Por favor, abram no Evangelho segundo Lucas, capítulo 1. Vamos ler Lucas 1:5-17.
Houve, nos dias de Herodes, rei da Judeia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias; e sua mulher era das filhas de Arão, e o nome dela era Isabel.
E ambos eram justos perante Deus, andando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram já avançados em idade.
E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem da sua turma,
segundo o costume do sacerdócio, coube-lhe por sorte entrar no templo do Senhor e queimar incenso.
E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso.
E apareceu-lhe um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso.
E Zacarias, vendo-o, ficou perturbado, e o temor apoderou-se dele.
Mas o anjo lhe disse: Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João.
E terás alegria e regozijo; e muitos se alegrarão com o seu nascimento.
Porque ele será grande diante do Senhor, e não beberá vinho nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.
E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.
E irá adiante da Sua face, no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, e os desobedientes à sabedoria dos justos; para preparar ao Senhor um povo disposto para Ele.
Deus estava prestes a mudar os tempos. Ele iria encerrar o tempo da lei e dos profetas e introduzir o tempo do Messias. Ele iria pôr fim à antiga dispensação da lei e trazer uma nova dispensação da graça.
Deus iria introduzir Seu Rei, o Messias, no mundo. Mas, para que essa mudança acontecesse, Deus precisava de um instrumento — um instrumento que pudesse ser usado por Ele para realizar essa mudança dos tempos. Chamamos esse instrumento de instrumento de transição entre eras.
Se Deus não puder obter um instrumento assim, terá de esperar antes de realizar essa mudança. Graças a Deus, vemos que Ele encontrou esse instrumento em uma pessoa chamada João.
Assim, sabemos que João é mais do que apenas um profeta. Nosso Senhor Jesus disse que ele é maior do que um profeta. Por quê? Porque João era um instrumento de Deus para a transição entre eras. Ele foi escolhido por Deus para preparar o caminho do Senhor, encerrar a lei e os profetas e introduzir o Messias, o Rei.
Agora, queridos irmãos e irmãs, creio que todos nós sentimos que estamos às vésperas de outra mudança. Ao conversar com o povo de Deus em toda parte, vocês percebem que há um sentimento comum entre os filhos de Deus: estamos bem no fim desta era. A era vindoura está chegando rapidamente.
À medida que o Espírito de Deus Se move entre o povo de Deus e lhes dá essa percepção, cremos que Deus está prestes a fazer algo. Deus irá encerrar esta era e introduzir a era vindoura. Até mesmo esta dispensação da graça está chegando ao fim, e outra dispensação está chegando. Poderíamos chamá-la de dispensação da justiça? No reino milenar, a justiça governará sobre toda a terra. Como ansiamos por ver esse dia!
Deus fará algo grandioso. Ele irá introduzir novamente Seu Rei neste mundo. Nosso Senhor Jesus voltará como Rei dos reis e Senhor dos senhores, e estabelecerá Seu reino nesta terra. Sabemos que a mudança está chegando. Podemos percebê-la; podemos senti-la.
Mas, queridos irmãos e irmãs, Deus tem uma maneira muito definida de agir. Antes de realizar essa mudança — e Ele a realizará —, primeiro encontrará um instrumento na terra, um instrumento que possa usar para realizar essa mudança e trazer o Rei.
Creio que, há dois mil anos, Deus levantou João para ser esse instrumento. Mas creio que, em nosso tempo, à medida que chegamos à plenitude de todas as coisas, esse instrumento não será um indivíduo. Será um instrumento coletivo, com o mesmo caráter de João.
Hoje, Deus está procurando entre Seu povo um instrumento coletivo, um instrumento que possa usar para realizar essa grande mudança e trazer Seu Rei. Creio que é isso que Deus está procurando entre Seu povo hoje.
Por isso, nesta manhã, gostaríamos de dedicar um pouco de tempo, não a rever toda a vida de João Batista, mas a encontrar em João certas características que Deus procura em nós, se, por Sua graça, formos escolhidos para estar entre aqueles que constituem esse instrumento coletivo de Deus.
No Evangelho segundo Lucas, encontramos que, nos dias de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, e o nome de sua mulher era Isabel. Esse casal idoso temia a Deus. Eles andavam diante de Deus em santidade. Guardavam todos os mandamentos e preceitos de Deus e O serviam com muita fidelidade.
Mas a Bíblia diz que eles não tinham filhos. Talvez, quando lemos isso hoje, não signifique muito para nós. Mas, se vocês fossem israelitas vivendo naqueles tempos, sob a lei, saberiam que Deus havia prometido que aqueles que O temessem seriam abençoados por Ele.
