Sob a influência dos pietistas, como August Hermann Francke, o conde Zinzendorf foi um instrumento na revitalização da Igreja Morávia.
Um pouco de história: Zinzendorf foi criado em um ambiente pietista. Quando era menino, tinha um amor tão grande por Deus! Costumava sentar-se à janela de seu castelo, escrever pequenas cartas de amor ao Senhor e depois jogá-las pela janela.
Depois de concluir os estudos na escola, como nobre, ele deveria completar sua formação viajando pela Europa. Assim, viajou pela Europa.
Naquela época, os jovens, quando chegavam a Paris, perdiam a cabeça. Mas o conde Zinzendorf não se interessava por nada daquilo.
Ele visitou um museu em Düsseldorf. Ali viu um quadro: a cabeça de Cristo com uma coroa de espinhos e, abaixo, a inscrição:
Tudo isto faço por ti.
Que tens feito por Mim?
Há uma história por trás desse quadro; não posso entrar em detalhes. Zinzendorf ficou diante dele, paralisado. Perdeu a noção do tempo, até que o responsável veio e disse: “O senhor precisa sair. Vamos fechar o museu”.
Ele voltou ao hotel e entregou-se completamente ao Senhor.
Naquele tempo, muitos que realmente desejavam voltar às Escrituras e à simplicidade de Cristo eram perseguidos por toda a Europa — perseguidos pela Igreja Católica Romana, perseguidos pelas igrejas protestantes, com o apoio de todos esses poderes políticos e nações. Fugiam de um lugar para outro, sem encontrar para onde ir. Refugiados, peregrinos, sofriam muito.
Então Zinzendorf abriu sua propriedade e acolheu esses refugiados, oferecendo-lhes abrigo e um lugar para morar.
Essas pessoas vinham de várias partes da Europa, de diferentes origens. Todas amavam intensamente o Senhor, mas não conseguiam conviver umas com as outras. Cada uma se apegava à sua verdade ou ênfase particular; morreriam por ela. Por isso, havia conflitos.
Zinzendorf sentiu que o Senhor lhe havia dado o encargo de ajudar essas pessoas. Voltou à sua propriedade e procurou ajudá-las, buscando uni-las.
Para resumir a história, em 13 de maio de 1727, pela primeira vez, todas essas pessoas de diferentes origens se reuniram para partir o pão como um só povo.
Enquanto partiam o pão, participando de um só pão e de um só cálice, uma unção percorreu cada pessoa. Com alegria e amor inexprimíveis, foram batizados em um só Espírito à mesa do Senhor.
Confessaram suas faltas uns aos outros, abraçaram-se e se tornaram um.
Por mais de cem anos, os membros da Igreja Morávia se dedicaram à intercessão incessante. Mantinham uma vigília de oração contínua, vinte e quatro horas por dia.
Alguns oravam, por exemplo, das nove às dez; depois, outros vinham das dez às onze, ao longo do dia e da noite. Essa oração contínua prosseguiu por mais de cem anos.
A partir de 1732, começaram a enviar pessoas aos lugares onde o evangelho não era pregado, aos lugares mais difíceis. Alguns até se venderam como escravos para trabalhar entre os escravos e pregar-lhes o evangelho.
Um em cada quatro era missionário. Enviaram mais missionários do que todas as outras igrejas juntas.
Vale a pena observar alguns pontos de sua estratégia missionária.
Creio que essas estratégias precisam ser seguidas.
Havia essa obra na Europa continental, mas, na Inglaterra do século XVIII, assim como neste país, encontramos a característica predominante daquele século: o avivamento evangélico.
Mencionaremos apenas um: o surgimento do metodismo por meio de John Wesley, Charles Wesley e George Whitefield.
Vocês sabem, John e Charles Wesley foram criados em uma família muito piedosa. Atravessaram o mar e vieram para este país, para a Geórgia, procurando converter os pagãos. No entanto, depois de alguns anos, voltaram.
Wesley disse: “Fomos converter os pagãos, mas nós mesmos não éramos convertidos”.
Mas, graças a Deus, em uma pequena reunião dos irmãos morávios, enquanto se lia o prefácio da exposição de Martinho Lutero sobre o livro de Romanos, o coração de John Wesley foi estranhamente aquecido.
