Por favor, abram comigo a carta aos Colossenses, no final do capítulo 1. Vou ler a partir de Colossenses 1:12.
Dando graças ao Pai, Que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;
Que nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor;
Em Quem temos a redenção, o perdão dos nossos pecados:
O Qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.
Porque Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele;
E Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem.
E Ele é a cabeça do corpo, a igreja; Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas tenha a preeminência.
Porque foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude;
E, por meio Dele, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz; por meio Dele, digo, tanto as coisas sobre a terra como as coisas nos céus.
E a vós, que outrora éreis alienados e inimigos no entendimento, pelas vossas obras malignas,
Agora, porém, Ele vos reconciliou no corpo da Sua carne, mediante a morte, para vos apresentar santos, sem mácula e irrepreensíveis perante Ele.
Gostaria de acrescentar a essa leitura uma passagem do último livro da Bíblia, Apocalipse 5. Não temos tempo para ler os capítulos 4 e 5, por isso vou ler apenas a partir de Apocalipse 5:1.
E vi na mão direita Daquele Que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.
E vi um anjo forte, proclamando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?
E ninguém no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.
E eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem de olhar para ele.
E um dos anciãos me diz: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
E vi, no meio do trono, dos quatro seres viventes e dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, tendo sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.
E Ele veio e tomou o livro da mão direita Daquele Que estava assentado sobre o trono.
E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
E cantam um cântico novo, dizendo: Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos: porque foste morto e, com o Teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação;
E os fizeste reino e sacerdotes para o nosso Deus; e eles reinam sobre a terra.
E vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era de miríades de miríades e milhares de milhares;
Dizendo com grande voz: Digno é o Cordeiro Que foi morto de receber o poder, as riquezas, a sabedoria, a força, a honra, a glória e a bênção.
E ouvi toda criatura que está no céu, sobre a terra, debaixo da terra e no mar, e todas as coisas que neles há, dizendo: Àquele Que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam a bênção, a honra, a glória e o domínio pelos séculos dos séculos.
E os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.
Apenas uma breve oração.
Amado Senhor, estamos aqui nesta noite, em Tua presença. Temos consciência de que estamos reunidos em torno de Ti, Senhor. E, querido Senhor, queremos simplesmente reconhecer que Tu fizeste uma provisão para nós nesta noite: para a exposição da Tua Palavra, para a tradução da Tua Palavra e para que a ouçamos.
Firmamo-nos nessa provisão pela fé. Manifesta o Teu poder em toda a nossa fraqueza, Senhor. Concede que, de alguma forma, este tempo seja um encontro Contigo; que a Palavra de Cristo venha a habitar ricamente em nós, em toda a sabedoria.
Ó Senhor, precisamos de Ti. Estamos vivendo dias extraordinários. Podemos nos tornar quase imunes à agitação, ao tumulto e ao barulho ao nosso redor. Ó Senhor, pedimos que Tu, pelo Teu Espírito, nos desafies. Desperta-nos, Senhor. Torna-nos atentos e vivos para Ti.
Pelo Teu Espírito, ó Senhor, leva-nos a uma nova posição Contigo, nós Te pedimos. E teremos o cuidado, querido Senhor, de Te dar todo o louvor e toda a glória por responder a esta oração. Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Minha responsabilidade dentro do tema destes dias é tratar do propósito eterno de Deus conforme visto em Cristo, particularmente em relação à carta aos Colossenses.
Eu disse, na última ocasião em que falei, que não existe propósito eterno à parte de Cristo. Deus não está lidando com uma porção de coisas. Ele está agindo em uma Pessoa e por meio Dela. Esse propósito eterno Dele está centrado em nosso Senhor Jesus.
Não há salvação à parte Dele. Não há novo nascimento à parte Dele. Não há vida cristã à parte Dele. Não há crescimento à parte Dele. Não há plenitude à parte Dele. Não há consumação à parte Dele. Não há esperança da glória à parte do Senhor Jesus. Não há igreja sem o Senhor Jesus. Não há noiva sem o Senhor Jesus.
Deus nos deu tudo de Si mesmo no Senhor Jesus, e nada fora do Senhor Jesus. Podemos construir organizações e instituições cristãs; podemos chamá-las de igrejas; podemos fazer mil e uma coisas. A própria cristandade é um monumento a isso. Mas não é necessariamente a obra do Espírito Santo.
A obra do Espírito Santo sempre começa com o Senhor Jesus e sempre termina com o Senhor Jesus. O início é por meio Dele, a entrada é por meio Dele, o poder para prosseguir está Nele, e a consumação é por meio Dele.
Essa é, basicamente, a mensagem da carta do apóstolo Paulo aos Colossenses. Na última vez, falei de Cristo como o herdeiro de todas as coisas, o primogênito de toda a criação. O primogênito é sempre o herdeiro. Quando se fala do primogênito de toda a criação, tudo o que foi criado foi criado por meio do Senhor Jesus e para o Senhor Jesus.
Ainda mais extraordinário é que a afirmação começa assim, em Colossenses 1:16:
Nele foram criadas todas as coisas.
Agora, pensem nisso. Nele foram criadas todas as coisas. A passagem fala das coisas nos céus e das coisas sobre a terra, das coisas visíveis e das coisas invisíveis. Tudo foi criado Nele. É maravilhoso simplesmente considerar isso por um momento.
Tronos, dominações, principados, potestades — todos foram criados Nele. Tudo o que existe foi criado por meio Dele e para Ele. Ele é o herdeiro de todas as coisas. Ele é antes de todas as coisas. E Nele todas as coisas subsistem. É simplesmente tremendo quando vocês enxergam dessa maneira.
Depois, a passagem diz que Ele é a cabeça da igreja, o princípio, o primogênito dentre os mortos. Algo aconteceu com toda aquela criação natural, e algo aconteceu com o homem tal como foi originalmente criado. Mas o Senhor Jesus é o primogênito dentre os mortos. Ele é a cabeça de um novo homem, como ouvimos nesta manhã.
