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    The Heavenly Calling #10 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Heavenly Calling #10
    The Heavenly Calling #10
    Austin-Sparks, T.

    A luz do mundo e o entendimento espiritual

    Nestes estudos do Evangelho de João, estamos acompanhando a transição da antiga ordem para a nova. Estamos agora em João 8:12, avançando até João 9.

    Acho melhor lermos uma parte dessa passagem.

    Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.
    — João 8:12

    Disseram-Lhe, pois, os fariseus: Tu dás testemunho de Ti mesmo; o Teu testemunho não é verdadeiro.
    Respondeu Jesus e disse-lhes: Ainda que Eu dê testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho é verdadeiro; porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou.
    — João 8:13-14

    Eu a ninguém julgo.
    E, se na verdade julgo, o Meu juízo é verdadeiro; porque não estou só, mas Eu e o Pai que Me enviou.
    — João 8:15-16

    E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.
    Eu sou O que testifico de Mim mesmo, e de Mim testifica também o Pai, que Me enviou.
    — João 8:17-18

    Muito tenho que dizer e julgar acerca de vós; mas Aquele que Me enviou é verdadeiro; e o que Dele tenho ouvido, isso falo ao mundo.
    — João 8:26

    Jesus dizia, pois, aos judeus que haviam crido Nele: Se vós permanecerdes na Minha palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos;
    E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
    — João 8:31-32

    Responderam-Lhe: Somos descendência de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes Tu: Sereis livres?
    — João 8:33

    Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-Me, porque a Minha palavra não encontra lugar em vós.
    — João 8:37

    João 9 como demonstração de João 8

    Agora, não lemos a passagem toda. É uma pena que haja essa divisão de capítulos aqui, porque João 9 é a demonstração de tudo o que está em João 8. De maneira muito prática, é a comprovação do que foi dito.

    Em João 9, ao passar, Ele viu um homem cego de nascença.

    E os Seus discípulos Lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
    — João 9:2

    A noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
    — João 9:4

    Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
    — João 9:5

    Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lodo com a saliva e untou com o lodo os olhos do cego;
    E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé.
    — João 9:6-7

    Acho que vocês conhecem o restante dessa história. Está perfeitamente claro que esse episódio tem como pano de fundo o julgamento de Israel — a história de Israel.

    Essa longa seção do relato tem o propósito de mostrar que Israel, afinal, está cego. Se alguma vez houve homens que demonstraram o quanto eram cegos, essas pessoas o fizeram em toda essa discussão.

    Jesus está fazendo com que eles mesmos se denunciem. Isto é, Ele os está obrigando a revelar a própria cegueira. Essas pessoas não estão enxergando; esse é o fato. Estão tão cegas espiritualmente quanto aquele homem estava fisicamente.

    Israel e o novo Israel espiritual

    Portanto, a passagem que temos aqui se situa no contexto da cegueira de Israel. Mas, como demonstração em João 9, o homem cego de nascença passa a enxergar, tudo com o objetivo de mostrar as características específicas do novo Israel espiritual que o Senhor Jesus estava trazendo à existência.

    Agora, vocês podem guardar isso por alguns minutos? Não se esqueçam. Vou me afastar desse assunto por alguns minutos.

    Porque há uma verdade maravilhosa que abrange tudo isso que estamos dizendo: Deus sempre expressou Seus pensamentos em Israel. Seus pensamentos estavam na própria concepção de Israel. Estavam na própria constituição de Israel. Estavam em tudo o que se dizia a respeito de Israel.

    Estavam em tudo o que foi revelado quanto ao propósito de Deus para Israel. De inúmeras maneiras, Deus havia expressado Seus pensamentos em Israel.

    Agora, Israel deixou de corresponder ao pensamento de Deus. Eles não quiseram dar ao pensamento que Ele havia expressado a resposta que Ele exigia. Esses pensamentos de Deus a respeito dessa vida nunca se concretizaram por causa da rebeldia de Israel.

    Mas os pensamentos de Deus não são postos de lado juntamente com Israel. Todos esses mesmos pensamentos são retomados em um novo Israel.

