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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Conference Introduction © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Conference Introduction
    Conference Introduction
    Kaung, Stephen

    A Graça, o Amor e a Comunhão de Deus

    Por favor, abram em 2 Coríntios 13:14, o último versículo do capítulo.

    A graça do Senhor Jesus Cristo,
    e o amor de Deus,
    e a comunhão do Espírito Santo,
    sejam com todos vós.

    Vamos fazer uma oração.

    Querido Pai celestial, nosso coração está profundamente agradecido pelo Teu amor por nós, ao nos dares o Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Como Te louvamos e Te agradecemos por ser por meio Dele, e em Seu nome, que podemos nos reunir nesta manhã.

    Senhor, olhamos para Ti. Sabemos que Tu estás aqui conosco. Pedimos que abras os nossos ouvidos interiores e os nossos olhos interiores, para que possamos Te ouvir e ver.

    Pedimos, Senhor, que, pelo Teu Espírito Santo, abras a Tua Palavra para nós, para que, por meio da Tua Palavra, possamos Te conhecer de maneira real e Te adorar em espírito e em verdade. Entregamos este tempo em Tuas mãos. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Bênção Apostólica como Tema da Conferência

    Agradecemos ao Senhor por nos reunir novamente neste ano. Creio que todos sabem que o tema desta conferência é a bênção que acabamos de ler.

    Em certo sentido, essa bênção é tão familiar ao povo de Deus que parece ter perdido o seu significado. Ela é usada no encerramento de um culto e é pronunciada e ouvida sem muita reflexão. É tão familiar que perdeu a sua importância.

    Mas, irmãos e irmãs, quando o apóstolo Paulo escreveu essa bênção como conclusão de sua carta, não o fez por mera cortesia, nem de maneira casual e descuidada. Creio que, quando escreveu essa bênção, ela estava cheia de significado.

    Sabemos que a Palavra de Deus é pura. Como encontramos em Salmos 119:140:

    A Tua palavra é sobremodo pura.

    Ou, em algumas traduções:

    A Tua palavra é bem refinada.

    O Espírito Santo é muito preciso e cuidadoso ao usar a Sua Palavra. Não vivemos somente de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Portanto, quando o Senhor fala, cada palavra é essencial, significativa e destinada ao nosso benefício espiritual.

    Irmãos e irmãs, especialmente nas passagens das Escrituras com as quais estamos mais familiarizados, provavelmente devemos prestar atenção especial a essas palavras. Precisamos considerar e reconsiderar essas palavras tão familiares.

    É por isso que esta conferência tem essa bênção como tema: para que, juntos, possamos realmente olhar para o Senhor, de modo que ela não seja apenas uma formalidade ou um ritual no final de um culto, mas tenha um significado profundo para cada um de nós.

    Pediram-me que apresentasse uma introdução a essa bênção. Nossos três irmãos — o irmão Ernie, o irmão Michael e o irmão Dana — falarão sobre ela, e o encargo que tenho é simplesmente apresentá-la a vocês.

    O Contexto da Bênção em 2 Coríntios

    Gostaria de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, um pouco do contexto dessa bênção. Sabemos que a segunda carta aos coríntios revela a pessoa e o ministério do apóstolo Paulo.

    Nela, ele compartilhou com os crentes de Corinto o que a graça do Senhor Jesus, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo haviam realizado em sua vida. Ele era o que era por causa da graça do Senhor, do amor de Deus e da comunhão do Espírito Santo.

    Quando comparamos essa carta com a primeira carta aos coríntios, vemos que 1 Coríntios expõe a condição dos crentes de Corinto. Se vocês fossem colocar uma palavra sobre toda aquela carta, creio que essa palavra seria carnalidade.

    Esses crentes de Corinto, embora fossem crentes, eram cristãos carnais. Em outras palavras, viviam segundo a carne. Se vocês fossem escrever uma palavra sobre 2 Coríntios, essa palavra seria espiritualidade.

    A diferença é que o apóstolo Paulo permitiu que a cruz operasse tão profundamente em sua vida que a vida do Senhor Jesus pudesse se manifestar nele. Os crentes de Corinto, embora cressem no Senhor Jesus como seu Salvador, recusaram-se a permitir que a cruz operasse em suas vidas. Continuaram a viver segundo a própria vida, e o resultado foi a carnalidade.

