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    The Spiritual & Natural Man #6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Spiritual & Natural Man #6
    The Spiritual & Natural Man #6
    Austin-Sparks, T.

    A transformação do homem natural em homem espiritual

    Estamos ocupados, neste momento, com a questão da transição e da transformação do cristão de uma ordem de criação para outra — daquilo que Paulo chama, em sua primeira carta aos Coríntios, de homem natural, para o homem espiritual.

    E ele diz, em sua segunda carta, que estamos sendo transformados na mesma imagem — isto é, na imagem de Cristo. Por um breve momento nesta noite, vamos pensar juntos nesse progresso e nesse processo da vida cristã, de uma ordem de criação para outra.

    O homem integral sob o governo de Cristo

    Nessas duas cartas do apóstolo Paulo aos Coríntios, temos uma maravilhosa exposição desse processo, desse progresso e dessa consumação do cristão — daquilo que ele é em si mesmo para aquilo que, por fim, deverá ser em Cristo.

    Se vocês examinarem novamente a carta, ou trouxerem à memória o que sabem a respeito dela, verão que o apóstolo está tratando das três partes do ser humano. Nessas cartas, ele trata muito da vida da alma do cristão; depois, trata de seu espírito, daquilo que chama de homem interior; e também trata de seu corpo, daquilo que chama de nosso homem exterior, que está perecendo.

    É o homem integral que está sendo tratado aqui, sob o governo do Espírito de Cristo.

    Por necessidade, em razão da situação em Corinto, ele começa com a alma. O homem da alma, traduzido em nossa versão como homem natural — todos sabem que a palavra natural, no original, é anímico: o homem da alma. Isso é o que o homem é em si mesmo: sua própria vida natural, a maneira como foi feito e constituído, e tudo o que faz dele um ser consciente de si mesmo.

    Em contraste com isso, o apóstolo diz muito aqui a respeito do homem espiritual — “aquele que é espiritual” —, estabelecendo um contraste muito forte entre os dois. Mais adiante, ele chegará ao corpo do homem. Em todos os casos, em todas as esferas, trata-se de uma mudança: transformação. Estamos sendo transformados.

    O homem natural está sendo transformado em homem espiritual. Sua vida natural está sendo tratada pelo Espírito Santo, com base em Cristo, para ser levada não à aniquilação, mas à sujeição — não para eliminar a alma, mas para conquistar essa alma e colocá-la em plena sujeição ao seu espírito, em Cristo.

    A posição e a condição do cristão

    Não sei como vocês se sentiram ao ler esta primeira carta aos Coríntios, especialmente a partir de 1 Coríntios 1:10, onde o apóstolo começa sua longa seção sobre os erros em Corinto, enumerando todas as coisas erradas que havia ali.

    Todas eram ruins, mas algumas eram muito ruins — coisas realmente terríveis. E vocês poderiam perguntar, ser tentados a perguntar: “Afinal, eles eram cristãos? Eram cristãos? Será possível que essas pessoas fossem realmente cristãs?” Vocês estão se lembrando, não estão, de algumas das coisas que havia em Corinto?

    Mas é impressionante — muito impressionante — a maneira como o apóstolo começa sua carta. O que ele está realmente fazendo? O que ele quer dizer, de fato? Ele vai expor tudo o que há ali, e já sabe de tudo antes de começar a escrever; no entanto, escreve assim, em 1 Coríntios 1:2:

    À igreja de Deus que está em Corinto,
    aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos,
    com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
    Senhor deles e nosso.

    Será que ele está apenas procurando estabelecer uma boa relação com essas pessoas, dizendo algumas coisas agradáveis para prepará-las para as desagradáveis? Como pode ele, conhecendo plenamente a situação em Corinto, falar delas dessa maneira e dizer, em seguida, as coisas boas que diz a respeito delas?

    Ao prosseguir na leitura, digo eu, vocês poderiam se perguntar se elas eram mesmo cristãs. Ao continuar lendo e encontrar essas coisas numa igreja cristã, vocês poderiam perder toda a esperança no cristianismo. Poderiam ficar profundamente decepcionados com o cristianismo e dizer: “Bem, se isso é cristianismo, que eu seja livrado dele”.

    Essa é uma reação muito natural diante de tudo isso. Como o apóstolo justifica sua postura e prossegue diante dessa situação? A resposta é dada de três maneiras.

