Continue.
Pai, entramos na Tua presença. Pedimos que abras o nosso coração para que possamos ouvir. O que desejamos nesta manhã é contemplar-Te.
Desejamos ser um povo preparado nesta manhã, em nosso espírito, alma e corpo, para que Tu nos fales. Pedimos que cubras este lugar com o precioso sangue do Senhor Jesus. Liberta o nosso espírito, Senhor, para que possamos ouvir essas palavras. Fala-nos com clareza, com poder, com luz e com glória.
E, Senhor, oramos, acima de tudo, para que nos dês um espírito humilde, a fim de que possas revelar-nos o Teu grande mistério. Oh, olhamos para Ti. Suplicamos o Teu favor. Agradecemos porque é Teu desejo abençoar o Teu povo. Nós Te louvamos, Senhor. Nós Te agradecemos por isso. Entregamos este tempo a Ti, em nome de Jesus. Amém.
Gostaria de ler primeiro uma passagem das Escrituras: 1 Coríntios 4:1.
Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.
Vamos ler mais uma vez.
Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.
Quando Paulo disse essas palavras, foi porque os coríntios tinham uma compreensão equivocada. Os coríntios davam importância demais aos homens, porque não viam o próprio Senhor. Por essa razão, havia divisão entre eles. Alguns seguiam um servo, e outros seguiam outro.
Então Paulo lhes escreveu, dizendo que devemos ser considerados servos de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Somos servos de Deus.
Um despenseiro é um servo designado. Deus designou Paulo para ser Seu servo. Deus designou Cefas para ser Seu servo. Deus também designou Apolo para ser Seu servo.
O que Deus faz quando designa um servo? Ele quer que esse servo trabalhe e se ocupe dos mistérios de Deus. O dever desse servo é ser fiel como despenseiro desse mistério — administrar esse mistério.
Eles estão ali para administrar o mistério de Deus. Se administrarem fielmente o mistério de Deus, serão considerados servos fiéis. Se não administrarem esse mistério com cuidado, serão considerados maus servos.
Podemos dizer assim: a administração do mistério de Deus põe à prova a nossa fidelidade a Deus. Se estamos ou não servindo a Deus nesta terra depende daquilo que administramos.
Se aquilo que administramos não é esse mistério, não somos considerados pessoas que fazem a obra de Deus. Quando aquilo que administramos é esse mistério, então somos servos fiéis de Deus.
Para administrar o mistério de Deus, precisamos conhecer o mistério de Deus. Não podemos administrar aquilo que não conhecemos. Também precisamos saber o que recebemos e como administrá-lo. Dessa maneira, podemos ser despenseiros fiéis do mistério de Deus.
De modo geral, cada um de nós foi designado como despenseiro do mistério de Deus. Somos servos designados por Deus. As Escrituras nos dizem que Ele nos salvou para que O sirvamos.
Podemos aplicar essas palavras pessoalmente a cada um de nós. Deus designou cada um de nós para ser Seu servo. Ele confiou a cada um de nós o Seu mistério, e nós O servimos nesta terra.
Precisamos conhecer esse mistério e também experimentá-lo. Nosso irmão mencionou recentemente essa questão do mistério. Mistério não se refere a algo místico. Mistério significa algo secreto.
Isso estava oculto no próprio Deus. Ora, esse segredo não foi destinado a permanecer desconhecido para nós. Podemos compreender o que é esse segredo.
Na Bíblia, um segredo é um mistério. O mistério na Bíblia é uma realidade. Quando essa realidade é desvendada, podemos conhecer algo daquilo que recebemos.
No coração de Deus há muitos segredos, e todos esses mistérios são realidades. O que precisamos é que Deus os revele a nós. Então podemos ver essa realidade e entrar nela.
No início desta conferência, precisamos orar para que o Senhor nos dê um espírito de revelação. Os mistérios de Deus são realidades espirituais. Quanto a nós, não possuímos nenhuma delas naturalmente. Portanto, precisamos da revelação de Deus.
Nosso irmão falou ontem à noite sobre uma parte desse mistério. Dentro do mistério de Deus, há dois aspectos de maior importância: o mistério de Cristo e o mistério da igreja.
Nosso irmão falará sobre o mistério da igreja. Eu compartilharei a respeito do mistério de Cristo.
