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    Miller, Ed

    Cristo como a Revelação Central de Deus

    Bem, boa noite mais uma vez. Foi bom ter comunhão com alguns de vocês ao longo do dia, e espero que tenham podido descansar e se revigorar na companhia uns dos outros. Irmãos, é uma oportunidade maravilhosa podermos nos reunir assim. Maravilhosa, maravilhosa.

    Vou pedir que abram, por favor, em João 14.

    Ao nos aproximarmos juntos do estudo da Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico absolutamente indispensável — um princípio que não podemos simplesmente dar por garantido, sem o qual não podemos viver. Se nos guiarmos pelo que é útil, Deus deixará de usar aquilo que é útil em nossa vida. Só há uma coisa indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.

    Vamos nos inclinar mais uma vez, enquanto nos preparamos para examinar Sua Palavra.

    Nosso Pai, nós Te agradecemos mais uma vez, de todo o coração, pelo Espírito Santo, que vive em nosso coração para produzir em nós essa atitude de criança, para voltar nossos olhos ao Senhor Jesus, para tomar esta Palavra escrita e nos mostrar Cristo.

    Nós Te pedimos nesta noite, Senhor, mais uma vez, essa descoberta libertadora de nosso Salvador — uma nova visão dEle. Senhor, não queremos sondar as trevas; desejamos andar na luz. E Te pedimos, por Tua graça, já que prometes semear luz para os justos, que a semeies entre nós nesta noite.

    Tu conheces nossas necessidades, nossas capacidades e nossa fome. Sabes onde estamos. E Te pedimos que, por Tua graça, nos encontres onde estamos e nos conduzas ao lugar em que desejas que estejamos. Transforma-nos por meio de uma visão dEle.

    Pedimos mais uma vez que, por Tua graça, nos protejas de tudo o que não vem de Ti. E oramos no nome incomparável e vitorioso sobre tudo de nosso Senhor Jesus. Amém.

    Revisão de João 13–17

    Muito brevemente, a título de revisão, estamos examinando estes cinco capítulos maravilhosos, de João 13 a João 17, todos eles com palavras ditas e experiências vividas por nosso Senhor Jesus em Seu último dia antes de realizar nossa salvação na cruz do Calvário.

    Era quase como se, nessa última ocasião, Ele dissesse: “Antes de ir e concluir a obra, quero que vocês olhem mais uma vez para o coração de Deus. A razão pela qual vim — vim para revelar o Pai. Vim para mostrar Deus a vocês. Quero que vejam estas coisas preciosas”.

    Bem, temos dividido esses capítulos. É claro que, dependendo de como você os considera, pode dividi-los em muitos princípios ou em poucos. E começamos a examinar quatro revelações preciosas para as quais Jesus chama a atenção aqui.

    Deus como Servo

    A primeira é ilustrada em João 13:1-17 pelo lava-pés. A verdade é que Deus é o Servo, que Ele veste o avental de escravo, que Ele nos serve. Ele lava nossos pés; Ele nos renova para que possamos servir aos outros.

    Que princípio maravilhoso. Não somos salvos para servir; somos salvos para ser servidos por Ele, a fim de que possamos servir aos outros.

    Deus como Aquele que Está a Nosso Favor

    Nesta manhã, examinamos outro princípio, ilustrado pela maneira como o Senhor tratou dois de Seus discípulos: Judas e Pedro. A grande verdade que estávamos discutindo é que Deus está a nosso favor, que Deus está do nosso lado.

    Isso é ilustrado quando Ele abriu Seu coração a Judas. Nunca é um caso sem esperança. Ele está sempre estendendo a mão, desejando, ansiando e entrando em nossa vida, e continua a nos buscar até o fim.

    Depois, isso é ilustrado em Sua conversa com Pedro. Pedro, é claro, estava tentando evitar o processo. “Já estou pronto.” Jesus disse: “Mais tarde você Me seguirá”. E ele disse: “Não, já estou pronto”.

    Vocês se lembram do que o Senhor Jesus disse: “Pedro, você precisa do processo. Vou provar isso. Você não vai passar desta noite. Não vai conseguir chegar até amanhã. Precisa do processo. Você vai Me negar, mas não se perturbe o seu coração. Já vi o pior em você, e não estou perturbado. Não se perturbe o seu coração”.

    Cristo como a Revelação Central de Deus

    Muito bem, isso nos leva ao nosso novo conteúdo: um terceiro princípio que, creio eu, estava muito presente no coração do Senhor Jesus. Esse princípio é ilustrado nesta conversa com Filipe.

    Vamos ler o texto. Gostaria de ler João 14:5-14.

    Disse-Lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como sabemos o caminho?
    Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim.
    Se vós Me tivésseis conhecido, também teríeis conhecido Meu Pai; desde agora O conheceis e O tendes visto.
    Disse-Lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.
    Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não Me tens conhecido, Filipe? Quem Me vê a Mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
    Não crês tu que Eu estou no Pai, e que o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo não as digo de Mim mesmo; mas o Pai, que permanece em Mim, faz as Suas obras.
    Crede-Me que estou no Pai, e o Pai em Mim; crede-Me, ao menos, por causa das mesmas obras.
    Na verdade, na verdade vos digo: aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço, e as fará maiores do que estas; porque Eu vou para o Pai.
    E tudo quanto pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
    Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei.