Agora, vocês precisam lembrar que, naquela época, as pessoas precisavam de uma licença para pregar. Quem não tivesse licença seria preso. Assim, encontramos os irmãos morávios, naquela reunião ilegal, lendo o prefácio escrito por Martinho Lutero ao livro de Romanos.
Quando John Wesley foi até lá e ouviu aquele prefácio, sentiu um calor começar a crescer em sua alma. De repente, percebeu que estava salvo. Ele realmente cria; estava salvo. Esse foi o começo.
Por meio da pregação de John Wesley, da pregação de Charles Wesley e, é claro, da pregação de George Whitefield, a obra começou a se espalhar tanto pela Inglaterra quanto pela América.
Por meio da pregação de John Wesley e de outros, surgiu uma compreensão mais clara da salvação. Em sua pregação, a consciência do pecado tornou-se mais evidente. Em outras palavras, as pessoas eram convencidas de seus pecados.
Ao mesmo tempo, eles apresentavam às pessoas uma esperança melhor: não apenas que seus pecados podiam ser perdoados, mas que elas podiam viver uma vida santa.
Deus nos chamou para viver uma vida santa, e Deus providenciou os meios para isso. Portanto, em outras palavras, por meio de John Wesley, a santificação pela fé foi restaurada.
Não apenas a justificação pela fé — somos santificados pela fé. John Wesley falava da vida perfeita. Essa foi uma restauração extraordinária.
Por causa desta reunião, recebi autorização dos responsáveis para falar além do horário. Mas, se alguém precisar sair, fique à vontade.
Agora chegamos ao século XIX. Ainda temos mais dois séculos pela frente.
Quando chegamos ao século XIX, parece que Deus está com pressa em Sua obra de restauração.
No início do século XIX, temos o que hoje chamamos de movimento dos Irmãos.
Quando esse movimento começou, as pessoas que se reuniam chamavam a si mesmas simplesmente de irmãos. Deixaram de lado todos os outros títulos — reverendo, ou qualquer outro — e passaram a chamar umas às outras simplesmente de irmão.
Tudo começou em 1828, em Dublin, na Irlanda, com alguns irmãos. O Senhor abriu os olhos deles para que vissem que não deveriam pertencer a nenhuma denominação, porque eram um com todos os crentes.
Por exemplo, o Dr. Cronin mudou-se para Dublin por razões de saúde. Ele amava o Senhor e enxergava a unidade do povo de Deus. Assim, quando chegou a Dublin, começou a visitar diferentes igrejas.
Frequentava diferentes igrejas para ter comunhão com elas e estava muito contente. Mas, depois de frequentá-las por algum tempo, pediram-lhe que se tornasse membro da igreja.
“Bem”, disse ele, “não posso me unir a vocês como membro”.
Por quê? Porque ele era membro do Corpo de Cristo.
“Bem, se você não se tornar membro, não será bem-vindo.” Então ele foi a outra igreja, e a mesma coisa aconteceu. Por fim, não tinha para onde ir.
Às vezes, no dia do Senhor, sentava-se debaixo de uma árvore, lia a Palavra e orava. Não tinha para onde ir. Queria ter comunhão com todos os irmãos e irmãs, mas essa comunhão lhe era negada.
Finalmente, Deus levantou algumas pessoas com o mesmo espírito. Então elas se reuniram, e tudo começou com o partir do pão em simplicidade.
É muito interessante observar que, na obra de restauração, muitas vezes tudo começa com o partir do pão. Por quê? Porque isso nos traz de volta ao próprio Senhor e ao Corpo.
Ao mesmo tempo, Deus começou a levantar muitos outros. Portanto, era claramente um mover do Senhor.
Entre eles havia pessoas com grandes dons espirituais, grandes mestres. Muitas verdades que conhecemos hoje foram, de fato, redescobertas por esses irmãos.
Eles viram a vocação celestial da igreja. Viram a unidade da igreja. Viram o sacerdócio universal dos crentes.
Foi por meio deles que a segunda vinda de nosso Senhor foi redescoberta.
Havia algumas ênfases centrais entre eles: a vocação distinta e celestial da igreja e a consequente necessidade de separação do mal.
Eles se reuniam com simplicidade e, em certo sentido, recuperaram aquela simplicidade e alegria que a igreja primitiva experimentava: um retorno à Palavra de Deus — não ao que Roma diz, não ao que os pais da igreja dizem, mas: “O que diz o Espírito Santo por meio dos apóstolos e dos profetas?”.
