Por favor, abram no livro de Atos.
Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação que sobreveio por causa de Estêvão percorreram a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém senão somente aos judeus.
Havia, porém, entre eles alguns homens de Chipre e de Cirene que, chegando a Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
E a mão do Senhor era com eles; e um grande número dos que creram se converteu ao Senhor.
E a notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia. Quando ele chegou e viu a graça de Deus, alegrou-se; e exortava a todos a permanecerem no Senhor com firme propósito de coração.
Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muita gente foi acrescentada ao Senhor.
E partiu para Tarso, à procura de Saulo; e, tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia.
E aconteceu que, durante um ano inteiro, se reuniram com a igreja e ensinaram muita gente; e em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial;
Antes, anunciei primeiramente aos de Damasco, depois em Jerusalém e por toda a região da Judeia, e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.
Por causa disso, os judeus me prenderam no templo e procuraram matar-me.
Tendo, pois, alcançado o auxílio que vem de Deus, permaneço até o dia de hoje, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo senão o que os profetas e Moisés disseram que haveria de acontecer;
Que o Cristo havia de padecer e que, sendo Ele o primeiro pela ressurreição dos mortos, anunciaria luz tanto ao povo como aos gentios.
E, enquanto ele assim se defendia, Festo disse em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.
Mas Paulo disse: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; antes, profiro palavras de verdade e de sobriedade.
Porque o rei sabe destas coisas, diante de quem também falo com liberdade; pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta, porque isto não se fez em algum recanto.
Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês.
E Agripa disse a Paulo: Com tão pouca persuasão queres fazer de mim um cristão.
E Paulo disse: Prouvera a Deus que, com pouca ou com muita persuasão, não somente tu, mas também todos os que hoje me ouvem se tornassem tais como eu sou, exceto estas cadeias.
Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos provar, como se alguma coisa estranha vos acontecesse;
Mas, na medida em que sois participantes dos sofrimentos de Cristo, alegrai-vos; para que também, na revelação da Sua glória, vos alegreis com grande júbilo.
Se sois injuriados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois; porque sobre vós repousam o Espírito da glória e o Espírito de Deus.
Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete nos negócios alheios;
Mas, se alguém padecer como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesse nome.
Porque já é tempo de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?
E, se o justo dificilmente se salva, onde aparecerão o ímpio e o pecador?
Portanto, também aqueles que padecem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem.
Vamos fazer uma oração.
Senhor, como Te louvamos e Te agradecemos por podermos nos reunir no nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Nós Te agradecemos pelas Tuas preciosas palavras que acabamos de ler.
Pedimos que o Teu Espírito Santo abra a Tua Palavra ao nosso coração. Que a Tua Palavra fale conosco. Senhor, desejamos ser aquilo que Tu nos chamas a ser. Entregamos este tempo em Tuas mãos, no nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Nosso tema é todo o conselho de Deus. Mencionamos ontem que todo o conselho de Deus abrange três áreas: aquilo que diz respeito a Cristo, aquilo que diz respeito aos cristãos e aquilo que diz respeito à igreja.
Cristo é a origem. A igreja é o destino. O cristão é o processo — mas é um processo necessário.
O encargo que trago no coração diz respeito ao cristão. Se Deus permitir, gostaríamos de abordar esse assunto nesta manhã: o significado de ser cristão; depois, a vida de um cristão; e, por fim, a paixão de um cristão.
Quando vim pela primeira vez a este país, no início dos anos cinquenta, disseram-me que este era um país cristão. Neste país, se uma pessoa não é judia, ela é cristã.
É claro que eu vinha da China. A China é um país pagão, e todos são gentios.
Mas, irmãos e irmãs, hoje usamos a palavra cristão de maneira muito vaga. Ela não nos distingue. Não diz nada a respeito de nossa identidade.
Por isso, sentimos a necessidade de voltar à origem desse termo, cristão, e ver o que esse nome realmente significa. E que, à luz das Escrituras, sejamos desafiados a examinar se estamos preparados para ser chamados cristãos.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, muitos creram Nele. Àqueles que creram Nele, Ele chamou para segui-Lo, para serem Seus discípulos.