    Em 1 Coríntios, o que vocês veem é um homem em Adão; mas, em 2 Coríntios, veem um homem em Cristo. Toda a diferença está no fato de que um havia recebido plenamente a graça do Senhor Jesus, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo, enquanto os outros não aceitavam tudo o que Deus estava fazendo em suas vidas.

    Ou, dizendo de outra maneira, eles abusavam da graça do Senhor Jesus, desprezavam o amor de Deus e não tinham comunhão com o Espírito Santo.

    A Conclusão de 1 Coríntios

    Quando vocês leem essas duas cartas, percebem que suas conclusões são muito diferentes. Se abrirem em 1 Coríntios 16:21-24, lerão:

    A saudação é de meu próprio punho, eu, Paulo.
    Se alguém não ama o Senhor, seja anátema. Maranata.
    A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.
    O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus. Amém.

    Sabemos que, provavelmente, Paulo tinha a visão muito fraca e não conseguia enxergar com clareza. Algumas pessoas pensam que isso talvez fosse consequência da malária. Geralmente, quando escrevia, ele ditava e deixava outra pessoa registrar suas palavras. Mas, no final da carta, costumava escrever as últimas palavras de próprio punho, para conferir autenticidade à carta.

    Quando escreveu aquelas palavras finais aos crentes de Corinto, o que ele escreveu?

    Se alguém não ama o Senhor, seja anátema. Maranata.

    Em outras palavras, se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja amaldiçoado. O Senhor vem.

    Ora, irmãos e irmãs, essa é uma palavra muito séria. Ela mostra que Paulo nunca concluía suas cartas com algo casual. Ele concluía uma carta tendo em vista todo o seu conteúdo. Tudo o que havia escrito era resumido, por assim dizer, naquelas últimas palavras.

    A Graça Concedida aos Crentes de Corinto

    Os crentes de Corinto foram realmente abençoados pelo Senhor. Se vocês lerem Atos 18, verão que, quando Paulo chegou a Corinto, permaneceu ali um ano e meio. Muitos vieram ao Senhor. Houve oposição, é claro, mas o Senhor apareceu a ele e disse:

    Não temas, mas fala e não te cales:
    porque Eu sou contigo, e ninguém te atacará para te fazer mal:
    pois tenho muito povo nesta cidade.

    Os coríntios foram grandemente abençoados pelo ministério do apóstolo Paulo. Geralmente, Paulo visitava uma cidade por apenas algumas semanas e depois seguia adiante, mas permaneceu com esses crentes durante dezoito meses. Vocês podem imaginar como ele trabalhou entre eles dia e noite, e quantas lágrimas deve ter derramado por eles.

    A graça de Deus era abundante sobre esses crentes de Corinto. No início de 1 Coríntios, Paulo diz:

    Sempre dou graças ao meu Deus a vosso respeito, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus;
    porque em tudo fostes enriquecidos Nele, em toda palavra e em todo conhecimento;
    assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vós:
    de maneira que nenhum dom vos falta, aguardando a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo;
    o Qual também vos confirmará até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Que começo! Paulo disse:

    Sempre dou graças ao meu Deus a vosso respeito, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus.

    Esses crentes de Corinto receberam muita graça de Deus em Cristo Jesus. Pensem naqueles dezoito meses durante os quais o apóstolo Paulo esteve com eles, e em quanta graça deve ter sido derramada sobre eles por meio daquele vaso.

    Em tudo fostes enriquecidos Nele.

    Paulo deve ter compartilhado com eles muitas coisas a respeito do Senhor Jesus. Eles foram enriquecidos em toda palavra e em todo conhecimento.

    Algumas traduções dizem “em todo discurso” ou “em toda expressão”. Os coríntios eram pessoas eloquentes e inteligentes. Quando a Palavra de Deus lhes era anunciada, eles recebiam o que ouviam e eram capazes de falar sobre essas coisas.

    Mas a palavra conhecimento, ali, não se refere ao conhecimento adquirido pela experiência; é um conhecimento mental. Além da verdade inicial e fundamental do evangelho — de que haviam recebido Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, haviam se convertido e sido verdadeiramente salvos do poder das trevas e transportados para o reino do Filho amado de Deus —, muito do que receberam depois foi recebido apenas na mente.