O primeiro texto publicado pelo chamado movimento dos Irmãos foi escrito em 1828 por John Nelson Darby: Sobre a Natureza e a Unidade da Igreja de Cristo.
Em vinte anos, esse movimento se espalhou amplamente.
Mas, infelizmente, seu ponto mais forte tornou-se a causa de sua queda. Em 1848, começaram a surgir divisões entre eles, e essas divisões continuam até hoje.
De qualquer maneira, vemos que, por meio desses irmãos, muita coisa foi restaurada: verdades proféticas, a verdade acerca da igreja e o sacerdócio universal dos crentes. Todas essas coisas foram redescobertas por esse movimento dos Irmãos.
Na segunda metade do século XIX, a Convenção de Keswick foi levantada por Deus para promover a santidade prática, o ensino da vida superior e a vida vitoriosa.
Muitos dos mais preciosos servos de Deus estiveram envolvidos nessa obra: Robert Pearsall Smith e sua esposa, Hannah Whitall Smith, que escreveu O Segredo de uma Vida Cristã Feliz; Evan Hopkins; F. B. Meyer; Robert Wilson; H. C. G. Moule; Andrew Murray; e outros.
Eles ensinavam a santidade prática, a vida cristã superior e a vida vitoriosa. Em outras palavras, acrescentaram algo ao que Wesley ensinava.
Wesley ensinava a santificação pela fé, e esses pregadores de Keswick nos disseram que isso é verdade: a santificação é pela fé, mas é necessária a consagração. Assim, acrescentaram a consagração à santificação pela fé.
Por meio de Andrew Murray, chegamos a uma compreensão mais clara do Espírito Santo que habita em nós. Por meio de Jessie Penn-Lewis, passamos a compreender a obra da cruz.
Além dessas pessoas, temos também outras, como G. H. Pember, Robert Govett e D. M. Panton, por meio de quem a verdade do reino foi restaurada.
Vocês sabem, as pessoas falam de salvação e, por salvação, entendem que hoje seus pecados são perdoados e que, por causa disso, quando morrerem, irão para o céu. É só isso.
As pessoas não sabem que, entre esta era e a eternidade, há a era vindoura. Não sabem que há uma era do reino, e essa verdade foi redescoberta por essas pessoas.
Portanto, muita coisa foi restaurada durante o século XIX.
Agora chegamos ao século XX. No início do século XX, temos o avivamento galês de 1904 e 1905.
O instrumento usado por Deus foi um jovem, Evan Roberts — mais uma vez, um estudante universitário, um mineiro. Ele trabalhava em uma mina.
Durante onze anos, havia orado por avivamento. Durante treze anos, havia orado pela plenitude do Espírito.
Em uma reunião de cerca de vinte jovens, enquanto oravam juntos, ele disse:
Caí de joelhos, com os braços sobre o assento à minha frente, e as lágrimas corriam livremente. Clamei: “Quebranta-me! Quebranta-me! Quebranta-me!”. O que era aquilo? Deus demonstrando Seu amor, e eu sem ver nada nele que merecesse apreço. O Espírito Santo havia vindo e derretido todo o meu ser por meio de uma revelação do amor de Deus no Calvário.
Então uma poderosa obra do Espírito de Deus tomou conta de tudo rapidamente. Vidas foram transformadas. Houve um poderoso derramamento do Espírito Santo.
Muitas lições foram aprendidas. Um dos resultados foi o livro Guerra contra os Santos. Foi escrito pela Sra. Jessie Penn-Lewis com Evan Roberts — as experiências de Evan Roberts e a compreensão da verdade que Jessie Penn-Lewis tinha.
Durante o derramamento do Espírito Santo, muitas coisas aconteceram, boas e ruins. Assim, no livro Guerra contra os Santos, eles trataram da guerra espiritual e dessas questões.
Mais ou menos na mesma época, neste país, temos o início do movimento pentecostal. Não entrarei em detalhes, porque isso faz parte da história deste país. Devemos conhecê-la.
Houve uma manifestação dos dons do Espírito Santo. Depois, nos anos sessenta, tivemos um movimento carismático. Tudo isso tem relação com o derramamento do Espírito Santo.
Por isso, costumo dizer que um toque disso é muito saudável.
Mais uma vez, vemos que muita coisa foi restaurada no início do século XX. Por outro lado, nos anos vinte, Deus levantou um vaso muito especial, o irmão T. Austin-Sparks, a quem Deus concedeu muita luz.
