Antes de tudo, gosto de ensinar tudo em nome de nosso Senhor Jesus, e estou muito contente por vocês terem vindo.
Por favor, abram no livro de Números, no capítulo 13.
Números 13:30:
Então Calebe fez calar o povo perante Moisés e disse: Subamos de imediato e possuamos a terra; porque certamente podemos vencê-la.
Agora, Números 14:6-9:
E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes; e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pela qual passamos para espiá-la é terra muitíssimo boa. Se o Senhor Se agradar de nós, então Ele nos introduzirá nesta terra e no-la dará; terra que mana leite e mel. Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, nem temais o povo desta terra; porque são pão para nós: retirou-se deles a sua proteção, e o Senhor é conosco; não os temais.
No mesmo capítulo, em Números 14:24:
Porém o Meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito e perseverou em seguir-Me inteiramente, Eu o introduzirei na terra em que entrou; e a sua descendência a possuirá.
Por favor, abram em Josué 14. Vamos ler Josué 14:6-15.
Josué 14:6-15:
Então os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a palavra que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus, acerca de mim e de ti em Cades-Barneia. Quarenta anos tinha eu quando Moisés, servo do Senhor, me enviou de Cades-Barneia a espiar a terra; e eu lhe trouxe resposta conforme o que havia no meu coração. Todavia, meus irmãos que subiram comigo fizeram derreter o coração do povo; eu, porém, segui inteiramente o Senhor, meu Deus. Então Moisés jurou naquele dia, dizendo: Certamente a terra em que pisou o teu pé será por herança tua e de teus filhos para sempre, porque seguiste inteiramente o Senhor, meu Deus. E agora, eis que o Senhor me conservou em vida, como disse, durante estes quarenta e cinco anos, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, enquanto Israel andava no deserto; e agora, eis que tenho hoje oitenta e cinco anos. Ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, para a guerra, para sair e para entrar. Agora, pois, dá-me esta região montanhosa, da qual o Senhor falou naquele dia; porque tu ouviste naquele dia que os anaquins estavam ali, e que as cidades eram grandes e fortificadas: porventura o Senhor será comigo, e eu os expulsarei, como o Senhor disse. E Josué o abençoou; e deu Hebrom a Calebe, filho de Jefoné, por herança. Portanto, Hebrom passou a ser a herança de Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, até ao dia de hoje; porque seguiu inteiramente o Senhor, Deus de Israel. E antes o nome de Hebrom era Quiriate-Arba; Arba fora o maior homem entre os anaquins. E a terra repousou da guerra.
Pai celestial, é uma graça podermos nos reunir em nome de Teu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Nós Te agradecemos, porque sabemos que Tu estás conosco. Pedimos apenas que abras nossos olhos para Te ver e nosso entendimento para Te conhecer, para que sejamos atraídos inteiramente a Ti.
Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos a Tua bênção sobre ele, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Deus tirou os filhos de Israel do Egito, e a razão pela qual Ele os tirou de lá foi para fazê-los entrar na terra.
Deus prometeu a Abraão essa terra que mana leite e mel. Cerca de quinhentos anos depois, Deus iria cumprir aquela promessa feita a Abraão — cumpri-la em seus descendentes.
Então, aqui vemos que Deus enviou Moisés ao Egito para tirar o povo de lá. Mas precisamos lembrar que o propósito de Deus ao tirá-los de lá era fazê-los entrar na terra.
Isso é bastante evidente, porque vemos que, depois de saírem do Egito e atravessarem o mar Vermelho, Moisés compôs um cântico de vitória. Ele e os filhos de Israel cantaram esse cântico.
Em Êxodo 15:13, lemos:
Tu, em Tua benignidade, guiaste o povo que remiste; com a Tua força o conduziste à Tua santa habitação.