    O próprio Jesus Se torna o novo Israel. Vocês se lembram de que Ele fez referência a Jacó, cujo nome foi mudado para Israel, e disse a Natanael:

    Na verdade, na verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
    — João 1:51

    Jesus é o novo Israel em Pessoa. Toda a comunicação de Deus entre o céu e a terra se dá por meio de Jesus, o novo Israel.

    Todos os pensamentos de Deus nas eras passadas são retomados, em primeiro lugar, no Senhor Jesus. Tudo o que Deus havia pretendido para Israel, e que Israel não concretizou, tem continuidade no Senhor Jesus. É cumprido em Jesus e, depois, transferido por Jesus aos Seus companheiros.

    Os companheiros de Jesus pertencem ao Israel celestial — o novo Israel, que é um Israel espiritual.

    O caráter distintivo dos companheiros de Cristo

    Agora, abri diante de vocês um campo muito vasto. Seria impossível enumerar todas as características do pensamento de Deus a respeito de Israel. Deixem-me apenas indicar o que quero dizer.

    Vocês sabem, Deus distinguiu Israel de todos os outros povos pela aparência.

    Há alguns anos, antes de ele ir estar com o Senhor, conheci um cristão hebreu muito distinto. Ele costumava viajar pelo mundo todo e me disse o seguinte: “Aonde quer que eu vá, em qualquer parte do mundo, sempre reconheço quando encontro um judeu”.

    “Eles podem ter vivido por gerações neste ou naquele país, mas há algo neles que nunca perdem. Sem que me digam que são judeus, eu sempre sei.”

    Deus fez de Israel um povo distinto de todas as outras raças. Agora, vejam como isso é retomado no Senhor Jesus e como é retomado em todos os verdadeiros companheiros de Jesus.

    Não pelo formato do nosso rosto, nem por qualquer característica exterior; mas é absolutamente verdade que, onde quer que vocês encontrem um verdadeiro cristão neste mundo, vocês o reconhecem antes mesmo de serem apresentados.

    Não é preciso que alguém os apresente a vocês e diga: “Há algo de diferente neles”. Vocês sabem que encontraram alguém da sua própria raça.

    Há características espirituais que se destacam, que os diferenciam de todos os outros.

    E reconheceram que eles haviam estado com Jesus.
    — Atos 4:13

    Eles são diferentes. Há algo neles que é inteiramente diferente de todos os outros.

    Agora, essa é a verdade. Precisamos preservar essa verdade com a maior reverência. Há pessoas demais que levam o nome de Cristo e não podem ser distinguidas do mundo. Na verdade, estão justamente tentando se comportar como o mundo.

    O que quero dizer é isto: qualquer que tenha sido o pensamento expresso de Deus em Israel, de qualquer uma dentre mil maneiras, esse pensamento é retomado em Jesus Cristo.

    Os companheiros de Cristo sempre assumem algumas de Suas características. Foi por isso que alguém começou a usar o nome “cristão”.

    E em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
    — Atos 11:26

    Alguém disse: “Estes são os de Cristo”.

    Israel como luz para as nações

    Agora, essa é a verdade muito abrangente dentro da qual estamos falando nestes dias. Israel deveria ser o instrumento de Deus para levar luz ao mundo.

    Deus levantou Israel para ser, em Seu nome, luz para todas as nações. O propósito era que todas as nações viessem a conhecer Deus por meio de Israel — que vissem como Deus é e chegassem ao conhecimento de Deus por meio de Israel.

    Israel foi colocado entre as nações com esse propósito: ser a luz do mundo. Deus pretendia refletir a Si mesmo por meio de Israel nesta terra.

    A luz de Deus deveria incidir sobre Israel como sobre um espelho e, então, ser refletida a partir de Israel, resplandecendo sobre todas as nações. Houve ocasiões em que isso aconteceu, até certo ponto.

    Mas a tragédia de Israel foi que, em vez de revelar Deus, passou a encobri-Lo, tornando-se uma terrível contradição de Deus.

