Por favor, abram a carta aos Efésios — Efésios, capítulo 1.
Vamos ler Efésios 1:9-14.
Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade,
segundo o Seu beneplácito, que propôs em Si mesmo,
para uma dispensação da plenitude dos tempos,
a fim de reunir todas as coisas em Cristo,
as coisas nos céus e as coisas sobre a terra; nEle,
em Quem também fomos feitos herança,
havendo sido predestinados segundo o propósito dAquele que opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade;
a fim de sermos para o louvor da Sua glória,
nós, os que antes havíamos esperado em Cristo:
em Quem também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo também crido nEle, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,
o Qual é o penhor da nossa herança, para a redenção da possessão de Deus, para o louvor da Sua glória.
Vamos orar mais uma vez.
Nosso Senhor, nosso coração se alegra porque sabemos que Tu estás conosco. E, se Tu estás conosco, quem poderá ser contra nós?
Senhor, nós Te pedimos que nos abras a Tua Palavra. Torna a Tua Palavra viva e operante em nossa vida. Oramos para que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus.
Tu sabes que, sem Ti, nada podemos fazer. Sem que o Teu Espírito abra o nosso entendimento, Senhor, simplesmente não podemos compreender.
Por isso, nós nos entregamos a Ti nesta manhã e oramos para que, Senhor, Tu Te reveles a nós. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Queremos agradecer ao Senhor por nos reunir aqui novamente nesta ocasião.
Pessoalmente, sinto que, sempre que o povo de Deus se reúne, é um momento especial, porque estamos vivendo nos últimos dias. Há muitos lugares onde o povo de Deus não pode se reunir como nós. Mas quem somos nós, para que Ele seja tão bondoso e misericordioso conosco, permitindo que nos reunamos desta maneira?
Que o Senhor realmente nos ajude a valorizar um tempo como este, e que Ele possa fazer tudo o que deseja fazer.
Todos sabem que o tema desta conferência é o propósito eterno de Deus.
Quando se fala do propósito eterno de Deus, não sei como vocês se sentem. Sentem que é algo muito remoto, muito distante de vocês? Acham que é um assunto teórico demais? Sentem que é algo tão objetivo que não percebem nenhuma relação com ele?
Mas precisamos pensar nisso: como o propósito eterno de Deus fala ao seu coração?
Em um sentido muito real, o propósito eterno de Deus está muito, muito perto de você. Provavelmente, está muito mais próximo do que você imagina.
É algo tão íntimo que você não pode evitá-lo. Você está dentro dele, mesmo sem saber.
Não tem nada de teórico. É a coisa mais prática do mundo inteiro. Não é nada teológico; é algo muito pessoal. Cada um de nós está envolvido nesse propósito eterno de Deus.
E é tremendamente importante que conheçamos o propósito eterno de Deus.
Creio, irmãos e irmãs, que todos desejamos e ansiamos conhecer o nosso Deus. Ora, como vamos conhecer a Deus? Qual é a melhor maneira de conhecer a Deus? Qual é o caminho direto para o conhecimento de Deus?
É conhecer a vontade de Deus — o propósito de Deus.
Lembramos que o salmista disse em Salmos 103:7:
Fez conhecidos os Seus caminhos a Moisés,
os Seus feitos aos filhos de Israel.
Os filhos de Israel conheciam apenas os atos de Deus. Quando Deus fazia alguma coisa por eles, então conheciam a Deus.
Mas Moisés conhecia a Deus muito melhor do que os filhos de Israel, porque conhecia os caminhos de Deus — como Deus age. Há certos princípios por trás das ações de Deus, e ele conhecia esses princípios.
Mas, queridos irmãos e irmãs, nós, que vivemos nos tempos do Novo Testamento, pela graça de Deus, podemos dar um passo além. Podemos conhecer a vontade de Deus, o propósito de Deus.
E conhecer o propósito de Deus é realmente conhecer a Deus. Por isso, creio que conhecer o propósito eterno de Deus deve ser o anseio mais profundo do nosso coração.
Conhecer o propósito de Deus dá sentido à nossa vida. Sabemos que Deus criou o homem com um propósito e, se não conhecemos esse propósito, nossa vida não tem sentido.