Depois, em Êxodo 15:16-18:
Terror e pavor caem sobre eles; pela grandeza do Teu braço ficam imóveis como pedra; até que passe o Teu povo, ó Senhor, até que passe este povo que adquiriste. Tu os introduzirás e os plantarás no monte da Tua herança, no lugar, ó Senhor, que preparaste para Tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as Tuas mãos estabeleceram. O Senhor reinará para todo o sempre.
Assim que saíram do Egito e atravessaram o mar Vermelho, Moisés deixou muito claro, no cântico de vitória, que a poderosa mão de Deus, que os havia tirado de lá, os introduziria no lugar de Sua santa habitação.
Deus os introduziria na terra. Os povos daquela terra ficariam amedrontados, sabendo que Israel estava chegando. Por fim, eles tomariam posse daquilo que lhes pertencia, e Deus seria seu Rei para todo o sempre.
Ora, esse é o propósito de Deus.
É claro que sabemos que tudo o que está escrito foi escrito para nossa admoestação. Em Romanos 15, somos informados de que todas as coisas que foram escritas foram escritas para nossa admoestação. Admoestação significa, por um lado, encorajamento; por outro, advertência.
Romanos 15:4 diz:
Porque tudo o que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
Tudo o que está escrito a respeito dos filhos de Israel foi escrito para nós. Como vemos em 1 Coríntios 10, eles servem de figuras para nós, que vivemos no fim dos tempos.
Os filhos de Israel eram o povo terreno de Deus, e nós, hoje, somos o povo celestial de Deus. Embora exista essa diferença, o princípio do modo como Deus trata com eles e conosco é o mesmo.
Em outras palavras, o propósito por trás da salvação de Deus para nós, o propósito por trás de nossa libertação, não é simplesmente que sejamos salvos.
O propósito de Deus não é simplesmente nos tirar do mundo. O mundo está sob condenação, e Ele nos salvou. Ele nos libertou do mundo para que não morramos, para que sejamos salvos. Mas esse não é o propósito completo de Deus.
A razão pela qual Ele nos salvou e nos libertou do mundo é que Ele quer nos introduzir em algo. Ele não nos liberta simplesmente do mundo para nos deixar no deserto.
Não é propósito de Deus que fiquemos vagando pelo deserto. A experiência do deserto fala de viver na carne. Podemos ser salvos, mas ainda não ter entrado no propósito de Deus.
Podemos ser salvos e, ainda assim, viver segundo a carne — segundo nossos próprios desejos, nossas próprias preocupações e nossas próprias vontades. Se fizermos isso, estaremos vagando pelo deserto e, por fim, pereceremos no deserto — não no Egito, mas no deserto.
Esse não é o propósito de Deus. O propósito de Deus é nos tirar do mundo e nos introduzir na terra prometida.
A terra prometida, para nós, é Cristo — as insondáveis riquezas de Cristo. O propósito de Deus ao nos salvar é que tomemos posse daquilo que nos pertence, de nossa herança. Que entremos nas riquezas de Cristo e na plenitude de Cristo.
Ora, esse é o propósito de Deus.
Em certo sentido, irmãos e irmãs, já estamos na terra prometida. Assim que somos salvos, Deus nos coloca em Cristo.
Em 1 Coríntios 1:30, está escrito:
Mas vós sois Dele, em Cristo Jesus, o Qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.
No momento em que cremos no Senhor Jesus, Deus nos coloca em Cristo.
Efésios 1:3 diz:
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo.
Estamos em Cristo, e Deus nos abençoou. Isso não é algo apenas para o futuro. É algo que já aconteceu e está acontecendo. Deus nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
Em outras palavras, quando cremos no Senhor Jesus, quanto à nossa posição, já estamos em Canaã. Já estamos em Cristo, e Deus já nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Deus nos deu todas as riquezas do céu. Essa é a nossa posição.
Mas a pergunta é: qual é a nossa condição?
Deus deu a terra a Abraão quinhentos anos antes. Ele disse: “Darei esta terra a ti e à tua descendência”. A terra já havia sido dada havia centenas de anos, mas agora Deus dizia: “Entrem e tomem posse dela. Explorem-na. Pisem nela. Reivindiquem-na. Experimentem-na. Recebam-na como herança”.
