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    Spiritual Exercise #3 - Communion © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spiritual Exercise #3 - Communion
    Spiritual Exercise #3 - Communion
    Kaung, Stephen

    O exercício espiritual e a comunhão com Deus

    Por favor, abram em 1 Timóteo 4:8-10. Vamos ler os versículos 8 a 10.

    Exercita-te na piedade;
    pois o exercício corporal é proveitoso para pouco;
    mas a piedade é proveitosa para todas as coisas,
    tendo a promessa da vida que agora é
    e da que há de vir.
    Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação.
    Pois para isso trabalhamos e nos esforçamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo,
    o Qual é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.

    Hebreus 5:14:

    Mas o alimento sólido é para os adultos,
    para aqueles que, pela prática, têm os seus sentidos exercitados
    para discernir o bem e o mal.

    Vamos nos voltar ao Senhor.

    Amado Senhor, ao nos reunirmos aqui em Teu nome, sabemos que Tu estás aqui conosco. Senhor, sentimos que estamos pisando em terra santa. Senhor, tiramos os nossos sapatos; curvamo-nos diante de Ti e dizemos: “Senhor, fala. Os Teus servos ouvem”.

    Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    O exercício espiritual para a piedade

    Nestas duas tardes, estamos compartilhando sobre o exercício espiritual. Ora, o exercício espiritual é um exercício para a piedade. Ou seja, precisamos exercitar o nosso espírito para que sejamos conformados à imagem do Filho amado de Deus.

    Ter vida é uma coisa, mas, para que essa vida se desenvolva até a maturidade — para que sejamos semelhantes a Cristo —, é necessário exercício. E esse exercício tem um valor tremendo, porque é proveitoso não apenas para esta era, mas também para a era vindoura.

    Agora, irmãos e irmãs, também mencionamos que o exercício espiritual não é exercício corporal, nem exercício da alma. É o exercício do nosso espírito.

    Quando Deus criou o homem, Ele o criou com espírito, alma e corpo. Ele usou a terra vermelha para formar o corpo do homem e, então, soprou o fôlego de vida em suas narinas. Esse fôlego de vida, que vem diretamente de Deus, ao entrar naquele corpo, torna-se o espírito do homem. Quando o espírito e o corpo interagem, surge a alma.

    Portanto, irmãos e irmãs, Deus é Espírito, e Ele nos cria com um espírito — um espírito humano. Por quê? Porque Ele quer ter comunhão conosco.

    As funções do espírito humano

    Também mencionamos que, segundo a Palavra de Deus, o nosso espírito funciona principalmente em três áreas. Uma é a consciência; outra é a intuição; e a terceira é a comunhão.

    O nosso espírito humano foi feito de tal maneira que é capaz de ter comunhão com Deus, que é Espírito. Deus é o ambiente próprio do nosso espírito. Fomos feitos para ter comunhão com Deus, receber a vida de Deus em nós e ser transformados e conformados à imagem do Filho amado de Deus.

    Então, temos essa capacidade intuitiva: quando ouvimos a voz de Deus, podemos conhecer interiormente a Sua vontade. Também temos uma consciência que nos diz o que é certo e o que é errado. Portanto, irmãos e irmãs, o homem foi criado com essa capacidade — a capacidade de conhecer a Deus, de ser um com Deus em vida e de se tornar a noiva do Filho eterno de Deus.

    As consequências do pecado

    Mas, como dissemos, quando o homem pecou — quando Adão e Eva comeram o fruto proibido —, naquele mesmo dia eles morreram. Seus corpos físicos continuaram vivos por centenas de anos, e eles geraram filhos e filhas — muitos filhos e filhas, muito ativos. Mas o espírito deles estava morto.

    No dia em que pecaram, morreram em pecados e transgressões. Isso foi simbolizado pela sua expulsão do jardim do Éden. Em outras palavras, eles foram separados de Deus; criou-se uma distância entre eles e Deus.

    Mas isso não significa que, por estar morto o espírito deles, já não possuíssem um espírito humano. As pessoas podem não ter consciência de que possuem um espírito humano em sua constituição. Como encontramos em Judas 1:19, está escrito:

    Naturais, não tendo o Espírito.

    Em outras palavras, as pessoas vivem de maneira natural. Vivem segundo a sua carne, a sua alma e o seu corpo.