É por isso que o mundo de hoje se encontra como está. A maioria das pessoas vive neste mundo sem conhecer o sentido da vida. Simplesmente andam às apalpadelas.
Mas, quando você conhece o propósito eterno de Deus, Ele lhe dá o verdadeiro sentido da vida. Você começa a perceber que vale a pena viver e recebe o entendimento de como viver de uma maneira que realmente vale a pena.
Lembro-me de que, em 1942, eu estava na Índia e conheci uma senhora idosa. Ela me contou um pouco da sua vida.
Ela estava na Índia fazendo algo muito incomum. Não estava ali como uma missionária comum, pregando o evangelho, mas sentira a direção do Senhor para ir à Índia e preparar alguns lugares na melhor região de veraneio do país, as colinas de Nilgiri.
Ela preparou algumas casas, com empregados e belos jardins ingleses. Seu ministério era receber os servos de Deus em sua casa todos os verões, deixá-los descansar e simplesmente servi-los. Esse era o seu ministério.
Ora, como isso aconteceu? Ela me contou que vinha de uma família muito rica. Seus pais eram milionários, e ela havia se casado com um homem que tinha um título de nobreza.
Enquanto seus pais eram vivos, costumava viajar com eles pelo mundo inteiro. Depois que seus pais morreram, e seu marido também, ela ficou sozinha.
Ela era cristã. Amava o Senhor. Morava na Itália e tinha um palácio de mármore ali. Todos os verões, voltava à Inglaterra para participar da Convenção de Keswick.
Mas sentia que a vida não tinha sentido. Tinha tudo, mas nada fazia sentido. Não sabia o que fazer.
Certo ano, voltou à Inglaterra e participou de uma conferência em Swanwick. Era uma conferência da senhora Penn-Lewis, antes da Convenção de Keswick.
Enquanto participava daquela conferência, ouviu um jovem falar sobre o propósito eterno de Deus. Deus abriu seu entendimento, e ela começou a perceber o verdadeiro sentido da vida.
Isso a transformou, e ela entregou sua vida ao Senhor. Foi guiada pelo Senhor à Índia para realizar aquele trabalho.
Queridos irmãos e irmãs, vocês sentem que sua vida carece de sentido? Por que estão aqui? Por que Deus os criou? Por que Deus os salvou? Qual é o significado de vocês estarem aqui?
A menos que sua vida esteja ligada ao propósito eterno de Deus, ela não tem sentido; não vale a pena ser vivida. Mas, quando você percebe que sua vida está relacionada ao propósito eterno de Deus, conhece o pleno sentido da vida.
Pela graça de Deus, você pode viver em toda a plenitude da vida que Deus lhe deu. Então, vejam, isso é muito pessoal. É muito importante.
Conhecer o propósito eterno de Deus não é importante apenas para a sua vida pessoal; isso também lhe explica todas as coisas.
Em nossa vida, em nossos dias, muitas coisas estão acontecendo, e o tempo todo nos perguntamos: “Por quê? Por que Deus permite que essas coisas aconteçam? Qual é o significado de tudo isso?”
Algumas pessoas chegam a culpar a Deus por permitir que todas essas coisas trágicas aconteçam ao nosso redor, e até que certas coisas aconteçam conosco. Por quê?
A resposta está em conhecer o propósito eterno de Deus. Deus tem um propósito e conduz todas as coisas de acordo com o Seu propósito.
Às vezes, talvez não consigamos conhecer o significado específico ou a explicação de alguma coisa, mas sabemos que o propósito eterno de Deus está por trás de tudo.
Seu propósito governa tudo — coisas grandes, coisas pequenas, internacionais, nacionais, pessoais, sejam elas quais forem. A explicação está no propósito eterno de Deus.
Sabem, irmãos e irmãs, mesmo entre os cristãos, somos orientados pelas necessidades.
Aonde quer que você vá, espera ouvir algo que supra sua necessidade. A qualquer reunião que vá, seu desejo é que sua necessidade seja atendida. Somos orientados pelas necessidades.
Se somos orientados pelas necessidades, irmãos e irmãs, uma necessidade é atendida e outra surge. Não há fim.
É como os filhos de Israel atravessando o deserto: dando voltas, voltas e mais voltas, sem nunca chegar ao fim.
Não somos orientados pelo propósito. Precisamos ser orientados pelo propósito.
