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    Travail For The Church © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Travail For The Church
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    Kaung, Stephen

    A Igreja no Propósito Eterno de Deus

    Por favor, abram na carta aos Efésios. Efésios 1:9-10:

    Havendo-nos dado a conhecer o mistério da Sua vontade,
    segundo o Seu beneplácito, que propôs em Si mesmo,
    para a administração da plenitude dos tempos,
    de fazer convergir todas as coisas no Cristo,
    as coisas nos céus e as coisas sobre a terra.

    Agora, Efésios 3:8-12:

    A mim, menor que o menor de todos os santos, foi dada esta graça,
    de anunciar entre as nações as boas-novas das insondáveis riquezas do Cristo,
    e de iluminar a todos com o conhecimento da administração do mistério oculto ao longo dos séculos em Deus,
    que criou todas as coisas;
    para que agora, aos principados e às autoridades nas regiões celestiais,
    seja dada a conhecer, por meio da igreja, a multiforme sabedoria de Deus,
    segundo o propósito dos séculos, que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor,
    em Quem temos ousadia e acesso com confiança, pela fé Nele.

    Vamos orar mais uma vez.

    Querido Senhor, estamos felizes por estar em Tua presença. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu tens a palavra da vida. Temos crido em Ti, e não há ninguém mais a quem possamos recorrer, senão a Ti.

    Nosso coração realmente se alegra, sabendo que Tu és por nós; e, se Tu és por nós, quem poderá ser contra nós? Nós Te louvamos e Te agradecemos porque, ao nos achegarmos a Ti, sabemos e cremos que Tu falarás conosco.

    Fala, Senhor; os Teus servos ouvem. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    As Três Dimensões do Propósito Eterno de Deus

    Todos nós sabemos que o tema desta conferência é o propósito eterno de Deus. Vamos examinar esse assunto sob três perspectivas diferentes.

    Primeiro, veremos o propósito eterno de Deus conforme revelado em Cristo Jesus. A carta aos Colossenses será a base, e nosso irmão Lance já começou a tratar desse assunto ontem à noite.

    Depois, veremos o propósito eterno de Deus conforme revelado na igreja. A carta aos Efésios será a base, e essa será a minha responsabilidade.

    Então, veremos o propósito eterno de Deus conforme revelado nos cristãos. O livro de Romanos será a base, e nosso irmão Dana falará em breve.

    O propósito eterno de Deus pode ser visto em três dimensões diferentes: Cristo, a igreja e o cristão. Contudo, todas elas são uma só.

    Cristo como o Mistério de Deus

    Lemos em Efésios 1:9-10 que Deus nos deu a conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito.

    Em outras palavras, antes mesmo da fundação do mundo, Deus exerceu Sua própria vontade segundo aquilo que Lhe agradava, e estabeleceu um propósito em Si mesmo.

    Esse propósito deve se cumprir na plenitude dos tempos. Sabemos que esse propósito é que, um dia, todas as coisas sejam reunidas sob uma só Cabeça, em Cristo Jesus — as coisas nos céus e as coisas sobre a terra.

    Aqui vemos o mistério de Deus. Deus tem um segredo, e o segredo de Deus é uma Pessoa: Seu Filho amado.

    Sabem, se vocês olharem para dentro do coração de Deus, o que verão ali? No coração de Deus, vocês veem apenas uma Pessoa. É o Seu Filho amado.

    Seu Filho é a Sua plenitude. Seu Filho é o mistério de Deus.

    Ninguém jamais viu a Deus; Aquele que está no seio do Pai, Ele O revelou.

    Dizemos que Deus é o maior mistério de todo o universo. A menos que Ele Se revele, ninguém pode conhecê-Lo.

    Mas louvamos e agradecemos a Deus porque Ele realmente Se revela em Seu Filho. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:

    Se vós Me vedes, vedes Meu Pai.