Um novo começo — um novo começo. O Senhor Jesus é, mais uma vez, o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. É maravilhoso quando vocês começam a enxergar assim. Cada filho de Deus aqui neste lugar, nesta noite, cada um de vocês que nasceu do Espírito de Deus, está nesse novo começo. Vocês estão nesse novo homem. Vocês fazem parte dessa nova criação.
Bem, que o Senhor me ajude. Estou me sentindo extremamente desconexo nesta noite, mas quero falar do Senhor Jesus de três maneiras: o propósito eterno de Deus conforme visto Nele.
Primeiro, Cristo como o segredo de Deus — o segredo de Deus. Em segundo lugar, Cristo como a imagem do Deus invisível. Depois, o Senhor Jesus como Redentor, Reconciliador e Herdeiro. Não sei se chegaremos até lá, mas, pela graça de Deus, vamos confiar no Senhor para tudo isso. Só espero não fazer vocês dormirem.
Cristo: o segredo de Deus. Essa palavra, mistério, aparece três ou quatro vezes na carta aos Colossenses. Vocês a encontram em Colossenses 2:2-3:
Para que os seus corações sejam consolados, estando unidos em amor, e alcancem todas as riquezas da plena certeza do entendimento, para conhecerem o mistério de Deus, a saber, Cristo;
Em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.
Não é maravilhoso? Essas expressões são tão grandiosas. Há quase um universo em cada expressão — espiritualmente, um universo em cada expressão.
Em Colossenses 1:25-27, Paulo fala do mistério:
Da qual fui constituído ministro, segundo a dispensação de Deus que me foi dada para convosco, a fim de cumprir a palavra de Deus;
O mistério que esteve oculto por séculos e gerações: mas agora foi manifestado aos Seus santos;
Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória.
Ou, ainda, em Colossenses 4:3:
Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra uma porta para a palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou preso.
Essa palavra, mistério, no grego, no original, significa simplesmente segredo. Não se trata de algo insondável, algo além de nós, algo absolutamente impossível de entender. É um segredo que nos é revelado.
Paulo tomou emprestada essa palavra, mistério, de algo comum na cultura helênica, ou grega. Havia cultos de mistério. Era preciso ser membro desses cultos. Era preciso ser um iniciado. Era preciso ter sido iniciado no culto, e então se tinha o direito de conhecer os segredos.
Era algo estranho. Estava por todo o mundo helênico. O apóstolo tomou isso e — ouçam-me com atenção —, para a igreja, para o crente, para os redimidos, o que ele estava dizendo era o seguinte: se você nasceu de Deus, tem um direito concedido por Deus de compreender o mistério — os segredos.
Há vários segredos. Há o mistério de Cristo; Ele reúne quase tudo em Si mesmo. Há o mistério de Israel, que, para muitas pessoas, é um completo segredo. Estou falando de crentes cristãos. A confusão em torno de Israel é inacreditável. As pessoas têm as ideias mais estranhas sobre Israel. Ou tudo acabou e não há mais nada a tratar, ou tudo só acontecerá no milênio, ou qualquer outra coisa. Mas é um segredo, e somente o Espírito Santo pode revelá-lo.
Há o mistério da iniquidade, que agora estamos começando a testemunhar por nós mesmos. Ao nosso redor, na sociedade humana, na sociedade mundial, estamos vendo algo. Não se trata de banditismo propriamente dito. Não é apenas terrorismo. É viver e produzir uma sociedade que está fora da lei revelada de Deus. É contrário ao que Deus revelou como princípios para o viver e para a vida.
Mas não devo me demorar nessas coisas. Quero falar do segredo de Deus, a saber, Cristo. Ele é o segredo de Deus.
Pensem, por exemplo, no mistério da encarnação. Alguém consegue compreender a encarnação? É algo que a pessoa mais inteligente do mundo não pode compreender apenas pela inteligência.
O segredo de Deus é ocultado aos sábios e entendidos — isto é, aos sábios e entendidos segundo os critérios humanos — e revelado aos pequeninos. Você nasceu de novo?
Não é que Deus esteja dizendo: “Você é tolo? É tão tolo que nem consegue falar? Só consegue chorar; ainda nem consegue articular palavras. Então posso revelar coisas a você”. Não acho que seja isso que significa.
Ele disse: “Aos pequeninos e às crianças de peito”: aqueles que são tão pequenos que dependem de outros; aqueles que são tão pequenos que ainda não têm conceitos formados. A esses, Deus revela os Seus segredos.
Aos sábios — aos Einsteins deste mundo — o segredo de Deus é ocultado. Aos Freuds deste mundo, os segredos de Deus são ocultados. Para todas as grandes inteligências do mundo — Darwin, Karl Marx, Mao Tsé-tung —, isso é absurdo. Não lhes é revelado. Eles não conseguem compreender. Não conseguem penetrar nisso. Não conseguem, de alguma maneira, chegar a saber do que se trata.
Mas, para o mais simples filho de Deus, nascido do Espírito Santo, a encarnação é uma realidade. Não creio que seja possível aprisionar isso numa fórmula. Falamos da Trindade. É uma palavra que, de fato, não aparece na Palavra. Creio na Trindade, mas prefiro falar da triunidade. Essa também não aparece na Palavra. O fato está na Palavra, não a palavra em si.
Mas tudo o que sei é isto: vocês não podem reduzir o Senhor Jesus a um mero ser humano. Ele era um ser humano, mas vocês não podem reduzi-Lo a isso. Como seria possível que todas as coisas fossem criadas Nele, se Ele é um ser humano? Como seria possível que as coisas visíveis e invisíveis, as coisas nos céus e sobre a terra, fossem criadas Nele? Como podem todas as coisas subsistir Nele, se Ele é um mero homem?
Aqui vocês têm um mistério. Aqui vocês têm um segredo. Não acho que minha pequena mente jamais o compreenderá — nem em um milhão de anos, na eternidade, nos séculos vindouros. Mas o que eu sei é que, em Cristo, encontro Deus.
Em 1 Timóteo 3:16, fala-se do mistério da piedade. É um segredo. Como Deus concebeu o Senhor Jesus? Como Deus Se tornou um bebê, tão indefeso quanto um bebê nos braços de um ser humano? Como é possível que Deus tenha sido levado de um lugar para outro como um bebê?
