Mais uma vez, voltamos a este grande assunto que o Senhor está colocando diante de nós nestes dias: a grande obra que Cristo está realizando nesta dispensação, a saber, o atual Israel celestial e espiritual. Esta dispensação é o período entre a ascensão do Senhor Jesus e Sua volta.
Deus está realizando algo secreto nesta dispensação. A verdadeira natureza daquilo que Deus está fazendo não se vê na superfície. Os homens estão sempre tentando torná-lo visível, mas aquilo que Deus realmente está fazendo está numa profundidade que não se pode ver.
Está por trás de tudo o que se vê. Deus está constituindo um novo Israel, celestial e espiritual.
Os membros desse novo Israel espiritual não são conhecidos por este mundo, e muitos deles não são conhecidos por outros cristãos.
Somente quando vocês entram em contato bem próximo com eles é que descobrem que são concidadãos do reino celestial.
E, muitas vezes, vocês ficam bastante surpresos com os lugares onde os encontram.
Podemos estar no sistema católico romano e, às vezes, ficamos muito surpresos ao descobrir que há concidadãos do reino dos céus dentro desse sistema. É possível ter uma ampla comunhão espiritual com eles.
E assim acontece em outros meios. Vocês não sabem onde eles estão até entrarem em contato com eles de maneira espiritual.
Isso é algo espiritual. Não é um grande movimento público ou político.
Essa é a diferença entre o antigo Israel e o novo.
Agora, temos falado bastante nestas reuniões sobre o antigo Israel ter sido posto de lado. Há algo que precisamos reconhecer.
Embora estejamos falando tanto sobre a rejeição do Israel anterior, precisamos lembrar que os doze apóstolos e o apóstolo Paulo eram judeus.
E eles representam aquilo que Deus queria que todos os judeus fossem.
Esses homens — os doze apóstolos e o apóstolo Paulo — estiveram envolvidos na rejeição do Senhor Jesus. Pedro, o líder, foi aquele que O negou.
E está escrito que todos O abandonaram e fugiram. O medo de sua própria nação tomou conta deles. Eles sucumbiram a esse medo.
Eles cumpriram a palavra do Senhor Jesus:
Todos vós esta noite vos escandalizareis em Mim.
Todos estavam envolvidos nisso.
E, quanto ao apóstolo Paulo, não há dúvida a respeito dele. Ele esteve profundamente envolvido na perseguição de todos os que eram daquele Caminho.
E, no entanto, aqui estão eles: os primeiros homens do novo Israel. Acho isso algo muito maravilhoso, sob mais de um ponto de vista.
Não creio que Pedro jamais tenha esquecido aquela negação do Senhor Jesus. Sem dúvida, de tempos em tempos, aquilo voltava à sua lembrança.
Não tenho dúvida de que o diabo muitas vezes se aproveitava disso e lhe dizia: “Está muito bem você pregar, mas lembre-se do seu passado sombrio. Lembre-se de como negou e abandonou o seu Mestre”.
Imagino que Pedro muitas vezes precisasse travar uma verdadeira batalha a respeito de seu passado.
Bem, sabemos que Paulo precisou. Ele disse repetidamente:
Não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja.
Em certa ocasião, ele disse ao Senhor: “Senhor, eles sabem como eu Te persegui e como dei meu consentimento ao martírio do Teu servo Estêvão”.
Paulo nunca esqueceu a tragédia de sua vida passada.
E, no entanto, esses homens foram os fundamentos do novo Israel. Por que eu disse isso? Porque vocês estão esperando que eu prossiga com os dezesseis pontos em João.
Mas hoje o Senhor me disse que eu deveria dizer isto: nosso passado sempre pode ser uma fonte de grande desânimo para nós.
E ele pode ser a base sobre a qual o inimigo reivindica o direito de nos tirar o ânimo. Ele nos dirá: “Veja que tipo de pessoa você é. Você provou que não vale nada. O que espera, depois de ter sido como foi no passado?”