Ele estabeleceu com muita clareza as condições para o discipulado. Suas condições para o discipulado eram absolutas. Ouçam o que Ele disse.
Certo dia, grandes multidões O seguiam. Ele Se voltou e lhes falou:
Se alguém vem a Mim e não odeia seu próprio pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.
E qualquer que não toma a sua própria cruz e vem após Mim não pode ser Meu discípulo.
Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo.
Ele não Se satisfaz apenas com pessoas que creem Nele. Ele exige que todos os que creem Nele sejam Seus discípulos. Mas, para serem Seus discípulos, há certas condições.
Ele disse que, se você não odiar seu pai e sua mãe, sua esposa e seus filhos, e até a si mesmo, não pode ser Seu discípulo. Acho que essa palavra nos choca. Não gostamos dessa palavra, odiar, porque, para nós, ela tem uma conotação muito ruim.
Mas, na verdade, a palavra odiar é neutra. Ela simplesmente expressa um sentimento muito forte contra alguma coisa ou alguém. De fato, se não sabemos odiar, não podemos saber amar. Se você ama, precisa saber odiar.
Aqui nosso Senhor Jesus usa essa palavra, odiar. Amar nosso pai e nossa mãe, nossa esposa e nossos filhos, e até a nós mesmos, é natural. Nas Escrituras, isso é chamado de afeição natural. É algo que Deus nos dá naturalmente; nascemos com isso.
Não somente isso, mas, na própria Palavra de Deus, somos ordenados a honrar nosso pai e nossa mãe, a amar nossa esposa como Cristo nos ama e a cuidar de nossos filhos e criá-los na disciplina do Senhor.
A Bíblia diz que ninguém odeia o próprio corpo. Todos nós nos amamos e cuidamos de nós mesmos. É natural.
Mas, infelizmente, por causa da nossa queda, até nossa afeição natural está contaminada. Ela é governada pelo pecado e pelo eu.
Quando nosso Senhor Jesus entra em nossa vida, Ele está determinado a purificar nossas emoções. A maneira de purificar nossas emoções é nos chamar a odiar nosso pai e nossa mãe, nossa esposa e nossos filhos, e até a nós mesmos.
De que maneira? Quando o Senhor Jesus entra em nossa vida, Seu amor por nós é tão puro, tão perfeito, tão grande. Esse amor deve purificar até nossa afeição natural.
Seremos constrangidos por Seu amor, e Seu amor começa a nos desprender de qualquer pessoa, até de nós mesmos, e a nos ligar a Ele.
Irmãos e irmãs, se não estivermos emocionalmente desprendidos de todos os nossos relacionamentos naturais, não poderemos ser Seus discípulos. Isso não significa que, de agora em diante, literalmente odiaremos nosso pai e nossa mãe, nossa esposa e nossos filhos, e a nós mesmos.
Significa que amamos o Senhor mais do que qualquer outra pessoa. Não permitiremos que ninguém, nem mesmo aqueles que nos são mais próximos e queridos — nem mesmo nós —, nos impeça ou nos distraia de nosso Senhor Jesus, de seguir nosso Senhor Jesus.
Nós O amamos tanto que detestamos qualquer coisa que, por meio de algum relacionamento humano, até mesmo com o nosso próprio eu, venha a negá-Lo ou a tomar o Seu lugar.
Somente quando somos emocionalmente purificados, quando todo o nosso amor está centrado em Cristo, e é em Cristo que amamos nosso pai e nossa mãe, nossa esposa e nossos filhos, e a nós mesmos — somente então podemos ser discípulos de Cristo.
Essa é uma condição muito rigorosa. De fato, se você prosseguir com o Senhor, descobrirá como isso é necessário.
O Senhor Jesus disse:
Qualquer que não toma a sua cruz e Me segue não pode ser Meu discípulo.
O que é a cruz? De onde vem a cruz?
Quando Cristo entra em nossa vida, descobrimos que, muitas vezes, nossa própria vontade e a vontade de nosso Senhor Jesus se cruzam. Queremos seguir por um caminho, mas o Senhor diz que devemos seguir por outro.
Quando uma cruz assim surge em nossa vida, qual será nossa reação? Cedemos à nossa própria vontade ou tomamos essa cruz e seguimos o Senhor?