Em 1926, ele escreveu sobre a ressurreição. Nosso irmão Watchman Nee disse: “O mundo não sabia o que era a ressurreição. Falava-se de ressurreição, mas o mundo nunca soube o que ela realmente era. Somente quando o irmão Sparks escreveu e falou sobre a ressurreição é que se passou a compreender sua essência”.
Por volta dos anos trinta, o irmão Sparks começou a falar sobre o Corpo, o Corpo de Cristo. Nosso irmão foi grandemente usado por Deus para compartilhar com o povo de Deus acerca do propósito eterno de Deus.
Lembro-me de uma história que me contaram. Nosso irmão mencionou Lady Paget na outra noite. Lady Paget era uma senhora muito rica. Vivia completamente sozinha. Amava o Senhor. Morava em seu palácio de mármore na Itália, mas todos os anos voltava à Inglaterra para participar da Convenção de Keswick.
Ela era amiga de Jessie Penn-Lewis. Em um desses anos, voltou e me disse que sentia que a vida não tinha sentido.
Certo ano, voltou à Inglaterra e foi à Conferência de Swanwick, dirigida pela Sra. Penn-Lewis. Disse que ouviu um jovem falar. O jovem falou sobre o propósito eterno de Deus.
Isso transformou sua maneira de pensar. Ela começou a ver que a vida tem sentido.
Irmãos e irmãs, como é importante enxergarmos o propósito eterno de Deus! Se vocês não o enxergarem, a vida não terá sentido, e vocês viverão desperdiçando seu tempo.
Que o Senhor realmente abra nossos olhos para vermos, nestes dias, o propósito eterno de Deus. Ele é prático. É transformador.
O irmão Sparks nos mostrou a natureza espiritual da igreja e a supremacia de Cristo.
Quase na mesma época, um pouco depois, na China, Deus tomou para Si outro jovem: Watchman Nee.
Nosso irmão mencionou Margaret E. Barber — como ela parecia desperdiçar sua vida naquela pequena aldeia nos arredores de Foochow. Mas foi por meio dela e de seus cooperadores que se percebeu que, para o Senhor realmente ter um testemunho na China, Ele precisava tomar para Si um grupo de jovens.
Eles oraram e, em resposta às suas orações, houve um avivamento no Trinity College, em Foochow. Muitos estudantes universitários foram salvos. Todos os melhores alunos de cada turma foram salvos; todos os piores alunos de cada turma foram salvos.
Deus tomou para Si vários jovens e os fez arder por Ele. Ao nosso querido irmão Watchman Nee, Ele concedeu uma compreensão espiritual especial.
Em certo sentido, o que Deus revelou ao nosso querido irmão reforçou o que Deus havia dado ao irmão Sparks — talvez de uma maneira um pouco diferente.
A ênfase de nosso querido irmão Sparks estava nos princípios espirituais da igreja universal. Precisamos enxergar isso. O irmão Watchman Nee nos mostrou a prática da igreja.
De qualquer maneira, vemos que, por meio desses irmãos, Deus nos restaurou a supremacia de Cristo e a unidade do Corpo de Cristo: o que a igreja realmente é, seus princípios espirituais e como ela deve viver como testemunho do Senhor na terra.
Há ainda outras verdades a serem restauradas? Há ainda outras experiências a serem recuperadas? Deus sabe.
Mas, em nosso tempo, a obra de restauração de Deus parece estar chegando quase ao fim.
Agora, irmãos e irmãs, a razão de percorrermos essa história não é simplesmente o desejo de conhecer a história. É porque, por meio dela, vemos a mão de Deus.
Vemos que Ele não Se esqueceu de Seu propósito. Vemos que Ele está trabalhando continuamente em direção ao Seu propósito. Vemos que Ele não falhou.
Vemos que, muito em breve, Ele obterá aquilo que propôs antes mesmo da fundação do mundo: que todas as coisas sejam reunidas em Cristo, e que os principados e as potestades conheçam a sabedoria de Deus por meio da igreja.
Vamos orar?
Querido Senhor, de fato vemos Tua mão operando ao longo da história para trazer à existência aquilo que desejas. Ó Senhor, como Te louvamos e Te agradecemos pela rica herança que temos!
Oramos para que possamos avançar em nosso espírito, dentro da própria vontade restauradora de Deus. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.