Ele suspendeu a Sua divindade? Era puramente homem, para só depois Se tornar Deus? Isso seria tão absurdo quanto muitas das outras teorias. O fato é que vocês têm um mistério. Têm um segredo que a inteligência humana não consegue compreender. Mas, quando somos filhos de Deus, encontramos Deus no Senhor Jesus.
Eu poderia continuar indefinidamente. Não quero tirar nada do que cabe a Dana ou ao padre Stephen, nem lhes dar mais trabalho, mas, quando penso em Romanos 16:25, quase no último versículo, ele fala do evangelho segundo o mistério.
Eu costumava pensar, toda vez que pregava o evangelho: “Sou tão tolo”. Aqui estou eu pregando o evangelho, e sei muito bem que, para aqueles que ouvem, isso é uma tolice. Estou falando de Deus vindo a este mundo, nascendo de uma mulher e morrendo na cruz. Essas pessoas à minha frente olham para mim como quem diz: “Você tem inteligência? Está tentando nos dizer algo assim, como algum mito grego, que os deuses desceram até nós”.
Mas é pela loucura da pregação que Deus salva homens e mulheres. Não é assim? Às vezes vocês pensam: “Bem, precisamos tentar ser mais inteligentes”. No entanto, quanto mais tentamos ser inteligentes ao pregar o evangelho, menos pessoas são salvas.
Lembro-me muito bem de um acadêmico conhecido que foi a uma reunião na Halford House, quando tínhamos ali quatro missionários do Congo. Esses missionários eram as pessoas mais simples que vocês já viram. Um deles era negro; três eram brancos. Os missionários brancos eram muito mais simples do que o irmão negro.
Nunca me esqueci deles cantando “Conta as Bênçãos” em algum dialeto do Congo. Enquanto um deles martelava o piano, passavam de um tom para outro, e para outro, e para outro. Pensei comigo: “Ó Deus, de todas as reuniões a que esse acadêmico ateu poderia vir, ele veio justamente a esta”.
Passei o tempo todo tenso por dentro, pensando naquele ateu, naquele acadêmico, e no que ele estaria pensando. “Que bando de malucos neste lugar.”
Depois, aquele homem veio até mim, com lágrimas escorrendo pelo rosto, e disse: “Esta é a primeira vez que vejo algo real no cristianismo”.
Lembro-me daquele irmão maravilhoso, Harry Shaw — Kenneth Harry Shaw, de Monotoke —, que depois veio à Halford House. Ele era professor de Cambridge e estudioso do grego clássico. Lembro-me de como ele foi salvo.
Ele foi com o padre Harrison, quando os dois eram jovens estudantes em Cambridge. O padre Harrison o levou a uma reunião porque um dos ministros cristãos mais eruditos iria pregar. Mas ele não pregou; estava doente. O homem que o substituiu foi W. P. Nicholson.
Bem, isso não significa nada para vocês, mas W. P. Nicholson era irlandês. Era o pregador mais engraçado que vocês poderiam ouvir. Ele não conseguia evitar. Era conhecido em toda a Grã-Bretanha como um dos pregadores mais engraçados.
O irmão Harrison me disse: “Sentei-me ao lado de Harry Shaw e pensei: ‘Ó meu Deus, o que foi que eu fiz? Agora ele está condenado ao inferno. Nunca, jamais, virá’”. No entanto, Harry Shaw foi salvo naquele dia, em meio a todas as risadas e à pregação do evangelho. Ele foi salvo.
É maravilhoso, o mistério do evangelho. Contudo, para o mais simples filho de Deus, o evangelho é o som mais doce da terra. Significa vida. Significa salvação.
Tudo o que eu realmente queria dizer era isto: você e eu nunca conseguiremos, com esse nosso cérebro, compreender algumas dessas coisas. Mas, em nosso espírito, tocamos Deus no Senhor Jesus. Entramos na Sua salvação. Experimentamos o que é nascer de novo. Experimentamos o que é crescer no Senhor.
Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai Nele.
— Colossenses 2:6
É o mesmo processo. Vocês O viram. Responderam em fé. Receberam-No. Agora, cada novo passo no caminho cristão — na vida, no progresso e no crescimento de vocês — acontece quando veem o Senhor de maneira renovada e respondem a Ele em fé. Então percebem que avançaram.
Depois, penso na igreja. Não vou falar muito sobre isso, porque nosso irmão já está tratando desse assunto. Mas tudo o que quero dizer é isto: que confusão fizemos da igreja, porque nunca a enxergamos. Ela é um segredo.
Consideramos a igreja como algo da antiga aliança que pode ser montado e estabelecido com toda a sua organização. A igreja tem, sim, uma organização, mas é um tipo diferente de organização. A organização vem de dentro da vida. Vocês entendem?
Assim como o corpo de vocês tem uma organização — uma organização incrível; no momento, a minha está falhando —, normalmente esses nossos corpos têm uma organização incrível. Sempre uso esta ilustração: seu corpo diz: “Você está ficando quente demais”, então você transpira. Não li um livro que dissesse: “Agora transpire quando ficar quente demais”.
Há algo dentro — uma organização incorporada, tão complexa, tão sensível, tão precisa em seu controle termostático. Quando você sente frio, começa a tremer; você gera calor. É um controle termostático incorporado ao seu corpo.
Há mil e uma outras coisas sobre as quais poderíamos falar. Seu corpo é uma organização incrível. Assim também é a igreja quando é um organismo vivo, nascido de Deus.
É por isso que Stephen disse que a igreja precisa nascer. Ela precisa nascer de Deus. Quando a igreja nasce de Deus, vocês têm nela um organismo, e dentro do organismo têm uma organização que se expande e se contrai conforme a necessidade.
Mas, quando vocês montam a coisa toda, ela fica sobrecarregada na cúpula. Então se torna uma instituição e acaba matando a vida espiritual dentro dela. É um segredo.
Cristo em vocês. Cristo em mim.
Pessoalmente, uso a American Standard Version de 1901. Não é estranho eu usar uma American Standard Version em vez da English Revised? Na verdade, a American Standard Version é melhor do que a English Revised; preciso dizer isso logo. Mas estou falando de muitos anos atrás: 1881, a English Revised; 1901, a American Standard Version.