    Sabem, eu sempre me lembro de que, quando era menino, havia uma missionária morando conosco. Ela era da Virgínia e havia levado meu pai ao Senhor, por isso nós a chamávamos de vovó. Depois de se aposentar, ela não quis voltar. Queria permanecer na China, então ficou conosco como parte da família.

    Ela tinha uma expressão que eu ouvia repetidamente. Sempre que ficava frustrada, dizia: “Oh, minha alma e meu corpo!” Agora, onde está o espírito?

    Naturalmente falando, neste mundo as pessoas nem sequer sabem que têm um espírito. Vivem pela sua alma e pelo seu corpo. Mas elas têm, sim, um espírito. O espírito, como órgão, ainda está lá, mas perdeu sua função adequada. Os sentidos ainda estão lá; as faculdades ainda estão lá. Contudo, essas faculdades não conseguem funcionar adequadamente. Infelizmente, podem funcionar de maneira inadequada.

    Uma advertência sobre o exercício espiritual inadequado

    Agora, irmãos e irmãs, antes de entrarmos no assunto desta tarde, sinto que preciso dizer algo como advertência.

    Temos um espírito humano dentro de nós, mas, infelizmente, esse espírito humano está morto para Deus e não pode se comunicar com Ele. Embora ainda existam alguns vestígios da comunhão anterior, vemos que ele não está funcionando adequadamente. Não consegue ter comunhão com Deus.

    De alguma forma, as pessoas sabem que existe um poder superior fora delas. Sabem que, um dia, encontrarão o seu Criador. Têm uma consciência culpada e, por causa disso, vemos que inventam religiões e se envolvem em exercícios religiosos.

    Mas esses exercícios religiosos não são o que chamamos de exercícios espirituais. Infelizmente, vemos que esses exercícios religiosos não apenas envolvem a alma, mas também adentram o mundo espiritual.

    Penso que a leitura de um versículo das Escrituras pode nos ajudar a compreender isso. Está em Efésios 2:1-2. Vamos ler os versículos 1 e 2:

    E a vós Ele vivificou, estando vós mortos em vossas transgressões e pecados,
    nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo,
    segundo o príncipe das potestades do ar,
    do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.

    Estávamos mortos em pecados e transgressões e, ainda assim, andávamos segundo o curso deste mundo. Mais do que isso, andávamos segundo o príncipe das potestades do ar. Quem é esse governante? É o espírito que agora opera nos filhos da desobediência.

    Em outras palavras, as pessoas que estavam mortas em pecados e transgressões tinham um espírito que não podia se comunicar com seu ambiente próprio, que é o Deus verdadeiro e vivo. Contudo, por ainda possuírem um espírito humano, os espíritos malignos podem influenciá-las, levando-as até mesmo a um tipo de exercício que não é adequado, mas inadequado.

    Agora, o que quero dizer com isso? As pessoas sentem a necessidade de se comunicar com um poder superior, mas não conseguem se comunicar com Deus. Então, com quem se comunicam? Comunicam-se com espíritos malignos. Adoram ídolos. Por trás desses ídolos, quem está recebendo a adoração delas? É o arqui-inimigo de Deus.

    Vemos também que elas procuram adentrar o mundo espiritual sob a influência de espíritos malignos. Assim, não apenas desenvolvem suas capacidades psíquicas, mas, ao se aprofundarem nessa área, entram inconscientemente em um poder espiritual que se origina no inimigo de Deus.

    Todas essas formas do chamado misticismo oriental não são algo puramente ligado à alma. Na verdade, elas se desenvolvem em algo que adentra a esfera do espírito; contudo, o espírito está funcionando de maneira inadequada. Pela meditação e por todas essas coisas, alguém pode ser desviado para a esfera do espírito.

    Uma ilustração a respeito do qigong

    Não sei se devo dar uma ilustração. Tenho um amigo que fez doutorado em química em Paris. Ele se interessava por todo tipo de coisa e, durante alguns anos, interessou-se por qigong. Como se diz isso em inglês? Não sei o nome em inglês.

    É algo muito místico, porque, segundo o conceito oriental, existe uma coisa chamada qi — sopro. As pessoas se exercitam para desenvolver sua respiração. No início, fazem isso por motivos de saúde.

    Vemos que, ao fazer isso, a pessoa pode se tornar mais saudável e, às vezes, até uma doença pode ser curada. Muitos chineses estão praticando isso atualmente por motivos de saúde. Mas esse irmão se aprofundou muito nessa prática. Ela se tornou uma espécie de obsessão para ele.