    Eles entendiam com a mente e eram até capazes de falar sobre o que haviam entendido. Não ficavam atrás de ninguém em dons. Contudo, o que buscavam eram coisas exteriores e impressionantes. Eram crentes, mas ainda estavam centrados em si mesmos.

    Recebiam muito rapidamente, mas recebiam na mente, em vez de receber no espírito e no coração. Buscavam dons para poderem se exibir. Assim, encontramos aqui um povo que realmente pertencia ao Senhor, mas que era muito centrado em si mesmo. Eram crentes carnais, crianças em Cristo Jesus. Tinham muito na mente, mas muito pouco no coração.

    Carnalidade e Imaturidade Espiritual

    Eles tinham grande potencial. A graça de Deus estava à sua disposição, e a verdade de Deus lhes era pregada. Contudo, infelizmente, não cresceram como deveriam ter crescido.

    Paulo disse que, quando esteve com eles pela primeira vez, só pôde alimentá-los com leite. Mas, mesmo agora, depois de vários anos, ainda precisavam de alguém que lhes desse leite e não conseguiam receber alimento sólido. Por quê? Porque não haviam crescido como deveriam.

    É verdade que aguardavam a revelação, a manifestação, do nosso Senhor Jesus. Mas não entendiam realmente o que isso significava. Se o Senhor tivesse vindo no tempo deles, o que lhes teria acontecido? Ainda eram crianças em Cristo.

    No que diz respeito à graça de Deus, havia a possibilidade de crescerem até a maturidade e até mesmo de serem irrepreensíveis no dia do nosso Senhor Jesus Cristo. Esse dia significa simplesmente o momento em que o Senhor voltará para buscar o Seu próprio povo.

    Por que poderiam ser irrepreensíveis diante do Senhor Jesus Cristo? Porque Deus é fiel. Eles haviam sido chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Quando o evangelho é apresentado às pessoas, elas são chamadas à comunhão, à participação, à posse em comum daquilo que o Senhor Jesus é.

    É isso que Deus ofereceu ao Seu povo. Esse é o nosso chamado. Deus é fiel, e Ele é capaz de nos conduzir à plenitude que está em Cristo Jesus. Quando a graça de Deus veio sobre essas pessoas, havia tamanha provisão e tamanha possibilidade que elas poderiam crescer até a maturidade e até a plenitude que está em Cristo Jesus.

    As Manifestações da Carnalidade

    Mas, quando vocês leem 1 Coríntios, percebem que havia algo muito errado. Havia divisões entre eles. Alguns diziam:

    Eu sou de Paulo.

    Outros:

    Eu sou de Apolo.

    Outros:

    Eu sou de Cefas.

    E outros:

    Eu sou de Cristo.

    Quando diziam “Eu sou de Paulo”, o que isso significava? Significava que olhavam para Paulo, o homem, em vez de verem Paulo como um servo do Senhor. Seguiam Paulo, mas não seguiam o Cristo que Paulo lhes ensinava. Paravam em um nome, em vez de prosseguirem até Cristo.

    Até mesmo os que diziam “Eu sou de Cristo” discriminavam os outros: “Tudo o que vocês sabem é muito pouco. Nós sabemos muito mais do que vocês”. O que estava por trás disso? Era o ego. Eles estavam centrados em si mesmos, não em Cristo.

    Só conseguiam ver os homens; não conseguiam ver Cristo. Paravam nos homens e não passavam, por meio deles, até Cristo. Isso causava todas as divisões entre eles. Irmãos e irmãs, isso tem acontecido ao longo de toda a história e ainda acontece entre o povo de Deus hoje.

    Embora pertencessem ao Senhor, por não prosseguirem e por abusarem da graça de Deus, havia pecado entre eles. Em vez de se arrependerem, consideravam-se tolerantes e de mente aberta. Permitiam o pecado em seu meio sem julgá-lo.

    Chegavam até a processar uns aos outros nos tribunais dos gentios. Defraudavam uns aos outros, em vez de estarem dispostos a sofrer o dano. Amavam o mundo, as diversões e as festas, e iam aos templos pagãos para desfrutar dos banquetes.

