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    Pastoral Care #2: Psalm 23 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Pastoral Care #2: Psalm 23
    Pastoral Care #2: Psalm 23
    Kaung, Stephen

    O cuidado pastoral segundo o modelo do Bom Pastor

    Este é um cântico escrito por Davi, o rei-pastor. Como pastor, ele conhecia as ovelhas; e, ao mesmo tempo, como ovelha, conhecia o seu Pastor.

    Acho que provavelmente ninguém no mundo valorizou o Senhor como Pastor mais do que Davi — não apenas por sua experiência com as ovelhas, pois ele próprio era pastor, mas, sobretudo, porque experimentou o Senhor como seu Pastor. Assim, a partir de sua experiência com o Senhor, ele compôs este cântico.

    Não é apenas um cântico bonito. É real. É vivo.

    O Senhor como Pastor de Davi

    Ele começa:

    O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

    Ele é uma ovelha. Sabe o que é. Mas está bem porque conhece um Pastor e se entrega totalmente a Ele. É por isso que pode dizer: “O Senhor é o meu Pastor”.

    Há ovelhas que não conhecem a si mesmas, que se julgam sábias, inteligentes, capazes e autossuficientes. Não precisam de um pastor, por isso se afastam. Seguem seu próprio caminho e acabam em desastre.

    Mas há ovelhas conscientes de sua própria fraqueza, que sabem que não são autossuficientes. Reconhecem sua necessidade de um pastor e se colocam sob o pastoreio do Senhor. Essas são as pessoas bem-aventuradas.

    Portanto, de nossa parte, precisa haver uma entrega total. Precisamos nos entregar ao Senhor. Se nos entregarmos a Ele, descobriremos que Ele está totalmente comprometido conosco. Assim, podemos dizer: “Nada me faltará”.

    Vocês sabem, todos nós temos necessidades de muitos tipos, das mais variadas. Mas, se realmente nos entregarmos ao Senhor como nosso Pastor, descobriremos que todas as nossas necessidades são supridas por Ele. Talvez não sejam supridas da maneira que esperamos, mas descobrimos que sempre são supridas, porque o Senhor é o nosso Pastor.

    O fundamento do cuidado pastoral

    Agora, quanto a essa questão do cuidado pastoral, acho que ninguém está qualificado para se envolver nesse cuidado se não tiver experimentado o cuidado do Senhor como Pastor.

    Em outras palavras, ao nos envolvermos na obra de pastoreio, nós mesmos precisamos aprender as lições de sermos pastoreados pelo Senhor. Não podemos cuidar espiritualmente das pessoas além da medida em que nós mesmos temos sido cuidados pelo Senhor.

    Isso porque pastorear não é apenas uma questão de oferecer alguns conselhos, princípios ou ensinamentos. É, na verdade, compartilhar Cristo.

    Já passamos por necessidades. Já nos faltaram coisas. Descobrimos que nosso Senhor Jesus, sendo nosso Pastor, supriu cada necessidade nossa e atendeu a tudo o que nos faltava. A partir dessa experiência, somos capazes de ajudar nossos irmãos e irmãs.

    Em outras palavras, não são nosso conhecimento livresco, informações de segunda mão, habilidades ou fórmulas que aprendemos que podem realmente pastorear as pessoas. É nossa experiência com o próprio Senhor como nosso Pastor que pode ajudar nossos irmãos e irmãs.

    Não vamos entrar no salmo e procurar ver, na vida diária de Davi, como ele descobriu o Senhor como seu Pastor. Acho que seria um estudo muito proveitoso meditarmos neste salmo tendo diante de nós a vida de Davi.

    Tudo o que ele diz neste salmo é sua experiência com o Senhor como seu Pastor. Para ele, não era teoria. Vocês podem relacionar cada palavra deste salmo a alguma fase da vida diária de Davi e ver como ele descobriu o Senhor como seu Pastor — ou, em outras palavras, como descobriu que o Senhor era tudo para ele.

    Mas o que gostaríamos de fazer nesta noite é um pouco diferente. Aqui, Davi nos conta o que o Bom Pastor, o Supremo Pastor, o Senhor como Pastor, fez em sua vida. Em quais áreas o Senhor o pastoreou?

    Gostaríamos de usar isso para mostrar as diferentes coisas que um pastor faz. Quando estamos pastoreando, quando estamos prestando cuidado pastoral, o que se espera de nós? O que devemos fazer? O que está incluído no cuidado pastoral?

    Afinal, todo cuidado pastoral segue o modelo do cuidado pastoral do Senhor. Na verdade, é Ele Quem está pastoreando; é Ele Quem está cuidando das ovelhas.

    Verdes pastos: a alimentação do rebanho com Cristo

    Em primeiro lugar, Davi diz:

    Deitar-me faz em verdes pastos.

    Como já mencionamos, a ovelha não conhece os pastos. Não sabe distinguir um pasto bom de um pasto ruim. Não é capaz de distinguir o que é nutritivo do que é venenoso. A ovelha não sabe absolutamente nada sobre os pastos.

    É o pastor quem encontra os pastos para a ovelha. O pastor sabe onde estão os pastos e sabe onde estão os pastos verdes — não lugares áridos e secos, mas pastos verdes, frescos, vivos e nutritivos.

    Ele conhece Suas ovelhas tão bem que sabe, em determinado momento, de que tipo de pasto e de que tipo de capim elas precisam. Por isso, Ele as conduz ao pasto certo — talvez, em um momento, a este pasto e, em outro, a outro pasto — porque sabe que suas necessidades mudam à medida que crescem.

