Senhor, ao nos achegarmos à Tua Palavra nesta manhã, o clamor de todos os nossos corações é que habitemos além do véu, na Tua própria presença, Senhor; que possamos ouvir a Tua voz e realmente permitir que o Teu Espírito Santo opere em nossa vida, Senhor.
Nós Te agradecemos porque nos tiraste de um reino de trevas e nos colocaste em um reino de luz. Senhor, à medida que prosseguimos nesta vida, vemos como aquelas trevas eram escuras e vemos cada vez mais a beleza da luz.
Senhor, hoje nos achegamos a Ti e nos entregamos a Ti. Nós nos entregamos a Ti com um coração adorador, com uma atitude de adoração, por causa do Teu grande amor, que atraiu cada um dos nossos corações a Ti. Em nome de Jesus, amém.
Podemos abrir nesta manhã a carta aos Efésios, em Efésios 3? Gostaria de ler alguns versículos dessa carta.
Na verdade, outro dia eu estava lendo um comentário, e esse irmão fez uma boa observação. Ele disse: “Nós chamamos esses escritos de livros”. E acrescentou: “Na verdade, precisamos nos lembrar de que são cartas que foram escritas”. E qual é a diferença entre uma carta e um livro?
A origem. Um livro pode vir da sua cabeça; as cartas vêm do seu coração. Sabe, as cartas são algo pessoal. Nas cartas, você se importa com a pessoa a quem está escrevendo.
E Paulo, em todas as suas cartas, assim como Pedro e os outros, expressava encargos que o Senhor havia colocado em seu coração e que o Espírito Santo havia inspirado. Cada carta é uma carta de amor àqueles a quem foi enviada.
Por isso, tenho tentado ajustar minha maneira de pensar. Sempre digo: “Abram neste livro” ou “Abram naquele livro”. Tenho tentado ajustar meu pensamento para dizer: “Vamos olhar esta carta”, porque há algo muito pessoal nela.
Ela não foi escrita apenas para aquelas pessoas daquela época, mas para cada um de nós, ao longo de todas as épocas: uma carta pessoal de amor do nosso precioso Senhor. Que Ele a use para falar ao nosso coração hoje.
Em Efésios 3:8-11, começaremos a leitura:
A mim, o menor de todos os santos,
foi dada esta graça: anunciar aos gentios
as insondáveis riquezas de Cristo
e trazer à luz qual é a administração do mistério
que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas;
para que a multiforme sabedoria de Deus
seja agora dada a conhecer, por meio da igreja,
aos principados e às autoridades nos lugares celestiais.
Isso foi de acordo com o propósito eterno
que Ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Depois, em Efésios 3:14-16:
Por essa razão, dobro os joelhos diante do Pai,
de Quem toda família nos céus e na terra recebe o nome,
para que Ele vos conceda, segundo as riquezas da Sua glória,
serdes fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito, no homem interior.
E voltemos a Efésios 2. Leremos apenas um versículo, Efésios 2:19:
Assim, já não sois estrangeiros nem forasteiros,
mas sois concidadãos dos santos
e membros da família de Deus.
Vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos. Que alegria: não somos estrangeiros, peregrinos e forasteiros simplesmente vagando por aí; agora fomos introduzidos na preciosa família de Deus, na Sua casa.
Em Efésios 3, há um versículo que tocou meu coração, e quero lê-lo novamente. É Efésios 3:10, que fala de como a multiforme sabedoria de Deus pode agora ser dada a conhecer por meio da igreja.
Antes de entrar propriamente nesse assunto, tenho um pequeno teste para nós. Quando lemos esses versículos, ouvimos expressões como as insondáveis riquezas de Cristo, o propósito eterno de Deus, a multiforme sabedoria de Deus e a família de Deus. Qual é a sua reação inicial? O que passa pela sua mente quando ouve essas expressões?
Na verdade, essa é uma pergunta muito séria, porque geralmente reagimos de uma maneira ou de outra. Primeiro, podemos simplesmente nos desligar. Nós nos desligamos porque pensamos: “Que coisa sem graça. Já ouvi isso, já passei por isso, já fiz isso”. Ou: “Isso é elevado demais para mim”. Ou: “Eu já sei disso. Já ouvi isso. Li um livro sobre isso. Fui a uma conferência sobre isso. Eu sei disso”.
Qual é a nossa reação ao ouvir essas expressões? Ou será que elas são muito preciosas para nós? Isso funciona como um indicador, uma espécie de termômetro da nossa vida. Que efeito essas expressões têm sobre nós quando as ouvimos? Nós nos desligamos ou prestamos atenção ao que o Senhor tem a dizer?
Perguntamos: “Como essas expressões preciosas afetam nossa vida? Como essas verdades preciosas afetam meu dia a dia? Como afetam nossa vida juntos?”
Na verdade, meu encargo para hoje é que nós, como povo do Senhor, possamos entrar em uma realidade mais profunda de experiência da convivência na família de Deus, e não apenas conhecer o ensino. John tocou nisso na semana passada: não fazer do ensino sobre a família de Deus um objeto em si mesmo, mas entrar na realidade prática e diária da convivência na família de Deus.
Que o Senhor realmente nos ajude. Que Ele nos ajude a enxergar a bênção de pertencer à família de Deus, a honra de pertencer à família de Deus, o privilégio que temos e a responsabilidade que temos por fazer parte dela. E que também tenhamos consciência da dor que existe em fazer parte da família.
Agora, todos vocês estavam gostando do que eu dizia até eu chegar à parte da dor. Todos nós amamos o privilégio, a alegria e a comunhão, mas, se realmente pararmos para pensar, em qualquer família há dor.
Às vezes, por meio da dor, aprendemos mais profundamente. Passamos a conhecer cada vez mais o Pai da nossa família, nosso Irmão mais velho e Seu cuidado por nós, e Seu grande amor.
Nós nos referimos a isso nas últimas duas reuniões da família: passamos por uma crise, e houve muita dor, uma tragédia e muitas consequências. O Senhor tocou o coração de todos nós. Não temos sido fiéis, mas, louvado seja o Senhor, Ele tem sido fiel.
Ele é fiel e está nos conduzindo a um lugar mais amplo, a uma medida mais plena. A maior tragédia quando passamos por uma crise não é a dor e tudo o mais. A maior tragédia é não aprender com ela.
Esperamos que este seja o nosso desejo: que, nos tempos em que vivemos, possamos continuar aprendendo. Que aprendamos Dele nestes dias. Todos os dias Ele nos dá novas oportunidades de aprender Dele, para que, quando — não se, mas quando — vier a próxima crise, possamos atravessá-la na força da Sua vida e para o louvor da Sua glória.
