2 Coríntios 6:11-13
A nossa boca está aberta para vós, ó coríntios; o nosso coração está dilatado.
Não estais estreitados em nós; mas estais estreitados nos vossos próprios afetos.
Ora, em recompensa disso — falo como a filhos —, dilatai-vos também vós.
2 Coríntios 9:8
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça; a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra.
Esse apelo que brota do coração do apóstolo aos coríntios, acerca da ampliação, segue em sua carta sem qualquer interrupção ou separação por uma divisão de capítulos. Ele vem imediatamente depois do que encontramos em 2 Coríntios 5:14-15:
Porque o amor de Cristo nos constrange; pois julgamos assim: que Um morreu por todos; logo, todos morreram;
e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele Que por eles morreu e ressuscitou.
O ponto é este: por meio da ressurreição, há ampliação. A ressurreição sempre significa ampliação. Isso é tanto uma prova de nossa compreensão e apropriação dela quanto uma afirmação de um fato.
Onde quer que a ressurreição esteja operando, sempre há expansão, ampliação, crescimento. Temos visto que os coríntios não haviam compreendido nem se apropriado do significado do evangelho da ressurreição que o apóstolo pregava.
Por não terem se apropriado do significado desse evangelho — dessa grande palavra, ressurreição —, eram um povo pequeno, mesquinho, insignificante, desprezível, voltado para si mesmo e uns contra os outros, em divisões, rivalidades, partidos, facções e coisas semelhantes.
Tudo isso evidenciava a pequenez e a pobreza de sua vida espiritual e de sua compreensão do evangelho, que é o evangelho da ressurreição.
Então, aqui o apóstolo clama. Ele lhes conta algo do que esse poder havia significado em sua própria vida, abre-lhes o coração, mostrando como a ressurreição havia triunfado de tantas maneiras em sua experiência pessoal; e, sem conseguir se conter, clama:
A nossa boca está aberta para vós, ó coríntios; o nosso coração está dilatado.
Não estais estreitados em nós; estais estreitados nos vossos próprios afetos.
Ora, em recompensa disso, dilatai-vos também vós.
Essa é apenas outra maneira de dizer: apropriem-se de novo do significado do evangelho. Apropriem-se de novo do significado da ressurreição.
Sigam o curso da ressurreição onde quer que a encontrem, seja em tipos, figuras e símbolos do Antigo Testamento, seja na realidade do Novo Testamento. Vocês se verão levados por um rio cuja profundidade aumenta continuamente e cuja largura se expande sem cessar. É algo que está sempre crescendo.
Estar no caminho da ampliação espiritual é estar no curso da vida de ressurreição. Pois esse rio transbordará todas as suas margens. Esse rio se mostrará mais profundo do que vocês conseguem atravessar, como vemos no caso do rio em Ezequiel.
Agora, nesta tarde, conforme o Senhor nos capacitar, vamos examinar isso em algumas passagens bastante conhecidas do Antigo Testamento. Sempre digo isso com certa reserva, porque nunca sei até onde chegaremos ou onde teremos de parar. Mas, se possível, veremos três ilustrações muito conhecidas do Antigo Testamento sobre o caminho da ampliação espiritual.
Refiro-me ao que encontramos nos primeiros capítulos do Segundo Livro dos Reis — especialmente, para nosso propósito nesta tarde, nos capítulos 4, 5 e 6.
Antes de chegarmos a essas ocasiões e situações específicas, vamos recordar o cenário e o contexto. Todos conhecemos o fato de que, nos dias de Elias e Eliseu, a condição espiritual de Israel era muito precária. De fato, estavam num nível espiritual muito baixo.
A questão que sempre predominava naqueles dias, como tantas vezes tem acontecido, era esta: como será preservado aquilo que é do Senhor? Como será mantido o testemunho do Senhor, especialmente considerando que Ele próprio foi para o céu e está ausente?
Essa é a questão, e essa é a relação. Vocês conhecem a história. Talvez eu a percorra muito rapidamente para refrescar a memória de vocês, pois isso é necessário.