A bênção de Deus nos tempos do Antigo Testamento, sob a antiga aliança da lei, era uma bênção material e física, porque os filhos de Israel eram o povo terreno de Deus. As promessas e bênçãos de Deus eram terrenas, materiais e físicas.
Se as pessoas temessem a Deus e Lhe obedecessem, Ele as abençoaria com muitas bênçãos. Seus cestos estariam cheios, seus rebanhos teriam muitas crias, e elas teriam muitos filhos e filhas. Mas, se não Lhe obedecessem e O desagradassem, seriam amaldiçoadas. Uma das maldições era não ter filhos.
Agora, esse casal temia a Deus e O servia com muita fidelidade, mas não tinha filhos. Era algo incomum. Sem dúvida, eles oravam, oravam e oravam, pedindo a Deus que lhes desse ao menos um filho — que removesse sua vergonha e sua desonra. Mas sua oração permanecia sem resposta.
Eles não conseguiam explicar o motivo. As outras pessoas os interpretavam muito mal. Diziam: “Bem, vocês parecem muito piedosos, mas por que não têm filhos? Deve haver algum pecado oculto em algum lugar”. Vejam, esse era o entendimento sob a antiga aliança.
Assim, esse casal idoso vivia em uma situação muito constrangedora. Suas orações permaneciam sem resposta. Eles envelheciam cada vez mais; já estavam avançados em idade e não tinham absolutamente nenhuma esperança de ter um filho. Provavelmente, desistiram de orar por um filho.
Mas o maravilhoso é que eles não se ressentiram de Deus. A maioria das pessoas ficaria ressentida. Por quê? Porque Deus havia feito Sua promessa e não a havia cumprido. Quando as pessoas se encontram nesse tipo de circunstância, certamente se voltam contra Deus.
Mas esse casal idoso não se ressentiu. Eles se perguntavam por quê; estavam perplexos, mas não se ressentiram. Como sabemos disso? Porque encontramos Zacarias continuando a servir no templo com muita fidelidade.
Então, algo aconteceu. Ele pertencia à ordem de Abias. Os sacerdotes serviam no templo em vinte e quatro turmas. Um grupo de sacerdotes servia no templo durante um mês, e depois outra turma vinha e assumia o serviço. Naquela ocasião, Zacarias estava servindo no templo na turma de Abias.
Provavelmente, aquela era sua última ocasião de serviço ativo no templo, pois estava em idade de se aposentar. Antes do amanhecer, os sacerdotes que serviriam naquele dia se reuniam em uma sala e lançavam sortes para decidir quem desempenharia cada função. Todos os serviços no templo eram definidos por sorteio.
Aconteceu que, naquele dia, a sorte de queimar incenso no altar de ouro coube a Zacarias. De todos os serviços no templo, queimar incenso no altar de ouro era o maior privilégio que um sacerdote poderia ter em toda a sua vida.
Por quê? Porque o altar de ouro do incenso ficava bem diante do véu, diante da arca da aliança. Era o lugar mais próximo de Deus. Somente o sumo sacerdote podia entrar além do véu, uma vez por ano; mas, para os demais sacerdotes, queimar incenso no altar era o mais perto que podiam chegar de Deus.
Muitos sacerdotes serviam durante toda a vida e nunca tinham esse privilégio. Se esse privilégio coubesse a um sacerdote, ele só poderia exercê-lo uma vez na vida; nunca se repetia. Zacarias havia servido durante toda a sua vida e, no fim, a sorte lhe coube.
Quando o sacerdote entrava no lugar santo para queimar incenso no altar, não havia mais ninguém no templo propriamente dito. Todos estavam no átrio exterior. Zacarias estava ali, queimando incenso, representando toda a nação e oferecendo oração por toda a nação. Todo o povo estava no átrio, orando, mas ele estava ali, representando-os diante de Deus. Que privilégio!
Enquanto Zacarias colocava o incenso no altar e oferecia oração por toda a nação, de repente um anjo do Senhor apareceu ao lado do altar. O anjo disse:
Zacarias, tua oração foi ouvida. Terás um filho.
Irmãos e irmãs, Zacarias poderia fazer uma oração pessoal, particular, naquele momento, quando estava representando toda a nação e fazendo a oração da nação? Impossível.