    Na verdade, ele viajou pelo mundo inteiro para testá-la. Foi ao Polo Norte e ao Polo Sul, e considerava isso uma pesquisa científica sobre campos magnéticos e coisas assim. Ele me contou a respeito, mas eu não entendi.

    Quando ele estava fazendo isso, eu o adverti. Disse: “Irmão, se você está fazendo isso apenas pela saúde, tudo bem. Mas não se aprofunde demais. Se você se aprofundar demais, poderá ter problemas. Você está pisando em terreno perigoso”.

    De fato, mais tarde ele descobriu que aquilo era mais do que uma atividade na esfera da alma. Realmente entrava no mundo espiritual. Graças a Deus, agora ele dá palestras contra essa prática.

    Portanto, irmãos e irmãs, essas coisas estão acontecendo. Receio que, no mundo ocidental, muitas pessoas sejam atraídas pelo misticismo oriental — pela meditação transcendental e por coisas assim.

    Mas vemos que o inimigo usa essas coisas, não apenas tentando controlar a sua alma, mas até penetrando no seu espírito e levando-o a funcionar de maneira inadequada. Tenham cuidado com isso.

    Até mesmo em relação à consciência, vemos que o inimigo criou a ideia de que podemos apaziguá-la por meio de obras. Isso é religião; isso é exercício religioso. Por um lado, essas coisas provam que o homem realmente tem um espírito. Por outro, mostram que o nosso espírito estava morto em pecados e transgressões. Portanto, ele não é capaz de funcionar adequadamente, mas pode funcionar de maneira inadequada.

    Assim, tenham cuidado com isso. Como isto não é uma pregação, mas um compartilhar, sinto-me à vontade para dizer essas coisas. Se vocês já se depararam com algo assim, tenham cuidado. Há uma advertência aqui.

    A comunhão como função primordial do espírito

    O que estamos procurando compartilhar é o exercício para a piedade. Não confundam essas duas coisas. O exercício inadequado conduz à impiedade, mas o exercício adequado do nosso espírito e dos nossos sentidos espirituais conduz à piedade, para que sejamos semelhantes a Deus e adquiramos o caráter de nosso Senhor Jesus, o Filho de Deus.

    Mencionamos que o espírito humano tem principalmente três funções distintas. Anteriormente, compartilhamos sobre a consciência e, ontem, sobre a intuição. Nesta tarde, gostaríamos de compartilhar sobre a comunhão.

    Embora mencionemos a comunhão por último, ela é, na verdade, a função mais básica do nosso espírito. A intuição e a consciência se baseiam na nossa comunhão. Quanto mais tivermos comunhão com o ambiente próprio do nosso espírito — Deus —, mais aguçada será a nossa intuição e mais sensível será a nossa consciência.

    Nós a mencionamos por último não porque seja a menos importante. Na verdade, ela é a função mais importante do nosso espírito. Mas, no que diz respeito à nossa experiência, provavelmente experimentamos primeiro o despertar da consciência.

    O despertar da consciência e a restauração da comunhão

    Em João 16:8-9, quando o Espírito Santo vem, Ele convence o homem do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em Cristo.

    Muitas vezes pensamos no pecado como homicídio, roubo e todas essas coisas. Mas o Senhor disse que, quando o Espírito Santo vier, Ele convencerá as pessoas do pecado. Qual é esse pecado — o pecado de todos os pecados? É não crer no Senhor Jesus.

    Esse é o maior pecado em todo o mundo. Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, e você não crê no amor de Deus. Esse é o maior pecado do mundo, e é esse pecado que leva as pessoas ao inferno.

    Da justiça — por quê? Porque o Senhor disse, em João 16:10:

    Vou para o Pai, e não Me vereis mais.

    Em todo o mundo, em toda a história da humanidade, não há ninguém que possa ir ao Pai. Desde Adão e Eva, nossos antepassados foram expulsos do jardim do Éden. Nenhum homem jamais voltou ao Pai. Não somos capazes de fazer isso.

    Mas aqui está Alguém que vai para o Seu Pai. Isso é justiça. Ninguém tem o direito de ir ao Pai. Deus é o Justo, e somente Cristo, que é o Justo, pode voltar ao Pai.