    Ele é o mistério de Deus. Ele é o que esteve oculto no coração de Deus desde a fundação do mundo, e Ele é Aquele que revela o Pai — que revela o segredo do Pai.

    Nosso irmão já começou a nos mostrar como Cristo é o mistério de Deus e como Ele é o Herdeiro de todas as coisas. Um dia, tudo será reunido em Cristo Jesus.

    Ele será Cabeça sobre todas as coisas. Tudo estará debaixo de Seus pés, e tudo manifestará Cristo Jesus. Esse é o propósito eterno de Deus, e como é importante que O conheçamos!

    A Igreja em Cristo Jesus

    Mas, quando vocês abrem em Efésios 3:9-11, encontram o seguinte:

    E de iluminar a todos com o conhecimento da administração do mistério oculto ao longo dos séculos em Deus, que criou todas as coisas;
    para que agora, aos principados e às autoridades nas regiões celestiais, seja dada a conhecer, por meio da igreja, a multiforme sabedoria de Deus,
    segundo o propósito dos séculos, que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.

    Quando vocês comparam Efésios 1:9-10 com Efésios 3:9-11, encontram muitos pontos de semelhança.

    Vocês encontram o propósito de Deus. Encontram que ele existia antes da fundação do mundo. Encontram a administração da plenitude dos tempos. Encontram o conselho de Deus e a atuação de Deus para realizar aquilo que Ele propôs.

    No entanto, há uma diferença. No primeiro caso, vocês encontram que Deus propôs em Si mesmo. Em outras palavras, Deus exerceu Sua livre vontade e estabeleceu um propósito. Foi um propósito estabelecido em Si mesmo.

    Quanto a esse propósito, ele diz respeito ao Seu Filho amado. Esse é o propósito.

    Mas, no segundo caso, quando vocês chegam a Efésios 3, encontram novamente que Deus estabeleceu um propósito, e isso aconteceu antes da fundação do mundo. Mas o texto diz que Ele o estabeleceu em Cristo Jesus.

    Primeiro, Ele propôs em Si mesmo, e isso dizia respeito ao Seu Filho. Depois, Ele propôs em Cristo Jesus. O que Ele propôs em Cristo Jesus, antes mesmo da fundação do mundo? Vocês descobrem que é a igreja.

    Antes de o tempo começar, Deus propôs em Cristo Jesus que haveria uma igreja. Nessa igreja, Ele derramaria toda a Sua graça.

    Por meio dessa igreja, Ele ensinaria até mesmo aos principados e às autoridades nas regiões celestiais a multiforme sabedoria de Deus.

    Irmãos e irmãs, a igreja é o propósito de Deus em Cristo Jesus. Ou podemos dizer de outra maneira: a igreja é aquilo que Deus propôs para Cristo Jesus.

    Por meio da igreja, Ele derramará toda a Sua sabedoria, de modo que até mesmo os principados e as autoridades nas regiões celestiais vejam Sua multiforme sabedoria.

    Em outras palavras, o testemunho da igreja não se dirige apenas a este mundo, mas também ao mundo invisível. Isso é o que Deus propôs em Cristo Jesus.

    O Mistério de Cristo e o Mistério da Igreja

    A carta aos Efésios está centrada no mistério do Cristo. Quando vocês leem Colossenses 2:2-3, encontram o pleno conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo Jesus.

    Se queremos conhecer o mistério de Deus, se queremos ter algum conhecimento do segredo de Deus, ele está em Cristo Jesus.

    Mas, em Efésios, vocês encontram Paulo dizendo:

    Pela leitura, podeis conhecer como compreendo o mistério do Cristo,
    que esteve oculto ao longo dos séculos, mas agora foi revelado aos apóstolos e profetas.

    O que foi revelado é a igreja. Portanto, a carta aos Efésios trata da igreja.

    Mas, irmãos e irmãs, antes de tratarmos desse assunto da igreja no propósito eterno de Deus, precisamos nos lembrar de que a igreja não é o centro de todas as coisas. Cristo é o centro.

