Quero chamar a atenção de vocês para várias passagens das Escrituras. Também já vimos a mensagem e, depois, os nossos planos.
No Antigo Testamento, na profecia de Isaías, em Isaías 54:5:
Porque o teu Criador é o teu marido;
o Senhor dos Exércitos é o Seu nome;
e o Santo de Israel é o teu Redentor.
Depois, em Isaías 62:5:
Porque, como o jovem se casa com a virgem, assim teus filhos se casarão contigo;
e, como o noivo se alegra com a noiva,
assim o teu Deus Se alegrará contigo.
Em Jeremias 31:31-32:
Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá;
não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito;
porque eles quebraram a Minha aliança, embora Eu fosse seu marido, diz o Senhor.
E em Malaquias 2:11:
Uma abominação foi cometida em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou a santidade do Senhor, a qual Ele ama, e se casou com a filha de um deus estranho.
É assim que terminamos o Antigo Testamento: Israel falhou para com Deus.
Agora veremos como terminamos o Novo Testamento.
Em Apocalipse 19:7:
Regozijemo-nos e alegremo-nos sobremaneira, e demos-Lhe a glória;
porque são chegadas as bodas do Cordeiro,
e a Sua esposa se preparou.
Depois, em Apocalipse 21:2:
E vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como uma noiva adornada para o seu marido.
E um dos sete anjos me disse, em Apocalipse 21:9:
Vem cá, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
Apocalipse 21:10:
E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que de Deus descia do céu.
Apocalipse 21:11-12:
Tendo a glória de Deus; a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe, transparente como cristal;
tendo um grande e alto muro, com doze portas, e, às portas, doze anjos.
Creio que podemos encerrar a leitura aqui e retomar o assunto com o qual temos nos ocupado durante a semana.
Temos visto o que Deus está fazendo, particularmente na dispensação em que vivemos: o Israel celestial e espiritual.
Vimos que a antiga ordem foi posta de lado e que o Seu novo povo celestial foi introduzido. Isso é o que se chama de vocação celestial.
É-nos dito que somos chamados a participar da vocação celestial e a ser companheiros de Cristo nessa vocação celestial.
Vimos como o Novo Testamento retoma as ideias do Antigo Testamento e lhes confere um significado espiritual. Os tipos do antigo Israel são resgatados e transportados para o novo.
Embora Deus possa ter de abrir mão de um instrumento que Ele levanta, nunca abandona o Seu caminho. Ele nunca abandonará a Sua intenção. Se não puder realizar o Seu propósito por meio de um instrumento, Ele o realizará por meio de outro.
Vimos que o antigo Israel era chamado de família de Deus. Vimos que o antigo Israel era chamado de casa do Senhor, Sua herança, Seu rebanho e Sua videira.
Todos esses títulos são retomados e aplicados à igreja do Novo Testamento.
O novo Israel celestial é a Sua família: filhos de Deus. É a Sua casa, como diz Hebreus 3:6:
A qual casa somos nós.
Somos herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo.
Somos o Seu rebanho. Em João 10:11, Ele diz:
Eu sou o bom Pastor.
Somos a Sua videira. Em João 15:5:
Eu sou a videira, vós sois os ramos.
Agora precisamos chegar ao último desses títulos que podemos examinar nesta ocasião. Pelas leituras que fizemos, vocês já concluíram qual é: a noiva.
Como vimos nessas várias passagens das Escrituras, Israel era chamado de noiva de Deus. Ele disse que Se tornou seu marido.
Embora Israel, literalmente, fosse um homem, costuma-se falar de Israel no feminino. Não é “ele”; é “ela”. Foi ela que, como esposa, falhou para com Ele.
Na semana passada, vimos que a Páscoa era uma aliança de casamento. Jeremias 31:32 diz que, quando Ele os tirou do Egito, tomou-os pela mão e Se tornou seu marido.
O sangue do cordeiro pascal era o sangue de uma aliança de casamento entre o Senhor e Israel. Naquela noite, Ele desposou Israel, e ela foi comprada com sangue.
Há muito pouco que seja necessário dizer sobre o amor de Deus por Israel àqueles que conhecem o Antigo Testamento. É algo extraordinário na história.
Quando vocês leem a história de Israel, considerando a conduta do próprio Israel, é maravilhoso ouvir o Senhor dizer, em Jeremias 31:3:
Com amor eterno te amei.
Deus nunca abandonou esse amor. Continua sendo um amor eterno. Mas há um soluço no coração de Deus. É um amor decepcionado.