    Quando você se compara com Cristo, então percebe o que realmente é a justiça de Deus. Quando se compara com outras pessoas, provavelmente se considera justo. Mas, quando se compara com o Senhor Jesus, aquele Homem perfeito que tem o direito de ir ao Pai, então reconhece que está cheio de trapos imundos.

    Do juízo — por quê? Porque o maligno está sendo julgado. Satanás está sendo julgado. Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, Satanás pensou que havia vencido Cristo, sem saber que, por meio daquela mesma cruz, o inimigo foi julgado.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando o Espírito Santo nos convence e desperta a nossa consciência adormecida, nós nos arrependemos e nos voltamos para Cristo. No que diz respeito à nossa experiência, parece que a consciência é despertada primeiro.

    Mas, na verdade, a primeira coisa que acontece quando você nasce de novo é a restauração da comunhão. Por quê? Porque Romanos 8:15-16 diz:

    Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor;
    mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai.
    O próprio Espírito testifica com o nosso espírito
    que somos filhos de Deus.

    Quando nascemos do Espírito, quando nascemos de novo, recebemos um espírito de filiação, que clama: “Aba, Pai”. O Espírito Santo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

    Sabem, quando você vem a este mundo, a primeira coisa que faz é chorar. Se não chorar, o médico vai mexer em você e lhe dar umas palmadas até que chore. Você entra neste mundo com um choro — um choro de dor, um choro de tristeza. A vida é difícil. Quando você deixa o mundo, há lágrimas. Essa é a vida sem Deus.

    Mas, quando você nasce na família de Deus, tudo também começa com um clamor. É um clamor de alegria; é um clamor de afeto e amor. Aquele relacionamento perdido há tanto tempo é restaurado. Maravilhoso!

    O desejo de Deus de ter comunhão com a humanidade

    Agora preciso voltar um pouco. Qual é o propósito de Deus ao criar o homem com um espírito? Deus criou o homem com um espírito porque deseja ter comunhão com ele.

    Podemos expressar isso de diferentes maneiras. Podemos dizer que Deus deseja habitar entre os homens. Como nosso irmão mencionou ontem à noite, Ele quer ter um lar eterno. O céu e a terra são o Seu escritório, porque Isaías disse que o céu é o Seu trono e a terra é o estrado dos Seus pés. Portanto, esse é o Seu escritório, mas Ele não tem um lar. Ele quer ter o Seu lar no homem e com o homem.

    Ou podemos expressar isso de outra maneira: Deus criou o homem à Sua imagem porque deseja dá-lo ao Seu único Filho como Sua noiva. Ela precisa ser semelhante a Ele, Sua contraparte, que possa ser unida a Ele e ser uma com Ele — não apenas em vida, mas também em propósito.

    De qualquer forma, vemos que Deus criou o homem de maneira tão maravilhosa não para fazer dele uma maravilha. Foi porque Ele deseja ter comunhão com o homem. Por meio da comunhão, Ele nos comunica a Sua vida e a Sua vontade, para que sejamos um com Ele. Esse é o desejo de Deus ao criar o homem.

    A comunhão no jardim do Éden

    Não sabemos — porque isso não está registrado, e aquilo que não está registrado é especulação — se, depois de criar Adão e Eva, Deus descia todos os dias para estar com eles e ter comunhão com eles. Também não sabemos quantos dias depois Adão e Eva comeram o fruto proibido.

    Algumas pessoas tentam calcular a hora exata, mas eu não sou matemático, e isso está além da minha capacidade. Contudo, parece que, depois de eles comerem o fruto proibido, Deus realmente veio ao jardim. Em vez de correrem ao encontro de Deus, fugiram Dele e se esconderam, porque tinham uma consciência culpada.

    Portanto, evidentemente, Deus tinha comunhão com eles. Por meio da comunhão, Deus estava dando a Si mesmo ao homem, dando a Sua vida ao homem, atraindo o homem para Si, para que ele comesse da árvore da vida e crescesse em vida até se tornar semelhante ao Filho amado de Deus. Esse é o propósito de Deus.

    Mas, infelizmente, quando o homem pecou, o que aconteceu? A comunhão foi interrompida.

    A perda de Deus em decorrência do pecado humano

    Irmãos e irmãs, muitas vezes sentimos a grande perda que sofremos por termos pecado. Se nunca tivéssemos pecado, se nossos antepassados nunca tivessem pecado, como seria bom! Perdemos a nossa herança; perdemos tanto.

