Vocês poderiam abrir comigo na carta aos Colossenses?
Colossenses 1. Vou ler a partir de Colossenses 1:12.
Dando graças ao Pai, Que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; Que nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor; Em Quem temos a nossa redenção, o perdão dos nossos pecados; O Qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Porque Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem. E Ele é a cabeça do corpo, a igreja: Ele, Que é o princípio, o primogênito dentre os mortos; para que em todas as coisas tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude; E, por meio Dele, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz; por meio Dele, digo, sejam as coisas sobre a terra, sejam as coisas nos céus. E a vós, que outrora éreis alienados e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora Ele vos reconciliou No corpo da Sua carne, pela morte, para vos apresentar santos, sem mácula e irrepreensíveis perante Ele: Se é que permaneceis na fé, fundamentados e firmes, sem vos afastardes da esperança do evangelho que ouvistes, o qual foi pregado a toda a criação debaixo do céu; do qual eu, Paulo, fui constituído ministro.
Mais uma breve palavra de oração.
Amado Senhor, somos gratos por estarmos reunidos aqui em Tua presença nesta noite. Estamos felizes, Senhor, porque Tu estás aqui para nos receber. Não estamos pedindo que Te juntes a nós; estamos vindo para nos juntar a Ti.
E nós Te louvamos, Senhor, porque fizeste provisão para nós nesta noite — plena provisão. Queremos, pela fé, permanecer nessa graça e nesse poder da unção, tanto para falar a Tua Palavra quanto para traduzir a Tua Palavra e ouvir a Tua Palavra.
Senhor, pelo Teu Espírito, faz deste um momento em que os olhos de muitos de nós sejam abertos. Toca os olhos do nosso coração, Senhor. Dá-nos esse espírito de sabedoria e revelação no conhecimento do nosso Senhor Jesus.
Que os olhos do nosso coração sejam iluminados, para que possamos conhecê-Lo de maneira muito plena e profunda. Ouve-nos, Senhor. Nós nos entregamos a Ti com muito louvor e muita gratidão, em nome do nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Minha responsabilidade nestes encontros é tratar do propósito eterno de Deus conforme o vemos em Cristo. Em particular, vamos tratar desta carta do apóstolo Paulo aos Colossenses.
Preciso dizer, logo de início, que de fato não existe propósito eterno de Deus à parte de Cristo. Essa é a mensagem da carta aos Colossenses.
O propósito eterno de Deus, antes de tudo, não diz respeito a coisas, não diz respeito a experiências, não diz respeito a coisas físicas ou espirituais; antes de tudo, diz respeito a uma Pessoa. E essa Pessoa é o Senhor Jesus.
A igreja em Colossos — não sabemos se a igreja em Laodiceia também estava envolvida — havia, de alguma maneira, se aberto a algumas teorias novas, muito poderosas e intrigantes.
Não sabemos exatamente quais eram essas teorias, a não ser que tinham algo a ver com anjos, principados e potestades, e que Jesus, de alguma forma, havia sido rebaixado. Assim, em vez de ser tudo, Ele era apenas uma figura em um panteão de outras grandes figuras espirituais.
E Paulo, pelo Espírito de Deus, escreveu esta carta para procurar, por assim dizer, trazer os santos de Colossos, e também os de Laodiceia, de volta ao centro.
Não há salvação à parte do Senhor Jesus.
Não há novo nascimento à parte Dele.
Não há vida cristã à parte do Senhor Jesus. A salvação não é uma “coisa”; é uma Pessoa. A vida cristã não é uma coisa; é uma Pessoa.
É vida eterna: a vida de Cristo, pelo Espírito, dentro de um ser humano.
Não há crescimento à parte do Senhor Jesus. Nesta mesma carta, lemos — ele coloca isso de maneira muito simples:
Em Quem temos a nossa redenção, o perdão dos nossos pecados.
Lemos que fomos reconciliados com Deus por meio do Senhor Jesus e Nele. Lemos:
Assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai Nele.
Andar é dar uma série de passos. E, assim como vocês receberam o Senhor Jesus, também, por meio de uma série de passos, vocês avançam; vocês crescem Nele.
Como vocês receberam o Senhor Jesus? Pela fé, mediante a graça. Foi a graça de Deus que os levou ao ponto de receberem o Senhor Jesus. Como vocês crescem? Pela graça, mediante a fé. É exatamente da mesma maneira.
Não se trata apenas de experiências. É algo tremendo de se experimentar, mas pensar no novo nascimento como uma “coisa”, em vez de ser gerado novamente por meio do Senhor Jesus, por meio da ressurreição do Senhor Jesus — há uma grande diferença entre enxergar o novo nascimento como uma experiência, algo em si mesmo, e enxergá-lo como um relacionamento com o Senhor Jesus.
Agora, não sei se vocês estão me acompanhando, mas eu poderia continuar falando sobre isso sem parar. Não há união com Deus à parte do Senhor Jesus. Não existe maneira de um ser humano ser um com Deus à parte do Senhor Jesus.
Não há plenitude à parte do Senhor Jesus.
Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade; E Nele, Nele, sois feitos plenos. Foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude.
Vejam, a mensagem que começa, por assim dizer, a clarear para nós é que tudo o que diz respeito a ser filho de Deus é relacionamento com uma Pessoa. Tem a ver com o Senhor. Essa é a mensagem de Colossenses, e é aqui que começamos a compreender o propósito eterno de Deus conforme o vemos em Cristo.
É Nele que temos um relacionamento com Deus. É por meio Dele que temos um relacionamento com Deus.
Mas deixem-me continuar. Deixem-me levá-los um pouco mais adiante. Não pode haver consumação à parte do Senhor Jesus. Assim como Ele é o Alfa, também é o Ômega. Assim como Ele é o princípio, também é o fim. Ele é o Amém de Deus.
Assim, em cada parte da nossa vida, desde o seu início, desde a sua introdução, até a sua consumação na glória, é o Senhor Jesus a cada passo do caminho.
Todo o plano do inimigo é, de uma maneira ou de outra, nos afastar do Senhor Jesus, colocar uma barreira entre nós e o Senhor Jesus, nos alienar do Senhor Jesus.