Se não houver uma vontade rendida, não poderemos ser discípulos de Cristo. Podemos comprovar isso em nossa vida cristã. Muitas vezes, quando vemos a vontade de Deus e a nossa se cruzarem, como lutamos com essa questão!
Mas uma vontade rendida, uma vontade submissa, prefere tomar a cruz e seguir nosso Senhor Jesus.
Então o Senhor Jesus disse que aquele que deseja ser Seu discípulo deve abandonar tudo o que é seu e segui-Lo.
Irmãos e irmãs, acumulamos muitas coisas em nossa vida. Quanto mais velhos ficamos, mais coisas acumulamos. Em certo sentido, essas coisas são nossas.
Sabem, temos um instinto de posse. Até uma criança tem esse instinto. Os netos estão brincando, e como disputam um brinquedo! Uma criança diz: “Isso é meu”.
Se não formos completamente libertos daquilo que consideramos nosso — nosso direito, nossa posse —, não poderemos ser discípulos de Cristo.
Não é de admirar que, quando nosso Senhor Jesus caminhava junto ao mar da Galileia, tenha visto Pedro e André. Eles estavam lançando a rede. O Senhor disse:
Vinde, segui-Me.
Eles deixaram as redes e seguiram o Senhor.
Ele foi um pouco adiante e viu os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João. Estavam ali consertando as redes, e o Senhor disse:
Vinde, segui-Me.
Eles deixaram seu pai, seus companheiros e suas redes, e seguiram o Senhor.
O Senhor passou por Mateus e disse:
Vem, segue-Me.
Mateus deixou a mesa e seguiu o Senhor.
Em cada exemplo na Bíblia, vemos que, quando o Senhor chama ao discipulado, eles literalmente abandonam tudo o que é seu e seguem o Senhor.
Muitos seguiam o Senhor, e o Senhor Se voltou para eles e disse:
Se não fizerdes isto, se não abrirdes mão daquilo, não podeis ser Meus discípulos.
Em João 6, vemos que muitos vieram a Ele em busca de pão. O Senhor disse:
Não trabalheis pelas coisas que perecem, mas pelas coisas que são de Deus.
Eu sou o pão da vida.
Vim do céu.
Comei a Minha carne e bebei o Meu sangue, e tereis a vida eterna.
Muitos de Seus discípulos disseram:
Dura é esta palavra.
E a Bíblia diz que deixaram de segui-Lo. O Senhor Se voltou para os doze e disse:
Quereis vós também retirar-vos?
Graças a Deus, Pedro disse:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.
Nós sabemos que Tu és o Santo de Deus.
“Não temos como Te deixar.”
Um jovem veio ao Senhor, e o Senhor disse:
Vende tudo e segue-Me.
Esse jovem era muito rico, e foi embora triste.
Então o Senhor disse:
Para os homens é impossível; para Deus todas as coisas são possíveis.
Você acha que é fácil ser discípulo de Cristo? Acha que Ele aceitará qualquer pessoa sem condição alguma?
Ele nos aceita sem condição alguma quando vamos a Ele para receber a salvação. Mas, no que diz respeito ao discipulado, é muito difícil. A condição é muito rigorosa. O chamado é absolutamente incondicional. Somos Seus discípulos?
O Senhor foi para a cruz. Ele morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus. No dia de Pentecostes, vemos cento e vinte de Seus discípulos reunidos naquele cenáculo em Jerusalém.
Eles estiveram ali durante dez dias, orando de comum acordo. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu, e em um só Espírito eles foram batizados em um só corpo. Esse é o início da igreja.
Naquele mesmo dia, três mil foram acrescentados. Agora olhem para esses três mil e cem crentes. Eles estavam juntos. Perseveravam, dedicados ao ensino e à comunhão dos apóstolos, ao partir do pão e às orações.
Eles amavam uns aos outros. Estavam completamente libertos do apego às próprias posses. Aqueles que tinham davam àqueles que precisavam.
Eles se alegravam no Senhor. Partiam o pão de casa em casa. Louvavam e adoravam a Deus na área do templo e nas casas.
Em outras palavras, começava a aparecer na terra algo que nunca se havia visto antes. Quando as pessoas olhavam para eles, viam um povo que vivia de maneira tão diferente, de uma forma completamente distinta de qualquer modo de vida encontrado neste mundo.
