Por favor, abram a carta aos Efésios. Efésios 1:15-23. Vamos ler essa passagem.
Por isso, também eu, tendo ouvido da fé no Senhor Jesus que há entre vós e do amor que tendes para com todos os santos,
não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações;
para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele;
sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual é a esperança da Sua vocação e quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos,
e qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder,
que Ele operou em Cristo, quando O ressuscitou dentre os mortos e O fez assentar à Sua direita nos lugares celestiais,
muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
e sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas,
a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Agora, Efésios 3:14-21. Vamos ler essa passagem.
Por esta causa, dobro os meus joelhos perante o Pai,
de Quem toda família nos céus e na terra toma o nome,
para que, segundo as riquezas da Sua glória, vos conceda serdes fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior;
para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de que, estando arraigados e alicerçados em amor,
possais compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para que sejais cheios até toda a plenitude de Deus.
Ora, Àquele Que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós,
a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, queremos agradecer-Te por nos conduzires ao longo desta semana até o último dia completo desta conferência. Nós Te agradecemos por toda a misericórdia, bondade e graça que tão abundantemente nos concedeste.
E, Senhor, ao chegarmos à última sessão das ministrações da manhã, trememos diante disso. Tememos que as palavras do homem ocultem aquilo que desejas falar ao nosso coração.
Senhor, pedimos que, nesta manhã, deixes o homem de lado e venhas pelo Teu Espírito. Senhor, fala. Fala no mais íntimo do nosso coração. Não permitas que fiquemos dando voltas.
Mas, Senhor, pedimos nesta manhã que aquilo que ainda não foi concluído seja concluído nesta manhã. Pedimos que toques cada coração e nos conduzas a uma profunda identificação e unidade com o Teu propósito eterno.
Senhor, faze de nós um povo que segue o Cordeiro por onde quer que Ele vá. Senhor, nosso desejo é:
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Esta é a última sessão das ministrações da manhã. Ao longo desta semana, temos considerado juntos essa questão da restauração.
A restauração, como já dissemos, é segundo o propósito eterno de Deus. Em outras palavras, Deus está restaurando tudo aquilo que propôs na eternidade passada em Cristo Jesus.
Os homens podem falhar, e de fato falham, mas Deus nunca falha. Ele alcançará aquilo que propôs em Si mesmo e em Seu Filho.
Na primeira sessão, refletimos sobre o clamor dos séculos. É o clamor pela restauração. Deus deseja que tudo seja restaurado ao Seu plano original, e todos os que amam o Senhor ao longo dos séculos respondem com esse clamor.
Mas mencionamos que, quando Deus realiza a obra de restauração, Ele age segundo certos princípios. A restauração é segundo a graça. Nunca é algo que se origina nos homens ou que passa a existir por meio deles. É graça desde o princípio até o fim.
Isso é algo de que precisamos nos lembrar sempre. Não é apenas no princípio que a graça traz a restauração; até o fim, tudo é pura graça de Deus. Os homens são os que recebem a graça. Os homens precisam cooperar com a graça. Ainda assim, é graça.
Também mencionamos que o princípio da restauração são as dores de parto. É pelas dores de parto de nosso Senhor Jesus que a igreja nasce. Ao longo dos séculos, em cada movimento de restauração na terra, vocês verão que ele é sempre precedido por oração perseverante e vitoriosa.
Antes do Pentecostes, cento e vinte pessoas, de comum acordo, passaram por essas dores de parto em oração naquele cenáculo. Esse princípio percorre toda a história da restauração da igreja.
A restauração está sempre ligada à Palavra. Ela nunca acontece sem um retorno à Palavra de Deus. É a Palavra de Deus que toca o coração de algumas pessoas, transforma-as, toma posse delas e, por meio delas, aquela parte da verdade é restaurada.
A restauração é a obra do Espírito Santo.
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor.
— Zacarias 4:6
Em toda restauração, há a marca da cruz. Se a cruz estiver ausente, por mais bem-sucedidas, empolgantes ou boas que as coisas pareçam, elas não estão na linha da obra de restauração de Deus.
A cruz precisa operar para remover tudo aquilo que impede a pureza de Deus e trazer tudo aquilo que é de Cristo.
A restauração é a restauração do amor: o primeiro amor para com Deus e o amor uns pelos outros. A restauração visa à realidade. Deus não está interessado na forma exterior nem na correção exterior. Deus está interessado na realidade espiritual.
Então encontramos outro princípio na obra de restauração de Deus. Por causa da lentidão e da insensibilidade do povo de Deus, a restauração geralmente se realiza primeiro entre os vencedores. Como nosso irmão já mencionou, os vencedores não são pessoas especiais. São apenas os normais, dispostos a responder à graça.
Esses são os princípios que governam a restauração, e em cada movimento de restauração na história da igreja vocês encontrarão todos esses princípios presentes.
Quando a igreja nasceu, no dia de Pentecostes, em Jerusalém, vimos uma igreja gloriosa.
Ali encontramos essas pessoas, um grande número delas, reunidas como uma só. Elas se reuniam em torno do Senhor Jesus. A autoridade de Cristo como Cabeça era evidente. A presença do Espírito Santo era evidente. O amor entre esses crentes era evidente. Cristo era expresso por meio dessas pessoas.
