À medida que nos aproximamos do fim deste tempo juntos, naturalmente caminhamos para uma conclusão — uma reunião dos pontos que o Senhor tem procurado nos comunicar. Por isso, é necessário olhar um pouco para trás e repetir algumas coisas, mas o mínimo possível, a fim de estabelecer a ligação com aquilo que o Senhor ainda tem a dizer.
Vocês sabem que a passagem fundamental da Palavra, a partir da qual fomos conduzidos a muitas outras coisas, é o segundo capítulo da primeira carta aos coríntios. Nela, logo no início de sua carta à igreja de Corinto, o apóstolo procura enfatizar novamente, reforçar e sublinhar a verdadeira natureza do cristianismo no qual esses coríntios haviam ingressado. Eles parecem ter perdido muito dessa realidade, desviando-se dela e entrando em declínio.
Assim, ele os chama de volta desse declínio: de volta ao verdadeiro fundamento, reafirmando a vida cristã. Vocês sabem que, quando chega mais adiante nesta carta, em 1 Coríntios 15:1-2, ele declara expressamente que está lhes dizendo qual foi o evangelho que lhes pregou:
Ora, irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual também recebestes e no qual também permaneceis;
Por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão.
Essas duas cartas têm um único propósito: fazê-los lembrar. E ele faz isso de maneira muito enfática, lembrando-lhes em que realidade haviam ingressado. Isso se tornou necessário por causa do estado de confusão que havia se instalado no cristianismo deles.
E a maneira como ele aborda toda essa questão, como temos visto, é distinguir dois tipos de humanidade que podem caracterizar os cristãos. Isto é, nos cristãos podem estar presentes duas coisas, e toda a questão — o ponto decisivo — é qual dessas duas coisas vai predominar.
Essas duas coisas são apresentadas aqui em 1 Coríntios 2. E, se vocês se lembrarem de que, ao escrever, ele não dividiu sua carta em capítulos, podem simplesmente apagar esses números. Ele está seguindo em frente. Começou e continua em frente. Não para no fim do primeiro capítulo e diz: “Bem, é isso. Vamos deixar por aqui, por enquanto, e no próximo domingo leremos o segundo capítulo”. Ele escreve do começo ao fim, sem nenhuma ruptura ou interrupção. É uma coisa só.
Vocês precisam se lembrar — e isso deve ajudá-los — de que a carta inteira, a totalidade dessas duas cartas, deve ser lida à luz de uma única questão central. Não há tantas coisas aqui, embora muitos aspectos sejam abordados. Vocês podem dizer que muitos assuntos estão incluídos, mas todos se relacionam com uma única coisa.
Vocês precisam ler cada parte à luz dessa única coisa. Se fizerem isso, será uma maneira muito útil de ler a carta. À medida que ela avança, parece mudar de um assunto para outro, depois para outro e mais outro; mas vocês precisam perguntar: “Como isso se relaciona com a questão fundamental?”. E descobrirão que essa é a maneira de interpretar a totalidade dessas duas cartas. Cada parte pertence a um único todo.
E esse todo é a transição de um tipo de cristão para outro. Os dois tipos são chamados de homem natural e homem espiritual. No original, o homem natural é o homem da alma; e aquele que é espiritual é o homem do espírito.
O homem natural é o homem como ele é em si mesmo. O homem espiritual é o homem como ele é no Espírito. Sabemos muito bem que podemos estar em uma dessas duas condições. Podemos estar em nós mesmos diante de qualquer questão, e isso é terrível: pode ser o fator dominante, aquilo que nos governa. Ou podemos ser governados pelo Espírito. Podemos estar no Espírito, sendo dirigidos por Ele em nossa vida.
O apóstolo coloca essas duas condições em contraste. A carta inteira deve ser lida à luz dessa única coisa: a transição de uma para a outra.