    Raciocinavam assim: “Temos conhecimento. Sabemos que os ídolos não são nada. Portanto, tudo o que foi oferecido a algo que não é nada, nada significa para nós, e podemos desfrutar das coisas oferecidas aos ídolos”. A carne oferecida aos ídolos e vendida no mercado muitas vezes era a melhor e a mais barata. Como gostavam de comer e se divertir, usavam o conhecimento mental para justificar tudo. Não se importavam com os irmãos e irmãs fracos; importavam-se apenas consigo mesmos.

    Mesmo quando se reuniam para lembrar do Senhor à Sua mesa, estavam centrados em si mesmos. Na igreja primitiva, como nosso Senhor Jesus instituiu o partir do pão durante a ceia da Páscoa, os crentes faziam uma refeição juntos e, perto do final, celebravam a mesa do Senhor.

    Mas, na igreja de Corinto, os ricos traziam muita comida e bebida e se regalavam, enquanto os pobres não tinham nada para comer e esperavam pelo partir do pão. Alguns chegavam a ficar embriagados e, depois disso, partiam o pão juntos. Coisas assim aconteciam na igreja.

    Eles até duvidavam da ressurreição. Sua conduta era tal que pensavam:

    Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.

    Consideravam-se inteligentes.

    Pensem em todas essas coisas. Com toda a graça do Senhor Jesus à sua disposição, com o amor de Deus sendo derramado sobre eles e com a comunhão do Espírito Santo pronta para conduzi-los à maturidade, essas pessoas continuavam tão centradas em si mesmas. Abusavam da graça do Senhor Jesus, desprezavam o amor de Deus e recusavam a comunhão do Espírito Santo.

    A Questão Central do Amor

    Vocês acham que isso só poderia acontecer à igreja de Corinto? Acham que aconteceu apenas no primeiro século? Não vemos a mesma situação ao longo da história da igreja, e até mesmo em nosso tempo? Irmãos e irmãs, nós não estamos completamente livres disso.

    A razão fundamental é uma questão de amor. Quando o apóstolo Paulo disse:

    Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo,

    a palavra usada para amor é ágape — amor divino.

    Quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo derrama em nosso coração o amor de Deus. Antes, quando ainda não críamos no Senhor Jesus, tínhamos amor? Sim, tínhamos amor — mas era amor humano, emoção humana, algo herdado de nossos antepassados. Era um amor egoísta.

    Amamos a nós mesmos mais do que qualquer outra coisa. Amamos o mundo porque amamos a nós mesmos. De fato, temos esse tipo de amor.

    Mas, quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo derrama em nosso coração o amor de Deus. Deus coloca o Seu amor divino em nós, porque Deus é amor. Ele coloca a Sua vida divina em nós.

    Há um amor ágape, um amor divino, um amor altruísta, um amor sacrificial, um amor puro, que Deus colocou em nós. Com esse amor, devemos amar a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de toda a nossa força.

    Com esse amor, amamos Aquele que nos amou tanto, tanto que Se entregou por nós. Irmãos e irmãs, todos nós temos esse amor em nós. Contudo, infelizmente, os crentes de Corinto não permitiram que esse amor ágape se expressasse em suas vidas. Amavam demais a si mesmos.

    Continuaram em seu amor egoísta, e o resultado foi que não amavam o Senhor Jesus. Por quê? Porque amavam demais a si mesmos.

    Vocês acham que estamos completamente livres disso? Não há momentos em que o Espírito Santo nos mostra que amamos a nós mesmos mais do que ao nosso Senhor Jesus? Não há momentos em que o Espírito Santo nos mostra que amamos o mundo, de modo que o amor de Deus não está em nós?

    Como é importante derramarmos o nosso amor diante do Senhor. O que Deus requer de Seu povo é que permitamos que o Seu amor nos constranja, seja expresso por meio de nós e se torne o princípio de nossas vidas.

    Se permitirmos que esse amor brote dentro de nós, amaremos o Senhor Jesus Cristo mais do que qualquer outra coisa. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse que, se amarmos pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filhos ou até a nós mesmos mais do que a Ele, não podemos ser Seus discípulos.

    Vocês se lembram do que o Senhor Jesus disse a Pedro?

    Amas-Me mais do que estes?

    “Você realmente Me ama?” O que o Senhor realmente busca é amor, porque Ele é amor. Graças a Deus, Ele colocou esse amor em nós. Basta que permitamos que esse amor se expresse por meio de nós e que a cruz opere em nossas vidas para eliminar o ego.

