Boa tarde, irmãos e irmãs no Senhor.
Mais uma vez, ao nos voltarmos para o estudo da Palavra de Deus, quero lembrar a mim mesmo e a vocês um princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável.
Quaisquer que sejam os outros recursos e auxílios que Deus lhes dê para compreender Sua Palavra — e há muitos auxílios, e louvado seja Deus por eles —, há um princípio indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.
No fim das contas, depois de concluído todo o trabalho acadêmico, precisamos nos apresentar como criancinhas diante do Senhor e pedir que Ele faça Cristo raiar em nosso coração. Sem o Seu Espírito Santo, não há possibilidade alguma de contemplarmos o Senhor.
Se você estudar a Bíblia para conhecer a Bíblia, ficará cada vez mais orgulhoso com o passar dos dias, porque o conhecimento ensoberbece.
Se você estudar a Bíblia para conhecer o Senhor, Deus lhe mostrará Seu Filho, e você será transformado de um grau de glória para outro. Precisamos ser ensinados por Deus.
Antes de orarmos juntos, deixem-me compartilhar um versículo de João 6. Como você pode saber, com absoluta certeza, que está sendo ensinado por Deus?
João 6:45:
Todos serão ensinados por Deus.
Todo aquele que ouviu e aprendeu do Pai vem a Mim.
Foi o que disse o Senhor Jesus. Como você sabe se foi ensinado por Deus? A resposta é: esse ensino o conduz a Jesus.
Todo aquele que aprendeu e ouviu do Pai vem a Mim.
Se você for ensinado por Deus, irá a Jesus. Irá a Cristo.
Vamos inclinar a cabeça juntos, por favor, e pedir ao Senhor que faça algo em nosso coração nesta tarde que seja eterno, algo que dure para sempre. Vamos orar.
Nosso Pai celestial, nós nos achegamos a Ti nesta tarde e Te agradecemos muito porque nos deste a Bíblia e nos deste o Espírito Santo.
Sabemos que o Espírito Santo Se deleita em nos revelar o Senhor Jesus Cristo, em retirar o véu do nosso coração e da nossa mente, para que possamos contemplá-Lo de maneira viva.
Por isso, nesta tarde, oramos para que todos aqui sejam ensinados por Deus, para que estejam aprendendo do Pai e ouvindo o Pai. Oramos para que todos nós venhamos a Cristo.
Opera isso em nós, nós Te pedimos, porque o nosso Senhor Jesus bem o merece. E fazemos esta oração em Seu nome incomparável. Amém.
Gostaria de expressar o encargo que trago nesta tarde com as palavras inspiradas do Novo Testamento. Há um versículo que expressa esse encargo; depois, gostaria de compartilhá-lo na forma de uma história do Antigo Testamento.
A passagem está em Colossenses 1:13. Ela já foi lida várias vezes nesta semana. Peço que abram em Colossenses 1:13.
Aliás, estes óculos têm cara de nerd? Minha esposa disse: “Não leve esses óculos lá para a frente. Eles têm cara de nerd”. Bem, sinto muito, mas preciso deles.
Colossenses 1:13, por favor.
Pois Ele nos resgatou do domínio das trevas
e nos transferiu para o reino
do Seu Filho amado.
Há um domínio das trevas e há um reino do Seu Filho amado. Darby traduz assim:
O reino do Filho do Seu amor.
Ou, na versão King James:
Seu querido Filho.
Para o reino do Seu querido Filho.
E há um milagre que nos transfere de um reino para o outro, que nos transporta, que nos liberta. Gosto da maneira como Kenneth Wuest traduz:
Transfere-nos do domínio tirânico das trevas para o reino do Filho do Seu amor.
Portanto, em Colossenses 1:13, há dois reinos e há um milagre. Há um reino aqui e outro reino ali, e um milagre que nos tira deste reino e nos coloca naquele. Há um reino de trevas. Há um reino do Seu Filho amado.
É claro que todos nós desejamos o milagre que nos transfere de um para o outro, para que possamos viver no reino do Seu querido Filho.
No Antigo Testamento, há uma figura de Colossenses 1:13, uma história que fala de dois reinos e de um milagre que nos leva de um desses reinos para o outro.
Gosto de figuras. Gosto de histórias. Amo a história da redenção. Acho importante receber a verdade em sua forma plenamente desenvolvida, mas também é útil recebê-la em forma de semente e de botão de flor.
Por isso, amo tanto o Antigo Testamento e a história da redenção. Para mim, eles se assemelham muito à encarnação. É como se dessem carne ao coração de Deus. Quando você vê uma história — “Era uma vez…” e “viveram felizes para sempre” —, consegue se apropriar de uma história assim.
A história à qual me refiro está em Daniel 2 e Daniel 3. Parecem duas histórias, mas, na verdade, são uma só.
Daniel 2 fala daquele sonho de Nabucodonosor. Daniel 3 é a história dos três homens na fornalha.
Muitas vezes, Daniel 3 é considerado à parte de seu contexto. Nós o retiramos dali e falamos dos três homens na fornalha. Mesmo fora de seu contexto, é lindo. Mesmo fora de seu contexto, é muito, muito instrutivo.
Mas talvez, nesta tarde, o Senhor possa nos mostrar esse capítulo maravilhoso em seu cenário, em seu contexto, em conexão com o sonho de Nabucodonosor.