Eliseu estava arando com doze juntas de bois, e ele estava com a décima segunda. Elias passou e lançou sobre ele o seu manto. Eliseu disse:
Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei.
Elias respondeu:
Vai e volta; pois que te fiz eu?
A resposta, naturalmente, estava no próprio coração de Eliseu: “Você fez alguma coisa, e não consigo escapar disso”. Ali mesmo ele matou os bois, fez uma fogueira com os instrumentos agrícolas, ofereceu os bois em sacrifício e foi após Elias — como seu seguidor e sucessor.
Então Elias começou aquela série de provas para verificar se Eliseu realmente estava decidido, se levava aquilo a sério, se era um homem verdadeiramente comprometido. Vejam, esta é a questão de como o testemunho do Senhor será mantido quando o Senhor for para o céu. O instrumento, ou vaso, para essa continuidade precisa ser provado e aprovado.
Elias pôs Eliseu à prova de maneira completa — de Gilgal a Betel, de Betel a Jericó e de Jericó ao Jordão. Quando estavam na última etapa, Elias disse a Eliseu:
Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti.
Eliseu, creio que sem qualquer hesitação, disse: “Uma porção dobrada do teu espírito, por favor”. Elias respondeu:
Coisa difícil pediste; todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará.
Eles prosseguiram e chegaram ao Jordão. Elias feriu o Jordão com seu manto, as águas se abriram e eles atravessaram. Apareceu um carro de fogo, e Elias foi levado ao céu. Eliseu clamou:
Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!
Ele não o viu mais; mas o manto de Elias caiu.
O manto é sempre o símbolo do Espírito, da unção. Eliseu o apanhou, voltou ao Jordão e imediatamente pôs aquilo à prova. Os filhos dos profetas disseram:
O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.
Agora, então, estamos prontos para dar continuidade ao testemunho do Senhor enquanto Ele está no céu. Por quais meios? Pelo dom do Espírito Santo; pela unção; de nenhuma outra maneira.
Essa unção só existe sobre a base da ressurreição — através do Jordão, do outro lado. A ressurreição nunca para no túmulo; ela não para até chegar ao Senhor entronizado no céu. Paulo disse:
Ele O ressuscitou dentre os mortos e O fez assentar à Sua direita, muito acima de todo principado e autoridade.
Esse é o alcance da ressurreição.
Sobre essa base, o Espírito Santo vem e é concedido, e o manto cai sobre a igreja, sobre os vasos do Senhor, sobre os quais Ele pôs a Sua mão, dos quais Se apossou e que chamou à comunhão. Tem de ser um vaso comprometido.
Esse manto vem, e esse vaso recebe a grande responsabilidade e a honra de manter aquilo que foi iniciado pelo Cabeça quando Ele estava aqui.
Vocês percebem qual é a questão. Trata-se da sucessão ao Senhor depois que Ele foi para o céu. Trata-se, podemos dizer, da fase seguinte — ou da geração seguinte, estendendo essa palavra para além de uma simples geração humana, abrangendo uma dispensação.
A fase seguinte se estende até o momento em que esse Senhor que ascendeu voltar; durante esse período, Seu testemunho precisa ser mantido. Nesse tempo, é necessário haver um vaso para esse propósito.
É o princípio da sucessão ao Senhor que ascendeu: sucessão pela unção com o mesmo Espírito que repousou sobre Ele.
Portanto, vocês estarão prontos para concordar que, se isso é real, é para isso que fomos chamados. E, queridos amigos, se me permitem uma ênfase entre parênteses, não se enganem a esse respeito: é para isso que fomos chamados. É isso que somos. Nada menos — nada menos do que isso.
Recebemos a grande responsabilidade de manter esse testemunho do Senhor que ascendeu enquanto Ele está ausente. Se isso é verdade — e é verdade —, vocês estarão prontos para concordar que, para isso, precisamos de uma unção. Meus amigos, precisamos muito!
Os coríntios estavam comprometendo seriamente o testemunho, e o apóstolo atribui esse fracasso à sua insignificância, à sua pequenez. Daí seu apelo na segunda carta, que é a carta da ampliação no ministério e no testemunho:
Dilatai-vos também vós.