    Mas, irmãos e irmãs, já pensamos em quanto Deus perde porque nós pecamos? Deus é amor. Como Ele deseja ter comunhão com o homem! E agora Ele perdeu o homem. Deus perde muito mais do que nós.

    Por quanto tempo Ele tem de esperar, esperar e esperar! Pensem no filho pródigo. Ele recebeu de seu pai a sua herança; tudo veio de seu pai. Contudo, pegou os presentes, deixou o pai, foi para um lugar distante e desperdiçou tudo.

    Enquanto ele se divertia nos prazeres do pecado naquela terra distante, o que acontecia com o pai? Não foi por acaso que, quando o filho pródigo voltou, o pai estava à porta — olhando e esperando. Não, o pai estava ali todos os dias.

    Ele sentia a perda de seu filho. Desejava aquela comunhão. Essa é a história. Se ao menos pudéssemos enxergar o coração de Deus — que perda para Ele quando não pode ter comunhão conosco!

    Ele nunca desistiu. Esperou à porta. Ao longo de todo o período do Antigo Testamento, vemos que Ele procurou se aproximar. Falou a alguns poucos que estavam dispostos a ouvir. Apareceu a alguns poucos que estavam dispostos a responder a Ele. Durante todo o período dos patriarcas, Ele continuou tentando, aproximando-Se repetidamente para Se comunicar e ter comunhão com o homem. Muito poucos responderam.

    O tabernáculo como figura da comunhão

    Então, vocês se lembram de que Ele tirou os filhos de Israel do Egito. Foi somente quando chegaram ao monte Sinai que Deus revelou o Seu coração. Ele disse: “Eu vos trouxe a Mim mesmo. Quero habitar entre vós. Quero ter comunhão convosco. Fazei-Me um tabernáculo, porque quero habitar entre vós”.

    Em Êxodo 25:22, Ele disse:

    E ali virei a ti,
    e falarei contigo de cima do propiciatório,
    do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho.

    Irmãos e irmãs, isso revela o coração de Deus.

    Uma vez por ano, somente o sumo sacerdote, com o sangue e o incenso, entrava além do véu para fazer expiação pelo pecado de Israel. Em Hebreus 9:8, somos informados de que, enquanto o primeiro tabernáculo permanecia de pé, o caminho para o Santo dos Santos ainda não havia sido manifestado.

    Em outras palavras, o tabernáculo era apenas uma sombra, não a realidade. Era uma sombra para nos mostrar o quanto Deus desejava ter comunhão com o homem, mas também como isso era impossível.

    Mas todas essas coisas existiriam até que chegasse o tempo. Quando Cristo veio, irmãos e irmãs, essa era a realidade.

    O acesso por meio de Cristo

    Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado fora da cidade de Jerusalém e clamou: “Está consumado”, o véu do templo, na cidade de Jerusalém, rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.

    Queridos irmãos e irmãs, agora, em Cristo Jesus, podemos entrar com ousadia no Santo dos Santos e ali contemplar a Sua beleza. Que privilégio! Aquilo que as pessoas não tiveram o privilégio de desfrutar durante todos aqueles séculos agora é um privilégio nosso.

    Em João 1:12-13:

    Mas a todos quantos O receberam,
    deu-lhes Ele o direito de se tornarem filhos de Deus,
    aos que creem no Seu nome:
    os quais nasceram, não do sangue,
    nem da vontade da carne,
    nem da vontade do homem,
    mas de Deus.

    Queridos irmãos e irmãs, vocês sabem que, quando creem no Senhor Jesus, tornam-se filhos de Deus? Como filhos de Deus, recebem um direito — uma autoridade.

    Qual é esse direito? Como filho, você tem o direito de ver seu pai. Tem o direito de estar com seu pai. Tem o direito de viver com seu pai. Tem o direito de falar com seu pai a qualquer momento. Esse é o direito de um filho de Deus.

    Irmãos e irmãs, que direito é mais precioso do que esse?

    O exercício do direito à comunhão

    Graças a Deus, irmãos e irmãs, depois de clamarmos: “Pai”, isso é apenas o começo. Precisamos exercitar essa comunhão — essa capacidade do nosso espírito — para manter a comunhão com nosso Pai celestial, por meio de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo.

    Valorizamos esse direito? Estamos exercendo esse direito?