E assim ele procura destruir toda a esperança e tirar toda a nossa certeza, dizendo: “Você não presta, e sabe disso, e não deve esperar nada de bom para o futuro”.
Bem, se alguma vez houve homens que poderiam ter falado assim, foram Pedro e Paulo, e todos aqueles outros homens na noite em que Jesus foi entregue.
Vou olhar isso pelo outro lado e dizer: se alguma vez houve pessoas que pareciam não ter esperança, eram essas. Mas aquelas pessoas sem esperança tornaram-se o próprio começo da Jerusalém celestial.
Eu digo que há esperança para qualquer pessoa.
E, se o apóstolo Paulo estivesse onde estou nesta noite, ele nos diria: “Meu amigo, qualquer pessoa pode ser salva, se eu pude ser salvo. Qualquer pessoa pode fazer parte deste povo celestial, se eu pude fazer parte dele”.
Vocês veem com que pessoas o Senhor edifica Sua nova Jerusalém.
À luz disso, é uma grande desonra ao Senhor alguém dizer: “Não há esperança para mim. Meu passado é tão ruim que não existe possibilidade alguma para mim”.
Isso desonra o Senhor. F. W. H. Myers disse: “Deus te perdoará tudo, exceto o teu desespero”.
Elias descobriu isso. “Elias, levante-se daí e vá para lá; é lá que Eu Me encontrarei com você, não aqui, debaixo do zimbro.”
Deus perdoará tudo, exceto o desespero, porque o desespero limita o Todo-Poderoso. Ele diz: “Deus não é capaz de lidar com o meu caso”.
Portanto, quando falamos sobre a rejeição do antigo Israel, lembremos que foi com pessoas do antigo Israel que Deus começou o novo.
Bem, agora que dissemos isso, podemos prosseguir com João.
Porque o que estamos vendo no Evangelho é o contexto judaico antigo sobre o qual o Senhor está edificando. Por trás deste Evangelho de João, em cada parte, há algo da antiga ordem judaica.
E o Senhor está tomando o princípio daquilo e transferindo-o para a nova ordem celestial.
Ontem à noite começamos com o Cordeiro de Deus. Vimos o amplo contexto judaico por trás do Cordeiro de Deus.
Depois passamos a Natanael e vimos o céu, que havia sido fechado, ser aberto em Jesus Cristo.
Em seguida, chegamos ao casamento em Caná da Galileia. Por trás dele, vimos a relação matrimonial entre o antigo Israel e o Senhor, e o rompimento dessa relação porque uma das partes da aliança não a havia cumprido.
E o casamento é salvo em Jesus Cristo, num novo Israel.
Mais adiante, no capítulo 2 de João, chegamos ao templo. O Senhor disse:
Derribai este templo, e em três dias o levantarei.
Os judeus pensaram que Ele falava do templo em Jerusalém, mas Ele disse isso a respeito do templo do Seu corpo.
Assim, o antigo templo foi posto de lado, e em Jesus Cristo um novo templo foi estabelecido.
No capítulo 3 de João, chegamos a Nicodemos, esse representante dos filhos de Abraão segundo a carne, e vimos como é impossível aos filhos de Abraão segundo a carne entrar no reino celestial.
Os filhos de Abraão precisam nascer de novo para entrar no reino de Deus.
Agora, nesta noite, chegamos ao sexto ponto. No capítulo 3 de João:
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado;
para que todo aquele que crê tenha Nele a vida eterna.
Há um contexto no Antigo Testamento. Nós o encontramos no capítulo 21 do livro de Números.
E o episódio começa assim: os filhos de Israel falaram contra Deus e contra Moisés, e disseram: “Nossa alma tem fastio deste pão tão vil”. Essas foram as palavras que usaram a respeito do maná.
Eles odiavam esse pão tão vil — o alimento vindo do céu. Falaram contra Deus e contra Moisés e disseram: “Odiamos aquilo que Deus providenciou”.