Os romanos tinham seu modo de vida. Os judeus tinham seu modo de vida. Os gregos tinham seu modo de vida. Mas ali encontravam um povo que vivia de uma maneira que o mundo nunca tinha visto. Não havia o eu, somente Cristo.
As pessoas olhavam para eles e não sabiam quem eram. Gradualmente, vemos surgir na Bíblia um termo: o Caminho, o caminho cristão. Havia um modo de vida completamente estranho a este mundo.
Um novo modo de vida, o caminho cristão, havia surgido. Assim, no início, além de serem chamados discípulos, esse povo peculiar passou a ser identificado pelo termo o Caminho.
Encontramos isso mencionado várias vezes no livro de Atos. Em Atos 9:2, Saulo, o fariseu, foi ao sumo sacerdote e pediu cartas para as sinagogas de Damasco, para que, se encontrasse alguns que fossem do Caminho, tanto homens como mulheres, pudesse levá-los presos a Jerusalém.
Homens e mulheres do Caminho. Havia um modo de vida tão distinto que era possível identificar essas pessoas. O propósito de Saulo era encontrá-las, levá-las a Jerusalém e condená-las.
Novamente, em Atos 19:9, Paulo estava em Éfeso. Quando alguns se endureceram e não creram, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo se afastou deles e separou os discípulos, discutindo diariamente na escola de Tirano.
Em Éfeso, as pessoas começaram a falar mal do Caminho. Quando isso aconteceu, Paulo se afastou da sinagoga e começou a ensinar na escola de Tirano.
No mesmo capítulo, em Atos 19:23, somos informados de que houve um grande tumulto a respeito do Caminho. Paulo estava em Éfeso havia muito tempo. Muitos vieram ao Senhor, e um modo de vida começou a aparecer em Éfeso, tão diferente do modo de vida romano e do grego.
Por causa disso, os fabricantes de ídolos sofreram grande prejuízo, e houve um grande tumulto. Foi por causa do Caminho, por causa daquele modo de vida.
Novamente, em Atos 22:4, Paulo, defendendo-se diante do povo, disse que havia perseguido esse Caminho até a morte, prendendo e entregando às prisões tanto homens como mulheres.
Saulo odiava tanto as pessoas desse Caminho que estava determinado a exterminá-las.
Então, finalmente, em Atos 24:14, Paulo disse:
Mas isto te confesso: que, segundo o Caminho a que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo em todas as coisas que estão de acordo com a lei e que estão escritas nos profetas.
Paulo, em vez de tentar exterminar os homens e as mulheres do Caminho, agora servia ao Deus de seus pais nesse Caminho. Os judeus o consideravam apenas uma seita do judaísmo.
Em Atos 24:22, Félix, conhecendo com precisão as coisas a respeito do Caminho, adiou a decisão do caso deles. Assim, irmãos e irmãs, no início, aqueles que verdadeiramente criam no Senhor Jesus eram chamados discípulos — aprendizes de Cristo.
Mais tarde, quando havia muitos discípulos e eles estavam todos juntos, começaram a viver de uma nova maneira. Cristo é o Caminho. Por isso, o mundo começou a chamá-los de homens e mulheres do Caminho. Eles viviam de maneira tão diferente. E nós?
No início, consideravam o Caminho apenas mais uma seita do judaísmo. Por quê? Porque, em Jerusalém, a maioria dos crentes — na verdade, todos os crentes — havia sido judia.
Mas a situação mudou gradualmente. Em Atos 11, por causa da perseguição em Jerusalém, os crentes começaram a se dispersar. Foram para a Fenícia, Chipre e Antioquia.
Os judeus que se tornaram cristãos — crentes, discípulos — provavelmente falavam apenas aos judeus que moravam nessas cidades. Mas havia homens de Chipre e de Cirene e, quando chegaram a Antioquia, começaram a anunciar aos gregos as boas-novas do Senhor Jesus.
A mão do Senhor estava com eles, e muitos vieram ao Senhor. Muitos se arrependeram, se converteram e creram no Senhor Jesus.