    Nosso Pai celestial tem desejado isso, esperando e esperando pacientemente até sermos trazidos a Ele. E então não usamos esse direito.

    Sabem, o inimigo de Deus realmente entende isso. Ele procura ferir o coração de Deus. Usa o mundo para atacar as pessoas, para ocupar o nosso coração, de modo que não tenhamos tempo para Deus.

    Quando os filhos de Israel clamaram que queriam ir ao deserto para adorar a Deus, Faraó disse: “É porque vocês têm tempo demais. Dobrem o trabalho. Vocês devem entregar a mesma quantidade de tijolos, mas não receberão palha. Procurem sua própria palha. Mantenham-nos ocupados. Tornem o coração deles tão endurecido que já não consigam pensar em Deus”.

    Essa não é uma tática do inimigo hoje?

    Não apenas isso, mas, irmãos e irmãs, ele usa até o serviço a Deus para nos afastar da comunhão com Deus. Muitos servos de Deus estão tão ocupados com trabalho, trabalho, trabalho que não têm tempo para orar, não têm tempo para se aproximar de Deus, não têm tempo para Deus. Isso não é uma tragédia? Vejam, isso está acontecendo.

    A ilustração do pai e da filha

    Sempre me lembro de uma história. Havia um pai que tinha uma filhinha. Aquela menina era tudo o que ele tinha. Todas as noites, depois do jantar, eles passavam um tempo juntos — simplesmente ficavam juntos e conversavam.

    Então, de repente, depois do jantar, a menina passou a correr para o quarto e deixar o pai sozinho, porque dizia que estava ocupada. Todas as noites, o pai ficava sentado ali, sozinho. Isso feria o seu coração, não é verdade?

    Depois de alguns meses, chegou o aniversário dele. A menina veio ao pai e lhe deu um par de chinelos bordados para demonstrar seu amor por ele.

    Quando o pai viu aquilo, começou a entender. A menina havia estado muito ocupada fazendo aquele par de chinelos. O pai disse: “Eu realmente aprecio o que você fez, mas você não sabe o quanto eu perdi”.

    Irmãos e irmãs, vocês conseguem enxergar o coração de Deus? Vocês podem estar fazendo algo para Ele e, ainda assim, Ele sente a falta de vocês.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, nós que recebemos esse direito à comunhão, vamos exercê-lo.

    A prática da comunhão

    O desejo de ter comunhão com Deus

    Agora, como exercemos esse direito de ter comunhão com Deus? Em primeiro lugar, precisamos ter um desejo despertado. Em outras palavras, precisamos desejar ter comunhão com Deus.

    Deus sempre tem esse anseio. Não há problema algum da parte Dele. Ele sempre tem tempo para você e está esperando por você. Mas Ele não pode forçar você. Você precisa ter um anseio por Ele.

    O Salmo 27 é um salmo de Davi. Davi era um homem segundo o coração de Deus. Ele conhecia o coração de Deus. Salmos 27:4 diz:

    Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
    que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
    para contemplar a beleza do Senhor
    e inquirir no Seu templo.

    Davi conhecia o coração de Deus. Ele disse: “Há apenas uma coisa que desejo, uma coisa que busco: estar em Sua presença, contemplar a Sua face e inquirir no Seu templo”.

    Irmãos e irmãs, temos esse desejo? Fazemos disso a nossa primeira prioridade? Qual é a coisa mais importante na sua vida? Você deseja estar com Ele, ter comunhão com Ele?

    Ter comunhão com palavras ou sem palavras. Às vezes, a comunhão sem palavras é ainda mais profunda do que a comunhão com palavras — simplesmente estar ali, contemplá-Lo, apreciá-Lo e ouvi-Lo.

    Salmos 27:8 diz:

    Quando Tu disseste: Buscai a Minha face;
    o meu coração Te disse: A Tua face, Senhor, buscarei.

    Aqui temos o coração de Davi. Seu coração podia falar por Deus e expressar o coração de Deus. Ele disse: “O meu coração Te disse”. Qual é o coração de Deus? “Buscai a Minha face.” Então Davi responde e diz: “A Tua face, ó Senhor, buscarei”. Estar face a face com Deus — isso é comunhão.

    Durante bastante tempo, esta foi a minha oração: “Senhor, mostra-me a Tua face. Se não puderes mostrar-me a Tua face sorridente, deixa-me ver a Tua face irada. Mas eu quero ver a Tua face”.