Se formos orientados pelo propósito, seremos elevados para além de nós mesmos. Sabem, estamos simplesmente centrados no nosso pequeno e mesquinho eu.
Como podemos ser libertos do egocentrismo? Somos libertos do egocentrismo quando somos elevados ao propósito eterno de Deus.
Isso nos amplia. Alarga nosso horizonte. Em vez de olhar o tempo todo para nós mesmos e para nossa necessidade, clamando: “Quem pode suprir minha necessidade?”, somos levados para junto de Deus, para ver o Seu propósito.
Como o Seu propósito pode ser cumprido? Essa será a nossa aspiração.
Conhecer o propósito eterno de Deus nos dará a disciplina de que precisamos. Sabem, somos um povo muito indisciplinado.
Onde podemos encontrar a disciplina correta? Somos disciplinados pelo propósito eterno de Deus.
Ao conhecer o propósito eterno de Deus, somos capazes de trabalhar com Deus, em vez de trabalhar contra Deus.
Vocês conhecem o apóstolo Paulo. Antes de conhecer o propósito eterno de Deus, Saulo de Tarso pensava que estava servindo a Deus ao perseguir os crentes em Jesus Cristo — e fazia isso com sinceridade. Mas como estava enganado!
Irmãos e irmãs, se não conhecemos o propósito eterno de Deus, talvez, inconscientemente, mesmo estando na obra de Deus, pareçamos estar servindo a Deus, quando, na verdade, estamos nos opondo a Ele.
Portanto, como é importante conhecer o propósito eterno de Deus! Então poderemos trabalhar com Deus.
Assim, queridos irmãos e irmãs, creio que há muitas outras razões pelas quais precisamos conhecer o propósito eterno de Deus. Por que isso é tão essencial para nós? Não é algo sem o qual possamos viver.
A razão de a vida cristã hoje ser tão superficial é que nos falta o verdadeiro conhecimento do propósito eterno de Deus.
O apóstolo Paulo escreveu em sua carta aos Efésios, em Efésios 1:9:
Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade,
segundo o Seu beneplácito, que propôs em Si mesmo.
Agora, como introdução, há três coisas que gostaríamos de considerar nesta manhã:
Deus é a vontade suprema no universo. Nosso Deus não é impessoal. Ele é uma pessoa. Por quê? Porque Ele tem uma vontade.
Servimos a um Deus pessoal e vivo. Ele é a vontade suprema no universo. Ele determina tudo o que deseja determinar.
A Bíblia nos diz que Ele determina segundo o Seu beneplácito. Tudo o que Lhe agrada, Ele o determina. Não precisa consultar ninguém. Não precisa obter a aprovação de ninguém, porque Ele é soberano.
Ele pode determinar tudo o que quiser, mas sempre determina segundo o Seu beneplácito — segundo aquilo que Lhe agrada, aquilo que O satisfaz.
Sabemos que Deus é amor. Essa é a Sua própria natureza. Porque Ele é amor, tudo o que determina, determina por amor. Aquilo que Ele determinou satisfaz o Seu caráter amoroso.
Oh, Deus é bom. Portanto, tudo o que Ele determina deve ser bom. Nosso Deus é perfeito; assim, tudo o que Ele determina deve ser perfeito.
É por isso que, em Romanos 12:1-2, vemos que, se apresentarmos nosso corpo como sacrifício vivo, nossa mente será renovada e poderemos experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
É porque nossa mente está desordenada que, às vezes, pensamos que a vontade de Deus é ruim. Sabem, certa vez, quando eu trabalhava com jovens, perguntei a eles: “O que vocês acham que é a vontade de Deus? Como sabem que algo é a vontade de Deus?”
Uma das respostas foi: “Tudo o que é contra mim é a vontade de Deus”. Ela não é boa, não é agradável.
Não é porque a vontade de Deus não seja boa e agradável. É porque nossa mente não foi renovada. Tudo o que vem de Deus deve ser perfeito. Graças a Deus pela Sua vontade.
Dessa vontade procede o Seu propósito. A Bíblia diz que Ele o propôs em Si mesmo.
Antes mesmo da fundação do mundo, antes de criar o mundo, antes de existir o tempo, Deus exerceu Sua vontade segundo o Seu beneplácito e estabeleceu um propósito em Si mesmo.