Como vimos em 2 Coríntios 3:18, estamos sendo mudados, transformados na mesma imagem. Estamos sendo levados a passar de uma imagem para a outra. Estamos em transição. Essa é a natureza da vida cristã, e é isso que o cristianismo é: uma mudança completa de um tipo de humanidade para outro, e esse outro é Cristo.
Ora, acompanhamos isso no caso de Cristo. Começamos dizendo que esse é o sentido e o significado da encarnação — o nascimento de Cristo, o nascimento virginal de Cristo. Foi introduzido Alguém que não pertence à ordem natural da humanidade.
Cristo não veio a este mundo pelos meios naturais comuns. Foi uma obra do Espírito de Deus que produziu Seu próprio ser, Seu próprio corpo. Como o anjo disse a Maria, em Lucas 1:35:
Descerá sobre ti o Espírito Santo.
O que há de nascer…
Uma obra do Espírito Santo produziu algo que não pertence ao tipo antigo, ao tipo conhecido — algo nascido de Deus, um tipo diferente de humanidade. Esse é o significado da encarnação.
E então passamos ao Seu batismo. Assim, ao colocar figurativamente Sua cruz logo no início de Sua missão pública, Ele estava dizendo: “Esta missão que vim cumprir exige a morte e o sepultamento de um tipo de humanidade, e a ressurreição e o surgimento, do outro lado da cruz, de outro tipo”.
É isso que o Novo Testamento ensina sobre o batismo. O significado do Seu batismo, portanto, à luz da cruz — que lhe daria cumprimento —, era tirar da vista de Deus um tipo de humanidade. Um tipo. No Jordão, Ele está figurativamente na cruz.
Ele está tomando o lugar de uma raça inteira — daqueles que Deus está rejeitando por jamais serem adequados à Sua presença. E, ao sair do outro lado, Ele é declarado Amado, Aquele que é adequado a Deus.
Dali passamos à unção. Depois do Seu batismo, o Espírito Santo veio sobre Ele, e vimos que essa nova humanidade, para a qual somos chamados, é uma humanidade inteiramente governada e conduzida pelo Espírito Santo.
Não sei se isso os consola, ou se podemos extrair muito consolo disso: a primeira direção dada ao Cristo ressurreto, do outro lado do Jordão, foi para a batalha. Como lemos em Mateus 4:1:
Então, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
Provavelmente vocês vão parar para pensar, no futuro, quando pedirem para ser conduzidos pelo Espírito Santo, se se lembrarem disso. Mas aqui está muito claro: a primeira ação da unção foi levá-Lo à batalha.
E, como vimos, foi a batalha entre o príncipe deste mundo e Aquele que não era deste mundo. Era uma rejeição deste mundo: o homem espiritual em oposição ao homem mundano.
Bem, examinamos os detalhes disso para mostrar como as tentações eram simplesmente um esforço do inimigo para trazer esse Homem espiritual de volta ao terreno natural e, assim, arruiná-Lo, o último Adão, como havia arruinado o primeiro Adão, e conservar o reino para si. É isso.
Isso resume a batalha em torno do homem espiritual e daquilo que, de fato, debaixo do céu, recebe o testemunho da aprovação de Deus. Tudo aquilo que realmente se enquadra na aprovação de Deus — “Meu Amado” —, tudo o que pertence a essa ordem, é contestado pelo inimigo, que procura despojá-lo e levá-lo novamente ao antigo terreno natural.
Todos os que estiveram aqui sabem que esse foi o caminho que percorremos. A unção e a vida terrena, daquele momento em diante, foram a vida e a obra do Homem espiritual.
E esse Homem espiritual, entre os homens, é diferente. Há algo diferente Nele que o mundo não consegue compreender. Estamos nos mantendo no texto de 1 Coríntios 2:14-15:
Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura;
E não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.
Como isso era verdadeiro a respeito do Senhor Jesus! Se alguma vez houve um Homem incompreendido por todos — até pelos Seus discípulos —, esse Homem foi o Senhor Jesus. Ele pertencia a uma ordem diferente, e eles não podiam julgá-Lo. Não podiam compreendê-Lo. Ele era, como dissemos, inescrutável.
