Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque Ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis; e também vencerão os que estão com Ele, chamados, eleitos e fiéis.
Fiel é esta palavra:
Porque, se morremos com Ele, também com Ele viveremos;
Se perseverarmos, também com Ele reinaremos;
Se O negarmos, também Ele nos negará;
Se formos infiéis, Ele permanece fiel; porque não pode negar a Si mesmo.
É pelas misericórdias do Senhor que não somos consumidos, porque as Suas compaixões não têm fim.
Novas são cada manhã; grande é a Tua fidelidade.
A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei Nele.
Não temas as coisas que estás para sofrer: eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias.
Sê fiel até à morte, e Eu te darei a coroa da vida.
Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.
Se, pois, não fostes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras riquezas?
E, se não fostes fiéis no que é de outrem, quem vos dará o que é vosso?
Vamos orar.
Querido Pai celestial, nosso coração está cheio de alegria e gratidão porque, mesmo sendo como somos, Tu nos chamaste para Ti. Somos Teus filhos e temos o direito e o privilégio de nos achegar a Ti, de Te chamar de nosso Pai e de Te adorar.
Ó nosso Pai, como Te agradecemos por toda a Tua misericórdia, benignidade e graça. E, Pai, enquanto permanecemos em Tua presença, pedimos que vivifiques a Tua Palavra em nosso coração. Fala conosco e atrai-nos para Ti, para que possamos dar-Te a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Temos considerado juntos este versículo de Apocalipse 17:14. Ele nos diz que há uma guerra em andamento — uma guerra no âmbito espiritual, que vem acontecendo ao longo das eras e dos séculos. Mas essa guerra um dia chegará ao fim, e Apocalipse 17:14 nos diz que aqui está a última batalha.
Essa guerra é entre Deus e Satanás. Nessa última batalha, vemos que o Cordeiro de Deus, com Seu exército — aqueles que são chamados, eleitos e fiéis —, sairá para lutar contra a besta e seus seguidores, e estes serão completamente destruídos.
Se vocês continuarem até Apocalipse 19, verão que a besta será lançada no lago de fogo, e Satanás será preso e lançado no abismo por mil anos. Então o reino de Deus virá sobre esta terra. Não somente nosso Senhor Jesus reinará, mas aqueles que são chamados, eleitos e fiéis reinarão com Ele durante esse período do milênio.
Estamos examinando estas três qualificações: as daqueles que estão qualificados para seguir o Cordeiro na última batalha e na glória do reino. Essas são as pessoas chamadas, eleitas e fiéis.
Já consideramos juntos o chamado. Graças a Deus, somos chamados pela glória e pela virtude. Não somos chamados apenas para satisfazer nossas pequenas necessidades; somos chamados para satisfazer a própria glória de Deus. Somos chamados pela graça. Nenhum de nós é digno, mas Sua graça vem sobre nós gratuitamente, e somos chamados segundo um propósito.
Quando Deus nos chama, há um propósito por trás disso, e esse propósito é a consumação de nosso chamado. Sabem, somos chamados para sair de muitas, muitas coisas — provavelmente mais do que imaginamos —, e continuamente estamos sendo chamados para sair. Estamos sendo chamados para sair de tudo aquilo que não é de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, tudo o que não é de Deus terá de passar. Somente aquilo que é de Deus permanecerá por toda a eternidade. Por isso, somos chamados para sair de tudo o que não é de Deus, seja o pecado, o mundo, a carne, a vida do nosso eu ou o reino das trevas. Deus está nos chamando para sair de todas essas coisas, a fim de nos chamar para dentro de Seu próprio propósito.
Somos chamados não apenas para ter Cristo como nossa justiça, mas para conhecer Sua vida, Sua vida de ressurreição — como ela é real —, e para conhecer a lei dessa vida, que nos guia todos os dias. Somos chamados para ser filhos de Deus. Somos chamados para a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Somos chamados para ser o Corpo de Cristo. Somos chamados para participar desse propósito eterno de Deus: Cristo e Sua noiva, a igreja.
Portanto, irmãos e irmãs, damos graças a Deus. Não é porque somos melhores do que qualquer outra pessoa. É porque Deus olhou para nós e, por Sua graça, nos chamou. Somos os chamados de Deus.
Mas aqui vemos que não somos apenas os chamados; precisamos ser os eleitos. Isto é, se respondermos àquilo para o que fomos chamados, então seremos escolhidos para cumprir aquela função, aquele propósito para o qual Deus nos chamou.
