As varas estarão nas argolas da arca; não se tirarão dela.
E porás na arca o testemunho que Eu te darei.
Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura, de um côvado e meio.
Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.
E farás um querubim numa extremidade, e o outro querubim na outra extremidade; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas suas duas extremidades.
E os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; as suas faces estarão uma de frente para a outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório.
E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que Eu te darei.
E ali Me encontrarei contigo e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, acerca de tudo o que Eu te ordenar para os filhos de Israel.
— Êxodo 25:15-22
Vamos orar.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque sabemos que Tu és o Deus vivo. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque o Teu amado Filho, nosso Senhor Jesus, que morreu por nós, foi ressuscitado e agora vive para todo o sempre. Nós Te louvamos e Te agradecemos.
Sabemos que Ele está em nós, e nós estamos Nele. Nada pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus. Por isso, nosso Pai, nós nos reunimos nesta manhã com confiança em nosso coração. Queremos Te adorar e Te reverenciar, e pedimos que, mais uma vez, pelo Teu Espírito Santo, Tu nos abras a Tua Palavra, para que ela seja real e operante em nossa vida, para o louvor da Tua glória. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
O que temos compartilhado nestes últimos dois ou três dias, incluindo hoje, é a vida e o ministério do cristão conforme representados no tabernáculo.
Mencionamos que, no início de nossa vida cristã, nos aproximamos de Deus por meio do altar, o altar de bronze do holocausto. Isto é, não há maneira de nos aproximarmos de Deus senão pela cruz do nosso Senhor Jesus. A cruz do nosso Senhor Jesus é o fundamento, e nunca poderemos nos afastar dela.
É pela cruz do nosso Senhor Jesus que encontramos o perdão dos nossos pecados. Descobrimos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele. Descobrimos que fomos separados do mundo. E também descobrimos que, pela cruz, temos vitória sobre o inimigo em Cristo Jesus.
É pela cruz do nosso Senhor Jesus que recebemos a vida eterna. Nós nos tornamos filhos de Deus; e não apenas filhos de Deus, mas também somos constituídos um reino de sacerdotes. A cruz do nosso Senhor Jesus é o único acesso a Deus.
Depois do altar de bronze do holocausto, encontramos a bacia de bronze cheia de água. Os sacerdotes que servem precisam lavar as mãos e os pés. Em outras palavras, descobrimos que nós, que fomos salvos, devemos servir como sacerdotes. Mas, cada vez que servimos, lembrem-se: precisamos ter as mãos e os pés lavados.
Ao caminharmos pelo mundo, percebemos que a sujeira e a poeira do mundo começam a se acumular em nosso coração, de modo que nosso espírito fica entorpecido, lento, impuro e sem clareza. Precisamos da lavagem da água para renovar nossa comunhão com o Senhor, para que essa comunhão seja clara, transparente e íntima. Somente sobre essa base o nosso serviço será aceito.
E não apenas os nossos pés, mas também as nossas mãos. Podemos também trabalhar com as mãos da carne. Deus não Se agrada da nossa carne. Ele não pode aceitar nenhuma obra da carne. Tudo precisa ser realizado no poder do Espírito Santo. Portanto, descobrimos que tanto as nossas mãos quanto os nossos pés precisam ser lavados sempre que nos aproximamos para servir ao Deus vivo.
Bem, esse é o átrio exterior. No átrio exterior, nossa experiência está principalmente na esfera da purificação. Somos purificados dos nossos pecados pelo sangue do nosso Senhor Jesus, e somos purificados de toda contaminação do mundo e da carne por meio da água.
Essa água é a própria vida do Senhor Jesus. Porque Ele nos amou tanto, Ele nos santifica pela lavagem da água com a Palavra, para que sejamos sem mácula, sem ruga ou qualquer coisa semelhante; para que sejamos apresentados a Ele como uma igreja gloriosa, santa e sem defeito. É a vida do nosso Senhor Jesus dentro de nós que realmente nos purifica de toda contaminação.
Então descobrimos que, depois da experiência no átrio exterior como sacerdotes, temos o privilégio de entrar no Lugar Santo. O Lugar Santo é o lugar dos sacerdotes e, na verdade, é uma figura da igreja, porque a igreja está entre o céu e a terra.
A igreja é celestial em seu chamamento, mas, quanto ao testemunho, ela está sobre a terra. No Lugar Santo, descobrimos que devemos conhecer Cristo como a luz da vida. Nossa orientação diária já não vem do raciocínio humano; vem da luz interior, a luz da vida, que ilumina o nosso caminho.
É assim que caminhamos. É assim que crescemos no Senhor. Também começamos a perceber que o nosso Senhor Jesus é o pão da vida. Ele é a nossa própria vida. Vivemos porque Ele vive em nós. Essa é a única maneira de vivermos a vida cristã.
Além disso, descobrimos que Ele também é o nosso Sumo Sacerdote. Ele vive sempre, intercedendo por nós. Ele é capaz de salvar completamente aqueles que se aproximam de Deus por meio Dele. Se não tivéssemos o Senhor Jesus como nosso Sumo Sacerdote, onde estaríamos?
Nós louvamos e agradecemos ao Senhor porque, enquanto Ele intercede incessantemente por nós, o Espírito Santo trabalha continuamente em nós. Essa não é apenas a vida do cristão no Lugar Santo; descobrimos também que é no Lugar Santo que servimos. Ministramos ao Senhor.
O candelabro de ouro é uma figura da igreja, e o nosso ministério é exaltar Cristo, para que o testemunho de Jesus se manifeste. Nossa responsabilidade é cuidar para que o azeite seja sempre suprido abundantemente e para que o pavio esteja sempre limpo e desimpedido.
Em outras palavras, precisamos ser cheios do Espírito Santo para que a igreja possa ser esse vaso para o testemunho de Jesus. Precisamos cuidar para que não haja impedimentos em nossa vida. Não devemos entristecer o Espírito Santo. Não devemos apagar o Espírito Santo. Não devemos resistir ao Espírito Santo.