Qual era a oração da nação de Israel? Até hoje, eles continuam fazendo esta oração: “Oh, que Deus envie o Messias!” Naquele tempo, a nação de Israel — Judá — estava sob o domínio romano. Eles não eram um povo livre.
Sem dúvida, essa oração subia a Deus dia após dia, manhã após manhã. Era a oração dos filhos de Israel. Eles oravam para que Deus lhes enviasse rapidamente o Messias. Quando o Messias viesse, esperavam livrar-se do jugo do domínio romano, tornar-se um povo livre e ocupar o primeiro lugar entre as nações. Toda a sua esperança estava no Messias.
Assim, sem dúvida, Zacarias estava fazendo essa oração: “Oh, Deus, envia o Messias”. Mas o anjo disse:
Tua oração foi ouvida. Terás um filho.
Ora, o que significa isso?
Quando ele e sua mulher oravam por um filho, suas orações permaneciam sem resposta. Quando ele estava orando pelo Messias, todas as orações que havia feito antes, em particular, foram respondidas naquele momento. Por quê? Porque aquele filho estava relacionado ao Messias.
Não há nada de errado em orar por nossas próprias necessidades. Quando temos necessidades, vamos a Deus e Lhe pedimos que as supra, porque Ele é nosso Pai celestial. Se não pedirmos ao nosso Pai, a quem pediremos? Nosso Pai celestial certamente suprirá todas as nossas necessidades. Ele sabe do que precisamos antes mesmo de pedirmos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, à medida que vocês crescem no Senhor, talvez percebam algo estranho. Quando vocês são novos na fé, suas orações podem ser respondidas muito rapidamente. Antes mesmo de terminarem a oração, ela é respondida. O Pai Se apressa em vir até vocês e suprir sua necessidade.
Mas, à medida que crescem um pouco mais no Senhor, percebem que suas orações são respondidas cada vez mais lentamente? Percebem que, às vezes, suas orações permanecem sem resposta durante anos e anos? Talvez pensem que há algo muito anormal, mas não é assim.
Por quê? Porque Deus está treinando vocês. Quando somos novos no Senhor, conhecemos apenas nossas necessidades, e Deus precisa supri-las, ou ficamos ressentidos. Mas, se Deus sempre atendesse às nossas necessidades, nunca amadureceríamos espiritualmente. Cresceríamos como filhos egoístas, crianças em Cristo.
Vocês sabem que Deus também tem uma necessidade? Deus quer que saibamos que Ele também tem necessidades. Não devemos apenas pedir a Deus que supra nossas necessidades; devemos perceber que Deus também tem necessidades. Deus quer que peçamos que Suas necessidades sejam atendidas.
Mas nunca pensaremos nisso até que nossas necessidades deixem de ser supridas e nossas orações deixem de ser respondidas. Por meio disso, Deus nos leva ao ponto de percebermos como somos egoístas. Estamos sempre pedindo por nossas próprias necessidades, esquecendo que Deus também tem Suas necessidades.
Quando começamos a orar pela necessidade de Deus e nos esquecemos de orar por nossas próprias necessidades, nossas necessidades são supridas. Mas lembrem-se: quando nossas orações são respondidas, isso está sempre ligado à glória de Deus. Vocês percebem que a resposta está relacionada a Deus.
Quando aquele filho foi dado, foi dado em relação ao Messias. Não se tratava apenas de Deus dar um filho àquele casal idoso para remover sua vergonha — embora sua vergonha tenha sido removida e todos os mal-entendidos tenham sido desfeitos. Mais do que isso, o filho era uma resposta à oração da nação, porque seria o precursor do Messias. Ele prepararia o caminho do Senhor.
Portanto, João foi o fruto das dores de parto de seus pais. João foi o fruto da oração prevalecente de seus pais. Podemos aplicar isso da seguinte maneira: esse instrumento escolhido por Deus, esse instrumento de Deus para a transição entre eras, possui uma característica, e essa característica é a oração prevalecente.
Queridos irmãos e irmãs, cremos que Deus está prestes a realizar uma mudança dos tempos hoje. Mas, para realizar essa mudança, Ele precisa de um instrumento. Nesse instrumento deve haver uma característica, e essa característica é a oração prevalecente. Precisamos saber como prevalecer em favor de Deus.
Precisamos saber como prevalecer em oração, para que a vontade de Deus seja feita na terra como é feita no céu. O apóstolo Paulo diz em Colossenses 1:24 que lhe cabia completar o que faltava das aflições de Cristo por Sua igreja, Seu corpo.