Essa é a condição. Todo lugar em que pisar a planta do pé de vocês será de vocês.
Em outras palavras, é mais do que uma questão de posição; torna-se uma questão de condição. Precisamos tomar posse daquilo que nos pertence.
Não há problema algum com a promessa de Deus. Deus prometeu e, no que diz respeito a Deus, Sua promessa é tão certa como se já estivesse cumprida, porque Ele nunca muda. Ele nunca volta atrás em Sua palavra. O que Ele deu, está dado, e Ele nunca o tomará de volta. Está feito.
Mas, no que diz respeito à nossa experiência, precisamos entrar naquilo que nos foi prometido.
Essa é a diferença entre a verdade objetiva e a experiência subjetiva. Irmãos e irmãs, lembremos: não há conflito entre a verdade objetiva e a experiência subjetiva. Pelo contrário, a verdade objetiva e a experiência subjetiva se complementam.
A verdade objetiva é algo que Deus fez em Cristo Jesus. É algo que já foi feito. Está consumado. Você não pode acrescentar nada a isso, nem tirar nada disso. Nunca muda. É verdade eterna e realidade eterna.
No que diz respeito à verdade objetiva, estamos em Cristo. Deus fez isso, e Deus nos abençoou com toda bênção espiritual em Cristo Jesus. Isso está estabelecido.
Mas o que é a experiência subjetiva? A experiência subjetiva é o que o Espírito Santo está fazendo em cada um de nós hoje.
Ele toma aquilo que Cristo fez há dois mil anos e o torna pessoal para nós — nossa vida e experiência pessoais. Essa é a experiência subjetiva.
Tudo o que Deus fez em Cristo Jesus, é vontade de Deus que disso nos beneficiemos, que disso tiremos proveito e por isso sejamos abençoados. Como seremos abençoados por aquilo que Cristo fez por nós há dois mil anos? Pelo Espírito Santo.
O Espírito Santo nos comunica o que Cristo fez e o torna real em nós, para que conheçamos, por experiência, o que Deus fez por nós em Cristo.
Quanto à nossa posição, estamos em Cristo e estamos na terra prometida. Mas, quanto à nossa condição, o Espírito Santo nos conduzirá àquilo que Deus providenciou.
É isso que vocês encontram na história dos filhos de Israel. Deus os tirou do Egito e deixou muito claro o Seu propósito. Eles o compreenderam. O povo cantou sobre isso; portanto, vocês não podem dizer que eles não sabiam. Eles sabiam.
Mas, infelizmente, embora soubessem, não creram. Por causa de sua incredulidade, por causa de sua desobediência, porque se rebelaram contra Deus, eles não quiseram entrar.
Deus Se revelou a eles de maneiras tão claras e, ainda assim, eles se recusaram a crer. Por fim, por causa de sua incredulidade, não lhes foi permitido entrar na terra.
A terra lhes foi dada, mas eles não conseguiram tomar posse dela por causa de sua incredulidade.
Mas, graças a Deus, havia dois homens — Calebe e Josué. Daquela antiga geração, somente esses dois homens puderam entrar em Canaã com a nova geração.
Para expressar isso espiritualmente, podemos dizer que foi o espírito de Calebe e Josué que tomou posse da terra. Esse mesmo espírito precisava caracterizar a nova geração antes que o povo pudesse entrar na terra prometida.
O que foi verdadeiro em relação aos filhos de Israel, infelizmente, também é muito verdadeiro em relação à igreja hoje. Entre o povo de Deus, não são muitos, mas poucos, os que parecem conseguir entrar na plenitude da herança prometida.
Mas, em vez de nos determos no aspecto negativo, queremos destacar o positivo. O negativo não é o propósito de Deus; é um afastamento do propósito de Deus. O que Deus deseja é que entremos naquilo que Ele planejou para nós.