Não havia ninguém ali. Ele estava inteiramente só. Portanto, só podia estabelecê-lo em Si mesmo.
Esse propósito — essa vontade — a Bíblia chama de “o mistério da Sua vontade”.
Ora, por que é chamado de mistério? Mistério não significa algo misterioso ou algo ruim. Não. Mistério significa simplesmente um segredo.
Deus tem um segredo. Ele tomou Sua decisão em segredo, antes mesmo da criação do mundo, e guardou esse segredo.
Sabem, nós não conseguimos guardar segredo algum, especialmente se esse segredo for tão glorioso, tão bom, tão perfeito, tão agradável. Não conseguimos contê-lo; queremos contá-lo a todos.
Mas Deus sabe guardar segredos. Ele tem um segredo de máxima importância e o manteve oculto em Si mesmo ao longo das eras e das gerações, até a plenitude do tempo.
Um segredo aguarda ser revelado.
Às vezes, dizemos que o maior mistério do mundo é Deus. Ora, quem conhece a Deus? Ele está tão acima de nós. É ilimitado, infinito. Como podemos conhecê-Lo?
Não é de admirar que os gregos tivessem um altar com a inscrição: “Ao Deus desconhecido”. Deus não pode ser conhecido. Em certo sentido, isso é verdade.
Mas, em outro sentido, graças a Deus, Ele pode ser conhecido. Por quê? Porque Ele tem prazer em ser conhecido.
Um mistério, um segredo, aguarda ser revelado. Só há uma maneira de conhecer um segredo: quando ele é revelado.
Irmãos e irmãs, nós não conhecemos a Deus. Ele está muito além de nós. No que diz respeito ao nosso homem natural, não há maneira de conhecê-Lo.
Mas, graças a Deus, embora Sua vontade seja um mistério e Ele a tenha mantido oculta ao longo das gerações e das eras, Ele aguarda o momento certo para revelá-la. Na plenitude do tempo, Ele a revela.
Nosso Deus não é um Deus que Se esconde.
Vocês se lembram de que, em Gênesis 16:6-11, Agar fugiu de sua senhora, e um anjo do Senhor a encontrou e lhe disse que voltasse. Ele lhe disse que ela daria à luz um filho, que deveria chamá-lo Ismael e que Deus a abençoaria.
Então Agar disse, em Gênesis 16:13:
Tu és o Deus que vê.
Ele havia Se revelado a ela. Nosso Deus é um Deus que Se revela.
Em Gálatas 1:15-16, o apóstolo Paulo disse que aprouve a Deus revelar Seu Filho nele.
Assim, vocês sabem que nosso Deus tem um segredo e é capaz de guardá-lo. Mas, no momento certo, o segredo será revelado.
Portanto, irmãos e irmãs, quando entrarem nesse assunto do propósito eterno de Deus, lembrem-se de uma coisa: precisamos de revelação.
Sem o espírito de sabedoria e de revelação, não podemos entrar no propósito eterno de Deus. Nunca poderemos alcançar esse verdadeiro conhecimento de Deus.
Por isso, precisamos nos lançar sobre o Senhor, sem tentar depender da nossa própria capacidade.
Creio que, desde o início, precisamos ter uma atitude correta ao nos depararmos com o propósito eterno de Deus. Precisamos reconhecer que, no que diz respeito a nós mesmos, isso é algo que está além de nós.
Por mais que tentemos, não conseguiremos realmente compreendê-lo e experimentá-lo. Precisamos de revelação de Deus. Dependemos inteiramente de Deus para que Ele nos revele Seu propósito, Sua vontade e a Si mesmo.
Mas de uma coisa temos certeza: Ele tem prazer em revelar.
Sabem, se em sua família há um filho recém-nascido e alguém vem visitá-los, essa pessoa nem precisa perguntar. Vocês contarão o segredo, porque é algo muito querido ao seu coração.
Deus tem prazer em contar o segredo, mas, infelizmente, não estamos preparados. Por isso, Ele precisa usar todos os tipos de meios para nos preparar antes que o segredo possa ser revelado. Então lhe damos o devido valor.
Assim, irmãos e irmãs, vemos que Deus é a vontade suprema e que, dessa vontade, Ele estabeleceu um propósito.