    Vamos parar por aqui. Gosto muito desta tradução. Não gosto das edições com as palavras de Jesus em vermelho; não consigo enxergar bem. Essa é uma das minhas grandes queixas contra as letras vermelhas — tudo se mistura. Enfim, com a graça do Senhor, gostaria de compartilhar este próximo princípio.

    O Pedido de Filipe por uma Revelação de Deus

    Neste texto, Filipe pede ao Senhor Jesus uma revelação de Deus — do Pai. Agora, para tirarmos pleno proveito de João 14, creio realmente que seria útil acompanhar o que Filipe já havia visto do Senhor até aquele momento, até onde o relato nos permite saber. Em outras palavras, o que ele já sabia antes de pedir essa revelação?

    Neste ponto, gostaria de pedir a paciência de vocês. Preciso fazer um pouco do trabalho pesado com vocês. Gostaria de voltar e consultar algumas passagens das Escrituras, e peço que acompanhem, porque o Espírito Santo, deliberadamente, de maneira seletiva e proposital, colocou Filipe em destaque.

    Ele nos mostra três acontecimentos na vida de Filipe em que ele recebeu uma revelação do Senhor. Se quisermos tirar pleno proveito de João 14, ajuda perceber em que ponto ele estava. O que ele já havia visto?

    Três vezes o foco recai sobre Filipe, e, em cada uma delas, seus olhos se abrem cada vez mais, mais e mais, maravilhados, ao contemplar o Senhor.

    As Revelações Anteriores de Cristo a Filipe

    Cristo como o Tema das Escrituras

    João 1:43 em diante. Foi aqui que tudo começou.

    No dia seguinte, quis Ele ir à Galileia, e achou Filipe; e disse-lhe Jesus: Segue-Me.
    Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.
    Filipe achou Natanael e disse-lhe: Havemos achado Aquele de Quem Moisés escreveu na lei, e de Quem escreveram os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

    Vamos parar a leitura bem aí. Pelo contexto, ao que parece, Filipe era um daqueles sujeitos tímidos, solitários. Estava sozinho — do tipo que fica meio na sombra. Conversa com você sem problema, se você se aproximar e puxar assunto.

    Filipe parecia ser esse tipo de pessoa, e o Senhor foi procurá-lo. O Senhor Se aproximou dele e o chamou. Naquele momento, segundo este relato, os olhos de Filipe se abriram. Tenho certeza de que foi o Espírito Santo que lhe mostrou aquilo.

    Ele corre direto para Natanael e, em João 1:45, diz:

    Havemos achado Aquele de Quem Moisés escreveu na lei, e de Quem escreveram os profetas.

    Qual foi a revelação que ele recebeu? O que ficou claro para Filipe? Creio que, pela primeira vez — lembrem-se, eles não tinham o Novo Testamento. Tudo o que tinham era aquilo que ele mencionou —, ele disse: “Eu O encontrei”.

    Quem é o tema da Bíblia? “Encontrei Aquele sobre Quem Moisés escreveu. Encontrei Aquele sobre Quem Jeremias escreveu. Encontrei Aquele sobre Quem Isaías escreveu. Vejo que Cristo é o tema deste Livro.”

    Chegar a isso é algo tremendo. Foi assim que ele começou. Não é uma ótima maneira de começar? Simplesmente crer que todo este Livro existe para mostrar Cristo a você. Então, ele teve essa primeira revelação.

    Cristo como Provedor

    Agora, esperem um momento e vejam a próxima revelação. Está em João 6, no relato da alimentação dos cinco mil.

    Às vezes, lemos essas coisas meio assim, “lá, lá, lá”, e passamos por cima de alguns detalhes. Muitas vezes, os detalhes são a chave para compreender o todo.

    Todos os discípulos estão ali em volta. Filipe não está sozinho; está com todos os discípulos. Mesmo assim, o Senhor Se aproxima de Filipe. Nessa ocasião, evidentemente, Ele viu algo no coração de Filipe que precisava ser despertado.

    O Senhor Jesus começou a sondar e alcançar o íntimo de Filipe. Em João 6:6, está escrito:

    Mas dizia isto para o provar; porque Ele bem sabia o que havia de fazer.

    O que Ele disse? João 6:5:

    Então Jesus, levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ter com Ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?

    Por que Ele escolheu Filipe? Por que não Pedro, ou Tiago, ou João? Mas Ele Se aproxima de Filipe e diz: “Onde vamos comprar pão?”. Então João nos deixa ver os bastidores: “Dizia isto para o provar”.

    Ele está trabalhando com Filipe. Está ministrando a Filipe. Agora Filipe está perplexo. “Onde vamos comprar?” Ele olha para a multidão — cinco mil pessoas. Pega sua calculadora e começa a contar o dinheiro e as pessoas.

    Ele diz: “Senhor, duzentos denários de pão não são suficientes para que cada um receba um pouco”. Não pensem que ele olhou dentro da bolsa de dinheiro e disse: “Bem, temos duzentos denários; isso não basta”. Duzentos denários eram mais de meio ano de salário. Eles não tinham isso na bolsa.

    O que ele estava dizendo era: “Senhor, olha para esse grupo. Meio ano de salário não basta para alimentá-los, e Tu estás me perguntando de onde vamos tirar o dinheiro”.

    O Senhor Jesus, diante de Filipe, realizou aquele milagre maravilhoso. Não vamos entrar nos detalhes. Os olhos de Filipe se abriram mais uma vez.