Lembramos a história de Moisés. Quando tinha quarenta anos, ele escolheu Deus. Escolheu o opróbrio de Cristo em vez das riquezas do Egito. Por ter feito essa escolha correta, tornou-se o instrumento de Deus para conduzir os filhos de Israel ao propósito de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, nós, que somos chamados, precisamos demonstrar que somos os eleitos. É verdade que Deus nos escolheu antes mesmo da fundação do mundo, e essa escolha tem um propósito. Mas não poderemos realmente cumprir o que Deus determinou para nós até que, um dia, façamos uma escolha. Escolhemos Cristo em vez do mundo e, por essa escolha, seremos os eleitos — aqueles que Deus pode usar para cumprir Seu propósito.
Nesta manhã, chegamos à terceira qualificação: os fiéis. Não apenas os chamados, não apenas os eleitos, mas os fiéis.
Sabem, a fidelidade é o caráter de Deus. Nosso Deus é um Deus fiel. Esse é Seu próprio caráter. Ele não pode negar a Si mesmo. Ele é fiel ao que Ele é.
Nós podemos negar, mas Ele nunca negará a Si mesmo. Podemos ser infiéis e, infelizmente, muitas vezes somos, mas Ele permanece fiel. Por quê? Porque a fidelidade é o caráter de Deus. É isso que Deus é. Ele não pode deixar de ser fiel; caso contrário, negaria o que Ele é.
Nosso Deus é tão fiel. Ele é fiel à Sua promessa. Vocês se lembram de que, no jardim do Éden, quando o homem caiu, Deus, em Sua misericórdia, veio ao homem e lhe ofereceu a promessa de redenção, de salvação. Disse que o descendente da mulher viria e, quando viesse, esmagaria a cabeça da serpente, embora a serpente Lhe ferisse o calcanhar.
Essa é a promessa de Deus à humanidade desde o início da história humana. Provavelmente foi há mais de seis mil anos que Deus fez essa promessa. Mas Deus foi fiel à Sua promessa. Quatro mil anos se passaram. Era como se Deus tivesse Se esquecido, mas Deus não havia Se esquecido. Ele foi fiel à Sua promessa. Assim, há dois mil anos, o descendente da mulher veio a este mundo: nosso Senhor Jesus Cristo.
Deus é fiel à Sua Palavra. Ele falou a Noé, dizendo que o mundo estava tão corrompido, que a violência estava por toda parte e que Deus havia Se arrependido de criar a humanidade. Mas Noé achou graça aos olhos de Deus. Então Deus disse a Noé que ainda haveria cento e vinte anos, e depois Ele destruiria o mundo.
De fato, depois de cento e vinte anos, o dilúvio veio e destruiu o mundo inteiro. Podemos pensar que cento e vinte anos são um longo período. Se conseguirmos viver cento e vinte anos, será uma vida muito longa. Mas, para Deus, cento e vinte anos não são nada e, ainda assim, Ele cumpriu Sua Palavra.
Sabem, este mundo não é o que imaginávamos. Ele foi destruído uma vez, coberto pelas águas. Mas Deus salvou Noé e sua família. Depois que Noé e sua família saíram da arca, Noé ofereceu um sacrifício a Deus. O aroma suave subiu até Deus, e Deus o sentiu.
Deus disse: “Nunca mais destruirei o mundo. Nunca mais destruirei toda a humanidade”. E Deus disse:
Enquanto a terra durar, sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não cessarão.
Deus colocou um arco-íris na nuvem para, por assim dizer, lembrar-Se de que cumpriria Sua promessa e nunca mais destruiria esta terra com água. Irmãos e irmãs, vocês sabem que hoje a humanidade ainda está sob a aliança com Noé?
Vemos que a semeadura e a colheita continuam, que o inverno e o verão continuam. Vocês podem não gostar do inverno, mas o inverno e o verão continuam. O calor e o frio continuam, e o dia e a noite continuam. Deus é sempre fiel à Sua promessa.
Depois vemos que Deus fez uma aliança com Abraão. Mesmo quando a lei veio, quatrocentos e trinta anos depois, ela não anulou a promessa que Deus havia feito a Abraão. Deus é sempre fiel à Sua aliança.