    Quando vocês pegam estes Evangelhos e leem todas essas discussões entre Jesus e os líderes de Israel, veem toda essa atitude dos governantes judeus. A maneira como se comportavam, a maneira como falavam, o espírito que demonstravam — vocês dizem: “Bem, se Deus é assim, não quero nada com Deus”.

    Isso é uma representação terrivelmente falsa de Deus. Por causa disso, Deus pôs Israel de lado. Mas, nesse aspecto específico, Ele não pôs de lado o Seu pensamento.

    No momento em que Israel estava prestes a ser rejeitado, o Filho de Deus veio ao mundo. Ele retomou o pensamento de Deus que deveria ter se concretizado em Israel e disse, bem no meio desse Israel entenebrecido:

    Eu sou a luz do mundo.
    — João 8:12

    Israel falhou, e somente por meio de Mim o mundo inteiro pode saber como Deus é.

    Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
    — João 9:5

    Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.
    — João 8:12

    Luz, liberdade e libertação das trevas

    Deus sempre quis que as raças deste mundo tivessem a luz da vida — luz que dá vida, luz que liberta.

    Quando saí do meu quarto para vir à reunião esta noite, não havia luz na escada. Estava tudo escuro como a noite. Eu tateava por toda parte para encontrar onde acender a luz.

    Eu tinha medo de ir até o alto da escada e cair. Estava indefeso, prisioneiro das trevas. Não podia fazer nada naquela escuridão até encontrar a luz.

    E aqui estou, são e salvo.

    Eu era prisioneiro das trevas e talvez nunca tivesse conseguido sair dali. Quando a luz veio, fui liberto. Podia ir a qualquer lugar, fazer qualquer coisa.

    Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
    — João 8:36

    Como o Filho nos liberta? Vocês não se lembram das próprias palavras Dele?

    E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
    — João 8:32

    Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
    — João 9:5

    E o efeito da luz é libertar as pessoas.

    Vocês se lembram da comissão que o Senhor deu ao apóstolo Paulo no momento de sua conversão? Ela é extremamente esclarecedora e instrutiva à luz do que estamos dizendo.

    O Senhor disse a Paulo, ao lhe dar sua comissão para as nações:

    Para lhes abrires os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus.
    — Atos 26:18

    Portanto, os prisioneiros de Satanás estão nas trevas. Cada pessoa da raça humana, por natureza, está na prisão do diabo.

    O entendimento entenebrecido

    Acho que talvez alguns de vocês aqui já me tenham ouvido citar A guerra santa, de John Bunyan, a esse respeito. Espero que já tenham lido O peregrino, também dele.

    Vocês se lembrarão de que A guerra santa apresenta a batalha pela alma humana. A alma humana é representada como uma cidade.

    Diábolo reúne seus líderes e diz: “Se vamos capturar a cidade de Alma Humana, precisamos, antes de tudo, capturar o prefeito de Alma Humana”.

    O nome do prefeito é Senhor Entendimento. “Precisamos capturar o Senhor Entendimento e colocá-lo em uma masmorra escura, para que ele não veja o que está acontecendo.”

    A Palavra diz:

    Entenebrecidos no entendimento.
    — Efésios 4:18

    O deus deste século cegou a mente dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.

    Se, para qualquer alma, a luz ilumina Jesus, essa alma é liberta. Toda a estratégia de Diábolo é desmantelada.

    Como é importante para o deus deste século cegar a mente das pessoas, manter o Senhor Entendimento em uma masmorra escura — não que ele não tenha entendimento, mas para que não veja o que está acontecendo.

    Esse é o estado de cada filho de Adão. O Senhor estava dizendo a Israel: “Foi a esse ponto que vocês chegaram. Vocês, que deveriam ser a luz do mundo, agora estão envolvidos nas próprias trevas do mundo. Vocês são uma contradição de todo o pensamento e de todas as intenções de Deus”.

    Isso está bastante claro e evidente, não está? Mas esse é o lado negativo.