Deus nos deu uma mente analítica, e algumas pessoas gostam de conhecer de antemão a conexão lógica. Então, para essas pessoas que estão aqui, deixem-me dizer aonde gostaria de chegar e como gostaria de chegar lá.
Gostaria que examinássemos Daniel 2 e Daniel 3 como a ilustração que Deus nos dá de Colossenses 1:13. É a mesma figura: dois reinos e um milagre que nos leva de um reino para o outro.
Este é o esboço. Primeiro, quero mostrar os dois reinos ilustrados pelo sonho de Nabucodonosor.
Depois de examinarmos isso, gostaria de mostrar três homens que foram transferidos de um reino para outro: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Eles haviam sido transportados para o reino do querido Filho de Deus.
E então gostaria de mostrar o segredo deles. Gostaria de mostrar o milagre que os levou à condição em que se encontravam.
É isso que vamos examinar: o sonho de Nabucodonosor, os dois reinos, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego como a figura que Deus nos dá daqueles que foram transportados; e, depois, o segredo deles, ilustrado pela última parte do sonho. Como Deus fez isso por eles? Como Deus pode fazer isso por mim?
A maneira como Ele os transportou é a maneira como nos transporta. Ele é eternamente o mesmo. Assim, isso ilustra, de maneira maravilhosa, Colossenses 1:13.
Agora, em vez de lermos Daniel 2 e Daniel 3 juntos — todos os setenta e nove versículos; vocês sabem quanto tempo isso levaria —, ao longo da exposição selecionarei o suficiente da história para manter sua unidade e comunicar, assim espero, o coração de Deus.
Quero começar com esta observação. Abram em Daniel 2, por favor. Ao procurarmos compreender o coração de Deus a respeito desse grande sonho de Nabucodonosor, precisamos confiar juntos no Senhor para que Ele nos dê luz sobre a luz de Daniel.
Deixem-me explicar o que quero dizer. De uma perspectiva, nós dizemos: “Daniel 2 é o sonho de Nabucodonosor”. E isso é verdade.
Mas outra maneira de olhar para isso é dizer: “Daniel 2 é a Palavra de Deus”. E isso também é verdade. É a Bíblia. Por isso, preciso da luz de Deus para compreender a Bíblia, para compreender o sonho de Nabucodonosor. Não dizemos: “Abram no sonho de Nabucodonosor”. Dizemos: “Abram na Palavra de Deus”.
Esta era a situação: Nabucodonosor teve esse sonho da parte de Deus. A Palavra de Deus veio a ele na forma de um sonho.
Daniel não podia conhecer aquele sonho nem saber o que ele significava por si mesmo. Precisava de luz da parte de Deus. Precisava da iluminação do Senhor. Precisava que Deus lhe dissesse qual era o sonho.
Vocês se lembram de que Nabucodonosor exigiu não apenas que interpretassem o sonho, mas também que lhe contassem o próprio sonho.
Daniel foi sábio. Vejam, por favor, Daniel 2:17-19:
Então Daniel foi para sua casa e informou seus amigos, Hananias, Misael e Azarias, sobre o assunto;
para que pedissem compaixão ao Deus do céu acerca do mistério, a fim de que Daniel e seus amigos não fossem destruídos com os demais sábios da Babilônia.
Então o mistério foi revelado a Daniel numa visão noturna. Então Daniel bendisse o Deus do céu.
Daniel compreendia como desvendar os segredos do Senhor. Vejam, por favor, Daniel 2:22-23:
É Ele Quem revela as coisas profundas e ocultas;
Ele conhece o que está nas trevas,
e a luz habita com Ele.
A Ti, ó Deus de meus pais,
dou graças e louvor.
Assim, Deus não apenas mostrou o sonho a Daniel; Ele lhe disse o que significava. Daniel orou ao Senhor. Daniel pediu a seus amigos que orassem ao Senhor. Clamaram pela compaixão de Deus, para que Ele lhes desse luz. Daniel buscou o Senhor, que revela as coisas ocultas, as coisas secretas, e Deus lhe deu luz.
Este é o ponto: Deus deu luz a Daniel, mas não podemos depender da luz de Daniel. Precisamos de luz sobre a luz de Daniel. Vocês estão acompanhando o que estou dizendo?
Não seria natural pensar: Deus mostrou a Daniel o que aquilo significava, e Daniel escreveu. Agora sabemos; basta ler o que Daniel escreveu?
Não. Eu não tenho aquilo que Daniel me dá; tenho aquilo que Deus me dá. Você não tem aquilo que Daniel lhe dá; tem aquilo que o Senhor lhe dá.
Deus deu luz a Daniel, e agora precisamos confiar humildemente no Senhor para receber luz sobre a luz de Daniel.
Tenho muitos, muitos comentários sobre o livro de Daniel e sobre esse sonho de Nabucodonosor. E acho que alguns deles simplesmente pegaram a luz de Daniel e extrapolaram sem limites. Perderam-se na explicação de Daniel.
Deixem-me colocar isso diante do coração de vocês. Vejam Daniel 2:31, por favor; vamos ler até o versículo 36:
Tu, ó rei, estavas olhando, e eis que havia uma única grande estátua; essa estátua, grande e de extraordinário esplendor, estava diante de ti, e sua aparência era impressionante.
