Já aplicamos o princípio indispensável: confiar em Deus agora para ministrar o Senhor Jesus por meio de Sua Palavra.
No meu escritório, tenho alguns versículos de Jeremias que um irmão me deu; eles estão na parede. Jeremias 23:18, 28:
Quem esteve no conselho do Senhor,
para perceber e ouvir a Sua palavra?
Aquele que tem a Minha palavra, fale a Minha palavra fielmente.
Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor.
Sabem, durante anos da minha vida, eu só ofereci palha. Jeremias 23 prossegue dizendo que isso não lhes traz proveito algum. A alma de vocês sabe a diferença entre o grão e a palha, e a minha também. Então, vamos confiar em Deus para nos alimentar, para nos dar Cristo, para nos dar o grão.
Deixem-me apenas recapitular. Vou pedir que abram, por favor, em 2 Coríntios 8.
Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor,
e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
—2 Coríntios 4:5
Tenho sugerido que Deus escreveu esse versículo na vida do apóstolo Paulo. Desde aquele dia até o presente, e para as gerações futuras, caso o Senhor demore, o apóstolo Paulo se tornou um modelo — um exemplo, uma ilustração de Deus — do que significa ser um escravo: escravo de Deus e escravo dos homens.
Em 2 Coríntios, Paulo compartilha conosco o processo pelo qual Deus o conduziu a isso. Deus revelou ao seu coração o que significava ser esse tipo de pessoa: um escravo, alguém que coroaria Cristo como Senhor e aprenderia a ter um coração derramado, uma vida derramada em favor de seus semelhantes.
Se levamos a sério encontrar nosso lugar na história da redenção, encontrar nosso lugar no plano de redenção de Deus, então precisamos estar abertos ao Senhor quanto a esses princípios — quanto ao que significa ser um escravo.
Deixem-me recapitular brevemente, não para desenvolver o assunto, mas simplesmente para repeti-lo. Até aqui, examinamos três princípios — três verdades simples, na realidade.
Se vou ter um coração como o do apóstolo Paulo, um coração voltado para Deus, então o primeiro princípio é este: Deus levou Paulo para além de Paulo e para dentro da plena suficiência do Senhor Jesus.
Por muitos meios diferentes e de muitas maneiras, Deus impeliu Paulo a ultrapassar a linha, a transpor o limiar, para além de todas as suas possibilidades naturais. Levou-o ao lugar em que somente o sobrenatural poderia lhe fazer algum bem, onde finalmente clamou: “Estou morto”. Ele aprendeu a não confiar em si mesmo, mas em Deus, que ressuscita os mortos.
Do outro lado dessa linha, Deus abriu seus olhos para a realidade de que Jesus é suficiente, de que Cristo é plenamente suficiente, de que Deus basta — mais do que basta.
À luz dessa revelação, o apóstolo Paulo começou a enxergar que estava em Cristo Jesus. Ele tinha uma nova posição: não Paulo em Paulo, mas Paulo em Cristo. Tudo começou a tomar forma e fazer sentido à medida que ele se via em Cristo.
Durante sete capítulos, ele expõe todas as coisas que mudaram quando se viu em Cristo. Nós examinamos apenas três. Encontrei quatorze, e acho que provavelmente há mais. Toda a sua visão da vitória mudou; sua visão do ministério mudou; sua visão da liberdade mudou; sua visão do trabalho mudou; sua visão do estudo da Bíblia mudou, e assim por diante. Muitas coisas mudaram.
Paulo foi esvaziado, e Paulo foi cheio. Então, ontem à noite, começamos a discutir este princípio: há algo além da plenitude? A resposta é sim — há o fluir.
Cristo não deve apenas encher minha vida; agora, Cristo deve ser manifestado por meio da minha vida. Deus tem um coração voltado para o mundo inteiro. Ele sempre teve um coração voltado para o mundo inteiro. Sempre esteve em Seu coração ter uma geração na qual pudesse colocar Sua glória, Seu nome e Sua reputação na terra; e, por meio desse povo, Ele pudesse fluir até os confins da terra.