Não sou de modo algum contra as versões modernas. Mas uma das coisas lamentáveis nas versões modernas é que, em inglês, vocês não conseguem distinguir quando you é plural e quando é pessoal e individual.
Na versão antiga, se fosse individual, seria assim, em Colossenses 1:27:
Qual é este mistério entre os gentios, que é Cristo em ti, a esperança da glória?
Mas não é isso que diz. Diz:
Cristo em vós.
Porque isso está no plural. Cristo em você, e em você, e em você, e em você — Cristo em cada um de nós. Essa é a esperança da glória.
A glória de Deus é grande demais para que um único ser humano possa contê-la ou expressá-la. São necessários todos os santos juntos.
Depois, pensem também em Colossenses 2:19:
Retendo a Cabeça.
Oh, minha nossa, aqui está um segredo. Isso faz parte do segredo: Cristo habitando em nós, e Cristo como a Cabeça.
Nosso Senhor Jesus, no corpo em que esteve aqui nesta terra e no qual voltará, está à direita da Majestade nas alturas. Como pode Ele habitar em você e em mim, a não ser pelo Espírito? É um segredo que só pode ser revelado.
Existe todo um tipo de cristianismo que é pessoal e puramente objetivo. “Ele está à direita de Deus, e esse é meu Salvador e meu Redentor, mas Ele não fala comigo. Tenho o Livro e preciso estudar o Livro, mas ele nunca se torna vivo para mim. Isso seria entrar no misticismo.”
Mas, se Cristo habita em você, certamente Ele falará com você. Que coisa estranha: o Senhor Jesus está em você, e você nunca O ouve tornando Sua Palavra real para você, aplicando Sua Palavra à sua vida. Se Ele está em você, e com os olhos do seu coração você nunca O vê, isso seria muito incomum — muito estranho. Contudo, para o filho de Deus, esse é um direito concedido por Deus.
Em Colossenses 2:19, fala-se dos problemas que eles tinham em Colossos, na igreja em Colossos, e então se diz:
E não retendo a Cabeça, da Qual todo o corpo, suprido e unido por meio das juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
É muito interessante que, sempre que alguma dificuldade atinge uma assembleia ou uma comunidade, a primeira coisa que todos tentamos fazer é nos agarrar uns aos outros. Então nos metemos em dificuldades. Na verdade, quando o erro chega e todos tentamos nos agarrar uns aos outros, lentamente todos nos afastamos do centro.
A única maneira de descobrir o corpo é apegar-se firmemente à Cabeça. Quando vocês se apegam firmemente à Cabeça, descobrem o corpo. E o corpo cresce com o crescimento de Deus.
Que segredo é esse — esse mistério! Vocês não acham? Eu acho.
A única esperança certa da glória que você tem é Cristo em você. Portanto, quanto mais houver Dele em você, mais glória haverá. Tão simples. Quanto menos de Cristo em você e quanto mais de você mesmo, menos glória. Muito simples, não é?
Depois, penso neste universo. Talvez aqui vejamos isso com mais clareza. Considerem o universo inteiro. Não desprezem o universo.
A Bíblia, desde os primeiros capítulos de Gênesis até os últimos de Apocalipse, enfatiza o fato de que Deus é o Criador dos céus e da terra e de tudo o que neles há. Não pensem, nem por um momento, que Deus vai jogar fora este universo. Mesmo quando tudo for renovado pelo fogo, haverá novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.
O mais extraordinário é que todo este universo foi criado por meio do Senhor Jesus e para Ele. Mais ainda: foi criado Nele. O que isso significa?
Quando Colossenses 1:17 diz:
Nele todas as coisas subsistem.
É como se Ele fosse a energia fundamental do todo. Einstein nunca descobriu isso. As maiores mentes científicas não descobriram isso. No entanto, esse é um segredo que o mais simples filho de Deus pode compreender pelo Espírito de Deus.
O mistério de Deus. Quando falamos de Cristo como o segredo de Deus, Ele é a chave que abre tudo. Vocês entenderam? Aqui está a chave que abre tudo.
Ele desvenda os segredos do universo. Ele desvenda o propósito do universo. Ele desvenda o destino do universo. Ele esclarece a queda do homem, o propósito original de Deus para o homem e, depois, a queda do homem. Ele é a chave que abre a redenção e a salvação do homem. Ele é a chave que abre a glorificação final do homem em Cristo, em união com Ele.
Ele é a chave de tudo. É a chave da igreja, a chave do crescimento da igreja, a chave da consumação da igreja. É a chave da noiva e de tudo o que diz respeito à noiva. Ele é a chave.
Bem, não sei se isso é demais para a maioria de vocês nesta noite, mas esse é meu primeiro ponto.
O propósito eterno de Deus conforme visto em Cristo: Ele é o segredo de Deus. Não há outra maneira de vocês compreenderem o universo, tudo o que nele existe, o homem, o propósito original de Deus, a redenção do homem e a reconciliação de todas as coisas com Ele.
Amo essa expressão. No grego, em Colossenses 1:20, é:
Reconciliar Consigo mesmo todas as coisas.
Extraordinário.
Agora, gostaria de falar por algum tempo sobre Cristo, a imagem do Deus invisível. Vocês encontram isso em Colossenses 1:15:
Cristo, o Qual é a imagem do Deus invisível.
Abram também em Hebreus 1:2-3:
Deus, havendo nestes últimos dias nos falado no Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez os mundos;
O Qual, sendo o resplendor da Sua glória e a imagem exata da Sua substância, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, havendo feito a purificação dos pecados, assentou-Se à direita da Majestade nas alturas.
Essa expressão, “imagem do Deus invisível” — antes de tudo, vocês precisam compreender que Deus é, por Sua própria natureza, invisível. Acho que todos vocês sabem disso. Isso é mencionado muitas vezes na Palavra.
Deus habita em luz inacessível. Isso significa que você e eu, se nos aproximássemos Dele por nós mesmos, seríamos consumidos — como se fôssemos eletrocutados. Não há nenhuma maneira de você e eu nos aproximarmos de Deus por nós mesmos.