A cabeça dessa estátua era de ouro fino; seu peito e seus braços, de prata; seu ventre e suas coxas, de bronze;
suas pernas, de ferro; seus pés, em parte de ferro e em parte de barro.
Continuaste olhando até que uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos; ela atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os despedaçou.
Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados ao mesmo tempo e se tornaram como a palha das eiras no verão; e o vento os levou, de modo que não se encontrou vestígio algum deles.
Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra.
Este foi o sonho. Agora diremos sua interpretação.
Assim, vocês têm a figura do sonho. Era um sonho com um homem gigantesco, com cabeça de ouro, ombros e braços de prata, cintura e coxas de bronze, pernas de ferro, pés de ferro e barro, e assim por diante.
Muitos pegaram a luz de Daniel a respeito disso e dizem: “Bem, agora entendemos o sonho. Cada parte representa um reino. A cabeça é a Babilônia; os braços de prata são os medos e os persas; o bronze é a Grécia, o Império Macedônico; as pernas são Roma; e os dez dedos dos pés estão no futuro — uma confederação de dez nações”. E continuam, e continuam.
Dizem que Deus estava mostrando a Daniel, por meio do sonho, um grande panorama de impérios até o fim desta era. Agora podemos ser muito precisos ao rastrear todas essas potências mundiais sucessivas e antecipar o cenário político do fim desta era.
Mas é esse o sonho de Nabucodonosor? É realmente esse o seu sonho? É esse o mistério dele? Deus estava apenas prevendo coisas e reinos futuros? Era disso que se tratava?
Onde está o coração de Deus nisso? Ele estava apenas nos contando sobre o futuro, para que soubéssemos o que viria e o que aconteceria? Qual é o significado celestial desse sonho?
Qual é a revelação do Filho de Deus nesse sonho — o desvendar dEle? É disso que se trata.
Louvado seja Deus pela luz de Daniel, mas vamos confiar no Senhor para receber luz sobre a luz de Daniel. Daniel precisava daquela luz. Para ele, era uma questão de vida ou morte; se não a recebesse, morreria.
E, para Daniel, foi uma revelação do Senhor Jesus Cristo, que se tornou redentora para o mundo inteiro. Ah, que a revelação de Deus para nós se torne uma questão de vida ou morte, para que também vejamos o Senhor Jesus Cristo e recebamos uma revelação redentora, que alcance o mundo inteiro.
Deixem-me compartilhar o que considero a mensagem principal desse sonho maravilhoso. Mais uma vez, coloquem os fatos diante do coração. Vejam, por favor, Daniel 2:31.
Ela é chamada de grande estátua: grande, de extraordinário esplendor. Sua aparência era impressionante.
Fico imaginando o tamanho daquela imagem na mente de Nabucodonosor quando ele sonhou. A Bíblia não nos diz. Apenas diz que era grande.
Acho que recebemos uma pequena pista, porque, em Daniel 4, ele teve outro sonho. Nesse sonho, viu uma grande árvore. Bem, em Daniel 4:10-11, ele nos conta o tamanho da árvore; assim, sabemos como está usando a palavra grande:
Sua altura chegava ao céu,
e seus ramos, aos confins da terra.
Isso é uma árvore grande. Fico imaginando se a imagem em seu sonho era tão grande quanto aquela árvore.
Não sabemos, mas sabemos que, em Daniel 3, ele ficou tão fascinado por estar ligado à cabeça de ouro — por o ouro representar a Babilônia e representar a ele — que fez outra imagem, representando apenas a cabeça, não o conjunto inteiro, apenas a cabeça.
Daniel 3:1 nos diz que aquela imagem tinha sessenta côvados de altura. Em outras palavras, apenas a cabeça, aquilo que representava a cabeça, era uma imagem de ouro de cerca de vinte e sete metros de altura. Fico imaginando o tamanho da imagem inteira do sonho.
Só podemos imaginar. Sabemos que era impressionante.
Vejam, o sonho tinha duas partes. A primeira dizia respeito àquele homem imenso, àquela figura humana monstruosamente grande, com cabeça de ouro, braços de prata, cintura de bronze, pernas de ferro e pés de ferro e barro.
Mas a segunda parte do sonho dizia respeito à destruição daquela grande imagem. Dizia respeito a uma pedra que veio, atingiu os pés da imagem e derrubou tudo. Então a pedra cresceu, tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra.
Vejam, por favor, Daniel 2:34:
Continuaste olhando até que uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos; ela atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os despedaçou.
E então, no final de Daniel 2:35:
Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra.
Nabucodonosor teve um sonho sobre dois reinos. Vejam Daniel 2:44, por favor:
Nos dias daqueles reis, o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será destruído, e esse reino não será deixado a outro povo; ele despedaçará e porá fim a todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre.
Sugiro que Nabucodonosor teve um sonho sobre dois reinos. Você diz: “Dois reinos? Vejo pelo menos quatro. Há uma cabeça, depois os braços, depois a parte do meio e depois as pernas. Talvez cinco, se contarmos os dedos dos pés. Talvez quatorze ou quinze — muitos reinos”.
Não, não são muitos reinos. São muitas partes, mas apenas uma imagem. Como nosso irmão Stephen tem compartilhado conosco a respeito do Corpo de Cristo: muitos membros, um só corpo.