Quando começamos a enxergar isso, a vida cristã se torna algo muito empolgante. É um relacionamento com uma Pessoa. É uma questão de sermos vivificados para uma Pessoa, de ouvirmos uma Pessoa, de andarmos nessa Pessoa.
Há muitas outras coisas sobre as quais eu poderia continuar falando, mas não quero me deter demais neste ponto. Contudo, precisamos insistir nele; caso contrário, perdemos toda a lição, todo o sentido e significado da carta de Paulo aos Colossenses.
Não há esperança da glória à parte do Senhor Jesus. A esperança da glória é Cristo em vocês. Ele é a esperança da glória.
Deixem-me continuar. Não há igreja à parte do Senhor Jesus.
Nós fizemos uma enorme confusão com tudo isso que chamamos de igreja. Estabelecemos algo institucional, que se tornou tradicional, que é um sistema.
É absolutamente verdade que existe doutrina, e precisamos ser fiéis à sã doutrina. É absolutamente verdade — e digo isso, creio, sem receio de ser contradito — que não podemos prescindir da teologia, da verdadeira teologia, pois ela é a pura Palavra de Deus. Não podemos prescindir dela.
Mas a ideia de que a igreja é um conjunto de cerimônias, alguns ritos — algo relacionado com água, seja ela aspergida sobre você, seja você de alguma forma imerso nela; ou pão e vinho; ou óleo colocado sobre você; ou sei lá o que mais; mãos impostas sobre você, às vezes por homens não salvos — como se isso fosse a igreja: isso não pode ser a igreja.
O que é a igreja? Se vocês forem à antiga aliança, até certo ponto isso poderia ter sido a igreja, porque tudo dizia respeito a pessoas especiais, uma classe especial de pessoas, lugares especiais, cerimônias especiais, ritos especiais.
Mas, quando vocês chegam à nova aliança, de repente descobrem que Jesus, o Senhor, o Messias, é a cabeça do corpo, que é a igreja, para que em todas as coisas Ele tenha a preeminência.
Em outras palavras, quando vocês estabelecem um sistema, existe toda a possibilidade de que Ele não tenha a preeminência. Mas, quando Ele é a cabeça do corpo, Ele necessariamente tem a preeminência. Vocês entendem?
Eu costumo explicar assim — muitos, muitos de vocês já me ouviram explicar dessa maneira. Por que o Espírito Santo usa essa figura extraordinária de cabeça e corpo? Por quê?
Muitos cristãos pensam no Senhor Jesus como Cabeça da mesma maneira que pensariam em alguém que dirige um hospital, alguém que dirige uma escola, um diretor de escola, alguém que ocupa uma posição de comando no exército, ou qualquer outra coisa. E cometemos um erro fatal.
A figura não é a de alguém separado, um indivíduo que, por assim dizer, apenas dá ordens. É uma cabeça e um corpo, e vocês nunca viram um corpo vivo sem cabeça.
E vocês nunca viram uma cabeça viva sem corpo. Sim, às vezes vocês podem ver uma cabeça — que vocês nunca precisem ver isso — separada do corpo; e às vezes podem ver um corpo separado da cabeça. Eles estão sempre mortos.
Pois todo o sentido de uma cabeça e um corpo é que se trata de um organismo vivo. É algo vivo, algo integrado, algo que se expande e se contrai, algo que tem uma organização incrível; mas a organização vem de dentro. Não é imposta de fora.
Não é uma planta, um projeto que vocês possam executar. Ah, que sejamos libertos de toda essa ideia de que a igreja é uma coisa, de que, de alguma maneira, podemos montá-la. Que Deus nos ajude.
Assim que as pessoas começam a enxergar a igreja, o inimigo prepara uma armadilha, e a armadilha é: “Montem-na”.
Mas, na verdade, a questão é esta: não existe igreja à parte do Senhor Jesus.
E, quando o Senhor Jesus é a cabeça da igreja — a cabeça do corpo — e ambos funcionam juntos, o mundo inteiro é virado de cabeça para baixo.
Não importa se estamos falando da igreja primitiva virando todo o Império Romano de cabeça para baixo e do avesso, sem grandes seminários teológicos, sem grandes escolas bíblicas, sem grandes organizações de arrecadação de fundos, sem grandes organizações missionárias.
Não pensem que estou simplesmente criticando todas essas coisas. O que estou dizendo é que nós as consideramos absolutamente necessárias para que a igreja funcione. Mas, no princípio, quando o corpo foi criado pela vinda do Espírito Santo e unido à Cabeça à direita de Deus, ele virou o mundo conhecido de cabeça para baixo.
Virou o mundo judaico de cabeça para baixo. Virou o mundo romano de cabeça para baixo. E, por onde quer que tenha passado, virou o mundo de cabeça para baixo.
É tão simples, essa pequena verdade: uma cabeça e um corpo, para que em todas as coisas Ele tenha a preeminência.
Quando Ele é a Cabeça viva do corpo, a igreja, e nós O ouvimos, algo acontece.
Quando Lhe damos o lugar que Deus Lhe deu — preeminência em todas as coisas, não proeminência, preeminência — há uma enorme diferença.
Bem, não devo ficar aqui por muito tempo, mas é empolgante simplesmente nos determos nisso por alguns instantes. Paulo continua, quando fala de alguns dos problemas que os colossenses tinham, e diz:
Não retendo a Cabeça, da Qual todo o corpo, suprido e unido pelas juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
Quando vocês se mantêm firmemente ligados à Cabeça, quando há membros que se mantêm firmemente ligados — nem todo membro de Cristo se manterá sempre firmemente ligado à Cabeça —, mas, quando há um grupo daqueles que se mantêm firmemente ligados à Cabeça, há crescimento com o crescimento de Deus.
Não é manipulação psicológica. Não é metodologia humana nem um sistema. É com o crescimento de Deus que o corpo cresce.
O propósito eterno de Deus é visto em Cristo.
Amados irmãos e irmãs, a igreja é uma questão de relacionamento com o Senhor Jesus.
Quando há dois ou três em um relacionamento vivo com o Senhor Jesus como Cabeça, dando-Lhe o lugar que o Pai Lhe deu, então surge um relacionamento uns com os outros. E, quando vocês têm esse relacionamento, vocês têm a igreja.