E há outra coisa: Deus é incognoscível. Não há como sua pequena mente finita e minha pequena mente finita compreendê-Lo. Não sei quanto a vocês, mas, quando se trata de Deus, penso em mim mesmo como alguém com um cérebro do tamanho de uma ervilha.
Como é que eu vou compreender Deus? Deus não tem começo nem fim. Cada pessoa que conheço tem um começo e um fim. Todos vocês tiveram um começo, e todos terão um fim. Isso faz parte da vida, não é? Tudo tem um começo e tudo tem um fim.
É impossível compreendermos Alguém Que nunca precisou começar, Que sempre esteve ali. Vocês perguntam: “De onde Ele veio?”. Bem, essa é a questão. Ele sempre esteve ali. Vocês não conseguem sondar isso. Não conseguem assimilar. Sem começo, sem fim, infinito, incriado, habitando em luz inacessível.
Para nós, seres humanos — mesmo que não fôssemos pecadores, mesmo que não tivéssemos caído —, Deus é incognoscível e incompreensível. Nossas pequenas mentes não poderiam assimilar isso.
João 1:18:
Ninguém jamais viu a Deus.
Mas isso não está apenas ali; está por toda a Palavra.
Se vocês conhecem suas Bíblias, certamente um de vocês vai perguntar: “Com Quem Adão conversava no jardim?”. Se Deus é inacessível, incognoscível, incompreensível, inteiramente além disso, Quem andava no jardim?
Quando Ele falava, Adão, antes de pecar, não se escondia. Quem falou com Adão e Eva? Quem falou com Abraão quando, em Atos 7:2, lemos:
O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão.
Quem lutou com Jacó quando ele disse, em Gênesis 32:30:
Vi a Deus face a face, e a minha vida foi preservada.
Quem falou com Moisés quando ele disse, em Êxodo 33:18:
Senhor, mostra-me a Tua glória.
O Senhor disse, em Êxodo 33:22-23:
Esconder-te-ei na fenda da rocha.
Ver-Me-ás pelas costas, mas não a Minha face.
Quem era?
Quem Isaías viu, alto e sublime, Cuja cauda das vestes enchia o templo? Se ninguém jamais viu a Deus, se Deus habita em luz inacessível, Quem é Esse que, muito antes do nascimento do Senhor Jesus, tantos santos da antiga aliança de fato viram?
É notável o que aconteceu com Abraão em certa ocasião: o Senhor veio com dois anjos, e Sara lhes preparou uma refeição. Curiosamente, não era uma refeição kosher como a entenderíamos. Ela serviu leite e carne juntos.
O Senhor disse, em Gênesis 18:10:
Por este tempo, certamente tua mulher dará à luz um filho.
Sara estava na tenda preparando a refeição, atrás da aba da entrada, e riu. O Senhor perguntou: “Por que você riu?”. Imediatamente Sara disse: “Eu não ri”.
Sempre acho essa uma das histórias mais engraçadas da Bíblia, porque tudo aconteceu através de uma aba fechada da tenda. O Senhor estava dizendo: “Você riu, Sara. Por que riu?”. Ela não abriu a tenda e disse: “Sinto muito”. Simplesmente disse: “Eu não ri”. Então o Senhor disse através da aba da tenda: “Quando seu filho nascer, você o chamará de riso — Yitzhak, riso”.
Quem era?
O extraordinário é que o Senhor Jesus é chamado de imagem do Deus invisível. A palavra imagem é difícil para nós, porque imediatamente pensamos em ídolos ou ícones. Mas a palavra significa, na verdade, impressão ou marca impressa.
Tenho um anel aqui. Se eu tirasse este anel, que tem um emblema de família, e o pressionasse sobre a cera, haveria uma imagem. Isso talvez não ajude muito vocês, mas significa que o Senhor Jesus é a impressão exata da substância de Deus.
Sei que parece quase impossível, quase blasfemo dizer isso, mas é o que o autor de Hebreus diz: a própria impressão exata, a marca exata, da substância de Deus.
Em outras palavras, quando vocês veem o Senhor Jesus, pela primeira vez podem conhecer o incognoscível. Podem compreender o incompreensível. Pela primeira vez, veem Deus — se posso dizer assim — com um rosto humano. Veem Alguém com Quem podem se relacionar e, de repente, começam a compreender Quem Deus é.
O Senhor Jesus: a imagem do Deus invisível. O que estou dizendo faz algum sentido para vocês nesta noite, ou estão tirando uma soneca aí atrás?
A impressão da substância de Deus. Que afirmação extraordinária.
Deixem-me levá-los um passo adiante, se me permitem. O Senhor Jesus é chamado pelo apóstolo João de “o Verbo”.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
— João 1:1
Agora, ouçam. Ele diz:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós.
— João 1:14
Essa palavra traduzida como Verbo — Logos — traz toda a ideia de algo verbalizado, articulado. Deixem-me colocar de outra maneira: se penso, mas não falo, vocês não fazem ideia do que está acontecendo aqui dentro. Se sinto, mas não expresso nada, vocês não fazem ideia do que está acontecendo aqui dentro.
Jesus é a mente e o coração de Deus revelados. Pela primeira vez, vocês compreendem o que está na mente de Deus, porque isso é verbalizado. É o pensamento de Deus em expressão — Seu pensamento expresso de uma maneira que você e eu podemos compreender. É Seu coração expresso de uma maneira que você e eu podemos compreender. A Palavra de Deus.
É maravilhoso pensar nisso, considerar isso. O propósito eterno de Deus é visto em Cristo. Como vocês poderiam algum dia — nem em um milhão de anos de estudo — compreender Quem Deus é e o que é correto, fora do Senhor Jesus ou à parte Dele?
O Senhor Jesus é a impressão de Deus, a marca de Deus. Ele é o Verbo. É a mente e o coração de Deus expressos em carne e sangue. Acreditem ou não, é em carne e sangue que essa mente e esse coração de Deus nos são revelados.