Mas a igreja precisa crescer. Como já mencionamos, ela precisa crescer não apenas em extensão, para que o corpo possa abranger toda a terra, mas também no crescimento de Cristo no corpo. Esse é o significado da plenitude de Cristo.
Mas, novamente, por causa da fraqueza da nossa carne e do ataque do inimigo, vemos que, na história da igreja, em vez de crescer de glória em glória, ela começa a se desviar, a declinar e a se afastar para algo que não é de Cristo nem está no propósito original de Deus.
Vemos que, já no primeiro século, começaram a aparecer manchas. Nos séculos seguintes, mais manchas e mais rugas entraram na igreja.
Quando chegamos ao fim do século XV, parece que a igreja havia perdido toda a verdade gloriosa e maravilhosa que Deus lhe havia dado. A tradição reinava sobre o cristianismo. O homem tomou o lugar do Espírito Santo.
Em vez de ser um organismo vivo, o corpo de Cristo, para conter as riquezas de Cristo e manifestar a glória e o poder de Cristo, a igreja tornou-se uma grande instituição mundana. Ela tinha poder no mundo, mas havia perdido seu poder diante de Deus.
Hoje, se olharmos para o cristianismo contemporâneo, o que vemos? Vemos a igreja crescendo em maturidade? Vemos a igreja avançando para a glória? Ou vemos que a igreja tem se afastado cada vez mais da verdade de Deus?
Onde está o testemunho de Jesus na igreja? Podemos distinguir a igreja do mundo? Onde termina o mundo e começa a igreja? Não há separação, não há distinção. Não há testemunho.
Chegamos ao tempo, como nosso irmão mencionou ontem à noite, das sete igrejas de Apocalipse 2–3. Profeticamente, elas podem ser vistas como representantes de toda a história da igreja.
A igreja em Éfeso representa a igreja no fim do primeiro século. O que vemos nessa igreja? Exteriormente, tudo parece estar indo bem.
Eles tinham obras, trabalho e conhecimento. Podiam discernir os falsos profetas e os falsos apóstolos. Receio que hoje nem sequer tenhamos esse tipo de discernimento.
Eles odiavam os nicolaítas, a quem o Senhor odiava. Isto é, rejeitavam a distinção entre clero e leigos. Receio que hoje nós a aprovemos. Vivemos com base nela. “Sem isso, como podemos viver? Como podemos prosseguir? Como podemos ser uma igreja se não tivermos um pastor para cuidar de nós, para cuidar de todas as coisas espirituais?”
Bem, no fim do primeiro século, eles não estavam tão mal quanto nós estamos hoje. Vemos que tinham todas essas coisas boas e louváveis e, ainda assim, o Senhor estava irado com eles.
O Senhor disse:
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
Apesar de todas as coisas boas de vocês, sou contra vocês, porque perderam o primeiro amor.
Irmãos e irmãs, a igreja em Éfeso era conhecida pelo seu amor. Eles tinham tamanho amor pelo Senhor! Vocês se lembram de como queimaram todos aqueles livros de magia, que valiam uma grande quantia. Eles amavam o Senhor e estavam dispostos a se desfazer de qualquer coisa que se colocasse entre eles e o Senhor.
Por causa do intenso amor que tinham pelo Senhor, Paulo pôde comunicar-lhes todo o conselho de Deus. Pôde compartilhar com eles o mistério de Deus. Vocês encontram isso na carta aos Efésios.
E, no entanto, no fim do primeiro século, aquele primeiro amor havia desaparecido. Eles faziam todas essas coisas por dever, por hábito, por tradição e por si mesmos — não constrangidos pelo amor de Cristo.
Essa era a situação no fim do primeiro século. Deus reagiu àquela condição e enviou perseguições à igreja.
A história dos séculos II e III é tipificada pela segunda carta, a carta à igreja em Esmirna. A igreja passou por grande perseguição e, por meio da perseguição, o primeiro amor foi reavivado.
Graças a Deus, porque, ao estudarmos a história da igreja nos séculos II e III, descobrimos que o que mais se destaca e impressiona é o sangue dos mártires.
Não é possível ler a história dos mártires dos séculos II e III sem chorar. Por amor a Cristo, eles estavam dispostos a passar por todo tipo de tortura — algumas muito lentas.
Eles tinham oportunidade de escapar, sim, bastava que queimassem incenso a César e o reconhecessem. Seriam poupados. No entanto, o amor de Deus enchia tanto o coração deles que estavam dispostos a morrer por Aquele Que nos amou tanto e Se entregou por nós.
O primeiro amor foi restaurado em muitos dos santos, ainda nos séculos II e III. Mas, infelizmente, sempre que a perseguição diminuía, parecia que muitos reagiam da maneira errada. Começavam a amar o mundo.
As heresias entraram na igreja nesse tempo de fraqueza. A heresia mais notável daquele período foi o arianismo, que negava a deidade de Cristo. Pensem nisso: dentro da igreja havia um ensino que negava a deidade, a divindade, de Cristo.
Negavam o próprio caminho da salvação que Deus havia providenciado para nós. Depois veio a heresia pelagiana. Negavam a pecaminosidade do homem. O homem não nascia com pecado e, portanto, era capaz de escolher o caminho certo. A salvação, diziam eles, vinha pelo esforço humano.
