Bem, gostaríamos de continuar o que começamos nesta manhã.
Encontramos na Palavra de Deus que o Senhor não apenas nos lavou dos nossos pecados em Seu sangue, mas também nos fez reis e sacerdotes para Deus. Assim, nesta tarde, gostaríamos de considerar como Ele nos fez sacerdotes para Deus e o que devemos fazer como sacerdotes.
Mais uma vez, quero lembrar a vocês, irmãos e irmãs, que isso é mais do que algo que acontecerá no futuro. Sempre nos projetamos para o futuro e nos esquecemos do presente. Acho que essa é uma maneira de pensar muito comum entre os cristãos.
O futuro é importante, mas precisa começar hoje. Quando consideramos a obra de Deus, vemos que Ele sempre tem o futuro em vista, mas tudo começa hoje. Um dia, todos nós O serviremos por toda a eternidade, mas servi-Lo como sacerdotes deve começar agora. Se não começarmos a aprender a servi-Lo hoje, naquele dia não saberemos exercer nossa função como sacerdotes.
Portanto, o pensamento é este: nós, que pertencemos ao Senhor, que fomos lavados pelo sangue e redimidos, somos todos sacerdotes. Agora, esse não é um pensamento novo. Ele se encontra na Bíblia, como vemos em 1 Pedro 2:5: ao nos achegarmos ao Senhor, somos como pedras vivas, edificados juntos como uma casa espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual,
para serdes sacerdócio santo,
para oferecerdes sacrifícios espirituais,
agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Assim, ao nos achegarmos ao Senhor, somos como pedras vivas. Estamos sendo edificados juntos como uma casa espiritual; mas, ao mesmo tempo, somos um sacerdócio santo, um sacerdócio que serve nessa casa espiritual.
O sacerdócio universal dos crentes é uma verdade do Novo Testamento. Mesmo quando pensamos na época da Reforma, lá no século XVI, muitas vezes consideramos que ela nos deu duas coisas. Uma é a justificação pela fé, e a outra é uma Bíblia aberta.
Graças a Deus por isso, porque, antes daquela época, durante a chamada Idade das Trevas, as pessoas nem sequer sabiam que a justificação é pela fé. Tentavam alcançar a salvação pelas obras, acumulando méritos, fazendo penitências e todo tipo de coisa. Durante a Reforma, vemos que houve uma recuperação da verdade da justificação pela fé.
Antes da Reforma, a Bíblia estava acorrentada, era um livro acorrentado. Mas, depois da Reforma, vemos que ela se tornou um livro aberto. Foi traduzida para diferentes idiomas para que as pessoas pudessem lê-la, e realmente damos graças a Deus por isso.
Mas, se vocês lerem a história da Reforma, se lerem a história de Martinho Lutero, descobrirão que, já naquela época, Martinho Lutero defendia o sacerdócio universal dos crentes.
É difícil acreditar, mas é a verdade. No século XVI, ele pregou o sacerdócio universal dos crentes — que todo crente é um sacerdote. Infelizmente, porém, essa verdade não foi ouvida naquela época; não foi praticada.
Muito rapidamente, entre as denominações protestantes, esse sacerdócio universal se tornou desconhecido, completamente enterrado, por assim dizer. Martinho Lutero falava sobre ele, mas ele não era praticado. Durante quatrocentos anos, até os nossos dias, essa verdade tem precisado ser recuperada.
Creio que, cada vez mais, em nossos dias, as pessoas estão começando a enxergar essa questão do sacerdócio universal dos crentes. A menos que vejamos essa verdade e a pratiquemos, a igreja nunca será edificada, e a obra que Deus confiou à igreja nunca poderá ser cumprida.
Nunca se pode esperar que umas poucas pessoas carreguem todo o encargo da igreja e façam toda a obra que Deus confiou à igreja. Isso é simplesmente impossível. É por isso que vemos que essa obra não tem sido realizada. A igreja não está verdadeiramente edificada, mesmo depois desses quatrocentos anos.
Portanto, já é hora de realmente voltarmos à verdade de Deus e vermos que, ao nos salvar e redimir, Ele nos fez sacerdotes. Todo crente é um sacerdote. Ser sacerdote significa servir a Deus, porque essa é a nossa vocação. A vocação de um sacerdote é servir a Deus.
Agora, para entendermos melhor essa questão do sacerdócio, ou do sacerdote, acho que mais uma vez procuraremos ilustrá-la por meio de uma vida. Nessa vida, podemos ver o que realmente significa ser sacerdote e como podemos exercer nossa função como sacerdotes.
Quando consideramos a realeza, usamos Moisés como exemplo. Ao tratarmos do sacerdócio, usaremos Arão como exemplo. Agora, Arão não é o primeiro sacerdote na Bíblia.
Nos dias dos patriarcas, o chefe da família era o sacerdote da família. Por exemplo, na família de Abraão, Abraão era o sacerdote da família. Isaque, naturalmente, era o sacerdote da família. Jacó, ao procurar obter o direito de primogenitura, na verdade também estava procurando ser o sacerdote da família.
Assim, nos dias dos patriarcas, o chefe da família era o sacerdote. Mas, quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, Ele os levou ao deserto. Em Êxodo 19:4-6, Deus disse que os havia trazido a Si sobre asas de águias e que, se guardassem Sua aliança e obedecessem à Sua voz, Ele os faria um reino de sacerdotes.
Vós tendes visto o que fiz aos egípcios,
como vos levei sobre asas de águias,
e vos trouxe a Mim.
Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a Minha voz,
e guardardes a Minha aliança,
então sereis a Minha propriedade peculiar dentre todos os povos:
porque toda a terra é Minha;
e vós Me sereis um reino de sacerdotes
e uma nação santa.