Nabucodonosor teve esse grande sonho com um homem enorme — uma imagem, uma figura humana imensa, um só corpo. E, no meu entendimento, essa é a chave, creio eu, para o coração de Deus. Ele teve um sonho sobre o reino do homem. Tinha a forma de um homem, o formato de um homem. Era uma pessoa.
É uma figura do reino do homem — uma figura impressionante do reino do homem: o reino de Satanás, o reino das trevas, o reino do homem, a carne, este mundo, o sistema deste mundo.
Muitas expressões diferentes; tudo é a mesma coisa. Ele viu o velho homem. Viu a velha natureza. Viu a velha natureza pecaminosa. Viu o eu. Viu o ego. Viu a carne. Viu o homem carnal. Viu Caim. Viu Esaú. Viu Ismael. Viu Amaleque. Viu Agague. Viu Saul. É o velho Adão, não importa por qual ângulo você olhe.
É o reino do homem. Foi isso que ele viu de um lado.
E então, em Daniel 2:34-35, ele continuou olhando até ver essa pedra atingir os pés do reino do homem e crescer, crescer, até encher toda a terra.
Sugiro a vocês que Nabucodonosor viu dois reinos. Viu o reino do homem. Viu o reino do Filho do Seu amor, o reino do Senhor Jesus Cristo.
Quando ele viu o reino do homem — e quando você o vê —, qual é sua aparência? Bem, vou dizer: aos olhos humanos, conforme o relato, é impressionante; aos olhos humanos, tem extraordinário esplendor, uma aparência impressionante.
Não sei qual era o tamanho dela. Imagino que fosse como a árvore, chegando até o céu: um homem gigantesco em seu sonho, muito, muito impressionante.
Seja o sistema inteiro deste mundo, o reino do diabo, tão grande; seja, em seu próprio coração, aquele velho homem que continua se levantando, tão grande, tão impressionante, tão temível aos olhos humanos — assustador, avassalador.
Mas, quando você olha atentamente para a imagem, percebe o que ela realmente é. É apenas uma imagem. Não é real. Não tem vida.
Parece impressionante, mas está morta. Não há vida alguma nisso. O ouro reluz, mas continua morto, completamente morto.
A prata cintila, mas continua morta. Você pode polir o bronze, mas ele continua morto. O ferro é forte, mas continua morto. Não há vida alguma nisso.
É um reino de morte. Não há nada orgânico nele. Nada vivo.
E, quanto mais você observa esse reino do homem, conforme é revelado no sonho de Nabucodonosor, mais percebe que ele perde valor à medida que você se aproxima do fundamento. Quanto mais você o observa, mais vê que sua glória vai desaparecendo.
O ouro é mais valioso que a prata; mas, à medida que você se aproxima do fundamento, a prata é mais valiosa que o bronze, o bronze é mais valioso que o ferro, e o ferro é mais valioso que o barro. Quando você chega ao fundamento, ele não vale nada.
Esse é o reino do homem. Talvez pareça impressionante aos olhos humanos, mas sua glória vai desaparecendo. Está passando.
E está estabelecido sobre um fundamento muito frágil. Não pode permanecer de pé. Seu peso está concentrado na parte de cima.
Os estudiosos nos dizem que, de cima para baixo, a densidade dos materiais vai diminuindo. Todo o conjunto tem peso demais na parte superior. Há uma fraqueza inerente no fundamento. Está construído sobre nada e está condenado a cair.
Havia outro reino que Deus lhe mostrou. Vejam Daniel 2:34:
Continuaste olhando até que uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos.
Você diz: “Bem, é a mesma coisa. Isso também é uma pedra. É tudo morto. É apenas uma pedra”. Mas há um tipo diferente de pedra.
Daniel 2:45 nos diz que essa pedra foi cortada de uma montanha sem auxílio de mãos. Essa era a pedra preparada por uma mão invisível, nascida de Maria sem a participação de homem.
Vejam o final de Daniel 2:35:
A pedra que atingiu a estátua tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra.
Ela cresceu. Ficou maior. Primeiro é uma pedra, depois uma colina, depois uma pequena montanha, depois uma cadeia de montanhas; e, em pouco tempo, enche toda a terra.
Se algo cresce, está vivo. É uma pedra viva. É um tipo diferente de pedra. É orgânica. É o nosso Senhor Jesus Cristo.
O reino do homem pode parecer impressionante, mas está morto. Há, porém, outro reino, e ele é a pedra viva.
Daniel 2:44:
Nos dias daqueles reis, o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será destruído. Ele porá fim a todos os reinos, mas subsistirá para sempre.
Nesse sentido, amo 1 Pedro 2:4:
Achegando-vos a Ele como a uma pedra viva, de fato rejeitada pelos homens, mas preciosa aos olhos de Deus.
Espero que vocês consigam perceber, desde o início, por que sugeri que o sonho de Nabucodonosor se parece tanto com Colossenses 1:13: porque há dois reinos, o reino do homem e o reino do Seu querido Filho.
Agora, peço que abram em Daniel 3, por favor. Quero mostrar três homens que foram transferidos. Neste momento, não direi como. Não revelarei o segredo deles, mas deixem-me mostrar que esses homens foram retirados de um reino e transferidos para o outro.
E eles causaram uma grande agitação. Ser transportado de um reino para outro é algo radical.
Acho que vocês apreciarão melhor Daniel 3 se o compreenderem à luz daquele sonho. Aqui temos o choque de dois reinos: o reino do homem e o reino de Deus.