Nosso dever é obedecer ao Espírito Santo, cooperar com Ele e nos render a Ele, para que Ele possa fluir por meio de nós como pelo pavio, de modo que a luz ilumine toda a casa.
Não apenas isso: a igreja também é uma comunhão, uma mesa. Compartilhamos Cristo uns com os outros. Isso é comunhão. Vocês sabem, há uma grande diferença entre comunhão e convívio social.
Quando estamos em convívio social, podemos compartilhar qualquer coisa debaixo do céu. Mas, quando temos comunhão, limitamo-nos a compartilhar Cristo. Se não compartilhamos Cristo, não é realmente comunhão, porque comunhão é compartilhar aquilo que temos em comum, e aquilo que temos em comum é Cristo.
Ao compartilharmos Cristo, uma fragrância sobe ao céu para agradar ao coração do Pai. Por meio da comunhão, nossa alegria será completa.
E não apenas isso, irmãos e irmãs: descobrimos que Cristo não é apenas o nosso Sumo Sacerdote, mas que nós somos um sacerdócio sob a autoridade Dele. Portanto, somos adoradores. Adoramos a Deus por meio de Cristo e adoramos a Deus com Cristo. Também somos intercessores.
A igreja é uma casa de oração para todas as nações. Não oramos apenas por nós mesmos, mas oramos:
Pai nosso, que estás nos céus,
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
— Mateus 6:9-10
Assim, descobrimos que, como sacerdotes, de fato ministramos ao Senhor. Vocês sabem, muitas vezes pensamos que o ministério é apenas para as pessoas. Isso é verdade. No átrio exterior, ministramos às pessoas. Pregamos Jesus Cristo, e Este crucificado.
Mas, no Lugar Santo, quando o povo de Deus se reúne, na verdade ministramos ao próprio Senhor.
Nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante, chegando ao Santo dos Santos. Irmãos e irmãs, o Santo dos Santos é onde Deus habita, e é para esse lugar que Deus nos chama.
No átrio exterior, somos purificados. No Lugar Santo, servimos como sacerdotes. Mas lembrem-se: é no Santo dos Santos que habitamos. Vocês não vivem no átrio exterior, nem vivem no Lugar Santo. A vontade de Deus é que vivamos no Santo dos Santos.
Em Hebreus 10:19-22, somos informados de que temos ousadia para entrar no Santo dos Santos. Por quê? Por causa do sangue do Senhor Jesus. Porque Ele abriu para nós um novo e vivo caminho através da Sua carne, através do véu, que é a Sua carne. E nós O temos como nosso Sumo Sacerdote. Portanto, aproximemo-nos.
Irmãos e irmãs, o Santo dos Santos agora está aberto para nós. Está aberto pelo sangue do nosso Senhor Jesus. Está aberto pelo novo e vivo caminho que Ele consagrou para nós através do véu, isto é, da Sua carne. É porque Ele agora é o nosso Sumo Sacerdote, intercedendo por nós.
Por causa disso, podemos nos aproximar. Podemos entrar no Santo dos Santos, na própria presença de Deus; e não apenas nos aproximar, mas até mesmo viver ali.
Essa é a provisão de Deus. Está aberta a todos. Não é apenas para algumas poucas pessoas escolhidas, selecionadas. Todo filho de Deus, todo sacerdote de Deus, tem hoje o privilégio de entrar no Santo dos Santos, na própria presença de Deus.
E não apenas de se aproximar, de permanecer ali por algum tempo, mas até mesmo de habitar ali — fazer dali a sua morada permanente. Essa é a provisão de Deus para todos nós, e essa é a vontade de Deus para todos nós. Mas a pergunta é: nós entramos? Nós habitamos ali?
Às vezes perguntamos: “Irmão fulano, irmã fulana, onde vocês moram? Qual é o seu endereço?” E, naturalmente, a resposta é: “Bem, eu moro em Richmond, Virgínia, nos Estados Unidos. Moro em determinada rua, em determinado número. Esse é o meu endereço”.
Mas lembrem-se: esse é apenas o seu endereço temporário. Onde fica o seu endereço permanente? Bem, vocês não têm endereço permanente na terra. O seu endereço permanente fica no Santo dos Santos. Em outras palavras, o seu endereço é Deus.
Deus é a nossa habitação de geração em geração. Foi isso que Moisés disse em Salmos 90:1:
Senhor, Tu tens sido a nossa habitação de geração em geração.
“Tu és o nosso endereço permanente. Tu és o nosso lar de geração em geração.” É aí que fica o nosso verdadeiro endereço.
Mas, infelizmente, vocês podem ter esse endereço e não morar ali. Lembrem-se: esse é o seu lar permanente, e vocês deveriam estar ali o tempo todo.
Infelizmente, encontramos isso na experiência do povo de Deus. Muitos do povo de Deus estão no átrio exterior. Graças a Deus por isso. Eles chegaram ao altar de bronze do holocausto. Conhecem o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal. São filhos de Deus. Graças a Deus por isso.
Mas isso é tudo o que conhecem. É ali que estão. Em outras palavras, ficam sempre perambulando pelo átrio exterior. Nunca vão além do altar, nem sequer chegam à bacia. São salvos, mas nem mesmo sabem que foram salvos para servir.
São filhos de Deus e também foram constituídos um reino de sacerdotes, mas nunca exercem a função de sacerdotes. São crianças; graças a Deus por isso. E vocês sabem: como crianças, desfrutam daquilo que lhes é oferecido. Têm todos os direitos, mas não têm deveres nem responsabilidades; e, por causa disso, em certo sentido são inúteis.