É isso que gostaríamos de compartilhar nesta manhã: qual é o segredo de tomar posse daquilo que nos pertence? Ou, em outras palavras, qual é o espírito que toma posse de nossa herança?
Se soubermos que espírito é esse, então, pela graça de Deus, poderemos tomar posse daquilo que nos pertence — isto é, poderemos entrar na plenitude de Cristo.
Nesta manhã, gostaríamos de nos concentrar em Calebe. É claro que o espírito de Calebe e o espírito de Josué são o mesmo; portanto, falar de Calebe é falar de Josué. Mas gostaríamos de falar sobre Calebe.
Na língua hebraica, os nomes têm significado. Não vou entrar na história dos nomes hoje, mas, antigamente, quando as pessoas davam um nome — especialmente na Bíblia —, vemos que os nomes tinham significado.
Qual é o significado de Calebe? Algumas pessoas dizem que Calebe significa “cão”. Isso não é exatamente verdade. Pode haver esse significado na raiz, mas Calebe, na verdade, significa algo como “impetuoso, com a força de um cão”. Sugere vigor, energia e determinação.
Imediatamente, vocês se lembram da palavra de nosso Senhor Jesus em Mateus 11:12:
E desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência, e os violentos o tomam à força.
A palavra ali significa alguém que age com vigor. No âmbito espiritual, há tanta oposição e resistência à vontade e ao propósito de Deus que, se vocês quiserem entrar no propósito de Deus, terão de avançar, abrindo caminho.
Se vocês tentarem ser passivos, ou mesmo neutros, não conseguirão. Há algo que precisamos compreender: no âmbito espiritual, vocês encontrarão essa oposição.
Temos a oposição do inimigo, Satanás. Existe um adversário, e ele é muito real. Existe um mundo invisível, e esse mundo invisível é mais real do que o mundo visível.
Ali vocês encontram o adversário, Satanás, com toda a sua hierarquia do mal e todos os demônios sob seu comando, tentando todo artifício e todo meio para nos bloquear e impedir nossa entrada no propósito de Deus.
Ele usa o mundo como seu instrumento. Ele é chamado de príncipe desta era e de deus deste mundo. Ele usa o mundo para se opor àqueles que querem entrar no pleno propósito de Deus.
O mundo é muito abrangente. Não se trata apenas do mundo físico em si — a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida. Satanás usa as coisas do mundo para distrair, desviar, deter e escravizar o povo de Deus.
Ele quer que estejam tão ocupados com as coisas do mundo, com as ansiedades e os cuidados do mundo, que nem sequer tenham força ou desejo de prosseguir e avançar.
Mas o mundo não é apenas o mundo físico; existe também o mundo religioso. Satanás criou um mundo religioso e, por meio desse mundo religioso, tenta impedir as pessoas de entrar no propósito de Deus.
Ele diz: “Bem, seja apenas religioso, e isso basta. Não seja religioso demais, fanático demais. Seja tradicional, como as outras pessoas. Não seja diferente”.
Mesmo no mundo religioso, vocês encontram a mesma coisa. Ele o usa para bloquear o caminho. Usa tudo o que pode para impedir vocês de entrar no propósito de Deus.
Se alguém quiser entrar no pleno propósito de Deus, terá de avançar, abrindo caminho. Terá de ter uma santa ousadia e uma determinação espiritual.
Vocês se lembram da história de Paulo, quando ele dava testemunho diante de Festo e Agripa. O governador romano disse, em Atos 26:24:
Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.
O mundo considerará louco qualquer um que avance para a plenitude de Cristo e para o propósito de Deus — não apenas louco, mas também tolo.
Dirão: “Por que você age assim? Isso não é razoável. É irracional. Por que você nada contra a corrente? Siga a corrente”.
Mas é isso que a vida faz. Tudo o que tem vida precisa ir contra a corrente. Peixes mortos seguem a corrente, mas peixes vivos sempre vão contra a corrente. É isso que a vida faz.