Ao vermos esse maravilhoso privilégio e como Ele nos uniu como família de Deus, vemos também como Ele nos capacita. Ele nos equipa com as riquezas insondáveis que colocou em nossa vida. Temos a própria vida do Senhor Jesus dentro de nós. É assim que podemos atravessar essas situações. Não é pela nossa força, mas pela força e pelo poder da Sua vida.
É nisso que realmente quero tocar hoje: a questão da convivência na família de Deus. Antes, quero apresentar um pouco do contexto, apenas para situar o assunto e rever algumas coisas que já sabemos. É sempre bom trazê-las à memória e colocar em perspectiva o encargo que temos.
Uma das expressões que lemos em Efésios 3 fala da multiforme sabedoria de Deus. O que é isso? No meu dia a dia, quando começo a conversar — sou contador e já tenho dificuldade para falar —, normalmente não uso a palavra multiforme.
Quando ouço pela primeira vez a palavra inglesa manifold, traduzida aqui como multiforme, em que vocês pensam? Em automóveis, pois essa palavra também é usada para o coletor do motor. Estou aqui olhando para Mac Berman e John Blant. Vocês pensam em automóveis? Rapaz, é nisso que eu penso. Estão vendo o que acontece quando vocês se sentam aí?
Mas, no uso que a Palavra de Deus faz dela, o que essa palavra realmente significa? Significa multicolorido, muitas variações, uma grande variedade de cores, uma grande variedade. É como um arco-íris que você vê.
Um irmão chamado Westcott viveu no século passado. Ao falar dessa multiforme sabedoria de Deus, ele disse que se trata, na verdade, da majestosa sabedoria de Deus. Deus é um na unidade da verdade, da vida e do propósito, mas há tanto em Deus que, por causa da nossa mente finita, só podemos compreender em parte.
Por isso, Ele nos mostra essa sabedoria multiforme, multicolorida, essa grande variedade da sabedoria de Deus. Ele Se revela a nós de diferentes maneiras, para que possamos enxergá-Lo.
Como eu disse, é como um arco-íris ou um caleidoscópio. Eu gostava muito de caleidoscópios. Você gira e vê todos aqueles desenhos diferentes. Os elementos são os mesmos, mas você gira de um jeito e os losangos ficam apontados para dentro; gira um pouco mais, e surge uma forma completamente diferente, outra cor. Os elementos são os mesmos.
O que torna o arco-íris bonito e faz o caleidoscópio funcionar é a luz que o atravessa. Um arco-íris é bonito por causa da luz do sol que o atravessa.
Por que a igreja expressa a multiforme sabedoria de Deus? Porque a Luz, o Filho, brilha através dela. A igreja não é o objeto; é simplesmente um vaso por meio do qual a vida do Senhor resplandece. Ele quer que vejamos cada vez mais Dele mesmo e de Seu Filho.
Conversávamos outro dia à noite sobre estudar o livro de Atos. Um dos preciosos testemunhos da vida de Cristo nos primeiros crentes aparece em Atos 11, na igreja em Antioquia.
Por que Antioquia é conhecida? Porque foi ali que eles foram chamados cristãos pela primeira vez. Para mim, esse é um testemunho maravilhoso. Significa que eram pessoas de Cristo.
Sou muito grato porque Paulo esteve ali durante um ano, ensinando-os continuamente, e Barnabé esteve ali um pouco mais. Mas agradeço ao Senhor porque, ao fim daquele período, como eles eram conhecidos? Não eram conhecidos como paulistas ou barnabistas — até me enrolo para dizer isso. Eram conhecidos como cristãos.
O que Paulo lhes apresentou? Cristo. Quando o mundo ao redor olhava para aquelas pessoas, o que via? Via Cristo. Via pessoas que pertenciam a Cristo.
Quando o mundo olha para nós, o que vê? O desafio para cada indivíduo e o desafio para a igreja nesta hora é apresentar Cristo: que Cristo seja manifestado em nossa vida. É isso que atrai as pessoas. É isso que leva alguém à salvação.
Paulo tinha um encargo tão grande em seu coração que procurava usar diferentes maneiras de mostrar às pessoas: o que é essa igreja? Ele fala dela como corpo. Fala dela como noiva. Em Efésios, fala dela como guerreiro. Fala dela como família e como casa.
Ele continua olhando para ela de todos esses ângulos diferentes, para que possamos enxergar cada vez mais a plenitude do coração do Senhor, porque nenhum exemplo específico abrange plenamente tudo. O Senhor quer nos mostrar a plenitude, e um aspecto dessa plenitude se encontra na família de Deus.
A igreja é descrita como corpo, casa, noiva e família: tantas descrições diferentes. Qual é o propósito da igreja? É manifestá-Lo. Em todas essas figuras — o corpo, a casa e a família —, o propósito é manifestá-Lo.
A quem ela pertence? É a igreja Dele. Não é a nossa igreja. Não é a minha igreja. É a igreja Dele. De quem é o corpo? É o corpo Dele, o corpo de Cristo. De quem é a casa? É a casa de Deus; é a casa Dele. De quem é a noiva? É a noiva Dele. De quem é a família? É a família Dele.
A origem de todas essas coisas está Nele. Como passamos a fazer parte delas? Quando nascemos de novo, não apenas recebemos a vida eterna e nos tornamos crentes, mas nascemos nessa maravilhosa família. Nascemos nessa casa de Deus e nos tornamos parte dela. Nascemos no próprio corpo de Cristo.
Qual é o caráter e a natureza de tudo isso, quer estejamos falando do corpo, da casa ou da família? É a Sua vida, a Sua natureza e o Seu caráter. Percorremos essa caminhada na terra para que Cristo seja formado em nós.
Esse é todo o objetivo do processo pelo qual estamos passando: que Ele seja formado em nós. À medida que Ele é formado em você e em mim, somos unidos Nele. Em cada uma dessas figuras, qual é a lei que governa? É a lei régia do amor, a lei régia do amor que nos atrai a Ele.
Como essa multiforme sabedoria é demonstrada? Ela é demonstrada por meio de uma maravilhosa atuação conjunta da diversidade e da unidade.
Se você olhar para a casa de Deus, verá uma diversidade de materiais, uma diversidade de cômodos e uma diversidade de funções. Cada cômodo tem uma função, e há muitos materiais diferentes.
Se você olhar para a família, encontrará pais, filhos e crianças. Que diversidade! Dentro da família, há homens e mulheres. Que diversidade existe aí! Vamos tocar mais nisso depois.
No corpo, que diversidade existe! No seu corpo natural, há todo tipo de diversidade: a cabeça, o olho, as pernas. O que revela a plenitude é quando, em meio a essa diversidade, vemos uma unidade fluindo em conjunto.