A única maneira de salvar o testemunho, a única maneira de mantê-lo, é sermos ampliados. Voltem e vejam o que ele vinha dizendo — como, nele, esse testemunho havia sido maravilhosamente mantido em toda parte, em meio a sofrimento, perseguição, fome, naufrágio, traição e tudo o mais, chegando até a muitas experiências de morte.
Ele abriu a boca para falar de tudo isso. Ousou abrir a boca, embora corresse o risco de parecer que estava se apresentando como modelo, como padrão. Mesmo assim, ousou e disse:
A nossa boca está aberta para vós, ó coríntios.
Dilatai-vos também vós.
Voltamos agora ao Segundo Livro dos Reis, às nossas três ilustrações. Em 2 Reis 4, temos o relato da mulher e sua pequena botija de azeite. Não podemos ler as histórias, mas espero que vocês se lembrem delas.
Aqui está ela:
E uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu.
Esses filhos dos profetas ocupam um lugar importante nessas passagens das Escrituras, e os veremos repetidamente nesses capítulos. Mas o que eles representam?
Se não representam a continuidade do testemunho, o que representam? São os filhos dos profetas, e sua própria função é manter o testemunho dos profetas. É para isso que servem. É para isso que existem: para dar continuidade a ele.
Aqui está uma mulher que é viúva de um dos filhos dos profetas. Seu marido, um filho dos profetas, morreu e a deixou sem recursos. Essa é uma perspectiva bastante triste para qualquer ministério, quando deixa seu sucessor sem nada de que viver.
Ela clama a Eliseu e lhe conta sua situação:
Teu servo, meu marido, é morto; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor; e veio o credor para levar os meus dois filhos para serem servos.
Vocês estão aflitos por causa de seus filhos? Estão preocupados com os mais jovens que virão assumir essa responsabilidade? Há um clamor em seu coração por aqueles que deverão prosseguir e carregar esse fardo?
Ela clama porque não só seu marido havia morrido, e não só ela estava na pobreza e na necessidade, mas também pairava sobre seus filhos uma nuvem pesada. Parecia que eles não seguiriam os passos do pai; não conseguiriam permanecer e assumir a grande responsabilidade e a honra de manter o testemunho do Senhor.
É uma perspectiva triste. Queridos amigos, hoje temos situações muito semelhantes em toda parte. O que nossos jovens estão fazendo? Estão prosseguindo? Estão avançando no caminho para assumir a responsabilidade?
Ah, o coração de muitos pais é como o coração dessa mulher: “Meus filhos não estão prosseguindo com o Senhor. Meus filhos não estão seguindo adiante”. Se a mulher pode representar a igreja, não poderia a igreja estar clamando hoje: “Nossos jovens não estão avançando para assumir esta grande obra do Senhor e carregar a responsabilidade de Seu testemunho”?
Eles estão ameaçados por um fim espiritualmente prematuro, por uma interrupção de seu crescimento e progresso. Isso é muito real, não é?
Essa é a situação. Ela clamou a Eliseu. É muito impressionante como tantas vezes a situação mudou por causa do clamor de uma mulher. Agar clamou. Ana clamou. Essa viúva clama. Maria Madalena clama.
O clamor de uma mulher — vocês não precisam tomar isso literalmente, embora possam fazê-lo, se quiserem. A igreja precisa clamar por essa questão. Precisa clamar por seus jovens, ou por aqueles que deverão prosseguir para preservar os interesses do Senhor.
Ela clamou a Eliseu. Eliseu disse:
Que te hei de fazer? Dize-me: que é o que tens em casa?
Ela respondeu:
Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
Uma pequena botija. Os recursos podem ser muito escassos. Talvez haja apenas um pouco; mas, se há um pouco do Espírito, há esperança. Há um potencial tremendo se vocês têm o Espírito, ainda que em pequena medida.
Ele disse:
Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias; não poucas.
Vasilhas vazias — não poucas.
Vocês podem usar a imaginação e visualizar a cena: essa mulher e seus dois filhos saindo às pressas em todas as direções, indo a cada casa, perto e longe, perguntando se havia alguma vasilha vazia disponível que pudesse ser emprestada à mulher.