Também vemos que Deus é fiel ao que prometeu a Davi. Ele Se agradou de Davi e, por isso, prometeu que sua casa e seu reino seriam firmados para sempre, e que seu trono seria estabelecido para sempre. Vemos como isso se cumpre no Filho de Davi, que é também o Senhor de Davi, nosso Senhor Jesus Cristo. Verdadeiramente, Seu reino nunca termina, e Seu trono está estabelecido para sempre.
A fidelidade de Deus não é vista apenas na história passada. Também encontramos os salmistas cantando a fidelidade de Deus. No livro de Salmos, vemos os salmistas cantando sobre a fidelidade de Deus:
Grande é a Tua fidelidade.
A Tua benignidade dura para sempre, e a Tua fidelidade permanece de geração em geração.
Até os profetas profetizaram a respeito da fidelidade de Deus. Em Lamentações 3, os filhos de Israel estavam numa condição muito, muito ruim. Na verdade, haviam sido destruídos; tinham sido levados para o cativeiro. Mas, graças a Deus, quando olharam para o alto, descobriram que grande é a Sua fidelidade.
É por causa da benignidade de Deus que não somos consumidos, e como isso é verdadeiro. Somos o que somos hoje não por causa do que nós somos, mas por causa do que Ele é — por causa de Sua fidelidade a Si mesmo.
Irmãos e irmãs, quando chegamos ao Novo Testamento, quem encontramos como Aquele que é fiel? Nosso Senhor Jesus Cristo. Em todo o mundo, não há ninguém tão fiel quanto nosso Senhor Jesus. Ele é fiel a Seu Pai, até à morte, sim, à morte de cruz.
Por isso, no livro de Apocalipse, vemos repetidamente que Ele é chamado de testemunha fiel. Em Apocalipse 1, Ele é a testemunha fiel. Em Apocalipse 3, Cristo é o Amém, a testemunha fiel e verdadeira. Em Apocalipse 19, quando Ele vier, será chamado Fiel e Verdadeiro. Nosso Senhor Jesus é Aquele que é fiel; Ele é fiel a Seu Pai.
Graças a Deus, nosso Senhor Jesus não apenas é fiel, mas também é Aquele que traz a fidelidade para nós. Vocês acham que somos fiéis por natureza? Vocês podem encontrar neste mundo algumas pessoas que são mais fiéis do que outras, e isso é verdade. Mas, quando se trata da vontade de Deus, verão que, não importa quem vocês sejam, o homem natural nunca é fiel à vontade de Deus.
Portanto, por natureza, somos infiéis. É isso que éramos. Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus não apenas é fiel, mas também comunica Sua fidelidade a nós. Por quê? Porque a vida que recebemos Dele é uma vida fiel. Em outras palavras, nessa vida de Cristo que recebemos, existe a natureza da fidelidade.
É com base nisso que Ele espera que sejamos fiéis. Sabem, Ele nunca exige aquilo que não deu. Se Ele exigisse fidelidade de nós sem que ela estivesse em nós, estaríamos debaixo da lei, e isso nos traria morte.
Mas, graças a Deus, o que é graça? Graça é que Ele sempre dá primeiro, antes de exigir. Ele exige de Si mesmo; na verdade, não exige de nós. Assim, vemos que o Senhor está procurando hoje pessoas que sejam fiéis a Ele.
Não devemos ser apenas os chamados. Não devemos ser apenas os eleitos. Depois de sermos escolhidos, é necessária fidelidade a Ele, para que sejamos fiéis até o fim. É isso que Deus está procurando entre Seu povo.
Podemos recorrer à Bíblia para encontrar algumas pessoas fiéis que realmente satisfizeram o coração de Deus. Em primeiro lugar, naturalmente, gostamos de pensar em Moisés. Em Hebreus 3, somos informados de que Moisés foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que depois seriam anunciadas.
Moisés foi fiel em toda a casa de Deus. Sabemos que Moisés foi chamado e que Moisés foi escolhido. Ele foi escolhido para ser o líder dos filhos de Israel. Quando lemos Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, vemos como Moisés foi fiel na casa de Deus durante aqueles quarenta anos, enquanto conduzia os filhos de Israel para fora do Egito, a caminho da terra prometida.
Sua fidelidade era tamanha que, quando os filhos de Israel adoraram o bezerro de ouro e Deus quis destruir aquela nação, Deus disse:
Destruirei esta nação e farei de ti uma grande nação.