    Ele viu Alguém que era um provedor, um Provedor maravilhoso, Alguém que era uma fonte e um reservatório. Filipe começou a conhecer Cristo. Viu não apenas que Cristo era o tema das antigas Escrituras, mas também que Cristo era a fonte de tudo.

    Cristo era o Provedor. Quando você não tem nada, nada lhe falta. Ele é o Provedor. Então Filipe começa a enxergar o Senhor: Ele é o tema deste Livro; Ele é o Provedor, a fonte de tudo.

    Cristo como a Esperança de Toda a Humanidade

    João 12 contém a terceira referência a Filipe. João 12:20.

    Deixem-me apresentar um pouco do contexto. Até onde este relato nos permite saber, esse foi o último ato do Senhor Jesus em Seu ministério público. Depois disso, Ele Se voltou para os Seus. Essa foi a última coisa que fez.

    Agora, vamos ler juntos — João 12:20 em diante:

    Ora, havia alguns gregos entre os que tinham subido a adorar na festa.
    Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver Jesus.
    Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe o disseram a Jesus.
    E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.
    Na verdade, na verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
    Quem ama a sua vida perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida guardá-la-á para a vida eterna.
    Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estiver, ali estará também o Meu servo. E, se alguém Me servir, Meu Pai o honrará.

    Pulem, por favor, para João 12:31-32:

    Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.
    E Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a Mim.

    Como eu disse, até onde o relato nos permite saber, essa é a transição de Seu ministério ao mundo. Obviamente, Ele ainda ministrou ao mundo quando morreu; Ele serviu ao mundo. Mas, quanto ao Seu ministério público formal — curando os enfermos, os cegos, os coxos e assim por diante —, neste ponto Ele Se volta para os Seus.

    “Senhor, queremos ver Jesus.” Seu ministério público não terminou com a cura de um leproso. Seu ministério público não terminou com um paralítico sendo posto de pé, nem com outra ressurreição de Lázaro dentre os mortos, nem com a expulsão de um demônio, nem com uma tempestade sendo acalmada.

    Seu ministério público chega ao fim com este pedido: “Senhor, queremos ver Jesus”. É uma maneira e tanto de terminar um ministério público — com esse pedido.

    Agora, para os nossos propósitos, não é necessário especular sobre a atitude do coração dos gregos. Será que eram sinceros em seu pedido e todo esse tipo de coisa? Nosso interesse nesta noite é o que Filipe descobriu sobre Cristo ao lidar com aquela pergunta específica.

    Sua descoberta de Cristo está ligada a uma resposta muito estranha de nosso Senhor Jesus. Ele diz a Filipe e André que chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado. Faz para eles uma pregação sobre o grão de trigo.

    O grão de trigo precisa cair na terra e morrer; caso contrário, fica sozinho. Ele lhes fala sobre amar a vida, perder a vida e preservar a vida, em todos esses paradoxos. Diz: “Se Eu for levantado, atrairei todos a Mim”.

    Se Filipe entendeu tudo aquilo, tenho certeza de que os gregos não entenderam. Eles estão lá fora: “Senhor, queríamos ver Jesus”. Estão ali esperando. Ele nunca voltou a falar com eles. Continuam lá.

    Ele parece simplesmente ignorá-los. Não manda uma resposta. Não envia um mensageiro. Não sai para encontrá-los. Não os repreendeu. Não os elogiou. Parece que nem sabe que estão ali.

    “Senhor, há um grupo inteiro de pessoas aqui fora que querem Te ver.” “Se o grão de trigo não morrer, fica sozinho; mas, se morrer, produz muito fruto.” Ótimo. O que eu digo aos gregos lá fora?

    Será que Ele está tão ocupado com Sua própria paixão que não Se importa com eles e com seu pedido? Obviamente, esse não é o coração de Cristo.

    É assim que Ele responde, em João 12:36:

    E, retirando-Se, escondeu-Se deles.

    Que bela resposta. O que está acontecendo?

    Por que o Senhor Jesus não lhes responde, ou pelo menos não demonstra o que seria considerado uma cortesia básica, reconhecendo que estão ali? Dizer: “Sinto muito, estou ocupado e não posso”, ou algo assim.

    O ministério público de Jesus termina com este pedido: “Senhor, queríamos ver Jesus”. Esse pedido representa o próprio propósito pelo qual Ele veio.

    Há profundidade nisso, se você realmente meditar: “Queremos ver Jesus. Queremos conhecer Deus. Queremos conhecer o Senhor”. Há esse desejo ardente.

    O Senhor Jesus não tratou esse pedido como insincero. Você lê alguns desses comentaristas, e eles acabam com os gregos, dizendo: “Ah, Jesus os ignorou porque, de qualquer maneira, não estavam falando sério”, e coisas assim. Jesus não ignorou essa pergunta.

    “Há alguns gregos que querem Te ver. Queremos ver Jesus.” O Senhor Jesus, na verdade, está respondendo como sempre responde — espiritualmente.

    “Eles querem Me ver? Querem ver Meu corpo, a cor dos Meus olhos? Querem ver Minha barba? Ou a pergunta é mais profunda? Querem conhecer Deus? Querem Me ver?”