E isso é verdadeiro a respeito de tudo o que é espiritual e de todos os que são espirituais. Aqui, como estrangeiros neste mundo, a realidade mais profunda do seu ser é algo que o mundo não consegue compreender. Eles são um mistério para o mundo — há neles algo diferente, algo que desafia completamente o entendimento e a compreensão do mundo.
Sim, é assim que deve ser. Isso torna, naturalmente, a vida cristã extremamente difícil de viver neste mundo. Mas, vejam, somos estrangeiros aqui, não somos? Somos peregrinos e estrangeiros na terra. Não pertencemos a este lugar. Falamos outra língua.
Não pertencemos a este lugar e, por isso, não somos compreendidos — ou deveria ser assim. Um dos grandes erros que muitos cristãos, especialmente os mais jovens, cometem é tentar, tentar fazer com que o mundo os compreenda. Isso não é possível. Não é possível.
Se vocês rebaixam seu padrão para que as pessoas possam compreendê-los e aceitá-los como um deles, estão jogando fora a própria verdade e realidade da sua vida cristã.
Bem, vocês não tentam ser diferentes; isto é, não ficam o tempo todo tentando ser difíceis no convívio com as pessoas. O fato é que, pelo que vocês são, são estranhos para elas. Vocês pertencem a outra ordem de criação. Elas não podem compreendê-los, assim como um animal não pode compreender um ser humano em muitos, muitos aspectos da vida humana.
Bem, essa foi a vida terrena do Senhor Jesus, e esse é o significado do homem espiritual. E, durante o pouco tempo que temos nesta tarde, pelo menos para começar, vamos passar à próxima coisa que aconteceu no caso do Senhor Jesus: a ceia no cenáculo.
Vejam, aí vocês têm a história concreta do Senhor Jesus. Não é interessante observar como Paulo, nessas cartas, nos conduz por essa história de maneira espiritual — não como uma narrativa histórica, mas de maneira espiritual? E como, nesta mesma carta, ele chega à mesa do Senhor.
Vocês sabem que muito raramente, muito raramente, participamos da mesa do Senhor sem ler 1 Coríntios 11:23-25. Essa passagem é considerada a fórmula para a mesa do Senhor:
Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei:
Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
E, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o Meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de Mim.
Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de Mim.
Bem, essa passagem é lida. Provavelmente há poucas passagens com as quais os cristãos estejam mais familiarizados do que esta. Várias coisas estão reunidas nela, porque é muito abrangente. Mas qual é a realidade que engloba tudo isso? O que é essa vida? Qual é esse significado?
Ele diz, em 1 Coríntios 11:24:
Isto é o Meu corpo.
Meu corpo.
A propósito, no contexto, Ele está contrastando esta mesa com as outras mesas — vocês notam? Outras mesas, mesas de demônios, mesas deste mundo. “Isto é o Meu corpo”, e ele é diferente de todos os outros. Não pertence a nenhuma outra categoria. É distinto e separado — algo único.
Não existe outro corpo como este. Entre todos os corpos da humanidade, não existe outro corpo como este. Como está escrito em Hebreus 10:5:
Um corpo Me preparaste.
Um ato de Deus. Um ato único de Deus. Esse corpo — repito —, não havia outro corpo como este. Um ato especial de Deus.
Seu corpo, desde o Seu nascimento, não era um corpo comum. Para todos os que O observavam exteriormente, talvez Ele não parecesse diferente; contudo, havia algo nesse Homem, algo nesse Homem, que vocês não podiam compreender. Diferente.
E, ao tomar o pão como símbolo do Seu corpo, parti-lo e distribuí-lo, dizendo: “Comam dele, todos vocês”, o que Ele está dizendo?
À luz dessa distinção entre os tipos de humanidade, o que Ele está dizendo? “Ao receberem Meu corpo, vocês estão declarando que fazem parte dessa outra humanidade, de um tipo diferente.”