Agora, pensem na fidelidade de Moisés. Moisés era tão fiel a Deus que não apenas se recusou a ser abençoado por Deus em substituição aos filhos de Israel, mas, pelo contrário, suplicou a Deus. Ele intercedeu pelos filhos de Israel, a ponto de dizer:
Deus, se Tu não os perdoares, risca o meu nome do livro da vida.
Agora, irmãos e irmãs, isso é algo tremendo. Somente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida poderão entrar naquilo que chamamos de céu. Essa é a bendita esperança de todos; esse é o destino final.
Contudo, Moisés, como servo de Deus, era tão fiel àquilo que Deus lhe havia confiado que preferia ver a si mesmo destruído a ver o povo de Deus destruído. Isso é fidelidade.
Depois, se vocês forem a Números 11, verão que eles começaram aquela jornada de peregrinação. Como os filhos de Israel eram difíceis! Eram muito, muito difíceis. Queriam que tudo os satisfizesse e, se alguma coisa acontecia, murmuravam. Não apenas murmuravam contra Deus; Moisés era o alvo. Murmuravam contra ele, culpavam-no por tudo e queriam matá-lo, apedrejá-lo até a morte.
Muitas vezes, vemos que, na controvérsia entre Deus e o povo, Moisés ficava no meio. Deus estava irado, o povo estava irado, e Moisés estava no meio de tudo aquilo. Vocês podem imaginar: o que alguém faria numa situação dessas?
Um dia, Moisés realmente se queixou. Ele disse:
Deus, por que permites que estas coisas me aconteçam?
Por que dizes que tenho de levar os filhos de Israel em meu seio e carregá-los, como um aio carrega a criança de peito?
Eu não os gerei. Eu não os formei.
Por que colocas este fardo sobre mim?
Vocês entendem a questão. Moisés sentia que Deus lhe havia confiado a casa de Israel, e que ele era como um pai que cuidava deles. Ele se perguntava por que Deus lhe faria uma coisa dessas. Dizia que aquilo era demais para ele. Ainda assim, era fiel. Permaneceu fiel.
Embora os filhos de Israel tenham provocado seu espírito e ele tenha perdido a paciência — e, por causa disso, não tenha podido entrar na terra prometida —, vemos que ele não foi alguém que disse: “Bem, se eu não posso entrar, ninguém deve entrar”. Pelo contrário, mesmo antes de morrer, ele suplicou aos filhos de Israel que fossem fiéis a Deus, para que pudessem entrar e possuir a terra. Irmãos e irmãs, isso é fidelidade.
Não apenas isso, mas ele foi fiel em toda a casa de Deus. A casa de Deus, de forma representativa, era o tabernáculo. Deus ordenou a Moisés que construísse um tabernáculo e lhe deu instruções até o último detalhe.
Era quase como se Deus estivesse insultando Moisés. Moisés era um grande homem. Possuía todo o conhecimento do Egito, e o Egito era famoso por sua arquitetura. Até hoje, as pessoas vão ao Egito para ver as pirâmides. Se vocês estudarem as pirâmides, verão que foram construídas com tamanha precisão.
Dizem que, na grande pirâmide, há uma abertura que aponta para o Polo Norte. Ao longo de todos esses milhares de anos, houve um pequeno deslocamento, mas isso mostra como ela era precisa quando foi construída. A arquitetura era uma das glórias do Egito, e Moisés era um construtor.
Contudo, Deus lhe pediu que construísse um pequeno tabernáculo. O que era aquilo? Deus lhe explicou tudo até o último detalhe — não apenas o material e as medidas, mas até um prego e até a sua cor. Deus lhe disse tudo, e Moisés foi fiel.
O que é fidelidade? Fidelidade é ser fiel à Palavra de Deus, até o último detalhe. Moisés não ficou ali dizendo: “Bem, vou melhorar isso”. Vemos que sua fidelidade consistia em fazer a vontade de Deus. Isso é fidelidade. Moisés foi fiel na casa de Deus.
Isso tem muita importância. Por quê? Porque aquilo que ele fez era um testemunho das coisas que viriam. Esse tabernáculo era apenas uma sombra; era a sombra de uma realidade, e a realidade é a Nova Jerusalém. Portanto, é algo grande, não algo pequeno.
Embora o tabernáculo fosse algo pequeno, era uma sombra da realidade. Vocês não podem mudar a sombra. Se mudarem a sombra, já não verão a realidade. Portanto, isso é algo tremendo. Irmãos e irmãs, muitas vezes pensamos que uma coisa pequena não importa, mas ela é um testemunho das coisas que virão. Ela importa, sim. Moisés foi fiel na casa de Deus.