Inúteis no reino de Deus. Inúteis no propósito de Deus. Sim, vocês desfrutam de tudo, mas o que o Pai encontra em vocês? Ele lhes dá tudo de boa vontade, generosamente, voluntariamente. Mas o que Ele recebe de vocês? Nada — mortos em Cristo.
Infelizmente, hoje descobrimos que a igreja é quase como um jardim de infância, e provavelmente pior do que um jardim de infância. A igreja de Deus está cheia de bebês. Todos estão esperando ser alimentados, e, se vocês demoram um pouco para alimentá-los, eles choram. Ficam zangados com vocês. Naturalmente, acham que têm todos os direitos.
Há bebês demais na igreja: sempre recebendo, recebendo e recebendo, nunca dando; sempre desfrutando, desfrutando e desfrutando, nunca exercendo sua função; sempre sentados ali, ouvindo, criticando, julgando, mas nunca se levantando para ministrar e servir com os pés e as mãos limpos.
É isso que encontramos no cristianismo hoje. Eles continuam ali, sem sair do lugar.
Mas, graças a Deus, há alguns que não apenas tiveram a experiência do altar e foram salvos, mas sabem que são sacerdotes para Deus e começam a servir. Começam a compreender que precisam ter as mãos e os pés lavados. Têm um verdadeiro ministério para o mundo. Realmente pregam Jesus Cristo, e Este crucificado.
Graças a Deus por esses irmãos e irmãs. Mas eles nunca entram no Lugar Santo. Todo o seu serviço está no átrio exterior. Ministram às pessoas, mas nunca ministram a Deus.
É somente quando vocês realmente recebem uma visão da igreja, quando começam a ministrar na igreja, que têm toda a oportunidade de ministrar a Deus — não apenas ministrar às pessoas, mas ministrar a Deus.
Graças a Deus, encontramos irmãos e irmãs que entraram no Lugar Santo e ali ministram ao Senhor como testemunho do Senhor Jesus.
Mas lembrem-se: nem mesmo o Lugar Santo é a sua habitação. É onde vocês servem, mas não é onde vivem. O único lugar que Deus determinou para vivermos é o Santo dos Santos. Isto é, devemos viver na própria presença de Deus.
É a união com Cristo em Deus. Aqui preciso ter um pouco de cuidado. Uso a expressão união com Cristo em Deus. Não uso a expressão popular união com Deus.
Por quê? Porque a expressão popular união com Deus, até onde entendo, não pode ser encontrada na Bíblia. Desafio vocês a pesquisar as Escrituras e ver se conseguem encontrar essa expressão, união com Deus. Se a encontrarem, por favor, avisem-me. Estou disposto a ser corrigido.
A expressão união com Deus é uma expressão mística. Tem sido usada pelos místicos, tanto cristãos quanto pagãos, para expressar a busca suprema pela união com Deus.
Deixem-me usar uma ilustração. Madame Guyon foi uma grande mulher no Senhor, e vou ler alguns de seus escritos para vocês nesta manhã. Mas ela usou este exemplo: a união com Deus é como uma gota de água que vai fluindo até que, um dia, entra no oceano.
Quando essa gota de água entra no oceano, ela se mistura à água do oceano. Perdeu sua identidade. Está perdida em Deus. É a união com Deus. Em outras palavras, vocês já não existem como indivíduos. Tornam-se parte de Deus.
Isso é bonito, mas não é místico demais? As Escrituras nunca ensinam que perderemos nossa identidade, nossa individualidade. Deus nos criou como indivíduos, e nossa individualidade permanecerá para todo o sempre.
Mesmo na cidade santa, a Nova Jerusalém, encontramos os doze fundamentos feitos de pedras diferentes. Um é Pedro, uma safira; outro é João. Vemos que cada um é diferente e que todos preservam sua individualidade.
Sim, a personalidade que se expressa por meio daquele indivíduo é Cristo. Não é Pedro, não é João; é Cristo. Mas a individualidade permanece por toda a eternidade.
É verdade que o nosso individualismo precisa ser tratado. Vocês sabem, somos individualistas demais, como se fôssemos a única pessoa no mundo. Nós somos o mundo. Somos autossuficientes. Somos independentes. Não precisamos uns dos outros.
Irmãos e irmãs, o individualismo precisa acabar. Precisa ser tratado pela cruz. Mas a cruz nunca tira a sua individualidade. Deus ama a variedade. Já me disseram que a variedade é o tempero da vida.
Mas, vocês sabem, a expressão união com Deus agora é interpretada de maneira muito equivocada: vocês perdem sua identidade em Deus; tornam-se parte de Deus. Em outras palavras, é a deificação do homem. Vocês são Deus. Vocês já não estão ali; vocês são Deus.
Irmãos e irmãs, esse não é o ensino das Escrituras. É verdade que estamos unidos a Cristo em vida. Isso é verdade. Mas lembrem-se: nunca entramos na Divindade. Nunca nos tornamos parte da Divindade.
Deus continua sendo Deus, e nós continuamos sendo seres humanos. Mas, graças a Deus, estamos unidos a Cristo em vida — não apenas em vida, mas também em propósito. Por isso uso a expressão união com Cristo em Deus, e espero que, pela graça de Deus, isso não nos conduza a nenhum erro.
De qualquer forma, vocês descobrirão que aquilo que Deus busca em nós, no que diz respeito à nossa vida cristã, é a união com Cristo em vida e em propósito. Esse é o alvo final. E a união com Cristo em Deus, em outras palavras, é a vida no Santo dos Santos — isto é, vocês vivem no Santo dos Santos.
Vocês sabem, no Santo dos Santos há apenas um móvel: a arca. Sabemos que a arca é uma figura do nosso Senhor Jesus. Por quê? Porque a arca é um cofre.
A arca é feita de madeira de acácia, e a madeira de acácia, nas Escrituras, sempre fala de madeira incorruptível. Vocês sabem, a madeira de acácia é uma madeira dura, considerada incorruptível. A arca é feita de madeira de acácia porque fala da humanidade do nosso Senhor Jesus.