    “Se querem ver Meu corpo, vou até lá e fico diante deles; podem olhar para Mim. Mas, se querem conhecer Deus, é melhor Eu responder imediatamente e seguir para a cruz. Se o grão de trigo não morrer…”

    Ele não os estava ignorando. Estava respondendo ao pedido deles. O coração deles dizia: “Queremos ver Jesus”, e o Senhor Jesus está dizendo: “Então, se há um grupo aqui que quer Me ver, a única maneira de realmente Me verem e realmente Me conhecerem é que Eu vá para aquela cruz”.

    “Se Eu for levantado, atrairei todos” — não apenas os gregos, mas gregos e judeus, de toda tribo, de toda nação e de toda família debaixo do céu. Ele não ignorou os gregos de modo algum. Respondeu à pergunta deles, e respondeu da maneira mais plena possível — não com palavras, mas com ações.

    Ele seguiu em direção à cruz. Se realmente querem conhecer Deus, ah, isso é glorioso. “Que maneira de encerrar Meu ministério: com este clamor do coração, ‘Queremos conhecer Deus’. Então preciso ir. Então preciso Me apressar. Preciso ir à cruz para responder às suas orações.”

    Agradeço ao Senhor por Jesus ter envolvido Filipe nisso, para que Filipe pudesse receber outra revelação de Cristo. Não Alguém que despreza um pedido de oração; Filipe começou a compreender: aqui está a esperança do mundo inteiro. “Se Ele for levantado, atrairá todos a Si.”

    Mais uma vez, o Senhor Jesus, como tantas vezes faz, está fazendo o máximo por nós quando parece estar fazendo o mínimo por nós. Era isso que Ele estava fazendo por aqueles gregos.

    Filipe diz: “Puxa, estou realmente começando a conhecer Jesus. Ele é o tema deste Livro. Ele é tudo. É a fonte de toda provisão. É a esperança de toda a humanidade”. Ele viu o Senhor ou não?

    A Percepção de Filipe sobre a Insuficiência de Cristo

    Então tivemos essa visão maravilhosa, e agora chegamos a João 14. Filipe quer ampliar essa visão. Não basta ver que Jesus é o tema do Livro. Não basta saber que Cristo é a fonte de tudo. Não basta saber que Cristo é a esperança de toda a humanidade.

    Agora ele diz: “Mostra-nos o Pai. Queremos uma revelação de Deus”. Você fala de uma visão ampla de Deus, e agora ele está buscando uma visão ainda mais ampla.

    “Tudo o que desejo, tudo pelo que anseio”, diz Filipe, “tudo o que quero é esta revelação de Deus. Mostra-me o Pai. Isso basta. Isso satisfaz. Isso é suficiente.”

    Deixem-me parafrasear a resposta do Senhor Jesus quando Filipe fez esse pedido. Vejam, esta parte não está na Bíblia, mas foi assim que aconteceu.

    Quando ele fez esse pedido, o Senhor Jesus pegou Filipe e trouxe uma cadeira. Colocou-o em pé sobre a cadeira e disse: “Muito bem, vocês onze, levantem-se. Quero lhes mostrar uma coisa”.

    “Aqui está um homem com fome. Aqui está um homem com sede. Aqui está um homem com desejo. Este homem sabe que Eu sou o tema de toda a Bíblia. Este homem sabe que Eu sou a fonte de toda provisão. Este homem sabe que Eu sou a esperança de toda a humanidade, e ainda não está satisfeito. Quer outra revelação de Deus além de tudo isso.”

    “Isso é que é um homem! Que fome! Vejam, rapazes, que desejo!” Certo? Certo?

    Vocês sabem que estou brincando com vocês. É bom que saibam. Risquem todas essas anotações.

    João 14:8:

    Disse-Lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.

    Toda a mensagem, este próximo princípio, gira em torno dessa declaração. Seja o que for que Filipe tenha pretendido com esse comentário, seja o que for que estivesse pedindo em seu coração, isso decepcionou profundamente nosso Senhor Jesus.

    Ele não o colocou em pé sobre uma cadeira. Não o pôs em exibição. “Mostra-nos o Pai, e isso basta.” Essa declaração revelou ao Senhor Jesus algo sobre Filipe.

    Se conseguirmos nos concentrar nisso, estaremos muito perto de nosso terceiro princípio: a revelação do coração de Deus.

    Em vez de colocar Filipe sobre uma cadeira, parabenizá-lo e aplaudi-lo, Ele disse em João 14:9:

    Estou há tanto tempo convosco, e não Me tens conhecido, Filipe?

    Isso não é espantoso? Pelo que o relato mostra, se ele tivesse se sentado para fazer uma prova bíblica, teria passado com nota máxima. “Não cheguei a Te conhecer? Veja só. Tu és o tema da Bíblia. Eu Te conheço. Tu és a fonte de toda provisão. Tu és a esperança de toda a humanidade, e essa esperança brota de uma obra consumada. Tu és o grão de trigo que precisa morrer. Eu entendo isso.”

    E Ele diz: “Sim, você sabe que Eu sou o tema da Bíblia. Sim, sabe que Eu sou a provisão. Sim, sabe que Eu sou a esperança de toda a humanidade. Mas você não Me conhece”.

    Isso é algo tremendo. Então é possível, irmãos, sermos muito dogmáticos e firmes nos pontos fundamentais, e chegarmos dizendo: “Puxa, eu sei disto: Jesus, Jesus, Jesus, Jesus, Jesus”. Parece tão bom.