Digo isso porque penso que, às vezes, a nossa ideia de igreja é que colocamos a verdade sobre a igreja aqui na cabeça, e isso se torna uma escravidão.
Em vez de ser uma experiência viva do Senhor Jesus — uma questão de estarmos vivos para Ele, uma questão de ouvi-Lo, uma questão de obedecer-Lhe juntos —, torna-se como uma camisa de força.
Tornamo-nos superiores, exclusivistas. Olhamos os outros de cima para baixo: “Ah, os coitados. Eles não entendem”.
Mas, quando é algo vivo, há amor por toda a família. Há abertura, disposição não para se envolver com o pecado, não para se envolver com o que é errado, mas para servir e cuidar de cada membro do corpo.
Mas preciso continuar. Não há noiva à parte do Senhor Jesus.
Sei que o movimento feminista trabalhou bastante essa questão. Mas, biblicamente, a mulher foi tirada do homem.
E, embora seja absolutamente verdade que Ele os criou homem e mulher — Ele os criou —, há igualdade absoluta. Na verdade, às vezes suspeito que as mulheres são muito mais inteligentes do que os homens.
Vemos isso em Gênesis 3. Vou deixar esse assunto, para não ser linchado.
Mas permanece o fato de que temos algo tremendo naquela figura incrível em Gênesis 2, quando Deus traz todos aqueles animais diante de Adão e lhe diz: “Eu não vou lhes dar nomes; você lhes dará nomes”.
E eu sempre dizia a mim mesmo, quando li essa passagem pela primeira vez, eu pensava: “Por que o Senhor fez isso? Ele criou os animais. Ele sabia. Por que não os chamou pelo nome?”
“Senhor Adão, isto é uma girafa. Este bicho com este pescoço comprido é uma girafa. Entendeu?” Adão teria dito: “Sim, Senhor, vamos chamá-lo de girafa”.
E Ele teria dito: “Isto é um elefante. Vamos chamá-lo de elefante. Está certo, Adão?” E Adão teria dito: “Sim. Quero dizer, isso me parece bastante óbvio”.
Mas o Senhor nunca fez nada disso. Ele simplesmente trouxe todos esses animais diante de Adão e disse: “Adão, dê um nome a eles”. E isso significava que Adão tinha de olhar para eles.
E, de uma maneira muito maravilhosa, que somente o Senhor poderia realizar, Ele estava trazendo algo à tona em Adão. Na verdade, o que Ele estava trazendo à tona era a solidão de Adão.
E, na verdade, era como se Ele estivesse procurando dizer: “Agora, Adão, você conseguiria viver com isto? Conseguiria estabelecer uma vida com isto?”
Vocês verão que a passagem começa dizendo:
Não se achava uma auxiliadora idônea para Adão.
Ninguém que lhe correspondesse, ninguém que o complementasse.
Então o Senhor fez Adão dormir, abriu o seu lado, tirou carne e osso e criou a mulher. E Adão disse — a palavra hebraica para homem é ish —, ele disse: “Esta é ishah, mulher”.
Ela não é algo a que eu possa dar um nome, chamar de outra coisa e dizer adeus. Dessa vez ele disse:
Esta é carne da minha carne e osso do meu osso.
Isto sou eu em outra forma.
Quando vocês percorrem toda a Bíblia, descobrem que existe uma noiva que Deus está buscando. E essa noiva, permitam-me dizer da maneira mais simples possível, é feita de Cristo. Ela é produzida a partir de Cristo.
Vocês se lembram de quando o soldado veio e perfurou o lado do Senhor Jesus, e dali saíram sangue e água? E João disse: “Eu vi isso. Eu vi”, disse ele, “e o meu testemunho é verdadeiro”, como se aquilo fosse muito, muito importante para João.
Alguns dizem: “Bem, isso é a salvação de Deus”. Não, não, não. Jesus já havia clamado:
Está consumado.
E o véu do templo havia sido rasgado de alto a baixo. Isso era outra coisa.
Muito mais tarde, João disse:
Há três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue.
O que ele estava dizendo? O Espírito de Deus, pela água e pelo sangue, produzirá uma noiva.
Mas não pode haver noiva à parte do Senhor Jesus. Vocês não podem cloná-la. Vocês não podem produzi-la.
É isso que tem sido grande parte do que aconteceu na cristandade: nós clonamos uma noiva; fabricamos uma noiva. Fizemos algo que acreditamos que deva ser, por assim dizer, o complemento do Senhor Jesus. Vocês não podem fazer isso. Essa noiva procede do Senhor Jesus.
Agora, o que estou procurando dizer — porque não quero pisar no calo dos meus irmãos nessa questão — é que em Cristo, Deus dá tudo; e, à parte de Cristo, Ele não dá nada.
É tão simples. Vou dizer novamente: em Cristo, Deus dá tudo.
Aquele Que não poupou o Seu próprio Filho, como não nos dará também com Ele, gratuitamente, todas as coisas?
Mas fora de Cristo, à parte de Cristo, nada — apenas religião.
O irmão Stephen, nesta manhã, falou muito bem sobre aquilo que chamo de cristianismo centrado em si mesmo.
É claro que todos nós começamos aí. Não podemos evitar. Quando nascemos de Deus, não pensamos no propósito do Senhor, nos interesses do Senhor, na alegria do Senhor, no objetivo do Senhor. Claro que não. Pensamos em nós mesmos.
É a primeira coisa em que pensamos. No momento em que nossos olhos se abrem espiritualmente, tudo é voltado para mim: “Ele é meu. Ele é meu. Minha é a coroa, minha é a glória; o que é meu é meu”. Vocês entendem? Isso é muito natural para nós.
E toda a igreja tende a girar ao nosso redor, especialmente se não dermos muito trabalho. Trazem-nos brinquedos espirituais, chupetas espirituais, chocalhos e todas as outras coisas com que brincar — as cadeirinhas de balanço —, cuidam de nós, fazem carinho em nós, acham que somos maravilhosos.
Isso é cristianismo centrado em si mesmo. Em pouco tempo, tudo está centrado em mim. Nem sequer nos interessamos por qualquer coisa que não nos coloque no centro.
É a minha alegria, é a minha vontade, é o meu tudo.