Agora vemos como Deus é. Nós O vemos tocar um leproso. Desde o momento em que a lepra atingiu aquele homem, ninguém o tocou — nem sua mãe, nem sua esposa, nem seus filhos. Ninguém o tocou até Jesus tocá-lo. É assim que Deus é.
Nós os vemos trazendo uma mulher apanhada no próprio ato de adultério — algo tão repugnante, em certo sentido, que pessoas religiosas tenham feito isso. Mas eles a apanharam no próprio ato. Sem dúvida, ficaram esperando. Sabiam o que estava acontecendo com ela e com quem quer que fosse. Esperaram, depois a arrastaram e a lançaram na presença de Jesus.
Disseram: “A lei diz que esta mulher deve ser apedrejada. Somos testemunhas; nós a apanhamos no próprio ato de adultério”. Jesus Se abaixou. Aquela era a própria Palavra que Deus havia dado, os próprios mandamentos que Deus havia estabelecido. Ele Se abaixou e, com o dedo, escreveu na areia.
Uma das perguntas que quero fazer quando chegar à glória é: o que Ele escreveu na areia? Não sabemos. Mas Ele escreveu na areia e depois disse:
Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.
— João 8:7
Eles saíram, começando pelo mais velho, porque ele tinha mais pecado. No fim, Jesus Se voltou para ela e perguntou: “Não há ninguém aqui para condená-la?”. Ela respondeu: “Ninguém”. E Ele disse, em João 8:11:
Vai e não peques mais.
É assim que Deus é.
Quando Jesus foi ao casamento em Caná da Galileia, Sua mãe veio até Ele em pânico. Não sei se eram parentes ou amigos próximos, nem por que Sua mãe estava tão envolvida, mas estava.
Como toda mãe, ela Lhe disse: “Você sabe que o vinho está acabando?”. Não sei o que aconteceu com eles — uma tremenda falta de planejamento. Jesus disse aos homens: “Vão e tirem daquelas grandes talhas. Está tudo bem”. E transformou a água em vinho.
É exatamente isso que Jesus faz com toda vida humana pecaminosa e corruptível, com sua terrível tendência de dar errado o tempo todo. Jesus a transforma em vinho.
Sei que algumas pessoas ficam muito incomodadas com isso. Acham que o Senhor Jesus deve ter sido louco ao transformar água em vinho; teria sido muito melhor se tivesse transformado vinho em água. Já ouvi isso muitas vezes.
Sempre me lembro da senhora que se aproximou de um pregador que havia pregado sobre isso e disse: “Não acho que o senhor deveria ter pregado sobre isso, porque está levando as pessoas para o mau caminho”. Ele respondeu: “Mas, minha querida irmã, Jesus realmente transformou a água em vinho”. “Bem”, ela disse, “eu O teria em maior consideração se Ele não tivesse feito isso”.
Esse é o problema do preconceito e da intolerância. Por que Jesus transformou água em vinho? Porque é exatamente isso que Ele faz com você e comigo. Ele transforma o corruptível em incorruptível, o mortal em imortal.
Ele toma sua vida e minha vida, tão propensas a sair dos trilhos, e coloca dentro delas um poder fora do comum, quase sobrenatural, para nos manter no caminho. Quando nos desviamos, Ele nos traz de volta, vez após vez. É maravilhoso, não é? É assim que Deus é.
Agora vocês começam a compreender Quem Deus é. Pela primeira vez, enxergam o coração de Deus. Pela primeira vez, enxergam a mente de Deus.
Quando Jesus disse, em João 15:1:
Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.
Talvez essa tenha sido a afirmação mais difícil de todas. Já era bastante difícil quando Ele disse, em João 6:48, 58:
Eu sou o pão da vida.
Quem de Mim se alimenta viverá para sempre.
Isso deve ter sido inacreditável para as pessoas.
Seria mais fácil dizer, como em João 14:6:
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ou dizer, como em João 10:7:
Eu sou a porta das ovelhas.
Mas, quando Ele chegou a dizer, em João 15:1:
Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.
Essa deve ter sido a mais difícil de todas as coisas que Ele disse.
Todos sabiam que a videira era uma figura do povo da aliança de Deus. O que Ele quis dizer ao afirmar: “Eu sou o povo da aliança de Deus”? Parece impossível, mas Ele explicou:
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podeis, se não permanecerdes em Mim.
— João 15:4
Jesus não disse: “Eu sou o tronco e vocês são os ramos”. Ele disse: “Eu sou a videira”. Isso é tudo. De alguma maneira, vocês estão em Mim. Tornaram-se parte, por assim dizer, do que Eu sou. Aqui está a igreja novamente. É extraordinário — tão maravilhoso.
Poderíamos passar a noite inteira, até amanhã de manhã, falando do Senhor Jesus como a imagem do Deus invisível. Invisível é invisível: vocês não podem ver, não podem apreender com estes olhos. Mas Jesus é a impressão, a marca, do Deus invisível.
O que era invisível se torna visível no Senhor Jesus. Isso passa pelo prisma da Sua vida, do Seu caráter e da Sua natureza. Agora começamos a ver o coração e a mente de Deus.
É de admirar que o autor de Hebreus tenha falado do Senhor Jesus, em Hebreus 1:3, como:
O resplendor da Sua glória.
A palavra usada ali na versão inglesa é antiga. A antiga Authorized Version diz “o brilho da Sua glória”. Significa simplesmente a manifestação radiante da luz.
Jesus é a manifestação radiante da glória de Deus. É por isso que João expressou assim:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai.
— João 1:14
Em 2 Coríntios 4:6, lemos:
Porque Deus, Que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para dar a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.
Nenhum ser humano poderia compreender a glória de Deus, mas, na face de Jesus Cristo, recebemos a luz do conhecimento, a iluminação do conhecimento.
É de admirar que o apóstolo diga, em 2 Coríntios 3:18:
Ao contemplarmos, como em um espelho, a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória.
O Senhor Jesus, sendo a imagem do Deus invisível, é o resplendor da glória de Deus — a manifestação radiante da glória de Deus.
Vocês foram chamados para isso. É de admirar que Paulo diga, pelo Espírito de Deus, em Colossenses 1:27:
Cristo em vós, a esperança da glória.
