Voltamos à Carta aos Hebreus, com uma palavra como chave para toda a carta: companheiros.
Santos irmãos, companheiros da vocação celestial.
Porque nos tornamos companheiros de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.
— Hebreus 3:1, 14
Como já dissemos, esta é a chave para toda a carta. Esta carta é um apelo por companheiros de Cristo — um apelo por companheiros da vocação celestial.
Também dissemos que esta carta é um resumo de todo o Novo Testamento. Ao fazer essa afirmação, é claro, estamos oferecendo a vocês um campo muito amplo para reflexão. Temos simplesmente de dizer que tudo o que está no Novo Testamento se encontra reunido, de alguma maneira, nesta Carta aos Hebreus.
Deus está buscando companheiros para Seu Filho em uma vocação celestial.
Agora, nesta manhã, vamos nos aprofundar nesta Carta aos Hebreus, tendo em mente este único pensamento: são os companheiros de Cristo que estão em vista.
Precisamos dizer uma breve palavra sobre a perspectiva adotada por esta carta. Entendemos que ela foi escrita e entregue a esses cristãos hebreus em um momento de crise muito séria.
Era o momento em que todo um sistema, que existira por muitos séculos, estava prestes a desaparecer. Todo o sistema do Antigo Testamento, desde Moisés, estava prestes a desaparecer.
Depois de registrar tudo o que está nesta carta, o escritor colocou sobre ela uma citação do Antigo Testamento:
Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão também o céu.
E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas,
para que as imóveis permaneçam.
— Hebreus 12:26-27
Ao citar essa passagem das Escrituras e colocá-la no final desta carta, ele indicou que isso estava prestes a acontecer. E os acontecimentos mostraram que ele estava certo.
É evidente que esta carta foi escrita pouco antes do ano 70 d.C. É possível que as legiões romanas já estivessem se reunindo ao redor de Jerusalém.
Sabemos pela história o que aconteceu. Jerusalém foi destruída. Não ficou pedra sobre pedra no templo. Toda a terra foi devastada. O serviço sacerdotal e todas as atividades do templo chegaram ao fim.
Todo o país foi reduzido a um estado de completa desolação. Daquele dia em diante, até os nossos dias, aquele sistema deixou de existir.
O Senhor sabia o que iria acontecer e, porque havia chegado o momento no plano divino, esta carta foi escrita. Leiam sempre esta carta à luz daquela grande crise histórica.
Esse era o lado sombrio da história. Mas vocês perceberão que a carta trata daquilo que é melhor e que tomaria o lugar do sistema terreno.
Vamos nos deter naquilo que é melhor à medida que prosseguirmos. O povo terreno e a vocação terrena estavam sendo postos de lado, e esta grande carta sobre uma vocação celestial lhes foi apresentada.
Antes de avançarmos na carta, lembremos que esta mensagem se aplica a nós. Seria preciso estar muito cego hoje para não perceber que outro acontecimento semelhante está muito próximo.
Foi edificado sobre a terra outro grande sistema de cristianismo. É muito apropriado descrevê-lo como um sistema.
Assim como os judeus tinham o coração profundamente ligado ao seu sistema, também em nosso tempo multidões de cristãos estão ligadas ao cristianismo histórico.
Não afirmo ser profeta, mas há muita coisa na Palavra de Deus que aponta para o tempo em que esse velho sistema desaparecerá.
É muito impressionante que, durante a nossa vida, tenhamos visto isso acontecer em pequena escala. Quando igrejas foram destruídas e congregações dispersas, não foi possível continuar com as antigas formas. As pessoas tiveram de encontrar o Senhor por si mesmas, sem nenhuma ajuda terrena. Tiveram de buscar sua ajuda no céu, e não na terra.
Em uma escala relativamente pequena, vimos isso acontecer em pelo menos duas ocasiões. Não é difícil perceber que isso poderia acontecer em uma escala muito maior, e esse acontecimento talvez não esteja muito distante.
É claro que nós, cristãos, pensamos na vinda do Senhor. Essa é a nossa esperança. Esse é o nosso fundamento.