É uma cirurgia espiritual colossal quando o Senhor nos volta para outro princípio fundamental, e começamos a pensar Nele: no Seu propósito, na Sua alegria, na Sua herança.
Nenhum filho de Deus sobreviverá aos dias que estão diante de nós se não for liberto do cristianismo centrado em si mesmo.
No dia 11 de setembro, aconteceu algo nos Estados Unidos que mudou completamente o cenário daquele que antes era considerado o lugar mais seguro da terra.
Alguns de nós, é claro, convivemos com bombas e atentados durante anos e anos e anos. Mas a maioria das pessoas nos Estados Unidos sempre orava por nós sem muita experiência pessoal desse tipo de problema.
Agora tudo mudou, e ouvimos falar disso todos os dias, o dia inteiro. O que está sendo feito? E não tenho dúvida de que as coisas vão piorar. Não tenho dúvida alguma disso.
Mas esse não é o meu ponto nesta noite, a não ser para dizer que você e eu temos tempo para que o Senhor faça algo em nós que nos leve a um relacionamento vivo com o Senhor Jesus.
E vocês que têm pais cristãos, vocês que têm avós cristãos, lembrem-se: não existe cristianismo de segunda ou terceira mão. Ele não vai durar.
Será despedaçado pelo abalo das tribulações que, por fim, virão sobre o mundo inteiro. O que precisamos é de uma experiência direta, pessoal, do Senhor Jesus.
Agora, essa é a mensagem desta maravilhosa carta aos Colossenses. Ele é tudo.
Agora, nesta noite, quero falar apenas de um assunto. Vou me deter nele e, na próxima vez em que falar sobre este tema, tratarei de outro aspecto; e, na terceira vez, de outro.
Mas, nesta noite, quero falar de algo — por favor, não durmam, especialmente alguns de vocês — porque acredito que seja tremendo. Quero falar do Senhor Jesus como o herdeiro de todas as coisas: Cristo, o Messias, como o herdeiro de todas as coisas.
Vejam, ficamos tão condicionados que só pensamos em nós mesmos. Pensamos: “O que vamos herdar? O que vamos receber?” A coisa mais maravilhosa que podemos compreender — e isso será o começo da sua libertação do cristianismo centrado em si mesmo — é que o Pai constituiu o Filho herdeiro de todas as coisas.
Olhem para a carta aos Colossenses.
O Qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele; E Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem.
Agora, querido filho de Deus, pense por um momento. Tão poucas pessoas pensam, especialmente entre os cristãos. Não sei o que acontece — eles não pensam. Pense.
Quando o Senhor Jesus foi constituído herdeiro de todas as coisas? Alguém diz: “Ah, quando Ele ressuscitou dentre os mortos”. Alguém cita Salmos 2:7-8 e diz:
Tu és Meu Filho; Hoje Te gerei. Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança, E os confins da terra por Tua possessão.
Mas esperem, esperem. Primogênito de toda a criação. O que é o primogênito? Na vida judaica, assim como, creio eu, em grande parte da vida asiática, o primogênito é o herdeiro. Tão simples. O primogênito é o herdeiro.
O primogênito de toda a criação: desde o princípio, Deus tinha em Sua mente que o Filho deveria ser o herdeiro de todas as coisas.
Agora, estamos tratando de algo tão profundo, tão tremendo, que Deus precisou usar uma linguagem de escola dominical para que pudéssemos compreendê-lo, ainda que em parte. E a maioria de nós, inclusive eu, compreende muito pouco disso.
O primogênito de toda a criação. Agora, esperem, esperem. Estou bastante certo de que estou correto nessa questão, porque o texto diz — ele continua dizendo:
Porque por meio Dele todas as coisas foram criadas, por meio Dele e para Ele.
Em outras palavras, Deus criou tudo por meio do Senhor Jesus — isso foi antes de Ele nascer em Belém. Tudo foi criado por meio do Senhor Jesus e para o Senhor Jesus.
E então, para que ninguém entenda isso de maneira equivocada, o texto diz:
As coisas nos céus e sobre a terra.
Não diz respeito apenas à terra; diz respeito também aos céus.
Não apenas as coisas visíveis, mas também as invisíveis. E então encontramos esta palavra tremenda: sejam tronos, visíveis ou invisíveis; principados, visíveis ou invisíveis; potestades, visíveis ou invisíveis.
Por meio Dele tudo foi criado. Para Ele tudo foi criado. Agora, ouçam isto:
E Ele é antes de todas as coisas.
E Nele todas as coisas subsistem. Essa palavra não é tão fácil de compreender.
Mas o que nos está sendo dito é isto: que todo o universo, sua energia fundamental, tem algo a ver com o Senhor Jesus. Ele se mantém unido Nele.
É por isso que, quando Ele Se fez pecado por nós e morreu na cruz, quando Deus O abandonou, trevas vieram sobre a face da terra durante três horas. Não foi um eclipse. Não pode haver um eclipse que dure três horas.
Algo aconteceu com a energia fundamental do universo.
Se posso expressar isso sem especular, foi como se a Divindade estremecesse; como se, por um momento, a Divindade hesitasse; como se, de alguma maneira, uma espada atravessasse o próprio coração de tudo.
Tão tremenda foi a sua salvação e a minha salvação.
Espero que aquilo que estou dizendo tenha algum efeito sobre vocês.
Se eu ler Hebreus 1 — vou ler apenas Hebreus 1:2:
Havendo Deus, outrora, falado aos pais pelos profetas, em diversas porções e de diversas maneiras, Nestes últimos dias nos falou pelo Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez os mundos; O Qual, sendo o resplendor da Sua glória e a imagem exata da Sua substância, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-Se à direita da Majestade nas alturas.
Vejam, considero isso tremendo: simplesmente pensar, por um momento, que Deus constituiu o Senhor Jesus herdeiro de todas as coisas.
Por um momento, esqueça-se de si mesmo. Deixem-me esquecer de mim mesmo. Jesus, nosso Senhor Jesus — ninguém é mais digno —, foi constituído herdeiro de todas as coisas.
Isso, para mim, é tremendo: o propósito eterno de Deus conforme o vemos em Cristo — constituído herdeiro de todas as coisas.