Lembrem-se bem, queridos amigos, de que Deus, em tudo o que fazia, sempre tinha Seu Filho em vista.
Quando Deus lhes deu o maná do céu — e chegaremos ao maná no capítulo 6 de João —, Ele tinha Seu Filho em vista. O maná era um tipo de Cristo, Que disse:
Eu sou o pão vivo que desceu do céu.
E eles disseram: “Odiamos este pão tão vil”. Vocês podem ouvir os judeus dos dias de Cristo falando assim. Eles simplesmente diziam: “Não queremos que este reine sobre nós”.
Essa era a atitude deles contra Deus.
Deus viu a atitude dessas pessoas no deserto, como era contrária a Ele e àquilo que Ele lhes dava. Por isso, Deus enviou serpentes entre eles, que os picaram, e uma grande multidão morreu.
Então entrou em cena a serpente:
Como Moisés levantou a serpente no deserto.
Ah, há coisas terríveis aqui. A serpente é, sempre e em toda parte, do começo ao fim da Bíblia, o símbolo de uma maldição. É o símbolo do juízo de Deus.
Essa serpente levantada no deserto é um símbolo do juízo de Deus.
O juízo e a maldição de Deus que repousavam sobre o povo rebelde foram transferidos para aquela serpente. Aquela serpente foi fixada numa haste, carregando sobre si a maldição e o juízo de Deus em favor do povo.
E todo aquele que olhava para a serpente era salvo.
Ao usar esse trecho do Antigo Testamento, o Senhor Jesus estava simplesmente dizendo: “Eu vou ser feito maldição por vocês”.
“Quando Eu for levantado, levarei sobre Mim o juízo de vocês.”
Ele levou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro.
Em Cristo crucificado há libertação da maldição e do juízo.
E todo aquele que olhar… Aqui entra a maior passagem das Escrituras que conhecemos.
Ah, eu gosto dessa conjunção. As conjunções são sempre muito significativas no Novo Testamento. Quando encontrarem um “mas” ou um “portanto”, examinem sempre todo o contexto.
A serpente levantada, e o Filho do Homem levantado, levando a maldição e o juízo de um povo rebelde:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito,
para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Nós citamos João 3:16 sem o contexto. Que coisa tremenda é esta! Deus está derramando sobre Seu Filho unigênito o juízo de todos nós, permitindo que Seu Filho unigênito e muito amado seja feito maldição por nós.
Por quê? Ah, Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu próprio Filho unigênito.
Vocês precisam tomar João 3:16 e colocá-lo bem no capítulo 21 de Números. Tomem o capítulo 21 de Números e coloquem-no bem em João 3:16. Aqui está o pano de fundo, e aqui está o primeiro plano: a transição do antigo para o novo.
O novo Israel celestial está edificado sobre esta rocha:
Todo aquele que crê tem a vida eterna.
Ah, quanto mais poderíamos dizer sobre isso! Precisamos prosseguir.
Aqui está uma das coisas infelizes na divisão em capítulos. Do ponto de vista espiritual, é uma grande pena que os capítulos 3 e 4 de João estejam separados.
Vocês sabem o que há no capítulo 4 de João: a mulher de Samaria, o poço de Sicar e toda a conversa entre o Mestre e aquela mulher.
O coração de toda a conversa é este:
Àquele que crê em Mim, porei nele uma fonte de água,
uma fonte que salte para a vida eterna.
Beber dessa água significa que a pessoa nunca mais terá sede.
Não deveria haver divisão de capítulos ali, porque o capítulo 21 do livro de Números não está dividido.
Imediatamente depois do episódio da serpente levantada, temos o episódio da fonte que jorra.
Quando a cruz realiza sua obra, quando Cristo leva nosso juízo e a maldição que repousa sobre nós, então o Espírito Santo é liberado e jorra como a fonte da vida eterna.
Esse é o contexto do capítulo 21 de Números: a fonte que jorra vem imediatamente depois da serpente levantada.