O reino do homem não sorriu quando descobriu que tinha traidores. Ele não gosta que as pessoas abandonem seu reino e rompam a lealdade a ele.
Vocês sabem que, em Daniel 3:6, quando Nabucodonosor construiu sua grande imagem de cerca de vinte e sete metros, deu uma ordem universal:
Quem não se prostrar e adorar será imediatamente lançado no meio de uma fornalha de fogo ardente.
Mas aqueles três homens haviam sido transportados. Mesmo diante da ameaça de morte, de modo algum se prostrariam.
Quando chegam a Daniel 3, a maioria das pessoas o aborda desta maneira: esse é o capítulo do grande milagre — o milagre daqueles homens serem preservados no fogo.
Daniel 3:27: eles não foram incinerados. Seus cabelos nem sequer foram chamuscados. Nem mesmo o cheiro de fumaça estava sobre eles. Que milagre!
Sem dúvida, foi um grande milagre Deus preservá-los no fogo. Mas não acho que esse seja o maior milagre de Daniel 3.
Ah, esse é um milagre poderoso, mas não é o maior. Vejam, eles foram libertos antes de serem libertos.
Um milagre aconteceu antes da fornalha — um tremendo milagre moral que os capacitou a não se prostrarem diante do reino do homem. Que milagre foi esse!
Não pensem que esses três homens começaram a andar com o Filho de Deus apenas quando entraram na fornalha. Eles andaram com o Senhor na fornalha, mas já andavam com o Senhor antes de entrar nela.
Ele Se manifestou na fornalha, mas eles já andavam com Ele antes de entrar na fornalha.
Vejam, por favor, Daniel 3:24-25:
Então o rei Nabucodonosor ficou espantado e se levantou às pressas; disse aos seus altos oficiais: “Não foram três os homens que lançamos amarrados no meio do fogo?”
Eles responderam ao rei: “Certamente, ó rei”.
Ele disse: “Vejam! Vejo quatro homens soltos, andando no meio do fogo, sem sofrer dano algum; e a aparência do quarto é como a de um filho dos deuses!”
Algumas pessoas têm a ideia de que Jesus simplesmente apareceu no fogo — que, de repente, pronto, lá estava o Senhor no meio da fornalha de fogo. Não foi assim que aconteceu.
Não é que eles tenham sido lançados no fogo e, de repente, um visitante celestial tenha vindo até eles e aparecido no fogo. Não foi assim que aconteceu.
Ele estava lá o tempo todo. Eles andavam com Ele antes de chegar ao fogo e andaram com Ele no fogo.
E então, quando tudo terminou, você diz que três homens saíram. Não, quatro homens saíram. Jesus não ficou na fornalha. Ele também saiu. Naquele momento, você não podia vê-Lo com os olhos humanos, mas Ele também saiu.
Quando você olha para Daniel 3:17-18 e vê como eles foram ousados — “Não vamos nos prostrar. Deus pode nos livrar. Não sabemos se Ele vai nos livrar, mas Ele pode. E, mesmo que não nos livre, não vamos nos prostrar” —, o que lhes deu poder para enfrentar o reino do homem daquela maneira?
Eu lhes digo: isso não veio deles. Por natureza, eles são tão medrosos quanto você e tão medrosos quanto eu. Sua firmeza vinha do Senhor. Foi um poderoso milagre de Deus que os capacitou a ser corajosos.
Por que não foram atraídos pelo deslumbramento? Essa imagem era impressionante. Por que não foram seduzidos pelo brilho, pela glória de tudo aquilo ou de tudo o que aquilo representa?
Por que não foram atraídos pelo grande orgulho da Babilônia, pelo materialismo dos medos e dos persas — os gatos e os tapetes persas —, pela sabedoria da Grécia, pelo poder de Roma? Como é que não se prostraram?
E então, quando você olha para Daniel 3:5 e Daniel 3:7 e vê esses instrumentos musicais — a música do mundo —, como é que eles não foram encantados pela música do mundo, que os seduzia e atraía, vindo de todas as direções?
E quando você lê Daniel 3:7:
Todos os povos, nações e homens de todas as línguas se prostraram e adoraram.
Isso, sim, é pressão do grupo. Todos estão fazendo isso, e eles são os únicos que não estão.
Sabem, meu coração se comove pelos jovens, pelos jovens cristãos que estão tão hipnotizados pela glória deste mundo, tão seduzidos pela música deste mundo, tão pressionados pela pressão do grupo neste mundo.
E acrescentem a isso o temor do homem, que arma uma cilada, porque Daniel 3:11 diz:
Quem não se prostrar e adorar será lançado no meio de uma fornalha de fogo ardente.
Aqui está algo extraordinário: três homens que haviam sido transportados deste reino para outro e que, apesar de toda a atração e de todo o poder de sedução daquele reino, não se prostraram.
Esse é o milagre de Daniel 3 — aquele milagre moral. Eu lhes digo: valorizo o outro milagre, no qual Deus apagou a fúria do fogo; mas, ah, este é um poderoso milagre de Deus. Eles foram preservados antes de serem preservados.
Jesus estava com eles antes do fogo, guardando-os. Jesus estava com eles no fogo, guardando-os. Jesus estava com eles quando saíram do fogo.
Como vocês sabem, antes do fogo, estes olhos — os olhos humanos — não podiam ver o Senhor Jesus. Ele está com você antes do fogo, mas o mundo não O vê nesse momento.