Nosso Senhor Jesus, como ser humano, é incorruptível. Ele é sem pecado, perfeito. Esse é o nosso Senhor Jesus como ser humano.
Mas essa arca é feita de madeira de acácia revestida de ouro por dentro e por fora. O ouro, nas Escrituras, sempre fala da natureza de Deus — indestrutível.
Mas observem uma coisa: os outros móveis do tabernáculo podem ser feitos de madeira de acácia e revestidos de ouro, mas são revestidos de ouro apenas por fora. Com a arca é diferente. Ela é revestida de ouro tanto por dentro quanto por fora.
Por quê? Porque isso fala do fato de que, antes de nosso Senhor Jesus vir a este mundo para Se tornar homem, Ele era Deus. Foi Deus quem Se encarnou. Foi Deus quem assumiu a semelhança da carne do pecado.
Assim, primeiro havia o revestimento de ouro por dentro; depois, a madeira; e depois, o revestimento de ouro também por fora. Embora Ele fosse homem, enquanto estava na terra, continuava sendo Deus. Não havia perdido Sua divindade.
Algumas pessoas ensinam uma heresia na igreja: que, quando o Senhor Jesus, o Verbo, Se fez carne e Se encarnou, Ele deixou a Divindade e já não era Deus. Era apenas um ser humano.
Irmãos e irmãs, em certo sentido é verdade que Ele, sendo igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar, mas esvaziou a Si mesmo. Porém, lembrem-se: Ele Se esvaziou de toda a glória, honra, majestade e atributos relacionados a Deus; mas jamais poderia Se esvaziar da Sua divindade.
Nosso Senhor Jesus, mesmo enquanto estava na terra, continuava sendo Deus. Ele era Deus desde o princípio; veio para Se tornar homem, e é um homem verdadeiro, mas, ao mesmo tempo, continua sendo o verdadeiro Deus. Esse é o nosso Senhor Jesus, e essa é a arca.
A arca é um cofre aberto. Nesse cofre aberto, naquele momento, havia apenas uma coisa depositada: os Dez Mandamentos — o testemunho.
Vocês sabem, os Dez Mandamentos também são chamados de testemunho. Por quê? Porque os Dez Mandamentos testemunham à humanidade acerca da justiça de Deus.
Assim, encontramos o testemunho dentro da arca. Talvez vocês se lembrem da história: quando Moisés desceu do monte com as duas tábuas da lei, descobriu que os filhos de Israel estavam adorando um bezerro de ouro. Por causa disso, quebrou as duas tábuas de pedra.
Em outras palavras, antes que o testemunho chegasse ao povo de Israel, eles já o haviam quebrado. Mas, na segunda vez, quando Deus chamou Moisés ao monte para receber novamente o testemunho, havia a arca, para que o testemunho pudesse ser colocado nela e preservado.
Irmãos e irmãs, antes de a lei de Deus chegar ao homem, ela já está quebrada. A lei de Deus deve ser cumprida, certo? Mas quem pode cumpri-la? Ninguém pode.
Mas, graças a Deus, há uma Pessoa na terra em Quem a lei é cumprida completamente: o nosso Senhor Jesus.
Vocês se lembram de Salmos 40:6-8. Ali está escrito:
Sacrifício e oferta não desejaste;
Abriste os Meus ouvidos:
Holocausto e oferta pelo pecado não requereste.
Então disse Eu: Eis aqui venho;
No rolo do livro está escrito de Mim:
Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu;
Sim, a Tua lei está dentro do Meu coração.
Conforme a citação em Hebreus 10:5, está escrito:
Um corpo Me preparaste.
Irmãos e irmãs, descobrimos que, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele era a única Pessoa em Quem o testemunho, a lei de Deus — aquilo que Deus é — foi preservado intacto. Toda a Sua vida consistiu em fazer a vontade de Deus. Em nenhum momento de Sua vida Ele transgrediu a lei de Deus.
Fazer a vontade do Pai era o prazer do Seu coração. Por causa disso, como a Sua vida na terra satisfez o coração do Pai! Diversas vezes o céu não pôde permanecer fechado; o céu teve de se abrir e dizer:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
— Mateus 3:17; 17:5
Esse cofre aberto tem uma tampa, e essa tampa é o propiciatório. O propiciatório é feito de ouro puro.
Irmãos e irmãs, se vocês se lembram de Romanos 3:25, talvez a sua versão diga que Deus apresentou Cristo como nossa propiciação, nosso propiciatório. Mas, na verdade, no original é isto: Deus apresentou Cristo como o nosso propiciatório, o lugar da misericórdia.
Como Deus pode mostrar misericórdia a um povo pecador sem comprometer Sua justiça, sem violar Sua santidade? Como Deus pode fazer isso? Somos injustos. Somos pecadores. Transgredimos a lei de Deus. Violamos o testemunho de Deus. Tudo o que merecemos é a ira de Deus.
Mas Deus nos ama. Ele quer nos mostrar misericórdia, mas não pode fazê-lo sem uma base para isso. Porém, graças a Deus, nosso Senhor Jesus Se torna a arca.
Porque nosso Senhor Jesus, sendo Deus, tornou-Se homem e, ainda assim, continuou sendo Deus; e porque, durante toda a Sua vida, a lei de Deus foi satisfeita — não apenas em Sua própria vida, mas especialmente na cruz —, Ele levou todos os nossos pecados, pagou a penalidade do pecado e satisfez a justa exigência de Deus sobre a humanidade.
Portanto, irmãos e irmãs, é sobre a obra consumada de Cristo que temos o propiciatório. O fundamento do propiciatório é a arca. Somente em Cristo Jesus Deus pode nos mostrar Sua misericórdia.