Como funciona essa unidade na diversidade? É Cristo em nós. É a Sua vida dentro de nós que produz essa unidade. É a Sua vida que nos permite avançar e manifestar a Sua glória e a plenitude Dele mesmo.
Quando pensamos no corpo, 1 Coríntios 12 começa falando de uma variedade de dons, uma diversidade de ministérios e uma diversidade de operações. Há uma diversidade tremenda, mas tudo visa ao bem comum. Tudo tem um único propósito.
Por que temos uma família de Deus? Por que temos qualquer uma dessas figuras? É para um único propósito: que o Senhor tenha um povo preparado. Qual é um dos propósitos da família? Conduzir muitos filhos à glória.
Nós, como povo de Deus, podemos realmente conhecer cada vez mais o que Ele busca nestes tempos. Ele usa cada uma dessas figuras. Se você considerar a igreja como casa, verá um aspecto. Se olhar para a igreja como família, verá outro. Todos esses aspectos nos mostram a plenitude de como Cristo deseja ser manifestado e revelado por meio do Seu povo.
Quando falamos dessa questão da diversidade, isso está realmente no meu coração hoje. Precisamos perceber como a plenitude do Senhor se manifesta nessa diversidade. Se eu perguntar hoje: “Você se sente à vontade com a diversidade?”, a maioria de nós não se sente.
A maioria de nós não se sente à vontade com a diversidade. Gostamos de coisas iguais. Gostamos de uniformidade. Não gostamos de coisas diferentes.
É impressionante como os americanos vão a outros países. Vão à Europa, e você pergunta: “Gostou?” Eles dizem: “Não, não gostei de lá porque não tinha a comida de que eu gosto”. Bem, o que você esperava? É uma cultura diferente. Mas queremos que tudo seja igual.
Na família de Deus, é uma tragédia que tantos do povo do Senhor, quando se deparam com a diversidade, fujam. Não perseveramos ali, permitindo que a unidade da Sua vida nos conduza a uma medida mais plena.
Essa diversidade é usada em toda a Escritura para revelar a plenitude do nosso Senhor, a plenitude do Seu amor e a plenitude do Seu coração para conosco e para com o Seu propósito.
Há uma palavra usada na Escritura para diversidade. Então, este é um teste de inglês. Se olharmos para as três palavras fair, chair e hair, todas são pronunciadas com uma única sílaba.
Mas então chegamos a outra palavra: naïve. De repente, ela é pronunciada com duas sílabas. Qual é a diferença? Aqueles dois pontinhos sobre o “i”. Há alguém formado em Letras com habilitação em inglês aqui? Vocês sabem como se chamam aqueles dois pontos?
É uma diérese. Essa é a palavra grega que incorporamos à língua inglesa. Seu propósito é distinguir duas partes que normalmente estão juntas, para revelar uma plenitude maior.
Distinguir uma da outra duas partes que estão sempre juntas revela uma plenitude maior. Essa é a palavra grega usada em 1 Coríntios 12 quando se fala de variedade de dons, diversidade de dons e diversidade de ministérios.
Há diversidade no corpo de Cristo, na casa de Deus, na igreja e na família para revelar uma plenitude. O Senhor faz isso em toda a Escritura.
Se você olhar para os Evangelhos, verá a mesma coisa. Há quatro Evangelhos. Você vê o Senhor como Rei em Mateus; vê-O como Servo; vê-O como Filho do Homem e Filho de Deus. Em toda a Escritura, há essas diversidades que o Senhor introduz para nos apresentar de maneira mais plena Quem Ele é.
Mesmo no livro de Atos, temos os apóstolos. Temos Pedro como pescador; Paulo como fabricante de tendas; João consertando redes. Todos são tão diferentes, com funções diferentes, mas todos têm um único objetivo em vista.
Se você percorrer o livro de Atos e observar como o Senhor Se manifesta nas diferentes igrejas, verá manifestações diferentes, mas é sempre o mesmo Senhor nos apontando a mesma direção. Por meio dessa diversidade, passamos a enxergar uma plenitude cada vez maior do nosso Senhor.
Há um ditado que diz que sua maior força também pode se tornar sua maior fraqueza. Uma das maiores forças da família de Deus — e que testemunho para o mundo! — é a diversidade.
Como a igreja primitiva mostraria ao mundo que seus membros eram crentes? Amando uns aos outros. Ao entrarem nessa lei régia do amor e demonstrarem o amor de Cristo uns pelos outros, Ele disse que o mundo saberia que eram Seus discípulos.
Para mim, há um testemunho tremendo quando existe diversidade. Olhem ao redor desta sala: todos são tão diferentes. Há culturas diferentes e aparências físicas diferentes. Graças ao Senhor, nem todo mundo se parece comigo. Temos origens diferentes, mas nessa plenitude revelamos a multiforme sabedoria de Cristo.
Ele zela tanto por isso nesta hora! No entanto, isso também pode ser a nossa maior pedra de tropeço. Se falamos de convivência na família de Deus, irmãos e irmãs, há alguns irmãos de quem simplesmente não gostamos: pessoas realmente difíceis, que nos irritam e nos deixam malucos.
Se isso nunca aconteceu com você, você nunca entrou no jogo.
Eu jogava basquete no ensino médio. Nunca fui bom, mas jogava porque precisavam de pessoas com mais de um metro e oitenta só para ficar ali na quadra. Naquela época, nosso pivô tinha um metro e oitenta e oito, então só precisávamos de gente para preencher o time.
Um dos meus treinadores dizia que nunca criticaria ninguém por ser eliminado do jogo por excesso de faltas. Afinal, isso significava que a pessoa estava lá jogando, não é? Se você fica no banco, nunca é eliminado por faltas.
Você fica à margem. Há pessoas em um time de basquete — na verdade, em qualquer esporte — que entram, correm de um lado para o outro e parecem estar jogando, mas não estão. Estão fazendo as coisas do seu próprio jeito. Estão se protegendo. Não querem que ninguém as veja. Estão, de certa forma, se escondendo.
Correm pela quadra e sempre se posicionam de modo que nunca possam receber um passe. Assim, nunca precisam se arriscar a arremessar, passar a bola ou receber um passe.
É assim em qualquer esporte e, na verdade, também em nossa vida como família de Deus. Podemos nos posicionar de uma maneira que faça parecer que estamos participando do jogo, quando não estamos.
Estamos participando do jogo? Seus sentimentos são feridos? Você se decepciona com as pessoas? As pessoas o ofendem? Sabe, o lado glorioso disso é que significa que você está participando do jogo.
Se você não se importa com nada, nunca se sentirá ofendido. Você se sente ofendido porque se importa. Importa-se com o que o Senhor está fazendo. Importa-se com a direção que estamos tomando. Importa-se com as coisas. Você tem um coração envolvido.