    Cristo como cumprimento do pensamento de Deus

    Repetimos: aquilo que Israel não concretizou é retomado na Pessoa do Filho de Deus e transferido ao novo Israel coletivo — chamado, na Carta aos Hebreus, de companheiros de Cristo.

    Vocês veem como devem ser os companheiros de Cristo? Devem ser vasos nos quais essa verdade se cumpre.

    Devem ser os próprios templos de Cristo. Neles, Ele deve ser a luz da vida:

    Cristo em vós, a esperança da glória.
    — Colossenses 1:27

    Entendimento e iluminação espiritual

    Agora, isso nos levaria a um estudo muito amplo. Vocês sabem, o Novo Testamento tem muitíssimo a dizer sobre o entendimento espiritual — sobre a tremenda importância do conhecimento espiritual. Ele atribui um valor muito elevado a essa faculdade da visão espiritual.

    Vocês se lembram daquela grande passagem em 2 Coríntios 4:6-7?

    Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.
    — 2 Coríntios 4:6

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
    — 2 Coríntios 4:7

    Vocês percebem como essa declaração maravilhosa está ligada a Moisés subindo ao monte onde Deus estava, recebendo a lei da boca de Deus e, depois, descendo do monte sem saber que seu rosto resplandecia?

    O texto diz que ele não sabia que seu rosto resplandecia. Mas o povo via e não conseguia olhar. A luz era forte demais, e eles não podiam olhar para o rosto de Moisés.

    Então Moisés pegou um véu e o colocou sobre o rosto. O véu ocultava a glória de Deus.

    Agora, diz o apóstolo, trazendo isso até o presente, desde aquele tempo até hoje há um véu sobre o coração de Israel. Israel é incapaz de contemplar a glória de Deus.

    Mas, diz o apóstolo:

    Quando se converter ao Senhor, o véu será tirado.
    Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
    — 2 Coríntios 3:16-17

    Quando o Espírito Santo remove o véu do coração e faz Cristo resplandecer ali, a vida é liberta.

    Ah, é maravilhoso simplesmente enxergar algo do Senhor pelo Espírito Santo. Estou esperando que seja isso o que está acontecendo aqui nestes dias.

    Bem, se não está acontecendo com mais ninguém, está acontecendo comigo. Estou vivendo momentos gloriosos. O céu está se abrindo. Estamos vendo a glória de Deus na face de Jesus Cristo e estamos sendo libertos.

    Quem dirá que não há a liberdade do Espírito entre nós nestes dias? Podemos dizer a esse respeito, como Jesus disse a respeito de outra coisa:

    Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
    — Lucas 4:21

    A necessidade de iluminação pessoal

    Agora, o que eu disse é uma declaração de fatos. E, quando os fatos foram apresentados, estamos apenas no começo da questão.

    Vocês nunca serão libertos pela mera declaração de fatos. Posso ficar aqui por anos apresentando fatos; isso não fará diferença para vocês. Alguma coisa precisa acontecer.

    Isso precisa começar a acontecer, se vocês ainda não nasceram de novo. O que precisa acontecer com vocês logo no início da vida cristã é o que aconteceu com esse homem cego de nascença.

    Vocês precisam ser capazes de dizer, de verdade, exatamente as mesmas palavras que ele disse:

    Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.
    — João 9:25

    Essa é uma característica do início da vida de um verdadeiro companheiro de Jesus Cristo: começar a enxergar.

    A oração por corações iluminados

    O apóstolo Paulo havia dado uma quantidade imensa de ensino aos crentes de Éfeso. Ele lhes disse:

    Nada que fosse proveitoso deixei de vos anunciar.
    — Atos 20:20

    E também:

    Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos;
    Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.
    — Atos 20:26-27

    Ele passou alguns anos com eles, derramando sobre eles a luz que possuía. Portanto, eram cristãos que haviam recebido muita instrução.

    Depois de tudo isso, Paulo foi para a prisão. Na prisão, escreveu-lhes uma carta e disse: “Oro por vocês”.