    Não é apenas um pasto, mas verdes pastos. Há necessidades diferentes em momentos diferentes e em diferentes fases de crescimento. O pastor escolhe os pastos e conduz as ovelhas até eles.

    Ele permite que se alimentem dos verdes pastos até ficarem tão satisfeitas que, depois de comerem, conseguem deitar-se nos verdes pastos. Em outras palavras, há mais do que o suficiente para elas. É tão abundante que, depois de terem comido, ainda restam verdes pastos.

    O pastor as faz deitar. Agora, “fazê-las deitar” não significa obrigá-las a se deitar. Significa simplesmente que estão tão satisfeitas que se deitam e ruminam, procurando mastigar aquilo que já ingeriram, para que realmente se torne alimento para elas.

    É isso que o Pastor faz. Agora, irmãos e irmãs, apliquem isso espiritualmente. O que são os verdes pastos?

    Naturalmente, sabemos que nosso Senhor Jesus é nosso Pastor. Ele não é apenas nosso Pastor; também é nosso pasto. Ele é os verdes pastos — as riquezas de Cristo, as insondáveis riquezas de Cristo.

    Ele oferece a Si mesmo a nós. Ele nos conduz a Si mesmo — não a algo velho, não a algo meramente tradicional, mas a algo sempre vivo, fresco e verde. É assim que nosso Senhor Jesus é.

    Irmãos e irmãs, para nós que estamos envolvidos no pastoreio e no cuidado pastoral, esta é a primeira coisa que precisamos fazer. Precisamos encontrar verdes pastos para o rebanho de Deus.

    Pensem na fome, na inanição e na desnutrição do povo de Deus hoje. É bem verdade que, nos últimos dias, as pessoas têm fome — não de água e de alimento, por assim dizer, mas da palavra de Deus.

    E a palavra de Deus é a Palavra viva de Deus: Cristo, a Palavra viva de Deus. Não é simplesmente a palavra de Deus apresentada como doutrina, ensino ou conceitos tradicionais.

    Quando a palavra de Deus é apresentada de maneira viva e fresca, pelo poder do Espírito Santo — algo que vocês mesmos experimentaram —, vocês experimentam Cristo na Palavra. Não é apenas uma palavra escrita. Pelo poder do Espírito Santo, a palavra escrita se torna viva e se torna verdes pastos para vocês.

    Em outras palavras, vocês mesmos experimentam o Senhor como os verdes pastos. Conhecem, por experiência própria, as riquezas, as insondáveis riquezas de Cristo. Porque conhecem, são capazes de conduzir o rebanho a esses lugares.

    É por isso que nunca podemos pastorear nossos irmãos e irmãs, nem lhes oferecer cuidado pastoral, além daquilo que nós mesmos conhecemos do Senhor.

    Muitas vezes pensamos no pastoreio ou no cuidado pastoral de maneira exterior. Imaginamos que, se tivermos algum conhecimento livresco da palavra de Deus — ou, pior ainda, algum ensino tradicional —, seremos capazes de pastorear os outros.

    Talvez nem tenhamos conferido esse ensino com a Palavra. Podemos tê-lo aprendido na escola, nos livros ou com outras pessoas, e então começamos a pastorear as pessoas dessa maneira. Em outras palavras, nós as conduzimos a pastos velhos, áridos, queimados e secos.

    Não é de admirar que o povo de Deus esteja faminto. É impressionante. Às vezes vocês se perguntam como as pessoas podem ser cristãs há dez ou quinze anos, até mesmo em igrejas chamadas fundamentalistas, e, no entanto, quando vocês realmente se voltam à palavra de Deus, descobrem que elas não conhecem nem o básico.

    Elas têm sido conduzidas o tempo todo a um único pasto. Têm se alimentado daquele único pasto, mas, à medida que crescem, precisam de outros pastos. Não é de admirar que não cresçam. Permanecem ali por anos e anos.

    A razão é que aqueles que cuidam delas, aqueles que as pastoreiam, também não conhecem nada além disso.

    Como é importante, se sentimos o encargo de exercer o pastoreio ou o cuidado pastoral no corpo de Cristo, que nós mesmos conheçamos Cristo cada vez mais. Ele é os verdes pastos.

    Não apenas as coisas fundamentais — precisamos conhecer o Senhor não somente como leite, mas como alimento sólido.

    Somente depois de nós mesmos termos sido alimentados é que podemos nos deitar, ruminar e mastigar novamente o que ingerimos. Em outras palavras, a verdade precisa ser realmente digerida em nós.

    Às vezes ouvimos alguém ensinar sobre certas coisas e dizemos: “Bem, já entendemos”, e imediatamente saímos para ensinar outras pessoas. Mas ainda não digerimos aquilo.

    Agora, não estou dizendo que não podemos pegar o que ouvimos e transmitir a outras pessoas. Ninguém é original. Nem mesmo os apóstolos eram originais, porque tudo lhes foi dado. Se as pessoas pensam que são originais, há algo errado.

    Não há problema algum em transmitir o que vocês ouviram ou leram. Mas lembrem-se: não podem fazer isso antes de realmente terem digerido aquilo.

    Se não digeriram, não se deitaram nos verdes pastos, satisfeitos com o Senhor em determinado aspecto Dele. Mas, quando vocês realmente mastigam, ruminam e digerem, e aquilo se torna parte de vocês, então, irmãos e irmãs, não há problema algum — e acho que é a vontade de Deus — em compartilhá-lo.