Irmãos e irmãs, a vida dentro de nós é tão vigorosa que nos impele, nos chama o tempo todo a avançar, abrindo caminho.
Ser cristão não é fácil. Ser salvo não é tão difícil, mas ser realmente cristão — seguir realmente o Senhor e avançar até a plenitude que está em Cristo — não é fácil.
Isso exige uma loucura espiritual. Exige que sejamos loucos por amor a Cristo. Caso contrário, se você for apenas passivo, nunca conseguirá.
Pergunto-me se alguma vez ficamos loucos no bom sentido. Pergunto-me se alguma vez estamos dispostos a ser loucos por amor a Cristo.
A vontade de Deus é revelada aos pequeninos, e não aos prudentes e sábios. Se você for sábio demais, vai analisar tudo. Vai calcular tudo e, enquanto calcula, dirá: “O preço é alto demais”.
Somente os pequeninos — os simples e puros —, que talvez não percebam tudo o que está envolvido, simplesmente se lançam adiante e entram.
Calebe tinha esse tipo de espírito, sem dúvida alguma.
A Bíblia diz que Calebe tinha outro espírito. Os outros espias, juntamente com os filhos de Israel daquela geração, tinham um tipo de espírito. Calebe tinha outro espírito dentro de si.
Qual era o espírito dos dez espias? Era o espírito do mundo. Era o espírito de sua própria carne. Não era o Espírito Santo.
Então, irmãos e irmãs, que espírito nós temos?
Graças a Deus, o Espírito que está em nós é o Espírito de filiação. Vamos abrir em 1 Coríntios 2.
1 Coríntios 2:12 diz:
Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus; para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.
Qual é o Espírito que recebemos? Não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus. Portanto, conhecemos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.
Abram agora em Romanos 8:15:
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor; mas recebestes o Espírito de adoção, pelo Qual clamamos: Aba, Pai.
A palavra “adoção” ali é, na verdade, filiação. O Espírito que recebemos não é um espírito de escravidão para nos levar novamente ao temor, mas o Espírito de filiação, pelo Qual clamamos: “Aba, Pai”.
Agora, abram em Gálatas 4:4-6:
Mas, vindo a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para que remisse os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai.
Qual é o Espírito que recebemos? É o Espírito do Filho de Deus. É o Espírito de filiação.
Em outras palavras, todos nós recebemos dentro de nós um Espírito diferente do espírito do mundo. Ele é diferente do espírito de escravidão. É o Espírito do Filho de Deus; portanto, é o Espírito de filiação.
O Espírito dentro de nós é o Espírito de um Filho. O espírito de um filho sempre clama por crescimento, por maturidade e por plenitude.
Não é verdade, irmãos e irmãs? Nós temos esse Espírito.
O Espírito dentro de nós está clamando o tempo todo. Ele não ficará em silêncio. Ele Se recusa a ser passivo, recusa-Se a ficar parado e recusa-Se a permanecer onde está.
Dentro de você há um Espírito de Deus que sempre anseia por mais, sempre busca algo mais — algo mais do Filho.
Há algo dentro de cada filho de Deus que avança em direção ao Filho, para que sejamos conformados à Sua imagem. Esse Espírito nos foi dado. Cada irmão e cada irmã tem esse Espírito dentro de si.
Às vezes, você percebe isso. Às vezes, há algo dentro de você que se recusa a desistir, que se recusa a ceder e que o impele a avançar para a maturidade — a crescer até a medida da estatura da plenitude de Cristo.
Essa experiência existe dentro de você porque esse é o Espírito que está em você. É o Espírito de filiação. Temos em nós o Espírito de filiação.
Mas, novamente, há uma diferença entre posição e condição. Há uma diferença entre o que Deus deu e como temos respondido a isso.
Qual é o espírito de Calebe? Quando os dez espias disseram: “A terra é boa, mas não podemos entrar. Há gigantes ali, e as cidades têm muralhas que chegam ao céu”, Calebe se opôs a eles.