Pensem em Davi. Em Atos 13, está escrito que Deus escolheu Davi porque viu nele um coração. Ele era um homem segundo o próprio coração de Deus, que faria toda a Sua vontade. Havia no coração de Davi o desejo de fazer a vontade de Deus, e isso é fidelidade.
Quando Davi era pastor no deserto, que pastor fiel ele era! Por quê? Porque o leão vinha e o urso vinha atacar as ovelhas que lhe haviam sido confiadas. É claro que ele cuidava apenas de algumas ovelhas, como disse seu irmão, mas como era fiel às suas ovelhas. Estava disposto a sacrificar a própria vida. Lutava com o leão; agarrava o urso e o despedaçava para salvar as ovelhas. Ele era fiel às suas ovelhas.
E como ele era fiel a Saul. Saul o maltratava tanto e queria matá-lo, mas não havia ninguém tão fiel entre os servos de Saul quanto Davi. O sacerdote Aimeleque disse a respeito de Davi:
Ninguém é tão fiel em tua casa quanto Davi, teu genro.
Davi era tão fiel a Saul, e era fiel à Palavra de Deus, porque Saul era o ungido de Deus. Por isso, não buscaria sua própria vantagem matando Saul. Era como se Deus o tivesse provado e colocado Saul em suas mãos duas vezes. Seus homens disseram: “Mate-o, e todos os seus problemas acabarão”. Mas Davi disse: “Não, não posso tocar no ungido de Deus”. Ele era fiel.
Como ele era fiel a Deus. Quando subiu ao trono, a primeira coisa que fez foi tomar Jerusalém, porque Jerusalém era o lugar designado por Deus. Já em Deuteronômio, Deus havia dito que um dia escolheria um lugar para ali colocar Seu nome. Mas todos aqueles séculos haviam passado, e esse lugar ainda não havia sido estabelecido.
Davi sabia, por revelação, que Jerusalém era o lugar. Assim, a primeira coisa que fez como rei foi tomar Jerusalém, para que Deus tivesse um nome na terra. Ele levou a arca para a cidade e pretendia construir uma casa para Deus. Isso mostra sua fidelidade.
Ele não recebeu permissão para construir o templo porque era um homem de guerra; havia derramado muito sangue. Contudo, o fato de não ter recebido permissão para construí-lo não o levou a se desligar da obra. Vemos que ele preparou todos os materiais para o templo, porque amava a Deus e à Sua casa. Isso é fidelidade.
Pensem em Daniel. Como Daniel era fiel a Deus. Ainda adolescente, foi levado como refém para a Babilônia. Ironicamente, parecia que a sorte lhe havia sorrido, porque, embora tivesse sido tirado de seu país e de sua família e levado para um país estrangeiro, foi escolhido para ser educado e instruído a fim de servir diante do grande rei.
E lhe foram dados a comida do rei e o vinho do rei. Aqui vemos um jovem determinado a não se contaminar com a comida do rei nem com o vinho do rei, a fim de se manter puro para Deus.
O que havia de errado em desfrutar da comida e do vinho do rei? A comida e o vinho do rei normalmente eram oferecidos primeiro aos ídolos, antes de serem servidos. Por isso, Daniel queria se manter puro para Deus. Ele não permitiria que o contaminassem, porque sua vida era para Deus, não para qualquer outra pessoa.
Deus honrou sua fidelidade. Deus abriu um caminho para ele. Ele pôde deixar de comer a comida do rei e de beber o vinho do rei e, ainda assim, ficou mais robusto do que os outros jovens que comiam e bebiam aquilo. Deus lhe deu sabedoria, entendimento e discernimento para interpretar sonhos e visões.
Quão fiel era Daniel? Ele foi colocado na posição mais elevada do governo, logo abaixo do rei. Não apenas no Império Babilônico, sob seus reis, mas, mesmo depois que a Babilônia foi destruída pela Medo-Pérsia, ele era praticamente um primeiro-ministro na Medo-Pérsia.
É claro que os outros tinham muita inveja dele, por isso queriam encontrar alguma falha ou algum pretexto para acusá-lo. Mas não conseguiram encontrar nada. Ele era o primeiro-ministro, administrando milhares de assuntos em todo o país e em todo o império, e, ainda assim, seus inimigos não conseguiam encontrar uma falha em tudo o que fazia. Por quê? Porque ele era fiel.