Das dores de parto da alma de nosso Senhor Jesus, nasceu a igreja. Em Isaías 53:11, encontramos que Ele verá o fruto do trabalho de Sua alma. Para que a igreja pudesse nascer, quanto nosso Senhor Jesus teve de perseverar!
Como Ele sofreu essas dores no jardim do Getsêmani! Como lutou em oração, até que Seu suor se tornasse como grandes gotas de sangue! Como teve de sofrer na cruz do Calvário! Ele derramou Sua alma como água. Mas, das dores de parto de Sua alma, nasceu a igreja.
A igreja nasceu por meio da oração prevalecente de nosso Senhor Jesus. Sem dores de parto, nada nascerá. Sem oração, nada será realizado por Deus. Ao olharmos para a história da igreja, vemos que, sempre que Deus está prestes a fazer algo, Ele precisa encontrar um povo que ore — e não apenas ore, mas prevaleça em oração.
Quando o povo de Deus percebe a necessidade de Deus, quando está disposto a assumir o encargo de Deus, a compartilhar o que está em Seu coração quanto ao que Ele está prestes a fazer e a realmente se entregar à oração e às dores de parto em oração, Deus fará algo.
O que falta entre o povo de Deus hoje é um povo que conheça a necessidade de Deus, um povo que saiba carregar o encargo de Deus, um povo que se entregue à oração e que esteja disposto a prevalecer em oração. Se Deus obtiver um povo assim, terá o instrumento para mudar os tempos.
Quando João estava no ventre de sua mãe, ela não deveria beber vinho nem bebida forte. Por quê? Porque João seria nazireu por toda a vida.
Nos tempos do Antigo Testamento, quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, levou-os ao monte Sinai. Em Êxodo 19:5-6, Deus disse que, se guardassem Sua aliança e obedecessem à Sua lei, seriam um povo de Sua propriedade peculiar e uma nação de sacerdotes.
Todos os israelitas redimidos deveriam ser sacerdotes para Deus; deveriam servir a Deus. Mas, infelizmente, enquanto Moisés recebia a lei no monte, os filhos de Israel adoraram o bezerro de ouro. Por causa disso, toda a nação foi desqualificada para servir a Deus.
Somente uma tribo, a tribo de Levi, e somente uma família, a família de Arão, foram escolhidas para servir a Deus. Todo o restante do povo foi impedido de servir a Deus.
No entanto, Deus abriu uma porta para o serviço. A porta da frente estava fechada: somente a família de Arão podia entrar no lugar santo para servir a Deus, e somente os levitas podiam servir no tabernáculo. Mas Deus abriu uma porta dos fundos em Números 6.
Deus disse que, se algum homem ou alguma mulher desejasse consagrar-se, separar-se e dedicar-se ao Senhor, poderia fazê-lo mediante o voto de nazireu.
Um nazireu é alguém que foi posto à parte, separado e dedicado a Deus. Qualquer pessoa que tenha esse desejo pode fazê-lo. Primeiro, deve abster-se de vinho, vinagre e de tudo o que se relaciona com a videira — nada de passas, uvas, vinho ou vinagre.
Segundo, não deve passar navalha sobre a cabeça. Seu cabelo deve crescer e permanecer sem ser cortado. Terceiro, durante os dias de seu voto, nunca deve se aproximar de um cadáver. Se o fizer, o voto será interrompido; terá de raspar a cabeça e começar tudo de novo.
Às vezes, um homem fazia um voto por um mês ou por três meses. Mas apenas alguns, na Bíblia, foram nazireus por toda a vida. Samuel foi um deles, e João foi outro. João foi nazireu por toda a vida. Mesmo quando estava no ventre de sua mãe, ela precisava abster-se de vinho, para que ele fosse dedicado ao Senhor por toda a vida.
É muito curioso quando lemos Números. Deus não nos diz o que um nazireu deveria fazer enquanto estivesse separado para Deus. Nada é mencionado. Ele se separava para Deus, mas o que fazia durante aqueles trinta dias ou três meses? Em que função servia a Deus? Isso simplesmente não está ali.
Por quê? Porque servir a Deus não é apenas fazer algo para Deus; servir a Deus é viver para Deus. Um nazireu vive para Deus. É claro que deve fazer algo para Deus, mas o essencial é que vive para Deus.
João foi nazireu por toda a vida. O caráter de nazireu precisa estar presente no instrumento de Deus para a transição entre eras.
Hoje, como povo espiritual de Deus, todas essas coisas têm uma aplicação espiritual. O que significa o voto de nazireu para nós hoje? Significa simplesmente consagração.