O Antigo Testamento é uma maravilhosa revelação do amor de Deus por Israel — o amor de todo o coração de Deus por uma noiva — e de como esse amor foi expresso para com Israel.
Vejam a maravilhosa proteção que o Senhor concedeu a Israel. Ele protegeu Israel ao longo de todo o caminho. Proveu alimento e vestes. Conduziu-a fielmente.
O amor de Deus, que preserva e protege, está por toda parte no Antigo Testamento.
Qual era o pensamento e a intenção de Deus ao desposar Israel? Que ela fosse para o Seu prazer.
O Senhor tinha prazer em Israel. O Senhor havia trazido Israel à existência para o Seu próprio prazer, para trazer satisfação ao Seu próprio coração.
Este é um grande mistério: que o Deus autossuficiente queira algo para o Seu prazer. Ele possui todas as coisas. Na verdade, relativamente falando, não necessita de coisa alguma.
Contudo, Ele revelou que criou um povo para o Seu prazer. Criou todas as coisas para o Seu prazer. Criou um mundo para o Seu prazer. Criou o homem para o Seu prazer.
E tudo isso se afastou Dele. Ele ficou decepcionado com tudo. Então disse, em essência: “Começarei novamente e terei aquilo que Me satisfará, onde tudo o mais Me decepcionou”.
A noiva existia para o prazer do Noivo.
Israel foi levantado para ser a revelação do próprio Senhor. Deus pretendia revelar-Se a todo o universo por meio de Sua noiva, mostrar que tipo de marido Ele é.
Podemos trazer isso para a vida cotidiana. Às vezes, vocês conseguem perceber que tipo de marido uma mulher tem apenas olhando para ela. Ao vê-la bem cuidada, vocês precisam dizer: “Ela deve ter um marido maravilhoso”.
Receio que muitos maridos terrenos tenham falhado, mas é assim que as coisas são.
Deus queria revelar a todo este universo que Deus maravilhoso Ele é, como marido de Sua noiva.
Israel havia sido levantado, na linguagem do Novo Testamento, para anunciar as virtudes Daquele que a chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Israel foi introduzido nessa relação com o propósito de promover o Seu crescimento, a Sua expansão.
Por assim dizer, muitos outros, além de Sua noiva, deveriam nascer para o Senhor por meio de Israel. Sua família deveria se expandir por meio de Israel.
Isaías 60:3:
E os gentios caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor do teu nascer.
Nações deveriam nascer para o Senhor. São essas as coisas que os profetas dizem. A noiva deveria existir para a expansão do próprio Senhor.
E, por último — mistério dos mistérios —, tratava-se de companheirismo.
Nenhum de nós consegue entender por que o Senhor queria uma companhia. É possível estar vivo e não ser um companheiro.
Muitas esposas não são verdadeiras companheiras de seus maridos. Ele não encontra companheirismo. Há muitas coisas, mas falta justamente essa: verdadeiro companheirismo.
Talvez essa seja a tragédia de muitos casamentos desfeitos hoje. Sei que isso também acontece no sentido inverso. Mas o companheirismo é a concepção mais elevada dessa relação.
Agora, é fácil perceber como Israel falhou em todas essas questões. O Senhor já não podia ter prazer em Israel. Israel já não revelava ao mundo que tipo de Deus Ele é.
Israel excluiu os gentios e se fechou em si mesmo. Recusou-se a cumprir a missão mundial para a qual havia sido unido a Deus.
Tudo isso resultou na perda da companheira de Deus.
O Antigo Testamento termina com essa nota dolorosa. Algo terrível aconteceu com Sua noiva: ela deixou o Senhor, seu marido, e foi atrás de outro.
Assim, para o Senhor, ela está morta como nação. O Senhor jamais poderia Se casar com outra enquanto ela estivesse viva.
Como vocês sabem, o Novo Testamento tem muito a dizer sobre essa nova noiva. O Senhor Jesus chamou a Si mesmo de Noivo.
Vocês se lembrarão da parábola das virgens, quando se ouviu o clamor, em Mateus 25:6:
Eis que o noivo vem.
E lemos essas passagens de Apocalipse, todas a respeito da noiva, a esposa do Cordeiro.
Alguns de vocês se lembrarão das palavras de Paulo em sua carta aos Efésios, em Efésios 5:25, 27:
Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela;
para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa,
sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante.
Bem, creio que o fato está estabelecido. Mas precisamos retomar todas essas características dessa relação.