    Isso não lhes foi dado apenas para vocês mesmos. Foi-lhes dado não apenas para alimentá-los, mas para, por meio de vocês, alimentar outros irmãos e irmãs.

    Portanto, nós que prestamos cuidado pastoral precisamos conhecer pessoalmente o Senhor como os verdes pastos.

    Não basta conhecermos o Senhor de tal maneira que possamos nos deitar — que o Senhor nos tenha feito deitar em verdes pastos —; precisamos ajudar nossos irmãos e irmãs da mesma maneira.

    Não devemos apenas permitir que provem um pouquinho do Senhor aqui ou ali. Precisamos ajudá-los e compartilhar o Senhor com tamanha riqueza que possam se deitar, ruminar e digerir, até que Cristo se torne parte do seu próprio ser.

    O problema hoje é que, depois que uma pessoa é salva, dizemos: “Agora você está salva. Muito bem, vamos colocá-la para trabalhar”. Em vez de ajudá-la a se deitar, nós a fazemos correr de um lado para outro e a mantemos ocupada e envolvida na obra cristã.

    Receio que seja assim que o cristianismo tem agido e ainda age. Qual será o resultado? Cristãos famintos tentando alimentar outros cristãos que estão igualmente famintos, ou ainda mais.

    Ninguém fica satisfeito. Não há descanso. Colocam vocês para trabalhar como se o trabalho fosse mais importante do que o seu ser diante do Senhor, como se fazer fosse mais importante do que ser. Mas o que vocês podem fazer se não são o que deveriam ser?

    Portanto, no cuidado pastoral, irmãos e irmãs, quando vemos nossos irmãos e irmãs, a primeira coisa que precisamos fazer é conduzi-los a Cristo, para que se alimentem do Senhor a tal ponto que possam realmente descansar Nele.

    Agora, descansar não significa simplesmente dormir. Descansar significa ruminar, mastigar novamente e digerir. Não apressem uma pessoa que foi salva e parece bastante zelosa. Não digam imediatamente: “Agora faça isto e aquilo. Corra para cá e para lá”. Ela nem sequer tem tempo para digerir o que recebeu.

    Portanto, no cuidado pastoral, a primeira coisa que precisamos fazer é levar as ovelhas a se deitarem em verdes pastos. Irmãos e irmãs, temos feito isso? É isso que estamos fazendo?

    Águas tranquilas: a condução dos cristãos ao Espírito Santo

    Então Davi diz:

    Guia-me mansamente a águas tranquilas.

    Beber é tão importante quanto comer. Na verdade, vocês podem jejuar por vários dias, mas, se ficarem vários dias sem beber água, não conseguirão continuar. Precisamos beber.

    Beber não apenas sacia nossa sede; também ajuda a digerir nosso alimento. Leva os nutrientes a todo o nosso corpo e purifica nosso organismo. Beber é tão essencial, tão importante.

    Depois que as ovelhas se alimentam dos verdes pastos e começam a ruminar, a próxima coisa que o pastor faz é conduzi-las às águas tranquilas e lhes dar de beber.

    Dizem que as ovelhas não se atrevem a beber água que corre numa torrente. Têm medo de se afogar. É preciso conduzi-las às águas tranquilas, e ali elas beberão.

    Ao beber, o alimento é digerido, os nutrientes chegam até elas e o organismo é purificado. Isso é bom. Precisamos disso.

    Agora, o que são as águas tranquilas? Espiritualmente falando, as águas tranquilas são o Espírito Santo. Ele é o rio da água da vida.

    Quando o Espírito Santo fala, Ele fala com uma voz mansa e suave. Ele não vem de maneira avassaladora, impetuosa, forçando as coisas. Ele vem com tamanha delicadeza, tranquilidade, persistência e constância.

    Acho que essa é a diferença entre a obra do inimigo, o diabo, e a obra do Espírito Santo. Se algo vem do inimigo, vem sobre vocês de maneira avassaladora e tenta destruí-los.

    Mas, quando vem do Espírito Santo, é gentil, suave, bondoso e, ainda assim, persistente. É como uma unção dentro de vocês. Suponham que tenham uma ferida e passem um pouco de pomada nela. Vocês percebem que ela alivia e cura. É assim que o Espírito Santo age.

    Agora, no cuidado pastoral, muitas vezes percebemos que conduzimos as pessoas a nós mesmos. Quando pastoreamos as pessoas, damos conselhos, mostramos o caminho e lhes dizemos o que devem fazer.

    Em certo sentido, é simples — não apenas para elas, mas também para nós. Supõe-se que nós saibamos das coisas; nós sabemos, e elas não. O mais fácil é simplesmente lhes dizer.

    É fácil para nós e é fácil para elas, porque não precisam orar. Não precisam ir ao Senhor. Não precisam ir ao Espírito Santo e deixar que o Espírito Santo lhes fale, porque já nos ouviram.

    No pastoreio, a maior tentação é tomar o lugar do Espírito Santo. Agimos como se fôssemos Deus. É a maior tentação.

    Esse é o caminho rápido; esse é o caminho fácil — fácil para elas e fácil para nós. Mas, se vocês sabem a resposta e se contêm para não lhes dizer, isso é difícil.

    Talvez vocês possam dizer apenas uma palavra e resolver o problema. No entanto, precisam se conter e deixar que aquela pessoa passe pela agonia de esperar no Senhor, de esperar que o Espírito de Deus lhe diga o que fazer. Pode parecer que vocês estão tornando as coisas mais difíceis.