Vocês acham que o Pai será frustrado? Vocês acham que o propósito do Pai será neutralizado ou anulado? Vocês acham, por um momento sequer, que Satanás levará a melhor?
Vocês acham que, mesmo que o mundo esteja cheio de principados e potestades demoníacos, todos mobilizados, todos trabalhando juntos contra o propósito de Deus, eles terão sucesso? Nunca.
O Senhor Jesus já Se assentou à direita da Majestade nas alturas, porque já venceu a batalha no Calvário. É uma questão de essa vitória se concretizar plenamente.
Estamos agora no tempo em que o inimigo — vocês que são chineses vão entender — é como um dragão que agita a cauda com fúria. Ele sabe que seu tempo é curto, que lhe resta tão pouco tempo.
À medida que avançamos cada vez mais para os últimos dias, temos esse velho dragão, essa antiga serpente. Não quero ficar dando apelidos ao diabo, mas Deus já lhe deu esses nomes.
Soltando fogo e veneno, debatendo-se em agitação, procurando, por assim dizer, lançar todas as nações da terra em tumulto, para que delas venha a besta e delas venha o falso profeta.
Não precisamos temer. A batalha já foi vencida. O Cordeiro está assentado no trono como Aquele Que foi morto.
Mas preciso deixar esse assunto. Tudo o que quero dizer é isto: isso não é maravilhoso? De qualquer maneira, eu acho maravilhoso.
Porque penso em mim mesmo: sou tão fraco, tão pobre, falho tanto, sou tão desobediente às vezes. Ah, o Senhor precisa sempre me colocar na Sua vontade. Ele vai me conduzindo.
E então descubro, pela graça de Deus, que estou onde deveria estar. É a graça de Deus.
Mas é um tremendo consolo para mim saber que Ele é o herdeiro de todas as coisas. Nem por um único momento o propósito de Deus a respeito do Senhor Jesus será neutralizado ou anulado.
No fim, haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais habita a justiça. No fim, o conhecimento da glória de Deus cobrirá a terra como as águas cobrem o mar.
Virá um dia em que todas as nações serão a herança do nosso Senhor Jesus, e os confins da terra serão a Sua possessão. Esse dia está chegando.
Portanto, é tremendo olhar para esta carta aos Colossenses e compreendê-la dessa maneira.
Deixem-me resumir isso e então avançar para outro ponto dessa questão. Vejam, isso simplesmente significa que tudo o que foi criado, inclusive você e eu, foi feito tendo o Senhor Jesus em vista. Agora, vocês ouviram isso?
Tudo o que foi criado foi criado tendo o Senhor Jesus em vista, inclusive você e eu.
Mas deixem-me continuar, se vocês ainda estão me acompanhando e se não estamos deixando vocês ainda mais confusos do que estavam antes de entrar aqui.
Qual era o propósito original de Deus para o homem? Qual era o propósito original de Deus para o universo?
Sabem, ao tratar desse tipo de coisa, precisamos ter muito cuidado. Sempre aprendi uma única coisa: nunca entrar em especulação.
Existem tantas coisas que são teorias especulativas — muito fascinantes, muito interessantes —, mas que não são claramente ensinadas na Palavra de Deus.
Contudo, há algo extraordinário. Vocês veem isso em Romanos 8, quando o apóstolo fala de toda a criação natural gemendo e sofrendo dores de parto.
A criação natural — isto é, os montes e os vales, os mares, os oceanos, os lagos, os rios, a atmosfera, a terra, os animais, as aves, os répteis, os peixes —, tudo, tudo o que foi criado.
Acho extraordinário pensar que essas coisas foram criadas tendo Ele em vista. Toda vez que vocês olham para um gato, ele foi feito tendo o Senhor Jesus em vista. Agora pensem nisso, vocês que gostam de gatos.
Ou pensem em um cachorro, ou em um leão, ou em um elefante, ou em qualquer coisa. Não estou dizendo uma bobagem. De fato, todas essas coisas foram criadas tendo Ele em vista.
É por isso que o homem foi colocado na terra para cultivá-la e guardá-la. E é por isso que hoje estamos em tamanho perigo com a poluição, com a destruição de tanta coisa que foi criada tendo o Senhor Jesus em vista.
Mas esperem, esperem. Você foi criado tendo o Senhor Jesus em vista.
Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança.
Você foi criado. Quando começar a enxergar isso, toda a sua visão dessa questão mudará. De repente, você perceberá: “Nunca ficarei satisfeito à parte do Senhor Jesus. Nunca me sentirei realizado à parte do Senhor Jesus”.
“Nunca, jamais, serei verdadeiramente alegre e feliz à parte do Senhor Jesus.” Por quê? Porque você foi feito tendo Ele em vista. É por isso.
Quando Deus criou você, Ele colocou, como diz o pregador no livro de Eclesiastes, um vazio no seu coração, e ele o chama de eternidade.
Isso significa que você pode preenchê-lo com esportes, pode preenchê-lo com passatempos, pode preenchê-lo com negócios, pode preenchê-lo com a busca de dinheiro, pode preenchê-lo com sexo, pode preenchê-lo com mil e uma coisas, e não ficará satisfeito.
Mesmo com as coisas legítimas: você procura preencher esse vazio interior com essas coisas, mas nunca ficará satisfeito. Porque, goste você ou não, foi feito tendo o Senhor Jesus em vista. Você foi feito para Ele.
Não sei se isso está ficando claro para vocês, mas vejam: quando Deus nos fez no princípio, Ele plantou um jardim.
E nesse jardim Ele plantou duas árvores. Quero dizer, muitas árvores, mas havia duas árvores em particular.
Agora, tem havido todo tipo de discussão sobre que árvore era aquela. O que era a árvore da vida? Era uma macieira? Era uma laranjeira? Alguns dizem que era um limoeiro. Não era uma toranjeira, porque a toranja é um cruzamento.
Isso é algo que surgiu ao longo da história. Mas há muitas outras sugestões que também trazem dificuldades. Que diferença faz?
Algumas pessoas dizem que a árvore é apenas um símbolo. Bem, não tenho dúvida de que a árvore é simbólica e cheia de significado, obviamente, mas penso que era uma árvore real. Não importava que árvore era.