Eles as trouxeram para casa, foram trazendo, até que não houvesse mais nenhuma que pudessem encontrar ou pedir emprestada. Eliseu disse: “Feche a porta e comece a derramar”. Ela começou a derramar, e o azeite continuou fluindo — de vasilha em vasilha —, enchendo cada vasilha vazia, até a última.
Então ela disse: “Não há mais vasilha alguma”. E o azeite parou. Eliseu não estabeleceu o limite.
O Espírito Santo nunca limita a Si mesmo. Se há pequenez, ela está no vaso, não no Espírito Santo.
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça; a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra.
Essa é a dimensão divina. Somos nós que impomos limites ao Senhor.
Quando tudo terminou, a mulher saiu com todas aquelas vasilhas e voltou aos vizinhos — vasilhas cheias, sem dúvida para espanto e admiração deles. Todos perguntariam: “De onde veio isso? Como você conseguiu?”. Ela teve sua oportunidade de testemunhar, dizendo: “Foi simplesmente o que o Senhor fez. O Senhor fez isso”.
E é assim que o testemunho tem continuidade.
Agora, queridos amigos, isso não é apenas uma bela história do Antigo Testamento. Não sei o que vocês estão pensando enquanto falo. Talvez estejam criticando meu jeito ou o que estou dizendo, ou talvez estejam pensando que já ouviram tudo isso antes. Mas vamos levar isso muito a sério: isso não é ficção.
Isso deveria ser, pode ser e, para alguns de nós, é uma experiência plenamente atual. Repetidas vezes, temos levado ao Senhor a consciência de nossa necessidade — necessidades de muitos tipos: necessidade física, necessidade espiritual, necessidade para o ministério, necessidade de vida, necessidade de prosseguir por mais um dia.
Começando a manhã tão vazios, tão necessitados de muitas maneiras, levamos ao Senhor vasilhas vazias — não poucas. E Ele tem sido fiel. Ele tem sido fiel. Ah, como Ele tem enchido as vasilhas repetida e continuamente!
Se houve limitação, foi por causa da limitação de nossa fé. Não confiamos Nele.
Isso não é alguma grande ideia idealista de ministério profético. Não — o que é ministério profético? É a vida do povo de Deus: a vida do povo de Deus individualmente e da igreja, dando testemunho diário do fato de que o Senhor é suficiente para todas as coisas.
Isso é profecia em seu verdadeiro significado. Isso é manter o testemunho do Senhor, e é para isso que estamos aqui — nada menos do que isso.
Aqui temos a questão da ampliação a partir de muito pouco — ampliação a partir de muito pouco para cumprir nossas obrigações espirituais e salvar a situação para a honra do Senhor. O Espírito Santo é plenamente suficiente para tudo isso, e Ele não estabelecerá a limitação. Seremos nós que O limitaremos, estreitados em nós mesmos.
Vasilhas vazias — vasilhas vazias. O Senhor exige, em primeiro lugar, que o vaso esteja vazio. Se temos uma plenitude própria, uma suficiência própria — se há qualquer autossuficiência, presunção, orgulho ou alguma ideia de que já temos o necessário —, então não somos vasos adequados para esse testemunho.
Toda a Bíblia dá um poderoso testemunho disto: quando Deus vai fazer algo para Sua glória, Ele toma um vaso vazio. Ele exige o esvaziamento, e esvazia antes de encher.
Precisamos nos apressar e passar ao capítulo seguinte. É, como vocês sabem, a história de Naamã, o sírio. Naamã era comandante-chefe do exército do rei da Síria. Era um grande homem, mas era leproso.
Havia uma pequena serva cativa que servia em sua casa e que, em sua compaixão por seu senhor, disse:
Tomara que o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra.
Vocês conhecem o restante da história. Naamã veio com sua comitiva até Eliseu. Eliseu nem sequer saiu à porta para ver aquele grande homem, nem deu importância à pompa. Enviou-lhe seu servo com a mensagem:
Vai e lava-te sete vezes no Jordão.
Por causa de seu orgulho, Naamã quase interrompeu tudo ou levou a situação a um desastre.