As pessoas veem sua ousadia. Veem aquilo que chamam de coragem, sua posição ao lado do Senhor. Veem que você é firme e está nadando contra a corrente.
Mas, nesse momento, acham que você é tolo, de mente estreita e um fanático religioso. É por isso que o lançam no fogo. Você as incomoda.
Mas, quando você está no fogo, Daniel 3:25:
Vejo quatro homens soltos, andando no meio do fogo, sem sofrer dano algum; e a aparência do quarto é como a de um filho dos deuses.
Irmãos e irmãs no Senhor, não desprezem o fogo quando o Senhor o permite em sua vida. Andem com o Senhor antes do fogo. Andem com o Senhor no fogo.
Tem sido uma ótima semana. Ouvimos sobre a cruz. Ouvimos sobre o lava-rápido, sobre a tempestade e agora sobre a fornalha.
A fornalha não é apenas para você. É para eles. Ela tem um propósito redentor.
Vejam, naqueles dias havia uma abertura na fornalha por onde se podia olhar, e eles estavam olhando para dentro. O mundo estava olhando para dentro. Nabucodonosor estava olhando para dentro da fornalha.
Toda vez que Deus traz uma provação à sua vida, é uma provação missionária. Toda vez que Deus traz uma provação à minha vida, é uma provação missionária.
A redenção está no coração de Deus, não apenas para nos conformar à imagem de Seu Filho, como temos ouvido de maneira tão bela, mas também para atrair aqueles que estão olhando pela abertura enquanto você anda com o Filho de Deus no meio do fogo.
O que chamou a atenção deles quando olharam para aquelas pessoas lá dentro? Eu lhes digo o que chamou sua atenção: viram cristãos andando em liberdade com o Filho de Deus.
Foi a primeira coisa que Nabucodonosor disse: “Vejo quatro homens soltos, e estão andando juntos”. É uma figura impressionante quando o mundo pode olhar e ver você e o Senhor andando juntos pela fornalha.
Muitas vezes ouvi dizer: “A única coisa que o fogo queimou foram as cordas que os prendiam”. Não estou convencido disso.
Digo que não estou convencido porque a Bíblia não diz que o fogo queimou as cordas deles. Pessoalmente, não acho que tenha sido isso.
Foi o Senhor Quem queimou as cordas. É a presença de Deus que liberta você, não o fogo. Ele não vai compartilhar Sua glória com o fogo. É Ele — Sua presença. Mas vamos deixar isso de lado.
Lembrem-se de Daniel 3:20 e Daniel 3:22: aqueles homens valentes que lançaram essas pessoas no fogo — o que aconteceu com eles?
Foram incinerados. Foram consumidos. Foram destruídos. E isso faz parte do testemunho.
Quando as pessoas olham pela abertura e veem um cristão andando com o Filho de Deus no fogo, fazem esta pergunta: “Como é que você consegue andar com Jesus nesse fogo, enquanto ele está me matando?”
Era isso que estava acontecendo. Eles morreram. Foram destruídos. Foram consumidos pelo fogo. E isso os deixou espantados.
A mesma fornalha que Deus permite em nossa vida — aquela aflição, aquela prova, aquele diagnóstico médico, aquela perda, aquele revés, aquela reviravolta, aquele acidente, aquela catástrofe — está matando essas pessoas. Foi isso que as matou.
Mas elas olham pela abertura e veem o povo de Deus, e algo toca seu coração. Eles estão livres. Estão em comunhão. Estão andando.
Teria sido um testemunho maravilhoso se, de repente, por um poderoso milagre, Deus simplesmente os tivesse tirado da fornalha e colocado num lugar fresco.
Teria sido um testemunho poderoso se Deus tivesse apagado o fogo sobrenaturalmente.
Mas todo o testemunho está no fato de que Ele permitiu que passassem por aquilo enquanto andavam em comunhão ininterrupta com Ele. Esse é o testemunho. Esse é o Seu nome. Essa é a Sua fama.
Assim, Cristo andou com eles antes do fogo, e Cristo andou com eles no fogo. E, quando saíram do fogo, o Senhor Jesus saiu com eles.
Daniel 3:27:
Os sátrapas, os prefeitos, os governadores e os altos oficiais do rei se reuniram e viram, a respeito desses homens, que o fogo não tivera efeito sobre seus corpos;
nem os cabelos de sua cabeça haviam sido chamuscados;
nem suas calças haviam sido danificadas;
nem mesmo o cheiro de fogo havia passado sobre eles.
Depois que você passou por aquilo, o mundo continua olhando, e as pessoas ficam tão maravilhadas com a graça que o conduziu através de tudo. Nem mesmo o cheiro de fogo sobre você.
Sabem, de fora, quando você vê um cristão passando por alguma coisa, diz: “Ah, meu querido irmão, fulano, veja o que ele está enfrentando”. Esse é o seu ponto de vista.
Do ponto de vista dele, está numa festa. Está andando com o Filho de Deus através daquela situação.
Sabem, fico constrangido quando ouço certos testemunhos, porque alguns estão impregnados de cheiro de fumaça. Estão completamente negros de fuligem.
A pessoa se levanta e diz: “Ah, vocês sabem, foi tão difícil, passei por um período tão terrível. Mas, finalmente, o Senhor me arrastou através daquilo”.