Nos capítulos 3 e 4 de João, vocês têm essas duas coisas: a serpente levantada e Jesus levantado.
Ele foi feito maldição por nós, porque está escrito:
Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.
Feito maldição por nós, levando o juízo de nossos corações rebeldes, Ele abriu um caminho para a fonte que jorra — a fonte da vida eterna.
Que conexões maravilhosas o Espírito Santo faz na Bíblia, não é mesmo? Como Ele une as coisas!
Esse foi o sétimo ponto, caso vocês estejam perdendo a conta.
Oitavo ponto: temos o episódio do oficial e de seu filho, que estava à beira da morte.
Ele tinha vindo de Cafarnaum para encontrar Jesus e convencê-Lo a voltar para casa com ele e curar seu filho.
Jesus pôs sua fé à prova e, então, ao constatar sua fé, disse:
Vai, o teu filho vive.
O homem creu Nele e voltou para casa, e descobriu que foi exatamente no momento em que Jesus disse: “O teu filho vive”, que seu filho começou a melhorar.
Agora, imagino que as pessoas que estiveram aqui no ano passado pensem que já ouviram tudo a respeito disso no ano passado. Mas vocês não ouviram tudo no ano passado, e verão isso daqui a pouco.
Vocês se lembram de que, no ano passado, abordei os oito sinais do Evangelho de João. Neste ano, eles se desdobraram em dezesseis, portanto vocês não ouviram tudo.
Agora, aqui está o coração desse episódio: por que Jesus não foi com aquele homem a Cafarnaum?
Em outra ocasião, Ele foi a Cafarnaum e curou muitas pessoas. Por que não disse: “Bem, preciso ir a Cafarnaum em algum momento e fazer muita coisa ali. Posso muito bem ir agora”?
Jesus não fez isso. Permaneceu onde estava e mandou o homem voltar sozinho para casa.
Como vimos no ano passado, o homem levou do meio-dia até o fim daquele dia, e ainda parte do dia seguinte, para chegar em casa.
Por que Jesus adotou esse método nessa ocasião específica?
Temos um contexto judaico. E qual é esse contexto judaico? É o contexto da lei.
A letra mata;
mas as palavras que Eu vos digo são espírito e vida.
Não importa a que distância esteja aquele que precisa de ajuda. Se Ele fala, Sua palavra é vida.
O Antigo Testamento, no que diz respeito à lei, trouxe morte.
A letra mata.
Isto é, a letra da lei.
O Espírito vivifica;
e as palavras que Eu vos digo são espírito e vida.
A lei nunca poderia ter feito isso. Vocês podem trazer de Jerusalém todos os escribas e fariseus, e eles podem recitar toda a lei de Moisés, mas nada acontecerá ao menino. Ele certamente morrerá.
Jesus só precisa abrir a boca e dizer uma palavra, e o menino, a muitos quilômetros de distância, começa a melhorar a partir daquele momento.
Jesus está mostrando que a lei de Sua boca é vida. A transição é tão clara, não é? Da morte para a vida na Palavra.
Nono ponto: precisamos repetir, em grande parte, o que já dissemos antes — a história do homem paralítico junto ao tanque.
João 5:5 é o coração da questão:
E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.
Qual é o contexto judaico? Há muito pouca dúvida de que o contexto judaico era a longa jornada de Israel no deserto — os trinta e oito anos de sua peregrinação no deserto.
Como eram incapacitados no deserto! Poderiam ter feito a viagem do Egito à terra de Canaã em onze dias. Levaram trinta e oito anos.
E, durante os trinta e oito anos, na verdade não fizeram progresso algum. Estavam escravizados à própria vida do eu.
Eram impotentes, incapacitados e indefesos, porque a vida do eu ocupava o lugar de domínio.
Vocês não precisam que eu lhes diga como essa vida do eu os governava no deserto. Eles nunca olhavam para coisa alguma considerando quanto ela feria a Deus ou até que ponto atendia aos interesses de Deus.