A própria base do evangelho estava sendo atacada. Deus levantou instrumentos para refutar essas heresias. Por causa da confusão, foram convocados concílios da igreja.
No princípio, os concílios da igreja foram convocados para refutar essas heresias e definir a verdade. Mas, infelizmente, vocês verão que o primeiro concílio da igreja foi presidido por Constantino, o Grande. Em outras palavras, o imperador romano presidiu aquele concílio.
Não havia separação entre o mundo e a igreja. Reduziram aquilo que era vivo a um credo morto e usaram o poder político para impor o credo. Quem não obedecesse ou não se submetesse ao credo seria perseguido até a morte.
Como já mencionamos, quando chegamos aos séculos IV e V, representados pela igreja em Pérgamo, encontramos esse casamento entre a igreja e o mundo.
Isso era representado pelo sistema papal. O sistema papal estava plenamente estabelecido, e foi nesse período que surgiram todo tipo de ensino, como o purgatório e as indulgências.
Depois, do século VII ao XV, período representado pela igreja em Tiatira, Jezabel, a falsa profetisa, ensinava a igreja. Assim, chegamos ao que foi chamado de Idade das Trevas.
Não apenas se pregava o purgatório e se praticavam as indulgências, mas havia também a adoração a Maria, a adoração aos santos e a adoração às relíquias.
“Orem a Maria”, diziam eles, “porque ela é mulher e tem um coração sensível. Se vocês orarem ao Senhor Jesus, Ele talvez não os ouça; mas, se orarem a Maria, ela tem um coração compassivo.”
“Orem aos santos”, diziam eles, “porque eles têm mais méritos do que precisam para ir ao céu. Se vocês orarem a eles, então algum mérito será concedido a vocês.”
Parece que toda a verdade que Deus havia confiado à Sua igreja se perdeu. A igreja realmente entrou no período mais sombrio da Idade das Trevas.
Então Deus começou a reagir novamente. Como mencionamos ontem, isso é representado pela quinta igreja, em Apocalipse 3: Sardes. A igreja em Sardes nos conta a história da Reforma e das igrejas protestantes.
No princípio, foi uma tremenda obra de restauração de Deus. A Bíblia, que havia sido acorrentada, agora estava nas mãos do povo de Deus. A justificação pela fé foi restaurada.
Mas, na carta a Sardes, vocês podem ver:
Tens nome de que vives e estás morto.
Não é esse um retrato perfeito das igrejas protestantes, desde o século XVI até o nosso tempo?
Quando chegamos ao século XIX, no que diz respeito à interpretação profética, chegamos ao tempo da igreja em Filadélfia. De fato, como mencionamos ontem, quando o movimento dos Irmãos começou, era Filadélfia.
Havia tamanho amor entre os irmãos. Eles guardavam a Palavra de Deus. Não negavam o nome de nosso Senhor Jesus. Recusavam-se a ser chamados por qualquer outro nome ou a se reunir em torno de qualquer outro nome.
Fizeram da Palavra de Deus a regra e o guia da sua vida pessoal e da sua vida coletiva. A simplicidade de Cristo foi restaurada quando se reuniam. Era glorioso.
Mas, infelizmente, vocês se lembram de que o Senhor advertiu a igreja em Filadélfia. Eles precisavam ter cuidado para que sua coroa não lhes fosse tirada.
Irmãos e irmãs, estamos agora no século XX. Não estamos agora no tempo da última carta, a da igreja em Laodiceia? Estamos vivendo na era de Laodiceia.
Se vocês olharem para o cristianismo contemporâneo, não verão uma mornidão que prevalece sobre ele? Se vocês disserem que é quente, não é. Se disserem que é frio, não é. É apenas morno.
Eles parecem ter tudo e, no entanto, não têm nada. Mas não têm consciência disso. Estão orgulhosos de si mesmos. Acham que são ricos e estão ficando cada vez mais ricos.
O Senhor disse:
Não sabes que és desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.
Irmãos e irmãs, não estamos nessa condição de Laodiceia? Ao longo dos séculos, a igreja está melhorando ou piorou? O que vocês acham?
Receio que, se formos honestos, teremos de reconhecer que a igreja está em ruínas. Como podemos dizer que a igreja não está em ruínas quando vemos todos esses sintomas diante de nós?
Algumas pessoas até pensam que a igreja está ficando melhor, mais forte e mais poderosa; que ela vai dominar o mundo, converter o mundo e prepará-lo para a vinda de Cristo. Isso é a teologia do domínio.
“Estamos ficando cada vez mais fortes. Vamos controlar o mundo e prepará-lo para Cristo vir. Cristo não pode vir até que preparemos o mundo para Ele.” Será mesmo?
Como precisamos pedir ao Senhor que abra nossos olhos para vermos que a igreja em geral, tal como a vemos, está realmente em ruínas — arruinada a tal ponto que nos perguntamos se algum dia poderá ser restaurada.
E, no entanto, irmãos e irmãs, por outro lado, estamos falando da obra de restauração de Deus. Ao longo dos séculos, Deus nunca deixou de conquistar algumas pessoas na terra para que fossem fiéis a Ele, fiéis ao Seu propósito original e portadoras do testemunho de Jesus.