Se o seu coração não está envolvido em algo, nada vai feri-lo. Mas o Senhor quer que entremos e participemos. Quando somos feridos, quando alguém nos fecha o caminho, quando alguém nos derruba, o que fazemos? Nós nos levantamos e continuamos.
Aprendemos com isso. E aprendemos que, na próxima corrida, vamos fechar o caminho deles… Não, não estou arrependido. John não contou a vocês o restante da história.
Mas receio que seja assim que agimos. Nós nos levantamos, mas qual é o nosso pensamento? “Como posso dar o troco?” Nesta vida cristã, não posso deixar isso muito evidente, mas vou dar o troco. Vou me vingar.
Conviver na família de Deus: que desafio! Qual é o propósito da família? O propósito da família é refletir o Pai e permitir que o desejo do Seu coração se expresse, para que vejamos o Seu desejo para o Seu Filho.
Ao vermos o Seu desejo para o Seu Filho, permitimos que Seu Filho nos conduza à plena condição de filhos. Ele quer que muitos filhos sejam conduzidos à glória. Também precisamos lembrar que esta é a família Dele.
Algo bonito em uma família é toda essa questão da semelhança familiar. A pergunta que temos é: nós nos parecemos com nosso Pai? Nós nos parecemos com nosso Irmão mais velho?
As pessoas alguma vez ficam surpresas quando você diz que é cristão? Quanto dessa semelhança existe? Nunca vou me esquecer de uma ocasião em minha vida em que compartilhei algo, e outro irmão disse: “Mac, eu nunca soube que você era cristão. Sabia que você era uma boa pessoa”.
Isso me trouxe mais convicção do que qualquer outra coisa pela qual passei naquele período. Foi algo tremendo. Pelo que queremos ser conhecidos: por sermos boas pessoas? Ou somos conhecidos pelo nome do nosso Irmão mais velho?
O assunto ao qual realmente gostaria de dedicar tempo hoje — e por isso quis estabelecer esse fundamento — é como precisamos que essa lei régia do amor opere em nossa vida.
É somente à medida que a lei régia do amor opera em nossa vida que podemos permitir que essa maravilhosa e multiforme sabedoria de Deus seja manifestada em nosso dia a dia. Há tamanha diversidade na família de Deus, e o Senhor a criou para revelar a Sua plenitude.
Se não entrarmos nessa lei régia do amor, não conseguiremos prosseguir. Seu amor opera em nós. Como Ele quer que amemos? Como Ele nos amou.
Olhem para a diversidade na família. Primeiro, há a diferença entre homem e mulher. Essa é a maior diversidade que o Senhor já criou, mas ela existe para revelar a Sua plenitude.
Ele criou a mulher com um coração voltado para nutrir e cuidar. Há certas características próprias da mulher. Já o homem tende mais à mente e à liderança: calcular, planejar e realizar. Que diversidade existe!
Há alguns recém-casados por aqui. Estão começando a experimentar cada vez mais essa diversidade. Alguns de nós já estamos nessa caminhada há algum tempo. Se você acha que não existe diversidade entre homem e mulher, case-se.
Você entra nessa família. Os maridos estão sentados aí com uma expressão muito séria. Estou vendo o rosto de vocês. Ninguém está piscando. Muitos améns, mas existe uma diversidade aí.
Por meio dessa diversidade, vemos uma maravilhosa figura de Cristo e da igreja. Foi isso que Ele escolheu nos apresentar nesta terra: um testemunho vivo de Cristo e da igreja.
Se vocês olharem para 1 João 2:12-14, verão que ali se fala de três grupos dentro da família: pais, jovens e crianças. Que diversidade existe!
Quando falamos de pais, jovens e crianças, não estamos necessariamente falando de idade física, nem propriamente de homens ou mulheres. Temos crianças de ambos os sexos, jovens de ambos os sexos, pais e mães na casa de Deus.
O Senhor espera que, onde quer que estejamos, realmente expressemos a diversidade da Sua vida. Pensem nesses três grupos. Há as crianças, os bebês. Como é um novo crente? Ele é totalmente centrado em si mesmo. Todo o seu mundo gira ao seu redor.
Precisam que alguém troque suas fraldas. Fazem uma bagunça, e você limpa. Nem sequer agradecem; simplesmente fazem outra bagunça. Todo o seu mundo são eles mesmos.
Se querem comer, se querem ser alimentados, não se importam com o horário: duas da manhã ou quatro da tarde. Não importa o que você esteja fazendo. Se querem fazer bagunça, fazem bagunça. Se querem ser alimentados, precisam ser alimentados, e fazem questão de avisar.
Choram muito. Na família de Deus, temos crianças, e não podemos esperar que crianças ajam como adultos. Não podemos esperar que uma criança desempenhe o papel de um pai ou de uma mãe.
Esse é o desafio para pais e mães: ser pacientes. O que Paulo disse tanto em Efésios como em Colossenses? Ele disse:
Pais, não provoqueis vossos filhos.
E disse:
Pais, não irriteis vossos filhos.
Precisamos chegar, por meio dessa lei régia do amor, a uma expressão mais profunda e prática de cuidado e nutrição daqueles que são crianças na família de Deus. É nesse estágio que eles estão.
O maravilhoso no Senhor é que Ele encontrou cada um de nós exatamente onde estávamos. Ele nos diz:
Amai como Eu vos amei.
Quando começamos a conhecer o Seu amor, onde estávamos? Estávamos nas trevas. Estávamos em um poço.
Mas Ele nos encontrou ali mesmo. Ele nos acolheu e nos mostrou Seu amor. Fazíamos bagunça e chorávamos, e Ele simplesmente nos amava cada vez mais. Por meio disso, vimos Seu cuidado e Seu carinho.
Ele quer que passemos a cuidar das crianças e também dos jovens. Mais uma vez, não se trata de idade física; estamos falando de idade espiritual. São aqueles que começaram a crescer no Senhor.
É impressionante como, nessa fase da adolescência, o primeiro sintoma é que você passa de não saber nada a saber tudo. Você sabe tudo. É invencível. Pode fazer qualquer coisa. É espontâneo, mas também é ingênuo.
Há conhecimento sem sabedoria. Por que vocês acham que recrutam jovens de dezoito a vinte e dois anos para entrar nas forças armadas e combater?
Cresci no meio militar e também servi nas forças armadas. Uma das maneiras pelas quais sempre era possível distinguir um soldado que já havia combatido de um que nunca havia estado em combate era esta: um soldado jovem chegava dizendo: “Vou para o Afeganistão e vou pegar Osama bin Laden”.