Quando falamos do mistério de Cristo, não podemos olhar para Ele apenas do ponto de vista do tempo. Hoje consideraremos o mistério de Cristo na eternidade passada.
Os seres humanos têm seu início no tempo. A maioria de nós começou a vida durante este último século, e a maioria de nós nasceu neste século atual. Nossa história é muito, muito curta.
Mas, quando olhamos para Cristo, não podemos olhar para Ele apenas do ponto de vista do tempo. Não podemos sequer começar com Sua encarnação, há dois mil anos. Em relação a Cristo, isso é pouco tempo demais.
Se queremos ver o mistério de Cristo, precisamos voltar à eternidade passada.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Sabemos que, no princípio, antes de haver tempo e antes de haver espaço, na eternidade passada, somente Deus existia. De fato, o próprio Deus é um mistério.
Deus é três e um: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Não são três deuses — temos um só Deus. Contudo, no único Deus estão o Pai, o Filho e o Espírito. A natureza Deles é uma só.
Podemos ver isso nas Escrituras. Não podemos explicar isso plenamente hoje, e não precisamos encontrar uma explicação para isso. Há muitos ensinamentos falsos que tentam analisar os vários aspectos da Trindade.
No que diz respeito à Divindade, simplesmente cremos e confiamos. É um mistério. Certas coisas pertencem ao próprio Deus. De acordo com a Palavra revelada de Deus, cremos e recebemos.
Assim, sabemos que Cristo estava na eternidade passada. Ele estava ali como Deus Filho. Ele é o Filho do Pai, no seio do Pai.
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, Que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Como o Filho está sempre no seio do Pai, os dois são um. Portanto, Ele pode revelar plenamente Seu Pai.
Nosso Senhor existia na eternidade passada. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é que Ele não era apenas Deus; Ele também era o Filho amado de Deus.
Sabemos, por Colossenses 1:13, que Deus nos libertou do reino das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
O Pai ama Seu Filho. Essa palavra, amor, não se refere a algo restrito à história passada. O amor é contínuo. Desde a eternidade, Deus continua amando Seu Filho, e Ele quer confiar tudo a Ele.
Assim, sabemos que o Senhor é o Amado do Pai.
Podemos encontrar uma ilustração nas Escrituras, no relacionamento entre Abraão e Isaque. O relacionamento entre Abraão e Isaque é o relacionamento de um pai com um filho.
Vemos como Abraão amava seu filho unigênito. Ismael não conta nesse sentido; somente Isaque era o filho da promessa. Isaque era o único filho de Abraão, e todo o amor de Abraão estava concentrado naquele único filho.
Também vemos que Isaque se submetia ao que seu pai dizia. Seu amor era voltado para seu pai. Essa história nos ajuda a compreender esse relacionamento.
Quando Deus pediu a Abraão que oferecesse seu único filho, seu filho amado, Abraão ofereceu Isaque de boa vontade. Isaque não era uma criança pequena; talvez tivesse vinte ou trinta anos.
Quando Abraão estava prestes a oferecê-lo, Isaque não protestou. De boa vontade, ele se uniu ao coração de seu pai.
Abraão e Isaque são apenas um pequeno reflexo do relacionamento entre nosso Pai celestial e Seu Filho. Há um amor imenso entre o Pai e o Filho, e esse amor não muda, de eternidade a eternidade.
Podemos ver que, na eternidade passada, Cristo é o Verbo. Em João 1:1, lemos:
No princípio era o Verbo.
O verdadeiro significado dessa palavra não é meramente um ensinamento. É a Palavra falada; é uma expressão. Em outras palavras, na eternidade passada, Cristo era a Palavra de Deus. Ele era a expressão de Deus.
Ninguém pode conhecer Deus a menos que Deus Se expresse. Por meio do Senhor Jesus, Deus fala a respeito de Seu Pai. Por meio de Jesus, Deus pode expressar-Se.
Se dois de nós ficarmos aqui com a boca fechada, ninguém poderá saber o que estamos pensando. Mas, quando abrimos a boca, nós nos expressamos por meio de palavras.
Se Deus não falasse, se Deus não Se expressasse, nenhum de nós poderia conhecê-Lo. Mas nosso Deus é Aquele Que fala.
Hebreus 1:1-2 nos diz que, no passado, Deus falou aos pais pelos profetas, muitas vezes e de muitas maneiras, mas, nestes últimos dias, Ele nos falou em Seu Filho.