Não uma esperança vaga, mas a esperança certa da glória. Cristo está em você? Você pode dizer, pela graça de Deus: “Cristo está em mim. Ele habita em mim”?
Se você pode dizer isso, a presença Dele em você é a esperança certa da glória.
Bem, preciso terminar. Caso contrário, como sempre, o relógio nos vence. Em apenas alguns minutos, quero considerar, por fim, Cristo como Redentor e Reconciliador.
É muito bom falar de todo o universo criado Nele e subsistindo Nele, de que Ele era antes de todas as coisas e de que tudo o que foi criado foi criado por meio Dele e para Ele. Mas vejam o que aconteceu. O homem caiu. Quando o homem caiu, algo atravessou todo o universo.
O extraordinário no propósito eterno de Deus é isto — ouçam com atenção: Ele não produz uma igreja para ser um fim em si mesma. A igreja, com o Senhor Jesus, deve avançar pelos séculos e entrar no cumprimento de todo o propósito de Deus.
Mas não sabemos qual é esse propósito. Sinceramente, não sabemos. Fazem-nos todo tipo de pergunta. Vamos nos vestir? Que tipo de roupa usaremos? Vamos comer? Os chineses, especialmente, sempre me perguntam isso. Vamos comer nos séculos vindouros? Vamos reconhecer uns aos outros?
Qual será a relação entre marido e mulher nos séculos vindouros, já que o casamento dura somente até que a morte nos separe? Haverá alguma relação especial? O que vai acontecer? Não sabemos. Podemos conjecturar certas coisas. O Senhor Jesus comeu peixe depois de ter aquele corpo de ressurreição. Ele disse algumas coisas, mas isso nos informa muito? Sinceramente, penso apenas nisto.
Deus tinha um propósito para este universo. Esse propósito foi interrompido e paralisado pela queda do homem. Quando o pecado entrou neste mundo, todo o propósito de Deus para a criação natural foi paralisado, quase colocado numa prateleira. Ela foi sujeita a um ciclo interminável de futilidade e corrupção, que continua, e continua, e continua.
Várias religiões orientais se baseiam nisso: a roda — o budismo, o xintoísmo, o hinduísmo. Todas se apoiam nessa ideia de que o mundo é uma roda que continua girando; tudo o que foi será, e assim voltamos, e voltamos, e voltamos. Mas isso é a queda. Não era o que Deus pretendia originalmente.
Em Apocalipse 21:5, Jesus diz do trono:
Eis que faço novas todas as coisas.
Depois, em Apocalipse 21:6, diz:
Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim.
Ao falar de algo inteiramente novo, Ele vai habitar no meio para sempre — não visitar, não abençoar, não usar, mas habitar para sempre.
Finalmente, vemos a glória de Deus chegando, como disse o profeta em Habacuque 2:14:
A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.
O maravilhoso é que tudo está centrado no Senhor Jesus. Ele é o Redentor — Aquele Que, mediante o pagamento de um resgate, recupera para o proprietário original o que foi perdido. Não apenas você e eu, mas toda a criação natural.
Penso comigo: “Vocês querem me dizer que Deus, ao criar este universo, esgotou tudo o que poderia fazer?”. Minha nossa, se ao menos pudéssemos compreender Deus — se pudéssemos compreender Seu coração e Sua mente. Ele esperou todos esses anos para dar continuidade à obra.
Não sabemos qual é a obra. Não sabemos se Ele criará novos universos e novos planetas, ou o que fará. Mas posso dizer uma coisa: não será entediante.
Conheço o Senhor há mais de cinquenta anos e nunca achei o Senhor entediante. Sinto tanta pena dos jovens. Eles me dizem: “Acho tudo isso tão entediante”. Sim, sim, sim — vocês acham o povo de Deus entediante. Algumas pessoas do povo de Deus são terrivelmente entediantes, porque nos tornamos mornos, apáticos e acomodados na prosperidade, e ficamos sentados sem fazer nada.
Preguiçosos de sofá, mas salvos. É uma coisa triste. Não é de admirar que às vezes as pessoas fiquem entediadas e digam: “Ah, é tão entediante”. Então pensam no céu: “Nenhuma emoção. Nada. Vamos cantar para sempre, e sempre, e sempre, e sempre”.
Nem sequer sabemos se vamos comer. Isso, pelo menos, seria um intervalo entre os cânticos. Poderíamos nos reunir para uma refeição, um banquete ou dois, e depois voltar a cantar.
Quando a adoração é maravilhosa, quando vocês estão realmente absorvidos na adoração, é quase como se o tempo parasse e vocês entrassem na eternidade. Não há dúvida de que adoraremos o Senhor. Não há dúvida de que estaremos absortos em admiração, amor e louvor. Não há dúvida de que até o relato de toda a antiga história será maravilhoso.
É isso que quero ouvir: a história inteira, desde o começo, recontada nos salões da glória — como tudo aconteceu, quem esteve envolvido, como as pessoas oraram, os nomes de que nunca ouvimos falar, mas que são conhecidos por Deus.
O padre Stephen disse que o livro de Atos é um livro em aberto. Bem, quero ouvir o restante — não a versão da história de alguma igreja. Quero ouvi-la do próprio Senhor, contando a história inteira desde o começo e chamando as diferentes testemunhas: “Agora venha e conte aqui sua pequena parte da história”. Não poderão exagerar, porque Ele estará ali. Contarão exatamente como aconteceu.
Não será maravilhoso? Pensem só — emocionante. Acho que será. Mas há muito mais do que isso. Nem sequer sabemos o que o Senhor vai fazer.
Tudo o que Ele queria era um casamento. Queria um povo para Seu Filho, para ser um com Seu Filho e ter sido preparado para reinar com Ele. Estamos falando, por assim dizer, com a linguagem e as figuras da escola dominical.
Mas sobre o que vão reinar? O que vão fazer? O que haverá nos séculos vindouros? Tudo o que sabemos é que essas coisas maravilhosas, além da nossa imaginação, estão reservadas pelo nosso Pai celestial e pelo nosso Salvador e Noivo celestial.