Vocês estão dizendo que vocês, vocês mesmos, se tornaram parte integrante dessa outra ordem que Cristo é, e que Ele Se tornou parte do ser de vocês. Vocês são diferentes das outras pessoas.
É isso que queremos dizer toda vez que participamos da mesa do Senhor, toda vez que lemos 1 Coríntios 11. É realmente isso que queremos dizer quando declaramos, por meio desse ato, que não somos deste mundo? Não somos, na realidade mais íntima do nosso ser, parte desta velha criação. Em Cristo, somos uma nova criação, uma nova ordem de humanidade.
E talvez essa seja uma razão pela qual o Senhor, ao instituir isso, indicou que deveria ser repetido continuamente até que Ele venha. Voltamos à mesa do Senhor repetidas vezes, talvez semana após semana. Isso serve tanto para nos fazer lembrar quanto para declarar que somos pessoas diferentes. Somos pessoas diferentes.
Isso exige cuidado, naturalmente — não significa que sejamos superiores, em certo sentido, e exclusivistas —, mas que somos diferentes. Somos um povo de Cristo.
Somos Cristo presente neste mundo, onde todas as forças de Satanás e do mundo estão empenhadas em nos atrair e arrastar de volta àquele antigo nível de vida, para o nível inferior da vida do eu. Voltamos e dizemos: “Não. Hoje vamos reafirmar que estamos em outro nível de vida, em outra esfera de vida, em outra relação de vida: Cristo em nós, e nós em Cristo, por meio deste pão e deste cálice”.
Da mesma forma, o cálice tem o mesmo significado: esse corpo precisa de vida.
E vocês podem repetir isso tantas vezes que se torne uma forma morta, um hábito, um procedimento cristão costumeiro que os cristãos realizam semana após semana, ou com certa frequência. Torna-se apenas isso.
Mas Ele uniu o cálice ao pão, e o cálice, o vinho, é sempre uma figura da Sua vida — Sua vida liberada de Si mesmo para ser compartilhada pelo Seu povo —, de modo que seja um corpo vivo.
A característica desse corpo, desse povo, é a vida. Eles vivem.
Vocês vão a muitas celebrações da ceia nas quais, apesar de toda a reverência nos gestos, da solenidade na voz e assim por diante, saem exatamente como entraram. A mesa do Senhor, porém, deveria ser algo cheio de vida — não uma forma, um costume, um procedimento repetido —, algo vivo, do qual saímos dizendo: “Sim, recebemos uma ministração de vida”. Uma ministração de vida.
Quem dera fosse sempre assim. Mas aqui, vejam, isso é apresentado aos coríntios no contexto da diferença entre Cristo e o homem natural — entre o homem espiritual e o homem natural.
O homem espiritual é assim: é o homem que assimilou Cristo e está sendo transformado, transformado à semelhança de Cristo, por — se posso dizer assim — absorver Cristo em seu ser, fazer de Cristo parte de si mesmo.
Ah, longe de ser algo alheio à nossa vida, longe de ser uma formalidade e um costume — algo a ser cumprido porque é o que se costuma fazer —, deveria ser um testemunho do fato de que nós, com Cristo, estamos unidos em outro tipo de humanidade, aprovada por Deus, aceita por Deus, sob um céu aberto.
Deus dando testemunho, dizendo: “É isto que Eu amo. O que Eu amo”. Vocês não acham que os nossos momentos em torno da mesa do Senhor também têm isso, talvez, como seu principal significado: o Pai olhando do alto e dizendo: “Isto é algo que Eu amo — Meu Amado”?
Deveria ser assim. Senhor, faze com que seja assim.
Assim, vemos aqui que, no decorrer de uma narrativa ou carta contínua, o apóstolo chega, em determinado ponto, a essa parte em que introduz a mesa do Senhor em seu tema principal, como parte do todo. Ele diz que essa mesa do Senhor é um testemunho do fato de que pertencemos a outra raça, outra ordem, outro tipo — o tipo de Cristo. Seu corpo, Seu sangue, Sua vida: é a isso que pertencemos.