    Sem Cristo, não haveria igreja. A igreja tem sua origem em Cristo Jesus. Cristo é a Cabeça; a igreja é o Corpo.

    Cristo está em primeiro plano; a igreja fica ao fundo. Nunca podemos exaltar a igreja acima de Cristo.

    Se vocês olharem para dentro do coração de Deus, verão apenas Cristo Jesus, Seu Filho amado — nada mais. Se me permitem dizer assim, se não fosse por causa de Cristo, vocês não poderiam ver a igreja no coração de Deus. Não poderiam ver você e eu no coração de Deus.

    A razão pela qual estamos agora no coração de Deus é que estamos em Cristo Jesus. A rigor, no coração de Deus vocês veem apenas Cristo. Ele é tudo para Deus.

    Como nosso irmão já mencionou, toda a plenitude da Divindade habita Nele. Ele é a plenitude de Deus. Ele é o mistério de Deus. Ele é a manifestação, a revelação do segredo de Deus. Esse é o nosso Senhor Jesus.

    Mas, graças a Deus, quando vocês olham para dentro do coração de Cristo Jesus, veem a igreja. Ele amou a igreja e Se entregou por ela.

    No coração de Cristo, vocês veem a igreja. Ele amou tanto a igreja que desceu do céu.

    Ele Se esvaziou da glória e da honra que Lhe pertenciam por direito como Deus, o Filho de Deus, igual a Deus. Contudo, Ele Se esvaziou de toda a Sua honra, glória e posição.

    Ele tomou sobre Si a forma de um escravo, a própria condição de homem. Nasceu numa manjedoura em Belém por amor à igreja.

    Por amor à igreja, Ele cresceu em Nazaré, oculto durante trinta anos. Por amor à igreja, Ele Se manifestou e pregou o evangelho do reino.

    Por amor à igreja, Ele foi à cruz e morreu pela igreja.

    Portanto, irmãos e irmãs, embora precisemos nos lembrar de que não podemos dar mais ênfase à igreja do que ao próprio Cristo, vemos, ainda assim, como a igreja é a amada do nosso Senhor.

    Por isso, irmãos e irmãs, não podemos negligenciar a igreja. Se nosso Senhor Jesus ama tanto a igreja, poderíamos nós amá-la menos?

    A Igreja como Expressão Corporativa de Cristo

    Por que a igreja é o mistério do Cristo? Vocês se lembram de que, em 1 Coríntios 12:12, o apóstolo Paulo diz:

    Há um só corpo, mas muitos membros;
    muitos membros, mas um só corpo.
    Assim também é o Cristo.

    Provavelmente, quando vocês leram esse versículo pela primeira vez, a primeira reação foi pensar que havia um erro ali. O corpo é um só, com muitos membros. Os membros são muitos, mas há apenas um corpo. Bem, isso é a igreja. Assim também é a igreja.

    Mas o Espírito Santo não comete erros. Na verdade, Ele nos dá a interpretação correta. A Bíblia deixa isso muito claro:

    Assim também é o Cristo.

    Por quê? Porque a igreja nada mais é do que a expressão corporativa do próprio Cristo. Ela não é nada menos do que isso, nem qualquer outra coisa.

    Creio, irmãos e irmãs, que todos nós sabemos que o prédio na esquina da praça da cidade não é a igreja.

    Embora todos nós tenhamos o hábito de dizer: “Olhe para a esquina da praça da cidade, e talvez você veja mais de uma igreja”, referindo-nos a grandes edifícios. Dizemos: “Vamos à igreja”, querendo dizer que vamos àquele prédio para adorar o Senhor.

    Mas creio, irmãos e irmãs, que todos nós sabemos que a igreja não é feita de tijolos, pedra, madeira ou qualquer outro material. Isso não é a igreja. É apenas um edifício físico.