    Por termos um bom coração e boas intenções, queremos encontrar uma solução rápida. Mas, ao fazer isso, podemos resolver o problema da pessoa naquele momento, enquanto ela própria se torna um problema.

    Ela nunca aprende a ir ao Senhor nem a ouvir a voz do Espírito Santo. Não terá comunhão nem entendimento do caminho do Senhor. Dependerá de vocês. Toda a sua vida cristã será exterior; não haverá nada interior.

    Irmãos e irmãs, sempre que um irmão ou uma irmã tiver um problema e procurar vocês, e vocês souberem a solução, não deem seu conselho depressa demais. Procurem conduzir essa pessoa às águas tranquilas. Deixem que permaneça junto às águas tranquilas. Deixem que beba do Espírito.

    O cervo anseia pelas correntes das águas não apenas porque a água sacia sua sede, mas porque pode olhar para a corrente e ver seu próprio rosto refletido. Da mesma maneira, quando as pessoas são conduzidas ao Espírito Santo, o Espírito Santo as revela, as expõe e lhes mostra o que realmente são.

    Ao fazer isso, o Espírito Santo pode transformá-las segundo a imagem de Cristo. Não privem os irmãos e irmãs dessa oportunidade. Cada problema que um irmão ou uma irmã tem é uma oportunidade para o Espírito Santo transformar aquela pessoa.

    Mas, se intervimos, tomamos o lugar do Espírito Santo e lhes damos a solução, na verdade prestamos um desserviço ao Senhor e àquele irmão ou àquela irmã. Infelizmente, essa é a maior tentação.

    Conduzam as pessoas. Uma das tarefas de quem pastoreia é conduzir. Vocês as conduzem ao Senhor. Vocês as conduzem ao Espírito Santo. Esse é o seu trabalho.

    Não cabe a vocês resolver pessoalmente os problemas delas. Esse não é o seu trabalho. Vocês devem conduzi-las Àquele, ao único, Que pode realmente resolvê-los.

    Infelizmente, hoje, entre o povo de Deus, isto é muito comum: o povo de Deus não conhece o Espírito Santo.

    Mesmo entre as pessoas que receberam o chamado batismo do Espírito Santo — e digo “chamado” não porque seja contra ele, mas porque o termo é usado de maneira tão equivocada —, até mesmo aqueles que experimentaram o poder do Espírito Santo talvez não conheçam a personalidade do Espírito Santo.

    A pessoa do Espírito Santo é tão importante. São essas as águas tranquilas. Precisamos estar junto às águas tranquilas. Precisamos beber, ter o alimento digerido, ver a nós mesmos refletidos pelo Espírito Santo e ser transformados.

    Isso é importantíssimo. No cuidado pastoral, ou no pastoreio, esta é a segunda coisa que precisamos fazer: levá-los a se deitar em verdes pastos e conduzi-los às águas tranquilas.

    Como somos ansiosos para aconselhar as pessoas! Se elas pedem seu conselho, é claro que essa é a sua oportunidade. Mas nos esquecemos do Espírito Santo.

    Queridos irmãos e irmãs, creio realmente que, desde o início de nosso envolvimento no cuidado pastoral — no cuidado de nossos irmãos e irmãs —, devemos conduzi-los ao Espírito Santo.

    Em vez de lhes dizer o que fazer, devemos estar com eles e orar juntos. Talvez vocês saibam a resposta, mas não a deem imediatamente. Orem juntos e, depois de orar, vejam se o Espírito Santo fala no interior deles.

    Perguntem-lhes o que realmente sentem a respeito da questão. Então vocês poderão confirmar o que o Espírito Santo lhes mostrou ou ajudá-los a corrigir seu entendimento, porque, por falta de experiência, podem compreender de maneira equivocada.

    Ajudem-nos a ouvir a voz do Espírito. É isso que vocês precisam fazer. Mas, certamente, não devem tomar o lugar do Espírito Santo. Pelo contrário, precisam conduzi-los a Ele.

    A restauração da alma

    Em terceiro lugar:

    Refrigera a minha alma.

    Vocês sabem, as ovelhas são muito temperamentais. Temos nossos altos e baixos. Às vezes estamos bem; outras vezes estamos abatidos. Às vezes caímos. Às vezes nos desviamos. Às vezes somos feridos. Às vezes estamos doentes. Precisamos ser restaurados.

    “Restaurar” também pode ser traduzido como “reavivar”. Às vezes nosso espírito está abatido. Nós nos sentimos miseráveis e precisamos ser reavivados. Em outras ocasiões, nos afastamos e precisamos ser restaurados. Isso é comum às ovelhas.

    Por ser algo comum às ovelhas, o cuidado pastoral e o pastoreio precisam incluir a restauração.

    Mas, irmãos e irmãs, se nós mesmos estamos abatidos, como podemos reavivar nossos irmãos e irmãs? Se nós mesmos nos afastamos, seremos como um cego guiando outro cego, e ambos cairão na cova.

    Isso mostra como é importante que nós mesmos conheçamos o reavivamento que vem do Senhor. Não somos melhores do que nenhum de nossos irmãos e irmãs. Também temos nossos momentos de abatimento.

    Passamos por afastamentos, fraquezas e depressão. Passamos por todas essas coisas, mas descobrimos que nosso Senhor nos reavivou e nos restaurou.