Nós, que fomos redimidos pelo Senhor, não temos o direito de viver para nós mesmos. Todos devemos nos apresentar a Ele como sacrifício vivo. Esse é o nosso voto de nazireu, e é algo que todo crente deve ter.
No caso dos filhos de Israel, por causa de seu fracasso, eles precisavam fazer um voto de nazireu para serem restaurados à condição de sacerdotes e servir a Deus. Mas, no nosso caso hoje, por causa da obra consumada de Cristo, estamos sendo levados de volta ao princípio — ao propósito original de Deus.
Portanto, todo filho de Deus deve fazer esse voto de nazireu. Apresentamos nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, e esse é o nosso culto racional. Quando nos consagramos ao Senhor, não se trata tanto do que faremos para Deus, mas de como viveremos para Deus.
Um nazireu não podia tocar em nada que viesse da videira. Agora, irmãos e irmãs, para nós hoje, é claro que isso não significa que vocês não possam comer uvas. Mesmo que se abstenham de passas, talvez não sejam o instrumento escolhido. Hoje, trata-se da aplicação espiritual.
Em João 15:1, 5, o Senhor diz:
Eu sou a videira verdadeira, e vós sois os ramos.
Por que o Senhor disse: “Eu sou a videira verdadeira”? Por que não disse simplesmente: “Eu sou a videira”? Se Ele diz: “Eu sou a videira verdadeira”, deve haver uma videira falsa. Qual é a videira falsa? A videira falsa é o mundo.
O mundo é como uma videira. É uma imitação, uma falsificação. O mundo tem algo a oferecer aos famintos, aos sedentos, aos entristecidos e aos fracos. Se vocês estão tristes, podem beber vinho para esquecer a tristeza. Se estão fracos, podem recorrer ao mundo em busca de força.
O mundo tem prazeres a oferecer — os prazeres do pecado. Eles satisfazem a carne por algum tempo, embora depois firam e envenenem. O mundo é como uma videira, um recurso ao qual as pessoas recorrem para suprir suas necessidades.
Não me digam que o mundo não tem nada a oferecer. O mundo tem, sim, algo a oferecer. É por isso que as pessoas amam o mundo e se conformam com ele: ele oferece prazer, satisfação, força e muitas outras coisas. Mas isso é apenas temporário. É falso; é uma imitação.
Ele dá uma aparência de satisfação, mas piora as coisas, porque vocês ficam cada vez mais sedentos, famintos e fracos, até morrerem. É isso que o mundo é.
Mas, queridos irmãos e irmãs, nós temos a Videira verdadeira. Nosso Senhor Jesus é tudo para nós. Ele é a Videira verdadeira; Ele é nossa fonte de recursos. Recorremos a Ele em todas as nossas necessidades. Ele é nosso consolo, nossa força, nossa satisfação, nosso prazer, nossa alegria. Ele é tudo para nós.
É por isso que, para ser nazireu, vocês devem abster-se de tudo o que está ligado à videira. Vocês devem encontrar todos os seus recursos em Cristo. Essa é uma vida separada.
Como é triste encontrar cristãos hoje recorrendo ao mundo para preencher seu vazio, como se Cristo não lhes fosse suficiente! Porque os cristãos amam o mundo, embora amem um pouco o Senhor, não estão qualificados para ser instrumentos de transição entre eras.
Para sermos um instrumento de transição entre eras, precisamos ser um povo separado. Separação significa que desprezamos o que o mundo pode oferecer porque encontramos algo melhor. Encontramos todo o nosso suprimento em Cristo. Voltamo-nos para Ele. Ele é a Videira verdadeira, e nós somos os ramos.
Quando vocês percebem uma necessidade de qualquer tipo, recorrem ao mundo para supri-la ou recorrem a Cristo? Consideram Cristo plenamente suficiente ou acham que Ele não é suficiente para todas as suas necessidades, de modo que precisam buscar suprimento em outro lugar?
Penso que isso é algo que realmente precisamos considerar. Somos fiéis ao Senhor como nazireus? Essa é a segunda característica que deve marcar um instrumento de transição entre eras.
Ele será grande diante do Senhor.
Terá o espírito e o poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos.
Assim, em terceiro lugar, um instrumento de transição entre eras deve possuir a característica do espírito e do poder de Elias.
João Batista não era Elias. As pessoas se perguntavam se João Batista era Elias porque, segundo Malaquias, o profeta do Antigo Testamento, Elias deveria vir antes da vinda do Messias. Elias viria primeiro para preparar o caminho e converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais.