    Ele pode ser usado para a igreja se reunir, mas não é a igreja.

    Às vezes, as pessoas dizem: “Deixei meu guarda-chuva na igreja”. Ora, vocês nunca podem deixar o guarda-chuva na igreja. Podem deixar o guarda-chuva num prédio onde a igreja se reúne. Portanto, sabemos que isso não é a igreja.

    Então, o que é a igreja? Dizemos que a igreja é ekklesia — os chamados para fora, reunidos.

    Mateus 18:20:

    Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome,
    ali estou Eu no meio deles.

    Isso é a igreja.

    A igreja não é o mundo. A igreja são as pessoas que Deus chamou para fora de cada nação, cada tribo, cada língua, cada povo.

    Deus chama um povo para fora e o reúne para Si mesmo — sob Seu nome, sob Sua autoridade, sob Sua liderança como Cabeça.

    Quando há dois ou três reunidos sob a autoridade de Cristo, Sua presença está ali. Dizemos: “Isso é a igreja”.

    Mas isso é a igreja? Por que, quando o povo de Deus, aqueles que foram chamados para fora do mundo e reunidos sob o nome de Cristo, está junto, há tantas brigas entre eles? Isso pode ser a igreja?

    Somente Cristo como a Realidade da Igreja

    Há muitos anos, tive o privilégio de servir junto com o querido T. Austin-Sparks. Sei que o irmão Sparks tinha uma mente tão voltada para as coisas espirituais que, se alguém mencionasse qualquer coisa terrena, isso o incomodava.

    Quando estávamos ministrando juntos, tentei explicar às pessoas o que é a igreja. Então me voltei para o irmão Sparks e disse: “Você vai ter de me perdoar, porque vou usar uma fórmula”.

    Ora, nas coisas espirituais não pode haver fórmula. Mesmo assim, senti que, para tornar isso claro, usaria uma fórmula.

    Suponhamos que, bem no início, houvesse apenas três cristãos — chamados para fora — e que esses três fossem Pedro, João e Tiago. Vocês não poderiam encontrar uma reunião melhor do que a dessas três pessoas.

    Então, o que é a igreja? A igreja é Pedro mais João mais Tiago? Isso é a igreja? Não, é claro que não.

    Pedro em seu eu natural, João e Tiago em seus eus naturais, não podem ser a igreja. Eles precisavam ser chamados para fora.

    Então poderíamos dizer: “O que é a igreja? A igreja é Cristo em Pedro, mais Cristo em João, mais Cristo em Tiago, igual à igreja”. Ah, entenderam agora? Não.

    Por quê? Porque Pedro era uma pessoa que queria ser o cabeça. João e Tiago não eram mais mansos do que Pedro.

    Mesmo no último momento, quando nosso Senhor estava indo para Jerusalém, todos os discípulos ainda disputavam entre si, como haviam feito durante todos aqueles anos, para saber quem era o maior. Agora era a última oportunidade.

    João e Tiago foram muito espertos. Conseguiram que a mãe deles fosse ao Senhor, e a palavra da mãe tinha certo peso. A mãe levou os dois filhos ao Senhor e disse: “Senhor, queremos Te pedir uma coisa. Promete que a concederás”.

    Acho que provavelmente eles estavam envergonhados demais para dizer o que era. Ali estava um cheque em branco: “Assina”.

    Mas nosso Senhor Jesus nunca assinou um cheque em branco. Então o Senhor perguntou: “O que vocês querem? Digam”.

    “Ah, meus dois filhos: um à Tua direita e outro à Tua esquerda.”

    O Senhor disse:

    Podeis beber o cálice que Eu vou beber,
    e ser batizados com o batismo com que Eu vou ser batizado?

    Eles disseram: “Podemos”, mas não sabiam o que isso envolvia.

    O Senhor disse:

    Vós o fareis.
    Mas assentar-vos à Minha direita e à Minha esquerda não Me compete conceder;
    compete ao Pai concedê-lo.