Não são Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar purificado?
Mas a palavra do Senhor era: “Vá ao Jordão. Lave-se sete vezes”. Entretanto, eles o persuadiram, e ele foi e mergulhou sete vezes no Jordão. Sua carne tornou-se novamente como a carne de uma criança, e ele foi purificado de sua lepra.
Há muitas outras lições nessa história, mas estamos nos concentrando num ponto: a questão da ampliação — a questão de sermos ampliados no que diz respeito ao testemunho do Senhor.
Para confirmar isso, abram em Lucas 4. Jesus veio a Nazaré, onde havia sido criado. Entrou, como era Seu costume, na sinagoga no dia de sábado. Foi-Lhe entregue o livro do profeta Isaías, e Ele Se levantou para ler.
O Espírito do Senhor está sobre Mim,
porque Ele Me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres;
enviou-Me para proclamar libertação aos cativos
e restauração da vista aos cegos;
para pôr em liberdade os oprimidos;
para proclamar o ano aceitável do Senhor.
O Espírito do Senhor está sobre Mim.
Estamos tratando do Espírito Santo — esse é o ponto.
O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Ele Me ungiu.
E assim por diante.
Quando chegou a determinado ponto, Ele parou. Fechou o livro, sentou-Se, e os olhos de todos na sinagoga estavam fixos Nele. Ele começou a dizer:
Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
Então Ele disse:
Nenhum profeta é aceito em sua própria terra.
Mas, em verdade vos digo, havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu; e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio.
Eles ficaram cheios de ira. Levantaram-se, expulsaram-No da cidade e O levaram até a beira do monte sobre o qual a cidade estava construída, para lançá-Lo de lá. Marcos, ao relatar isso e outros fatores, diz que Ele Se admirou da incredulidade deles e não pôde fazer ali nenhuma obra poderosa.
Limitado, limitado, limitado. Contudo, aqui está a ampliação, a riqueza que se estende para além de Israel. Isso foi um golpe poderoso contra a natureza do exclusivismo religioso. Foi devastador.
Não para Israel, mas para fora. O Espírito Santo não está confinado. Seu campo de ação é onde quer que haja um leproso — aqui ou ali —, onde quer que haja pecado, onde quer que haja necessidade, onde quer que haja trevas, onde quer que haja prisão.
Ele Me ungiu para anunciar.
Para anunciar ali, fora de quaisquer limites que os homens tenham estabelecido por suas tradições.
Eles estavam irados. Não aceitariam aquilo — não aceitariam aquilo. Essa coisa perniciosa de se voltar cada vez mais para dentro, levantar cercas, estreitar os limites — e depois, quando alguém toca nisso, criar terríveis problemas — precisa ser reconhecida pelo que é.
O diabo não gosta desse tipo de ampliação que abrange toda necessidade. Ele não gosta; opõe-se ferozmente a ela.
O Senhor toma essa questão de Naamã e usa a história com um único propósito: havia muitos leprosos em Israel, mas Eliseu não foi enviado a nenhum deles, senão a Naamã, o sírio — alguém completamente fora de Israel. Ampliação.
O ministério do Espírito Santo, a unção, destina-se a abranger toda necessidade, em todo lugar e de todo tipo, e a impedir qualquer forma de fechamento, retração, estreitamento e restrição. O exclusivismo de qualquer tipo é uma abominação para o Espírito Santo.
Se vocês querem a prova disso, vejam o que aconteceu depois que o manto caiu sobre a igreja. No dia de Pentecostes, o Senhor que ascendeu deixou Seu manto do Espírito cair sobre Sua igreja. Então começou exatamente esse conflito — o conflito entre a ampliação e o exclusivismo.
Basta examinar Atos 10 e 11: o grande movimento do Espírito em direção a Cornélio, em Cesareia. Vocês conhecem a história. Pedro ergueu sua cerca, por assim dizer — sua cerca de exclusivismo, de judaísmo —, e levantou uma barreira ao Espírito Santo, dizendo:
De modo nenhum, Senhor.