    A posição do crente em Cristo

    Em primeiro lugar, ele fala da posição do cristão — do crente —, não de sua condição: da posição. Esses coríntios evidentemente haviam vindo ao Senhor Jesus, haviam vindo pela fé ao Senhor Jesus. Evidentemente, o Senhor Jesus era o fundamento deles. Ele diz isso no capítulo 3 de 1 Coríntios.

    Eles eram cristãos, e cristãos nascidos de novo. O apóstolo diz:

    Santificados em Cristo Jesus.

    A posição deles é uma coisa.

    Vocês não podem fazer nada enquanto não houver essa posição. Ele não prosseguiria tratando da situação se não houvesse alguma base sobre a qual trabalhar. Ele parte do princípio de que existe uma base ali. Ela pode estar encoberta por muitas coisas indignas, mas existe uma base sobre a qual trabalhar.

    Havendo essa base, o Senhor pode prosseguir. O Senhor pode realizar Sua obra. E assim o apóstolo começa com a posição dessas pessoas em Cristo, em Cristo pela fé, em contraste com a condição delas.

    A vida cristã como conformidade progressiva

    Então ele passa a mostrar que o curso da vida cristã, tendo essa posição, essa base, esse fundamento, é um processo de tornar os crentes aquilo que eles são: sua aproximação, por meio de um processo e de um progresso, daquilo que realmente são quanto à sua posição.

    Aqui está algo, queridos amigos, de que vocês e eu precisamos para nos ajudar quando nos deparamos com tanta coisa que decepciona, tanta coisa que nos choca, tanta coisa que quase nos levaria ao desespero. Precisamos disso.

    No Novo Testamento, nas cartas apostólicas, a perfeição é futura, não presente. Se vocês estão procurando agora a pessoa perfeita, ou a igreja perfeita, vão sofrer tamanha desilusão e decepção. Vão se desesperar.

    Alguns de nós nos entregamos inteiramente para ter a igreja perfeita, para ter a igreja perfeita — a expressão definitiva, aquilo que realmente representa e expressa, plena e inteiramente, o que temos em Efésios. Ficamos terrivelmente desiludidos e decepcionados, não ficamos?

    Tivemos de voltar e examinar a questão novamente. Quando a examinamos outra vez, descobrimos que Efésios aponta para o fim. A igreja aparece, nas eras vindouras, como algo perfeito — não agora, não agora. O que temos agora é o processo, o progresso.

    Meus queridos amigos, preciso parar. Estou passando muito mal fisicamente, e não sei se consigo prosseguir muito mais, a menos que o Senhor realmente intervenha. Peço que elevem o coração ao Senhor.

    Mas aqui, nesta carta, tudo trata desse intervalo — entre o começo e o fim. A perfeição dos crentes é progressiva, e não definitiva aqui. Assim, o apóstolo apresenta todo o ensino a respeito do processo.

    Ele nos diz em que consiste esse processo: transformação de um tipo para outro. Nesta carta, ele ensina os princípios do progresso espiritual — aquilo que chama de transformação na mesma imagem.

    A cruz e o progresso espiritual

    Dissemos que o apóstolo está ensinando aqui os princípios desse progresso e dessa transição de um tipo de homem para outro: do natural para o espiritual, ou para Jesus Cristo. É por isso que ele traz Cristo à vista tantas vezes.

    É por isso que ele declara que, nessa esfera do natural, a vida pessoal, a vida do eu dos cristãos, é levada à cruz do Senhor Jesus. O apóstolo mostra aqui o que essa cruz significa em relação a essas condições naturais.

    Ele próprio é a expressão viva dessa verdade de Cristo e da cruz. Observem como ele vem, ou como veio, a Corinto. Ele diz, em 1 Coríntios 2:2-3:

    Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado.
    E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.

    Ao dizer isso, ele estabeleceu a própria base de seu apelo e de seu ensino. É esta: a verdade da cruz precisa estar encarnada pessoalmente em nós antes que possamos chegar a algum lugar.

    Pensem nesse homem — em seu chamado, em sua tremenda revelação, em sua capacidade de se apresentar diante de príncipes, governantes e reis com toda a ousadia. Ele era um homem tremendamente forte e capaz em tantos aspectos. Mas, quando chega a uma situação como esta, tudo isso fica de lado. Tudo fica de lado.