Deus simplesmente escolheu uma árvore, e foi isto que Ele disse:
Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Agora, a questão não era a árvore. Poderia ter sido uma amendoeira, poderia ter sido uma nogueira, poderia ter sido uma nogueira-pecã, poderia ter sido qualquer coisa. A questão era a obediência. Esse era o ponto.
Não tenho dúvida de que era uma árvore que Ele escolheu, e Ele disse: “Agora, você está vendo esta árvore aqui, bem no centro do jardim? Se comer dela, no dia em que comer dela, você morrerá. Não toque nela”.
Ele nunca disse: “Não toque na árvore da vida”. Creio que essa árvore da vida é uma figura do Senhor Jesus, porque o que Deus queria desde o princípio era um povo em união Consigo mesmo no Senhor Jesus, bem no centro de todo o universo.
O universo foi construído de tal maneira que é como uma roda: todos os raios convergem para um eixo central, e esse centro é o homem. E esse homem foi destinado a estar em união com Deus em Cristo, no Senhor Jesus.
Então tudo teria acontecido. Nem sequer sabemos até onde isso teria chegado.
Às vezes, as pessoas travam discussões enormes sobre evolução e tudo o mais. Mais uma vez, não quero entrar nesse terreno. De uma coisa tenho bastante certeza: será que uma árvore continuará sendo uma árvore quando as coisas forem como deveriam ser?
Quando as primeiras coisas tiverem passado e todo esse ciclo de corrupção tiver desaparecido, a árvore será sempre uma árvore? A grama será sempre grama? Não sei.
Só sei que a Escritura fala de árvores batendo palmas e de montes e vales cantando de alegria. Só sei que toda a criação natural espera que os filhos de Deus cheguem ao lugar em que deveriam estar no Senhor Jesus.
Mas, no princípio, voltando a esse assunto, Deus pretendia que algo acontecesse. Tudo estava centrado no Senhor Jesus — tudo.
É muito interessante: a árvore da vida. Que figura maravilhosa do Senhor Jesus. Você come dessa árvore e recebe vida eterna.
A árvore do conhecimento do bem e do mal — Satanás sempre usa meias-verdades. “Ah”, disse ele, “vocês não morrerão. Mas se tornarão como pequenos deuses”.
“Vocês terão o centro em si mesmos. Vocês mesmos determinarão o que serão e para onde irão, que tipo de vida terão.”
Este é o epitáfio que pode ser escrito sobre toda a história humana, desde Adão e Eva até o presente: é a tentativa do homem de conduzir seus próprios assuntos à parte de Deus.
A árvore do conhecimento do bem e do mal: sempre avaliando as coisas, sempre usando a razão, sem se orientar por uma percepção interior da vida de Deus.
Ah, não devo me deter aí. Mas, quando o homem comeu daquela árvore, não morreu fisicamente de imediato. Contudo, espiritualmente, ele morreu. Algo dentro dele morreu.
Muitos cristãos — não quero ficar místico demais —, mas muitos cristãos, depois de terem recebido o Senhor Jesus, vivem segundo o princípio da árvore do conhecimento do bem e do mal.
E vocês não podem fazer isso. Vocês se metem em uma confusão. Não há como viver a vida nesse nível.
Mas preciso deixar esse assunto. Quando o homem caiu, foi deserdado. Não havia possibilidade de ele jamais ser coerdeiro com o Senhor Jesus. Ficou aquém da glória de Deus. Ficou separado, alienado, como diz esta epístola.
Sabem, é muito interessante o que está acontecendo com a sociedade hoje, porque agora estamos em uma situação em que nunca estivemos desde Babel.
Pela primeira vez, somos capazes de produzir órgãos humanos, cultivando-os nós mesmos. Pela primeira vez, podemos clonar animais. Na verdade, se quiséssemos, poderíamos clonar um ser humano. Pensem nisso.
E então temos todos os problemas. Esse ser humano clonado tem alma? Tem espírito? Estará suscetível à possessão demoníaca?
Quando o povo de Babel construiu uma torre, disse que chegaria ao céu. Deus, quando a viu, disse: “Se começarem a fazer isso, onde tudo vai terminar?”
Voltamos a Babel. Desfizemos o que Deus fez quando nos espalhou pelos confins da terra e nos dividiu pelas línguas.
Isso trouxe uma paralisia, uma espécie de restrição, a todo o progresso do homem caído. Mas agora superamos essa restrição. É quase como se o mundo inteiro estivesse encolhendo e se tornando uma pequena aldeia global, como a chamamos.
Sim, irmãos e irmãs, o que está acontecendo com a nossa sociedade humana?
Homens e mulheres estão vivendo como animais. É quase como se não houvesse espírito no homem. Essa é a consequência da queda.
Quando olhamos para Colossenses, vemos também algo muito maravilhoso.
Pois então encontramos em Colossenses 1:12:
Dando graças ao Pai, Que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; Que nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Que coisa tremenda aconteceu a cada filho de Deus. É uma transferência de população. Fomos tirados de uma autoridade, libertos de uma autoridade com toda a sua escravidão e maldade, e fomos transferidos para outra autoridade: o reino do amado Filho de Deus.
Em Quem temos a nossa redenção, o perdão dos nossos pecados.
Portanto, é no Senhor Jesus que temos redenção.
Essa palavra, redenção, é tão bela. É algo que é devolvido ao seu proprietário original mediante o pagamento de um resgate.
Em Quem temos a nossa redenção.
Somos redimidos. Mediante um resgate pago por nossa redenção, somos libertos do poder das trevas e transferidos para o reino do amado Filho de Deus.
Isso é maravilhoso.
Novamente, se vocês lerem neste mesmo capítulo, em Colossenses 1:19-20:
Foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude; E, por meio Dele, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas.
Quando o homem caiu, o centro da roda desapareceu, e todos os raios ficaram, por assim dizer — não sei qual é a palavra —, desordenados, tudo virou uma confusão.
Agora, o Senhor Jesus, o primogênito dentre os mortos, continua sendo o herdeiro, desta vez saindo da morte; desta vez o Primeiro, o Princípio, o princípio de uma nova criação, o princípio de algo inteiramente novo.