Deus pode revelar Seu amor por nós ao nos mostrar misericórdia. É uma misericórdia demonstrada sobre a base da justiça. Isso não compromete Deus de maneira alguma. Pelo contrário, glorifica-O.
Assim, irmãos e irmãs, descobrimos que no Santo dos Santos há apenas um móvel. É Cristo, que cumpriu toda a justiça de Deus — não apenas por Si mesmo, mas por toda a humanidade. É a obra consumada de Cristo, e, sobre essa base, Deus pode nos mostrar misericórdia.
As Escrituras dizem que, no Santo dos Santos, Deus Se assenta sobre aquele propiciatório. Deus habita sobre aquele propiciatório. A glória de Deus enche o Santo dos Santos. Foi ali que Ele falou a Moisés. Foi ali que Ele Se encontrou com Moisés e falou com Moisés face a face.
Irmãos e irmãs, podemos entrar no Santo dos Santos, e não apenas entrar, mas viver ali. Isso é possível por causa da obra consumada de Cristo — não porque estejamos preparados. Nunca estamos preparados. Mas porque Ele fez tudo por nós.
Deus nos chama a entrar, a nos aproximar com confiança, com santa ousadia, e a viver ali, na própria presença de Deus. É Deus em Cristo encontrando-Se conosco, falando conosco e revelando-Se a nós.
Mencionamos anteriormente que no átrio exterior há a luz do sol. No Lugar Santo, há a luz do candelabro de ouro. No Santo dos Santos, porém, não há luz do sol nem luz do candelabro. Seria uma escuridão completa, se não fosse pela glória de Deus.
O Santo dos Santos é iluminado pela glória de Deus. Naturalmente, sabemos que é muito difícil explicar o que é glória. Lembro-me de que o irmão T. Austin-Sparks disse que é muito difícil definir a glória. Ele tentou dar uma definição, e, na minha opinião, é a melhor definição que já ouvi.
Ele disse: “O que é glória? Glória significa simplesmente que Deus está satisfeito. Sempre que Deus está satisfeito, a glória aparece”.
Irmãos e irmãs, aqui descobrimos que, no Santo dos Santos, a glória de Deus enche aquele lugar. Oh, Deus está satisfeito. Deus está plenamente satisfeito em Seu Filho. Seu Filho pode revelar-Se, manifestar-Se e expressar-Se.
Vocês sabem, à medida que crescem no Senhor, no início o que determina suas ações é a mente. Vocês pesam os prós e os contras: “O que é mais vantajoso para mim?” É assim que suas ações são decididas.
Mas, à medida que crescem no Senhor, começam a descobrir que isso não é confiável. Começam a ser guiados pela luz da vida. Em outras palavras, o Espírito de Deus dentro de vocês os ilumina e lhes permite ver, na luz de Deus, o que é certo e o que é errado, o que é luz e o que é trevas.
Mas, curiosamente, à medida que crescem mais no Senhor, descobrem que toda a sua vida é governada pela glória. Sua pergunta já não é: “O que é vantajoso para mim?” Sua pergunta já não é se isso é certo ou errado, nem mesmo em princípio.
Vocês sabem, as pessoas podem viver por princípios. Isso é uma boa maneira de viver. Muitas pessoas não têm princípios. Mas, se vocês vivem por princípios, vivem uma vida mais elevada. Porém, irmãos e irmãs, vocês podem viver por princípios e se tornar muito diferentes de Deus.
Vocês precisam viver pela glória de Deus. Um dia, o que determina suas ações é a glória de Deus: “Isso satisfará a Deus?” Essa é a vida no Santo dos Santos.
O que é essa vida no Santo dos Santos? É exatamente como Paulo disse em 2 Coríntios 3:18: contemplamos a glória do Senhor com o rosto descoberto e somos transformados de glória em glória segundo a Sua imagem, pelo Senhor, o Espírito.
Vocês sabem, a vida no Santo dos Santos é uma vida face a face com Deus. Lembram-se de Números 12:6-8, quando Miriã e Arão ficaram com ciúmes de Moisés? Deus apareceu aos três e disse:
Se entre vós houver profeta, Eu, o Senhor, em visão a ele Me farei conhecer;
Em sonhos falarei com ele.
Não é assim com o Meu servo Moisés;
Ele é fiel em toda a Minha casa:
Boca a boca falo com ele, claramente, e não por enigmas;
E ele contempla a forma do Senhor.
Em outras palavras, encontramos aqui uma vida face a face. Irmãos e irmãs, se habitamos Nele e Ele habita em nós, nossa vida é face a face com Deus. Contemplamos a glória de Deus na face de Jesus Cristo.
A glória de Deus na face de Jesus Cristo — a glória de Deus repousa sobre o propiciatório, sobre a arca. Essa é a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Ao vermos Jesus, vemos a glória de Deus. Ao vermos a glória de Deus, somos transformados de glória em glória.
Tudo o que é da carne é vergonhoso, mas tudo o que é de Deus é glorioso. Seremos transformados de glória em glória segundo a Sua imagem pelo Senhor, o Espírito.
Em outras palavras, não podemos transformar a nós mesmos. Mas, se contemplarmos o Senhor com o rosto descoberto, o Espírito Santo nos transformará.
Vocês sabem, talvez seja verdade: algumas pessoas dizem que, se você quer ter um bebê bonito, deve olhar para imagens bonitas durante a gravidez. Olhando para imagens bonitas, terá um bebê bonito. Não sei até que ponto isso é verdade.
Mas sei que há alguma verdade nisso. Um marido e uma esposa olham um para o outro com tanta frequência que, se estiverem casados há cinquenta anos, vocês perceberão que eles se parecem.
Irmãos e irmãs, se queremos ser semelhantes a Cristo, a única maneira de sermos semelhantes a Cristo é olhar constantemente para Ele. Se vocês contemplarem a glória do Senhor na face de Jesus Cristo, não precisarão transformar a si mesmos. O Espírito de Deus os transformará e os conformará à Sua imagem.