    Precisamos ver a Sua face. A Sua face nos dirá tudo. Precisamos ter esse anseio, esse desejo por Ele, de estar com Ele.

    A comunhão como adoração em espírito e em verdade

    Em segundo lugar, a comunhão é uma questão do espírito. Vocês se lembram de nosso Senhor Jesus em João 4:23-24, quando falou com a mulher samaritana. Ele disse que a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Deus procura esses adoradores.

    Se você quer dar alguma coisa a Deus, não Lhe dê o que Ele não procura. Dê-Lhe aquilo que Ele procura. O que Ele está procurando? A sua adoração — mas adoração em espírito e em verdade.

    Em outras palavras, ela vem do seu coração. Vocês se lembram de que o Senhor Jesus disse aos fariseus, citando Isaías, em Mateus 15:8-9:

    Este povo honra-Me com os lábios;
    mas o seu coração está longe de Mim.
    Em vão Me adoram.

    Irmãos e irmãs, a comunhão é uma questão de coração para coração. Você eleva o seu coração, abre o seu espírito e ali tem comunhão com Deus.

    A comunhão com Deus não é um dever. É amor.

    Muitas vezes, em nossa vida cristã, transformamos a comunhão em um dever. Às vezes, nem sequer cumprimos esse dever, porque estamos ocupados demais. Dizem-nos que é nosso dever ler a Bíblia e orar todos os dias. Oramos; lemos a Bíblia. Mas há comunhão?

    Se você lê a Palavra de Deus por obrigação, apenas para cumprir a sua tarefa, tudo o que tem são palavras pretas em papel branco. Há algum contato com Deus?

    Você vem ler a Bíblia, vem fazer suas orações e vai embora sem vê-Lo, sem ouvi-Lo e sem falar com Ele. É uma questão do seu coração e do seu espírito.

    Oh, como precisamos nos aproximar Dele — não com pressa, mas aquietando-nos diante Dele e reconhecendo que Ele é Deus. A comunhão é uma questão do coração. Abra o seu coração a Ele. Fale com Ele e ouça-O.

    A comunhão como permanência em Cristo

    A comunhão é uma questão de permanecer. Vocês se lembram de nosso Senhor em João 15:5. Ele disse:

    Eu sou a videira, vós sois os ramos:
    quem permanece em Mim, e Eu nele,
    esse dá muito fruto;
    porque, separados de Mim, nada podeis fazer.

    No que diz respeito à nossa posição e ao nosso relacionamento com o Senhor, Ele disse: “Eu sou a videira, e vós sois os ramos”. Esse é o nosso relacionamento. É tão próximo! Ele é a videira inteira, e nós somos os ramos — um relacionamento interior, um relacionamento de vida. Nós temos isso.

    Então o Senhor disse, em João 15:4:

    Permanecei em Mim, e Eu em vós.

    Agora, essa é a nossa responsabilidade. Deus nos colocou em Cristo; agora é nossa responsabilidade permanecer Nele, fazer ali o nosso lar, ficar ali, continuar ali.

    Se você fizer isso, descobrirá que Ele permanece em você. A Sua vida fluirá por meio de você, e você dará fruto. Irmãos e irmãs, a comunhão com Deus é esse permanecer.

    Como permanecemos Nele? Novamente, vemos em 1 João 2:27 que vocês têm a unção dentro de vocês. A unção interior lhes ensinará a respeito de todas as coisas, grandes e pequenas. Tudo o que ela nos ensina é verdadeiro. Se vocês obedecerem ao ensino da unção, permanecerão em Cristo.

    Todas essas atividades estão interligadas. Se permanecermos Nele e continuarmos com Ele, descobriremos que Ele permanece em nós. A Sua Palavra permanece em nós. Ele fala conosco, e tudo o que pedirmos será feito para a glória de Deus Pai.

    Portanto, irmãos e irmãs, Deus deseja ter comunhão. Esse é o melhor presente que vocês podem dar a Ele, e é um direito que Ele nos concedeu. Vocês não acham que devem exercer esse direito?

    O cultivo prático da comunhão

    Agora, talvez de maneira prática, eu possa sugerir algo. Como fazemos isso?

    A comunhão é uma vida. Não está restrita ao tempo nem ao espaço. Já não é em Jerusalém, nem no monte Gerizim. Já não é em determinada ocasião de festa. É uma vida — viver com Deus.