Mas aqueles sargentos com todas aquelas divisas estavam orando por um acordo de paz, porque conheciam o horror da guerra.
Os jovens pensam que são invencíveis. Seu mundo ainda gira ao redor deles mesmos, embora fique um pouco maior. Ainda existe aquela pequena esfera em que vivem: “Podemos fazer qualquer coisa. Podemos conquistar qualquer coisa. Podemos sair e fazer qualquer coisa”.
Louvado seja o Senhor por esse espírito. Precisamos dele. Foi o Senhor que o deu. Mas também precisamos saber que nele pode haver ingenuidade e, às vezes, falta de conhecimento.
Como mães e pais nutrem os outros? Como aqueles que são mais maduros no Senhor nutrem os outros? Será que dizem: “Sente-se. Você não sabe disso de verdade. Sente-se”? Não. Eles permitem que os jovens passem pelas experiências.
À medida que eles passam pelas experiências, nós observamos e cuidamos. Às vezes, corrigimos. Eles precisam passar por certas coisas. Às vezes, ver aqueles que você ama tendo de passar por essas situações pode partir seu coração.
É então que saber na sua cabeça que algo é bom para eles se transforma em saber no seu coração que aquilo é bom para eles. Disso resulta um crescimento neles. Você vê crescimento e plenitude.
À medida que passamos pelas experiências no Senhor, todos nós também crescemos Nele. Pais e mães, aqueles que são mais maduros no Senhor, podem ter alguma sabedoria adquirida pela experiência. Mas os mais maduros também podem, de repente, se tornar presos aos seus próprios hábitos.
Qual passa a ser a palavra-chave para mães e pais? Ordem. Ah, nós nos agarramos àquele versículo:
Faça-se tudo com ordem.
Quantas vezes surge uma expressão espontânea de vida de um jovem, e qual é a reação dos adultos? “Isso tem de ser feito com ordem.” Surge outra manifestação espontânea de vida: “Isso tem de ser feito com ordem. Tudo com ordem”.
Existe uma ordem. Não estou zombando da ordem. Mas todos precisamos aprender a crescer juntos no Senhor, para não sufocarmos a vida nem simplesmente deixá-la correr sem limites. Há a questão da disciplina. A quem Ele ama, Ele disciplina. Ele corrige e nos conduz a uma expressão mais plena Dele mesmo. Mas tudo acontece por meio dessa lei régia do amor.
Quem teve um dos maiores corações de mãe no Novo Testamento? Um homem chamado Paulo. Vejam 1 Tessalonicenses 2.
Como eu disse, não estamos necessariamente falando de homens e mulheres, mas há um aspecto de nutrição e cuidado dentro da família. A maior necessidade na família de Deus hoje é que sejam levantadas mães, pais e mães que realmente saibam cuidar.
Vocês notam que nessa descrição não há avós nem avôs. O maravilhoso em ser avó ou avô é que, quando o bebê chora, o que você faz? Devolve para a mãe.
Bem, aqui não há avós. Todos somos mães e pais. Portanto, quando aquele bebê está chorando, você não pode passá-lo para outra pessoa. Todos estamos juntos nesta geração. É esta geração viva que está voltando para casa.
Vejam 1 Tessalonicenses 2:7-8. Aqui vocês veem o coração de Paulo, essa característica maternal se manifestando:
Fomos brandos entre vós,
como uma mãe que amamenta cuida ternamente de seus próprios filhos.
Tendo tão grande afeição por vós,
de boa vontade vos comunicaríamos
não somente o evangelho de Deus,
mas também a nossa própria vida.
Irmãos e irmãs, Paulo e aqueles que estavam com ele não apenas apresentaram o Senhor; eles se entregaram àqueles crentes de Tessalônica. Quanto temos nos entregado uns aos outros nesta hora?
Em uma família, é muito natural se doar. Tenho uma irmã na Carolina do Sul. Se ela ligar e precisar de alguma coisa, eu faço. Dentro de uma família, essa é uma reação natural.
O Senhor quer que nos entreguemos naturalmente uns aos outros. Ele Se entregou por nós. Podemos nos entregar uns aos outros porque nosso Irmão mais velho Se entregou por nós. Ele não reteve coisa alguma.
Paulo também fala de seu coração de pai em 1 Tessalonicenses 2:11-12:
Assim como sabeis de que maneira exortávamos, encorajávamos
e insistíamos com cada um de vós,
como um pai faz com seus próprios filhos,
para que andásseis de modo digno de Deus,
que vos chama para o Seu próprio reino e glória.
Vejam as características de um pai ali. Exortávamos, encorajávamos e insistíamos com cada um de vocês, como um pai faz com seus próprios filhos. Por quê? Para que vocês pudessem andar de modo digno de Deus, que os chama para o Seu próprio reino e glória.
O pai está exortando, encorajando e fortalecendo os membros da família — os jovens e as crianças — para que possam andar dessa maneira digna. Todos fomos chamados a andar de modo digno de Deus.
O Senhor está nos chamando, como família de Deus, a ajudar uns aos outros a andar de maneira digna. Dentro de uma família, há um relacionamento mútuo e uma interdependência. Como precisamos uns dos outros!
Precisamos de encorajamento. No Antigo Testamento, houve uma pessoa chamada mãe de Israel. Ela exortou a nação de Israel a se levantar e lutar. Seu nome era Débora.
Geralmente nos lembramos dela como a abelha, aquela que zumbe e dá uma ferroada. Mas ela também foi chamada mãe de Israel. Que honra: ter esse coração que encoraja e cuida!
Somos uma grande família e uma família diversa. Há nisso um testemunho tremendo para o mundo. Mas como convivemos? É maravilhoso falar de diversidade. É maravilhoso ver que somos diversos. Podemos olhar ao redor da sala e perceber como somos diferentes. Mas como vivemos isso?
Como, dia após dia, suportamos pessoas de quem ficamos tão cansados que só queremos sair pela porta? Como você convive com pessoas que dizem alguma coisa e você se pergunta: “Como alguém pode dizer isso? De onde vem esse pensamento?”
Há uma diversidade que, às vezes, é tão grande que você não consegue suportá-la. Mas isso existe justamente para que o Senhor possa revelar uma medida maior da Sua vida por meio de nós.
Fiquei grato ao Senhor pelo espírito que houve nas duas últimas reuniões da família. Se vocês olharem para os fatos, houve uma diversidade de pensamentos expressos: de uma ponta do espectro à outra.
Na outra noite, alguns diziam: “Precisamos estar mais juntos como um grupo inteiro”. Outros diziam: “Não, precisamos estar mais juntos em pequenos grupos”. Temos todo o espectro aí. Um diz: “Precisamos estudar isto”. Outro diz: “Precisamos estudar aquilo. Precisamos fazer isto. Precisamos fazer aquilo”.