Deus está falando o tempo todo. Aquele Que pode falar de Deus e expressar Deus de maneira mais plena é Seu próprio Filho. Podemos conhecer o Pai porque Cristo fala de Seu Pai.
Isso já era verdade na eternidade passada. Quando Deus criou todas as coisas, Ele as criou por meio de Sua Palavra e por meio de Seu Filho.
Deus não age por acaso. Às vezes fazemos coisas sem pensar, e as circunstâncias mudam, então nossa maneira de agir também muda. Mas nosso Deus não é assim.
As Escrituras nos dizem que Deus tem um propósito eterno. Em Efésios 1:9-10, vemos que, segundo o Seu beneplácito, Ele determinou dar todas as coisas a Seu Filho.
Antes da criação de Deus, ainda na eternidade passada, Ele já havia determinado que um dia criaria todas as coisas. Qual era a razão de Ele criar todas as coisas? Era dar todas as coisas a Seu Filho.
A Bíblia nos diz que Deus quer que Seu Filho ocupe o primeiro lugar em todas as coisas — no céu, na terra e no universo. Cristo é o propósito de Deus.
Às vezes, não damos a devida atenção ao propósito de Deus. Frequentemente perguntamos: “Qual é o propósito de Deus?” No entanto, as únicas coisas em que pensamos são: “Devo fazer isto ou aquilo? Devo ir a determinado lugar ou não?”
Embora possamos ter o desejo de conhecer a vontade de Deus, ainda estamos pensando em nós mesmos. Por causa disso, dificilmente conseguimos conhecer a vontade de Deus.
Meus irmãos e irmãs, se queremos conhecer Deus, há um segredo. Se você enxergar que o propósito de Deus é Cristo, torna-se muito fácil saber o que Deus quer que você faça e aonde Deus quer que você vá.
Como Cristo é a vontade de Deus, Deus quer que você faça certas coisas em Cristo e vá a certos lugares por Cristo. Se você pensar em Deus dessa maneira, será fácil conhecer a vontade de Deus.
Portanto, na eternidade, Cristo é a vontade de Deus. Sua vontade jamais pode mudar. Ele colocará tudo de acordo com Sua vontade, até que ela se cumpra plenamente.
Louvamos a Deus, porque sabemos que a vontade de Deus certamente será cumprida. Ele reunirá todas as coisas sob a autoridade de Cristo Jesus.
Na eternidade passada, Cristo é a plenitude de Deus. A plenitude da Divindade habita em Cristo Jesus.
Essa verdade é mencionada duas vezes em Colossenses. Primeiro, toda a plenitude habita em Cristo. Segundo, a plenitude habita corporalmente em Cristo, e somos completos Nele.
A primeira menção é que toda a plenitude habita no próprio Cristo. Creio que isso se refere à eternidade passada. De eternidade a eternidade, o Filho não tem um início no tempo.
É de eternidade a eternidade. Podemos imaginar essa plenitude de Deus? Se pudéssemos realmente compreender a plenitude de Deus, então poderíamos compreender Cristo, porque a plenitude está Nele. Mas nunca poderemos medir a plenitude de Deus.
Sabemos que Deus é santo; essa é Sua natureza. Ele é santo, sem mácula. Podemos imaginar Sua santidade? O Senhor é o Santo.
O Senhor Jesus veio a este mundo, e Aquele Que nasceu era santo. Ele é diferente de todas as outras pessoas que vieram a este mundo. Ele é o Santo.
Ele também é a expressão da justiça de Deus. Nosso conceito de justiça é relativo, mas a justiça de Deus é absoluta. Sua justiça é absoluta.
As Escrituras nos dizem que temos o Justo à direita do Pai. Por causa Dele, somos justificados.
Cristo é o próprio Filho de Deus. Pensem no que encontramos no Senhor Jesus. Isso teve seu início na eternidade passada, no Filho de Deus.
Há muitas outras coisas que poderíamos compartilhar, mas, por enquanto, essa pequena impressão será suficiente. Precisamos ter essa impressão.
Precisamos lembrar que nosso Cristo teve Seu início na eternidade passada. Precisamos lembrar que, na eternidade, Ele era o Filho de Deus. O amor de Deus estava concentrado Nele. Ele expressava Deus plenamente, e Ele é o propósito de Deus.