Essa é a vida no Santo dos Santos. A vida no Santo dos Santos é uma contemplação constante do Senhor. Vocês O veem o tempo todo. Vocês O veem em todas as circunstâncias. Porque vocês O veem, o Espírito Santo os transforma e os conforma à Sua imagem.
O que é a vida no Santo dos Santos? É uma vida além do véu. Isto é, não há véu entre vocês e Deus, porque o véu foi rasgado. É uma comunhão sem sombras, uma comunhão constante com Deus.
A vida no Santo dos Santos, como diz Colossenses 3:3, é a nossa vida escondida com Cristo em Deus. Essa é uma vida no Espírito. Porque a sua vida está escondida com Cristo em Deus, nada pode atingi-los.
A vida no Espírito é, como Paulo diz em Filipenses 3:12, alcançar Aquele que os alcançou. A vida no Espírito é viver sob um céu aberto.
A revelação de Deus vem sobre vocês constantemente. O Espírito de sabedoria e de revelação lhes é dado para o pleno conhecimento de Deus. A vida no Santo dos Santos é uma vida em que Cristo Se torna tudo e em todos para vocês.
Essa é a vida cristã. Isso é o que Deus determinou para todos nós. Essa é a nossa habitação. Esse é o nosso lar.
Agora gostaria de ler para vocês algo de Madame Guyon. Não sou místico e não procuro persuadi-los a serem místicos. Os místicos têm muito a oferecer, mas há muita coisa com a qual vocês precisam ter cuidado.
Madame Guyon foi uma mulher francesa cuja vida foi muito bela. Ao longo dos séculos, muitos receberam ajuda ao ler sobre sua vida. Mas até mesmo os místicos criticam Madame Guyon por ser passiva demais, e isso é verdade.
De qualquer forma, Madame Guyon escreveu um livro chamado Torrentes Espirituais. Ela procurou descrever a vida cristã como água corrente, e há diferentes tipos de fluxo. Seus escritos, naturalmente, eram muito difíceis de ler.
A senhora Penn-Lewis, Jessie Penn-Lewis, condensou esse livro e o tornou mais acessível em um pequeno livreto chamado Vida a Partir da Morte. Vocês ainda podem obtê-lo. Nesse livreto, Madame Guyon descreve a vida no Santo dos Santos.
Então vou ler apenas um pequeno trecho para vocês.
As características da vida de união:
A alma é possuída por Deus. Ela nada possui; é possuída. Sendo Deus o princípio da vida, nada lhe pode faltar. Ela deixou o que é criado pelo Criador, o nada por todas as coisas.
A alma tem todas as coisas em Deus. Já não vive nem trabalha por si mesma, mas o próprio Deus, pelo Espírito Santo, vive, trabalha e opera nela.
A alma vive sem esforço. A vida divina, que a possui e opera nela, trabalha com a mesma facilidade inconsciente da vida natural. A vida sobrenatural consiste em viver sobrenaturalmente; então isso se torna natural.
A alma está em perfeito descanso. Ela apenas satisfaz a Deus. É possuída pela paz de Deus; por isso, sua paz é imutável.
A alma tem uma alegria sem limites. É uma alegria indizível.
A alma está em harmonia com a vontade divina. Não tem uma vontade separada, pois sua vontade é a vontade de Deus. Não tem outro desejo senão cumprir o desejo Dele.
A alma é conduzida à simplicidade. Sua condição de vida tornou-se tão simples que ela nada tem a dizer acerca de si mesma, pois esse caminho é simples. Ela vê todas as coisas somente em Deus, o único centro e princípio de todas as coisas, e envolvidas por Ele.
A alma é uma com Cristo em Deus. Ela está em Deus como em uma atmosfera que lhe é natural. Sabe apenas que Deus é e que já não vive senão Nele. Seu tesouro agora é somente Deus, de Quem continuamente recebe tudo de que necessita. A vida apostólica começa. É a vida de abundante frutificação.
Irmãos e irmãs, creio que isso descreve a vida no Santo dos Santos. Lembrem-se: isso não é para algumas poucas pessoas escolhidas. Esse é o direito e o privilégio de todo cristão. Aproximemo-nos com confiança.
Como vocês entram no Santo dos Santos? Vocês sabem, há um véu entre o Lugar Santo e o Santo dos Santos, e somos informados de que esse véu era muito, muito pesado.
Esse véu separa o Santo dos Santos do Lugar Santo. Nos tempos do Antigo Testamento, somente uma vez por ano o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, além do véu. Uma vez por ano.
Uma vez por ano, quando entrava no Santo dos Santos, além do véu, ele precisava levar duas coisas. Precisava ter um incensário cheio de incenso do altar de ouro do incenso. Quando entrava além do véu, a fumaça enchia o lugar e, por assim dizer, o encobria.
Como não podia ver Deus face a face, ele precisava estar encoberto. Ao mesmo tempo, precisava entrar com o sangue. Aspergia o sangue sobre o propiciatório e depois se voltava e o aspergia sobre o véu, para fazer expiação pelo povo.
Então saía rapidamente, para não morrer. Ninguém pode ver Deus. Se alguém ousasse entrar no Santo dos Santos para ver a face de Deus, seria ferido de morte, porque não era digno.
Por isso, o autor da carta aos Hebreus diz que, enquanto esse véu permanece, isso mostra que o Santo dos Santos ainda não foi aberto.
Mas, irmãos e irmãs, isso não é maravilhoso? Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado fora da porta de Jerusalém, quando disse:
Está consumado.
— João 19:30
E entregou Seu espírito ao Pai, o véu do templo de Jerusalém foi rasgado em dois, de alto a baixo.
Quando o véu foi rasgado, a glória de Deus se manifestou para fora. Oh, irmãos e irmãs, graças a Deus, o véu foi rasgado.