Eles disseram: “Não, não podemos ir. É impossível”. Mas Calebe fez o povo se calar e disse: “Podemos entrar. Vamos entrar com ousadia. Somos capazes. Certamente podemos vencê-la”.
Por quê? Porque ele disse: “Se Deus Se agrada de nós, se Deus está conosco, quem pode ser contra nós? Podemos entrar e tomar posse da terra. Esses inimigos serão nosso alimento, tornando-nos cada vez mais fortes”.
Existe esse espírito. Esse é o espírito que toma posse.
O que Deus diz? Deus diz que Calebe tinha outro espírito dentro de si e que havia seguido a Deus inteiramente.
Essa expressão é repetida várias vezes a respeito de Calebe. Deus disse que ele O havia seguido inteiramente. Moisés testemunhou que Calebe havia seguido inteiramente o Senhor, e o próprio Calebe testemunhou: “Todos esses anos tenho seguido o Senhor”.
Creio que é aqui que precisamos ter cuidado. No que diz respeito ao Espírito de filiação, todos nós O temos. Mas temos seguido o Senhor?
O Espírito do Filho está clamando dentro de nós para que avancemos, mas nós respondemos? Nós seguimos? Nós cooperamos? Nós nos submetemos? Nós ouvimos?
Ou recuamos? Olhamos ao redor e concluímos que é difícil demais, que é uma situação impossível, e simplesmente desistimos? Esse é o nosso perigo.
Você pode expressar isso de outra maneira: está seguindo o Espírito de Deus, o Espírito do Filho dentro de você, ou está seguindo a carne?
Quando você começa a olhar ao redor, quando começa a considerar a si mesmo, o espírito do mundo vem sobre você, e o espírito do próprio eu passa a dominar. Imediatamente, há conflito entre você e o Espírito do Filho.
O Espírito do Filho diz: “Prossiga”, mas o espírito da carne diz: “É impossível”. Quem você quer? Quem você segue? Você segue o Senhor inteiramente?
A Bíblia diz, em Marcos 12:30:
Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças.
Se você ama o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças, então é tudo ou nada.
Você não pode dar a Deus apenas um pouco do coração. Um pouco do coração é como não dar coração algum. Você não pode dar a Ele apenas um pouco do entendimento. Se estiver dividido, nunca conseguirá.
O que Deus deseja é que O sigamos plenamente, inteiramente e sem reservas. Essa é a loucura espiritual. Isso é algo de que todos nós precisamos.
Graças a Deus, todos nós temos o Espírito do Filho. É realmente curioso: quando você cresce, talvez deseje que a vida desacelere; mas, quando é pequeno, quer crescer.
Ainda me lembro de minha irmã mais nova. Agora ela está idosa, mas, quando era menina, ela e uma prima da mesma idade estavam sentadas na escada, conversando. Alguém as ouviu dizer: “Ah, como gostaríamos de ser como nossos irmãos e irmãs mais velhos. Somos tão pequenas”.
As crianças querem crescer. Esse é o espírito de uma criança. Você tem vida espiritual, e essa vida exige crescimento. O espírito está sempre ali: “Cresça, cresça”. Esse é o espírito de filiação, o Espírito do Filho, e precisamos seguir o Senhor.
Não se deixem distrair, absorver por outras coisas, frustrar ou levar a um estado de estagnação e inatividade. Não recuem, dizendo: “É impossível”. Nada é impossível para Deus. Precisamos prosseguir para tomar posse da terra, e precisamos seguir o Senhor inteiramente.
Isso é ir contra a corrente. Quando Calebe disse essas coisas, o povo pegou pedras para apedrejá-lo. Consideravam que ele não era razoável.
Mas eu realmente creio, irmãos e irmãs, que Deus já colocou esse Espírito em nós. A única questão é se seguiremos o Senhor e cooperaremos com o Espírito.
A vida espiritual e a batalha espiritual são, na verdade, muito simples. Quando você pensa que precisa fazer tudo, tudo se torna complicado e impossível.