    Aqui está esse homem, extraordinário em outros aspectos — tamanha capacidade, qualificação, coragem —, dizendo:

    Estive convosco em grande fraqueza, em temor e em tremor.

    Se vamos lidar com a forte vida da alma que está causando tantos problemas na igreja, não vamos lidar com ela por meio da força de nossa própria alma. Isso nunca será feito por nossa própria força natural. Só pode ser feito em nossa própria fraqueza, em nossa própria consciência de dependência do Senhor.

    Grande fraqueza, temor, tremor — esse é um homem crucificado, quando vocês pensam no homem que disse isso: um homem crucificado.

    Esse é um dos grandes princípios para ajudar espiritualmente. Aquele que vai ajudar precisa encarnar a verdade, ser a expressão viva da verdade que está sendo transmitida. Assim, ele próprio, ao esvaziar-se de si mesmo, pôde ajudar essas pessoas. Somente assim poderia realmente ajudá-las.

    Não era ele mesmo, mas, como ele diz aqui, era Cristo — tanto de Cristo. “Eu prego Cristo”, “Eu proclamo Cristo, e Este crucificado”. Um homem crucificado pregando um Senhor crucificado.

    A força natural, a sabedoria e os sinais religiosos

    Quando Paulo decidiu nada saber entre eles, a não ser Jesus Cristo, e Este crucificado, ele abrangeu muita coisa. Havia três grupos de pessoas em Corinto.

    Havia os romanos, que tinham conquistado aquela província e a governavam. Os romanos eram a personificação da força natural. Havia os gregos, a personificação da sabedoria natural — do intelectualismo. E havia os judeus, a personificação da vida dos sentidos.

    Os judeus buscam sinais: sinais, aquelas coisas que podem atender à exigência da alma — demonstrações, provas, evidências, essa esfera. Como diz 1 Coríntios 1:22:

    Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria.

    Essas três coisas compunham a igreja de Corinto. Paulo diz que, no que diz respeito ao progresso espiritual de vocês, tudo isso precisa ser levado à cruz do Senhor Jesus. Todo poder natural, toda sabedoria natural — que ele chama de loucura — e todo esse desejo por demonstrações sensíveis e por provas precisam ir à cruz, se vocês quiserem progredir como homem espiritual.

    Cristo é o poder de Deus. Cristo é a sabedoria de Deus. E Cristo é o sinal, o grande sinal de Deus — não coisas e demonstrações, mas Ele próprio. Ele é o sinal porque Ele é o Cristo ressuscitado.

    Para Deus, tudo está centralizado e contido em Seu Filho, o Senhor Jesus. Ele não é uma filosofia de sabedoria nem um intelectualismo. Ele é uma Pessoa, uma Pessoa divina. O apóstolo está procurando afastá-los dessas coisas e conduzi-los à Pessoa divina. Mas ele próprio representa isso.

    A consumação da transformação no corpo da ressurreição

    Agora, receio que, por absoluta necessidade, eu tenha de encerrar. Passo a essa grande consumação no capítulo 15 de 1 Coríntios.

    Ele começa com o espírito, o homem espiritual. Já tratou da alma, do homem natural. Agora, no capítulo 15, ele fala do corpo. O que emerge desse capítulo é isto: o espírito do homem é a semente.

    Vejam, o espírito do homem é o homem interior, o homem real — não sua alma, nem seu corpo. O homem real é o espírito. Aquilo que vocês são em espírito é o homem real.

    Agora, diz o apóstolo no capítulo 15, esse homem espiritual, esse homem do espírito, esse homem interior — que está sendo renovado dia após dia — é a semente de um novo corpo.

    Mas Deus dá-lhe o corpo como quer.

    — 1 Coríntios 15:38

    O capítulo 15 diz que a consumação do processo espiritual é a transformação completada no corpo: o corpo físico tornado semelhante ao Seu corpo glorioso. Essa é a transição, a transformação e o fim de nosso processo espiritual.

    Um corpo espiritual, semelhante ao Seu corpo glorioso: a transição deste para aquele. Um corpo que não está sujeito ao que conhecemos no corpo. O homem exterior perece; o homem interior é renovado dia após dia. Mas, por fim, no capítulo 15, o próprio corpo é tornado semelhante ao Seu corpo glorioso.

    Que o Senhor cumpra todos os Seus propósitos em cada um.