Esse é o mistério de Cristo na eternidade.
Podemos perguntar: “O que isso tem a ver conosco, já que vivemos no tempo?” A razão pela qual Deus nos revela questões referentes à eternidade passada é que elas estão vitalmente relacionadas ao nosso presente.
Vamos ler as Escrituras: 1 Coríntios 1:9.
Fiel é Deus, pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Isso nos diz que nosso Deus é um Deus fiel. Somos criados por Ele e somos chamados por Ele. Ele nos chama para Si.
Para que Ele nos chama? Ele nos chama à comunhão com Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
Na tradução chinesa da Bíblia, isso não fica tão claro, porque essa palavra é difícil de traduzir. Deus está nos chamando para entrar na comunhão de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.
O que é comunhão? Comunhão significa algo em comum; significa compartilhar. A ideia por trás dessa palavra é como a de uma jovem e um jovem quando se casam.
Quando se casam, eles têm um compromisso em comum. Compartilham tudo o que possuem. É como se estivessem em uma parceria. A partir daquele momento, tornam-se parceiros um do outro.
Esse é o significado de comunhão. Deus nos chama para Si, para a comunhão de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.
Portanto, tudo o que Cristo tem, Ele quer compartilhar com todos nós. Tudo o que o Pai Lhe deu, Ele nos dará. Esse é o chamado à comunhão.
Precisamos ver quão grande é a graça que Deus nos concedeu. Ele nos permite participar de tudo o que está em Cristo.
Conhecer Cristo é o fundamento da vida cristã. Precisamos saber que começamos nossa vida Nele e que vivemos por meio Dele.
Esse chamado não começa em Coríntios. Esse chamado foi determinado na eternidade passada, no seio da Divindade. Ele faz parte do propósito eterno de Deus.
Segundo Seu propósito eterno, Ele nos chama para entrar. Algumas pessoas ouvem esse chamado, respondem e seguem em frente. Outras ouvem o chamado e desejam responder, mas, depois de pouco tempo, se afastam. Algumas ouvem esse chamado e o rejeitam, e não querem responder a ele.
Mas Deus terá para Si um povo que responderá ao Seu chamado. Sabemos que hoje Ele ainda está chamando.
Para que Ele nos chama? Para entrar em Seu Filho e na comunhão que está Nele. Precisamos participar de tudo o que Cristo é. Tudo o que Cristo é está disponível para que o recebamos e dele participemos.
Agora, como participamos do Cristo que é da eternidade passada? Embora jamais possamos voltar à eternidade, louvado seja Deus: nesse mistério, podemos participar Dele.
Vemos que Ele é o Cristo da eternidade passada. Ele é o Filho amado de Deus. Ele é a vontade de Deus na eternidade passada. Quando vemos isso, adoramos interiormente.
Esse é o resultado de vermos Cristo na eternidade passada. Quando conhecemos esse Cristo, Que é da eternidade, não podemos deixar de adorá-Lo.
Há algo que falta na igreja hoje no que diz respeito à adoração. A adoração é uma joia que está faltando na igreja. Não sabemos o que é adoração, porque deixamos de ver Cristo em Sua eternidade.
Quando O vemos como o Cristo Que pertence à eternidade passada, isso produz adoração espiritual em nosso coração.
Deus está procurando adoradores neste mundo. Não creio que Deus esteja procurando apenas trabalhadores. Não é isso que Ele realmente procura. Ele procura aqueles que O adorarão em espírito e em verdade.
Na igreja, muitas vezes não conhecemos o verdadeiro significado da adoração. Podemos gostar de fazer Sua obra, mas o que o Pai quer é que O adoremos.
Quando Deus criou o ser humano, colocou em nós um instinto de adoração. A adoração não é algo externo que você possa aprender. É algo que Deus colocou dentro de nós quando nos criou.
O ser humano que Deus criou é limitado. O homem pode ser muito sábio e ter muitas capacidades, mas não é todo-poderoso. Muitas vezes esquecemos que não podemos fazer tudo.
O ser humano é limitado em sua capacidade. Somos limitados. Por quê? Porque Deus quer que vejamos que, sem Ele, não podemos viver. Precisamos Dele.
Por causa disso, queremos adorar. Esse desejo é algo que Deus colocou dentro de nós quando nos criou.