Agora, observem por um momento esta outra coisa. Vocês notaram que, logo no início desta carta, no começo do segundo capítulo, o apóstolo diz, em 1 Coríntios 2:1:
Eu, irmãos, quando fui ter convosco, não fui com superioridade de linguagem ou de sabedoria, proclamando-vos o mistério de Deus.
No texto revisado, está “o testemunho de Deus”. Vocês notam que a margem diz “o testemunho de Deus”, que é realmente a palavra exata: o testemunho de Deus. Vim pregando, proclamando, o testemunho de Deus.
O testemunho de Deus, naturalmente, é Jesus Cristo. Ele é o testemunho de Deus. Mas vocês notam que, nessa questão da mesa do Senhor, ao comerem e beberem, vocês pregam — proclamam, essa é a palavra alternativa no texto —, vocês proclamam a morte do Senhor até que Ele venha. Vocês pregam.
Vim pregando, proclamando o testemunho de Deus. Nesta mesa, vocês pregam. Pregam o testemunho de Deus em Jesus Cristo. Como diz 1 Coríntios 11:26:
Anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
Essa é a pregação.
E, para consolo de alguns que talvez achem que não se saem muito bem em uma plataforma ou em uma reunião ao ar livre, pregar nem sempre significa estar em uma plataforma, em uma reunião, levantando-se e falando. A pregação é aquilo que vocês são. Vocês proclamam.
Vejam, queridos amigos, vocês não podem simplesmente transferir o ministério ao pregador, ou aos pregadores — seja qual for o nome que usem para eles. Simplesmente não podem fazer isso. Todo aquele que participa da mesa do Senhor é um pregador — um pregador ordenado.
O que vocês estão pregando é uma declaração diante do céu, da terra e do inferno de que, nesta mesa, se tornaram parte de outra ordem de criação. Pelo corpo e pelo sangue de Cristo, vocês estão proclamando que pertencem à ordem de Cristo. Estão proclamando isso.
Não seria bom se isso fosse verdadeiro a respeito de todas as pessoas que participam da celebração da ceia? Mas, quando colocamos isso no contexto da carta aos coríntios, é algo bastante surpreendente e que nos põe à prova, não é? Essas pessoas estavam vindo à mesa do Senhor, mas vejam como vinham.
Ah, vinham trazendo muitas coisas. O apóstolo resumiu tudo em uma expressão: comer e beber indignamente — de maneira indigna. Ora, o contexto disso é chocante: a maneira como vinham à mesa do Senhor.
Eles traziam à mesa do Senhor o velho homem; não há dúvida disso. Traziam à mesa do Senhor a si mesmos, por inteiro. E esse é um retrato muito terrível, terrível, da mesa do Senhor em Corinto. Devo deixar que vocês leiam novamente — o comportamento deles, revelado ali.
Mas a questão é que, ao vir dessa maneira, com qualquer coisa desse tipo, aplica-se o que está em 1 Coríntios 11:28:
Examine-se, pois, o homem a si mesmo.
Olhe para si mesmo. Que o homem examine a si mesmo. Olhe para si mesmo.
Veja agora como ele vem à mesa do Senhor: se como o velho homem, no terreno do velho homem, no terreno do homem natural. Deve ele vir à mesa do Senhor com isso? Ou está realmente vindo à mesa do Senhor no terreno do homem espiritual?
Se for assim, todas aquelas coisas que estão nesta carta são excluídas pela mesa do Senhor. Há divisões entre vocês. Não se pode ter isso em um só corpo, pode? Isso precisa desaparecer. Isso pertence ao homem natural.
E há várias outras coisas, às quais talvez eu me refira mais adiante, que eram características dos coríntios e contradiziam o significado fundamental da mesa do Senhor.