Se somos cristãos do Novo Testamento, estamos unidos ao Senhor numa aliança de casamento.
É a igreja de Deus, que Ele comprou com o Seu próprio sangue.
Quantos de vocês participam da mesa do Senhor em alguma ocasião? Ela recebe vários nomes: a Ceia do Senhor, a Santa Comunhão. Não importa tanto o nome que vocês lhe dão; o que importa é o significado que ela tem para vocês.
Vocês sabem, queridos amigos, que, toda vez que participam da mesa do Senhor, isso significa que estão reafirmando a aliança, dizendo: “Permaneço fiel à minha relação de casamento com o Senhor”?
Isso significa que sou uma só carne com Cristo. Somos um só corpo Nele. Uma parte do Seu próprio corpo é representada por aquele pão.
A ordenança de Deus para o casamento, desde o princípio, era esta, em Gênesis 2:24:
E serão ambos uma só carne.
Jesus disse, em Mateus 26:26:
Isto é o Meu corpo.
Quando o tomamos, devemos estar dizendo: “Sou um só corpo com Cristo”. É a relação de casamento.
Depois tomamos o cálice, símbolo de Seu sangue. Dizemos duas coisas: “Compartilho uma só vida com Ele. Sua vida é a minha vida”. E isso foi estabelecido por uma aliança em Seu sangue.
Esse é o significado profundo da mesa do Senhor. É isso que queremos dizer toda vez que nos achegamos à mesa do Senhor?
É uma noiva dizendo: “Permaneço fiel à aliança. Sou um com o meu Senhor”.
Cantamos nesta tarde: “Jesus, meu Esposo”. Sim, sou Sua noiva. Essa é a natureza da nossa união com Ele. É isso que realmente significa ser cristão.
Que o nosso cristianismo seja resgatado de tudo o que for menos do que isso.
Mas, quando a relação foi estabelecida em Seu sangue, começa então o propósito dessa relação. Somos Dele, para o Seu prazer, e não para o nosso.
Ele nos fez para o Seu prazer, operando em nós aquilo que é agradável aos Seus olhos.
Devemos existir para o louvor de Sua glória, para a glória de Sua graça, para anunciar as virtudes Daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Queridos amigos, isso constitui a vida cristã. É por isso que Ele nos atraiu com laços de amor. Essa é a razão da nossa união com Cristo: que existamos para o Seu prazer, que Ele possa ter prazer em nós.
Está chegando o tempo em que Ele olhará para Sua noiva e dirá: “Ela é uma noiva gloriosa”. Ele nos trouxe para Si mesmo exatamente com esse propósito: revelar-Se.
Estamos fazendo uma tremenda confusão nessa questão de revelar Cristo. Mas Ele está tendo muito trabalho conosco.
Ele não torna as coisas fáceis. Muitas vezes, parece que Ele nos coloca em situações difíceis para que possamos manifestar a Sua glória.
Paulo tinha um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para o esbofetear. Ele foi ao Senhor repetidas vezes, pedindo que o Senhor removesse esse espinho e destruísse esse mensageiro de Satanás.
Mas o Senhor lhe disse, em 2 Coríntios 12:9:
A Minha graça te basta;
porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
Essa é a estranha soberania de Deus. Essa é a estranha providência de Deus.
Parece que, às vezes, Ele coloca dificuldades em nossa vida e torna as coisas difíceis para nós. Então, pela graça que Ele manifesta, nós O engrandecemos.
Ninguém sabe qual era o espinho de Paulo. Muitas pessoas fizeram suposições, e algumas acham que descobriram. Não creio que alguém realmente saiba.
Mas, evidentemente, era algo que as pessoas podiam ver. Elas podiam dizer: “Nossa, como Paulo sofre com isso! Estou muito contente por o Senhor não ter me chamado a seguir esse caminho. Esse pobre homem sabe mesmo o que significa sofrer”.
Mas como é maravilhosa a graça de Deus nesse homem! Vejam seu espírito vitorioso. Vejam como ele não se deixa abater pelos sofrimentos.
Ah, a graça de Deus nesse homem é algo maravilhoso. A revelação de Sua graça é algo maravilhoso.
A expansão Dele se dá por meio da igreja. Já falamos muito sobre isso. O Senhor, por meio de Sua igreja, quer trazer muitos, muitos para o reino.
Ele disse:
Pregai o evangelho em todas as nações, a toda a criação.
O Senhor não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao conhecimento da verdade.
