Estamos ocupados, neste momento, com essa grande obra que Deus está realizando nesta dispensação.
Ele está constituindo um novo Israel, celestial, e preparando-o para o dia em que seu Rei vier. Esse Israel reinará com Ele para sempre.
Os membros desse Israel espiritual são chamados de participantes de uma vocação celestial — os companheiros de Cristo.
O ponto a que chegamos é este: ao constituir o Israel espiritual, Deus está seguindo a mesma linha que seguiu com o Israel terreno. Com o Israel celestial, Ele segue linhas espirituais, mas, em princípio, são a mesma coisa.
Já vimos algo disso e vamos ver um pouco mais hoje.
Creio que deve estar perfeitamente claro que é isso que Deus está fazendo.
A Carta aos Hebreus é o grande documento da transição de um Israel para outro, e há nessa carta muitas evidências dessa verdade.
Se alguém ainda tiver alguma dúvida, há uma passagem que, creio eu, deve resolver todas essas questões. Vejam Hebreus 12:18-21 e leiam esta seção:
Porque não chegastes ao monte que se podia tocar e que ardia em fogo,
nem à escuridão, e às trevas, e à tempestade,
nem ao sonido da trombeta, e à voz das palavras;
a qual os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais;
porque não podiam suportar o que se lhes mandava:
Se até um animal tocar o monte, será apedrejado;
e tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo assombrado e tremendo.
Bem, esse é o Israel terreno sendo constituído no monte. A palavra é: “Não chegastes a isso”. Não é dessa maneira que Deus constitui Seu novo Israel.
Mas chegastes ao monte Sião,
e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial,
e às inumeráveis hostes de anjos,
à universal assembleia e igreja dos primogênitos que estão inscritos nos céus,
e a Deus, o Juiz de todos,
e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,
e a Jesus, o Mediador de uma nova aliança,
e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.
Creio que isso resolve todas as discussões. Se tivéssemos apenas esse parágrafo no Novo Testamento, saberíamos qual é a diferença entre a antiga dispensação e a nova. Saberíamos a diferença entre o judaísmo e o cristianismo, e entre a condição em que eles estavam e aquela em que nós estamos.
Mas isso não é tudo. É apenas uma parte de todo o argumento. Quero que vocês observem algumas das designações presentes nesta carta que são evidências dessa verdade.
Para começar, temos a família de Deus. Todos sabemos que Deus considerava Israel Sua família. A Faraó, Deus disse:
Deixa ir Meu filho.
As evidências são tantas que nem conseguiríamos examinar todas. Em certo sentido, Deus considerava Israel Sua família. Eles eram Seus filhos e, em certo sentido, Ele falava de Si mesmo como o Pai deles.
Aqui, nesta carta, na transição do antigo Israel para o novo, essa ideia é transferida para o Israel espiritual.
Hebreus 2:10-11 diz:
Porque convinha que Aquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem tudo existe,
trazendo muitos filhos à glória,
aperfeiçoasse, pelos sofrimentos, o Autor da salvação deles.
Porque tanto Aquele que santifica como os que são santificados são todos de um só:
por cuja causa não Se envergonha de lhes chamar irmãos.
Anunciarei o Teu nome a Meus irmãos;
no meio da congregação cantarei os Teus louvores.
E outra vez: Porei Nele a Minha confiança.
E outra vez: Eis-Me aqui, e os filhos que Deus Me deu.
Vocês notarão que isso é toda uma série de citações do Antigo Testamento. Antes, elas se relacionavam ao antigo Israel. Agora, esse Israel foi posto de lado, mas Deus está retomando, de uma nova maneira, esse princípio da vida familiar em relação a Si mesmo.
Seu Filho é o Primogênito entre muitos irmãos, e nós somos filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Provavelmente vocês já perceberam que a primeira ideia de Deus foi uma família. A ideia de família nasceu no coração de Deus.
Isto não é uma sociedade formal. Isto não é uma instituição. O que há de mais profundo no coração de Deus a nosso respeito é ter-nos como Seus filhos.
Vocês que conhecem a Bíblia poderão recordar muitas passagens, como esta:
Como um pai se compadece de seus filhos,
assim o Senhor Se compadece daqueles que O temem.