    Porque Ele nos restaurou, por um lado podemos nos compadecer daqueles que precisam de reavivamento e restauração; e, por outro, podemos ministrar o Cristo Que experimentamos como nosso Restaurador e Aquele Que nos reaviva.

    Nosso Senhor orou por Pedro e, depois de ser restaurado, Pedro deveria ajudar os outros irmãos. Não podemos restaurar os outros se nunca fomos restaurados.

    O problema no cuidado pastoral é que algumas pessoas, se posso dizer assim, são fortes demais. Nunca experimentaram os momentos de abatimento — para não falar em afastamento —, ou, pelo menos, acham que não.

    Essas pessoas não conseguem se compadecer daqueles que estão abatidos, daqueles que estão à margem. Às vezes até ouvimos pessoas dizerem: “Bem, se caírem, deixem que se vão. Nós simplesmente seguimos em frente. Deixem-nos para trás”.

    Quando as pessoas dizem isso, vocês sabem que elas não são pastores. Um pastor nunca faria isso.

    Jacó era um bom pastor. Quando Esaú disse: “Vamos”, Jacó respondeu: “Não, não, não. Vá à frente, porque vocês todos são rápidos. Mas eu tenho todos esses animais jovens. Precisamos seguir no ritmo dos animais e das crianças”. Esse é o coração de um pastor.

    Vocês nunca conseguem realmente compreender o valor disso até terem ficado abatidos, lá embaixo, e descoberto como o Senhor os restaurou.

    Às vezes penso que há experiências pelas quais vocês precisam passar por causa de si mesmos. Por outras experiências, vocês passam não por causa de si mesmos, mas porque Deus quer usá-los.

    Se Deus não quiser usá-los, talvez vocês não precisem passar por essas experiências. É muito mais fácil. Mas, se realmente querem que Deus os use, preparem-se: vocês passarão por muito mais coisas do que outros cristãos.

    Talvez vocês não precisem disso para si mesmos, mas é necessário para o seu ministério. Caso contrário, não terão compaixão.

    O coração de um pastor é cheio de compaixão. Se vocês não têm compaixão, não podem prestar cuidado pastoral. Simplesmente não podem, porque essa é uma qualidade básica.

    Para ser sacerdote, sumo sacerdote, é preciso ter compaixão. Nosso Senhor Jesus, sendo nosso Sumo Sacerdote, é cheio de compaixão. Isso vem de Sua própria experiência.

    Embora fosse Filho, Ele aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Por isso, Ele é capaz de nos salvar perfeitamente.

    Não quero dizer que vocês precisam cair em pecado antes de poderem ajudar pessoas que caíram. No caso de nosso Senhor, Ele nunca caiu. Mas passou pela tentação e sofreu. Por isso, é capaz de ajudar.

    Portanto, irmãos e irmãs, esta é outra área do cuidado pastoral: a restauração.

    Não podemos lidar sempre apenas com ovelhas saudáveis. Precisamos lidar com ovelhas desobedientes, teimosas, caídas, desgarradas e enfermas, porque são ovelhas. São as ovelhas do Senhor, e há muitas delas. Precisamos cuidar delas.

    Como o Senhor disse, o pastor deixa as noventa e nove ovelhas e sai para procurar a ovelha desgarrada. Às vezes pensamos que Ele ama a ovelha desgarrada mais do que as noventa e nove, e pode parecer assim.

    Em uma família, pode parecer que o pai ou a mãe ama mais o filho que está sempre doente do que os outros filhos, saudáveis e fortes. Não é que tenha preferência, mas que a criança doente precisa de mais cuidado. Isso é natural, e é assim com o Senhor.

    Um dos aspectos do cuidado pastoral é restaurar — trazê-los de volta ao Senhor.

    Restauração significa voltar ao Senhor. Se uma pessoa não é restaurada ao Senhor, não há restauração. Vocês podem tirar uma pessoa de sua situação difícil, mas, se ela não for restaurada ao Senhor, não estará restaurada.

    As veredas da justiça

    Então Davi diz:

    Guia-me pelas veredas da justiça
    Por amor do Seu nome.

    Não devemos pensar que a restauração é uma perda de tempo. Talvez digamos: “Vamos cuidar de todas essas ovelhas saudáveis e torná-las muito eficientes. Por que gastar tempo com essas ovelhas doentes, pobres e desgarradas?”. Às vezes podemos pensar que é uma perda de tempo. Mas, com um coração de pastor, é diferente.

    Na restauração, vocês precisam lidar com muitas coisas negativas. Mas, depois de restaurá-los ao Senhor, precisam voltar a conduzi-los. É uma condução contínua. Precisam conduzi-los pelas veredas da justiça por amor do Seu nome.

    Como mencionamos várias vezes hoje, segundo o costume oriental, o pastor sempre caminha à frente das ovelhas. Ele não as toca por trás; ele as conduz.

    Às vezes, no cuidado pastoral, tentamos empurrar as pessoas. Mas, como Jacó disse, se vocês as forçarem a avançar, elas morrerão. Se as conduzirem, elas seguirão.

    Ao conduzi-las, é claro, vocês estão à frente. Em outras palavras, vocês mesmos já caminharam pelas veredas da justiça. Porque caminharam pelas veredas da justiça, podem conduzi-las pelas veredas da justiça.

    A justiça não é apenas algo que recebemos quando cremos no Senhor. A justiça de Deus vem sobre aqueles que creem em Cristo Jesus. Cristo é nossa justiça. Estamos revestidos de Cristo e, porque Ele é nossa justiça, podemos permanecer diante de Deus, pois Deus vê a Ele.