    Por esta causa, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
    — Efésios 3:14

    É isto que peço a Deus por vocês, com tudo o que já receberam:

    Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele;
    Tendo iluminados os olhos do vosso coração.
    — Efésios 1:17-18

    Isso não era para a salvação deles. Já haviam sido salvos há muito tempo. Haviam recebido muito ensino. Já tinham caminhado bastante com o Senhor.

    Mas tudo o que vocês receberam, tudo o que lhes dei, não é nada em comparação com o que há no Senhor Jesus. Para tudo isso, vocês precisam ter os olhos abertos. Precisam de um espírito de sabedoria e de revelação.

    Como isso é importante. E vocês percebem como ele termina essa carta:

    Porque a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores destas trevas, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.
    — Efésios 6:12

    Porque não ignoramos os seus ardis.
    — 2 Coríntios 2:11

    Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as ciladas do diabo.
    — Efésios 6:11

    As ciladas do diabo têm o propósito de impedir que vocês recebam mais luz, de roubar a luz que já possuem, de introduzir alguma coisa que cegue seus olhos, de desviar seus olhos do Senhor Jesus para outra coisa — talvez para vocês mesmos ou para algum interesse mundano.

    Assim que isso acontecer, vocês entrarão em escravidão. Serão novamente prisioneiros indefesos. Essa questão da iluminação espiritual é uma grande batalha. Há sempre uma batalha ligada ao recebimento de mais luz espiritual verdadeira.

    Os companheiros de Cristo e a visão espiritual

    Bem, acabamos de chegar à porta de uma questão muito importante. Ao encerrar, repetimos o que dissemos: esse grande pensamento de Deus é retomado em Cristo e transferido aos Seus companheiros.

    Pensei que talvez pudesse dizer alguma coisa esta noite sobre a batalha de Cristo com Seus próprios companheiros nos dias de Sua carne.

    Ele havia feito dos discípulos Seus companheiros, mas, ah, quanta dificuldade teve para fazê-los entender — para vencer a lentidão de suas mentes e levá-los à compreensão da verdade espiritual.

    Vocês conhecem essa imagem? É a imagem de criancinhas, não é? Todas aquelas parábolas — e, quando terminou de contá-las, Ele precisou explicar por que lhes havia falado por parábolas: porque não tinham entendimento.

    Durante todo o tempo, Ele lutava com suas mentes entenebrecidas. Apontava para um dia em que entenderiam. Como sabia que esse dia chegaria, não desistiu deles.

    E naquele dia nada Me perguntareis.
    — João 16:23

    Mas, quando vier Aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.
    — João 16:13

    Tenho pensado que o Senhor Jesus deve ter ficado muito feliz no dia de Pentecostes. Vocês já leram o discurso de Pedro à multidão no dia de Pentecostes? Façam uma lista de todos os assuntos incluídos no discurso de Pedro naquele dia.

    Aquele discurso está repleto do Antigo Testamento, e Pedro está dizendo: “Ora, tudo isso se cumpriu em Jesus Cristo”. Era isso que Jesus havia tentado fazê-los entender durante três anos e meio.

    No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio, a Bíblia ficou inteiramente aberta para eles. Eles enxergaram tudo. Foram libertos pela verdade, pela luz.

    Acho que Jesus, no céu, deve ter dito: “Agora, era para isso que Eu vivia, e foi para isso que fiz tudo o que fiz antes. Agora estes são Meus companheiros”.

    Os companheiros de Jesus são aqueles que enxergam como Jesus enxerga.

    Como isso é verdadeiro em toda relação de companheirismo. Não há verdadeiro companheirismo entre duas pessoas se elas não enxergam da mesma maneira. Vocês podem querer permanecer juntos, mas, ah, como é difícil quando o outro não enxerga o que vocês enxergam. Só é possível ir até certo ponto, e não além.

    Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?
    — Amós 3:3

    O verdadeiro companheirismo se fundamenta no entendimento mútuo. Acho que há poucas coisas que Jesus deseja e pelas quais anseia mais do que ter pessoas que O compreendam.

    É isso que Deus sempre quis. Esse pensamento é retomado em Seu Filho e, depois, transmitido aos filhos que participam de Sua companhia.

    Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros.
    — 1 João 1:7