Em outras palavras, depois que os filhos de Israel foram libertados do Egito e trazidos a Deus, o propósito de Deus era fazer deles uma nação de sacerdotes. Isto é, todo israelita era um sacerdote. Se dois milhões de pessoas saíram do Egito, então havia dois milhões de sacerdotes. Todos os homens, todas as mulheres, todas as crianças — todos os que nasciam na nação de Israel — nasciam para ser sacerdotes.
Esse era o propósito original de Deus para os filhos de Israel. Esse era o pensamento de Deus a respeito de um povo que Ele havia libertado: uma nação de sacerdotes. Todos tinham o privilégio de servir a Deus, e todos deveriam servir a Deus.
Infelizmente, porém, enquanto Moisés estava no monte recebendo os Dez Mandamentos, os filhos de Israel transgrediram a lei.
Quando Moisés desceu do monte, viu o que havia acontecido. Quebrou as duas tábuas da lei. Queimou o bezerro de ouro, reduziu-o a pó, espalhou esse pó sobre a água e mandou os filhos de Israel beberem dela. Isto é, eles deveriam beber os seus próprios pecados.
Ao fazer isso, a nação de Israel se desqualificou para servir a Deus. Quanto ao chamado de Deus, eles haviam sido chamados para servir a Deus. Haviam sido chamados para ser uma nação de sacerdotes. Foi isso que Moisés disse a Faraó:
Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.
Quem iria? Os homens, as mulheres e as crianças — todos deveriam adorar a Deus. Esse era o chamado de Deus. Mas, por causa do pecado deles, não foi Deus Quem os desqualificou; eles mesmos se desqualificaram para servir a Deus.
Então Moisés se colocou à entrada do acampamento e disse:
Quem é do Senhor, venha a mim.
A tribo de Levi veio até ele.
Moisés ordenou que tomassem suas espadas, entrassem no acampamento, de porta em porta, e matassem todos os que encontrassem — amigos, vizinhos, irmãos, quem quer que fossem. Naquele dia, três mil foram mortos. Então Moisés disse aos levitas que se santificassem diante do Senhor.
Depois disso, vemos que Deus escolheu a tribo de Levi e a família de Arão para o serviço sacerdotal. Apenas uma família, a família de Arão, e apenas uma tribo dentre as doze, a tribo de Levi, deveriam servir a Deus. O restante do povo e das tribos ficou impedido de servir a Deus. Eles não podiam se aproximar de Deus diretamente; precisavam fazê-lo por meio do trabalho intermediário de Arão e de seus filhos, com a ajuda dos levitas.
Agora, essa foi uma medida emergencial de Deus, não o Seu plano original.
Pode-se levantar a seguinte questão: por que Deus escolheu Arão e sua família, e a tribo de Levi? Eles não adoraram o bezerro de ouro como as outras tribos? Sim, adoraram. Não foi Arão quem de fato fez o bezerro de ouro? Sim, foi.
Os filhos de Israel vieram a Arão e disseram: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés. Faça-nos um deus para nos conduzir”. Arão disse: “Deem-me o ouro de vocês”. Eles tiraram seus brincos, anéis e todas essas coisas, e Arão os derreteu e fez um bezerro de ouro.
Portanto, Arão foi, de fato, quem pecou nessa rebelião. Então, por que ele e sua família, juntamente com a tribo de Levi, foram escolhidos para o sacerdócio? Arão não era melhor do que os outros filhos de Israel. Os levitas não eram melhores do que as outras tribos. Todos haviam caído.
Por que Deus designou Arão e os levitas para servi-Lo? A única razão foi que, quando Moisés disse: “Quem é do Senhor?”, eles vieram e se colocaram ao lado de Moisés.
Ao fazer isso, demonstraram seu arrependimento. Produziram fruto de arrependimento ao romper todos os laços naturais, sem reservas. Essa foi a única razão pela qual foram escolhidos.
Assim, irmãos e irmãs, em certo sentido, esse é o nosso retrato hoje. Quanto ao nosso chamado, todos somos chamados para ser sacerdotes, porque Ele nos fez sacerdotes para Deus. Isso é graça. Todos somos chamados para ser sacerdotes; devemos ser um sacerdócio santo.
Todo filho de Deus redimido é hoje um sacerdote, e todos são chamados para servir a Deus. Esse é o nosso privilégio e o nosso dever.
Mas muitos são chamados, e poucos são escolhidos. Em outras palavras, quanto ao chamado de Deus, todos somos chamados. Infelizmente, porém, não somos melhores do que ninguém; todos falhamos com Deus. Contudo, aqueles que se arrependem e produzem fruto de arrependimento serão escolhidos.
De que maneira? Pela disposição de nos colocarmos ao lado do Senhor contra nós mesmos. Se cedermos a nós mesmos, não seremos capazes de servir. Mas, se estivermos dispostos a negar a nós mesmos, então seremos escolhidos para servir.
Acho que essa é a diferença que podemos perceber. Por que, entre o povo de Deus, há tão poucos que parecem exercer sua função como sacerdotes? Todos somos chamados para ser sacerdotes, e devemos servir a Deus. Devemos, sim. No entanto, na prática, tão poucos estão servindo como sacerdotes.
Por que isso acontece? Acho que a razão é que cedemos a nós mesmos. Assim como os filhos de Israel: eles cederam a si mesmos e começaram a servir a outros deuses. Ao fazer isso, desqualificaram a si mesmos. Não tinham condição alguma de servir a Deus.
O Senhor diz:
Ninguém pode servir a dois senhores.
Não podeis servir a Deus e a Mamom.
Muitas vezes, as pessoas estão tão ocupadas, tão absorvidas em outras coisas que não são Deus, que privam a si mesmas do privilégio de servir a Deus.