Olhavam para tudo em função de como aquilo os afetava.
Ah, sua murmuração e sua rebelião aconteciam porque não estavam recebendo o que queriam. Nunca se tratava do que Deus queria. Eram simplesmente um povo centrado em si mesmo.
E eram como paralíticos deitados na cama da vida do eu, nunca realmente capazes de se levantar e marchar diretamente rumo ao propósito de Deus.
Bem, esse é o contexto original.
Jesus toma uma ilustração disso. Bem diante dos judeus, Ele toma esse homem e o põe de pé.
Os membros do novo Israel celestial são pessoas que foram libertas dos interesses próprios para os interesses de Deus — pessoas que foram postas espiritualmente de pé por Jesus Cristo e estão andando com força no caminho do Senhor.
Agora, vocês não acham muito significativo que o primeiro milagre depois do dia de Pentecostes tenha sido fazer um homem incapacitado se levantar à porta do templo em Jerusalém?
Vejam, estas não são apenas belas histórias reunidas para formar um livro interessante. Deus sabe o que está fazendo.
Ele faz com que o primeiro milagre depois de Pentecostes seja levantar um homem incapacitado. Está dizendo que as pessoas desse novo Israel são pessoas que foram libertas dessa incapacidade e postas espiritualmente de pé.
Há muitos cristãos incapacitados por aí. Não conseguem se pôr de pé, e outras pessoas também não conseguem colocá-los de pé.
Podem dar um ou dois passos, e lá vão eles cair outra vez. Há muitas pessoas assim. Vocês precisam passar a vida tentando colocá-las de pé.
O que está consumindo a própria vida delas? O que as está tornando tão incapacitadas e indefesas que não conseguem andar?
É o egocentrismo. Não há dúvida alguma a respeito disso. É o eu, de alguma forma.
É o eu que quer ser notado. É o eu na forma de orgulho. É o eu que está escravizado.
Esse pobre homem foi liberto porque conhecia sua própria incapacidade, mas creu no que Jesus disse.
Ele creu em direção a Jesus Cristo, o que significa que, ao crer, saiu de si mesmo.
Sim, esse é o segredo: desviarmos o olhar de nosso miserável eu e deixarmos de nos ocupar com ele.
De uma vez por todas: “Não tenho mais nada com você. Não tenho mais nada com você, miserável eu. Eu me lanço sobre Jesus Cristo”.
E Jesus nunca decepciona uma pessoa assim.
O décimo ponto, creio que podemos dar por entendido. Já dissemos algo a respeito dele. Temos o capítulo 6 de João: o pão da vida.
O Senhor Jesus disse: “Não foi Moisés quem lhes deu o maná; foi Meu Pai”. Esse é o contexto judaico do Antigo Testamento.
Agora, bem diante dos judeus, Ele está dizendo:
Eu sou o pão vivo
que desceu do céu
para dar vida ao mundo.
Há uma transição muito evidente do antigo para o novo. Vimos no livro de Números que o maná não satisfez de maneira plena e definitiva. Cristo, Que desceu do céu, é a satisfação plena e definitiva de toda fome espiritual.
Quero mesmo dizer uma palavra sobre o décimo primeiro ponto. É por isso que passei tão depressa pelo décimo.
Isso está no capítulo 7 de João. Talvez seja melhor eu perguntar a vocês: gostariam que eu parasse agora? Vi algumas pessoas olhando para mim como se já tivessem ouvido o suficiente.
Muito bem, então. Capítulo 7 de João:
E, depois disto, Jesus andava pela Galileia;
e já não queria andar pela Judeia,
pois os judeus procuravam matá-Lo.
E estava próxima a festa dos judeus, a dos Tabernáculos.
Mas, no meio da festa, subiu Jesus ao templo e ensinava.
João 7:37-38:
E, no último dia, o grande dia da festa,
Jesus pôs-Se em pé e clamou, dizendo:
Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Quem crê em Mim, como diz a Escritura,
rios de água viva correrão do seu interior.