    A devoção matinal

    Mas, por motivos práticos, permitam-me sugerir — e creio que, se não todos, provavelmente muitos de vocês já fazem isso —: oh, como precisamos dessa devoção matinal!

    Precisamos começar o nosso dia com Deus. Antes de fazer qualquer outra coisa, aproximemo-nos do trono da graça. Aproximemo-nos com um coração sincero. Contemplemos a Ele. Esperemos Nele.

    Bem cedo, pela manhã, como Davi disse em Salmos 108:2:

    Despertarei a alva.

    Antes de o dia raiar, Davi estava ali, aproximando-se de Deus para ter comunhão com Ele.

    Ler a Bíblia, orar, cantar ou qualquer outra coisa — tudo isso são meios. São meios de comunhão. A comunhão é mais profunda do que isso. Simplesmente aproxime-se de Deus.

    Quando você entrar na presença de Deus, diminua o ritmo dos seus passos. Não entre e saia correndo. Entre no seu aposento. Aquiete-se. Abra o seu coração a Ele.

    Algumas pessoas gostam de ler um ou dois versículos para ajudá-las a se aproximar de Deus e a orar a Ele. Não importa. Qualquer auxílio que você use está bem, desde que o aproxime Dele.

    Quando você ler a Bíblia, ouça o que Ele diz ao seu coração. Quando orar, abra o seu coração e derrame-o diante Dele. Queridos irmãos e irmãs, precisamos cultivar esse hábito.

    A prática da presença de Deus

    Então, ao longo do dia, eu sugeriria que praticássemos aquilo que chamamos de presença de Deus. É claro que Deus está sempre presente com você. Contudo, quando estamos cercados pelo mundo e pelas coisas do mundo, às vezes podemos ser desviados.

    Por isso, de vez em quando, simplesmente erga os olhos para o céu. Abra o seu coração. Com palavras ou sem palavras, apenas diga: “Senhor, obrigado”. Continue fazendo isso. Faça disso um hábito.

    Sabem, em Hebreus 5:14 está escrito que, pela prática, exercitamos os nossos sentidos para discernir o bem do mal. Há alguns hábitos santos que podem ser formados e que serão uma ajuda para nós.

    Comunhão, adoração e transformação

    A comunhão nos conduz ao espírito de adoração.

    É por meio da comunhão que somos aproximados Dele. Contemplar a glória do Senhor, a majestade do Senhor e a dignidade de Cristo desperta a nossa adoração a Ele. Adorar significa simplesmente colocá-Lo no Seu devido lugar e colocar-nos em nosso devido lugar — aos Seus pés.

    Irmãos e irmãs, a nossa consciência guiará o nosso andar. Ela nos dirá o que é certo e o que é errado. A nossa intuição nos mostrará a vontade de Deus — qual é a boa e agradável vontade de Deus. Ela nos mostra a Sua santidade.

    Mas somente a comunhão permitirá que vocês O conheçam em Si mesmo. Quando vocês conhecem a Ele mesmo, o resultado é adoração.

    Não apenas isso: a comunhão é o caminho para a transformação. Em 2 Coríntios 3:18:

    Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como em um espelho a glória do Senhor,
    somos transformados na mesma imagem, de glória em glória,
    como pelo Senhor, o Espírito.

    Quando o nosso coração se volta ao Senhor, o véu é retirado. Agora contemplamos a glória de Deus com o rosto descoberto e somos transformados de glória em glória à Sua imagem, pelo Senhor, o Espírito.

    Portanto, vemos que, quando temos comunhão com Ele — quanto mais temos comunhão com Ele —, o Espírito Santo realiza a obra de transformação. Ele nos transforma de glória em glória segundo a Sua imagem.

    Vocês percebem como a comunhão é importante. Ela é a base da nossa vida espiritual. É um exercício espiritual que não devemos negligenciar.

    Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?

    Senhor, mostra-nos o Teu coração. Não queres criar em nós um desejo de estar Contigo, de ter comunhão Contigo? Ó Senhor, essa é a única coisa que podemos dar a Ti.

    Perdoa-nos por estarmos ocupados com muitas coisas. Para aquela única coisa que Tu desejas, não Te damos oportunidade. Senhor, tem misericórdia de nós. Dá-nos um desejo por essa comunhão ininterrupta Contigo, para que o Teu coração seja satisfeito.

    Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.