Elas são sempre uma minoria. Estão sempre sendo perseguidas. Sua história está sempre oculta. Ainda assim, Deus tem Seu próprio povo desde o primeiro século até o tempo presente.
Sempre houve pessoas fiéis ao propósito de Deus. Recusaram-se a se chamar por qualquer outro nome que não fosse o de cristãos. Fizeram da Bíblia a regra da sua vida, individual e coletivamente. Viviam segundo a simplicidade de Cristo.
Mas, como dissemos, a partir do século XVI, parece que Deus tem pressa na obra de restauração, porque o tempo está se esgotando. A restauração torna-se mais universal, e sua influência se espalha por toda parte.
Ela começa com a Reforma e assim por diante. Deus está restaurando continuamente. Uma verdade após outra está sendo restaurada. Ao longo desses séculos, muitas verdades da Palavra foram restauradas.
Uma coisa vocês percebem: Deus restaura aquilo que se perdeu. E não apenas aquilo que se perdeu; Ele restaura tudo até a verdade original que deu à Sua igreja. Isso está se tornando cada vez mais glorioso.
Para dar alguns exemplos: durante a Idade das Trevas da igreja, perdeu-se a própria base do evangelho — que somos salvos pela graça, mediante a fé. As pessoas pensavam que precisavam ser salvas por mérito, por obras.
Mas então, graças a Deus pelos reformadores, a justificação pela fé foi restaurada. Mas vocês sabem que os reformadores conheciam a justificação pela fé de maneira limitada?
Para os reformadores, como éramos justificados? Era uma troca. Cristo tomou nossos pecados em Seu corpo na cruz e, em troca, deu-nos Sua justiça. Ele tomou nossos pecados, e nós recebemos Sua justiça. Um bom negócio para nós!
Potencialmente, estamos revestidos da justiça de Cristo. Até muitos dos corinhos que cantamos ainda dizem isso: “Estamos revestidos da Sua justiça”. Será esse o entendimento correto?
Somente no século XIX, com os Irmãos, ao examinarem essa questão da justificação pela fé, eles viram que ela não é apenas por imputação; é por união.
Cristo foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para a nossa justificação.
— Romanos 4:25
Em outras palavras, é a nossa união com Cristo que constitui a nossa justificação. Não estamos apenas revestidos da justiça de Cristo; estamos revestidos de Cristo como nossa justiça.
Há uma grande diferença aí. A justiça de Cristo O qualificou para ser o sacrifício sem mácula por nós. Se Ele não tivesse justiça, não poderia ser nosso substituto — o justo pelos injustos. Sua justiça O qualificou para ser nosso Salvador.
Mas somos justificados porque hoje estamos revestidos de Cristo como nossa justiça. Ele é nossa justiça. Ele é nossa justificação diante de Deus.
Irmãos e irmãs, somente em nosso tempo — fico pensando, porque não li isso em nenhum outro lugar; fico pensando se foi por meio do irmão Sparks e do irmão Nee — vemos que até essa verdade da justificação pela fé foi aprofundada.
Por quê? Porque o que é justificação? Nosso Senhor Jesus não é apenas Aquele Que nos justifica; Ele é a nossa justificação.
Mas vós sois Dele, em Cristo Jesus, o Qual Se tornou para nós sabedoria da parte de Deus, e justiça, e santificação, e redenção.
— 1 Coríntios 1:30
O que é justiça? Justiça não é apenas um ato. Justiça não é meramente algum mérito de outra pessoa dado a você para torná-lo justo. A justiça é uma Pessoa. Cristo é a nossa justiça.
Assim, vocês começam a ver que a verdade da justificação é uma Pessoa. Não é um ato; é uma Pessoa. Agora ela começa a retornar ao propósito original de Deus. Uma verdade é conduzida de volta ao propósito original de Deus.
Irmãos e irmãs, será que vocês veem isso? Penso que a diferença é como a distância entre o céu e a terra. O próprio Cristo é a nossa justiça. Ele não é apenas Aquele Que nos justifica; Ele é a nossa justificação. Essa restauração é mais gloriosa.
Outro exemplo: a santificação. Ao longo dos séculos passados, especialmente a partir do século XIV, houve pessoas que buscavam a santificação. “Como podemos viver uma vida santa?”
Os místicos desejavam viver uma vida santa, completamente separada do mundo e inteiramente dedicada a Deus. O caminho pelo qual tentavam entrar na santificação, ou santidade, era o esforço próprio.
Eles maltratavam o próprio corpo. Açoitavam e torturavam o corpo, tentando se livrar do mal e reprimir seus desejos. Faziam de tudo para alcançar uma vida santa.
Algumas pessoas se afastavam do mundo, vivendo em mosteiros. Por quê? Porque queriam viver uma vida santa. Pensavam que, enquanto convivessem com outras pessoas, nunca poderiam ser santas.
Algumas pessoas até se tornaram eremitas. “Se num mosteiro há muitos monges, então torne-se um eremita, inteiramente sozinho, para viver uma vida santa.”
A verdade da santificação que Cristo havia dado à Sua igreja se perdeu completamente durante aqueles séculos sombrios. Nem mesmo os reformadores recuperaram ou restauraram a santificação.