Que isso esteja acima de todo o ultracalvinismo de vocês. Não permitam que nenhum calvinismo tire um mínimo que seja dessa verdade.
O Senhor deseja que todos os homens sejam salvos. Ele nunca disse à Sua igreja que fosse escolher um aqui e outro ali, dizendo: “Vocês são os eleitos; deixem os outros”.
Não: preguem o evangelho a toda a criação. Deixem o restante com Ele.
Essa é a missão mundial do novo Israel. Mas não façam isso apenas de maneira genérica. Ponham mãos à obra amanhã de manhã. Façam disso uma responsabilidade pessoal: procurar, por todos os meios, trazer almas para o reino.
Depois de dizer tudo isso, chegamos a esta realidade suprema: Ele nos uniu a Si mesmo para sermos Seus companheiros.
Essa tem sido a nossa ênfase durante toda esta conferência. Tornamo-nos companheiros de Cristo.
Hebreus 3:1:
Irmãos santos, participantes da vocação celestial.
Para sermos Seus companheiros.
Confesso que não compreendo isso. Mas o Senhor deve encontrar em mim o Seu amigo, não alguém que apenas tenha uma relação formal com Ele.
Só posso dizer a vocês: tomemos essa palavra e perguntemos continuamente a nós mesmos: “Como um amigo agiria nessa questão? Como um amigo decidiria?”
Sou amigo do Senhor. Não posso falhar para com Ele nessa amizade.
Esse é o aspecto mais elevado e mais sagrado de toda essa relação.
Vejam, depois de todo esse tempo, ainda não falei sobre a Nova Jerusalém. É muito significativo que a Nova Jerusalém seja chamada de noiva.
O anjo disse a João, em Apocalipse 21:9:
Vem cá, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
E João poderia ter dito: “Agora, vamos ver essa mulher maravilhosa”. Mas, como lemos em Apocalipse 21:10:
Mostrou-me a cidade santa, a Nova Jerusalém, que de Deus descia do céu.
A noiva é a cidade, e a cidade é a noiva.
Vocês precisam ler toda a descrição da cidade nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse para saber como será a noiva.
Vejam todas as pedras preciosas. Isso representa a preciosidade do Senhor Jesus em suas múltiplas expressões.
Pedro diz, em 1 Pedro 2:7:
Para vós, portanto, que credes, Ele é precioso.
Toda espécie de pedras preciosas: é aquilo que Jesus é em Seu verdadeiro caráter, revelado na noiva, a cidade.
Não comecem a pensar numa cidade literal. Tudo isso é uma representação simbólica da noiva de Cristo.
Todas essas glórias da cidade são apenas as glórias de Cristo, finalmente expressas em Sua noiva.
Apocalipse 21:10-11:
Mostrou-me a cidade santa, a Nova Jerusalém,
tendo a glória de Deus.
Era isso que o apóstolo queria dizer, em Efésios 5:27:
Para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa.
Uma igreja gloriosa. A cidade é a revelação de Suas múltiplas glórias, e a cidade é a noiva.
Todas essas ideias são muito belas e maravilhosas. São pensamentos gloriosos. Mas foi justamente para isso que o Senhor nos chamou. Essa é a vocação celestial.
É para isso que Ele quer que sejamos companheiros: participantes de uma vocação celestial, companheiros de Cristo.
Hesito em introduzir uma nota que talvez pareça um pouco desanimadora, mas lembro a vocês que essa grande carta aos Hebreus contém muitos “se”.
Em Hebreus 3:6:
A qual casa somos nós.
E em Hebreus 3:14:
Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente.
Essa carta aos Hebreus está cheia de advertências.
Não creio que ela tenha sido escrita a não cristãos. Todas as evidências presentes na carta indicam que ela foi escrita a verdadeiros cristãos.
Portanto, ela estava dizendo aos cristãos: não percam a sua herança. Não deixem de alcançar a sua vocação celestial.
Não deixem de ser verdadeiros companheiros de Cristo. Não aceitem nada menos do que o melhor de Deus e o mais elevado de Deus.
Vocês podem ser cristãos e ter muito menos do que Deus pretendia.
Vocês notarão que, depois da descrição da cidade-noiva, é dito:
Bem-aventurados aqueles que têm o direito de entrar.
Eles têm a autoridade para entrar.
Eles andarão à sua luz. Mas outros não o farão.
Certifiquem-se de que fazem parte dessa noiva. Não falhem para com o Senhor como Israel falhou para com Ele.
Prossigamos até a plena maturidade. Prossigamos até a plenitude do propósito de Deus.