Mas precisamos lembrar que a vinda do Senhor será acompanhada por esse terrível juízo sobre a terra. Tudo o que não é celestial será abalado — abalado até desmoronar.
Portanto, esta carta tem uma mensagem real para nós. Assim como disse aos cristãos judeus daquela época: “Todo o sistema ao qual vocês estão tão ligados vai desaparecer”, também nos diz hoje: todo o sistema terreno será abalado e removido do seu lugar.
Mas há um sistema melhor por vir. Deus tem coisas melhores.
Essa é a perspectiva desta carta. Tenho certeza de que podemos perceber como ela se aplica ao nosso tempo.
Não estamos apenas estudando um livro da Bíblia que diz respeito a muitos séculos atrás. Deus é o Deus eterno, e Ele fala a todas as épocas. Mas a mensagem se intensifica à medida que nos aproximamos do fim.
Agora vamos examinar mais profundamente essa transição do terreno para o celestial: nos termos do Novo Testamento, e desta carta em particular, a transição de um Israel terreno e histórico para um Israel celestial e espiritual.
Vamos olhar para os primórdios de Israel em ambos os casos. Vocês percebem como a carta começa? Ela começa com uma palavra: Deus.
Façam um grande círculo ao redor dessa palavra: Deus. Acima de todo o conteúdo desta carta está Deus.
No princípio, Deus.
— Gênesis 1:1
Tudo nesta carta deve ser visto da perspectiva de Deus. Não deve ser visto da perspectiva do homem. Não deve ser visto da perspectiva do mundo. É Deus Quem está falando, e tudo o que está aqui é aquilo que Deus está dizendo.
Deus está acima de tudo o que esta carta contém. À medida que avançamos pela carta, precisamos dizer constantemente a nós mesmos: “Deus está dizendo isso”. Isso não é a interpretação do homem; é Deus falando.
Essa grande transição, assinalada por esta carta, é Deus avançando. Deus está prosseguindo. Deus está no controle de tudo.
Os companheiros da vocação celestial são aqueles que estão avançando com Deus. Por isso, o apelo da carta se repete: “Prossigamos”, porque Deus está prosseguindo.
Todo o antigo sistema havia se acomodado. Em um sentido muito real, havia adormecido.
Nosso irmão nos disse, durante o momento de oração desta manhã, que Deus não desce até nós quando adormecemos. É claro que ele estava falando espiritualmente, não do sono natural.
O apelo a Israel era:
Desperta, tu que dormes.
— Efésios 5:14
Aquele sistema havia adormecido. Havia se acomodado. Havia se tornado um fim em si mesmo. Não estava avançando com Deus.
Esse era o problema nos dias dos profetas. Deus está prosseguindo, e os companheiros são aqueles que estão prosseguindo com Deus.
Lembrem-se disto, queridos amigos: um cristianismo verdadeiro e vivo é um cristianismo que prossegue. Ele nunca deixará de avançar, nem nesta vida nem na eternidade.
E o Seu reino não terá fim.
— Lucas 1:33
Portanto, começamos com Deus e avançamos com Deus.
Agora, esta carta é Deus expressando a Si mesmo. Isso está na primeira declaração da carta:
Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho.
— Hebreus 1:1-2
Encontramos um Deus Que está expressando a Si mesmo. Aqui Ele é declarado um Deus Que fala.
Ele é um Deus Que fala. Não é um Deus mudo. Não é um Deus silencioso. É um Deus Que sempre falou e está falando agora.
Portanto, esta carta, logo no início, declara que Deus é um Deus Que fala.
Analisando isso mais profundamente, Deus é apresentado como um Deus Que fala com um propósito. Ele é um Deus de propósito, e está falando a respeito do Seu propósito.
Ele falou no passado pelos profetas, em diversas porções. Agora fala em Seu Filho.
Aqui estão duas coisas muito importantes a observar. No passado, Ele falou em muitas partes. Disse uma coisa por meio de um profeta e outra coisa por meio de outro. Todos os profetas eram partes da fala de Deus.
Vocês podem examinar os profetas e perceber que cada um deles tinha um aspecto específico do propósito de Deus. “Em muitas partes” é o significado da palavra.