Poderíamos reunir uma enorme quantidade de referências a Deus como Pai e ao Seu povo como Seus filhos.
Deus poderia ter organizado pessoas numa espécie de sociedade. Poderia ter tomado algumas deste lugar e outras daquele e, então, dado a elas o nome de alguma denominação. Poderia ter dito: “Agora vocês são membros desta denominação. Vocês pertencem a esta organização”.
Mas Deus nunca teve uma ideia assim. Sua ideia é uma família.
O Senhor Jesus disse que veio a este mundo especialmente para revelar Deus como Pai:
Eu lhes fiz conhecer o Teu nome.
O nome de Deus que mais estava nos lábios do Senhor Jesus era o nome Pai. Deus enviou o Espírito de Seu Filho aos nossos corações, pelo Qual dizemos a mesma coisa que o Senhor Jesus diz: “Aba, Pai”.
Ora, isso é, naturalmente, muito elementar, mas há uma grande batalha em torno dessa concepção de família.
Se alguma organização se desfaz, não nos preocupamos muito com isso — nem mesmo se as Nações Unidas se desfizerem. Mas sempre ficamos cheios de tristeza e vergonha quando uma família se desfaz.
Sentimos que há algo na família que traz consigo uma ideia muito sagrada. Sabemos como é ruim quando uma família se divide: quando os filhos estão uns contra os outros, os filhos contra os pais, quando o marido está contra a esposa e a esposa contra o marido, e assim por diante.
Essa é uma marca da obra do diabo no fim da dispensação. Não há nada mais terrível em nosso tempo do que a desintegração da vida familiar. Isso é verdade, não é?
Talvez vocês não saibam muito sobre isso aqui na Suíça, mas vão ao Reino Unido, vão à América e a outros países, e verão que há uma verdadeira avalanche nesse sentido.
Pensem nas pobres crianças que ficam apenas com o pai ou com a mãe por causa do rompimento dessa relação. Isso é um golpe contra o que há de mais profundo no coração de Deus.
Mas isso não para por aí. O aspecto mais angustiante de toda essa questão está na família de Deus.
Não há nada mais terrível neste universo do que a divisão da família de Deus. O Senhor não Se preocupa tanto com nossas denominações e organizações, mas Se opõe à ruptura dessa relação familiar. A família é a ideia mais preciosa para Deus.
Creio que essa é uma das coisas mais preciosas em ocasiões como estas, em que estamos juntos. Aqui estamos nós, representando várias nacionalidades diferentes. Muitos de nós nunca havíamos nos encontrado nesta terra.
Ainda nem apertamos as mãos uns dos outros, mas estamos todos aqui, alegrando-nos juntos como uma família. O espírito de família é a coisa mais preciosa, e é a própria marca distintiva do Israel celestial.
Tenho dito muitas vezes, ao falar dessa Jerusalém celestial apresentada simbolicamente no final da Bíblia, que ela tem apenas uma rua.
As pessoas falam das ruas de ouro. A Bíblia diz que há apenas uma rua de ouro. Queridos amigos, teremos de morar numa única rua por toda a eternidade. Como vocês vão se dar com seus vizinhos?
Não se preocupem. Será uma grande felicidade morar numa única rua. Vejam, seremos simplesmente uma família. Não é ruim morar ao lado uns dos outros.
Bem, essa é apenas uma maneira de falar sobre isso. Vocês sabem o que quero dizer. Trata-se de uma relação espiritual: o Pai, os irmãos e todos unidos no Espírito Santo.
Santos irmãos, participantes de uma vocação celestial — que coisa gloriosa é ter essa companhia! Bem, deixo esse assunto por aqui.
A segunda coisa, como vocês verão, é a casa de Deus. Hebreus 3:5-6 diz:
E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a Sua casa, como servo,
para testemunho das coisas que se haviam de anunciar depois;
mas Cristo, como Filho, sobre a Sua casa;
a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim.
Vocês sabem o que isso diz? Moisés foi fiel em toda a casa de Deus para testemunho das coisas que se haviam de anunciar depois. Quando é esse “depois”? É agora. E quem é a Sua casa? Nós somos.