    Graças a Deus por isso. Mas, nas Escrituras, a justiça é mais do que uma posição; a justiça é um caminho. No original, está no plural: “veredas da justiça”. Em outras palavras, é algo muito prático.

    A justiça aqui fala de atos práticos de justiça. Não se refere apenas à nossa justiça inicial em Cristo. Deus fez de Cristo nossa justiça, e graças a Deus temos isso. Mas se refere aos atos de justiça dos santos, como vocês encontram em Apocalipse 19.

    A noiva está vestida de linho fino, resplandecente e puro, que são os atos de justiça dos santos. Essa é a justiça de que se fala em 1 João 2. É justiça prática.

    Depois de termos sido feitos justos, precisamos andar pelas veredas da justiça por amor do Seu nome. Caso contrário, se não andarmos pelas veredas da justiça, o nome do Senhor será desonrado.

    Espera-se que sejamos justos. Temos justiça em Cristo e, se não andarmos pelas veredas da justiça, as pessoas dirão: “Ora, o que é isso?”.

    Precisamos andar pelas veredas da justiça não apenas por nossa própria causa, embora também seja por nossa causa. Precisamos andar nelas por amor do Seu nome.

    De maneira bem simples, o que significa justiça? O que significam as veredas da justiça? Significa simplesmente que damos a Deus todos os direitos que Lhe pertencem. Isso é justiça.

    Cremos Nele. Ele é nosso Deus, nosso Senhor, nossa Majestade e nosso Rei. Ele tem direitos. Tem todos os direitos sobre nossa vida.

    Andamos pelas veredas da justiça? Damos a Ele os direitos que legitimamente Lhe pertencem em cada passo de nossa vida diária? Ou, em outras palavras, estamos fazendo a vontade de Deus?

    Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Seu corpo era para fazer a vontade de Deus. Aqui estamos nós: pertencemos ao Senhor e apresentamos nosso corpo como sacrifício vivo. Estamos usando este corpo para fazer a vontade de Deus?

    Damos a Deus os direitos que Lhe pertencem? Deixamos que Sua vontade prevaleça em nossa vida diária? Se fazemos isso, então estamos andando pelas veredas da justiça por amor do Seu nome.

    Então o nome do Senhor será honrado. As pessoas verão e O glorificarão.

    Esta é outra área do cuidado pastoral. Precisamos conduzir nossos irmãos e irmãs pelas veredas da justiça.

    Irmãos e irmãs, este é um mundo injusto, e as pessoas estão se tornando cada vez mais injustas. Vivemos neste mundo injusto e precisamos andar pelas veredas da justiça para sermos um testemunho de Deus. Caso contrário, falhamos em nosso testemunho.

    Muitas pessoas do povo de Deus fazem tudo o que as pessoas do mundo fazem. Não há diferença. Vocês sabem que são salvos, e Deus sabe que são salvos, mas o mundo não sabe. As pessoas dizem: “Vocês não são diferentes de nós. Fazem as mesmas coisas que nós fazemos”.

    Precisamos ajudar nossos irmãos e irmãs a andar pelas veredas da justiça por amor do Seu nome. Mas, novamente, vocês não podem conduzir se não estiverem andando. Precisam ir à frente deles. Um pastor deve ser um exemplo. Vocês caminham à frente deles, e eles seguirão.

    A presença no vale da sombra da morte

    Davi continua:

    Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte,
    Não temeria mal algum;
    Porque Tu estás comigo;
    A Tua vara e o Teu cajado me consolam.

    Irmãos e irmãs, não passamos apenas por períodos de abatimento, depressão, feridas e afastamento; em nossa vida espiritual, às vezes também passamos pelo vale da sombra da morte.

    Não sei até que ponto isso é verdade, mas li em alguns livros que, na Palestina, existe um vale chamado Vale da Sombra da Morte. Quando um pastor conduz as ovelhas de um pasto a outro, elas passam por um vale muito profundo, onde a luz do sol não consegue entrar.

    Não sei até que ponto isso é verdade. Mas, de qualquer modo, Deus não prometeu que não teríamos experiências no vale. O povo de Deus às vezes passa, sim, por experiências no vale.

    Mas lembrem-se disto: é o vale da sombra da morte. Em outras palavras, não é a morte; é apenas a sombra da morte. Assusta, mas não fere.

    Às vezes as pessoas passam por essas experiências. Uma família pode sofrer alguma tragédia. Pode haver uma morte na família, ou alguém pode passar por algo traumático. É como se a ovelha estivesse passando pelo vale da sombra da morte.

    Entre os irmãos e irmãs, há muitos nessa situação. Quando isso acontece, o que é o cuidado pastoral?

    Davi diz:

    Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte,
    Não temeria mal algum.

    Por quê?

    Porque Tu estás comigo.

    Em outras palavras, cuidado pastoral significa que vocês estão presentes no momento da necessidade. Estão disponíveis. Sua presença é importante.

    Às vezes, quando as pessoas passam por experiências trágicas, vocês talvez não tenham palavras que possam consolá-las. As palavras não conseguem consolá-las. Mas o simples fato de estarem com elas — de irem e simplesmente permanecerem ao lado delas —, sua presença e disponibilidade, significará força e consolo para elas.

    Isso as ajudará a atravessar aquele período de sombra da morte. Portanto, no cuidado pastoral, vocês precisam estar disponíveis.