Por fim, disseram: “Se quisermos encontrar alguma coisa contra esse homem, teremos de encontrá-la em seu relacionamento com Deus”. Então persuadiram o rei Dario, procurando alimentar seu ego, a decretar que, durante trinta dias, ninguém poderia pedir coisa alguma a qualquer deus ou homem, a não ser a ele. Bem, isso realmente alimentou seu ego, e ele caiu naquela armadilha e assinou o decreto.
Então Daniel foi para seu quarto, como de costume, ajoelhou-se, orou e abriu a janela voltada para Jerusalém. Ele poderia ter fechado a janela e orado, para que ninguém o visse, mas abriu a janela voltada para Jerusalém e orou — fiel a Deus, mesmo diante da morte.
Deus o honrou. Deus fechou a boca dos leões e o livrou. Irmãos e irmãs, isso é fidelidade.
Podemos pensar em Paulo. Paulo é outro que representa os fiéis. Deus não apenas o chamou e o escolheu, mas também lhe deu força, porque o considerou fiel, colocando-o no ministério como apóstolo.
Como ele era fiel a Deus. Vocês se lembram de que, em sua última viagem a Jerusalém, ele chamou os presbíteros da igreja em Éfeso para irem a Mileto e abriu seu coração a eles, em Atos 20.
Ele disse:
Durante os três anos e meio em que estive convosco, servi-vos com humildade, com lágrimas e com tribulações;
Nada do que vos era proveitoso deixei de vos anunciar;
Compartilhei convosco todo o conselho de Deus;
Ajudei-vos dia e noite, não apenas publicamente, mas também de casa em casa.
Irmãos e irmãs, como aquele servo era fiel a Deus.
Quando foi julgado diante do rei Agripa, seu testemunho foi:
Ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Era por isso que ele estava ali. Ele foi fiel à visão celestial que Deus lhe havia dado, e foi fiel até à morte.
Portanto, irmãos e irmãs, sabemos que, porque Deus é fiel, porque nosso Senhor Jesus é fiel e porque a vida que Ele nos deu é fiel, Ele espera que nós, que somos chamados e eleitos, sejamos fiéis a Ele até o fim.
Nas sete cartas às igrejas, Sua carta à igreja em Esmirna diz:
Estais em tribulação, mas não desanimeis.
Não temais.
Haverá mais dez dias de tribulação.
Nas Escrituras, dez dias significam um período muito curto. Vocês se lembram de quando o servo de Abraão foi enviado para buscar Rebeca. No dia seguinte, o servo disse: “Visto que vocês já deram Rebeca a Isaque, minha missão está cumprida; portanto, vamos partir”. Mas o irmão e a mãe disseram:
Não, não, não. Que ela fique um pouco mais — dez dias, ou pelo menos alguns dias.
Mas o servo disse:
Não me detenhais, pois o Senhor tem prosperado o meu caminho.
E Rebeca disse:
Irei.
Portanto, dez dias significam um período muito curto. Irmãos e irmãs, neste mundo temos tribulação, mas lembrem-se: são apenas dez dias.
O Senhor Jesus disse:
No mundo tendes tribulação; mas tende bom ânimo: Eu venci o mundo.
E o Senhor disse:
Sê fiel até à morte, e Eu te darei a coroa da vida.
Na terceira carta, a carta à igreja em Pérgamo, Ele diz:
És fiel a Mim.
Ainda guardas a Minha Palavra; não negaste o Meu nome, mesmo nos dias de Antipas, Minha testemunha fiel.
Enquanto o fiel Antipas estava vivo, eles eram fiéis. Mas, depois que Antipas morreu, tornaram-se infiéis.
Quem era esse Antipas? Na história da igreja, não encontramos uma pessoa chamada Antipas. Na verdade, em todas as sete cartas, vemos que esses nomes são simbólicos. Antipas significa “contra todos”. Aqui está um homem que é contra todos.
Este mundo é de tal natureza que ele era um homem de outro mundo. Por isso, parecia às pessoas ser um homem contra todos. Por ser tão fiel a Deus, ele era Antipas, e sofreu, provavelmente o martírio, por essa razão. Mas sua fidelidade sustentou a igreja em Pérgamo enquanto ele viveu.
A fidelidade não é apenas algo pessoal. Se alguém é fiel, pode influenciar outras pessoas a serem fiéis.