A casa de Deus é algo que Deus transferiu, em princípio, do Israel terreno para o novo. Pedro diz que somos uma casa espiritual.
Mas há uma coisa que precisa ficar bem clara aqui. Geralmente pensamos numa casa como um lugar onde as pessoas moram, e esse não é o significado da palavra aqui.
Vocês sabem a diferença entre uma casa e um lar? Um lar é algo bem diferente de uma casa.
O lar compreende duas coisas:
É uma casa com determinado tipo de ordem. Esta é a casa de Deus, composta por Seu povo, que está sujeito à Sua ordem.
Vocês sabem, Deus é um Deus de ordem. Ele não Se preocupa apenas em que as coisas sejam feitas; Ele Se preocupa em que sejam feitas à Sua maneira. Para Deus, a maneira como as coisas são feitas importa tanto quanto o fato de serem feitas.
A casa de Deus é uma casa ordenada por Deus. Todos nesse lar devem estar sujeitos ao Espírito de Deus e sob a autoridade de Jesus Cristo como Cabeça.
Eu poderia dedicar toda a conferência à casa de Deus, mas não devemos nos deter aqui. Se vocês examinarem como Deus ordenou a vida de Israel na antiga dispensação, verão como Ele era minucioso quanto ao que se fazia e à maneira como se fazia.
No dia de Pentecostes, a casa espiritual e celestial de Deus foi estabelecida, e Deus tinha Sua própria ordem. Vocês verão que, naqueles primeiros dias da vida da igreja, duas coisas estavam acontecendo.
Deus exigia que Sua ordem fosse observada. Nem mesmo os apóstolos haviam chegado a reconhecer plenamente a ordem de Deus. Eles ainda se apegavam a algo da antiga ordem.
Quando o Senhor disse a Pedro que fosse à casa de Cornélio, o gentio, Pedro disse: “De modo nenhum, Senhor”. Isso não estava de acordo com a antiga ordem. “Não fui criado assim. O antigo sistema diz que não devo fazer isso.”
Mas o Senhor é Senhor de Sua própria casa, e deixou perfeitamente claro a Pedro que havia introduzido uma nova ordem. As coisas mudaram. A cruz produziu a grande mudança.
Não chames tu comum ao que Deus purificou.
A cruz tratou de toda impureza. Estamos avançando sobre uma nova base.
Bem, Pedro chegou a compreender isso, embora nem mesmo para ele isso tenha sido o fim da dificuldade. Mas, quando chegamos às cartas de Pedro, encontramos um Pedro que aceitou plenamente a nova ordem: uma casa espiritual, sacrifícios espirituais e assim por diante.
Mas eu estava dizendo que, em Atos, vocês encontram duas coisas. Há o movimento do Espírito de Deus em relação à nova ordem, mas também há o movimento do espírito maligno contra essa nova ordem.
Vocês têm aquele terrível episódio de Ananias e Safira. Eles violaram a nova ordem da casa de Deus. Introduziram seus próprios interesses pessoais.
Pedro resumiu isso desta maneira:
Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?
Naquele terrível dia, a nova ordem foi perturbada. Satanás desferiu um golpe contra esse novo Israel. Para ver como Deus zela por Sua ordem celestial, observem o que aconteceu àqueles dois.
Portanto, Deus estabeleceu o princípio com muita clareza, e Ele zela intensamente por Sua ordem celestial. Nada além de problemas pode resultar se sairmos da ordem de Deus.
Mas isso basta, por enquanto, a respeito da casa de Deus. E quem é a Sua casa? Nós somos.
Há, então, outra concepção: os herdeiros de Deus. Ela é introduzida com o próprio Senhor Jesus. Em Hebreus 1:2, fala-se Dele como Aquele:
A Quem constituiu herdeiro de todas as coisas.
Em Hebreus 1:14, somos descritos como herdeiros da salvação. Em Hebreus 6:17, somos descritos como herdeiros da promessa. Em Romanos 8:17, Paulo diz que somos herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo.