Quando a igreja em Jerusalém ouviu a respeito disso, ficou preocupada. Por isso, enviou Barnabé para visitá-los. Barnabé era um judeu helenista; era de Chipre. Enviaram-no a Antioquia para visitar e ver o que o Senhor havia feito.
Barnabé era um homem bom, um filho da consolação, um homem de coração generoso, cheio do Espírito Santo e de fé. Quando viu o que o Senhor havia feito entre aquelas pessoas, ficou muito alegre.
Ele os exortou a permanecer no Senhor com firme propósito de coração, e o Senhor começou a acrescentar mais pessoas. Barnabé começou a perceber que aquilo era mais do que podia administrar sozinho, então se lembrou de Saulo.
Ele foi a Tarso, encontrou Saulo e o levou para Antioquia. Os dois ensinaram os discípulos — aqueles que haviam crido no Senhor em Antioquia — durante um ano inteiro.
Isso me fez lembrar de algo: em 1942, fugi de Singapura para a Índia durante a guerra. Ali tive a oportunidade de me reunir com irmãos e irmãs da Índia. Eles estavam se reunindo havia pouco mais de um ano.
Disseram-me que, quando começaram, reuniam-se duas vezes por dia. De manhã cedo, antes de irem trabalhar, reuniam-se para receber ensino. Depois do trabalho, reuniam-se para receber ensino.
Literalmente, esses irmãos e irmãs foram discipulados para seguir o Senhor durante um ano inteiro. Era possível ver o resultado.
Aqui vemos o povo de Antioquia: eles creram no Senhor Jesus, permaneceram no Senhor com firme propósito de coração e foram ensinados nas coisas do Senhor. O resultado foi que, em Antioquia, os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez.
É aqui que o termo cristão aparece pela primeira vez na história. Não foi um nome que os próprios crentes deram a si mesmos. Foi um nome dado aos crentes pelo mundo.
O mundo sempre gosta de entender as coisas. Se você não consegue entender uma coisa ou um grupo de pessoas, sente-se ameaçado e inseguro. É uma tendência da humanidade tentar entender e classificar as pessoas.
Quando olhavam para aquelas pessoas, diziam: “Quem são elas? Bem, elas eram uma seita judaica, como a seita dos fariseus, a seita dos saduceus, a seita dos essênios ou a seita dos nazarenos”.
Mas era possível chamá-las assim em Jerusalém; não era possível chamá-las assim em Antioquia, porque a maioria era de gentios que haviam vindo a Cristo.
Então olharam para aquelas pessoas e lhes deram um apelido. Disseram: “Quem são essas pessoas? Essas pessoas são obcecadas por Cristo”.
Elas não conheciam nada além de Cristo. Criam em Cristo Jesus. Eram batizadas no nome de Cristo Jesus. Reuniam-se no nome de Cristo Jesus. Cantavam a Cristo. Oravam a Cristo. Falavam de Cristo de manhã até a noite.
Não conheciam nada além de Cristo. Viviam para Cristo. Manifestavam Cristo em sua vida. Seguiam Cristo — Cristo, Cristo, Cristo —, nada mais. “Ah, são cristãos.”
Consideravam aquelas pessoas um povo obcecado.
Irmãos e irmãs, somos obcecados por Cristo? Cristo preenche nosso horizonte? É como se Ele tivesse cegado nossos olhos, de modo que não pudéssemos ver ninguém além de Jesus?
Somos um povo assim? Vivemos realmente para Ele, e somente para Ele? Há alguma outra coisa, além de Cristo, que ocupa nosso coração?
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, aos doze anos de idade, Ele visitou Jerusalém. Foi até lá como um filho da lei, mas permaneceu no templo.
Quando Seus pais terrenos O encontraram, disseram:
Filho, por que fizeste isso conosco?
Ele disse:
Devo ocupar-Me dos negócios de Meu Pai.
Ele era uma Pessoa ocupada com os negócios de Seu Pai, tomada pela vontade de Seu Pai. Se Cristo estava ocupado e tomado por Seu Pai, nós, que somos Dele, não deveríamos estar ocupados e tomados por nosso Senhor Jesus?
Em 1 Pedro, vemos que somos um povo de propriedade exclusiva de Deus. Quem nos possui? Quem enche nosso coração? Quem nos ocupa?