    “Ele é o Provedor. Ele dá tudo. É só o Senhor; deixe que Ele faça. Deus é Quem faz. Para todos — essa é a única resposta para toda a humanidade.” Ainda assim, Cristo poderia estar com o coração partido e dizer: “Estou com vocês há tanto tempo, e vocês ainda não Me conhecem”.

    O que denunciou isso? O que mostrou ao Senhor Jesus o coração de Filipe? O que Lhe indicou que Filipe, com tudo isso, ainda não O conhecia?

    É João 14:8: “Mostra-nos o Pai, e isso basta. É suficiente. Satisfaz”.

    Vejam, o que o Senhor viu em Filipe foi isto: “Sei que Ele é o tema das Escrituras. Sei que Ele é a fonte de tudo, o Provedor. Sei que Ele é a esperança de toda a humanidade. Mas Ele não basta. Não satisfaz. Preciso de algo além de Jesus. Preciso de alguma coisa a mais”.

    A Suficiência de Cristo

    Isso nos leva ao princípio que o Senhor estava comunicando: Cristo é tudo. Cristo é absolutamente tudo.

    Na revelação de Deus ao ser humano, Ele colocou Cristo no centro da Divindade. Deixem-me dizer isso novamente: na revelação de Deus ao ser humano, Ele colocou Cristo no centro da Divindade.

    Eles não precisavam de um programa, de um método, de uma fórmula, de um plano ou de um conjunto de regras. Ele disse: “Eu sou o caminho”. Você não precisa de um programa.

    Eles não precisavam de uma teologia, de um credo, de um dogma, de um conjunto de ensinamentos, de uma filosofia, de princípios. Não precisavam disso. Ele disse: “Eu sou o caminho e a verdade”.

    Filipe é a grande ilustração de que eles não precisavam de algum tipo de experiência subjetiva, nem mesmo de uma teofania vinda do céu. Era por isso que ele estava orando: “Mostra-nos uma teofania. Mostra-nos uma revelação de Deus Pai, e então ficaremos satisfeitos. Isso será suficiente”.

    E Ele diz: “Não, vocês não precisam disso, porque Eu sou o caminho, Eu sou a verdade e Eu sou a vida. Eu sou tudo”.

    Vejam, foi isso que feriu o coração do Senhor. Filipe não estava satisfeito em Jesus. Jesus não lhe bastava.

    Deixem-me enunciar esse princípio novamente e depois tentar ilustrá-lo à medida que avançamos. Em João 14:9, o Senhor Jesus não está afirmando ser o Pai.

    Há muito mistério na Divindade e na Trindade, e certamente não vou esclarecer tudo isso. Não posso. Mas sei que o Senhor Jesus nunca confundiu as pessoas da Divindade. Sempre houve o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e Ele nunca Os confundiu. Sempre Os manteve distintos. Não estava afirmando ser o Pai.

    Mas, tendo dito isso, deixem-me dizer o seguinte: com aquela declaração, Ele estava afirmando ser Deus. Está afirmando ser cem por cento Deus, porque, ao dizer que contemplá-Lo é exatamente o mesmo que contemplar o Pai, ao reivindicar essa perfeição de Deus, Ele está afirmando ser a imagem de Deus, possuindo os mesmos atributos naturais, a mesma essência, a mesma glória e assim por diante.

    Mas nem mesmo esse é o Seu ponto principal. Ele não está dizendo: “Agora vou lhes dar um texto que comprova a divindade de Jesus Cristo”. Não era esse o Seu ponto.

    Seu ponto é — e era isso que Ele ansiava que eles enxergassem; este é o coração de Deus —: se Deus for Se relacionar com você, será por meio de Jesus. Se você for se relacionar com Deus, será por meio de Jesus.

    Na revelação de Deus ao ser humano, Ele colocou Cristo no centro da Divindade. Como conheço Deus? Como conheço o Espírito de Deus? A resposta é: pela revelação que Ele faz do Senhor Jesus Cristo.

    Cristo como o Centro da Experiência Cristã

    Bem, houve uma época em minha vida em que passei por uma luta — vocês sabem, a gente sempre passa por essas lutas com sentimentos de culpa, quando ouve certas coisas —, e senti que estava negligenciando Deus Pai porque queria procurar manter meus olhos em Jesus.

    Senti que estava negligenciando Deus Pai e Deus Espírito Santo. Então, para equilibrar minha vida cristã, comecei a fazer estudos sobre Deus Pai e Deus Espírito Santo.

    Naquele momento, saí do centro. Naquele momento, perdi minha visão do Senhor. Não era a vontade de Deus que eu estudasse Deus Pai e Deus Espírito Santo à parte do Senhor Jesus.

    Aprendi uma grande verdade durante aquela luta — e foi uma luta longa; estou contando em poucas palavras. Foi isto que aprendi: aprendi a negligenciar Deus Pai e aprendi a negligenciar Deus Espírito Santo tentando não negligenciá-Los.

    É assim que você vai negligenciá-Los. A única maneira de não negligenciar Deus Pai e Deus Espírito é enxergar que o Senhor Jesus Cristo é tudo.

    “Mostra-nos o Pai, e isso nos basta.” Isso deveria tê-Lo entusiasmado. Ele deveria ter ficado feliz com aquilo, mas não ficou, porque Deus colocou Cristo no centro.