O que é esse véu? Em Hebreus 10:19-20, está escrito que Deus abriu para nós um novo e vivo caminho. Ele consagrou para nós um novo e vivo caminho através do véu, isto é, da Sua carne.
Assim, o véu no templo é uma figura da carne humana do nosso Senhor Jesus. O véu é feito de fios azuis, púrpura e escarlate, e de linho fino, em trabalho artístico, bordado com querubins.
O que é o azul? Azul é a cor do céu. O que é a púrpura? Antigamente, a púrpura representava a realeza. O que é o escarlate? O escarlate fala de glória — glória humana, mas não vanglória. O linho fino, naturalmente, fala de uma vida pura, de justiça.
Bordado com querubins — não temos tempo para falar sobre os querubins. É muito interessante. Mas deixem-me dizer apenas que os querubins aqui representam o propósito original de Deus para a criação, a criação na mente de Deus.
De qualquer forma, vemos que isso é o que o nosso Senhor Jesus é. O Verbo Se fez carne e armou Seu tabernáculo entre os homens. Quando Ele Se fez carne e habitou entre os homens, Sua carne não era celestial?
Embora estivesse na terra, Ele veio do céu, viveu na terra e, ainda assim, continuava no céu. Em outras palavras, Ele é um Homem celestial. Aonde quer que fosse, levava Consigo uma atmosfera celestial. Ele nunca deixou o céu em sentido espiritual.
Púrpura: olhem para a Sua vida. Como Ele era majestoso! Quando as pessoas começaram a se aglomerar ao Seu redor e tentaram empurrá-Lo, Ele simplesmente caminhou devagar pelo meio delas. Nunca fugiu correndo. Apenas caminhou, como se nada tivesse acontecido.
Quando foi julgado, se tivesse dito apenas uma palavra, provavelmente, falando em termos humanos, teria sido solto. Mas Ele permaneceu em silêncio. Como Ele era majestoso!
Escarlate: glória. Ele não buscou glória dos homens; foi o Pai quem O glorificou. Glória verdadeira, não vanglória. Toda a Sua vida foi tão pura. Ele é o Justo, o único que é sem pecado e perfeito.
Em toda a Sua humanidade, vocês podem ver que Ele é o Homem segundo o coração de Deus. Ele é o Homem que Deus originalmente planejou, o Homem que Deus deseja. Ele é o Homem.
Mas lembrem-se: por um lado, o véu separa, oculta e cobre aquilo que está no Santo dos Santos. Por outro lado, porém, é o único caminho para o Santo dos Santos.
Pensem no nosso Senhor Jesus. Sua vida na terra é como um véu. É verdade que Ele veio para nos revelar o Pai. Contudo, na carne, a glória de Deus está sempre oculta.
São necessários olhos espirituais para ver a glória do Senhor como a glória do Unigênito do Pai. As pessoas O viam apenas como um ser humano, como um homem cheio de graça e de verdade. Mas a glória de Deus estava dentro Dele.
No monte da transfiguração ocorreu a única ocasião em que a glória irrompeu através da Sua carne. Sua face brilhou como o sol. Até as roupas que Ele usava se tornaram brancas, mais brancas do que qualquer processo poderia torná-las.
A glória do Senhor atravessou aquela carne apenas por esse breve momento. Por quê? Porque foi naquele momento que Moisés e Elias apareceram para falar com Ele sobre o Seu êxodo.
Como o Senhor Jesus sairia do mundo? Ele veio pela encarnação. Agora eles estavam falando sobre a Sua saída. Foi naquele momento que a glória dentro Dele irrompeu.
Por quê? Irmãos e irmãs, vocês sabem, aquele foi um momento de muita tensão, um momento de muita tensão. Quanto ao próprio Senhor Jesus, Ele havia vindo e vivido uma vida que satisfez o Pai. Ele era um Homem segundo o coração de Deus.
Quanto a Ele mesmo, tinha todo o direito de partir daquele monte e voltar ao Pai. Mas, se fizesse isso, haveria apenas um Homem no Santo dos Santos. Haveria apenas um Homem na presença de Deus.
Mas Ele não partiu. Ele desceu. Foi à cruz. Fez Sua saída pela cruz. Porque fez Sua saída pela cruz, o véu foi rasgado.
Irmãos e irmãs, hoje as pessoas ensinam que devemos imitar Cristo. Ele é o nosso grande exemplo. Devemos imitá-Lo. As pessoas não aceitam Sua obra redentora. Acham que tudo o que precisam fazer é imitá-Lo como um grande mestre.
Lembrem-se: se vocês considerarem o Senhor Jesus um grande mestre e tentarem imitá-Lo, serão apenas condenados, porque a vida Dele os condenará. Ele é o único digno de ver a face do Pai, mas vocês não são dignos.
Ele é o véu. Ele os impedirá para sempre de ver a face do Pai. Mas, graças a Deus, esse véu foi rasgado. Por causa disso, se vocês confiarem em Sua obra redentora, descobrirão que podem entrar por meio Dele no Santo dos Santos.
Mas lembrem-se: Ele consagrou para nós esse novo e vivo caminho. Em outras palavras, Ele não apenas abriu esse caminho para nós, mas de fato o consagrou para nós. Isto é, Ele entrou como precursor, como Aquele que abre o caminho. E agora Ele diz: “Sigam-Me”.
Esse é o caminho da cruz. Sigam-Me. Se vocês querem viver uma vida no Santo dos Santos, precisam andar no caminho da cruz. Pela força da cruz Dele, vocês devem tomar a sua cruz e segui-Lo.
Não há outro caminho para entrar no Santo dos Santos e viver essa vida no Santo dos Santos. Ou, em outras palavras, o quebrantamento é o caminho para o Santo dos Santos.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, a carne do nosso Senhor Jesus — a carne humana do nosso Senhor Jesus —, em certo sentido, era igual à nossa carne, mas, em outro sentido, era diferente. Fisicamente, era igual; moralmente, era diferente.