Louvado seja o Senhor. É por meio dessa diversidade que vemos o Senhor e O encontramos, e Ele nos conduz a prosseguir. Mas como fazemos isso? Permitindo que essa lei régia do amor opere em nosso coração.
Como esse amor se manifesta? Há um texto-chave no Evangelho de João que conhecemos muito bem: João 13:34-35. Já nos referimos a ele algumas vezes.
Um novo mandamento vos dou:
que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei,
que também vos ameis uns aos outros.
Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos:
se tiverdes amor uns aos outros.
É um novo mandamento. É uma nova fonte de vida. O amor vem de uma nova fonte: esse amor vem da Sua vida dentro de cada um de nós. Não é o nosso próprio amor natural, centrado em nós mesmos.
O primeiro passo para reconhecer essa questão de amar uns aos outros é conseguir admitir honestamente, diante do Senhor e uns dos outros: “Sabe, eu não consigo amar você”. Há algumas pessoas que, no meu amor natural, talvez eu consiga amar. Há outras com quem simplesmente não vamos nos dar bem.
Precisamos ser honestos com o Senhor. O Senhor não está buscando a expressão do nosso amor natural, centrado em nós mesmos. Esse amor natural não combina com a diversidade. O Senhor quer nos conduzir a um lugar em que amemos uns aos outros e permitamos que o Seu amor se manifeste.
Como Ele nos amou? Ele nos amou com um amor sacrificial. Amou-nos negando a Si mesmo e indo à cruz. Qual era a nossa condição? Éramos desagradáveis. Buscávamos nossos próprios interesses. Servíamos a nós mesmos. Fazíamos tudo para nós mesmos.
Alguns O estavam abandonando. Alguns O estavam decepcionando. Alguns O estavam traindo. Alguns O estavam negando. Ainda assim, Ele amou cada um deles até o fim.
Esse é o amor com que Ele nos chama a amar uns aos outros. Alguém abandona você: o amor sai pela janela? Alguém trata você mal: o amor sai pela janela?
Como é maravilhoso amar quem é amável! “Não há nada de errado com você.” É assim que pensamos. Conseguimos amar quem é amável, mas amamos quem é desagradável? Nosso amor é tão condicional.
Irmãos e irmãs, precisamos permitir que esse amor se manifeste. Como ele pode se manifestar? Porque Ele nos amou primeiro, e agora temos esse amor dentro de nós.
À medida que negamos a nós mesmos — irmãos e irmãs, não estou dizendo que isso seja fácil. Estou simplesmente dizendo que é impossível por nós mesmos. Não entrem nessa discussão de difícil ou fácil; vocês já perderam o argumento. É impossível.
Todos temos um irmão ou uma irmã por quem é impossível sentir amor, a não ser pela graça de Deus e pelo amor da Sua vida que está dentro de nós.
Ao negarmos a nós mesmos, liberamos essa lei régia do amor. Então acontece aquela manifestação sobrenaturalmente natural do Seu amor. É a isso que Ele está nos chamando, irmãos e irmãs: que realmente possamos amar uns aos outros e manifestá-Lo.
Uma das minhas expressões favoritas no Novo Testamento é uns aos outros. Vocês já percorreram o Novo Testamento para verificar quantas vezes essa expressão aparece? Ela fala de relacionamento. Fala de convivência. É isso que o Senhor busca.
Quando Ele diz:
Amai-vos uns aos outros.
Ele passa a mostrar todas as diferentes maneiras pelas quais vivemos juntos. Como esse amor mútuo se manifesta? Como essa lei régia do amor se manifesta de maneira prática em nossa vida?
Há cerca de cinquenta referências diferentes a “uns aos outros”. Mas, para vocês ficarem tranquilos, não vamos passar por todas elas. Vamos olhar apenas algumas.
Primeiro, amem uns aos outros não apenas de palavra, mas em ação e em verdade. É isso que diz 1 João. Para mim, é a mesma coisa que John estava nos dizendo na semana passada: não apenas de palavra, mas em ação e em verdade.
O amor tem mãos e pés. Nós nos aproximamos uns dos outros, e o amor se manifesta uns aos outros. Há um cuidado mútuo.
Romanos 12:10 diz:
Sede dedicados uns aos outros.
Entreguem-se uns aos outros em amor. Há uma dedicação mútua, irmãos e irmãs. Quando a lei régia do amor se manifesta, há uma entrega de nós mesmos, uma entrega dessa vida uns aos outros em amor.
Romanos 15 diz:
Acolhei-vos uns aos outros.
Recebam uns aos outros como Ele nos recebeu. Como Ele recebeu você?
Quando Ele nos recebeu, estávamos em uma condição bastante ruim. Graças ao Senhor, Ele não nos deixa nessa condição, mas começa a trabalhar. Ele nos chama a receber uns aos outros dessa maneira: a aceitar uns aos outros em Cristo, encorajar uns aos outros e demonstrar Seu amor.
Quem teve o maior impacto em sua vida? Um chefe severo que lhe dizia o que fazer o tempo todo — “Faça isto, faça aquilo”? Ou alguém que disse: “Sim, sei que você tem todos esses defeitos, mas ainda assim amo você e vou ajudá-lo a passar por isso”?
“Quero caminhar com você em cada uma dessas coisas. Sei que você tem dificuldade nessa área, mas vou caminhar com você nela.” É assim que mudamos vidas. É assim que impactamos uns aos outros e cuidamos uns dos outros: começamos com esse primeiro passo de acolher uns aos outros.
1 Coríntios 12:25 fala de ter o mesmo cuidado uns pelos outros: o mesmo cuidado, sem preconceito, sem preferência e sem parcialidade.
Em 1 Coríntios 12, algumas partes do corpo se consideravam muito importantes: “Sou uma parte importante. Não preciso de ninguém”. Outras partes tinham uma opinião baixa demais de si mesmas.
Devemos pensar alto demais de nós mesmos ou baixo demais? Há uma terceira opção: não devemos pensar em nós mesmos; devemos pensar em Cristo. Devemos ter o mesmo cuidado uns pelos outros.
Precisamos admitir que temos preconceitos e preferências arraigados em nós. Uma pessoa pode entrar por aquela porta e, antes de dizer qualquer coisa, cada um de nós já a avaliou. Você tem uma opinião baseada nos preconceitos e nas preferências da sua vida pessoal. Talvez seja por causa do tipo de roupa que ela está usando.
Nunca sabemos. É aí que precisamos, negando a nós mesmos e permitindo que a cruz opere, deixar que o Seu amor se manifeste, para termos o mesmo cuidado uns pelos outros.