Penso que a maior dor de cabeça dos reformadores eram aqueles que afirmavam estar salvos pela fé, mas não viviam uma vida separada. Esse era o problema dos reformadores.
Eles pregavam a justificação pela fé: “Se você crer, será salvo”. Muito bem. “Eu creio”, e então você vive a própria vida. Afinal, você está salvo. Onde está o incentivo à santidade? Você pode ir para o céu, então por que não aproveitar também os prazeres do mundo?
Mas, graças a Deus, por meio de Wesley, a santificação foi finalmente restaurada. Somos chamados a uma vida santa, e Deus fez provisão para isso. Pela fé, você entra numa vida santa.
Mas muitas pessoas encontraram dificuldades. Elas criam e, ainda assim, parecia que faltava alguma coisa. Assim, no século XIX, encontramos o ensino de Keswick e o ensino da vida cristã superior.
Eles diziam: “Precisamos de fé, crendo que, quando Cristo morreu na cruz, nós morremos. Devemos considerar-nos mortos para o pecado em Cristo e vivos para Deus em Cristo”.
“Mas, para manter essa santidade, você precisa consagrar sua vida ao Senhor. Entregue seus membros como instrumentos de justiça.” Esse era o caminho que ensinavam para manter a vida cristã superior: a consagração.
Mas será essa toda a verdade da santidade? Graças a Deus, digo novamente, em nosso século, mais uma vez por meio de nossos irmãos, vemos: o que é santidade?
Santidade não é um ato, apenas um conceito ou uma virtude em si mesma. Santidade é Cristo. Deus O fez nossa santificação.
A carne nunca pode ser santa. Não importa quanto você trabalhe nela, a carne é carne. O óleo santo não pode ser derramado sobre a carne. Por mais que você tente, não consegue ser santo.
Não eu, mas Cristo. Ele é a minha santidade. Permitir que Ele expresse Sua vida por meio de nós: isso é uma vida santa. Se tentarmos viver a vida cristã por nós mesmos, fracassaremos.
Irmãos e irmãs, no propósito original de Deus, Ele não pretendia que a santidade fosse uma bênção dada a nós à parte de Cristo. Essa bênção está em Cristo Jesus. É o próprio Cristo.
Assim, vemos que, nessa questão da santificação e da santidade, fomos restaurados ao propósito original de Deus.
Talvez devêssemos mencionar algo coletivo como exemplo. E a igreja?
Vemos que a igreja é o corpo de Cristo, a plenitude de Cristo, Que enche tudo em todos. Essa é a igreja.
Logo no princípio, no livro de Atos, nos capítulos 2 a 4, encontramos a igreja como o corpo de Cristo. Cristo enchia aquele corpo. Cristo era expresso por meio daquele corpo.
Havia tamanha unidade e tanto amor entre os irmãos e irmãs que até o mundo começou a apontar para eles e dizer: “Vejam como eles amam uns aos outros”.
Mas, gradualmente, a igreja perdeu sua vitalidade, perdeu a fonte da sua vida e tornou-se uma organização. A vida da igreja tornou-se vida social. Ela se tornou um grande reino acima de todos os reinos.
Os reformadores concentraram seus esforços na salvação pessoal. Eles não foram capazes de fazer nada a respeito da vida coletiva do povo de Deus, e de fato não o fizeram.
Mas, graças a Deus, vemos que, no século XIX, entre os Irmãos, a verdade da igreja começou a ser restaurada. Eles se reuniam simplesmente segundo a Palavra de Deus.
Mas será que a verdade da igreja foi plenamente restaurada? Há assembleias aqui e ali. Elas não têm um nome porque guardam o Nome — o Nome que está acima de todo nome.
Vocês veem pessoas reunidas como igreja, com presbíteros e diáconos. Veem até, nessas assembleias, o ensino do sacerdócio universal dos crentes. Mas até que ponto ele é praticado?
Novamente, em nosso século, irmãos e irmãs, mais uma vez por meio de nossos irmãos: o que é a igreja? A igreja é o Cristo.
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também é o Cristo.
— 1 Coríntios 12:12
Agora, irmãos e irmãs, no passado, quando as pessoas liam isso, simplesmente prosseguiam na leitura sem perceber nada de incomum. É claro que a Escritura não pode estar errada.
Mas, quando vocês leem esse versículo, param e pensam: “Há um erro aqui. Um corpo, muitos membros; muitos membros, um corpo; assim também é a igreja”. Ora, essa seria a palavra esperada.
Mas vocês não ousam mudar a Bíblia, então continuam lendo:
Assim também é o Cristo.
No entanto, em sua mente, pensam que isso significa a igreja, porque realmente significa a igreja. Sim, significa.
Penso que provavelmente foi por meio do irmão Sparks e do irmão Nee que isso foi esclarecido. O que é a igreja? A igreja é a expansão de Cristo. A igreja é Cristo em Sua expressão coletiva. A igreja não é nada além do próprio Cristo.
A igreja não é apenas uma assembleia de pessoas, mesmo que sejam crentes. Algumas pessoas pensam que a igreja é um edifício. Nós sabemos que não é assim. Dizemos que a igreja são as pessoas.