A mesa do Senhor, portanto, torna-se uma grande prova de uma coisa: se estamos no terreno de Cristo ou no terreno humano natural.
Agora, muitos de vocês talvez se perguntem por que isso deve ser dito a vocês. Vocês não são coríntios — espero que não sejam. Talvez haja muito pouco dessas condições de Corinto entre vocês. Espero que seja verdade. Mas não tenho tanta certeza.
Mas isso realmente nos põe à prova, para ver se não seremos encontrados em algumas dessas coisas. Olhem novamente para isso. É uma grande prova de qual terreno ocupamos: o terreno do homem natural ou o terreno do homem espiritual; o terreno do primeiro Adão ou o do último Adão. A mesa é colocada ali como uma separação nítida entre os dois.
Essa mesa é algo muito sagrado. Não é necessário que sempre haja, à mesa do Senhor, uma nota de advertência como aqui. Contudo, há algo belo que o apóstolo diz no início desta carta. É uma daquelas coisas às quais precisamos prestar muita atenção.
Logo no início, em 1 Coríntios 1:2, ele diz:
Aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.
Não há exclusivismo aí. Quando se trata daqueles que invocam o nome do Senhor Jesus, que é o Senhor deles assim como é o nosso, está tudo certo. Isso é interessante.
Mas então, quando avançamos para essa questão da mesa, a mesa intervém e diz: “Não é para o homem natural”, que pertence a essa ordem — divisões e todas essas coisas. Ah, tenham cuidado. Examinem a si mesmos quando vierem à mesa e verifiquem se não estão trazendo o homem natural e essas características à mesa do Senhor. Se vocês estão em outro terreno, permaneçam no terreno de Cristo.
Permitam-me lembrar que Paulo é tão enfático nessa questão do terreno de Cristo que abre esta carta — aquilo que, em nossa organização, é o primeiro capítulo, com suas trinta e uma subdivisões em versículos; uma pequena seção da introdução ao todo — com nada menos que nove menções ao nome do Senhor Jesus.
É impressionante, não é? Não sei se vocês fazem marcações na Bíblia enquanto leem, mas peguem algo que deixe uma marca visível e sublinhem o nome do Senhor Jesus nesses primeiros trinta e um versículos, ou nessa primeira seção da carta inteira. Assim, vocês sempre terão um guia para a carta.
E então, na segunda parte — o segundo capítulo dá continuidade ao assunto —, ele diz: “Vim a vocês proclamando”. E, em 1 Coríntios 2:2:
Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo.
Como é absoluta, completa, essa concentração em Jesus Cristo do começo ao fim. Jesus Cristo em cada ponto. Ele diz a cada situação: “Isso não é Jesus Cristo. Isso não é Jesus Cristo”.
Mas penso que tudo isso apenas vai construindo esta única verdade: há uma grande divisão em nossa humanidade. Em nossa humanidade, há uma divisão entre aquilo que ele chama de homem natural — o homem da alma — e o homem espiritual.
E essa divisão nunca deve ser mais acentuada e clara do que quando participamos da mesa do Senhor, porque ali, ao recebermos Cristo, declaramos: “Somos um povo de Cristo. Um povo de Cristo, e não desse outro tipo”.
Bem, vejam, se eu continuasse e dissesse muito mais, não poderia dizer nada mais vital. E poderíamos estragar as coisas acrescentando palavras. Mas somos diferentes.
Olhem para essa questão do homem natural na carta aos coríntios, que nos conduz diretamente a esse ponto mais adiante na carta: a mesa do Senhor. Vejam tudo o que levou até ela, e que conjunto terrível, terrível de coisas é esse — que manifestação do homem natural.
Tudo isso chega até a mesa do Senhor, e a mesa do Senhor diz: “Não, isso não. Isso não é Cristo. Isso não está certo. Aqui está Cristo, e Ele é diferente. E vocês são diferentes disso, se realmente compreenderam corretamente Cristo como Aquele que vem substituir…”