Somente aqueles que realmente negam a si mesmos e rompem, por assim dizer, todas essas amarras e esses laços naturais podem servir. Como o Senhor disse, os violentos se apoderam do reino — violentos para com nós mesmos. Precisamos estar dispostos a nos colocar ao lado do Senhor, em vez de nos colocar ao lado da multidão.
Somente quando estivermos dispostos a fazer isso — não, de maneira alguma, porque somos melhores do que os outros, mas porque estamos dispostos a nos colocar ao lado do Senhor — seremos escolhidos para servir e exercer nossa função.
Mais uma vez, há uma diferença aqui. No caso dos filhos de Israel, sob a lei, quando falharam com Deus, ficaram impedidos de ser sacerdotes. Isso era sério. Mas, sob a graça, embora vejamos que apenas uns poucos são escolhidos, por assim dizer, para servir, é a vontade de Deus que ajudemos todos os irmãos e irmãs a serem restaurados a esse sacerdócio.
Eles não estão impedidos eternamente. Pelo contrário, é a vontade de Deus que todo crente exerça sua função como sacerdote. Uma coisa que realmente precisamos incentivar entre os irmãos e irmãs é esta: aqueles que não estão exercendo sua função como sacerdotes devem passar a exercê-la.
Nunca veremos o pleno significado da igreja enquanto não virmos cada irmão e irmã exercendo sua função como sacerdote. Caso contrário, o pleno significado da igreja nunca será visto.
Somente quando todos os irmãos e irmãs, todos mesmo, começarem a exercer sua função como sacerdotes — quando todos começarem a servir ao Senhor, não apenas uns poucos monopolizando as coisas espirituais, mas cada irmão e irmã servindo como sacerdote — veremos o pleno significado da igreja.
Qual é a ocupação de um sacerdote? A ocupação de um sacerdote é servir a Deus.
Às vezes, os sacerdotes cultivavam a terra. Mesmo nos tempos do Antigo Testamento, vemos que lhes foram dados campos. Às vezes, voltavam para casa e cultivavam seus campos, trabalhavam neles. Mas essa era uma atividade secundária; não era sua ocupação principal. Mesmo quando cultivavam o campo, trabalhavam ali como sacerdotes. Nunca se esqueciam de que eram sacerdotes.
Acho que, em nosso tempo, é a mesma coisa. Todos somos chamados para ser sacerdotes. O sacerdócio é a nossa ocupação. Servir a Deus é a nossa ocupação. Cada irmão e irmã vive por uma única razão: servir a Deus. Não há outra razão, porque somos sacerdotes. Não somos como as outras pessoas.
Alguns podem trabalhar no campo. Alguns podem trabalhar em um escritório. Alguns podem trabalhar na cozinha. Alguns podem trabalhar em uma escola. Alguns podem fazer o que as pessoas chamam de trabalho espiritual ou ministério. Mas, no que diz respeito ao sacerdócio, todas essas diferentes atividades são secundárias. Nossa vocação é servir a Deus, porque somos sacerdotes. É isso que somos.
Você pode estar trabalhando na cozinha e criando os filhos, mas, ao criar os filhos, você é um sacerdote, criando os filhos para Deus. Ou pode estar ensinando em uma escola. Você é um sacerdote, ensinando na escola para Deus. Ou pode até ser um estudante. Você está estudando como um sacerdote para Deus.
Ou pode exercer outra profissão. Você exerce essa profissão para Deus, porque é um sacerdote.
Acho que isso é algo que realmente precisamos enfatizar em nossos dias, porque toda essa questão de uma classe intermediária — uns poucos considerados sagrados e os demais considerados comuns ou leigos — tornou-se um hábito tão arraigado. Ficamos tão acostumados com isso que começamos a aceitá-lo como verdade.
Começamos a sentir que existe uma linha dividindo o chamado secular do sagrado, não apenas no trabalho em que estamos envolvidos, mas até entre as pessoas. No entanto, não existe tal coisa nas Escrituras.
Nas Escrituras, cada um de nós é sacerdote. É isso que todos somos. Qualquer trabalho que façamos é feito para o Senhor, como sacerdotes. Se você está pregando, está pregando como sacerdote para Deus. Se está cozinhando, está cozinhando como sacerdote para Deus. Não há diferença entre sagrado e secular.
Para os puros, tudo é puro. Para o sacerdote, tudo é uma função sacerdotal, e devemos realizá-la para o Senhor.
Como costumava dizer uma irmã idosa que agora está com o Senhor, quando lavava a louça: “Eu lavo a louça como para o Senhor”. Isso é diferente de simplesmente lavar a louça. Você pode lavar bem a louça, e o trabalho estará feito, mas, se a lavar para o Senhor, haverá uma diferença na maneira de lavá-la.
Acho que isso é algo que realmente precisamos enxergar: na obra redentora de nosso Senhor Jesus, Ele nos redimiu, levando-nos de volta ao propósito original de Deus.
Não é que Ele nos tenha redimido até certo ponto e nos deixado ali. Vemos que nosso Senhor sempre nos leva de volta ao princípio. Ao princípio — é isso que a redenção faz. Ele nos leva de volta ao início do propósito de Deus.
O propósito original de Deus para nós é que todos sejam sacerdotes. Portanto, todos devem servir a Deus. Podemos servir a Deus em diferentes áreas e funções, mas, ainda assim, todos estamos servindo a Deus. Essa é a obra da nossa vida; essa é a nossa vocação.
Se temos outras coisas a fazer, elas são nossas atividades secundárias. Elas nos ajudam a servir a Deus, e, mesmo quando fazemos essas outras coisas, também estamos servindo a Deus.
Assim, acho que esta é a primeira coisa que precisamos entender: nosso chamado é para o sacerdócio. Esse é o nosso chamado. Não precisamos pensar que necessitamos de um chamado especial para servir a Deus.