Que possamos possuir Aquele que nos possui — o Senhor.
Essa é a origem do nome cristão. Irmãos e irmãs, lembrem-se: cristão é um nome conquistado. Eles conquistaram esse nome diante do mundo.
Hoje nós nos chamamos cristãos. Esse nome nos identifica? Ele nos distingue do mundo? Somos dignos de ser chamados cristãos? Conquistamos esse nome, cristão?
A segunda menção da palavra cristão está em Atos 26. Paulo foi levado diante do rei Agripa, e lhe foi dada a oportunidade de se defender.
Ouçam sua defesa. Acho que, em todo este mundo, não se encontra, em um tribunal, nenhuma defesa feita dessa maneira.
Quando lhe dão a oportunidade de se defender, o que você faz? Tenta tudo o que pode, de todas as maneiras que conhece, para se defender — para mostrar que é inocente, que é justo, que não há nada de errado com você. Tudo não passa de um mal-entendido e de uma falsa acusação.
Mas Paulo recebeu, poderíamos dizer, quase a última oportunidade antes de ser enviado a César: a oportunidade de se defender, de se livrar daquela situação, para que pudesse ser libertado.
Mas, quando ouvimos o que ele fez, percebemos que não estava defendendo a si mesmo. Estava defendendo Outra Pessoa. Estava defendendo Cristo o tempo todo.
Cristo tinha de sofrer e, depois, ressuscitaria dentre os mortos e seria o primeiro a anunciar a luz aos judeus e às nações. Paulo defendeu Cristo com tamanha eloquência!
Festo, o governador, não conseguiu se conter. Perdeu a compostura. Gritou e disse:
Estás louco, Paulo. As muitas letras te fazem delirar.
Paulo disse:
Excelentíssimo Festo, não estou louco. Profiro palavras de verdade e de sobriedade.
Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês.
Agripa disse:
Com tão pouca persuasão queres fazer de mim um cristão?
Não sei se ele estava tentando encontrar uma maneira de se resguardar, mas foi isso que disse.
Paulo disse:
Não somente tu, mas todos os que aqui estão, espero que sejais como eu, exceto estas cadeias.
Irmãos e irmãs, nessa segunda menção, a palavra cristão é usada como escárnio. “Você acha que, com pouca persuasão, fará de mim um cristão? Ah, de jeito nenhum. Estou quase persuadido.”
Aos olhos do mundo, um cristão é uma pessoa louca. Se você se coloca em primeiro lugar, é sábio. Se nega a si mesmo e coloca outra pessoa em primeiro lugar, se prefere Cristo à própria vida, é louco.
Mas Paulo estava loucamente apaixonado por Cristo. É amor, não é? O amor é irracional.
Irmãos e irmãs, somos espertos demais. Queremos o melhor dos dois mundos. Nosso amor pelo Senhor não é suficiente. Não somos loucos o bastante para ser chamados cristãos.
O primeiro amor é o que o Senhor procura. Aos olhos do mundo, o primeiro amor é loucura. Eles não conseguem explicá-lo. Não o compreendem. Mas devemos ir para onde Ele está.
A terceira menção da palavra cristão está em 1 Pedro 4. Ali Pedro disse:
Não estranheis que tenhais de sofrer.
Sabem, temos esta ideia: no mundo há muitas dificuldades, mas, quando nos voltamos para o Senhor, todo sofrimento deveria desaparecer. Nossa vida será tranquila, sem obstáculos.
Isso é uma surpresa para muitos crentes. Eles buscam o Senhor para fugir do sofrimento. Mas, quando vêm ao Senhor e O seguem, encontram mais sofrimento do que nunca — embora de outra natureza.
Isso é muito estranho. Por que deveria acontecer? Quando estávamos em pecados e transgressões, deveríamos sofrer. Esse é o nosso salário.
Mas agora viemos ao Senhor. Vivemos uma vida santa e justa. Devemos receber o louvor de Deus, amém. Por que deveríamos sofrer?
O apóstolo Pedro lhes disse:
Não estranheis que tenhais de sofrer.
Na verdade, vocês estão simplesmente participando da comunhão dos sofrimentos de Cristo.