Não pode ser entediante. Se seres humanos conseguem fazer espetáculos de fogos de artifício tão empolgantes no dia 4 de julho e em outras ocasiões, vocês conseguem imaginar o que o Senhor fará? Essas coisas não serão nada em comparação com o que o Senhor fará.
Meus queridos amigos, é por isso que li aquele capítulo maravilhoso de Apocalipse. É Colossenses 1 novamente, só que em forma de visão.
João viu um trono e, ao redor do trono, um arco-íris semelhante à esmeralda. Depois, viu quatro seres viventes, representando, creio eu — como o irmão Sparks sempre dizia, e creio que ele tinha razão —, a criação natural; e os vinte e quatro anciãos representando o governo da redenção nas duas alianças.
Ele viu, na mão Daquele Que estava assentado no trono, um rolo com sete selos. Sabia exatamente o que era. Era um testamento, uma disposição testamentária, uma herança. Tudo tinha a ver com herança — com a condição de herdeiro, se preferirem.
A voz de um anjo poderoso disse: “Quem é digno de tomar este testamento, este rolo, esta disposição testamentária e abrir os selos?”. Houve silêncio absoluto.
Os quatro seres viventes, que estavam em movimento contínuo, pararam. Os vinte e quatro anciãos ficaram em pé. Nem um som.
Uma ou duas vezes, estive em situações em que milhares de pessoas, por algum motivo, pararam de repente. Lembro-me de, muitos anos atrás, quando era jovem, estar numa grande apresentação aérea. Um dos amigos mais próximos de minha mãe era o piloto-chefe de testes da de Havilland.
Lembro-me do avião dele fazendo suas voltas. Havia trinta e cinco mil pessoas assistindo. Quando passou diante de nós — até hoje tenho isso gravado na memória —, perdeu sustentação. De repente, empinou e tombou para trás. Os dois motores se soltaram lentamente, quase em câmera lenta. Não se ouvia um som — nem um som. Era como se tudo tivesse ficado paralisado.
Foi somente quando ele caiu no chão e vimos os dois pilotos caírem para fora, e depois vimos os dois motores vindo em nossa direção, que as pessoas começaram a correr de repente.
Silêncio absoluto. João caiu em prantos, porque compreendia que tudo aquilo dizia respeito ao cumprimento da vontade de Deus para o universo e para o homem.
Então veio um ancião — um dos vinte e quatro; não sei qual — e disse: “Não chore, João. Veja”, como lemos em Apocalipse 5:5:
O Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu.
João procurou esse Leão e, em vez disso, viu um Cordeiro — um pequeno Cordeiro no meio do trono. Para seu espanto, esse pequeno Cordeiro estava como se tivesse sido morto.
Esse Cordeiro, como se tivesse sido morto, tomou o rolo da mão Daquele Que estava assentado no trono. Naturalmente, começou a romper os selos.
Então toda aquela grande assembleia irrompeu em louvor. Que cântico.
Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos: porque foste morto e, com o Teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação;
E os fizeste reino e sacerdotes para o nosso Deus; e eles reinam sobre a terra.
— Apocalipse 5:9-10
O ato de tomar o rolo na visão, o rompimento dos selos, conduz por todo o livro de Apocalipse: por serpentes, dragões, martírio, bestas, falsos profetas e mil e uma outras coisas; grandes impérios mundiais e tudo o mais, até chegarmos ao fim.
Então temos a cidade de Deus descendo do céu, tendo a glória de Deus. Foi o Cordeiro. Ninguém mais poderia ter feito isso — nem Abraão, nem Isaque, nem Jacó, nem Moisés, nem Elias, nem Isaías. Ninguém. Somente o Senhor Jesus.
Ele tomou o rolo e, naquele momento, o propósito de Deus para o universo estava assegurado. Estava nas mãos do único Que poderia cumprir essa vontade de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, não vale a pena pertencer ao Senhor Jesus? Stephen falará sobre a igreja, e Dana falará sobre o crente e o propósito eterno. Mas, quanto ao que diz respeito tanto à igreja quanto ao crente, tudo o que quero que vocês vejam é isto: não haveria igreja nem crente se não fosse por aquele pequeno Cordeiro.
Que imagem incrível: um Leão. Um leão é uma criatura magnífica. Pessoalmente, gosto ainda mais do tigre, mas nunca houve tigres em Israel; havia apenas leões. Havia muitos leões, embora tenham desaparecido no século XVI.
Que criatura magnífica é o leão — um leão macho com uma grande juba, o modo como fica ali, sacode a cabeça, joga a cabeça para trás e ruge. O Leão da tribo de Judá. Eu amo isso.
O Senhor Jesus não é uma pessoa pequena e sem firmeza. Ele é um Leão. Enfrentou os poderes das trevas, enfrentou Satanás, enfrentou todo o mundo caído, enfrentou um mundo infestado de demônios e venceu todos eles em Sua morte na cruz. Isso é um Leão.
Mas era um pequeno Cordeiro. Nada poderia ser mais diferente. Cordeiros e ovelhas não rugem. Na minha casa de campo, estão por toda parte ao meu redor. Eles me deixam louco — os sinos tocando o tempo todo. Mas cordeiros não rugem. São pequenas criaturas. São criaturas dóceis.
Nunca entendi as ovelhas. Elas enfiam a cabeça na traseira da que está à frente, e então todas caminham juntas encosta abaixo. É extraordinário. Eu poderia contar muitas, muitas coisas sobre ovelhas.
Isso nem sequer era uma ovelha. Era um pequeno Cordeiro. Ouço os cordeirinhos balirem o tempo todo. Não é o grande rugido de um leão.
Mas há algo tão extraordinário aqui. Jesus é tanto o Leão quanto o Cordeiro. Ele é, ao mesmo tempo, o Rei e o sacrifício.
Ele toma o testamento, a vontade de Deus, e diz: “Eu romperei os selos”. Você e eu estamos incluídos no rompimento dos selos. Graças a Deus, isso está nas mãos Daquele Que é absolutamente digno.
Digno de ser entronizado. Esse é seu Salvador. Esse é seu Redentor. Esse é seu Noivo celestial. Esse é o Senhor Jesus.
Vamos orar?