    Quando há uma necessidade, vocês estão presentes. Não digam: “Bem, já são onze horas da noite. Ligue amanhã de manhã”. Simplesmente estejam presentes. Isso é cuidado pastoral.

    Não pensem que o cuidado pastoral significa que vocês precisam dizer alguma coisa. Às vezes, não falar é melhor do que falar. Caso contrário, vocês serão como os três amigos de Jó e tornarão a situação pior. Simplesmente estejam presentes. Sua própria presença trará consolo.

    É claro que a vara e o cajado consolam. Nas Escrituras, a vara significa várias coisas. Em Levítico, vocês encontram as ovelhas passando debaixo da vara. Em outras palavras, vocês as contam.

    Vocês se lembram de que elas estão sob seus cuidados. Certificam-se de que estão ali e não se perderam. Estão com elas e, em certo sentido, as protegem.

    A vara também serve de proteção contra o leão, o urso ou o lobo. Às vezes a vara é usada para um pouco de disciplina. Há momentos em que vocês precisam usar a vara — para contar, para se certificar de que a ovelha está ali e, às vezes, para aplicar um pouco de disciplina, conforme a direção do Espírito.

    Não disciplinem o tempo todo. Vocês precisam disciplinar conforme a direção do Espírito.

    O cajado, como todos sabemos, é usado para resgatar. Às vezes uma ovelha cai ou quer se afastar, e o pastor usa o cajado, com sua ponta curva, para trazê-la de volta. Às vezes vocês precisam usar um pouco o cajado para ajudá-las a voltar.

    Consolo significa mais do que uma sensação reconfortante. Na verdade, significa fortalecimento — ser fortalecido. Essa é a obra de um pastor.

    A mesa preparada na presença dos inimigos

    Davi diz:

    Preparas uma mesa perante mim
    Na presença dos meus inimigos.

    Agora, vocês precisam me perdoar por aplicar isso desta maneira. Talvez não seja a exegese correta, mas é assim que vejo.

    O pastor prepara a mesa. As ovelhas não a preparam. O pastor a prepara na presença do inimigo.

    Talvez, em termos físicos, haja um lobo escondido no bosque. Mas, porque o pastor está ali, guardando as ovelhas, elas podem se alimentar do pasto sem medo. É como se uma mesa tivesse sido preparada para elas diante do inimigo. Não têm nada a temer, porque o pastor está ali.

    Mas gostaria de aplicar isso desta maneira: nosso Senhor Jesus, na cruz, derrotou o inimigo de forma tão completa e o tomou como Seu despojo, que o inimigo se torna nosso alimento.

    Vocês se lembram de Calebe e Josué, entre os doze espias. Os outros disseram: “Não podemos entrar, porque eles vão nos engolir. Vão nos devorar”. Mas Calebe e Josué disseram: “Não. O Senhor vai entregá-los a nós, e eles serão nosso alimento”.

    Em outras palavras, nós os devoraremos e, ao comê-los, nos tornaremos mais fortes.

    Para mim, a vitória de Cristo na cruz do Calvário é tão completa que podemos nos sentar à mesa que Ele preparou diante do inimigo e simplesmente nos alimentar. Em outras palavras, essa vitória é nossa vitória, e o inimigo se torna nosso alimento.

    Como ovelhas de Deus, passamos por períodos de altos e baixos, pela necessidade de reavivamento e pela sombra da morte. Mas também temos inimigos. O inimigo de Deus é nosso inimigo, e o inimigo ao nosso redor tenta nos engolir e nos devorar.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, nós mesmos precisamos experimentar a vitória de Cristo. Às vezes passamos por uma crise. Às vezes o inimigo tenta nos engolir. Contudo, nos apropriamos da vitória de Cristo e descobrimos que o inimigo se torna alimento para nós.

    Somos fortalecidos depois do conflito espiritual por causa da vitória de Cristo e de nossa experiência dessa vitória. Essa é uma mesa preparada diante de nós.

    Na medida em que nós mesmos conhecemos a vitória de Cristo sobre o inimigo, podemos preparar uma mesa para nossos irmãos e irmãs na presença do inimigo. Podemos ajudá-los, consolá-los e mostrar-lhes que não precisam ter medo.

    Eles podem entrar na vitória de Cristo. O inimigo é um adversário derrotado. Ao passarem pelo conflito, são fortalecidos, como se tivessem comido à mesa que lhes foi preparada.

    Nossos irmãos e irmãs passarão por essas crises. Nós mesmos precisamos experimentar a vitória primeiro, e então poderemos ajudar.

    A unção e a plenitude do Espírito Santo

    Davi diz:

    Unges a minha cabeça com óleo;
    O meu cálice transborda.

    Disseram-me que, antigamente, quando o pastor fazia as ovelhas passarem debaixo de sua vara e examinava cada uma, se alguma tivesse feridas — especialmente na cabeça, talvez causadas por espinhos enquanto se alimentava —, o pastor tinha um unguento pronto e ungia sua cabeça com óleo para curar a ferida.

    Também podia haver um balde com água. Se uma ovelha estivesse com febre, o pastor mergulhava sua cabeça na água fresca. Essas podem ter sido práticas de antigamente, mas eu gostaria de aplicá-las espiritualmente.

    O óleo sempre fala do Espírito Santo. Ungir a cabeça com óleo significa simplesmente ser cheio do Espírito Santo.

    Precisamos ajudar nossos irmãos e irmãs nisso. Faz parte do cuidado pastoral. Vocês cuidam das ovelhas não apenas para garantir que tenham alimento para comer e água para beber, que sejam restauradas, que andem pelas veredas da justiça e que possam atravessar o vale sem medo.