    Li isto sobre a Bíblia: “O Antigo Testamento é Deus Pai; os Evangelhos são Deus Filho; as Epístolas são Deus Espírito Santo”. É engenhoso, mas não é a verdade — não é a verdade de Deus.

    Aqui está a verdade: o Antigo Testamento é Deus Filho. Os Evangelhos são Deus Filho. As Epístolas são Deus Filho. Por que isso é verdade? É verdade porque, na revelação de Deus ao ser humano, Ele colocou Cristo no centro da Divindade.

    Cristo, e somente Cristo, satisfaz. Não precisamos de um programa. Não precisamos de um novo credo, de um mestre ou de alguma experiência.

    Alguns de nós talvez não digam: “Mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. Ele usou deliberadamente a expressão de Filipe, porque, se Cristo fica decepcionado com o mais elevado — e não há nada mais elevado que o Pai —, pensem nisso.

    Filipe diz: “Mostra-me o Pai e ficarei satisfeito”, e isso decepcionou Jesus. Como vocês acham que o Senhor Se sente quando dizemos: “Senhor, mostra-nos nossos dons, e isso nos basta”?

    “Senhor, mostra-nos nosso ministério, e isso nos basta. Senhor, mostra-me descanso, e então ficarei satisfeito. Mostra-me vitória, e então ficarei satisfeito.”

    “Senhor, tenho tudo, e louvo a Deus por Ti, mas agora só falta poder. Senhor, mostra-me poder. Mostra-me santidade. Mostra-me crescimento. Mostra-me maturidade. Senhor, eu Te tenho — graças a Deus por Jesus —, só me mostra entendimento. Mostra-me bênção, e então ficarei satisfeito.”

    A cada “mostra-nos, e isso basta”, o Senhor simplesmente balança a cabeça e diz: “Estou com vocês há tanto tempo, e vocês ainda não Me conhecem?”.

    “Mostra-me Jesus, e isso basta. Mostra-me Cristo, e é suficiente.” Porque, quando você tem a revelação de Cristo, tem a revelação de Deus. Em Sua revelação ao ser humano, Ele colocou Cristo no centro da Divindade.

    A Revelação Eterna de Cristo

    Tenho quase certeza de que, mais adiante, vocês poderão provar que estou errado nisso. Sou apenas noventa e nove por cento categórico a esse respeito. Tenho quase certeza de que, mesmo na eternidade, vocês nunca verão Deus Pai; nunca verão Deus Espírito Santo.

    Todo o seu conhecimento de Deus, para sempre, à medida que eras se sucederem a outras eras, será o desdobramento e a revelação progressiva — porque Ele é infinito. Sempre há um avanço. Você pode perseguir o infinito, mas não pode alcançá-lo.

    Para todo o sempre, seus olhos e sua boca se abrirão cada vez mais, maravilhados diante da beleza do Senhor Jesus Cristo — para sempre, para sempre e para sempre. Creio que essa será sempre Sua revelação de Si mesmo.

    O Ministério do Espírito Santo na Revelação de Cristo

    Vejam, neste contexto, é por isso que o Senhor Jesus estava tão entusiasmado com a vinda do Espírito Santo. João 16:7:

    Convém-vos que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei.

    Ele sabia que o Auxiliador, o Advogado, o Espírito Santo, Lhe daria Seu lugar central na Divindade e faria a luz incidir sobre Jesus. Toda vez que você viesse a este Livro, Deus estaria lhe mostrando Cristo.

    João 15:26:

    Ele testificará de Mim.

    João 16:14-15:

    Ele Me glorificará;
    há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar.

    Fico contente com aquela mudança no corinho que cantamos, porque ela chama a atenção para isso. Às vezes, acho que o Espírito Santo fica com uma fama ruim porque fica associado à palavra convencer. Esse é o Seu ministério, sabem?

    Porque Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, e assim por diante, às vezes temos uma visão severa do Espírito Santo — como se Seu ministério fosse arar o solo, revolver a terra não cultivada, expor a sujeira e nos mostrar o que somos.

    Ele detectará, penetrará, nos sondará e nos mostrará como somos terríveis. Ele nos fere. Ele nos quebranta. Sim, Ele faz isso.

    Mas o Espírito Santo também está apaixonado por você. Ele não apenas ama você; está apaixonado por você. É Sua prazerosa função e Sua gloriosa obra voltar seus olhos ao Senhor Jesus Cristo. Esse é o Seu glorioso ministério.

    A única razão pela qual Ele revolve a terra não cultivada, convence e expõe é que essa é Sua maneira de mostrar a você como Jesus é exatamente adequado para essa necessidade, essa deficiência, essa dor e esse vazio em sua vida. Ele está sempre nos apontando para Cristo.

    Os Resultados de Reconhecer a Suficiência de Cristo

    O Senhor Jesus descreveu isso — e vamos nos preparar para concluir —, e estava muito entusiasmado com essa ideia. Ele disse: “Anseio que vocês enxerguem isto. Sempre que forem conhecer Deus, precisam entender que Eu sou a revelação de Deus. Se vocês Me viram, viram Deus. Se Me veem, viram o Pai”.

    “Não peçam nada além de uma revelação de Mim. É tudo de que precisam. Mesmo que digam: ‘Mostra-me o Pai’, ficarei decepcionado. Nada mais — somente Eu; ver Cristo.”