    Os outros dez ficaram indignados. Por quê? Porque os dois haviam passado à frente deles.

    Se vocês colocassem Pedro, João e Tiago juntos, como eles brigariam! Talvez dois contra um. Isso não é a igreja. A igreja deveria ser caracterizada pela paz.

    Irmãos e irmãs, é por isso que você e eu, todos nós, somos a igreja — e brigamos uns com os outros. Não há paz, não há unidade. Onde está Cristo?

    Então eu disse: “O que é a igreja? A igreja é Cristo em Pedro menos Pedro, mais Cristo em João menos João, mais Cristo em Tiago menos Tiago, igual à igreja”. Agora vocês entenderam.

    Essa é a razão pela qual está escrito:

    Assim também é o Cristo.

    Em outras palavras, a igreja nada mais é do que a expressão corporativa de Cristo.

    Você e eu precisamos ser eliminados pela operação da cruz em nossa vida, para que o que reste seja somente o próprio Cristo.

    É a Sua expressão corporativa. Nessa expressão, Ele expressa a Si mesmo — a plenitude de Cristo.

    A igreja é o Corpo de Cristo,
    a plenitude Daquele que enche tudo em todos.

    Ele enche você, Ele me enche, Ele enche tudo e habita em todos nós. Somente Cristo. Tudo o que não é de Cristo precisa ser eliminado pela cruz antes que vocês entrem na realidade da igreja.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, o que é a igreja? A igreja é o Cristo. O mistério do Cristo é a igreja.

    A Igreja Concebida Antes da Fundação do Mundo

    Quando falamos da igreja, geralmente começamos pelo Pentecostes, porque, no dia de Pentecostes, dois mil anos atrás, o Espírito Santo desceu, e os cento e vinte reunidos naquele cenáculo foram batizados no Espírito em um só Corpo.

    Então dizemos que esse foi o início da igreja. Errado.

    A igreja começou antes da fundação do mundo. Antes mesmo de o mundo existir, Deus já havia proposto em Cristo Jesus que teria uma igreja para Seu Filho.

    Na verdade, vocês descobrem que a igreja foi concebida no coração de Deus antes mesmo de os séculos começarem. Ela tem sua origem em Deus.

    A igreja não é um produto da história. Hoje olhamos para a igreja como um produto da história e, quando escrevemos a história da igreja, nós a vemos sob essa perspectiva.

    Mas precisamos nos lembrar de que a igreja é celestial em sua origem e, portanto, espiritual em sua natureza.

    Ela foi concebida na mente de Deus antes da fundação do mundo. Mas um dia apareceu sobre a terra, e esse foi o dia de Pentecostes.

    Cristo como o Noivo

    Quando vocês examinam o Evangelho segundo João, veem que todo o Evangelho de João procura nos dizer que nosso Senhor Jesus veio a este mundo por uma razão.

    Se vocês leem Lucas, descobrem que Ele veio buscar e salvar o perdido, porque o Evangelho segundo Lucas é o Evangelho da graça.

    Mas, quando leem o Evangelho de João, descobrem a razão pela qual nosso Senhor Jesus veio a este mundo. Sim, Ele veio buscar e salvar o perdido, mas isso vai além de salvar o perdido. Ele veio buscar Sua noiva.

    Esse é o Evangelho de João. Essa é a razão pela qual o primeiro milagre — o primeiro sinal que Ele realizou — aconteceu numa festa de casamento.

    Como o Noivo, Ele veio a este mundo para buscar e encontrar Sua noiva.

    João Batista compreendeu isso, pois disse que era o amigo do Noivo. Quando ouvia a voz do Noivo, ficava feliz. Ele, o Noivo, precisava crescer, e ele, o amigo, precisava diminuir.

    Portanto, o propósito da vinda de nosso Senhor Jesus a este mundo era encontrar Sua noiva.