Agora, o Senhor Jesus reconciliou todas as coisas por meio do Seu sangue, por meio da Sua obra na cruz. Isso significa que haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais habita a justiça.
Ele está reconciliando tudo com Deus. E então ouçam isto, em Colossenses 1:21-22:
E a vós, que outrora éreis alienados e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, Agora Ele vos reconciliou No corpo da Sua carne, pela morte, para vos apresentar santos, sem mácula e irrepreensíveis perante Ele.
Agora, isso não é extraordinário?
Se vocês quiserem uma confirmação adicional disso, ela também está em Hebreus. Está em Hebreus 2:10:
Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem são todas as coisas, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoar, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.
Isso não é maravilhoso?
Portanto, esse não é o meu trabalho; esse é o trabalho de Dana e de Stephen. Eles deveriam falar sobre a igreja, sobre o crente. Mas é impossível falar do Senhor Jesus, do propósito eterno de Deus em Cristo, sem falar da igreja e do crente.
A questão é esta: o Senhor Jesus poderia ter sido o único e exclusivo herdeiro de todas as coisas. Mas Ele não quis isso. Ele quis conduzir muitos filhos à glória.
Nós, que ficamos aquém da glória, Ele quer garantir que cheguemos à glória. E Ele estabeleceu o fundamento para isso em Sua própria obra na cruz e no dom do Espírito Santo.
Querido filho de Deus, isso é tremendo.
Preciso terminar. Tenho bastante certeza de que vocês provavelmente estão cansados e acham que estou me estendendo demais ao falar sem parar sobre essa herança do nosso Senhor Jesus.
Mas, querido filho de Deus, talvez você não saiba disso. Se adormeceu, acorde. Você é herdeiro de Deus.
Talvez você nem saiba disso, mas é herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo.
Um dia destes, o Senhor Jesus virá. E, quando Ele vier, o reino de Deus virá com Ele em poder glorioso, em manifestação pública.
Ah, que dia será aquele, quando todos os santos de todos os séculos se reunirem para a coroação do Senhor Jesus. Que dia será aquele.
Querido filho de Deus, você é herdeiro e nem sequer sabe disso.
Deixem-me contar uma história. Alguns de vocês já terão ouvido essa história. Não importa.
Anos atrás, muitos anos atrás agora, algo como cinquenta anos atrás, compramos uma casa em Richmond — uma casa antiga, construída em 1688. Isso remonta à época de Guilherme e Maria.
A outra parte era de 1710. Isso era da época da rainha Ana.
Essa casa estava nos registros do corretor de imóveis havia treze anos, de modo que ele mal sabia o que estava incluído na compra, e nós certamente não sabíamos.
Mas, quando finalmente a compramos por quatrocentas libras, o que equivaleria a cerca de setecentos dólares — a propriedade inteira —, descobrimos que tínhamos ao lado um velho professor de música que parecia ter nascido na época da rainha Ana. Para começar, tinha pernas curvas como as dos móveis do estilo rainha Ana.
E descobrimos que havíamos herdado uma galinha velha, um cachorro velho que havia ficado branco e uma gata velha com a coluna tão frouxa que a barriga arrastava pelo chão.
E o que não sabíamos era que, no jardim, em um velho ateliê em ruínas, havia uma senhora muito idosa.
Mas os vizinhos vieram até nós e disseram: “Vocês sabem que são os proprietários do imóvel onde mora uma senhora muito idosa que parece tão pobre? Não acham que, como cristãos, deveriam fazer alguma coisa por ela?”
Então soubemos que essa senhora era artista, que havia alugado aquele ateliê e que pagava uma quantia muito pequena por mês.
Fui até lá e bati à porta. Ela abriu a porta, e diante de mim estava uma senhora — só posso dizer isto — que cheirava a querosene e peixe.
Ela usava roupas velhas, tênis tão gastos que se podiam ver seus pés através deles, e um pedaço de barbante amarrado à cintura.
E eu disse: “A senhora é a senhorita Williamson?” E ela disse, no mais belo inglês — aquilo que chamamos de inglês da rainha —: “Sou”.
Eu disse: “Nós somos os proprietários do imóvel que a senhora aluga, e estamos horrorizados ao descobrir que está vivendo aqui sem água e sem eletricidade. Posso dar uma olhada?”
“Ah”, disse ela, “sim, entre.” Então entrei, olhamos ao redor e, bem, para encurtar uma longa história, éramos todos jovens. Havia apenas uma pessoa mais velha entre nós, e ela dava um trabalho enorme.
Mas nós, os mais jovens, estávamos fervorosos pelo Senhor, e pusemos mãos à obra. Esfregamos as paredes, pintamos tudo, passamos um fio — o que era ilegal, mas deixem isso para lá — do meu escritório, atravessando todo o jardim, e demos luz a ela.
Fizemos tudo o que podíamos, e finalmente ela perguntou se poderia falar comigo. E, quando fui até lá, ela disse: “Senhor Lambert, sou muito grata por todos os seus jovens que vieram limpar o meu lugar e fazer essas coisas”.
“Mas”, disse ela, “gosto de ficar sozinha. O senhor acha que poderia pedir a eles que deixassem de vir? Eles continuam vindo com frutas, bolos, pão e tudo o mais. Sei que vocês têm boas intenções”.
Ela tinha dezesseis gatos. De vez em quando, esse número aumentava.
E eu lhe disse: “Bem, está bem, senhorita Williamson. Se a senhora não quer ajuda, direi a todos os jovens que não venham”.
“Sim”, disse ela. “Mas”, eu disse, “há alguma coisa que possamos fazer pela senhora, senhorita Williamson? Estamos bastante preocupados, pois não queremos nos intrometer.” E ela estava muito incomodada com eles.
Ela disse: “Não, não há nada que o senhor possa fazer por mim”. Mas, quando eu estava saindo pela porta, ela disse: “Ah, espere um pouco. Há uma coisa. Eu não recebo minha aposentadoria”.
Eu disse: “A senhora não recebe sua aposentadoria?” A Grã-Bretanha era um Estado de bem-estar social. “A senhora não recebe aposentadoria, senhorita Williamson?” Eu não podia perguntar a ela — nunca se pergunta a idade de uma dama inglesa —, mas ela parecia velha como as montanhas.