Agora, Sua fala final em Cristo é a reunião de todas as partes em uma totalidade. O Filho de Deus é a consumação das coisas de Deus. Todas as partes são reunidas Nele.
Ele é a expressão plena da fala de Deus. Isso dá a esta carta uma posição muito elevada, não é mesmo?
Esta carta diz que agora Deus está falando em plenitude em Seu Filho. Junto a isso, vem o apelo para que prestemos ainda mais atenção, porque isso é muito mais pleno do que qualquer coisa que Deus já havia dito antes.
No passado, Deus falou de muitas maneiras — não apenas em diferentes porções, mas de diferentes modos. Levaria muito tempo voltarmos ao Antigo Testamento e examinarmos todas as maneiras pelas quais Deus falou.
Às vezes, Ele falou por palavras; às vezes, por atos. Suas maneiras foram, de fato, diversas.
Mas a declaração aqui é que, no fim, Ele fala de uma única maneira — uma maneira que abrange tudo. Seu Filho é a maneira abrangente pela qual Deus fala no fim.
Por um lado, agora ninguém receberá coisa alguma de Deus à parte de Jesus Cristo. Deus Se recusará inteiramente a falar de outro modo que não seja em Seu Filho. Se você quer saber o que Deus deseja lhe dizer, precisa vir ao Seu Filho.
Por outro lado, temos em Jesus Cristo tudo o que Deus deseja dizer.
Agora quero dizer isso especialmente aos cristãos mais novos na fé. Vocês sabem, quando somos novos na fé, podemos nos tornar muito presunçosos espiritualmente.
Sei que isso aconteceu comigo. Depois de ser cristão por algum tempo, tudo era tão maravilhoso. A Bíblia era tão maravilhosa.
Eu seguia pelo caminho e, sem perceber o que estava fazendo, dizia continuamente: “Aleluia!” Interiormente, eu estava desfrutando de momentos tão bons com o Senhor.
Lembro-me de que, certo dia, minha irmã caminhava ao meu lado. Eu havia me esquecido de que ela estava ali. Estava desfrutando de um momento tão bom com o Senhor que disse: “Oh, aleluia!”
Ela olhou para mim e disse: “Faz tão bem ouvir você dizer ‘Aleluia’”.
Havia um lado tolo nisso. Eu pensava que sabia tudo o que estava na Bíblia. Corria o risco de me tornar incapaz de aprender. Pensava que já havia alcançado tudo e que sabia tudo.
É claro que essa é uma característica da juventude. Davi disse:
Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres.
— Salmos 119:99
Alguém comentou: “Davi deve ter sido muito jovem quando disse isso”.
Bem, agora eu não sou um jovem. Já faz muitos anos desde aqueles dias. Tenho lido e estudado minha Bíblia ao longo de todos esses anos.
E digo a vocês com toda a sinceridade, amigos: posso afirmar que este Livro está inteiramente além da minha compreensão. Eu nunca voltaria a esta Carta aos Hebreus se isso não fosse verdade.
Tenho pregado e dado aulas sobre esta carta por anos, mas hoje ela está muito, muito além da minha compreensão.
Será que devo dizer: “Esta Carta aos Hebreus”? Seria mais correto dizer: “O Senhor Jesus Que é revelado nela”.
Há mais na fala de Deus em Seu Filho do que aquilo que já conseguimos compreender. Nada temos à parte de Jesus Cristo, e de nada precisamos à parte de Jesus Cristo.
Dissemos que esta carta apresenta Deus como um Deus de propósito, e ela prossegue mostrando que o propósito de Deus está centrado e resumido em Seu Filho.
No início da carta, isso nos é apresentado de três maneiras, especialmente na Pessoa de Seu Filho. Vejam só:
A nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
a Quem constituiu herdeiro de tudo,
por Quem fez também o mundo;
o Qual, sendo o resplendor da Sua glória,
e a expressa imagem da Sua pessoa.
— Hebreus 1:2-3
Todo este primeiro capítulo se ocupa em apresentar o Filho. Deus está falando a respeito de Seu Filho, sobre Quem Seu Filho é.