Ora, no sentido terreno, Israel era o herdeiro de Deus. A promessa foi feita a Abraão, e sua descendência haveria de herdar a terra. Deus fez uma aliança com Abraão, segundo a qual sua descendência haveria de possuí-la.
Israel deveria ser o herdeiro de Deus. Eles deveriam ter se tornado coerdeiros com Jesus Cristo, mas mataram o Herdeiro de Deus. Disseram, como na parábola do Senhor Jesus:
Este é o Herdeiro; vinde, matemo-Lo.
Mataram Aquele que foi constituído herdeiro de todas as coisas e, ao fazerem isso, privaram a si mesmos da herança.
Agora entra a igreja: herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo. A igreja é agora herdeira da promessa feita a Abraão.
Toda a Carta aos Hebreus trata da herança — a grande herança à qual somos chamados como participantes da vocação celestial.
O apelo de toda essa carta a nós é: Cuidem para não perder a herança. Israel a perdeu por causa da incredulidade. Vocês podem perder a herança.
O escritor usa Israel como ilustração. Existe a terrível possibilidade de os cristãos perderem a herança.
Vocês notam esta pequena palavra em Hebreus 3:14?
Porque nos tornamos participantes de Cristo,
se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.
Essa pequena palavra se é uma palavra muito grande. Muita coisa depende dela.
Não estamos falando da perda da vida eterna. Estamos falando do propósito da salvação. O propósito da salvação é algo muito mais importante até mesmo do que ser salvo.
Haverá muitas pessoas que entrarão no céu tendo perdido tudo. A obra de sua vida se desfará em fumaça. Elas mesmas serão salvas, todavia como pelo fogo — tudo perdido, exceto sua salvação.
Vocês querem apenas entrar no céu, salvos como pelo fogo? Não. Essa questão nos diz que há algo além de ser salvo. É a grande herança.
Leiam novamente a carta à luz disso. Mas nosso ponto é que esse princípio de ser herdeiros de Deus é transferido para o Israel celestial.
Vou apenas mencionar mais uma ou duas coisas, sem muitos comentários. A próxima coisa transferida do Israel terreno para o novo é a cidade de Deus.
Se examinarem esta carta, vocês verão que a cidade é mencionada em várias ocasiões. Em Hebreus 12:22, que lemos, chegamos à Jerusalém celestial, a cidade santa.
Ora, Israel, naturalmente, tinha sua vida centrada na antiga Jerusalém terrena. Todos estavam unidos por causa daquela cidade. É por isso que os homens tinham de subir a Jerusalém várias vezes por ano.
Vinham do norte, do sul, do leste e do oeste — maravilhosas caravanas rumo a Jerusalém. Cantavam os cânticos de Sião, gloriavam-se em sua cidade e encontravam em Jerusalém a expressão de sua unidade nacional.
Ela era como o centro de seu governo. Toda a vida nacional era governada a partir de Jerusalém.
Esta Carta aos Hebreus fala do dia que se aproximava, quando aquilo teria desaparecido para sempre. Para atender aos que creem que os judeus ainda ocuparão a Palestina e terão outra Jerusalém, aquela antiga Jerusalém deixou de existir por toda uma dispensação.
Jerusalém, hoje, é o próprio símbolo da divisão. Os judeus têm uma parte, os árabes têm outra, e não conseguem viver juntos em paz. Ela é o símbolo da divisão.
Diante de Deus, ela não subsiste. Foi entregue à própria sorte. Ele estabeleceu Sua Jerusalém celestial.
Fomos feitos assentar com Ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Toda a nossa unidade, como o novo Israel, está centrada Nele.
Nunca haverá uma verdadeira expressão de unidade entre o povo do Senhor, a não ser quando tiverem uma vida celestial que os una. Nossa unidade está no céu, não na terra. Nosso governo vem do céu, não da terra.
Paulo diz que somos concidadãos dos santos. Nossa vida está escondida com Cristo em Deus. A cidade existe. A obra de Deus em relação à cidade foi transferida para o Israel espiritual.
A próxima coisa é o rebanho de Deus. Todas essas são concepções maravilhosas do antigo Israel: a família de Deus, a casa de Deus, a cidade de Deus.