Então eu disse: “Senhorita Williamson, vou telefonar para o pessoal do Serviço Nacional de Saúde e dar início ao processo”. “Sim, muito obrigada”, disse ela.
Bem, telefonei para o órgão responsável, e eles disseram: “Qual é o nome?” Dei o nome. “Qual é o endereço?” Dei o endereço.
Eu disse: “Ela está vivendo nas condições mais lamentáveis e não tem recebido aposentadoria”.
“Senhor Lambert”, disseram eles, “ela receberá cada centavo que não lhe foi pago, retroativamente até quando completou sessenta anos.” Acho que eram sessenta e dois anos.
Então imaginei que isso daria quase vinte anos.
Eles disseram: “Não se preocupe, senhor Lambert. Vamos investigar e faremos tudo o que pudermos”. Eu disse: “Ela não quer se mudar”. “Então ela não quer se mudar? Está bem.”
Uma semana depois — ou pelo menos uma semana depois —, Margaret veio e disse: “Há um senhor Fulano de Tal, que é o responsável pelos serviços de saúde e assistência social de todo o condado de Surrey, e ele insiste em falar com você”.
Então fui ao telefone, e esse homem muito gentil disse, com uma voz muito refinada: “Senhor Lambert?”
“Sim”, eu disse.
“A respeito da sua senhorita Williamson.”
“Sim”, eu disse.
Ele disse: “Investigamos a sua senhorita Williamson, e o senhor ficará muito surpreso ao saber que ela tem mais dinheiro do que todos os membros da sua igreja juntos, e todos os moradores de Halford Road, Church Road, Mount Ararat e mais algumas ruas”.
Então eu disse: “Quanto o senhor acha que é?”
Ele disse: “Está tudo investido em títulos públicos de primeira linha. Ela tem esse dinheiro há anos e anos. Quando digo uma fortuna enorme, quero dizer uma fortuna enorme”.
“E ela não toca nele. Todos os juros ela reinveste a cada ano, de modo que a fortuna aumenta e aumenta.”
Ele disse: “Só os juros são tão altos que ela poderia morar no melhor lugar de Richmond e ter três ou quatro pessoas para atendê-la”.
“Agora”, disse ele, “senhor Lambert, nós não podemos fazer nada, mas o senhor, como ministro, pode ir conversar com ela”.
Ele disse: “Conversei com a prefeitura de Richmond. Eles estão dispostos a fazer a mudança dela gratuitamente, junto com todos os seus gatos, se ela puder ser convencida a usar um pouquinho do dinheiro para comprar uma propriedade”.
Então orei a respeito. Todos nós oramos a respeito, e fui até lá e bati à porta.
“Senhorita Williamson?”
“Ah, bom dia.”
“Bom dia, senhorita Williamson.”
Eu disse: “Sobre a sua aposentadoria, senhorita Williamson”. É claro que, antes de tudo, conversamos sobre o tempo. Na Inglaterra, sempre se faz isso.
E então eu disse: “Sobre a sua aposentadoria, senhorita Williamson, parece que a senhora tem um pouco de dinheiro”.
“Quem lhe disse isso?”, perguntou ela.
“Bem”, eu disse, “senhorita Williamson, eles investigaram e me disseram que a senhora tem um pouco de dinheiro”.
Ela disse: “Não é meu”.
Eu disse: “Não é seu? De quem é?”
Ela disse: “É do meu pai”.
“Seu pai?”, eu disse. “Ele ainda está vivo?” Quero dizer, ela parecia tão velha. Eu disse: “Ele ainda está vivo?”
“Não”, disse ela. “Ele morreu em 1932.”
“1932?”, eu disse.
“Sim”, disse ela.
“Bem, então”, eu disse, “para quem ele deixou o dinheiro? Ah, perdoe-me, senhorita Williamson, não quero me intrometer, mas estou apenas tentando entender isso. Para quem ele deixou o dinheiro?”
“Para mim.”
“Bem”, eu disse, “senhorita Williamson, se ele deixou o dinheiro para a senhora, ele é seu.”
“Não”, disse ela. “Meu pai era um homem muito duro, muito rigoroso. Era um homem disciplinado. Eu não ousaria tocar no dinheiro dele.”
E assim foi até ela morrer, em uma instituição de assistência aos pobres em Richmond, Surrey.
Ela nunca tocou em um centavo e, quando morreu, todos os milhões foram para o governo.
Agora, todos vocês dizem: “Ah, ah, ah, que terrível. Se ao menos tivesse sido eu”.
Sei exatamente como vocês se sentem. Não sou judeu à toa.
Mas esperem. Esperem. Vocês riem e pensam: “Ah, que terrível”. Esperem. Você é uma senhorita Williamson?
Você sabe que é herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo?
Você sabe que Deus constituiu o Senhor Jesus herdeiro de todas as coisas e que, porque você é salvo, porque Ele o reconciliou, por causa da redenção que é sua, porque Ele o libertou do poder das trevas e o transferiu para o reino do Seu amado Filho, você também é herdeiro de Deus e coerdeiro com o Senhor Jesus?
Ele não quer herdar tudo sozinho. Ele quer que você herde com Ele.
Mas, em vez de desfrutarmos do que é nosso, em vez de nos apropriarmos do que é nosso, dizemos: “Não, não, não”.
“Se eu fosse um John Wesley, seria possível. Se eu fosse uma Amy Carmichael, seria possível. Se eu fosse um Watchman Nee, seria possível. Mas eu não sou.”
“Meu Pai, meu Pai é muito rigoroso. Não ouso desfrutar de nada disso.”
Queridos irmãos e irmãs, Deus constituiu o Senhor Jesus herdeiro de todas as coisas, e virá um dia em que, se vocês permitirem que Ele faça em vocês a obra que deseja fazer, vocês, Nele e com Ele, herdarão todas as coisas.
Como é insensato viver como se fôssemos miseráveis, viver como se fôssemos deserdados, viver como se não tivéssemos nenhuma relação com as insondáveis riquezas do Messias, com a plenitude sem limites que é nossa Nele, com a vida eterna que é nossa.
Que Deus toque nosso coração nesta noite e nos dê uma nova visão, uma nova compreensão do nosso Senhor Jesus e do Seu amor por todos nós.
Vamos orar?