Mas o Espírito lhe ordenou que fosse. O Espírito está ampliando, e Ele está indo para além dos limites de Israel, para além das fronteiras. Ele está expandindo. Ele está em marcha. Ele está derrubando essas barreiras.
Não avançar com Ele é, como Pedro disse aos anciãos em Jerusalém, resistir ao Espírito Santo. Ampliação.
O Espírito Santo é o Espírito de uma visão que se expande continuamente, de recursos que se expandem continuamente, de uma energia que se expande continuamente. Precisamos avançar com o Espírito — avançar com o Espírito —, e não nos acomodar e aceitar as imposições de qualquer tipo de estreiteza exclusivista, pequenez, intolerância ou preconceito. Tudo isso é contrário ao Espírito Santo.
Essa é a segunda história. Com todas as outras lições que ela contém, seu foco está nessa questão da ampliação — ampliação constante por meio da ressurreição.
Tomamos a terceira história, em 2 Reis 6: os filhos dos profetas novamente dizendo a Eliseu:
Eis que o lugar em que habitamos diante de ti nos é estreito.
Vamos, pois, até o Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga; e façamos ali um lugar em que habitemos.
Aqui está: não apenas a ampliação dos recursos pelo Espírito Santo, não apenas a ampliação da visão; aqui está a ampliação do ministério efetivo daqueles que devem assumir o testemunho — o que se aplica a todos nós.
É uma questão de ampliação para cumprir a responsabilidade. Eles foram ao Jordão e começaram a cortar as árvores. Enquanto faziam isso, a cabeça do machado de um dos filhos dos profetas se soltou e caiu na água. Foi para o fundo, muito naturalmente.
Evidentemente, naquele ponto a água era bastante profunda, porque o profeta não conseguia ver onde estava o ferro. Ele perguntou:
Onde caiu?
Tinha ido para o fundo, fora de vista, completamente afundado. Essa é uma expressão muito sugestiva, não é?
O filho dos profetas clamou:
Ai, meu senhor! Porque era emprestado.
Eliseu perguntou:
Onde caiu?
Ele cortou um pedaço de madeira, lançou-o ali, e o ferro flutuou.
Como isso se encaixa perfeitamente na situação dos coríntios! Realmente se encaixa. O que é esse ferro? É aquilo com que os homens tentam fazer a obra do Senhor, com que procuram ampliar sua oportunidade de serviço.
Vocês podem lhe dar um nome: é o homem natural.
O homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus.
Se vocês não compreendem plenamente essas palavras porque soam tão teóricas, deixem-me colocar isso de outra maneira.
Meus queridos amigos, não é a tendência natural de nossa própria alma afundar quando nos deparamos com dificuldades? Vocês não enfrentam, dia após dia, essa questão de afundar, de cair, de ir para o fundo? Às vezes até usamos a expressão: “Sentimos que chegamos ao fundo do poço”.
Afundar — essa é a tendência natural do ferro, não é? Vocês e eu temos uma natureza assim. Toda a sua tendência é para baixo. Há uma força que puxa para baixo, uma pressão para baixo, o tempo todo; e, naturalmente, é tão fácil afundar.
Isso acontece especialmente na obra do Senhor. Quando vocês estão procurando trabalhar para o Senhor e as coisas dão errado, acontecem o que vocês chamam de acidentes, surgem contratempos, as coisas ficam confusas, decepcionantes, dolorosas — então, enquanto trabalham para construir e ampliar, tudo parece se opor a vocês, trazendo frustração.
Estamos travando essa batalha com nossa própria alma o tempo todo, não estamos? Uma batalha contra o desânimo, a desistência, o afundamento, a ida para o fundo. Isso é natural para nós, tão natural quanto é para o ferro afundar na água.
Mas o que vamos fazer a respeito disso? O poder de Sua ressurreição inverte toda a ordem da natureza.
Por que estamos prosseguindo hoje? Não chegamos ao fundo muitas vezes? Não sentimos repetidamente que já não conseguíamos lutar contra aquilo que nos arrastava para baixo, contra a decepção e o desânimo na obra do Senhor?