Que Filho grandioso é este!
Em seguida, a carta apresenta o Filho em termos de redenção:
Havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados.
— Hebreus 1:3
Essa é apenas uma frase, mas muitos capítulos se seguem para explicar o que é essa redenção. Todos esses capítulos sobre sacerdócio e sacrifício têm a ver com essa única oração:
Havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados.
Deus está falando em Seu Filho a respeito da redenção.
Em terceiro lugar, Ele está falando em Seu Filho a respeito da glória. O Filho é o resplendor da Sua glória, e o Filho conduzirá muitos filhos à glória.
Porque o Filho, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-Se à direita da Majestade nas alturas, Deus fala em um Filho a Quem agora glorificou e colocou à Sua própria direita — à direita da Majestade nos céus.
Mas Deus não Se limita a falar apenas de Seu Filho. Vocês perceberão que, no capítulo 2, Ele inclui o homem nisso. Esta carta tem esta maravilhosa mensagem para o homem.
Tudo o que Deus colocou em Seu Filho é para o homem. Deus fala nesta carta da obra consumada de Cristo — a obra que foi completada em favor do homem.
Aqui está algo em que vocês e eu precisamos nos deter. Pessoalmente, estou constantemente aprendendo que ainda não aprendi plenamente a crer naquilo em que creio.
Creio na obra consumada de Cristo e, no entanto, às vezes me sinto tão miserável a meu próprio respeito quanto qualquer homem poderia se sentir. Muitas vezes, quase chego ao ponto de desistir por causa da criatura miserável que sou.
Se há alguma coisa neste mundo que me faria abandonar o ministério cristão, sou eu mesmo. Vocês entendem o que quero dizer?
Oh, como ficamos desanimados com aquilo que encontramos em nós mesmos! Cremos na obra consumada de Cristo e que Deus credita a nós toda a obra consumada de Cristo, mas não cremos nisso de verdade.
Deus não nos vê em nós mesmos. Ele nos vê em Cristo. Ele não vê a nós; vê Cristo em nós.
Se realmente crêssemos nisso, seríamos libertos de nós mesmos. Seríamos, de fato, cristãos vitoriosos.
É claro que isso não significa que podemos simplesmente nos comportar de qualquer maneira. Podemos falar de modo errado e agir de modo errado, mas há um refúgio para todo verdadeiro cristão.
Esse refúgio não precisa ser feito; ele já está ali. Há o sangue precioso. Há um Sumo Sacerdote intercedendo por nós. Há tudo de que precisamos.
A palavra é “consumado”. Está completo. Oh, nós, cristãos, precisamos crer naquilo em que dizemos crer. Precisamos nos agarrar com ambas as mãos às verdades da nossa fé cristã.
Agora, sei que vocês têm dificuldades quando digo isso. Vocês perguntam: “E quanto a esse velho homem?” A menos que você seja uma daquelas pessoas que acreditam que o pecado foi completamente arrancado de você e que lhe é inteiramente impossível pecar.
Bem, se você acredita nisso, que o Senhor o abençoe. Acho que algum dia você poderá tropeçar e descobrir que, afinal, ainda há um velho homem ali.
Vou deixar isso de lado. A maioria de nós sabe que há duas coisas em nós. Há o homem espiritual e há o homem natural. O homem natural é um sujeito muito problemático.
E quanto a ele diante da obra consumada? Esta carta nos explica tudo isso. Ela diz que Deus trata vocês como filhos.
Deus ama os filhos. Você é um filho de Deus? Houve em sua história aquela profunda experiência do novo nascimento? Você recebeu o Senhor Jesus?
A Palavra de Deus diz:
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.
— João 1:12
Se você recebeu o Senhor Jesus, é um filho de Deus. O Espírito de adoção entrou e habita em você.
Agora, esta carta diz que Deus ama Seus filhos e, porque os ama, Ele os corrige. Ele os disciplina.
Nenhuma correção, diz a carta, é agradável no momento. A maneira como Deus trata Sua própria família nem sempre é agradável.