O problema na Idade das Trevas era que a igreja estava cheia de pessoas, a maioria delas não salvas. Mas isso não é a igreja. Então perguntamos: “O que é a igreja?” A igreja são pessoas — mas um tipo especial de pessoas, um povo peculiar: pessoas salvas, pessoas que creem no Senhor Jesus.
Agora, quando essas pessoas se reúnem… Já passei do horário, e meu irmão novamente me deu permissão e disse: “Continue e termine”. E eu ainda estou só no começo.
Então, se vocês precisarem sair, por favor, fiquem à vontade.
Agora, nosso problema com a igreja está aqui. Graças a Deus, temos um grupo de pessoas que são verdadeiramente salvas, e nos reunimos.
Não deveríamos ter nenhum problema. Deveríamos amar uns aos outros, cuidar uns dos outros, dar preferência uns aos outros e trabalhar juntos em perfeita harmonia.
Mas, como nosso irmão mencionou, onde se pode encontrar uma igreja tão perfeita na terra? Enquanto nós estivermos presentes, haverá problemas. O homem é sempre um problema. Nossa carne é sempre um problema, porque ela não pode ser mudada.
Então, o que é a igreja? Certa vez, quando o irmão Sparks e eu estávamos ministrando juntos, usei uma ilustração. O irmão Sparks estava sentado ali, então tive de dizer alguma coisa para me resguardar. Eu disse: “Vou dizer algo que não é espiritual”.
Eu disse: “O que é a igreja? Suponham que existam apenas três crentes na terra, e que esses três crentes sejam Pedro, João e Tiago. Eles são os melhores”.
Quando esses três se reúnem, vocês têm a igreja. Agora, infelizmente, Pedro sempre queria ser o primeiro. Ele dava por certo que era o primeiro. Tinha de ser o porta-voz. Era tão rápido.
Mas, certa vez, João e Tiago passaram à frente dele. Vocês se lembram dessa história. Agora, se a igreja é composta desses três crentes maravilhosos e dotados, o que vai acontecer?
Penso que ela se dividirá, no mínimo, em duas. João e Tiago, sendo irmãos, ficam juntos como a maioria, e Pedro, a minoria, não consegue se submeter.
Então, o que é a igreja? Bem, a igreja é o Cristo em Pedro, mais o Cristo em João, mais o Cristo em Tiago: isso é igual à igreja. Agora está certo. A igreja é Cristo neles.
Essa é a igreja. Mas o problema é que eles também estão ali. Cristo está ali, mas eles também estão ali. Às vezes, até tentam usurpar o lugar de Cristo. Vocês se lembram de que Pedro fez isso.
Pedro disse ao Senhor: “Isso nunca Te acontecerá. Não ouses fazer isso”. Até no Pentecostes, quando o lençol desceu e o Senhor disse: “Mata e come”, Pedro respondeu: “Não, Senhor. Isso não é kosher”.
Bem, isso não é a igreja. Então, o que é a igreja? A igreja é Cristo em Pedro menos Pedro, mais Cristo em João menos João, mais Cristo em Tiago menos Tiago: isso é igual a Cristo.
Espero que esteja claro. É uma explicação técnica, mas o irmão Sparks não aprovou aquilo! É apenas uma ilustração.
Então, irmãos e irmãs, quando isso é descoberto, será que está na Bíblia? Está em 1 Coríntios 12. Mas é uma restauração ao propósito original de Deus. Qual é esse propósito? Cristo.
Tudo deve ser reunido em Cristo. Esse é o propósito original de Deus. A igreja é a expressão de Cristo — nada mais.
Bem, vocês verão que a igreja está progredindo. A igreja está progredindo continuamente, avançando até o propósito eterno de Deus. Ela está se tornando cada vez mais gloriosa.
A luz que brilha sobre cada verdade está ficando cada vez mais intensa, e nossa experiência de Cristo está se tornando cada vez mais profunda.
Irmãos e irmãs, ela está a caminho daquela igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante.
Agora, já que o irmão de vocês me deu liberdade, vou continuar. Estamos diante desses dois conceitos opostos. Um é que a igreja está em ruínas; não há conserto para ela. O outro é que a igreja está progredindo, sendo restaurada àquela igreja gloriosa, àquela plenitude de Cristo.
Hoje estamos diante dessas duas perspectivas. É um paradoxo. Agora, onde nos posicionamos?
Por um lado, creio que precisamos confessar que a igreja está em ruínas. Algumas pessoas se recusam a aceitar isso. Dizem que a igreja não está em ruínas.
Agora, há uma explicação que eu aceito. Talvez deva mencioná-la. Tentei deixá-la de lado, mas nosso Senhor Jesus disse:
Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
— Mateus 16:18
Quem é o Edificador da igreja? Cristo. Ele está edificando Sua igreja sobre Si mesmo, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Vocês conseguem imaginar nosso Senhor Jesus construindo algo sobre essa rocha com materiais que não sejam Ele mesmo? Podem acreditar que Ele usaria o material errado na edificação da Sua igreja?
Podem acreditar que, de alguma forma, Ele cometeu um erro na edificação da igreja e que esse erro precisa ser corrigido depois? Podem acreditar que aquilo que Ele edifica na igreja tem alguma falha, algumas manchas, que dão terreno ao inimigo para vencer? Eu não posso.