Mas, quando você começa a perceber que tudo o que Deus exige de você é disposição, entrega e submissão — entregar-se ao Senhor —, então Ele fará a obra.
Calebe disse: “Se Deus Se agradar de nós”. A palavra “se” não é usada no sentido de incerteza, como se talvez Deus não Se agradasse. É uma palavra de humildade e fé.
Se Deus é por mim, por que não? Se Deus Se agrada de nós, se essa é a vontade de Deus, por que não?
Calebe não dependia de si mesmo. Ele sempre dizia: “Se Deus Se agrada de nós, se Deus está conosco, se essa é a vontade de Deus, então podemos fazê-lo. Por que não entramos e tomamos posse da terra?”.
Isso é muito simples, e é tudo o que Deus exige de nós. Ele já fez tudo. Ele nos deu tudo. Agora o Espírito Santo tornará isso real para nós. Tudo o que você precisa fazer é permitir que Ele o faça.
Não bloqueie o caminho Dele. Coopere com Ele. Siga-O, e você entrará.
Há certas coisas na vida de Calebe que podemos aprender. Ele era um dos doze espias. Por causa de sua fé em Deus, no momento em que voltaram de espiar a terra, Deus prometeu que a terra em que ele havia pisado seria dele.
Deus lhe deu aquela porção da terra. Mas, curiosamente, ele só recebeu aquela terra como herança quarenta e cinco anos depois.
Ele poderia ter recebido aquela terra como herança quarenta e cinco anos antes. Deus disse: “Agora esta terra é sua. Você já pôs o pé nela; ela é sua”. Mas ele só tomou posse dela de fato quarenta e cinco anos depois.
Por que foi assim? Creio que há uma grande lição aqui. Vocês encontram o mesmo princípio em Hebreus 11.
Hebreus 11 é um grande capítulo sobre a fé. Começa com Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e os profetas. São homens e mulheres de fé.
Mas, perto da conclusão de Hebreus 11, o Espírito Santo diz, em Hebreus 11:39-40:
E todos estes, tendo recebido bom testemunho por sua fé, não receberam a promessa; havendo Deus provido alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.
Tomar posse daquilo que nos pertence, dessa herança, é uma questão coletiva. É verdade que cada um de nós possuirá uma porção; isso é verdade. Mas lembrem-se: devemos receber nossa herança coletivamente.
Individualmente, Calebe poderia ter recebido sua terra como herança quarenta e cinco anos antes, mas não pôde, porque o propósito de Deus não é apenas para indivíduos. O propósito de Deus é para um povo como um todo.
Por causa disso, Calebe teve de peregrinar com os outros no deserto até que uma nova geração fosse levantada.
Aqueles anos de peregrinação no deserto serviram, por um lado, para que os que estavam em incredulidade morressem. Por outro lado, uma nova geração recebeu o espírito de Calebe.
O espírito de Calebe não deveria ser apenas uma posse pessoal dele; deveria ser compartilhado com uma nova geração, para que toda uma geração, com esse novo espírito, pudesse entrar e tomar posse da terra.
A vontade de Deus é coletiva, não individual. Deus não está procurando apenas vencedores individuais. Um vencedor não vence somente para si mesmo, mas para todos nós.
O objetivo é conduzir toda uma geração àquela herança. Com esse novo espírito, toda a geração toma posse.
É isso que Deus exige de todos nós. É mais do que uma vida pessoal; é uma questão coletiva.
Por causa disso, vocês percebem como é importante, por um lado, que não fracassemos, porque, se fracassarmos, arrastamos outros para baixo. Por outro lado, precisamos avançar para conduzir outras pessoas à herança.
Em Josué 14, vemos que, quando Calebe saiu para espiar a terra, tinha quarenta anos. Israel peregrinou pelo deserto durante trinta e oito anos. Depois, sob a liderança de Josué, eles entraram na terra e combateram seus inimigos durante sete anos.