    Adão e Eva como Tipo de Cristo e da Igreja

    Sabem, foi assim com Adão, como nosso irmão mencionou ontem à noite: Deus trouxe todos os animais diante de Adão. Por que Deus fez isso? Porque Deus sabia que Adão estava sozinho.

    Ele trouxe todos os animais diante de Adão, e Adão deu nomes a todos eles. Mas não conseguiu encontrar alguém que lhe correspondesse.

    Por isso, Deus o fez dormir e tirou algo do seu lado. Ele usou aquilo que saiu de Adão para fazer uma mulher.

    A palavra fazer é uma palavra da arquitetura: construir uma mulher. Vocês se lembram? Adão ergueu os olhos, e Deus trouxe aquela mulher até ele. Adão olhou para ela e disse: “Isso sou eu”.

    Então eles foram unidos. Sabem, isso é apenas um tipo. O cumprimento desse tipo é Cristo e a igreja.

    Em Efésios 5:32, Paulo diz:

    Grande é este mistério;
    digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando Cristo veio a esta terra, Ele estava procurando Sua noiva.

    Mas, em vez de animais passarem diante Dele, vemos toda a humanidade passando diante Dele: os enfermos, os cegos, os coxos, até mesmo os mortos. Ele não conseguia encontrar alguém que Lhe correspondesse. Não conseguia encontrar ninguém que correspondesse ao Seu coração.

    Como o homem havia caído em pecado, não era apto para ser Sua noiva. Por essa razão, Ele precisou ir à cruz. Precisou morrer.

    A Igreja Nascida pelas Dores de Parto de Cristo

    Nosso irmão também mencionou ontem à noite que o soldado veio e constatou que o Senhor já havia morrido. Para se certificar de que Ele realmente havia morrido, traspassou Seu lado com uma lança, e dali saíram água e sangue.

    João estava ali e deu muita ênfase a isso. Ele disse:

    Eu o vi.
    Dou testemunho disso: daquele lado saíram água e sangue.

    Por que ele testemunhou isso com tanta ênfase? Porque o sangue é para a remissão dos nossos pecados, e a água é a Sua vida. Ele nos deu uma nova vida, Sua própria vida.

    Tendo a Si mesmo como material, Ele edificou a igreja. Irmãos e irmãs, isso é a igreja.

    Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele mencionou a igreja apenas duas vezes. Uma delas foi em Mateus 16:18.

    Sabem, quando Ele perguntou aos Seus discípulos:

    Quem dizem os homens que Eu, o Filho do Homem, sou?

    Eles trouxeram ao nosso Senhor todas as boas opiniões. Propositalmente omitiram todas as opiniões ruins, procurando agradar ao Senhor.

    “Ah, Tu és João Batista que voltou à vida. Tu és o profeta. Tu és Jeremias, porque choras muito.”

    Mas o Senhor não ficou satisfeito. O Senhor disse:

    Mas quem dizeis vós que Eu, o Filho do Homem, sou?
    Vós que estais Comigo, vós que deveríeis Me conhecer — quem dizeis que Eu sou?

    Simão Pedro disse:

    Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

    Nosso Senhor Jesus disse:

    Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas,
    porque não foi carne e sangue que te mostraram isso,
    mas Meu Pai, que está nos céus, o revelou a ti.

    E Eu te digo: tu és Pedro, uma pequena pedra, uma pedra viva.
    Edificarei Minha igreja sobre esta grande Rocha — Eu mesmo —,
    e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Essa foi a primeira menção à igreja feita por nosso Senhor. A segunda está em Mateus 18.

    Ele disse:

    Se teu irmão pecar contra ti, vai até ele. Procura restaurá-lo.
    Se ele não te ouvir, leva contigo mais um ou dois irmãos e procura convencê-lo.
    Se ele não ouvir, então dize-o à igreja, e a igreja terá de tratar com ele.

