qual é o segredo? Deixaram Jesus ser Rei.

    Perguntem a elas. Foi isso que fez a diferença. Aqui estão esses dois tipos inteiramente diferentes de pessoas: as abatidas, miseráveis, aflitas e infelizes, e as felizes e alegres. É porque, quando Deus, por meio de Seus mensageiros, trouxe Jesus à presença delas e O apresentou como Rei, elas responderam à pergunta: “O que vocês vão fazer?”

    Para usar as palavras de Pilatos:

    Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo?

    E essas pessoas dizem: “Ele será aquilo que Deus determinou que Ele fosse: Rei de nossa vida”. Ah, que diferença!

    As consequências da rejeição de Cristo

    Que diferença teria feito para os judeus se tivessem seguido esse caminho. Mas, vejam, por outro lado, que diferença a escolha deles fez. Há poucos minutos, pedi que vocês guardassem uma coisa:

    Não temos rei, senão César.

    Eles escolheram César, e foi César que tiveram. Poucos anos depois disso, as legiões de César vieram com toda a força ao país deles, destruíram sua cidade, arrasaram-na até o chão, destruíram aquele templo, mataram seus sacerdotes e expulsaram o povo, dispersando-o por toda a terra.

    Daquele dia até hoje, nunca mais tiveram rei. Nunca mais tiveram templo, uma casa de Deus. Escolheram César; foi César que tiveram. Podemos escolher alguma coisa como alternativa a Jesus Cristo — e recebê-la. Isso é terrível: escolher uma alternativa a Jesus Cristo.

    Pilatos representava o Império Romano. Ele tomou essa decisão a respeito de Jesus. Disse: “Não, não vou seguir esse caminho. Não vou aceitar isso. Tenho meus próprios interesses para cuidar. Não vou seguir esse caminho”. Ele decidiu.

    O que aconteceu? Pouco depois, o Império Romano seguiu o caminho dos judeus. Todo o poderoso Império Romano, de César para baixo, seguiu esse caminho para destruir tudo o que pertencia a Jesus Cristo. Por todo o mundo, massacraram milhões de cristãos.

    Eles disseram:

    Não queremos que este Homem reine sobre nós. Crucifica-O.

    Eu lhes pergunto hoje: onde está o Império Romano? Onde está? Bem, está nos livros de história, e vocês podem ver suas ruínas se forem à Itália e a Roma hoje. Ele não existe mais. Acabou. Sofreu uma destruição terrível. O maior império que este mundo conheceu desapareceu.

    Onde está Jesus Cristo hoje? Em milhões e milhões de vidas por todo este mundo, hoje. Vocês encontrarão Seus súditos em quase todos os países deste mundo, e isso tem acontecido há quase dois mil anos.

    Pensem na imensa, imensa multidão de súditos do reino de Jesus Cristo que deve haver no céu, assim como nesta terra. Não é de admirar que o último livro da Bíblia diga assim:

    Dez mil vezes dez mil, e milhares de milhares.

    Faltam palavras para descrever o número daqueles que fizeram de Jesus seu Rei. A nação judaica — ah, como tem sofrido ao longo desses dois mil anos. O Império Romano — como foi eliminado. E isso é verdade a respeito de todos os outros que tentaram tomar o lugar de Jesus Cristo como Rei universal.

    Em nosso próprio tempo de vida, conhecemos alguns homens que fizeram isso, que quiseram ter o mundo inteiro sob seu controle. O que aconteceu com eles? O que aconteceu com Hitler, com Mussolini? Todos se propuseram a ser o poder dominante sobre o mundo inteiro. O que aconteceu com eles?

    Deus reservou isso para Um só, e esse é Seu Filho. É algo tremendo rejeitar Jesus Cristo. É algo glorioso aceitá-Lo.

    O chamado para receber Cristo como Rei

    É isso que vocês têm de dizer. Nesta noite, precisam dizer ao próprio coração: “Que farei de Jesus?”

    Tenho plena certeza de que, se vocês soubessem tudo o que está envolvido em sua decisão — para o bem, se O deixarem ser Rei; para a perda, para a tragédia, se se recusarem a fazê-lo —, diriam nesta noite: “Faço de Jesus meu Rei. Eu O aceito como meu Senhor, como meu Salvador”.

    Creio que, provavelmente, antes de saírem deste lugar, vocês saberiam imediatamente, em seu coração, que fizeram a coisa certa e que fizeram algo glorioso. Pois isso tem sido verdade para muitos, muitos, muitos neste mundo.

    Eles receberam o Senhor Jesus Cristo em seu coração como Senhor e Salvador. Fizeram a melhor coisa que já fizeram em toda a vida, e algo melhor do que jamais imaginaram que fariam. É assim.

    Oração

    Oremos.

    Pedimos, ó Senhor, que venhas sobre esta simples palavra e faças pesar sobre cada coração a questão que Tu mesmo apresentas. Dá, nesta noite, a qualquer pessoa aqui que ainda não tenha tomado uma decisão a respeito disso, a ajuda para dizer: “De agora em diante, Jesus será meu Senhor, meu Salvador. Ele reinará sobre minha vida”.

    Assim, ajuda-nos; nós Te pedimos em nome Dele.