Depois de terem entrado na terra, a luta terminou, e Josué começou a repartir a terra entre os filhos de Israel. Foi nessa ocasião que Calebe veio a Josué.
Ele lembrou Josué: “Quando éramos jovens e fomos espiar a terra, voltei com um relato conforme o que havia no meu coração. Era isso que eu sentia. Era isso em que eu cria, porque esse era o espírito dentro de mim”.
Então ele disse: “Agora tenho oitenta e cinco anos, mas continuo tão forte como sempre, como estava há quarenta e cinco anos. Posso sair e entrar. Deus me conservou durante todos esses anos”.
Quando espiaram a terra, ouviram dizer que havia anaquins ali. Eram gigantes. Calebe ouvira falar deles naquela época, e os gigantes ainda estavam lá.
Mas ele disse: “Se Deus Se agradar de mim, expulsarei os anaquins e tomarei posse da terra”. Seu espírito não havia mudado. Ainda era o mesmo espírito, embora ele tivesse oitenta e cinco anos.
Quero encorajar aqueles que são mais avançados em idade. Às vezes, quando envelhecemos, pensamos: “Bem, fisicamente talvez estejamos mais fracos. Já não somos úteis. Está quase tudo acabado. Podemos simplesmente nos acomodar e esperar”.
Mas não. Vocês veem que o espírito de Calebe continuava tão forte como sempre. Mesmo depois de quarenta e cinco anos, aos oitenta e cinco anos de idade, ele ainda avançava.
Na verdade, quarenta e cinco anos antes, ele havia ouvido falar dos gigantes. Mas agora, aos oitenta e cinco anos, tomou posse daquela terra.
Ouvir falar dos gigantes é uma coisa, mas expulsá-los de suas terras é outra. O povo ouviu falar dos gigantes e ficou tão amedrontado que disse: “Somos como gafanhotos aos olhos deles”.
Mas Calebe continuava tão forte como sempre. Ele expulsou os anaquins e mudou aquele lugar. Antes, era a cidade dos gigantes, mas ele a transformou em Hebrom — comunhão e convivência.
Hebrom, convivência e comunhão, deve ser um encorajamento para nós. Não pense que está velho. Calebe tinha oitenta e cinco anos e ainda era muito forte. Foi então que ele tomou posse de sua herança.
Prossiga. Ainda há muito mais de Cristo em que você pode realmente entrar e de que pode tomar posse.
Irmãos e irmãs, realmente sinto em meu coração que estamos vivendo no fim desta era. A vinda do Senhor está próxima. Não sabemos quanto tempo temos.
Neste breve período, muita coisa depende de sermos fiéis até o fim ou de nos desviarmos — de cairmos no deserto ou de entrarmos na terra prometida.
Muita coisa depende desse tempo tão curto. Como diz Hebreus 10:37:
Porque ainda um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá e não tardará.
Deus não Se agrada daqueles que recuam. Ele quer que avancemos para a plenitude.
Pai celestial, como nós Te louvamos e Te agradecemos, porque Teus pensamentos a nosso respeito são tantos e tão nobres. Tu desejas que não sejamos apenas salvos, mas que entremos na plenitude que está em Cristo.
Tu nos prometeste tudo isso. Tu até nos deste o Espírito de filiação dentro de nós, clamando por aquilo que prometeste.
Senhor, pedimos que não sejamos daqueles que se afastam, daqueles que não creem ou daqueles que não prosseguem. Senhor, pedimos que, por Tua graça, Tu nos capacites.
Que respondamos. Que cooperemos Contigo e Te sigamos de todo o coração. Senhor, realmente queremos entrar na plenitude que preparaste para nós, e pedimos que essa seja a nossa porção — não apenas individualmente, mas coletivamente, entre os mais velhos e os mais jovens.
Senhor, nossa vontade é entrar. Por isso, Senhor, pedimos que uses estas poucas palavras para nos encorajar, nos orientar e nos conduzir a essa plenitude. Tudo é para a Tua glória.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.