Como vocês sabem, nos últimos dois meses viajamos muitos milhares de quilômetros — cerca de vinte e dois mil e quinhentos quilômetros, desta vez — e vimos muito trabalho cristão em muitos, muitos lugares. Meus queridos amigos, eu lhes digo: o coração poderia afundar. Se vocês mesmos não conhecessem o Senhor, poderiam muito facilmente lavar as mãos em relação ao cristianismo tal como ele é hoje; e isso não é falar de maneira exagerada.
“Sim, essa é uma reação que vocês realmente poderiam ter”, falando de modo geral. Graças a Deus pelo que há Dele em tudo isso; isso está presente. Mas alguém poderia dizer: “Afunde. Não há esperança. Simplesmente não há esperança de trabalhar para o Senhor e promover ampliação espiritual”, sendo o tempo todo arrastado para baixo por uma coisa ou outra no estado geral da vida espiritual.
Mas a resposta — a resposta — é a ressurreição: Sua ressurreição, o poder de Sua ressurreição, a vida de ressurreição reagindo contra a natureza e todas as suas tendências, fazendo flutuar até mesmo esse ferro de nossa alma.
Totalmente contrário à natureza, não é? Ouso dizer que vocês conhecem algo disso. Sabem o que é viver de maneira contrária à natureza por causa daquela graça que Ele faz abundar.
Vocês sabem que, se estivessem vivendo apenas de sua própria natureza, não estariam na luta hoje. Estariam fora dela e abatidos. Mas há algo presente: o poder de Sua ressurreição.
Graças a Deus, não se trata apenas de nos manter à tona; a construção continua. O grande projeto espiritual prossegue. A igreja está sendo edificada.
O propósito dos filhos dos profetas — ampliar o lugar — está sendo realizado. Talvez lentamente demais, e em meio a muitas dificuldades, mas está avançando, queridos amigos. Graças a Deus, está avançando.
Podemos ver em muitos lugares que a obra está prosseguindo. Apesar de muita coisa, ela está avançando, sendo edificada. Mas, onde quer que isso aconteça, não é por causa da disposição otimista dos trabalhadores; é por causa da graça de Deus e do poder de Sua ressurreição.
Deixamos essa questão da ampliação e encerramos destacando isto: que lugar importante o Jordão ocupa nessas histórias! Tudo começou no Jordão, com Elias e Eliseu. Tudo começou ali.
Esse foi o início dessa nova fase de manutenção do testemunho do Senhor: no Jordão.
Foi no Jordão que Naamã teve de ser batizado. Foi junto ao Jordão que eles estavam cortando a madeira para ampliar sua habitação. O Jordão está muito em evidência, não é?
O caminho do Espírito passa sempre pelo Jordão. O caminho da ressurreição passa sempre pela morte — é sempre assim.
Vocês estão muito familiarizados com esse pensamento, mas é assim todas as vezes: toda vez que o Senhor for ampliar, Ele batizará vocês e a mim em uma morte mais profunda, nos levará novamente ao Jordão de alguma nova maneira.
Na verdade, isso traz esperança, não é? Espero que não seja desanimador nem desencorajador. Mas aqui estamos nós, conhecendo maiores profundidades de Sua morte, experiências mais profundas de comunhão com Ele em Sua morte. Mas para quê? Qual é o propósito Dele nisso?
É para uma nova plenitude da vida de ressurreição, do poder do Espírito Santo. Pode ser assim. Deve ser assim.
Que tenhamos fé para crer e nos apropriar disso, mesmo no dia em que tudo parece tão escuro, tão difícil e tão limitado. Apropriem-se disso. Façam o que essa mulher fez. Foi um verdadeiro desafio à fé, não foi?
“Consiga todas essas vasilhas. Vá buscá-las.” “Ah, mas há apenas uma pequena botija de azeite.” Mesmo assim, saiam por toda parte e tragam as vasilhas — vasilhas vazias, não poucas. Foi um verdadeiro ato de fé.
Assim também foi com Naamã. Assim também foi com os filhos dos profetas. Um ato de fé — não se acomodar e esperar que alguma coisa aconteça, mas apropriar-se de Sua vida de ressurreição, crendo e prosseguindo.