Quando Cristo estava na terra, Ele era o Homem perfeito, o Homem sem pecado, Que não conheceu pecado, Que agradou a Deus em todas as coisas. Vejam os sofrimentos pelos quais Ele passou. Você é melhor do que o seu Senhor?
É claro que não temos parte em Seu sofrimento vicário. Quando Ele morreu na cruz para levar nossos pecados e sofreu até a morte, ali Ele sofreu sozinho. Não temos parte nisso. Colhemos os benefícios desse sofrimento.
Mas, por outro lado, há sofrimentos de Cristo nos quais somos chamados a ter comunhão com Ele. Ele sofreu por causa da justiça — simplesmente por fazer o que é certo.
Neste mundo, se você quiser fazer o que é certo, sofrerá. Se não fizer concessões, sofrerá. Se não seguir a multidão, os costumes, as tradições, a moda deste mundo, sofrerá.
Você sofre por causa da consciência. Sofre pelo nome de Cristo.
Irmãos e irmãs, ao longo da história, muitos do povo de Deus sofreram até a morte por uma única razão: porque confessaram o nome de Jesus Cristo.
Muitos mártires morreram por nenhuma outra razão senão por crerem no Senhor Jesus. A Bíblia diz:
Se sofreis pelo nome de Cristo, sobre vós repousam o Espírito da glória e o Espírito de Deus.
Não sofram por cometer homicídio ou fazer coisas erradas.
Mas, se padecerdes como cristãos, não vos envergonheis. Dai glória a Deus.
Aqui o apóstolo Pedro toma emprestada essa palavra do mundo. Em outras palavras, aqui vemos, pela primeira vez, a palavra cristão sendo tomada do mundo.
Para o mundo, é uma palavra de desprezo. Mas, para nós, torna-se uma honra — sermos dignos de sofrer como cristãos.
Aos olhos do mundo, os cristãos são tolos. Só um tolo valoriza o sofrimento. Durante toda a nossa vida, tentamos evitar o sofrimento.
Mas ouçam o que o apóstolo Paulo disse:
Permiti que eu seja um louco — um louco por Deus.
Quanto mais vos amo, menos sou amado.
Estou disposto a gastar e a ser gasto por vós.
Sofrerei as dores de parto até que Cristo seja formado em vós.
Irmãos e irmãs, aqui está um homem disposto a sofrer pelos outros. Aos olhos do mundo, ele é um tolo. Mas, para Deus, ele é glorioso.
Queridos irmãos e irmãs, estamos dispostos a ser os loucos de Deus? Preocupamo-nos tanto conosco que não nos importamos com nossos irmãos e irmãs? Não carregamos em nosso coração o encargo pela igreja de Deus?
Só queremos desfrutar de uma vida agradável para nós mesmos. Não estamos dispostos a sofrer como cristãos.
Se hoje sofrermos com Ele, um dia compartilharemos Sua glória.
Assim, irmãos e irmãs, quando voltamos à Palavra de Deus, descobrimos que a palavra cristão, aos olhos do mundo, é sempre uma palavra desprezível, desprezada.
Mas, para nós, é uma honra. A pergunta para nós é: somos dignos de ser chamados cristãos?
Estamos realmente inteiramente ocupados com Cristo? Estamos loucamente apaixonados por Cristo? Estamos dispostos a sofrer? Isso é ser cristão.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Sabemos que Sua graça sempre acompanha Seu chamado. Ele nunca nos chama a coisa alguma sem suprir a graça necessária para isso.
Em certo sentido, é impossível sermos cristãos. Para os homens é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.
Se olharmos para Sua graça, Ele nos capacitará a ser dignos desse nome e a demonstrar isso.
Querido Senhor, Tu desejas que sejamos o que Tu és, porque és Tu Quem nos fez o que somos.
Oramos, Senhor, para que estejamos tão ocupados Contigo, tão obcecados por Ti e tão tomados por Ti; que estejamos tão profundamente apaixonados por Ti que nos disponhamos a sofrer, a compartilhar dos Teus sofrimentos.
Ó, que sejamos aquilo que Tu desejas que sejamos. Que a Tua graça esteja sobre nós, para que sejamos dignos de ser chamados cristãos.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.