Quando João Batista começou a pregar, as pessoas passaram a se perguntar se ele era Elias. Até os discípulos perguntaram ao nosso Senhor Jesus se Elias havia vindo. O Senhor respondeu que Elias já havia vindo, mas eles não o reconheceram. Como o rejeitaram, Elias não havia vindo da maneira que esperavam.
Por quê? Porque João Batista veio no espírito e no poder de Elias.
O que é o espírito de Elias? Antes de Elias ser levado ao céu, Eliseu permaneceu com ele durante toda a sua última jornada. Elias tentou mandá-lo embora, mas Eliseu disse: “Aonde quer que você vá, eu irei”.
Eles foram de Gilgal a Betel, depois a Jericó e, finalmente, ao Jordão. Elias tirou seu manto, enrolou-o, bateu na água, e o rio Jordão se dividiu. Eles atravessaram em terra seca para o lado oriental do Jordão.
Elias disse a Eliseu que Deus iria levá-lo. Eliseu disse: “Eu sei”. Antes de partir, Elias perguntou: “Há alguma coisa que você queira me pedir e que eu possa lhe dar?” Eliseu disse: “Sim, quero uma porção dobrada do seu espírito”.
Elias disse:
Coisa difícil pediste; mas, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará.
Enquanto caminhavam e conversavam, de repente um carro de fogo e cavalos de fogo apareceram e separaram Elias de Eliseu. Eliseu o viu subir e disse:
Meu pai, meu pai!
O manto de Elias caiu, e Eliseu o recolheu e o vestiu. Ele recebeu uma porção dobrada do espírito de Elias. Ao ler esse trecho, vocês talvez pensem que aquele jovem era ambicioso. Elias não era o maior profeta que já havia vivido? Será que esse jovem queria ser maior do que seu mestre?
Mas vocês interpretam Eliseu de forma equivocada se não sabem o que é o espírito de Elias. O que é o espírito de Elias?
É difícil conhecer o espírito de uma pessoa. Aqui está o corpo; dentro do corpo está a alma; dentro da alma está o espírito. Quanto mais civilizados somos, mais capazes somos de nos esconder. Vocês podem viver com uma pessoa durante anos e não conhecê-la, porque seu espírito está profundamente oculto.
Vocês conhecem o espírito de uma pessoa quando ela baixa a guarda. Quando nos reunimos no domingo, todos podem se comportar de maneira perfeitamente adequada. Nunca conheceremos realmente uns aos outros se apenas viermos no domingo e nos sentarmos por uma hora. Todos estamos com a guarda levantada. Vestimos nossa melhor roupa de domingo.
É quando baixamos a guarda que nosso espírito é realmente revelado. O que é o espírito de Elias?
Elias fez grandes coisas para Deus no monte Carmelo. Como o nome de Deus foi engrandecido! Houve uma grande vitória, mas ela durou muito pouco. Logo depois daquela vitória, Jezabel ameaçou a vida de Elias, e ele fugiu.
Ele caminhou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao monte Horebe. Entrou em uma caverna — evidentemente, a caverna na qual Moisés havia se escondido quando Deus lhe apareceu e Moisés viu Deus pelas costas. Elias voltou àquele lugar original e se escondeu na caverna.
Deus disse:
Elias, que fazes aqui?
Elias disse:
Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos; porque os filhos de Israel deixaram a Tua aliança, derrubaram os Teus altares e mataram os Teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei; e procuram tirar-me a vida.
Deus lhe disse que saísse da caverna. Houve um grande vento, mas Deus não estava no vento. Houve um terremoto, mas Deus não estava no terremoto. Houve fogo, mas Deus não estava no fogo. Então veio uma voz mansa e suave:
Elias, que fazes aqui?
Elias respondeu novamente:
Tenho sido muito zeloso, muito zeloso por Deus.
Mas eles quebraram a Tua aliança, queimaram o Teu altar e mataram os Teus profetas.
Somente eu fiquei.
Elias estava se queixando a Deus. Estava dizendo: “Olha, eu sou zeloso pelo Teu nome. Coloquei minha vida em risco por Ti. Fiz tudo por Ti, e Tu não me deste apoio. Por quê?”
Ora, esse é o espírito de Elias. O que é o espírito de Elias? O espírito de Elias é o zelo do Senhor. Ele era zeloso por Deus. Era tão zeloso pelo nome de Deus porque toda a nação havia abandonado a Deus. Ele era zeloso pelos direitos de Deus e queria que Deus ocupasse Seu lugar de direito entre Seu povo.