    Advertência, Juízo e Esperança

    Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, essa pessoa pode crer no Senhor Jesus Cristo, mas não amá-Lo. Crê no Senhor Jesus ao receber tudo o que Ele pode fazer por ela, mas não O ama, porque não quer dar nada — nem entregar tudo o que tem e é — ao Senhor.

    Se essa é a condição do povo de Deus, o que podemos esperar?

    Anátema. Maranata.

    Amaldiçoado. O Senhor vem.

    Queridos irmãos e irmãs, graças a Deus somos salvos pela graça. Graças a Deus, Ele não Se arrepende de ter concedido o Seu dom da vida eterna. Graças a Deus, se vocês realmente O receberam como seu Salvador, estão eternamente seguros.

    Mas, irmãos e irmãs, isso não significa que não serão julgados no tribunal de Cristo. Se um campo recebeu muita chuva e, em vez de produzir vegetação útil, produz cardos e espinhos, o que acontecerá?

    Um dia o fogo virá, e todos os espinhos e cardos serão queimados. Graças a Deus, a terra não pode ser queimada, de modo que vocês continuam salvos; mas toda a sua vida depois de terem crido no Senhor Jesus pode ser queimada.

    Contudo, na conclusão de 1 Coríntios, depois de pronunciar aquela advertência, Paulo ainda disse:

    A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.

    Apesar de tudo o que havia acontecido, a graça do Senhor Jesus Cristo ainda estava ali. Ele ainda era capaz de restaurá-los, recuperá-los e conduzi-los à Sua plenitude.

    Paulo também disse:

    O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus.

    O amor de Paulo pelos coríntios ainda estava ali. O fato de eles não serem amáveis não levou Paulo a deixar de amá-los. Ele ainda os amava com o amor de Cristo e desejava que fossem plenamente restaurados.

    Portanto, há esperança. Se algum irmão ou irmã estiver nessa condição terrível e lamentável, em qualquer grupo do povo de Deus, ainda há esperança. A graça do Senhor Jesus ainda está com vocês, se tão somente se arrependerem e voltarem. O amor de Deus ainda está ali.

    A Restauração Refletida em 2 Coríntios

    Isso é 1 Coríntios, e foi assim que a primeira carta terminou. Agora, vamos passar para 2 Coríntios. Se vocês lerem 2 Coríntios, verão como é diferente.

    Depois de escrever sua primeira carta aos coríntios, Paulo aparentemente fez uma breve visita àquela igreja. Em 2 Coríntios, ele disse que, se fosse visitá-los novamente, seria a terceira vez. Em Atos, não encontramos o registro dessa segunda visita, mas sabemos que, depois de escrever 1 Coríntios, ele fez uma breve viagem até lá para ajudá-los pessoalmente.

    Infelizmente, ele não foi recebido. Muito provavelmente, em decorrência dessa experiência, escreveu-lhes outra carta — uma carta severa, escrita com muitas lágrimas — e enviou Tito para levá-la à igreja de Corinto.

    Paulo os amava tanto e estava tão preocupado com a situação deles. Embora tivesse sido rejeitado, ainda os amava. Alguns comentaristas pensam que essa carta severa se perdeu, enquanto outros pensam que talvez parte de 2 Coríntios, especialmente os capítulos 10 a 13, pertença àquela carta severa, porque o tom é muito diferente. Mas não vamos entrar nessa questão.

    Paulo escreveu com angústia e lágrimas e combinou de se encontrar com Tito em Trôade, porque queria saber o que havia acontecido depois da entrega da carta severa. Mas, quando chegou a Trôade, Tito não estava lá. Ele não sabia o que havia acontecido, e isso o perturbou profundamente.

    Embora uma porta para o evangelho estivesse amplamente aberta em Trôade, ele não tinha ânimo para trabalhar ali. Por isso, partiu e foi para a Macedônia. Foi na Macedônia que Tito finalmente chegou e lhe trouxe boas notícias.

    A carta severa havia sido recebida pelos crentes de Corinto. Eles haviam se arrependido com verdadeiro arrependimento, e seu coração havia se voltado para Paulo. Quando Paulo recebeu essas notícias de Tito, ficou tão feliz e alegre que escreveu o que chamamos de segunda carta aos coríntios.