Quando Adão estava no jardim, tinha comunhão com Deus. Infelizmente, o homem falhou e foi expulso do jardim. Contudo, mesmo depois de ter sido expulso, o homem ainda tinha o desejo de adorar a Deus.
Reconhecemos que somos limitados. Na segunda geração, vemos que tanto Caim como Abel ofereceram sacrifícios. Eles queriam oferecer sacrifício. O sacrifício é um meio de nos aproximarmos de Deus.
Caim ofereceu os produtos da terra. Ele era agricultor e ofereceu o fruto de seu suor. Ofereceu o que julgava ser o melhor e pensou que isso agradaria a Deus.
Mas sabemos que Deus rejeitou sua oferta. Caim não tinha revelação. Se queremos adorar a Deus, precisamos de revelação. Se não há revelação, não há adoração.
Sem revelação, não sabemos que tipo de Deus estamos adorando. Caim adorou a Deus segundo seu próprio pensamento. Aquilo que ele julgava ser o melhor, pensava que satisfaria a Deus.
Ele não via que era um pecador, e Deus não pode aceitar a obra de um pecador.
Mas Abel também adorou. Ele ofereceu um cordeiro do rebanho. Reconheceu que era pecador e que era necessário um sacrifício por ele. Por isso, pôde aproximar-se de Deus, e Deus aceitou sua oferta.
Não foi porque Abel era melhor que Caim. Foi porque sua oferta era melhor.
O ser humano tem o desejo de adorar. Mas, depois de se afastarem de Deus, embora mantenham o desejo de adorar, os homens adoram as criaturas em vez do próprio Criador.
Eles não estão adorando o Deus vivo. Podemos dizer que a idolatria começa aí. O que é um ídolo? É algo que vemos e sentimos que devemos adorar.
Percebemos que não somos suficientes, então precisamos adorar. Mas, sem revelação, estamos em trevas. Por causa disso, os homens adoram as criaturas de Deus e não adoram o Criador.
Essa é a história da adoração humana. Depois que o homem caiu em pecado, alguns passaram até mesmo a adorar os prazeres deste mundo. Querem satisfazer a concupiscência de sua carne. O instinto de adoração ainda está dentro deles, mas foi direcionado de maneira errada.
Muitas pessoas no mundo são assim. Não têm nenhuma compreensão da adoração; são controladas e aprisionadas pelas coisas materiais.
Um dia, o Senhor passou por Samaria. Ele Se sentou junto ao poço de Jacó, e uma mulher samaritana veio tirar água.
Conhecemos o contexto histórico. Naqueles dias, se os judeus quisessem viajar da Galileia para Jerusalém, não passariam diretamente por Samaria. Os judeus e os samaritanos não se relacionavam.
Eles atravessavam o Jordão, viajavam para o sul pelo lado oriental e atravessavam novamente o Jordão antes de ir a Jerusalém. Não havia relacionamento entre judeus e samaritanos.
Mas Cristo precisava passar por Samaria, porque havia ali uma mulher samaritana à espera de que o Senhor fosse buscá-la.
Conhecemos o costume daqueles dias. As mulheres vinham tirar água de manhã cedo ou no fim da tarde, porque fazia muito calor. Mas essa mulher veio ao meio-dia.
Isso era algo fora do comum. A mulher samaritana ficou surpresa e disse:
Tu és judeu. Por que me pedes de beber?
O Senhor disse, em essência:
Se conhecesses Quem está falando contigo e conhecesses a água que Ele dá, pedirias a Ele de beber.
Isso tocou seu coração, e eles conversaram.
Sua consciência foi tocada. Ela sabia que era pecadora. Então começou a falar sobre adoração:
Vós, judeus, adorais em Jerusalém, mas nós, samaritanos, adoramos neste monte. Onde devemos adorar?
Isso é algo muito curioso. Essa mulher vivia em pecado. Buscava o prazer da carne, mas não encontrava satisfação. Contudo, quando sua consciência foi tocada, imediatamente pensou em adoração.
O desejo de adorar está dentro do ser humano, mas fica encoberto pelo pecado. Um dia, porém, esse instinto vem à tona. Quando uma pessoa está à beira da morte, muitas vezes há algo no fundo de sua consciência que deseja clamar ao céu.
Dentro de todos nós há esse temor de Deus.