Uma pessoa adoece e recebe cem refeições. Outra adoece: quantas refeições recebe? Ao passarmos por essas situações, deixemos que o Espírito Santo nos convença de onde estamos demonstrando parcialidade.
Como gostamos de favorecer os grandes membros, os chamados grandes membros do corpo de Cristo! Se um dos grandes membros tem uma necessidade, todos correm para ajudar. Alguma pessoa pequena e desconhecida tem a mesma necessidade, e dizemos: “Ah, você pode ir à farmácia. Lá vão cuidar de você”.
Como cuidamos uns dos outros? Que esse cuidado se manifeste em nossa vida.
Gálatas 5:13 fala de servir uns aos outros por meio do amor, de entregar nossa vida dessa maneira.
Depois há esse versículo maravilhoso em Gálatas 6:2:
Levai as cargas uns dos outros.
Nós nos colocamos ao lado dos outros? Precisamos levar as cargas uns dos outros. É assim que essa lei régia do amor se manifesta.
Seja o que for que alguém esteja enfrentando, nós nos colocamos ao seu lado e levamos as cargas uns dos outros. Quanto mais convivemos, mais precisamos disso.
Efésios 4:2 fala de demonstrar tolerância uns para com os outros. Gosto de como o Espírito Santo sempre acrescenta palavras. Ele não diz apenas: “Tolerem uns aos outros”, mas diz: “Demonstrando tolerância”. É uma expressão exterior.
É mais do que dizer: “Sim, consigo sorrir e aguentar”. É tolerar uns aos outros exteriormente, de tal maneira que nem todos percebam que você está tendo de tolerar.
Quando estamos sofrendo ou tolerando algo, gostamos de avisar algumas pessoas de que estamos passando por alguma coisa. Deixamos escapar uma expressão no rosto. Soltamos um resmungo. Deixamos escapar uma palavrinha, para que as pessoas realmente saibam que estamos tolerando e sofrendo muito pelo Senhor.
Mas o Senhor quer que demonstremos essa tolerância. Que testemunho maravilhoso quando você ouve alguém contar, em uma reunião de sexta-feira à noite, ou em outra ocasião, que passou por alguma coisa, e diz: “Puxa, eu nunca soube que você passou por isso”. Havia tolerância ali.
Efésios 4:32 nos mostra o quanto o Senhor nos conhece. É impressionante que Ele sequer precise escrever estas palavras aos cristãos:
Sede bondosos uns para com os outros.
É impressionante que aqui estejamos nós, supostamente cristãos, e o Espírito Santo esteja dizendo: “Bem, sim, vocês precisam ser bondosos uns com os outros”. É como dizer: “Ora, isso é óbvio”. Por que seria necessário dizer isso? Mas Ele nos conhece.
Em nossa natureza, somos tão pouco bondosos. Devemos ter um coração compassivo, perdoando uns aos outros. Irmãos e irmãs, como precisamos entrar nessa realidade!
Nesse mesmo espírito, Efésios 5:21 diz que devemos nos sujeitar uns aos outros. Depois, 1 Tessalonicenses 5:15 diz:
Buscai o bem uns dos outros.
Busquem o bem uns dos outros. Às vezes, esse bem pode ser uma correção, mas ela vem daquele coração de amor, de nutrição e de cuidado. Às vezes, é disciplina. Quem sabe qual pode ser esse bem específico? Mas trata-se de buscar o que é bom para aquela situação, para que esse amor se manifeste de maneiras muito práticas em nossa vida.
Então chegamos a Hebreus 3:13:
Encorajai-vos uns aos outros diariamente.
A palavra de que mais gosto nesse versículo é diariamente.
Isso mostra novamente toda essa questão do relacionamento. Não diz: “Encorajem uns aos outros quando se virem uma vez por semana” ou “Encorajem uns aos outros quando se virem duas vezes por semana”. Diz: “Encorajem uns aos outros diariamente”.
Isso fala de relacionamento, de vínculo e de estar com as pessoas. Sei que, fisicamente, é impossível que todos estejam juntos todos os dias, mas pode haver esse contato: aquele telefonema, aquele e-mail, aquela carta, aquele cartão-postal, aquele bilhete, seja o que for. Seja qual for a maneira pela qual esse amor se manifesta, encorajem uns aos outros diariamente no Senhor.
Hebreus 10:24 é outro versículo conhecido:
Consideremos como estimular uns aos outros.
Considerem como estimular, ou provocar, uns aos outros ao amor e às boas obras.
Toda essa questão de considerar envolve buscar o Senhor. Não é algo leviano. Não é algo descuidado. Temos preconceitos, e pensamentos se formam em nossa mente.
Quando ouvimos que determinada pessoa está passando por uma situação, já fizemos uma avaliação dela. “Ah, aquela pessoa é descuidada. Aquela pessoa precisa relaxar um pouco. Aquela pessoa precisa ser mais diligente.” Somos tão rápidos e levianos em todas as nossas avaliações.
Mas que realmente consideremos como estimular uns aos outros. É um estímulo, provocando uns aos outros ao amor e às boas obras.
Há uma bela história de um pai e um filho que voltaram da igreja certo dia. O filho disse: “Não quero mais ir àquela reunião. A música é horrível”.
O que o pai fez? Disse: “Não, você vai na semana que vem”? Ele disse: “Está bem, filho”. Considerou como estimular seu filho.
Disse: “Está bem, filho, se você acha a música tão horrível, por que não escreve uma canção?” Então o jovem foi e escreveu uma canção. Poucas semanas depois, eles a cantaram.
Seu pai considerou como estimulá-lo. Seu filho veio a se tornar um dos maiores autores de hinos que já conhecemos, um homem chamado Isaac Watts.
Tudo começou com o encorajamento de seu pai. Seu pai considerou como estimulá-lo ao amor e às boas obras. Nós consideramos como estimular uns aos outros?
Isaac Watts acabou escrevendo mais de seis mil canções: “Quando Contemplo a Maravilhosa Cruz”, “Jesus Reinará” e “Alegria ao Mundo”. Tudo isso fluiu porque o pai dedicou tempo a considerar como estimular seu filho.
Irmãos e irmãs, precisamos dedicar tempo a considerar quando vemos pessoas caminhando, talvez enfrentando dificuldades. Qual é a verdadeira questão?
O pai enxergou além das palavras que seu filho disse. Viu o que havia em seu coração. Havia ali algo de uma sensibilidade para adorar o Senhor.
Muitas vezes, as pessoas dizem alguma coisa, e ouvimos as palavras, mas perdemos todo o sentido. Os maridos são especialistas nisso. Às vezes, a esposa volta e diz: “Você não ouviu o que eu disse”. Repetimos palavra por palavra o que ela disse, e ela responde: “Você não ouviu o que eu disse”, porque não percebemos o coração.