Esse é o nosso pensamento tradicional: se você quer servir a Deus, precisa de um chamado especial. Agora, não quero dizer que você não precise de um chamado especial para ser um missionário e ir para outro país. Certamente precisa conhecer a vontade do Senhor quanto a isso. Mas, no que diz respeito ao nosso chamado para servir a Deus, ele é universal.
Você não precisa esperar por um chamado especial. Você já foi chamado. Você foi feito sacerdote, quer goste disso ou não. É melhor que reconheça isso e comece a exercer sua função como sacerdote para Deus.
Agora, esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é que, depois que Arão e seus filhos foram chamados para ser sacerdotes, antes que pudessem servir no tabernáculo, precisavam ser consagrados.
Encontramos isso em Êxodo 28 e Êxodo 29. Êxodo 28 trata das vestes sacerdotais, e Êxodo 29 trata da consagração dos sacerdotes. Eles precisavam ser consagrados antes que pudessem realmente exercer sua função no tabernáculo.
Por exemplo, Êxodo 28:1 diz:
Depois, tu farás chegar a ti teu irmão Arão,
e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel,
para Me administrarem o ofício sacerdotal:
Arão, Nadabe e Abiú, Eleazar e Itamar, filhos de Arão.
Em Êxodo 28:2-3, lemos:
E farás vestes santas a Arão, teu irmão,
para glória e ornamento.
Falarás também a todos os que são sábios de coração,
a quem Eu tenha enchido do espírito de sabedoria,
que façam vestes a Arão para santificá-lo,
para que Me administre o ofício sacerdotal.
Arão e seus filhos foram separados como sacerdotes. Mas, antes que pudessem exercer sua função no tabernáculo, precisavam ser santificados por meio da consagração.
Na consagração, havia duas coisas principais. Primeiro, eles precisavam ser vestidos com as vestes sacerdotais. Segundo, precisavam oferecer diferentes sacrifícios, incluindo um carneiro da consagração. Deixemos os detalhes de lado e nos concentremos nesses dois pontos.
Ao serem consagrados e santificados, Arão e seus filhos precisavam ser vestidos com as vestes sacerdotais. Não podiam servir a Deus com suas roupas comuns. Precisavam se lavar e vestir as vestes sacerdotais.
Naturalmente, as vestes sacerdotais eram para beleza e glória. Isso é diferente da veste que recebemos quando somos salvos.
Quando o filho pródigo voltou, o pai tirou suas roupas esfarrapadas e o vestiu com a melhor roupa. Isso fala de como, quando nos achegamos ao Senhor, somos revestidos de Cristo como nossa justiça. Não temos justiça própria; nossas justiças são como trapos de imundícia.
Quando nos achegamos ao Senhor, Ele tira a nossa justiça — que, na verdade, não é justiça alguma — e Deus nos veste com a melhor roupa, a veste de justiça, que é Cristo. Somos revestidos de Cristo e, por estarmos revestidos de Cristo, estamos aptos a permanecer diante de Deus.
Essa é a nossa posição diante de Deus. Mas servir a Deus é outra coisa. Para servir a Deus, precisamos vestir a veste sacerdotal.
Os cristãos têm várias vestes para vestir. A básica, naturalmente, é a melhor roupa, a veste de justiça — Cristo, nossa justiça —, para que possamos permanecer diante de Deus. Ele nos dá a base para permanecermos diante de Deus. Mas, para servir, precisamos vestir outra veste, as vestes sacerdotais.
Naturalmente, ainda é Cristo. Não podemos vestir nada que não seja Cristo. Mas é mais do que Cristo como nossa justiça. É Cristo como nossa glória e nossa beleza.
Em outras palavras, precisamos conhecer Cristo mais profundamente — não apenas conhecê-Lo como nossa justiça, mas conhecer Cristo como nossa beleza e nossa glória.
Precisamos conhecer Cristo como mais do que um Salvador. Precisamos conhecê-Lo como nossa vida, nossa alegria, nossa paz, nossa força e nossa sabedoria. Precisamos conhecê-Lo como mais do que simplesmente nosso Salvador. É para glória e beleza.
O éfode era uma bela obra artística. Era feito de ouro, azul e outros materiais, e tinha joias e pedras preciosas bordadas nele. A veste que o sacerdote usava era azul, com campainhas de ouro e romãs.
Todas essas coisas falam da beleza e da glória de nosso Senhor Jesus. Ele é a nossa vida. Ele é a nossa força. Ele é a nossa sabedoria. Ele é a nossa alegria, paz, amor e tudo o mais. Em outras palavras, precisamos conhecer Cristo como mais do que nosso Salvador. Precisamos conhecê-Lo como nossa vida, nossa glória e nossa beleza.
A beleza do Senhor e a glória de Sua vida precisam estar sobre nós. Ao sermos revestidos de Cristo como nossa beleza e nossa glória, então estamos aptos a exercer nossa função como sacerdotes.
Muitas vezes, as pessoas são salvas, mas não conseguem exercer sua função como sacerdotes. A razão é que não crescem no Senhor. Um bebê não pode exercer essa função. Um bebê precisa ser servido, mas não pode servir.
Somente quando crescemos em Cristo, quando crescemos no conhecimento de Cristo — e esse conhecimento não é apenas intelectual, mas um conhecimento vivido na experiência —, à medida que O conhecemos e conhecemos o poder de Sua ressurreição, participamos de Seus sofrimentos e somos conformados à Sua morte, à medida que O conhecemos mais plenamente, é que crescemos espiritualmente.
Isso é crescimento espiritual. Isso é vestir a veste sacerdotal para beleza e glória. É com essa veste que somos capazes de servir.
Por outro lado, eles precisavam sacrificar o carneiro da consagração. Esse carneiro da consagração era o que realmente os separava para o sacerdócio.