    A partir dessas duas menções, vocês podem ver com muita clareza que, em Mateus 16, Ele nos deu o princípio espiritual da igreja, porque tudo é espiritual.

    Edificarei Minha igreja.

    É Minha igreja, edificada sobre a Rocha — Eu mesmo, essa confissão —, com pedras vivas como Pedro. Haverá conflito espiritual, mas as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Tudo está na esfera espiritual. Essa é a igreja universal.

    Então, em Mateus 18, vocês veem isso concentrado e aplicado de maneira prática na terra. O que acontece onde as igrejas estão? Vocês descobrem que haverá pecados de uns contra os outros.

    É preciso haver perdão. É preciso haver amor. É preciso haver uma tentativa de restauração. É preciso haver disciplina, e é preciso haver oração em conjunto.

    Portanto, irmãos e irmãs, ali vocês encontram a aplicação prática dos princípios espirituais e celestiais.

    Embora nosso Senhor tenha mencionado a igreja apenas duas vezes, por que foi assim? Porque ainda não havia igreja. Ela ainda não estava pronta. Ele precisava morrer pela igreja, e somente depois de Sua morte a igreja poderia se tornar uma realidade.

    Agora vamos ao início da história da igreja na terra. Dizemos que é o Pentecostes, mas, na verdade, quando procuramos o nascimento da igreja, precisamos voltar à cruz.

    Como já mencionamos, foi na cruz que nosso Senhor Jesus sofreu as dores de parto.

    Observamos que nosso Senhor Jesus sabia que Sua hora havia chegado; por isso, decidiu firmemente ir para Jerusalém. Seus discípulos estavam admirados e amedrontados, porque sabiam que os judeus iriam matá-Lo. Mas nosso Senhor decidiu firmemente ir para Jerusalém.

    Vocês se lembram daquela noite, de como Ele agonizou no jardim do Getsêmani. Ele disse:

    Estou triste até a morte.

    Ele estava oprimido em Seu espírito.

    Ele disse aos Seus três discípulos:

    Ficai Comigo.
    Vigiai Comigo.

    Então foi adiante e orou:

    Pai, se for possível, afasta de Mim este cálice;
    contudo, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Irmãos e irmãs, a cena no Getsêmani é tão sagrada. Ali vocês encontram nosso Senhor Jesus, o Santo, Aquele que não conheceu pecado, Aquele que agradava ao Pai desde a eternidade.

    Contudo, ali vocês veem que Ele estava prestes a Se tornar a oferta pelo pecado em nosso favor.

    Não é de admirar que Sua santidade, Sua pureza e Sua justiça se revoltassem contra todo o horror, a maldade e a pecaminosidade do pecado.

    Como poderia Ele ser contaminado — Aquele que não conheceu pecado —, tornando-Se, por assim dizer, o próprio pecado? Ele não podia suportar isso. A tentação era tremenda.

    Ele poderia ter pedido ao Pai que afastasse aquele cálice, se tivesse insistido, mas disse:

    Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Enquanto estava ali, Ele agonizava. Seu suor caía como grandes gotas de sangue. Estava tão enfraquecido fisicamente que um anjo precisou aparecer para sustentá-Lo.

    Irmãos e irmãs, não conseguimos compreender o quanto Ele nos amou, o quanto Se entregou por nós.

    As dores de parto — é por meio das Suas dores de parto que a igreja nasce.

    Vocês se lembram de que, na cruz, durante as primeiras três horas, Ele sofreu nas mãos dos homens, do inimigo Satanás e das forças malignas. Estava cercado pelo mal, visível e invisível. Eles O atacavam, mas o Pai estava com Ele.

    Por isso, Ele podia orar:

    Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.

    Mas então, ao meio-dia, de repente as trevas encheram aquele lugar. Durante três horas, Ele esteve ali sozinho.

    Perto do fim, Ele clamou:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Durante aquelas três horas, Ele provou a morte eterna por cada um de nós, separado do Pai.