Quando esse tratamento é desagradável, há um pequeno demônio sentado em seu ombro, e ele sussurrará em seu ouvido: “Está vendo? Deus não ama você. Ele não o trataria assim se o amasse”.
O diabo está sempre tentando transformar as obras amorosas de Deus em coisas más. Mas Deus está nos tratando como filhos. É disciplina.
A carta diz que ela não é agradável no momento. Na verdade, a carta poderia ter dito que ela é muito desagradável.
A carta pergunta:
Porque, que filho há a quem o pai não corrija?
— Hebreus 12:7
Aqui está a afirmação: o pai que nunca corrige seu filho age sem nenhuma bondade. Vocês já viram crianças que nunca são disciplinadas, nunca são corrigidas?
Essas crianças vão passar por dificuldades neste mundo. As pessoas não vão gostar delas, e elas descobrirão que as pessoas não gostam delas. Seus pais as mimaram.
Esta carta diz que o amor de Deus se expressa no uso da vara com Seus filhos. Deus nem sempre apresenta Suas coisas boas, Suas melhores coisas, em formas agradáveis.
Outro dia, ouvi falar de um menino que precisava tomar um remédio. Não era muito agradável. Mas seu pai disse que havia muitas vitaminas naquele remédio.
O menino perguntou: “Papai, por que todas as coisas boas precisam ser colocadas em coisas ruins? Por que não podem ser colocadas no sorvete?”
O Senhor nem sempre coloca as coisas boas no sorvete. Às vezes, as vitaminas estão no remédio ruim.
É exatamente isso que esta carta diz. Deus não está nos condenando quando nos trata assim. Ele está trabalhando para nos libertar.
Deus nunca nos liberta por meio de um sermão. Se você pensa que os sermões vão salvá-lo, está cometendo um engano. Eles servem apenas para explicar o que Deus está fazendo.
Deus nunca salva pela teoria. Você pode ler tudo o que já foi escrito sobre a doutrina cristã e continuar sendo o mesmo homem ou a mesma mulher.
Os caminhos de Deus são muito práticos. Ele nos ensina pela experiência, e a experiência às vezes é muito difícil. É um treinamento árduo para os filhos.
Bem, confirmando mais uma vez o que eu disse sobre nunca chegar ao fundo das coisas, apenas comecei a dizer o que quero dizer sobre este único assunto.
Mas o benefício não virá da quantidade de coisas que eu disser. Basta tomarmos um pouco e levarmos isso ao Senhor. Vamos aplicá-lo ao nosso coração; isso fará sua obra.
Portanto, acho que vou parar por aqui nesta manhã. Se o Senhor quiser, retomarei desse ponto amanhã de manhã. À noite, trataremos de outro aspecto específico de todo este assunto, porque há vários amigos que só podem estar aqui à noite.
Que o Senhor grave novamente estas coisas em nosso coração. Deus ainda está falando em Seu Filho.
Sua fala tem o propósito de obter companheiros para Seu Filho — companheiros da vocação celestial. Os companheiros de Cristo passarão por escolas difíceis. Terão de aprender muitas lições difíceis.
Mas, ao aprenderem assim, chegarão a compreender quão grande é a sua herança no Senhor Jesus.
Posso acrescentar isto: minha experiência, queridos amigos, é que ninguém realmente tem conhecimento espiritual sem sofrimento. Não estou falando de conhecimento intelectual. Estou falando do verdadeiro conhecimento do Senhor na vida interior.
Não conheço ninguém que tenha chegado a esse conhecimento à parte do sofrimento. Sei que é algo desanimador de se dizer, mas aí está: é uma lei na Palavra de Deus.
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro.
— 2 Coríntios 4:7
Aprendemos como este vaso é frágil por meio da provação e da aflição. Mas então aprendemos como o Senhor é maravilhoso.
A carta diz que, depois, a correção produz:
Um fruto pacífico de justiça.
— Hebreus 12:11
Que expressão maravilhosa: “um fruto pacífico de justiça”.
Esses frutos vêm pelo caminho da disciplina, por meio do sofrimento. Portanto, peçamos aquela graça que o apóstolo tinha: alegrar-se no sofrimento.