    Nessa carta, Paulo pôde abrir todo o seu coração e se derramar diante deles. Vocês não conseguem se derramar diante de alguém que não os entende ou que os interpreta mal. Mas, quando encontram alguém que os entende, que se solidariza com vocês e que está inteiramente aberto a vocês, então podem se abrir e se derramar diante dessa pessoa.

    Paulo se derramou, expondo-se inteiramente. Contou-lhes o que o Senhor havia feito e as grandes coisas que o Senhor havia realizado em sua vida. Contou-lhes como seu ministério havia surgido e compartilhou com os crentes de Corinto tudo o que havia experimentado.

    Ele sabia que eles entenderiam e receberiam. Queria que participassem de tudo o que o Senhor lhe havia dado. Queria que tivessem tudo. Irmãos e irmãs, isso é amor.

    A Comunhão no Sofrimento e na Consolação

    Quando vocês leem o início da segunda carta aos coríntios, encontram estas palavras:

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
    o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação;
    que nos consola em toda a nossa tribulação,
    para que possamos consolar os que estiverem em qualquer tribulação,
    por meio da consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
    Porque, assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós,
    assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.
    Mas, se somos atribulados, é para a vossa consolação e salvação;
    ou, se somos consolados, é para a vossa consolação,
    a qual opera na perseverança em suportar os mesmos sofrimentos que nós também padecemos:
    e a nossa esperança a vosso respeito é firme;
    sabendo que, assim como sois participantes dos sofrimentos,
    assim também o sois da consolação.

    Irmãos e irmãs, que diferença! Paulo disse: “Passamos por muito sofrimento, mas, por meio desses sofrimentos, viemos a conhecer o Deus de compaixão, o Pai de compaixão, o Deus de encorajamento. Nós O conhecemos”.

    E vocês também estão passando por tribulação e sofrimento. Juntos, compartilhamos a compaixão de Deus Pai e o encorajamento de Deus. Paulo tinha plena confiança em relação aos crentes de Corinto, porque eles já haviam demonstrado sinais de restauração. Haviam se arrependido.

    Começaram a entender por que Paulo não os havia visitado como prometera. Ele havia dito que os visitaria duas vezes — indo até eles, partindo e voltando novamente —, mas não fez isso por causa da condição deles e por causa de seu amor por eles. Estava esperando que se arrependessem.

    Então Paulo pôde lhes contar tudo o que a graça do Senhor Jesus havia feito por ele. Falou-lhes de um homem em Cristo que foi arrebatado ao terceiro céu, e de um homem em Cristo que foi arrebatado ao paraíso.

    Falou-lhes de um homem com um espinho na carne e da palavra do Senhor:

    A Minha graça te basta:
    porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.

    Paulo pôde lhes contar tudo o que havia conhecido de Deus, do Senhor Jesus e do Espírito Santo. Compartilhou tudo com os crentes de Corinto, sabendo que eles eram capazes de participar de tudo o que Deus lhe havia dado.

    A Bênção como Realidade Viva

    Na conclusão daquela carta, em 2 Coríntios 13:11, Paulo diz:

    Quanto ao mais, irmãos, adeus.
    Sede aperfeiçoados; sede consolados; sede de um mesmo parecer; vivei em paz:
    e o Deus de amor e de paz será convosco.

    Aqui vocês veem que havia motivo para se alegrar. “Sede aperfeiçoados” — isto é, sejam maduros, cresçam. “Sejam encorajados. Tenham um só pensamento.” A maioria havia se arrependido, embora ainda houvesse alguns que não o tinham feito. Mesmo assim, Paulo os encorajou a terem um só pensamento e a viverem em paz.

    A graça do Senhor Jesus Cristo,
    e o amor de Deus,
    e a comunhão do Espírito Santo,
    sejam com todos vós.

    Irmãos e irmãs, essa bênção não consiste em palavras vazias. Ela é real. É viva. É tanto a causa quanto o efeito de toda essa situação.

    Como precisamos dessa bênção. Não são apenas certas palavras pronunciadas sobre uma congregação. É algo que precisamos levar ao coração.

    A Bênção Aarônica em Números

    Os irmãos disseram que posso passar um pouco do tempo. Agora, quando leio isso, lembro-me de algo no Antigo Testamento. Por favor, abram em Números 6.