Por isso, estava disposto a sacrificar-se. Era uma pessoa se levantando contra toda a nação. Esse era o espírito de Elias. Ele se queixava porque estava do lado de Deus e, segundo lhe parecia, Deus não lhe dava apoio. Mas ali estava o espírito de Elias.
Por ser marcado por esse espírito, por quantas dificuldades ele passou! Poderia ter vivido uma vida muito confortável, mas não podia. Precisou enfrentar o rei, o desagrado do rei, a incompreensão e as dificuldades, porque o rei queria matá-lo. Por quê? Porque tinha o zelo do Senhor dentro de si.
Lembrem-se de nosso Senhor Jesus. Quando iniciou Seu ministério público, foi a Jerusalém, ao templo. Quando entrou na área do templo, fez algo. Fez um chicote de cordas, expulsou os bois e as ovelhas e virou as mesas dos cambistas.
Ele disse:
Fazeis da casa de Meu Pai uma casa de comércio, um mercado.
E o que a Bíblia diz?
O zelo da Tua casa Me consumiu.
No tempo de Cristo, os comerciantes haviam instalado suas mercadorias na área do templo sob o patrocínio do sacerdócio. Os filhos de Israel vinham de todas as partes do mundo para adorar a Deus e precisavam oferecer sacrifícios. Não podiam trazer ovelhas ou bois por todo o caminho da Europa até Jerusalém.
Por isso, precisavam comprar os sacrifícios em Jerusalém. Mesmo que trouxessem os seus próprios animais, os sacrifícios precisavam ser aprovados pelos sacerdotes. Se houvesse algum defeito, não seriam aceitos. O mais fácil era comprar os sacrifícios na área do templo, porque todos eles já haviam sido aprovados pelos sacerdotes. É claro que pagavam um preço mais alto.
Depois, havia os cambistas. O imposto do templo precisava ser pago em siclos do santuário, de modo que as pessoas precisavam trocar seu dinheiro. Essas coisas eram feitas em nome da conveniência. Exteriormente, era por conveniência; na verdade, era um negócio muito lucrativo para os sacerdotes.
Isso acontecia havia anos e anos, e ninguém reclamava. “Como é conveniente!” Mas, quando nosso Senhor Jesus entrou na área do templo, não pôde suportar aquilo. Por quê? Porque viu que haviam transformado a casa do Pai — uma casa de oração — em um mercado, em um negócio lucrativo.
No fim do ministério de nosso Senhor, Ele fez isso novamente, porque a situação havia piorado. Eles a haviam transformado em um covil de ladrões.
Por que multidões entravam no templo e pareciam nunca se incomodar com aquilo? Achavam conveniente. Somente o Senhor Jesus não podia suportar aquilo, porque o zelo do Senhor O havia devorado. O zelo pela casa do Pai O havia consumido completamente.
As pessoas não estavam adorando a Deus. Aquilo destruía o espírito de adoração e contrariava a Deus. O Senhor não podia tolerar aquilo; precisava fazer algo. Por ter feito isso, quiseram matá-Lo. Ele enfrentou problemas.
Olhem para o apóstolo Paulo. Em 2 Coríntios 11:2-3, o que ele disse?
Tenho ciúmes de vós com ciúme de Deus; porque vos desposei com um só esposo, para vos apresentar como virgem pura a Cristo.
Mas temo que, de alguma maneira, sejais desviados da simplicidade e da pureza que há para com Cristo.
Como o ciúme de Deus era como fogo ardendo nos ossos de Paulo, ele precisava confrontar os crentes de Corinto. Eles não gostavam disso. Ele poderia ter sido muito popular. Poderia ter dito algumas palavras tranquilizadoras, fechado os olhos como se não visse nada e se tornado muito popular.
Mas não podia fazer isso, porque o ciúme de Deus estava nele. Deus tinha ciúmes por Seu Filho. Se alguém tentasse tirar qualquer coisa de Seu Filho, Deus não poderia suportar. Deus é um Deus ciumento.
Eliseu pediu uma porção dobrada do espírito de Elias. Em outras palavras, não estava pedindo algo para si mesmo, para se tornar grande. Estava pedindo algo para Deus, e por isso teria de sofrer ainda mais. Foi isso que ele pediu.