Na carta à igreja em Filadélfia, Ele disse:
Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
Em outras palavras, seja fiel até o fim. O que Deus requer é fidelidade.
Há algo muito interessante: no Novo Testamento, as palavras fidelidade e fé são uma só palavra: pistis. É preciso observar o contexto para saber se ela se refere à fidelidade ou à fé. É a mesma palavra.
Por quê? Porque fé, em grego, significa três coisas. Primeiro, significa uma firme convicção e um reconhecimento da revelação ou da verdade de Deus. Isso é fé: uma firme convicção e um reconhecimento da revelação ou da verdade de Deus.
Segundo, com base nessa convicção, vocês se entregam completamente a Deus. Isso é fé. Fé é uma entrega plena. Se vocês creem em Deus, então precisam se entregar a Deus. Se não se entregam a Deus, o que é a sua fé?
Terceiro, porque vocês se entregam a Deus, a fidelidade é produzida em vocês. Vocês são fiéis a Deus. Portanto, fidelidade e fé, na verdade, não podem ser separadas.
O Dr. Lightfoot era um bispo anglicano e uma pessoa extremamente erudita. Ele escreveu alguns comentários que dificilmente podem ser superados. Ao interpretar a palavra fiel, disse que as Escrituras chamam os crentes de “os fiéis”.
O que isso significa? Significa que eles têm fé, que creem? Ou significa que são dignos de confiança, que são fiéis? Ele disse que não podemos ser rígidos quanto a isso. Precisamos deixar que as duas coisas se unam.
Em outras palavras, aqueles que têm fé serão fiéis. Aqueles que são dignos de confiança o são porque confiam. Portanto, irmãos e irmãs, como podemos ser fiéis? Podemos ser fiéis se tivermos fé. A fé é o segredo da fidelidade.
Se cremos em Deus, nossa fé nos dará essa fidelidade. Isso é algo que Deus procura em Seu próprio povo.
Aqui vemos o apóstolo Paulo encorajando Timóteo a ser fiel. A Segunda Carta a Timóteo é uma carta muito especial. Naturalmente, todos os livros da Bíblia são especiais, e todos os livros da Bíblia falam conosco. Mas 2 Timóteo é especialmente relevante para os nossos dias.
Há uma grande diferença entre 1 Timóteo e 2 Timóteo, embora tenham sido escritas com apenas alguns anos de intervalo. Paulo escreveu 1 Timóteo depois de ser libertado da prisão em Roma e visitar novamente Éfeso. Estava com tanta pressa que não pôde ficar ali tempo suficiente, por isso deixou Timóteo naquele lugar para ajudar a edificar a igreja.
A igreja é a casa de Deus, do Deus vivo, a coluna e o fundamento da verdade. Em outras palavras, embora a igreja estivesse muito fraca, ainda era igreja aos olhos de Deus. Deus deixou Timóteo ali para ajudar a edificar a igreja, a fim de que ela pudesse realmente cumprir seu testemunho como coluna e fundamento da verdade.
Por isso, em 1 Timóteo, Paulo instruiu Timóteo sobre como edificar a igreja. Mas, em 2 Timóteo, apenas alguns anos depois, a situação no Império Romano havia mudado completamente.
No ano 64 d.C., Nero incendiou Roma, e o povo estava murmurando. Então ele procurou um bode expiatório e disse que os cristãos haviam feito aquilo. Daquele momento em diante, ser cristão passou a ser um crime.
Quando Paulo foi levado a Roma como prisioneiro pela primeira vez, ser cristão não era um crime. Naquela época, o Império Romano considerava o cristianismo uma seita do judaísmo, e o judaísmo era uma religião reconhecida no Império Romano. Por isso, o Império Romano não perseguia o cristianismo.
Mas então o cristianismo e o judaísmo foram completamente separados, e ser cristão passou a ser uma infração penal. Pensem nisso. Como um ambiente daqueles afetou a igreja naquele tempo!
Quando Paulo escreveu 2 Timóteo, a situação havia mudado completamente. Paulo disse:
Todos os que estão na Ásia se afastaram de mim.
Eles não haviam abandonado Deus, mas haviam abandonado Paulo. Por quê? Porque queriam se proteger, mantendo distância de Paulo, pois ele era considerado um criminoso.