Está no singular: um propósito. Não muitos propósitos, mas um único propósito abrangente, que inclui todas as coisas. Deus estabeleceu esse propósito em Si mesmo antes da fundação do mundo.
Portanto, vocês podem perceber como esse propósito é importante, como é grandioso e quanto significa para Deus.
Sabem, irmãos e irmãs, quando fomos criados, Deus também nos criou com uma vontade, porque nos fez segundo a Sua própria imagem.
Ele é a vontade suprema e também nos criou com uma vontade. Deus quer que queiramos a Sua vontade.
Como o pecado entrou neste mundo, nossa vontade é naturalmente contrária à vontade de Deus. Nosso propósito é naturalmente contrário ao propósito de Deus.
Mas, graças a Deus, por meio da Sua salvação, nós, que somos salvos pela graça de Deus, devemos render nossa vontade à vontade de Deus. Devemos adotar o propósito de Deus como nosso propósito. É isso que devemos fazer.
Vocês se lembram de Daniel. Quando Daniel era jovem, provavelmente ainda adolescente, foi levado como refém para a Babilônia.
Contudo, a Bíblia diz que ele propôs em seu coração não se contaminar com a comida e a bebida do rei. Em outras palavras, estabeleceu em si mesmo o propósito de se manter puro para Deus.
Ele adotou o propósito que Deus tinha para ele. Por causa desse propósito, vocês se lembram de como Deus honrou sua decisão, de como lhe deu sabedoria e entendimento e de como o usou grandemente, porque sua vida estava ligada ao propósito de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, somos seres vivos. Todos temos nossa vontade. Todos estabelecemos nossos propósitos. Mas nossa vontade está sendo rendida a Deus?
Deus respeita nossa vontade. Ele criou nossa vontade, por isso a respeita. Nunca nos forçará a fazer coisa alguma.
Se insistirmos em nossa própria vontade, mesmo que Ele procure nos resgatar, Ele respeita nossa vontade.
Portanto, é muito importante rendermos nossa vontade à vontade de Deus, porque sabemos que Sua vontade é perfeita.
Se rendermos nossa vontade à Sua vontade, estabeleceremos nosso propósito de acordo com o Seu propósito. Creio que isso é muito importante.
Deus não tem apenas uma vontade e um propósito. Quanto ao que é esse propósito, deixarei que meu irmão fale sobre isso mais tarde.
Mas vemos que, depois de Deus estabelecer um propósito, vem, em Efésios 1:11, o Seu conselho.
Em outras palavras, Deus não apenas tem uma vontade e estabeleceu um grande propósito; depois de estabelecer esse propósito, Ele também traça um plano — um conselho, um caminho — pelo qual esse propósito pode ser realizado.
Sabem, às vezes fazemos as coisas ao acaso. Não temos um plano. Algumas pessoas até se orgulham de não ter um plano.
Ora, se você não tem um plano, descobrirá que alguém fará planos por você. Você simplesmente será levado pelas circunstâncias, e haverá alguém por trás disso.
Deus nunca faz nada ao acaso. Ele planeja com muito cuidado. Planeja cada passo do caminho até que esse propósito seja realizado.
Vocês sabem o que é o tempo? O tempo é a oficina de Deus. Deus criou o tempo para executar Seu plano.
O tempo é importante para Deus, e Ele usa o tempo para realizar o que propôs. É por isso que a Bíblia diz, em Efésios 1:10:
Para uma dispensação da plenitude dos tempos.
Deus divide o tempo em tempos, em períodos. Em cada período, Ele está realizando algo em direção ao cumprimento do Seu propósito.
Seu propósito é tão gigantesco, tão glorioso, tão imenso, que é necessário todo o tempo para realizá-lo.
A palavra administração, em algumas versões, é traduzida como gestão. A palavra significa a gestão dos assuntos de uma casa.
Deus está administrando Sua casa. Está cuidando dos assuntos da Sua casa. É a administração dos Seus próprios assuntos.
É a dispensação, os períodos de tempo por meio dos quais Ele leva Seu propósito à plenitude.
É por isso que vemos, desde o princípio, que, por ter esse propósito em Si mesmo antes da fundação do mundo, Deus começou a fazer planos para realizá-lo.