O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Por quê? Porque nosso Senhor, na cruz, já venceu todos os poderes do Hades. Ele tem as chaves da morte e do Hades.
Portanto, nada do que o Senhor edificou ou está edificando é imperfeito. É glorioso, vitorioso, triunfante, vencedor — não há problema.
Então, como se pode dizer que a igreja está em ruínas? Se olharmos por essa perspectiva, teremos de dizer que a igreja nunca está em ruínas. Ela é sempre gloriosa, gloriosa durante todo o processo de edificação.
Aquilo que está em ruínas, na verdade, vem de nós. Estamos tentando ajudá-Lo a edificar Sua igreja e usamos os materiais errados. Nós somos os materiais errados.
Trabalhamos de uma maneira que não é a maneira correta. Colocamos materiais nos lugares errados. Estamos edificando com madeira, feno e palha.
Se essas coisas não forem destruídas pelo inimigo hoje, serão destruídas pelo fogo no tribunal de Cristo.
Assim, quando dizemos que a igreja está arruinada, isso simplesmente significa que nós estamos edificando a igreja, e vejam que confusão fizemos. Se o inimigo a destruir, graças a Deus por isso. Acolhemos o Senhor para realizar essa obra.
Mas, de qualquer forma, para nós, olhando realisticamente para a igreja, temos de dizer que ela está em ruínas. É isso que vemos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se negarmos que a igreja está em ruínas, não há esperança de restauração.
A razão pela qual a obra de restauração de Deus não está avançando como deveria é que, na mente de muitos dos filhos de Deus, ainda existe a crença de que a igreja não está tão mal assim. Talvez precise de uma pequena correção, mas ainda está bem.
Essa é a atitude da igreja de Laodiceia: “Estamos bem. Somos ricos e estamos ficando cada vez mais ricos. Temos tudo”.
Se tivermos esse tipo de atitude, irmãos e irmãs, não há esperança. A ruína é definitiva.
Então, vejamos que, por um lado, irmãos e irmãs, o Senhor precisa nos convencer de que a igreja está em ruínas. Ele precisa nos convencer de maneira tão profunda que realmente aceitemos isso.
Por causa disso, precisamos rasgar o coração, não as vestes. Quando vemos as ruínas da igreja, isso nos leva ao arrependimento. Leva-nos a clamar e dizer: “Ó Senhor, tem misericórdia”.
Isso é algo que ainda falta entre o povo de Deus. Somos complacentes e indiferentes. Pensamos que não está perfeito, mas está bem; podemos continuar assim.
Essa é uma situação impossível. O Senhor diz:
Vomitar-te-ei da Minha boca.
Não há esperança.
A igreja, tal como a vemos hoje, não tem esperança. Em 2 Tessalonicenses 2, está escrito que, antes que venha o dia do Senhor, haverá apostasia. Haverá um afastamento generalizado. A igreja não está melhorando; a igreja está piorando. Não há conserto para ela.
Oh, irmãos e irmãs, que o Senhor nos convença a enxergar a condição da igreja hoje: miserável, digna de pena, nua, cega, pobre. Isso deveria nos levar a dobrar os joelhos.
Como povo de Deus, precisamos nos humilhar diante Dele e pedir que Deus nos poupe.
Por outro lado, precisamos aceitar todas as obras de restauração de Deus ao longo dos séculos. Precisamos nos comprometer inteiramente com a obra de restauração de Deus.
Deus está restaurando Seu propósito original em Cristo. Graças a Deus, muitas verdades foram restauradas. Quase podemos dizer que toda a verdade que Deus confiou à igreja no princípio foi restaurada.
O que vamos fazer com isso? Estamos tomando posse daquilo que nos pertence? Temos toda essa herança, mas estamos tomando posse daquilo que nos pertence? Há realidade? Deus nos livre de termos apenas doutrina.
Será que realmente experimentamos nosso Senhor Jesus como nossa justiça diariamente? Nós O experimentamos como nossa santificação? Permanecemos ligados a Cristo como Cabeça? Estamos unidos em amor?
Irmãos e irmãs, estamos acompanhando aquilo que o Espírito está fazendo hoje?
Quanto a mim, sinto que as orações do apóstolo Paulo na carta aos Efésios precisam ser a nossa oração.
Agora, por um lado, vemos as ruínas da igreja como completas e definitivas; contudo, por outro lado, vemos a obra de restauração de Deus também chegando à sua glória.
Quando estamos diante dessas duas cenas opostas, o que precisamos fazer é orar: orar para que Deus nos dê espírito de sabedoria e de revelação para o pleno conhecimento Dele, para o pleno conhecimento do Seu propósito eterno.
Precisamos ver isso não apenas em nossa mente, como um ensino que recebemos. Precisamos pedir ao Senhor que nos dê visão espiritual — não com os olhos naturais, mas em nosso espírito —, que Ele nos revele o propósito eterno de Deus.
Ele abrirá os olhos do nosso coração, para que vejamos a esperança do Seu chamado.
Irmãos e irmãs, Ele está nos chamando. Está nos chamando como Seu corpo. Como Seu corpo, Ele nos chama à maturidade. Ele nos chama para sermos Sua noiva.