Irmãos e irmãs, o instrumento de Deus para a transição entre eras precisa ser marcado pelo espírito de Elias. Muitas coisas estão acontecendo dentro e fora da igreja e se tornaram tão habituais que nós as vemos sem realmente enxergá-las. Pelo contrário, achamos que são convenientes e práticas.
Não percebemos como a glória de Deus é prejudicada e como Sua honra é comprometida. Se não estivermos cheios do ciúme de Deus e do zelo do Senhor, queridos irmãos e irmãs, Deus não poderá nos usar como instrumento de transição entre eras, porque simplesmente seguimos a multidão.
Mas, se o Senhor abrir seus olhos espirituais e vocês enxergarem o que está acontecendo entre o povo de Deus, verão tantas coisas contrárias a Deus, tantas coisas que trazem vergonha ao Seu nome. Se estiverem cheios do zelo do Senhor e preocupados com o nome de Deus, se estiverem cheios do ciúme de Deus, sentirão algo ardendo dentro de seus ossos. Não conseguirão conter isso.
Irmãos e irmãs, vocês começam a ter o espírito de Elias. Se tiverem o espírito de Elias, Deus lhes dará o poder de Elias.
Qual era a obra de João Batista? A obra de João Batista era preparar um povo para Deus. A Escritura usa uma expressão muito marcante:
Preparar ao Senhor um povo disposto.
O Senhor está vindo. Mas, quando o Senhor vier, encontrará um povo preparado para recebê-Lo? Exteriormente, toda a nação de Israel, o povo judeu, parecia desejar que Ele viesse. Eles oravam: “Oh, que o Messias venha!”
O serviço do templo havia sido restaurado. Eles pareciam ser um povo muito piedoso. Pareciam estar esperando a vinda do Messias. Perguntavam-se por que o Messias não vinha. Achavam que estavam preparados para Ele.
Mas, irmãos e irmãs, quando Cristo nasceu e a notícia se tornou conhecida em Jerusalém, Herodes ficou perturbado, e toda Jerusalém ficou perturbada. Eles não estavam prontos para Ele.
Quem recebeu Cristo quando Ele veio? Somente as pessoas que haviam sido preparadas por João Batista. Todos os primeiros discípulos de nosso Senhor Jesus eram discípulos de João. João os preparou. Eles eram um povo preparado.
Quando o Messias veio, encontrou na terra um pequeno grupo de pessoas, mas essas pessoas estavam prontas para recebê-Lo.
Queridos irmãos e irmãs, o mesmo acontecerá em Seu retorno, na segunda vinda de nosso Senhor Jesus. Exteriormente, parece que a igreja em geral e todos os filhos de Deus estão esperando Sua vinda e se perguntando por que Ele demora, como se estivéssemos preparados.
Mas, queridos irmãos e irmãs, não se enganem. O povo de Deus não está preparado. Se Cristo viesse hoje, o que encontraria? Provavelmente, encontraria a mesma coisa que encontrou há dois mil anos em Jerusalém: o povo de Deus ficaria perturbado.
Portanto, a obra que precisa ser feita hoje é a obra de João Batista. É a obra de preparar um povo para o Senhor. Essa é a obra mais importante hoje: preparar um povo para que, quando o Senhor vier, haja um povo pronto para recebê-Lo.
Essa é a obra do instrumento de transição entre eras — a obra de João. Assim, queridos irmãos e irmãs, temos uma obra a fazer. Qual é a obra de Deus que nos cabe fazer hoje? Creio que a obra mais importante é preparar um povo disposto para o Senhor.
Estamos preparados? Se estamos, então temos a responsabilidade de preparar outras pessoas para o Senhor. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Oh, Pai celestial, sentimos em nosso espírito que os tempos estão prestes a mudar. Isso não pode continuar por muito mais tempo. Nós nos alegramos porque Tu estás vindo.
Mas, Senhor, sabemos que hoje estás procurando um instrumento de transição entre eras. Senhor, embora saibamos que, em nós mesmos, nada somos e somos indignos, ainda assim, por amor a Ti, Senhor, estamos dispostos.
Estamos dispostos a nos oferecer a Ti como oferta voluntária e a pedir que produzas em nós essas dores de parto, essa oração; que nos separes, para que vivamos inteiramente para Ti; e que nos enchas do espírito de Elias.
Que sejamos marcados pelo zelo do Senhor, pelo ciúme de Deus. Oh, Senhor, prepara-nos e usa-nos para preparar o Teu povo. Este é o clamor de nosso coração: vem, Senhor Jesus. Vem depressa. Em Teu precioso nome. Amém.