Israel era considerado o rebanho de Deus. “Ele os guiou como um pastor”, diz o texto. Essa ideia está por trás do clamor do profeta Isaías:
Todos nós, como ovelhas, nos desviamos.
Ele era o Pastor de Israel. Mais adiante, examinaremos isso com maior profundidade, pois é uma questão muito ampla nesse novo relacionamento com o Senhor.
O Senhor transferiu isso para o novo Israel. É um pensamento muito precioso de Deus a respeito do Israel celestial: nós somos as ovelhas.
Quando chegamos ao final desta Carta aos Hebreus, encontramos esta bela palavra:
Ora, o Deus de paz,
que tornou a trazer dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas,
pelo sangue de uma aliança eterna, nosso Senhor Jesus.
Isso se estende retrospectivamente por toda a carta. Os companheiros de Cristo são Suas ovelhas.
As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz,
e Eu conheço-as,
e elas Me seguem:
e dou-lhes a vida eterna.
Essa é uma grande ideia. Vamos deixá-la aqui por enquanto.
Lembro-lhes a última coisa e encerro por esta manhã. Há o reino de Deus.
Todos sabemos que Israel era o reino de Deus — o reino sobre o qual Deus era Rei. Vocês se lembram de que, quando escolheram Saul para ser rei, Samuel ficou muito angustiado com isso? Ele foi ao Senhor e Lhe contou o que estava acontecendo.
O Senhor disse:
Não te rejeitaram a ti;
a Mim Me rejeitaram, para Eu não reinar sobre eles.
Israel era o reino de Deus. O Antigo Testamento tem muitíssimo a dizer sobre isso.
Quando entramos nesse novo Israel, encontramos várias referências ao reino nesta Carta aos Hebreus. Não lhes pedirei, por enquanto, que examinem todas as referências.
Mas a última delas é esta:
Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado,
retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor.
O tempo verbal no grego é: “estando em processo de receber um reino que não pode ser abalado”. Nós somos Seu reino, um povo sujeito ao Seu reinado e governo.
Teremos muito mais a dizer sobre isso depois. Creio que dissemos o suficiente nesta manhã para mostrar que isso é algo muito real.
De maneira espiritual, entramos em tudo aquilo que foi prefigurado no antigo Israel. Àquele Israel, o Senhor Jesus disse:
O reino de Deus vos será tirado,
e será dado a uma nação que dê os seus frutos.
Pedro disse que somos uma nação santa, um povo de propriedade exclusiva de Deus. Somos os herdeiros de tudo o que Deus sempre teve em vista para Seu povo.
Em Sua verdadeira igreja, nesta dispensação, Deus está realizando tudo aquilo que havia prefigurado ao longo de muitos e muitos séculos.
Essas são ideias maravilhosas. Espero que alcancem mais do que nossa mente; espero que alcancem nosso coração. Somos um povo muito privilegiado.
A grande necessidade de nosso tempo é que os cristãos saibam para o que Deus os chamou. Eles não sabem, queridos amigos.
Vocês podem percorrer este mundo e descobrir que a maioria dos cristãos não tem ideia dessas coisas. Eles sabem que Jesus veio ao mundo como o Filho de Deus, viveu Sua vida maravilhosa, realizou Sua obra, transmitiu Seu ensino, morreu a morte expiatória, ressuscitou e virá novamente.
Mas não sabem o que tudo isso significa — a finalidade de tudo isso, o grande propósito eterno de Deus em tudo isso. Em sua maioria, desconhecem completamente as coisas sobre as quais falamos hoje.
É por isso que o cristianismo está num estado tão deplorável hoje. Eles não receberam a verdadeira instrução. Não têm uma verdadeira compreensão do grande propósito de Deus em Sua igreja por meio de Cristo Jesus.
É algo muito maravilhoso aquilo em que entramos nesta dispensação. Digo novamente: espero que isso alcance mais profundamente o coração de vocês do que a mente.
Depois de tudo o que eu disse, vocês talvez estejam sentindo que, neste momento, não conseguem absorver muito mais. Tenho de lhes dizer que apenas comecei.
Há muito mais disso que Deus tem a revelar, e talvez Ele nos mostre um pouco mais nesta semana.