    Também é responsabilidade daqueles que pastoreiam e prestam cuidado pastoral ajudar os irmãos e irmãs a entrar na plenitude do Espírito.

    Ser cheio do Espírito Santo significa ser constantemente governado pelo Espírito Santo, para que os irmãos e irmãs conheçam uma vida sob o governo do Espírito Santo. Vocês precisam conduzi-los a esse ponto.

    Se não os conduzirem a esse ponto, não terão cuidado deles de maneira completa. O cuidado não estará completo a menos que vocês os conduzam a uma vida governada pelo Espírito Santo. Então saberão que aquele irmão ou aquela irmã está firmado.

    Novamente, se nós mesmos não somos cheios do Espírito Santo, não podemos ajudar os outros dessa maneira. Ser cheio do Espírito Santo não é simplesmente uma experiência que acontece uma única vez, nem mesmo uma experiência que acontece algumas vezes.

    Ser cheio do Espírito Santo deve ser uma constante: ser constantemente governado pelo Espírito Santo. Se nós mesmos vivemos assim, então podemos ajudar nossos irmãos e irmãs.

    Vocês percebem que todas essas coisas estão incluídas no cuidado pastoral. Todas essas coisas são o que o Senhor, como nosso Pastor, está fazendo por nós.

    Os resultados do cuidado pastoral

    Quando essas coisas são feitas, qual será o resultado? O primeiro resultado é este:

    O meu cálice transborda.

    A ovelha está tão satisfeita, tão abundantemente satisfeita, que o cálice transborda.

    Em segundo lugar:

    Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão
    Todos os dias da minha vida.

    Em outras palavras, a ovelha passa a ter segurança, sabendo que o Senhor cuidará dela durante toda a sua vida. Cada experiência com o Senhor fortalece nossa segurança Nele.

    O Senhor tem sido tão fiel e tão bom que a ovelha pode dizer: “Agora eu sei. O Senhor é tão fiel. A bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, porque Ele me trouxe até este ponto. Ele demonstrou Sua bondade amorosa e Sua terna misericórdia para comigo”.

    Quando um cristão chega a esse ponto, está satisfeito e tem tamanha confiança e segurança no Senhor.

    Em terceiro lugar, Davi diz:

    E habitarei na casa do Senhor
    Por longos dias.

    Vocês percebem que a ovelha está feliz por estar na casa. Há muitas pessoas que não estão felizes na chamada casa do Senhor, porque nunca realmente se sentiram em casa.

    Mas, quando as pessoas são cuidadas dessa maneira, sentem-se especialmente em descanso na casa do Senhor. Estão felizes com seus irmãos e irmãs.

    Estão satisfeitas, têm confiança no Senhor e estão felizes com os irmãos e irmãs. Descansam na casa do Senhor. Esses são os resultados do cuidado pastoral.

    O cuidado pastoral no Novo Testamento

    Queridos irmãos e irmãs, ao percorrermos este salmo, vemos que o Senhor é nosso Pastor. Porque Ele é nosso Pastor, tem nos pastoreado dessa maneira. Agora Ele está me chamando — está chamando todos nós — para esse cuidado pastoral no corpo de Cristo.

    Não é que possamos fazer isso por nós mesmos. Ele fez isso em nós e pode fazê-lo por meio de nós.

    Talvez apenas algumas palavras para concluir. No Novo Testamento, frequentemente chamamos 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito de cartas pastorais. Isso é comumente aceito, porque Paulo estava escrevendo a dois jovens irmãos envolvidos no chamado cuidado pastoral.

    Mas, para mim, na verdade, todas as cartas do Novo Testamento são cartas pastorais. Vocês podem percorrê-las uma por uma e ver que cada carta tem algo a ver com o cuidado pastoral.

    Por exemplo, entendo que Romanos, sem dúvida, fala de sermos levados a nos deitar em verdes pastos. Isso é Romanos.

    Então 1 Coríntios talvez surpreenda vocês. Vocês encontram ali ovelhas em desordem, e Paulo está tentando conduzi-las às águas tranquilas.

    Vocês podem continuar percorrendo as cartas. Não vou examinar cada uma delas, mas cada carta nos apresenta uma fase, um determinado aspecto do cuidado pastoral.

    Assim, sabemos que o Senhor, sendo nosso Pastor, é tão bom. Ele espera que assumamos essa função de cuidado pastoral no corpo, para que o corpo esteja satisfeito, confiante no Senhor, e uma vida celestial possa ser expressa.

    Oração final

    Querido Pai celestial, queremos, de fato, declarar com Davi que Tu és verdadeiramente nosso Pastor e nada nos faltará.

    Nós Te louvamos e agradecemos pelo que tens feito por nós. Tu Te tens revelado a nós como o Bom Pastor, o Grande Pastor e o Supremo Pastor.

    Nosso Senhor, Tu nos estás chamando para nos unirmos a Ti neste cuidado do Teu rebanho. Reconhecemos que somos totalmente incapazes, mas nossa capacidade está em Ti.

    Nós Te agradecemos pelo que tens feito em nós e nos oferecemos a Ti, para que possas fazer o mesmo por nossos irmãos e irmãs por meio de nós.

    Senhor, consideramos uma honra e um privilégio tão grandes que nos uses dessa maneira. Mantém-nos humildes, sabendo que, sem Ti, nada podemos fazer, mas, Contigo, todas as coisas são possíveis.

    Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.