Irmãos e irmãs, era um período de grande tribulação e grande dificuldade. A igreja estava sendo abalada, e muitos dentre o povo de Deus se tornaram infiéis. Quando vocês são colocados numa situação dessas, conseguem permanecer fiéis a Deus, fiéis a seus irmãos e irmãs, fiéis à visão que Deus lhes deu?
Algumas pessoas podem não negar Deus, mas negam seus irmãos e irmãs. Vemos isso acontecer por toda parte sob o domínio comunista. Algumas pessoas chegam até a negar Cristo. Por quê? É tão difícil. Quando vocês perdem a fé em Deus, perdem a fidelidade.
Ali vemos Paulo em uma situação de declínio. Ele sabia que Timóteo era um irmão tímido. Timóteo era uma pessoa retraída, naturalmente tímida. Por isso, Paulo o estava encorajando.
Paulo disse:
Fiel é esta palavra: se perseverarmos, também reinaremos com Cristo.
Se formos infiéis, se O negarmos, Deus nos negará; mas Deus não negará a Si mesmo.
Em outras palavras, seja fiel.
Paulo disse, pela graça de Deus: “Olhem para mim”.
Combati o bom combate.
Acabei a carreira.
Guardei a fé.
Desde agora, a coroa da justiça me está reservada — não apenas a mim, mas a todos os que aguardam a vinda do Senhor.
Irmãos e irmãs, nossos dias são dias de infidelidade. São dias em que as pessoas estão perdendo a fé. Especialmente em um tempo como este, como precisamos ser fiéis. A única maneira de ser fiel é ter fé em Deus.
Quando vocês olham ao redor, tudo está cheio de infidelidade. O mundo é infiel. Até seus irmãos e irmãs podem se mostrar infiéis. O que vocês farão?
Há somente Um para Quem vocês podem olhar, e esse é Deus. Vemos que Ele permanece o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele é sempre fiel a Si mesmo e, porque é fiel a Si mesmo, é fiel a vocês.
Ele espera que vocês tenham fé Nele e sejam fiéis a Ele até o fim. Não apenas isso, mas, em 2 Timóteo, Paulo diz:
Tu, pois, meu filho, fortalece-te na graça que há em Cristo Jesus.
E o que de mim ouviste entre muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros.
Estamos em um tempo em que o testemunho de Deus é fortemente contestado. Vivemos em um tempo perigoso. Vivemos até mesmo em um tempo de apostasia. Vemos pessoas se afastando por todos os lados. Vemos que a igreja não é o que deveria ser.
Quando vivemos numa situação dessas, o que devemos fazer? É porque outros são infiéis que podemos ser infiéis? É porque outros perdem a fé em Deus que devemos perder a nossa fé também?
Ou devemos, numa situação dessas, pela graça de Deus, fortalecer-nos na graça de Deus, guardar tudo o que Ele nos confiou e confiá-lo a homens fiéis?
Em Provérbios, está escrito:
O homem fiel, quem o achará?
O Evangelho diz:
Quando vier o Filho do Homem, achará Ele fé na terra?
Irmãos e irmãs, hoje somos severamente provados nessa questão de fé e fidelidade.
Mas Deus é fiel, e Ele quer que sejamos fiéis — não apenas que nós mesmos sejamos fiéis, mas que confiemos tudo o que Ele nos deu a homens fiéis, para que Seu testemunho continue.
Irmãos e irmãs, graças a Deus, Ele é fiel. Portanto, tenham fé em Deus. Os chamados, os eleitos e os fiéis — eles estarão seguindo o Cordeiro hoje por onde quer que Ele vá.
Assim, na última batalha, quando o Cordeiro vier para a última batalha, eles estarão ali com Ele. E entrarão na glória com Ele. Que Deus nos abençoe. Vamos orar?
Querido Pai celestial, reconhecemos que vivemos em um mundo infiel. Reconhecemos que a fé está desaparecendo por toda parte. Reconhecemos que, mesmo entre o Teu povo, a fidelidade é rara.
Mas, Senhor, olhamos para Ti. Tu nos deste a vida de Teu Filho amado, que é fiel até o fim. Por isso, não podemos confiar em nós mesmos, mas confiamos na Tua vida.
Senhor, olhamos para Ti. Sabemos que Tu és Deus e que és sempre fiel. Portanto, Senhor, mantém-nos fiéis até o fim.
Senhor, levanta homens e mulheres fiéis entre o Teu povo em todo o mundo, para que mantenham o Teu testemunho nesta era de infidelidade. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.