Como precisamos realmente ouvir o coração! Qual é a questão quando consideramos como estimular uns aos outros ao amor e às boas obras?
Então prosseguimos para Tiago 5, que diz:
Não vos queixeis uns dos outros.
Não murmurem uns dos outros.
No Antigo Testamento, quando os espias voltaram à nação de Israel, dez trouxeram um relatório ruim e dois trouxeram um relatório bom. O texto diz que todos foram para suas tendas. O que fizeram? Murmuraram em suas tendas.
Precisamos ter cuidado, primeiro em nosso próprio lar, para não nos queixarmos uns dos outros. Porque, quando estamos em casa nos queixando uns dos outros, quem ouve? Nossos filhos ouvem. Imagens se formam.
Como precisamos da disciplina do Espírito Santo para não nos queixarmos uns dos outros, mas permitirmos que o Senhor opere em nós! Assim, oramos uns pelos outros.
Vamos encerrar esta reflexão sobre amar uns aos outros com 1 Pedro 4:7-11. Vamos abrir nesse texto.
Ao escrever, Pedro apresenta o contexto para nós. Ele diz:
O fim de todas as coisas está próximo.
Mais uma vez, quando ouvimos essa expressão, será que estamos tão acostumados a ouvir que o fim de todas as coisas está próximo e que os últimos dias chegaram que dizemos: “Está bem, sim, sim, já ouvimos isso”?
Ou dizemos: “Está bem, Pedro está tentando chamar nossa atenção. Por causa dos tempos em que vivemos, há algo muito especial que ele quer nos dizer”?
Sede criteriosos e sóbrios para a oração.
Acima de tudo, mantende fervoroso o vosso amor uns pelos outros,
porque o amor cobre uma multidão de pecados.
Quanto mais próximos estamos e quanto mais permitimos que o Senhor nos reúna e nos faça trabalhar juntos, mais vemos os pecados uns dos outros.
Mas que o amor de Deus seja maior do que isso, cobrindo, enquanto permite que o Senhor trate dessas coisas. Há coisas em minha vida, e graças ao Senhor Ele está tratando delas. Temos um longo caminho a percorrer, mas Ele trabalha.
Ele quer que mantenhamos fervoroso nosso amor uns pelos outros, sem permitir que esfrie. Ele esfria porque algo está faltando. Os elementos necessários para manter aquele fogo quente e aceso não estão presentes.
Que tenhamos a vida do Senhor — a lei régia do amor — vivendo dentro de nós, para manter esse amor ardente da Sua vida fluindo, irmãos e irmãs. Podemos ser tão restritivos, mas que não restrinjamos o Seu amor em nossa vida. Que permitamos que ele realmente se expresse.
Pedro diz novamente:
Sede hospitaleiros uns para com os outros, sem murmuração.
Em Romanos 12, diz: “Sejam hospitaleiros”. Aqui ele acrescenta aquela pequena expressão: “sem murmuração”.
É um pouco como demonstrar sua tolerância. Podemos ser hospitaleiros e, de repente: “Blá, blá, blá, blá”. Sem murmuração. É uma questão do coração.
Então Pedro diz:
Conforme cada um recebeu um dom,
empregai-o no serviço uns aos outros,
como bons administradores da multiforme graça de Deus.
Há uma responsabilidade que todos temos na família. Não temos apenas o privilégio de estar na família e receber tudo. Há uma responsabilidade.
Somos administradores dessa multiforme sabedoria de Deus. Somos administradores dessas riquezas insondáveis. Somos administradores do amor de Cristo em nossa vida. Temos a responsabilidade de empregá-lo, de colocá-lo em ação no serviço uns aos outros.
Gosto muito dessa expressão: colocar em ação. Não o deixem apenas guardado na estante, juntando poeira; coloquem-no em ação.
Se alguém fala, fale como quem transmite as palavras de Deus;
se alguém serve, faça-o pela força que Deus supre;
para que, em todas as coisas, Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo.
Qual é o objetivo e a finalidade de tudo isso? Que, em todas as coisas, Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo. Qual é o objetivo e a finalidade da igreja? Que Deus seja glorificado por meio de Cristo Jesus.
Qual é o objetivo e a finalidade da casa e da família? Que Deus seja glorificado por meio de Cristo Jesus, em você e em mim. A Ele pertencem a glória e o domínio para todo o sempre.
Irmãos e irmãs, à medida que o tempo se aproxima e esses dias chegam, que agradeçamos ao Senhor porque Ele nos dá oportunidades de aprender Dele. Que vejamos que Ele nos dá estes dias para podermos aprender da Sua vida e do Seu amor.
Quando vemos essa diversidade se tornando cada vez mais manifesta em nossa vida, que a enxerguemos como o Senhor a enxerga: como uma maneira de revelar uma medida mais plena da Sua vida.
Agradecemos ao Senhor porque temos crianças. Agradecemos ao Senhor porque temos jovens. Agradecemos ao Senhor porque temos mães e pais. Mas de que adianta se eles não fluem juntos para a glória do Senhor?
De que adianta se não permitimos que o Senhor entre na situação e nos conduza a uma medida maior e mais plena Dele mesmo?
Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.
Ninguém tem maior amor do que este: dar a própria vida.
Temos um chamado nesta hora para entregar nossa vida uns pelos outros.
Temos uma maravilhosa oportunidade de aprender uma lição sobre a grandeza do nosso Senhor. Temos uma maravilhosa oportunidade, todos os dias, de experimentar a fidelidade do nosso Senhor. Que sejamos aqueles que aproveitam essa oportunidade.
Billheimer escreveu um livro chamado Não desperdice suas tristezas. Que não desperdicemos as oportunidades que temos. Que permitamos que a lei régia do amor toque nosso coração, nos conduza a essa unidade e nos faça prosseguir Nele.
Assim, podemos apressar o Seu retorno. Que amemos uns aos outros como Ele nos amou primeiro.
Senhor, nós Te agradecemos pelo Teu amor que nunca nos abandona. Senhor, vejo quantas vezes eu mereceria ser abandonado, mas o Teu amor nunca nos abandona.
Senhor, hoje colocamos nossa confiança em Ti: que Tu, Senhor, à medida que convivemos como parte da família de Deus, permitas que a Tua vida — uma vida de amor dentro de nós — não apenas habite ali, mas seja manifestada.
Manifesta o Teu amor na vida de cada um de nós. Manifesta o Teu amor uns para com os outros. Manifesta o Teu amor em Teu povo, para que Tu sejas glorificado, para que recebas a honra e a glória e para que a Tua luz brilhe de maneira mais intensa e plena.
Em Teu precioso nome, amém.