A primeira coisa que Ele fez foi criar. Deus criou todas as coisas de acordo com esse propósito.
No princípio, Deus criou. Depois, Deus criou o homem, e o homem foi feito segundo a Sua semelhança. Por quê? A resposta é: de acordo com esse propósito.
Depois, ao longo de todo o Antigo Testamento, vocês podem ler e perceber como Deus foi executando gradualmente Seu plano durante a era dos patriarcas: como chamou um homem, Abraão; como formou uma nação, Israel; como trabalhou com essa nação.
E como trouxe o Messias, o Redentor, na plenitude do tempo. Vocês veem que Deus estava executando gradualmente todo o Seu plano. Ele não deixou passar nenhum detalhe.
Sabem, Israel conhecia apenas os atos de Deus. Quando Deus os fez atravessar o mar Vermelho, eles viram o milagre. O mar se abriu, e eles atravessaram em terra seca.
Oh, eles louvaram a Deus. Adoraram a Deus. “Deus é bom.”
Mas logo se esqueceram. Quando não tinham comida, disseram: “Pode Deus preparar uma mesa no deserto? Será que Deus é capaz de fazer isso?”
Imediatamente, começaram a duvidar, porque tudo o que conheciam era o ato de Deus — um conhecimento muito superficial de Deus.
Mas, graças a Deus, Moisés conhecia a Deus de maneira mais profunda, porque tinha uma vida com Deus.
Sabem, às vezes fico pensando. Quando Moisés subiu ao monte e recebeu das mãos de Deus as duas tábuas da lei — aquelas pedras foram feitas pelo próprio Deus, e o dedo de Deus escreveu as palavras nas duas tábuas de pedra —, como elas devem ter sido preciosas!
Então, quando Moisés desceu e viu os filhos de Israel adorando o bezerro de ouro, quebrou aquelas duas tábuas de pedra. Às vezes me pergunto: será que ele fez algo errado? Como ousou destruir aquilo que as próprias mãos de Deus haviam feito?
Sim, provavelmente estava irado. Talvez tenha pecado. Por que fez aquilo? Porque conhecia os caminhos de Deus.
Ele sabia que Deus era justo. Porque Deus era justo, se as pessoas pecassem contra Ele e violassem Sua lei, o castigo viria — um castigo severo.
Ele fez os filhos de Israel beberem a água na qual havia sido lançado o pó do bezerro de ouro, depois de moído. “Bebam o próprio pecado.”
Além disso, colocou-se à entrada do acampamento e disse, em Êxodo 32:26:
Quem é do Senhor, venha a mim.
Ordenou-lhes que fossem de uma entrada a outra e matassem todos os que encontrassem, fossem quem fossem.
Por quê? Por que Moisés ordenou que os filhos de Israel fizessem todas essas coisas? Porque conhecia a vontade de Deus. Sabia que Deus é absolutamente justo. A justiça de Deus precisa ser vindicada. Não pode ser comprometida.
Contudo, logo depois, ele subiu ao monte e intercedeu pelos filhos de Israel. Por quê? Porque sabia que Deus é misericordioso.
Irmãos e irmãs, quando conhecemos os caminhos de Deus, podemos trabalhar juntamente com Deus. Caso contrário, não conseguiremos trabalhar com Deus.
Portanto, mais uma vez, como é importante conhecermos o Seu conselho!
Quando pensamos no conselho de Deus, encontramos nas Escrituras, por exemplo, em Romanos 11:33-34:
Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!
Quão insondáveis são os Seus juízos,
e inescrutáveis os Seus caminhos!
Pois quem conheceu a mente do Senhor?
Ou quem foi Seu conselheiro?
Deus precisa perguntar alguma coisa a alguém? Claro que não. Mas, graças a Deus, podemos conhecer os Seus caminhos. Podemos conhecer o Seu conselho e, por causa disso, podemos trabalhar juntamente com Ele.
Recentemente, li algo que o querido irmão Sparks disse em Manila, em 1964. Ele disse que é importante conhecer o propósito de Deus, mas, se você conhece apenas o propósito de Deus e não conhece o caminho de Deus — o caminho para esse propósito —, isso é inútil.
Não precisamos apenas conhecer o propósito de Deus; precisamos também conhecer os caminhos de Deus, o Seu conselho.