Depois que o carneiro era morto, o sangue era aplicado à orelha direita, ao polegar direito e ao dedo grande do pé direito do sacerdote. Por quê? Porque, para servir a Deus, precisamos que nossa orelha, nossa mão e nossos pés sejam purificados.
Ao servir a Deus, a primeira coisa é o ouvido. Muitas vezes, pensamos que servir a Deus começa com os pés — correndo de um lado para outro — ou com as mãos, trabalhando para Ele. Mas não. Ao servi-Lo, a primeira coisa é o ouvido. Precisamos ouvi-Lo. Se não soubermos ouvi-Lo, nunca seremos capazes de servi-Lo.
Assim, no caso do carneiro da consagração, a primeira coisa é que o sangue seja aplicado à orelha. Nosso ouvido precisa ser purificado, separado e limpo pelo sangue, para que possamos ouvir o que Ele tem a dizer.
No monte da transfiguração, Deus disse:
Este é o Meu Filho amado; a Ele ouvi.
Não falem, mas ouçam-No. Depois de O ouvirmos, nossas mãos são purificadas para trabalhar para Ele, e nossos pés são limpos para ir aonde quer que Ele nos envie.
Por que um carneiro é usado na consagração? Nas Escrituras, o carneiro fala de devoção — uma dedicação de todo o coração. O carneiro representa Cristo, Que, pelo Espírito eterno, ofereceu a Si mesmo sem mácula a Deus como holocausto. Ele Se dedicou absolutamente ao Pai.
O mesmo sangue, Sua vida, deve marcar a nossa vida. Seu sangue é aplicado à nossa orelha, às nossas mãos e aos nossos pés, para que Sua vida caracterize a nossa vida. Estamos em união com Cristo em completa devoção, em completa dedicação a Deus.
As mãos dos sacerdotes eram cheias com a gordura do carneiro e um pão retirado do cesto de bolos e pães sem fermento. Com as mãos cheias, eles moviam essas coisas diante do Senhor. Ao fazer isso, eram consagrados.
A palavra consagração significa, na verdade, “enchimento das mãos”. Esse é o significado de consagração. À medida que suas mãos eram cheias, eles eram consagrados.
Com o que suas mãos eram cheias? Com a gordura do carneiro e os bolos de pão sem fermento. Mais uma vez, vemos que a gordura do carneiro fala da abundância de vida.
A gordura é a superabundância de vida. O que sobra do alimento que ingerimos e utilizamos é armazenado como gordura. Assim, nas Escrituras, a gordura fala da abundância de vida. Como a gordura vem do animal, nesse sentido ela fala da vida divina de Cristo, da divindade de Cristo.
Na vida divina de Cristo, em Sua divindade, toda a plenitude da Divindade habita corporalmente Nele. Ele está cheio da abundância das riquezas da Divindade.
O pão, por sua vez, é feito de trigo, e o trigo sempre representa a vida humana de nosso Senhor Jesus, Sua humanidade. Ele foi um grão de trigo que caiu na terra e morreu. O trigo é moído, transformado em um bolo e assado; isso fala de Seus sofrimentos e de Sua morte.
Nas Escrituras, a oblação, a oferta de cereais, sempre fala da vida humana de nosso Senhor Jesus. Ela fala de toda a pureza de Sua vida humana.
Portanto, quando as mãos dos sacerdotes são cheias com a gordura e o pão, isso significa que nossas mãos estão cheias de Cristo — tanto de Sua divindade quanto de Sua humanidade. Ao movê-los diante de Deus, somos santificados.
Em outras palavras, devemos oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Como sacerdotes, nossas mãos precisam estar cheias de Cristo se quisermos servir.
Não podemos vir servir a Deus usando nossas próprias roupas. Precisamos vir servir a Deus usando as vestes sacerdotais — isto é, Cristo como nossa glória e nossa beleza. Ao mesmo tempo, o que temos? O que podemos oferecer a Deus?
Não podemos oferecer a Deus nada que seja produto do nosso próprio trabalho, como a oferta de Caim. Não podemos nos achegar a Deus com as mãos cheias dos produtos da terra, do trabalho de nossas próprias mãos, em vez de nos achegarmos a Deus com as mãos cheias de Cristo.
Se fizermos isso, seremos completamente rejeitados. Nosso serviço não será aceito. Muitas vezes, esse é o nosso problema. Achegamo-nos a Deus com as mãos cheias de nossos próprios produtos — nossos planos, nossos programas, nossa energia e todas essas coisas, o melhor que podemos produzir.
Mas, se fizermos isso, seremos totalmente rejeitados. Seria pior do que não oferecer nada. Quando nos achegamos ao Senhor, nossas mãos precisam estar cheias de Cristo.
No serviço sacerdotal, não oferecemos nada além de Cristo. Tem de ser Cristo — seja Sua divindade, seja Sua humanidade; sejam as riquezas de Sua vida divina, seja a pureza de Sua vida humana. Com essas coisas enchendo nossas mãos, somos santificados e separados para servir como sacerdotes.
Portanto, essa é a segunda coisa. Primeiro, o chamado: todos somos chamados. Segundo, a consagração: precisamos ser separados. Não podemos servir a Deus com aquilo que somos ou usando aquilo que temos. Precisamos servir a Deus sendo separados, e com Cristo e em Cristo.
Agora, a terceira coisa é esta: assim como Moisés tinha uma vara, que é o símbolo da realeza e da autoridade, Arão também tinha uma vara.
A razão era que, durante a rebelião de Corá e de seus companheiros, quando se rebelaram contra Deus, eles se rebelaram não apenas contra Moisés, mas também contra Arão. Disseram que todo o povo, toda a nação, era santo e perguntaram por que Moisés e Arão se exaltavam.
Mesmo depois que a terra se abriu e engoliu Corá e os que estavam com ele, e mesmo depois que saiu fogo do tabernáculo e consumiu os duzentos e cinquenta líderes, os filhos de Israel ainda tinham um espírito rebelde.