Mas o Senhor respondeu:
Já agora, não é em Jerusalém, nem neste monte em Samaria. O Pai procura tais adoradores.
Os judeus adoravam a Deus no templo em Jerusalém, mas, sem espírito, sua adoração se tornou externa. Os samaritanos não tinham nem verdade nem espírito, e sua adoração era vã.
Mas, porque o Senhor veio a este mundo, Ele iluminou nosso espírito. Nosso espírito foi vivificado. Agora podemos ter comunhão com nosso Pai celestial e nos aproximar Dele.
Em nosso espírito, podemos receber revelação. Em Cristo, sabemos o que Ele deseja e que tipo de adoração Ele deseja.
Algumas pessoas adoram segundo seu próprio entendimento. Tudo o que julgam bom, oferecem como adoração, mas isso não pode satisfazer a Deus. Primeiro, precisamos conhecê-Lo. Para conhecê-Lo, precisamos conhecer o que está em Seu coração.
Então podemos adorar em espírito e em verdade. É isso que o Pai procura.
Todos os que estão em Cristo podem ser adoradores. Infelizmente, na igreja de hoje, muitas pessoas estão ausentes quando se trata de adoração.
Quando chega o momento da adoração, quando chega o momento do partir do pão, muitas vezes há uma enorme diminuição no número de pessoas. Não apenas há poucas pessoas, mas a adoração frequentemente é muito fria e fraca.
Quando nos achegamos ao Senhor, muitas vezes somos espectadores. Estamos ali para assistir à adoração dos outros, mas não participamos dela.
É isso que o Pai procura. Não sabemos quanto o coração de nosso Pai fica ferido quando Ele vê que estamos ocupados com as coisas do mundo.
O Pai diz: “Quero que vocês Me conheçam. Porque Me conhecem, vocês Me valorizam. É isso que desejo de vocês.”
Deus tem tudo. O que você pode oferecer a Ele? Deus deseja apenas uma coisa de você: a sua adoração a Ele.
O que é adoração? Em inglês, a palavra worship vem de worth-ship. Worth significa valor. Adorar é dizer: “Tu és digno.”
Em Apocalipse 4:11, vemos os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos adorando a Deus juntos. O que eles dizem?
Digno és Tu, nosso Senhor e nosso Deus, de receber a glória, a honra e o poder: porque Tu criaste todas as coisas, e, por causa da Tua vontade, existiram e foram criadas.
Eles sabem que Ele é digno. Porque Ele é digno, oferecem-Lhe glória e honra.
Oh, Cristo, será que Ele é digno em nosso coração? Quando conhecemos o Cristo Que é da eternidade, vemos que Ele existe na eternidade. Ele é Aquele Que não tem princípio, em glória. Tudo o que pertence ao Pai pertence a Ele.
Essa é a adoração no céu. Por que não O adoramos nesta terra? A razão de nos faltar adoração é que deixamos de ver Cristo.
Vemos apenas a nós mesmos. Quanto mais olhamos para nós mesmos, mais percebemos nossas necessidades e mais nos abatemos. Ou olhamos para outras pessoas e ficamos decepcionados. Ninguém acha que suas circunstâncias são perfeitas; todos pensam que as circunstâncias de outra pessoa são melhores que as suas.
Mas, quando O vemos como o Cristo, dizemos: “Senhor, Tu és digno. No universo, somente Tu és digno.” Quem mais é digno?
Ao partir do pão no Dia do Senhor, nossa vida deve ser uma vida de adoração. Não se trata apenas de dizer belas palavras.
Mesmo quando oramos, nosso coração e nossa boca precisam estar em harmonia. Não podemos adorar com nossos lábios enquanto nosso coração está distante. Esse tipo de adoração não é aceitável.
Pela fé, nossa adoração está além do tempo e do espaço. A adoração tem a ver com fé e revelação.
Nossa adoração não é limitada pelo tempo e pelo espaço. Podemos adorar em qualquer lugar. Nossa vida é uma vida de adoração. Essa é a verdadeira adoração.
Permitir que Deus seja glorificado — isso é adoração. Diga a Ele que Ele é digno. Nossa vida deve ser uma vida de adoração, para que Deus seja glorificado.
Precisamos conhecer o mistério de Cristo. O mistério de Cristo na eternidade afeta nossa adoração hoje.
Que Ele tenha entre nós um povo que verdadeiramente O adore.