Finalmente, a terceira coisa é a obra. Deus trabalha. Ele trabalha segundo o conselho da Sua vontade, para que o propósito seja cumprido.
Nosso Deus é um Deus que trabalha.
Vocês se lembram de que o Senhor Jesus diz em João 5:17:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Vejam, Deus está trabalhando desde que criou os céus e a terra, desde que criou o homem.
Ele deveria ter Seu descanso então, porque no sétimo dia descansou. Olhou para tudo e disse que era maravilhoso.
Mas, muito pouco tempo depois, Seu descanso foi interrompido. Nossos antepassados, Adão e Eva, pecaram no jardim do Éden, e Deus começou a trabalhar novamente, dizendo em Gênesis 3:9:
Adão, onde estás?
Deus começou a vir para buscar e encontrar os perdidos. Deus chamou Abraão. Deus trabalhou com os filhos de Israel. Deus até enviou Seu Filho unigênito a este mundo.
E Ele tem trabalhado desde então. Nosso Deus trabalha.
Ele trabalha segundo a força do Seu poder, esse poder extraordinariamente grande.
Em Efésios 1:18-22, somos informados de que, se nossos olhos forem abertos, veremos a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, segundo a força do Seu poder, ao ressuscitar Cristo dentre os mortos, assentá-Lo nas alturas à Sua direita e colocar tudo debaixo dos Seus pés.
Irmãos e irmãs, esse é o poder de Deus em ação.
Deus pode nos responder muito além de tudo o que podemos pedir ou mesmo pensar, para a glória de Deus.
Assim, vemos que Deus tem um propósito glorioso, e esse propósito foi estabelecido por amor. Deus traça um plano segundo a Sua sabedoria e, agora, trabalha com poder extraordinariamente grande para cumprir esse propósito.
Então, será que vocês podem pensar que o Seu propósito falhará? Seu propósito será realizado.
Mas também precisamos conhecer esse poder se quisermos trabalhar juntamente com Deus. Se quisermos fazer parte desse plano para esse propósito, irmãos e irmãs, precisamos conhecer o poder de Deus.
O apóstolo Paulo conheceu o poder de Deus em sua própria vida. Vocês se lembram de que, em 2 Coríntios 12:7-9, quando tinha aquele espinho no corpo, ele suplicou a Deus que removesse aquele espinho, aquela estaca, para que pudesse ser forte.
Contudo, o Senhor disse:
A Minha graça te basta:
porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
Em outras palavras, em sua fraqueza ele experimentou o poder de Deus. A razão pela qual não experimentamos o poder de Deus é que somos fortes demais. Nosso problema não é a fraqueza; nosso problema é a força.
Se reconhecermos nossa fraqueza, a ponto de até nos gloriarmos nela — não de maneira errada, mas naquilo que realmente constitui fraqueza —, então experimentaremos o poder extraordinariamente grande de Deus.
Sabem, somos um vaso de barro, mas há um tesouro dentro de nós, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos.
Paulo, mesmo em seu trabalho, se esforçava e labutava no poder de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos saber como trabalhar com Deus. Precisamos do Seu poder para que possamos ser usados por Deus para levar Seu propósito à plenitude.
Assim, queridos irmãos e irmãs, na verdade estamos aqui diante de algo tremendamente grandioso. Não é apenas uma pequena conferência. É algo que toca a eternidade. É algo que toca o propósito eterno de Deus.
E, graças a Deus, Ele está nos atraindo para esse propósito. Estamos nesse propósito e precisamos saber qual é esse propósito.
Precisamos trabalhar juntamente com Ele, permitindo que Ele o realize em nós e por meio de nós, até que Sua glória seja manifestada.
Que o Senhor prepare nosso coração para este tempo. Vamos orar?
Querido Senhor, nós Te louvamos e agradecemos porque estás disposto a compartilhar conosco o Teu próprio coração.
Queremos agradecer-Te porque desejas que sejamos homens e mulheres segundo o Teu coração, que conheçamos o Teu coração e que permitamos que realizes isso em nós e até por meio de nós.
Para que o Teu propósito eterno se torne realidade.
Senhor, queremos nos oferecer a Ti para o Teu propósito. Tem misericórdia de nós. Em Teu precioso nome. Amém.