Em outras palavras, ainda sentiam que podiam servir a Deus. Não aceitavam o fato de que somente Arão e sua família haviam sido escolhidos para servir a Deus.
Para resolver essa questão do sacerdócio, Deus mandou Moisés dizer aos filhos de Israel que cada tribo deveria preparar uma vara — um ramo cortado de uma árvore. Cada tribo deveria preparar uma vara, e o nome da tribo deveria ser escrito nela. O nome de Arão foi escrito na vara de Levi.
Essas doze varas foram colocadas diante da arca, no tabernáculo, durante a noite. No dia seguinte, a vara que brotasse e desse fruto identificaria a tribo escolhida por Deus.
Lembrem-se: todas essas doze varas estavam mortas. Quando foram cortadas das árvores, morreram. Foram colocadas diante da arca, diante da presença do Senhor, durante a noite.
Na manhã seguinte, quando retiraram as doze varas, a vara de Arão havia brotado. Produziu flores, floresceu e deu amêndoas — deu fruto.
Isso resolveu, de uma vez por todas, toda a questão de quem poderia servir a Deus. Somente a vara que brotasse e desse fruto poderia servir a Deus.
A amêndoa, nas Escrituras, sempre fala de ressurreição. Por quê? Porque a amendoeira é a primeira árvore a brotar e dar fruto depois do inverno. Assim, na Bíblia, a amendoeira é sempre usada como um tipo da ressurreição.
Aqui, então, vemos que nenhum deles estava apto a servir. Nenhum deles era capaz de servir a Deus. Estavam mortos — doze varas, doze tribos, todos os filhos de Israel. Quanto à sua condição natural diante de Deus, todos estavam mortos. Ninguém estava qualificado para servir a Deus.
Mas aquele que foi levantado dentre os mortos, em ressurreição, estava apto e era capaz de servir.
Como podemos servir a Deus? Não podemos servir a Deus com obras mortas. Só podemos servir a Deus no poder da ressurreição. Essa é a única maneira pela qual podemos servir a Deus.
Deus só aceitará o serviço realizado no poder da ressurreição de nosso Senhor Jesus. Se nos achegarmos a Deus e tentarmos servi-Lo com nossa energia natural, com nossa força e sabedoria carnais, seremos totalmente rejeitados, porque essas coisas são consideradas mortas diante de Deus.
Nosso Deus é um Deus vivo. Ele não pode ser servido por pessoas mortas nem por obras mortas. Se quisermos servir a Deus, precisamos servi-Lo no poder da ressurreição de nosso Senhor Jesus.
Acho que esse é um padrão muito rigoroso, um padrão do qual precisamos ser lembrados. Muitas vezes, procuramos servir a Deus, mas servimos em nossa própria força. Não servimos com a vara de Arão.
A vara de Arão é o símbolo da ressurreição. Somente com essa vara somos capazes de servir a Deus de maneira eficaz. Lembremo-nos de que nunca podemos servir a Deus por nós mesmos. Por um lado, devemos servir a Deus; por outro, não podemos servi-Lo a não ser no poder de Sua ressurreição.
Nesta manhã, mencionamos Moisés. Quando foi provocado, ele tomou a vara que estava diante da arca. Deus disse:
Toma a vara, e fala à rocha.
Por quê? Porque essa é uma função sacerdotal.
A rocha já havia sido ferida, portanto não deveria ser ferida novamente. Tudo o que era necessário era falar a ela com a vara, com a vara de Arão. Isso é intercessão sacerdotal, com base no que o Senhor já fez.
No entanto, Moisés, em sua ira, golpeou a rocha com a vara. Certamente estragou aquela vara, e essa foi uma das razões pelas quais não lhe foi permitido entrar na terra prometida. Mas há um princípio nisso.
Quanto ao nosso chamado, todos somos chamados para servir. Mas não podemos servir a não ser no poder de Sua ressurreição.
Por fim, qual é a função sacerdotal? Um sacerdote não serve apenas no tabernáculo; ele também serve ao povo. Um sacerdote deve levar as pessoas a Deus e levar Deus às pessoas. Essa é a obra de um sacerdote.
A obra de um sacerdote é variada. Eles têm muitos trabalhos a realizar. Somos informados de que, no tempo de Cristo, os sacerdotes serviam no templo em vinte e quatro turnos.
Havia milhares e milhares de sacerdotes, por isso não podiam servir todos ao mesmo tempo. Serviam em vinte e quatro turnos. Um turno servia durante determinado período, e então o turno seguinte dava continuidade.
Antes de o dia raiar, antes do amanhecer, os sacerdotes que serviriam naquele turno se reuniam em uma sala. Lançavam sortes, pedindo a Deus que os guiasse e dirigisse quanto ao que cada um faria durante o dia.
Ao lançarem sortes, a sorte podia cair sobre um sacerdote para queimar incenso, o que era considerado o maior privilégio de um sacerdote. Ou a sorte podia cair sobre um sacerdote para acender o candelabro. Ou podia cair sobre um sacerdote para oferecer o holocausto.
Assim, vemos que o trabalho deles no templo era organizado todos os dias por meio do lançamento de sortes. Além disso, quando serviam, serviam como uma equipe. Embora realizassem trabalhos diferentes, trabalhavam juntos como um só, sob a direção do sumo sacerdote.
Além do trabalho no templo, tinham outros trabalhos a fazer. Deveriam ensinar o povo. Deveriam dizer ao povo o que era sagrado, o que era puro e o que era impuro. Deveriam julgar o povo, e assim por diante.
Em outras palavras, toda a sua obra consistia em levar as pessoas a Deus e levar Deus às pessoas. Essa é a obra sacerdotal.