Esse é o próprio coração de nosso Senhor Jesus. Ele quer nos encher de Si mesmo, não apenas individualmente, mas coletivamente. A igreja é a plenitude de Cristo, assim como Cristo é a plenitude de Deus.
Esse é o Seu chamado. Ele nos chama para sermos Sua noiva, para sermos cheios Dele — Cristo tudo em todos.
Deus O constituiu Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos. Ele é a Cabeça. Ele deu tudo isso à igreja, para que a igreja vença todas as coisas e permita que Cristo seja tudo em todos.
Precisamos ver as riquezas da glória da Sua herança nos santos. Irmãos e irmãs, temos uma rica herança. Cristo é a nossa herança. As insondáveis riquezas de Cristo são nossas.
Mas vocês sabem? No propósito eterno de Deus, trata-se das riquezas da Sua herança nos santos. Em outras palavras, Deus nos deu a Ele para sermos Sua herança. Essas são as riquezas da Sua herança.
Às vezes, penso que realmente ficamos com a melhor parte. Recebemos Cristo como nossa herança. Oh, como ela é rica! E Ele nos recebeu como Sua herança — uma terra estéril!
Mas esse não é o propósito original de Deus. O propósito original de Deus é que sejamos uma herança tão rica que Cristo possa desfrutar dela.
Se as insondáveis riquezas não se tornarem nossas, como poderemos ser uma rica herança para Ele? Mas, vejam, como isso pode acontecer? É impossível.
Qual é a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos? Não somos capazes de fazer isso, mas há um poder disponível. Esse é o poder de Deus — o poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos e O colocou no trono, muito acima de todo principado, autoridade e poder.
Esse poder, irmãos e irmãs, está operando hoje na igreja. Mas há uma condição: ele é para aqueles que creem. Irmãos e irmãs, nós cremos?
Crer envolve submeter-se, render-se e obedecer. A obra é realizada por Ele, não por nós mesmos. Ele está pronto para fazer isso. A única questão é se estamos dispostos a nos entregar a Ele e dar-Lhe uma oportunidade.
Essa visão do propósito eterno de Deus custa muito caro. Como nosso irmão já mencionou, ela custa a nossa vida.
Estamos prontos? Respondemos ao que o Espírito diz às igrejas?
É claro que conhecemos nossa fraqueza. Por isso, Paulo orou novamente. Ao ver essa visão — Cristo tudo em todos, todas as coisas reunidas em Cristo, a igreja como a plenitude de Cristo, Sua noiva —, você percebe que isso é impossível ao homem.
Essa é a razão pela qual Paulo orou para que sejamos fortalecidos com poder pelo Espírito Santo no homem interior. Oh, como nosso espírito precisa ser fortalecido, irmãos e irmãs.
É preciso um espírito forte para aceitar uma visão tão grandiosa. Precisamos nos levantar em nosso espírito. Queremos tomar posse. Queremos estar unidos a essa visão. Queremos estar dentro dessa visão.
Que o Espírito de Deus fortaleça nosso homem interior e nos dê um espírito forte para desejar esse propósito eterno.
Para que Cristo habite, pela fé, em nosso coração. Em outras palavras, Cristo encherá toda a nossa alma.
É como a glória Shekinah de Deus no Santo dos Santos. Por estar ali a arca, essa glória permeia toda a casa.
Irmãos e irmãs, que a glória do Senhor que habita em nosso espírito venha e encha todo o nosso ser: nosso amor, nossos pensamentos, nossa vontade. Que Ele encha todo o nosso ser, para que estejamos arraigados e alicerçados em amor.
Assim como o coração de Evan Roberts foi derretido pelo amor, irmãos e irmãs, seremos capazes de compreender, com todos os santos, qual é a largura, o comprimento, a profundidade e a altura do amor de Cristo — sim, além do que as palavras podem expressar.
E seremos cheios até toda a plenitude de Deus.
Assim, irmãos e irmãs, ao considerarmos juntos, nestes dias, o propósito eterno de Deus e Sua restauração, olhamos para o Senhor para que isso não se torne apenas um ensino, algo novo para levarmos para casa.
Oramos ao Senhor para que Ele nos convença profundamente. Que Ele não apenas coloque essa visão diante de nós, mas nos introduza nessa visão e nos torne dispostos, por amor a Ele, a pagar qualquer preço e a seguir a direção do Espírito.
Para que possamos, por assim dizer, apressar aquele dia em que todas as coisas serão reunidas em Cristo e Ele terá uma companheira ao Seu lado. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, queremos louvar-Te e agradecer-Te por esse propósito que estabeleceste em Ti mesmo, ainda antes da fundação do mundo.
Nós Te louvamos e agradecemos porque é Teu propósito reunir todas as coisas em Cristo. É Teu propósito dar ao Teu Filho uma rica herança.
Nós Te agradecemos por nos envolveres, por nos chamares. Senhor, pedimos que não sejamos insensíveis, indiferentes nem acomodados.
Pedimos que despertes nosso espírito, para que nos arrependamos e retornemos à simplicidade de Cristo, e permitamos que realizes Tua obra em cada um de nós até que Tua glória seja manifestada.
Em nome de nosso Senhor Jesus, para Sua glória. Amém.