    Era isso que pesava em Seu coração. Então Ele começa a descrever o Espírito Santo vindo e apontando para Cristo, revelando Cristo, desvendando Cristo, manifestando Cristo. Quase podemos perceber um entusiasmo nisso, quando o Senhor Jesus começa a falar daquele dia.

    “Será um dia glorioso”, Ele diz, “Filipe. Será um dia glorioso quando você começar a enxergar Cristo como tudo, como bastante, como suficiente”.

    Ele começa a descrever aquele dia com estas palavras. Diz: “Naquele dia”, e lhes conta alguma coisa. Depois diz novamente: “Naquele dia”. No contexto, não empurrem isso para algum ponto do futuro, entrando em toda essa questão de profecia.

    Ele está falando do dia em que o Espírito Santo volta seus olhos somente para Jesus, e Ele é suficiente. “Naquele dia, isto; naquele dia, isto; naquele dia, isto.”

    Deixem-me mostrar as três passagens com “naquele dia”: João 14:20, João 16:23 e João 16:26.

    A União com Deus

    No dia em que você finalmente olhar somente para Cristo, no dia em que Ele satisfizer, em que Ele bastar, em que Ele for a revelação de Deus — João 14:20:

    Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim, e Eu em vós.

    No dia em que você finalmente colocar a cabeça no lugar e entender: “É isso mesmo. Não preciso correr para cá e para lá, procurando. É só Ele”. Naquele dia, você começará a entrar na experiência de sua união com Deus.

    É então que seus olhos se abrem para o que significa ser um nEle, e você começa a conhecer Deus pela experiência. Não é que você vá receber a união — já a possui. Trata-se de ter olhos para enxergá-la.

    Você entenderá que a vida cristã não é você vivendo para Deus, mas Deus vivendo em você. Começa a enxergar quem você é nEle.

    Você começará a enxergar que está naquele lugar singular que Ele antes ocupava sozinho na presença de Deus, e agora você está ali com Ele. Descobrirá quem você é e será liberto para ser você mesmo à luz de tudo o que Ele é.

    Um Coração e uma Mente Satisfeitos

    Depois, João 16:23. Esta é interessante:

    Naquele dia nada Me perguntareis.

    Gosto muito disso. O que queres dizer com esse versículo? “Naquele dia nada Me perguntareis.” Será que Ele está dizendo: “Naquele dia vocês saberão tudo; pronto, terão conhecimento imediato e nunca mais terão outra pergunta”? Não é isso que Ele está dizendo.

    Ele está dizendo: “No dia em que vocês finalmente colocarem os olhos em Cristo, terão um coração satisfeito. Terão uma mente satisfeita. Não terão perguntas naquele dia”.

    Você verá Cristo e não precisará mais de respostas, porque encontrou a Resposta, e ela é uma Pessoa — o próprio Senhor Jesus.

    Irmãos, há uma diferença. A diferença é tão grande quanto a distância entre o oriente e o ocidente: fazer perguntas para obter um coração satisfeito é diferente de fazer perguntas a partir de um coração satisfeito.

    Ele está dizendo: “No dia em que vocês finalmente enxergarem que Cristo basta, naquele dia não terão mais perguntas. Estarão satisfeitos. Suas perguntas se dissolverão”.

    Não podemos julgar corações, mas penso que, como regra geral, isto é bastante verdadeiro: quando uma pessoa começa a enxergar o Senhor, suas perguntas se dissolvem. Isso me impressiona.

    Eu costumava chamar isso de fome. Dizia: “Puxa, o pessoal da nossa região está mesmo com fome”. Como você sabe? Pelas perguntas. Já não tenho tanta certeza disso.

    Quando você está cheio desse tipo de pergunta — “O que é descanso? Como entro nele? E quanto ao pecado? É possível se desviar? O que significa ser cheio do Espírito Santo? Como posso me considerar morto? O que é estar vivo em Cristo? O que é estar nos lugares celestiais? Você poderia me ajudar, por favor?”.

    “Como se estuda a Bíblia? Como se aprende a orar? Gostaria de saber como encontrar a vontade de Deus. Só tenho uma pergunta: quero saber como, a cada momento da minha vida, posso estar no centro do círculo da perfeita vontade de Deus, para sempre. É só isso. Só me diga isso. Não quero muito.”

    “O que significa ter fome? O que significa ter sede? Como você sabe se está permanecendo em Cristo? O que é a poda? O que é entrega? Qual é a minha parte na responsabilidade?” Um milhão de perguntas, até você começar a olhar para Cristo.

    Vocês sabem por que o aconselhamento cristão, a psiquiatria cristã, a psicologia cristã, os conselheiros matrimoniais, todos esses programas de discipulado, toda essa ênfase em discussões e todos os livros de instruções práticas estão prosperando hoje? As pessoas não estão olhando para Jesus Cristo.

    “Naquele dia nada Me perguntareis.” Os cristãos não estão olhando para Cristo. Não têm uma mente satisfeita. Não têm um coração satisfeito.

    Se as pessoas começassem a olhar para Cristo, muita gente ficaria sem trabalho.

    Precisamos começar a olhar para Ele. Sabem, eu costumava ficar tão animado. As pessoas vêm a mim atrás de uma fórmula: “Você poderia, por favor, me dar algum tipo de método para um momento devocional?”.