Paulo aprendeu que, para liberar a vida de Cristo e manifestar o tesouro interior, o vaso de barro precisava ser quebrado. Era necessário haver quebrantamento.
Esvaziamento, plenitude, quebrantamento.
Isso nos leva ao próximo princípio nesta manhã. Chegamos ao fim da nossa pequena série — não ao fim da verdade sobre essas coisas, mas ao fim da nossa breve discussão.
Nesta manhã, gostaria que examinássemos o que vem depois do quebrantamento. O que flui agora? Qual é o resultado prático? Qual é o ministério?
Somos esvaziados, cheios e quebrantados. Não podemos começar a experimentar isso sem que Deus o opere gradualmente em nossa vida. Mas, quando chegamos a esse ponto, chegamos ao que eu gostaria que examinássemos nesta manhã.
Não sei como expressar em palavras a importância deste princípio que vamos discutir. Creio que este é o princípio culminante de todo ministério. Seja o que for que vocês aprendam sobre ministério, de alguma maneira estará ligado a isso. Precisa estar ligado a isso, porque não há ministério sem o princípio que vamos abordar nesta manhã.
Louvo a Deus porque não preciso depender de nada que eu diga, nem de qualquer explicação que tente transmitir. Deus vai operar na vida e na mente de vocês aquilo que Ele sabe que isso significa, não apenas aquilo que eu penso que significa.
Ele vai operar em nosso coração tudo o que Ele sabe que isso significa, quer eu tropece ao tratar desse princípio, quer eu o comunique bem ou não. Deus está caminhando nessa direção, e vocês vão compreender isso, porque, mais cedo ou mais tarde, Deus vai escrever isso na vida de vocês, se há de haver ministério. Ele precisa fazê-lo.
Quando comecei, há alguns dias, sugeri um esboço geral de 2 Coríntios. Sugeri que, nos primeiros sete capítulos, Deus mostra ao apóstolo Paulo o que significa ter Cristo plenamente suficiente nele.
Sugeri que os capítulos 8 e 9 são os grandes capítulos que mostram o que significa ter Cristo plenamente suficiente por meio dele. Vamos examinar essa seção agora.
Esses dois capítulos extraordinários contêm, a meu ver, esse princípio culminante de todo ministério. Isso é ministério.
Ao chegarmos aos capítulos 8 e 9, vou lembrá-los de uma verdade com a qual tenho certeza de que estão familiarizados, mas que ajuda quando vocês estudam a Bíblia, aqui ou em qualquer outro lugar. Certifiquem-se de distinguir entre a ilustração de um princípio e o princípio em si.
Deus tem muitas ilustrações em Sua Palavra e, nessas ilustrações, deixou cristalizados princípios que permanecem através das eras. Esses princípios são verdadeiros em todas as épocas e gerações. Nunca mudam: as verdades de Deus, os caminhos de Deus, os princípios de Deus.
Mas, às vezes, a ilustração é tão grandiosa ou tão controversa que ficamos envolvidos com ela. Às vezes, pensamos que a própria ilustração é o ponto central.
Fiquei tão cansado de ler comentários sobre 2 Coríntios 8 e 9! Tanta gente pensa que, nesse ponto, Paulo deixa Cristo de lado e passa à prática. Ora, isso não é prático! Não se pode deixar Cristo de lado e passar à prática.
Como vamos chegar aos capítulos 8 e 9 e falar de dinheiro, mordomia e contribuição? Dinheiro, mordomia e contribuição não são o ponto central dele. São a ilustração do seu ponto central.
Ele vai falar de dar, sim, porque está falando de ministério — de dar. Para ilustrar o dar, o fluir e o transbordar, ele escolhe cuidadosamente uma das ilustrações mais maravilhosas desse princípio que vocês jamais encontrarão.