O mesmo é verdadeiro hoje. Todos somos sacerdotes e, sendo sacerdotes, qual é a nossa obra? Nossa obra é levar as pessoas a Deus e levar Deus às pessoas.
Tudo o que está incluído em levar as pessoas a Deus e levar Deus às pessoas é obra sacerdotal. Pode ser no templo ou pode ser fora do templo.
O que é o templo hoje? O templo hoje é a igreja, a casa de Deus. Já não é um templo físico nem um lugar físico; é uma casa espiritual.
Ao mesmo tempo, somos uma casa espiritual e um sacerdócio santo. Por um lado, formamos a casa espiritual; nós, que pertencemos ao Senhor, somos a casa espiritual. Por outro lado, nessa casa servimos como sacerdotes. Ao servir como sacerdotes, temos diferentes trabalhos.
Todos os nossos trabalhos são designados pelo Senhor. Hoje, não lançamos sortes.
Recentemente, quando estive em Leesburg, um irmão veio até mim e perguntou: “Podemos lançar sortes hoje? Isso é correto?”. Ele disse que, às vezes, não conseguiam decidir certas coisas, então lançavam sortes.
Nos tempos do Antigo Testamento, era assim que faziam. Por quê? Porque o Espírito Santo ainda não havia vindo. Eles precisavam ser guiados exteriormente. Oravam a Deus antes de lançar sortes e pediam que Deus dirigisse a sorte para que Sua vontade fosse feita.
Mesmo no livro de Atos, antes que o Espírito Santo viesse no dia de Pentecostes, os cento e vinte lançaram sortes para decidir se Matias deveria preencher a vaga deixada por Judas.
Mas, hoje, não precisamos lançar sortes. Por quê? Temos o Espírito Santo habitando em nosso espírito.
O Espírito Santo, Que habita em nosso espírito, nos guiará e nos ensinará em todas as coisas. Em vez de lançar sortes, precisamos nos colocar diante do Senhor, orar, esperar, ouvir e permitir que o Espírito Santo, Que habita em nós, nos guie e conduza.
Quando os sacerdotes serviam nos tempos do Antigo Testamento, serviam sob a direção do sumo sacerdote. Quem é o nosso Sumo Sacerdote hoje? Nosso Sumo Sacerdote é Cristo, Que agora está à direita do Pai, intercedendo por nós. Nosso Sumo Sacerdote também é o Espírito Santo, Que está em nós representando Cristo.
Assim, vemos aqui que, hoje, na igreja, todos somos sacerdotes, e todos devemos exercer nossa função na casa de Deus.
Não podemos simplesmente nos reunir uma vez por semana, no domingo, passar uma hora ali e ser entretidos ou servidos. Essa é a maneira tradicional de realizar o culto. No domingo, viemos por uma hora, somos entretidos por alguma música, e tudo o que precisamos fazer é comparecer.
Talvez façamos um pouco mais, mas, basicamente, vemos que um ou uns poucos estão exercendo sua função, e os demais apenas ficam sentados passivamente, recebendo. Isso não é a igreja.
Ver verdadeiramente a igreja é ver que, quando o povo de Deus se reúne como a casa de Deus, todos exercem sua função. Todos exercem sua função.
Você pode dizer: “Se todos exercerem sua função, será uma confusão”. Não. Por quê? Porque o Espírito Santo está no controle.
Cremos no Espírito Santo. Cremos que Cristo está presente conosco. Cremos que Ele é o Sumo Sacerdote. Se cremos nisso, e se realmente esperamos Nele e nos entregamos a Ele, veremos que Ele nos dirigirá.
Ao nos reunirmos para adorá-Lo e servi-Lo, Ele nos dirigirá. Ele dirigirá, sim. Precisamos ter fé.
Nos tempos do Antigo Testamento, se os sacerdotes não tivessem fé na sorte, teria sido muito difícil. Depois que a sorte fosse lançada, alguém poderia dizer: “Não, não acho que seja isso que devo fazer. Quero fazer outra coisa”. Mas eles não faziam isso.
Qualquer que fosse o resultado da sorte, era isso que faziam. Criam que a direção de Deus estava ali, e todos trabalhavam juntos como um sacerdócio, sob a direção do sumo sacerdote.
Assim, irmãos e irmãs, isso é algo que precisamos praticar. Precisamos enxergar isso. Se realmente o experimentarmos, é tão belo, tão glorioso.
Quando o povo de Deus se reúne para adorar o Senhor, não é necessário haver um programa impresso, e, ainda assim, não precisa haver confusão. Por quê? Porque todos vêm e se colocam nas mãos do Senhor, permitindo que o Espírito Santo escolha.
Se Ele quiser que um irmão comece uma oração, se quiser que outra irmã ore, se quiser que alguém compartilhe algo da Palavra, ou seja o que for, tudo estará sob a direção do Espírito Santo. Vemos que tudo se encaixa.
O Senhor será glorificado, e as pessoas dirão: “O Senhor está no meio de vocês”. Isso é a igreja. Isso é a igreja, porque cada sacerdote exerce sua função.
Cada um pode exercer sua função de maneira diferente. Alguns podem ter um hino, alguns podem ter um cântico, alguns podem ter uma revelação, alguns podem ter uma língua, outros uma interpretação — seja o que for. Tudo é feito com decência e ordem.
Por quê? Porque o Espírito Santo está no comando. Essa é a maneira como servimos como sacerdotes.
Todo crente deve exercer sua função como sacerdote, oferecendo louvores, adoração, cânticos, orações e compartilhando o Cristo vivo. Essa é a responsabilidade de todo crente.
Ninguém deve apenas vir e ficar sentado, receber e receber, sem nunca exercitar o dom e a graça que Deus lhe deu. Não, não deve ser assim. Todos somos sacerdotes.