Às vezes me pergunto que tipo de testemunho é esse. Os peregrinos de Deus atravessam o deserto, e seus pés nem sequer incham.
O testemunho é que, depois de você ter passado por aquilo, para o mundo nem parece que você passou.
Enfim, esses são os três homens que haviam sido resgatados.
Deixem-me concluir com isto. Vejo aqueles homens — Sadraque, Mesaque e Abede-Nego — tão resgatados, tão livres desse reino do homem, tão libertos, tão transferidos de um reino para outro.
E meu coração clama: “Qual é o segredo deles? Como posso ser tão completamente liberto do reino do homem?”
Não quero ser absorvido pela glória do reino do homem. Não quero ser influenciado por sua música. Não quero ser dominado pela pressão do medo. Não quero ser obrigado a me prostrar.
Às vezes, o cristão coça a cabeça, fica se perguntando e diz: “Sei que o Senhor fez uma obra em meu coração. Sei que nasci de novo. Sei que sou salvo. Ele me transferiu para fora deste reino”.
“Mas por que aquele grande monstro do reino do homem ainda tem poder em minha vida? O que está acontecendo? Sei que sou cristão. Sei que fui transferido de um reino para o outro.”
“Por que não tenho força para resistir ao reino do homem? Quando aqueles braços de prata se estendem para mim, por que corro para eles? Quando aquela cabeça de ouro sorri para mim, por que sou atraído?”
“Por que sou sugado para dentro desse reino do homem, se Deus diz que tenho libertação? Não quero pecar. Não quero desonrar o Senhor. Não quero ser escravizado pelas paixões do reino do homem. Não quero adorar aos pés desse monstro.”
Como posso ser liberto? Acho que essa pergunta surge para todo verdadeiro filho de Deus: “Sei que sou salvo. Estou fora deste reino. Estou no reino do Seu querido Filho. Como posso ficar livre daquilo?”
Deixem-me mostrar o segredo deles. E, ao mostrar o segredo deles, deixem-me mostrar o seu segredo e o meu. Que Deus grave isso de modo indelével em nosso coração.
É a interpretação. É a última parte do sonho.
O processo pelo qual Ele tratou com o reino do homem no sonho é a maneira como trata com o reino do homem na história, é a maneira como trata com o reino do homem na história da redenção, é a maneira como trata com o reino do homem em sua vida e na minha.
Que Deus nos ajude a enxergar isso.
Esse princípio será verdadeiro no futuro, quando a pedra viva vier do céu, no fim, atingir os pés de todos os reinos desta terra, e eles vierem abaixo. Então Seu reino crescerá e se tornará uma montanha que encherá a terra. Isso será verdade um dia, no futuro.
Esse princípio estava em ação e era verdadeiro no passado, há dois mil anos, quando a pedra viva desceu do céu.
Vocês não acham que, na cruz, a pedra viva atingiu os pés dos reinos deste mundo e do reino do homem? Ah, certamente atingiu.
E o reino dos céus — o reino de Deus — foi estabelecido na terra, está crescendo e encherá toda a terra.
O que será verdadeiro no futuro e o que foi verdadeiro no passado é verdadeiro agora mesmo.
Quando a pedra viva entrou pela primeira vez em seu coração — você se lembra daquele dia? —, quando você aceitou o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.
Nós oramos: “Venha o Teu reino”. Ele diz: “Que vá embora o seu reino”. Ele entra em sua vida.
Não foi isso que aconteceu quando você foi salvo? Ele entrou em seu coração, e aquela pequena pedra atingiu os pés daquela imagem do homem, e ela começou a vir abaixo.
Você nasceu de novo, e aquela pequena pedra começou a crescer e a encher seu coração. Que figura gloriosa!
Você percebe que, toda vez que estuda este Livro sob a orientação do Espírito Santo e Deus faz Cristo raiar sobre você, quando você vê o Senhor, Ele vem como a pedra viva para sua vida?
Toda vez que Ele vem, vem para atingir os pés do reino do homem. Toda vez que Ele vem, vem para crescer e preencher toda a paisagem do seu coração.
Vejam novamente, por favor, Daniel 2:34-35:
Continuaste olhando até que uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos; ela atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os despedaçou.
Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados ao mesmo tempo e se tornaram como a palha das eiras no verão; e o vento os levou, de modo que não se encontrou vestígio algum deles.
Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra.
Jesus Cristo é eternamente o mesmo. Na prática, isso significa que tudo o que Ele será um dia, Ele já é agora.
Você diz: “Um dia Ele será Rei dos reis”. Ele já é agora. “Um dia Ele será Senhor dos senhores.” Ele já é agora.
Tudo o que Ele já foi, Ele é agora; e tudo o que Ele será um dia, Ele é agora.
Essa interpretação no final do sonho de Daniel revela o segredo. E, mais uma vez, para aqueles que gostam de conexão lógica, deixem-me apresentar os três últimos pontos. Aqui estão eles.
Foi assim que Deus fez naquela ocasião. É assim que Ele sempre faz.
Antes de mencionar os três pontos, deixem-me dizer: espero que vocês já tenham avançado o suficiente para perceber que não podem disputar uma queda de braço com esse monstro. Vocês não podem dar conta do reino do homem.
Somente a pedra viva pode derrubar as pernas dessa coisa tremenda.