    Do trabalho da Sua alma, Ele verá uma descendência,
    e ficará satisfeito.

    Irmãos e irmãs, a igreja não é algo que o homem possa fazer. A igreja precisa nascer, e ela nasce pelas dores de parto do nosso Senhor Jesus.

    Às vezes penso: quando nosso Senhor Jesus clamou “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?”, era Ele o único que estava sofrendo dores de parto? Não. O Pai também estava sofrendo dores de parto.

    O Pai precisou esconder Seu rosto. Ele não podia olhar para Seu Filho. Precisou entregar Seu Filho por nós. Que dores de parto isso deve ter causado ao nosso Pai celestial!

    O Pentecostes e as Dores de Parto do Espírito Santo

    Ah, no dia de Pentecostes, quando os cento e vinte estavam ali, de repente veio um som.

    No original, diz que era como um vento, mas era uma respiração intensa. Sabem, quando uma mulher está em trabalho de parto, ela precisa respirar intensamente.

    Eram as dores de parto do Espírito Santo. O Deus triúno sofreu as dores de parto juntamente para o nascimento da igreja. Portanto, como a igreja deve ser preciosa para Deus!

    Hoje olhamos para a igreja como se ela não fosse nada. Brincamos com a igreja. Mas, se vocês realmente enxergarem o que a igreja é, verão o grande preço que nosso Deus pagou para trazê-la à existência.

    Por isso, irmãos e irmãs, vocês descobrem que, mesmo naqueles primeiros dias, os cento e vinte também sofreram dores de parto com Deus pelo nascimento da igreja.

    Eles viram o Senhor subir ao céu, mas o Senhor disse: “Vão para Jerusalém. Esperem”. Então voltaram para Jerusalém.

    Em certa ocasião, quinhentos viram nosso Senhor Jesus, mas apenas cento e vinte voltaram para Jerusalém. Passaram dez dias ali, sofrendo dores de parto e esperando.

    Por meio das dores de parto daqueles cento e vinte primeiros crentes, a igreja nasceu.

    Onde quer que uma igreja nasça, ela precisa vir por meio de dores de parto, mesmo em nosso tempo.

    É preciso haver pessoas que sofram dores de parto pela igreja, pelo testemunho de Jesus. De sua oração em dores de parto, algo nasce, e isso é a igreja.

    O apóstolo Paulo sabia o que significava sofrer dores de parto, como ele trabalhava arduamente no poder do Espírito Santo.

    Ele estava disposto a completar o que faltava das aflições de Cristo pela igreja, que é o Seu Corpo. Por isso, vocês veem que a igreja em Éfeso nasceu, e igrejas em outros lugares nasceram.

    O mesmo princípio se aplica a nós hoje.

    A Igreja como Auxiliadora de Cristo

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, em primeiro lugar, se Deus ama tanto a igreja, e quanto a você e a mim? Amaremos a igreja da maneira correta?

    Se o próprio Senhor Jesus esteve disposto a sofrer dores de parto pelo nascimento da igreja, não deveríamos nós também ter comunhão com Seus sofrimentos?

    Não deveríamos estar dispostos a sofrer dores de parto, a pagar um preço e a orar, para que a igreja se torne uma realidade — algo que seja Cristo, algo que seja exatamente como Ele, algo que possa ser Sua auxiliadora?

    Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.

    Querido Pai celestial, nós realmente Te agradecemos por nos dares Teu Filho amado. Ele é tudo para nós.

    Senhor, queremos Te agradecer porque estás disposto a dar a Ti mesmo, Tua própria vida, à igreja, para que ela seja Tua vida, Tua auxiliadora.

    Senhor, oro para que Tu não apenas abras nosso entendimento, mas também toques nosso coração, para que amemos aquilo que Tu amas.

    Que estejamos dispostos a sofrer por aquilo pelo qual Tu sofres. A Ti seja a glória. Pedimos em Teu nome cheio de graça. Amém.