Nossa obra é levar Deus às pessoas e levar as pessoas a Deus. Ao estarmos sob a direção do Espírito Santo, seja por meio de uma oração, de um cântico ou de uma palavra, isso deve levar as pessoas a Deus e levar Deus às pessoas.
Isso é importante. É por isso que Paulo disse que tudo deve ser para edificação — isto é, para construir. Não deve ser algo feito apenas para destruir ou para exibir a si mesmo. Tem de edificar, levando as pessoas a Deus e levando Deus às pessoas. Essa é a nossa função sacerdotal.
Isso não é feito apenas quando estamos no templo, por assim dizer, quando estamos juntos. Mesmo fora do templo, os sacerdotes tinham trabalho a fazer. Precisavam ensinar o povo, julgar o povo, e assim por diante. Isso mostra que, onde quer que estejamos, podemos servir ao Senhor como sacerdotes.
Mas gostaria de acrescentar algo mais. Não se pode separar os sacerdotes dos levitas. Os sacerdotes também eram levitas.
No que diz respeito à função sacerdotal e à função levítica, elas estão intimamente relacionadas. O sacerdote não pode cumprir sua função sem a ajuda dos levitas, e a função dos levitas não seria completa sem a obra dos sacerdotes.
Qual é a diferença entre a função levítica e a função sacerdotal? A principal diferença é que uma é o que chamaríamos de espiritual, e a outra é o que chamaríamos de material.
Os sacerdotes deveriam oferecer sacrifícios a Deus, queimar incenso, acender o candelabro, ensinar o povo, e assim por diante. Os levitas, por outro lado, ajudavam o povo a matar os animais dos sacrifícios, tirar suas peles, buscar água e, quando o tabernáculo era deslocado, carregar as coisas e realizar todas essas atividades chamadas materiais.
No entanto, essas coisas materiais estão relacionadas às coisas espirituais. Se as coisas materiais não forem cuidadas, as coisas espirituais não poderão prosseguir. Se eles não transportarem o tabernáculo e não o montarem, o sacerdote não poderá servir. Se não buscarem a água, os sacerdotes não poderão se lavar.
Essas duas obras estão intimamente relacionadas. É por isso que, nos tempos do Novo Testamento, não há distinção entre levitas e sacerdotes. Em outras palavras, nós, que somos sacerdotes, também somos levitas.
Todo crente deve realizar duas obras: a obra levítica e a obra sacerdotal. Precisamos exercer nossa função no sentido espiritual e também no sentido material.
Todos precisamos estar envolvidos em limpar o local, arrumar as cadeiras e ajudar os irmãos e irmãs, inclusive nas coisas materiais. Essa é a obra levítica.
Por exemplo, uma irmã pode estar doente e ter filhos. Então outra pessoa deve ir ajudá-la com as crianças. Isso é serviço levítico. Há muitas coisas envolvidas, e isso também faz parte do nosso serviço a Deus como sacerdotes.
Espero que não tenhamos a impressão de que somente aquilo que é chamado espiritual tem valor e de que as coisas materiais estão abaixo da nossa dignidade. Não. Nos tempos do Novo Testamento, não há distinção entre levitas e sacerdotes. Eles se tornam um.
Deve haver tantos reis e tantos sacerdotes quantas são as pessoas do povo de Deus. Deve haver tantos que governem para Deus e sirvam a Deus quantos são os filhos de Deus.
Quanto à obra de salvação de Deus, isso não é apenas o alvo e o propósito da salvação; é o que o Senhor já realizou por nós. Está feito. Fomos feitos reis e sacerdotes.
Mas, quanto à nossa experiência, precisamos permitir que o Espírito Santo trabalhe em nós, conduzindo-nos à realidade de sermos reis e sacerdotes.
Se permitirmos que o Espírito Santo aperfeiçoe essa obra em nossa vida hoje, para que possamos exercer nossa função como reis e sacerdotes para Deus, então, um dia, Deus realmente nos dará aquilo que nos pertence na eternidade.
Hoje, nem tudo está ainda em nossas mãos. Mas, um dia, quando Ele realmente nos der aquilo que nos pertence na eternidade, então saberemos verdadeiramente como ser reis e sacerdotes.
Espero que, enquanto o Senhor nos deixar nesta terra, cada dia seja uma oportunidade. Cada dia é um dia em que somos treinados. Cada dia é um dia em que aprendemos a ser sacerdotes e reis para Deus.
A cada dia, aprendemos a governar — não permitindo que nossas circunstâncias nos governem, mas governando sobre nossas circunstâncias. Lembrem-se de José: não importava onde o colocassem, ele era um rei. Sempre estava por cima. É isso que devemos ser.
Também precisamos aprender a governar no sentido de que, por meio da oração, podemos ligar e desligar segundo a vontade de Deus. Precisamos servir como sacerdotes, não apenas fazendo o que chamamos de obras espirituais, mas também realizando as obras materiais relacionadas a elas.
Creio que essa é realmente a vontade de Deus para nós. Precisamos entrar mais profundamente nisso, porque já é hora de realmente enxergarmos essa verdade. Ele está voltando muito em breve.
Vamos orar?
Nosso Pai celestial, Tu nos amas a tal ponto que não apenas nos lavas dos nossos pecados e nos redimes, mas também nos fizeste reis e sacerdotes para Deus. Que salvação!
Ó nosso Pai, nosso Deus, realmente desejamos que, tendo sido feitos sacerdotes e reis, possamos viver e exercer nossa função como reis e sacerdotes. Não sabemos como, mas sabemos que Tua vida em nós é uma vida real e uma vida sacerdotal.
Assim, nós nos entregamos a Ti mais uma vez e pedimos que Teu Espírito Santo nos ensine, nos guie, nos treine e nos conduza à realidade disso, para que possamos verdadeiramente governar como reis na terra para Ti e verdadeiramente servir como sacerdotes na terra para Ti. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.