Este é o primeiro ponto: Cristo, a pedra viva, deve ser Quem atinge o fundamento do reino do homem.
Se Ele não tratar com isso, não estará tratado. Se Ele não o atingir, não terá sido atingido.
Estamos constantemente cortando as ervas daninhas na superfície e tratando das coisas num nível que não alcança o fundamento. Quando você vê Cristo no Livro, Ele entra como uma pedra viva e toca o fundamento de tudo isso.
Enquanto Cristo não tratar com sua visão limitada, ela não estará tratada. Enquanto Cristo não subjugar suas paixões, elas não estarão subjugadas. Enquanto Cristo não domar sua língua, ela não estará domada.
Enquanto Cristo não produzir em você um espírito perdoador, você não terá um espírito perdoador. Cristo precisa tratar com isso. Cristo precisa entrar.
Sabem, quando o Senhor Jesus começa a Se revelar na Palavra, não são apenas bênçãos. Você diz: “Ah, que maravilha, que revelação de Cristo!” Toda vez que Ele entra, o reino do homem vem abaixo, e isso faz uma grande bagunça.
Sabem, o 11 de setembro ficará para sempre em nossa memória. Até o dia em que morrermos, nunca conseguiremos tirar da mente aquela visão, aquela imagem, aquela devastação quando as Torres Gêmeas vieram abaixo — os escombros, os destroços, a nuvem de poeira, a morte.
E eram apenas dois edifícios. Estamos falando dos reinos da terra.
Cristo entra e, quando Ele entra, nós dizemos: “Ele não está fazendo nada. Minha vida está uma bagunça”. É a bagunça de Deus.
Essa poeira em seus olhos — não diga que é a poeira de Satanás. É a poeira de Deus. Ele está trabalhando. Está derrubando aquilo.
Gosto muito do que a Bíblia diz sobre a purificação do templo. Ele purificou o templo como meus filhos costumavam limpar o quarto.
Quando tudo terminou, as mesas estavam viradas, os animais correndo de um lado para outro, os pássaros voando, moedas por toda parte. “Limpamos o quarto.” Foi assim que Ele purificou o templo.
Quando Cristo entra, é Ele Quem vai mudar sua vida — ninguém mais. Não tente mudar sua vida.
Suplique, peça, clame para ver a pedra viva. Essa é sua única esperança. A pedra viva entra e trata com aquilo; caso contrário, aquilo não estará tratado.
Segundo ponto: amo Daniel 2:35. O texto diz que o vento veio e levou tudo embora, de modo que não se encontrou vestígio algum.
Em termos espirituais, em que vocês pensam quando pensam no vento? Digam: no Espírito Santo.
Jesus derruba, e o Espírito Santo leva embora. Se Jesus não derrubar, não cai. E, se o Espírito Santo não levar embora, não desaparece.
Esse é o segredo para que Deus trate com esse reino do homem. É Cristo Quem entra como uma pedra viva. É o Espírito Santo Quem o remove.
Tantos cristãos vivem em tamanha escravidão por causa de seu passado. Pecaram no passado, e o pecado continua agarrado a eles.
Quando compreenderem que Cristo realmente tratou com isso, então o Espírito Santo o levará embora.
Terceira figura: então a pequena pedra cresceu e começou a encher a terra. Ele substitui tudo por Si mesmo. Ele cresce — a Pessoa — e toma o lugar de tudo o que foi derrubado.
Irmãos e irmãs em Cristo, essa é a simplicidade da vida cristã.
Eu vejo Jesus. Ele atinge o fundamento do reino do homem. O Espírito Santo o leva embora, e Cristo começa a crescer.
E depois? Eu vejo Jesus. Ele entra e atinge o reino do homem, que cai; o Espírito Santo o leva embora, e Ele cresce.
E depois? Eu vejo Jesus.
Esse é o processo. Essa é a vida cristã. Essa é sua simplicidade. Isso é vitória.
Quanto mais você vê o Senhor, mais Ele cresce, e as outras coisas simplesmente são levadas embora.
Colossenses 1:13 diz:
Ele nos transferiu do domínio das trevas para o reino do Seu querido Filho.
E como Ele faz isso? A resposta é: por meio da pedra viva.
Ah, irmãos e irmãs em Cristo, vocês que lutam tanto — e eu também já cantei nesse hinário; sei bem o que é isso —, que lutam contra esse monstro terrível.
Disponham o coração para conhecer o Senhor. Busquem o Senhor. Vão atrás do Senhor. Temos ouvido isso a semana inteira: é Jesus.
Ele entrará. Tratará com isso. Ele transformará você, levará tudo aquilo embora e preencherá toda a paisagem de sua vida.
Esse é o Seu coração. Esse é o Seu plano. Nada menos que isso é a vida cristã. Ah, que Deus opere isso em nós.
Vamos orar.
Nosso Pai, nós Te agradecemos muito por Tua preciosa Palavra. E, como já oramos antes, oramos novamente: não aquilo que pensamos que ela possa significar, mas tudo o que Tu a inspiraste a significar. Opera em nosso coração.
Obrigado, Senhor, pela vitória que podemos ter enquanto Tu andas conosco antes do fogo, durante o fogo e depois do fogo, simplesmente permitindo que a pedra viva faça Sua obra.
Aquilo que farás na história, faze na história do nosso coração. Pedimos em nome de Jesus. Amém.