E isto disse Ele do Espírito,
que haviam de receber os que Nele cressem.
Bem, agora estamos diante da Festa dos Tabernáculos. O capítulo 29 de Números nos mostra o que conduzia a esse grande dia da festa.
Todos os diferentes tipos de ofertas haviam sido apresentados ao Senhor. Não preciso enumerar todos os tipos de ofertas; todos estão mencionados ali, e todos haviam sido apresentados ao Senhor.
Então vinha o último e grande dia da festa. Ela é chamada Festa dos Tabernáculos.
Naquele grande dia, no templo em Jerusalém, os sacerdotes traziam grandes recipientes de água e derramavam a água no alto dos degraus do templo, de modo que ela descia pelos degraus em grande volume.
Jesus deu um passo à frente naquele momento. Todas as ofertas são apresentadas a Deus Nele. Ele, em Sua Pessoa, é a expressão concreta de todos os sacrifícios e de todas as ofertas.
Ele é o cumprimento pleno de todas as exigências de Deus, e apresenta a Si mesmo a Deus em favor do povo.
Então Ele chega a esse dia da Festa dos Tabernáculos. Está escrito em Números que os sacerdotes deverão tocar as trombetas.
E Jesus tomou a trombeta, por assim dizer, e clamou em alta voz. Aqui está a trombeta da Festa dos Tabernáculos.
Nele todas as ofertas são aperfeiçoadas. Deus está plenamente satisfeito. Portanto, Ele pode derramar Seu Espírito.
Ele clama como uma trombeta, em alta voz:
Quem crê em Mim, como diz a Escritura,
rios de água viva correrão do seu interior.
Agora, essa é a herança de todos os que pertencem ao novo Israel. É a herança de vocês. A Palavra de Deus é verdadeira.
Se o que Cristo disse é verdade, o Senhor Jesus não pode voltar atrás. Nessa ocasião, Ele ergueu a voz e clamou em alta voz. Deu grande ênfase a isso.
Se vocês e eu aceitarmos Jesus Cristo como Aquele que satisfez plenamente a Deus em nosso favor — como Aquele que trouxe ao próprio Deus todas as ofertas que Deus havia determinado —, então Seu grande clamor é verdadeiro para nós.
Jesus é Aquele que satisfaz a Deus em nosso favor. Ele cumpriu tudo o que cada sacrifício e cada oferta representavam. Se realmente cremos nisso, então de nós podem fluir rios de água viva.
Isto é, outros receberão Sua vida por nosso intermédio, como Seus canais. É assim que deveria acontecer com todo verdadeiro crente.
E Jesus tornou isso possível ao satisfazer a Deus em nosso favor.
Portanto, todas as pessoas do novo Israel são pessoas de quem flui um rio.
Levem a trombeta aos lábios e deixem as pessoas ouvir. Vocês ficarão surpresos quando começarem a testemunhar do Senhor Jesus: as pessoas começarão a receber vida.
Algo acontecerá em outras pessoas.
Vocês mantêm a boca fechada e se recusam a testemunhar do Senhor Jesus em casa, na sua comunidade ou no trabalho; então estão represando o rio do Espírito.
Estão simplesmente impedindo o fluxo do rio que deveria estar saindo de vocês.
Agora, se nunca fizeram isso, experimentem. Quero lhes dizer que a primeira alma que vier ao Senhor Jesus por meio do testemunho de vocês liberará algo em vocês, de modo que nunca mais vão querer manter a boca fechada.
Há muitos cristãos infelizes porque mantêm a boca fechada. Vivem uma existência oculta.
Há pessoas que falam demais, mas há tantas outras que não falam o suficiente. Assim, estão sufocando a própria vida cristã.
Tomem a trombeta do Senhor Jesus e clamem em alta voz, e os rios começarão a fluir.
Bem, vocês me disseram para continuar, mas, afinal, ultrapassei o horário em apenas dez minutos. Mas ainda não terminamos.