Por quê? Porque a nossa carne é carne pecaminosa. Somos cheios de nós mesmos — desse “eu”, desse eu que é egoísta, presunçoso, cheio de autocomiseração, de amor a si mesmo, voltado para os próprios interesses e centrado em si mesmo. Esse eu é corrompido.
Mas nosso Senhor Jesus, embora tenha assumido a forma, a semelhança da carne do pecado, tinha um eu puro. Vocês sabem, o Senhor também tinha um eu como ser humano:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
— Lucas 22:42
Ele tinha Sua vontade.
Mas vemos que a vida do Seu eu era pura, perfeita, incontaminada, incorrupta. Contudo, mesmo esse eu perfeito, mesmo esse “Eu” perfeito vivendo na carne, precisou ser quebrantado.
O próprio “Eu” do nosso Senhor Jesus foi quebrantado na cruz do Calvário. Seu corpo foi quebrado, rasgado. Por quê? Porque, como princípio espiritual, o quebrantamento é o único caminho para a presença de Deus.
Vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, na experiência espiritual, algumas pessoas chamam essa experiência de noite escura da alma. Não vou explicar os detalhes disso; apenas faço essa menção.
Em outras palavras, na experiência espiritual do povo de Deus, depois que alguém conhece o Senhor como Salvador e começa a entrar em uma etapa de iluminação, Deus começa a adorná-lo com muitos dons, muitas graças e muitas virtudes. Ele parece ser uma pessoa admirada pelos outros cristãos.
Mas, muitas vezes, vemos o tratamento de Deus. Uma pessoa pode ter as atividades e as obras de sua carne tratadas, mas a vida da carne ainda permanece intacta.
Porque a vida da carne, que é a vida da alma, que é o eu, ainda está ali, vocês estão dispostos a abandonar tudo, menos o “eu”. Acham que, se abandonarem o “eu”, não serão nada. Mas é justamente esse nada que Deus está produzindo, porque nada significa que Ele é tudo.
Irmãos e irmãs, Ele precisa nos levar a um ponto em que nos tornemos nada. Deus talvez precise despojá-los dos seus dons. Precisa despojá-los até mesmo das suas virtudes. Vocês talvez quase se sintam como pecadores.
Vocês não são nada — absolutamente nada. Mas é o seu nada que lhes traz Deus como tudo. Assim, irmãos e irmãs, descobrimos que o quebrantamento produz humildade, e a humildade é o caráter de Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, admiramos a vida no Santo dos Santos? Claro que sim. Mas vocês estão dispostos a andar no caminho da cruz?
Pode parecer um caminho de morte, mas, na verdade, é um novo e vivo caminho, porque nos conduz à própria presença do Deus vivo. Ali vocês permanecem diante Dele. Vocês vivem Nele. É a união com Cristo em Deus.
Agora, finalmente, e de maneira muito breve: o Santo dos Santos não é apenas uma vida; é um ministério. Na verdade, todo ministério verdadeiro precisa começar no Santo dos Santos.
Quer vocês estejam servindo no altar de bronze, no átrio exterior, quer estejam ministrando no Lugar Santo, lembrem-se: o verdadeiro ministério precisa ter sua origem no Santo dos Santos.
Por quê? Porque o verdadeiro ministério é ministrar Cristo. Sempre que vocês ministram, ministram Cristo. Ministram Cristo às pessoas. Ministram Cristo a Deus.
Por isso Paulo diz em 2 Coríntios 4:7-10:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro,
Para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós;
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados;
Perplexos, mas não desesperados;
Perseguidos, mas não desamparados;
Abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus,
Para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Isso é ministério. De onde vem esse ministério? Vem do Santo dos Santos. Somos como vasos de barro — opacos. Não temos luz. A luz está no tesouro.
Pensem nisso. Ninguém coloca um tesouro em um vaso de barro. Talvez vocês coloquem um tesouro em uma caixa de alabastro. Mas Deus coloca um tesouro em um vaso de barro.
A única maneira de a luz do tesouro ser revelada é o vaso de barro ser rachado, ser quebrado. É por meio do quebrantamento que o poder de Deus se manifesta.
Levamos em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em outras pessoas. Isso é ministério.
Hoje encontramos muitos chamados ministérios que apenas ministram a si mesmos, ministram algum ensino, alguma doutrina, mas não ministram Cristo, não ministram vida.
Eles podem enriquecer a mente das pessoas, mas não alimentam o espírito das pessoas. O verdadeiro ministério vem do Santo dos Santos.
Quando vocês vivem no Santo dos Santos, acontece aquilo que as Escrituras dizem: Moisés e Arão saíram da tenda da congregação para abençoar o povo. Quando abençoaram o povo, a glória do Senhor lhes apareceu.
Irmãos e irmãs, quando vocês ministram a partir do Santo dos Santos, descobrem que a bênção de Deus vem sobre o povo, e as pessoas veem a glória do Senhor. Isso é ministério.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus. Vocês não apenas podem entrar no átrio exterior. Vocês são chamados ao Lugar Santo. E agora são exortados a entrar no Santo dos Santos com confiança. Graças a Deus por isso. Vamos orar?
Querido Pai celestial, oh, não podemos deixar de nos prostrar e Te adorar ao vermos o que Tu fizeste por nós em Cristo Jesus. Tu fizeste de Cristo Jesus não apenas o nosso Salvador; Tu fizeste Dele o nosso Sumo Sacerdote. Tu fizeste Dele a nossa vida, a nossa luz, e Tu fizeste Dele o nosso lar.
Oh, nós Te louvamos e Te agradecemos. Senhor, a oração do nosso coração é que já não seja eu, mas que seja Cristo — Cristo, tudo e em todos —, para que Tu sejas satisfeito e a Tua glória se manifeste. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.