    O livro de Números começa com a contagem do povo de Deus ao pé do monte Sinai. Deus os tirou do Egito, levou-os ao Sinai e fez uma aliança com eles. Deus os contou; em certo sentido, Deus os organizou.

    Eles acampavam ao redor do tabernáculo. O tabernáculo era o centro do acampamento, e havia três tribos de cada lado. Estavam centrados no tabernáculo. Em outras palavras, eram um povo centrado em Deus — um povo cujo centro era Deus.

    Os levitas também foram contados. Deus não era apenas o centro de sua nação e de sua organização; Ele era Aquele a Quem serviam. Serviam a Deus por meio dos levitas.

    O propósito original de Deus para esse povo era que fossem uma nação de sacerdotes. Todos deveriam viver para Deus e servir a Deus. Mas, por causa do que aconteceu em Êxodo, quando adoraram o bezerro de ouro enquanto Moisés recebia os Dez Mandamentos no monte Sinai, foram desqualificados, e somente a tribo de Levi foi escolhida como substituta.

    Contudo, apesar disso, Deus ainda abriu uma porta para qualquer pessoa que desejasse se dedicar ao serviço do Senhor. Não apenas os levitas, mas também pessoas de outras tribos poderiam servi-Lo. Qualquer pessoa que desejasse servir poderia fazer o voto de nazireu.

    Não importava de qual tribo a pessoa fosse, homem ou mulher; qualquer um que amasse a Deus e quisesse servi-Lo poderia fazer isso. Durante o período do voto de nazireu, a pessoa vivia para Deus e servia a Deus.

    Então, em Números 6:22, lemos:

    E o Senhor falou a Moisés, dizendo:
    Fala a Arão e a seus filhos, dizendo:
    Assim abençoareis os filhos de Israel; dir-lhes-eis:

    O Senhor te abençoe e te guarde:
    O Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti:
    O Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz.
    Assim porão o Meu nome sobre os filhos de Israel; e Eu os abençoarei.

    Irmãos e irmãs, essa bênção sobre os filhos de Israel é, em princípio, a mesma que encontramos em 2 Coríntios 13:14.

    O Cumprimento da Bênção em Cristo

    No tempo do Antigo Testamento, como Cristo ainda não havia vindo à terra, a bênção começa com:

    O Senhor te abençoe e te guarde.

    Isso se refere ao amor de Deus.

    Foi o amor de Deus que tirou os filhos de Israel do Egito. Foi o Senhor Deus que lhes prometeu a terra prometida — não por causa deles mesmos, mas por causa do amor de Deus. Foi o amor de Deus que os guardou no deserto e os conduziu à terra que mana leite e mel.

    O Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti.

    Essa é a graça do Senhor Jesus Cristo.

    No tempo do Antigo Testamento, vocês se lembram de que Moisés fez uma oração. Moisés havia encontrado favor diante de Deus e orou:

    Senhor, mostra-me a Tua glória.

    O Senhor disse:

    Nenhum homem pode ver a Minha face e viver.

    “Mas permitirei que você Me veja pelas costas.” Em Êxodo 33 e Êxodo 34, o Senhor passou, e Sua mão cobriu Moisés. Depois que Ele passou, Moisés ouviu a voz:

    O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e gracioso,
    tardio em irar-Se e abundante em bondade e verdade.

    No tempo do Antigo Testamento, o Senhor fazia resplandecer o Seu rosto sobre eles, mas eles não podiam realmente ver o Seu rosto. Só podiam ouvir o Seu nome e vê-Lo pelas costas.

    Mas, graças a Deus, agora vemos o rosto que revela a glória de Deus. Vemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Vemos o rosto de Deus e como Ele é gracioso para conosco.

    Finalmente:

    O Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz.

    Por meio do Espírito Santo, por meio da comunhão do Espírito Santo, recebemos o amor de Deus e a graça do Senhor Jesus, e há paz com Deus e paz uns com os outros.

    Portanto, que o nome do Senhor esteja sobre vocês. Que o Senhor os abençoe. Vamos orar?

    Querido Pai celestial, nossa oração é que essa bênção se torne significativa para nós, viva para nós e real para nós. Queremos Te conhecer — o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Queremos experimentar o Teu amor, a Tua graça e a Tua comunhão.

    Senhor, abençoa-nos. Oramos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.