    “Dê-me alguns dos principais elementos da entrega. Confira se acertei todos os pontos. Dê-me uma lista de prioridades. Agora, onde a família entra nisso? Você poderia me esclarecer como a família se encaixa nisso?”

    Acho bastante certo que, em geral, quando esse tipo de pergunta surge, você não está olhando para o Senhor. Não está olhando para Cristo. Não tem uma mente satisfeita. Tirou os olhos do Senhor. É essa a impressão.

    A Oração em União com o Coração de Deus

    Mais uma. João 16:26-27:

    Naquele dia pedireis em Meu nome, e não vos digo que Eu rogarei por vós ao Pai;
    pois o mesmo Pai vos ama.

    Naquele dia, você será um com a vontade de Deus. Todas essas perguntas sobre oração — nossa, como serão respondidas naquele dia.

    Ouvimos tantos testemunhos de oração respondida: “Deus respondeu à minha oração e fez um milagre. Deus providenciou isto, me livrou e resolveu esta situação. Ele me guiou naquilo e me capacitou a fazer aquilo. Fiz esta oração imprecatória contra meus inimigos, e funcionou”, e tudo o mais.

    É maravilhoso ouvir o testemunho de que Deus respondeu a alguma oração. Mas, sabem, esse não é o verdadeiro milagre. O milagre é podermos orar. O milagre é termos um relacionamento com Deus, é podermos orar.

    “Naquele dia”, Ele diz, “vocês terão esse relacionamento em oração. Estarão tão unidos à vontade de Deus.” Eu nem gosto da expressão vontade de Deus, porque ela foi estragada.

    A vontade de Deus não é uma coisa. A vontade de Deus é o coração de Deus. É só isso. Faz parte de Seu caráter.

    Quando sou um com Deus, sou um com Seu caráter. Se você diz: “Qual é a vontade de Deus para sua vida?”, ah, isso parece difícil. “Qual é o coração de Deus para sua vida?” É a mesma coisa. É o desejo de Deus para você. É Seu caráter.

    Ele diz: “Naquele dia, quando vocês começarem a olhar para Cristo, serão um comigo. Como a vontade de vocês se harmonizará com a Minha vontade, saberão como orar”.

    Conclusão: Olhar Somente para Cristo

    Um dia maravilhoso. Na revelação de Deus ao ser humano, Ele colocou Cristo no centro da Divindade. Tudo o que há para conhecer é Ele.

    Se seu coração está clamando por satisfação de qualquer outra maneira, se você busca a verdade depois de ter encontrado Cristo, está buscando uma mentira — não mais a verdade. Não há verdade fora de Cristo. Somente Ele, o próprio Senhor.

    Ele ansiava que eles soubessem disso. Naquele dia, conheceriam sua união. Naquele dia, seu coração estaria satisfeito. Naquele dia, seriam um com a vontade de Deus.

    Sugiro que esse era o princípio que ocupava tanto Seu coração: que soubessem que Deus nunca Se relaciona com eles à parte de Cristo, e que eles nunca se relacionam com Deus à parte de Cristo.

    Você quer chegar a Deus? Precisa ir por meio de Cristo. Quer orar? Precisa orar em Seu nome. Quer se aproximar? Precisa vir com base nos méritos dEle. Quer louvar a Deus? É por meio dEle que você deve oferecer a Deus o sacrifício de louvor.

    Quer honrar a Deus? Por meio dEle, em Seu nome, você deve fazer tudo para a glória de Deus. Esse é o único contato que temos com Deus para sempre — Ele nunca abençoou uma pessoa na terra à parte de Cristo, e nunca o fará. Não pode. Sempre por meio dEle.

    Ah, Cristo, Cristo, Cristo. Mantenham os olhos nEle — não os coloquem em nenhum outro lugar. Nem mesmo em Deus Pai, ou Cristo dirá: “E você não Me conhece — ainda não. Vamos começar de novo”.

    Não é bom termos um Mestre fiel e paciente? Quantas vezes vou para casa e digo à minha esposa: “Sabe, puxa, agora aprendi a olhar para Jesus”. Pois é. Nunca aprendo.

    Você começa a aprender e se esquece. No dia seguinte, diz: “Bem, vou fazer isso. Vou manter meus olhos em Jesus o tempo todo. Confiar no Senhor”. No outro dia, diz: “Ei, ei, veja — se alguém vier a mim, tenho uma resposta para o seu problema. Pode vir. Vou lhe dizer para olhar para Jesus” — a menos que o problema seja meu. Aí não sei para onde olhar.

    Qual é a minha solução? Fico espantado com a estupidez dos cristãos — com a minha. Ah, precisamos olhar para Ele novamente. Precisamos vê-Lo.

    Vamos confiar juntos em Deus para voltar nossos olhos a Ele e mantê-los nEle. Não precisamos apenas receber luz, mas também nos apegar à luz. Nossa capacidade de segurar essa luz é tão fraca. Simplesmente deixamos tudo escapar pelos dedos.

    A não ser que Deus a conceda, nos mantenha nela, nos ajude a andar nela e nos sustente por Sua graça… Ah, precisamos vê-Lo e nos apegar a essa revelação.

    Bem, estou me alongando. Vamos orar.

    Pai, muito obrigado por este relato — não pelo que pensamos saber que ele significa, mas por tudo o que Tu sabes que ele significa. Opera isso em nosso coração, em nossa vida. Oramos em nome de Jesus.