Tantas pessoas ficam apenas na superfície, e tudo o que veem é a figura. Dizem: “Agora Cristo é inteiramente prático. Estão vendo? Ele deixa todas essas coisas celestiais, desce e diz que vocês devem dar o dízimo, devem contribuir, devem ser bons mordomos”, e blá-blá-blá. Não é isso que ele está dizendo.
Se vocês não enxergarem o princípio por trás disso, perderam o essencial.
Gostaria que começássemos a examinar esse princípio agora. Para isso, vou fazer um pouco de trabalho braçal, e peço que tenham paciência comigo. Acho importante colocar a ilustração com clareza diante de nossa mente. Creio que vocês ficarão admirados ao ver como o princípio então se tornará nítido.
Como o princípio é tão básico, vai quase parecer que estou insistindo demais no assunto. Talvez esteja mesmo. Mas, depois que terminarmos esse trabalho braçal, quero apresentar três princípios simples que, espero, ajudarão a reunir tudo isso.
Não creio que haja dúvida de que 2 Coríntios 8 e 9 apresentam o tratamento completo da mordomia na Bíblia.
Há alguns anos, aprendi um princípio com A. T. Pierson. Ele sugeriu que há dois princípios na Bíblia: um que chamou de “menção completa” e outro que chamou de “primeira menção”.
Todo assunto é tratado de maneira completa em algum lugar. Quando vocês estudam esse assunto, precisam estudar aquele trecho. Provavelmente, a menção completa da ressurreição está em 1 Coríntios 15. Provavelmente, a menção completa do amor está em 1 Coríntios 13. O assunto é mencionado por toda parte, mas há um lugar em que é tratado de maneira completa.
Da mesma forma, quando vocês se depararem com algo pela primeira vez, prestem muita atenção à sua primeira menção, porque a primeira menção geralmente fornece a chave de como aquilo será desenvolvido ao longo das Escrituras.
Creio que vocês encontrarão aqui um tratamento completo da mordomia, se considerarem apenas esse nível da Palavra — apenas a superfície. Se forem estudar mordomia ou contribuição, terão de recorrer a esses dois capítulos, porque aqui está o tratamento completo.
Mas não estamos estudando mordomia. Na verdade, nem sequer estamos estudando 2 Coríntios. Temos meditado na verdade do ministério. Quero ser um ministro. Quero servir a Deus. Quero ser escravo de Deus e escravo dos homens.
Então, o apóstolo nos apresenta essa ilustração extraordinária. Deixem-me explicar o contexto, e depois entraremos no princípio.
O contexto desses dois capítulos tem sido chamado de Fundo de Auxílio à Palestina. Naqueles dias, tudo começou em Jerusalém. Jerusalém foi o lugar onde Deus começou a levantar Sua igreja visível. De fato, por causa do envio de missionários e assim por diante, Jerusalém era a igreja-mãe.
Jerusalém havia passado por tempos difíceis. Especialmente na época em que essa epístola foi escrita, Jerusalém estava realmente atravessando grandes dificuldades.
Havia pelo menos quatro pressões sobre os santos em Jerusalém. Uma delas era comum em toda parte, não apenas em Jerusalém: quando um judeu se tornava cristão, precisava sair para fora do arraial. Ao se identificar com o Senhor Jesus, era expulso do templo e não podia participar da sociedade hebraica.
Segundo os historiadores, o governo romano, que, de qualquer maneira, nunca teve muito apreço pelos judeus, havia começado, nessa época, a confiscar propriedades e impor pesados impostos a todos os habitantes de Jerusalém — não apenas aos cristãos, mas a todos os que não eram romanos.
Foi também nessa época que a perseguição imperial começou a se intensificar. O cristianismo foi proibido, e havia uma possibilidade muito real de que, ao se identificar com o Senhor Jesus, alguém tivesse uma morte violenta — pelo fogo, pela espada, por animais, ou por qualquer outro meio sobre o qual vocês já tenham lido.
Outro elemento do contexto histórico relacionado a isso está em Atos 11:28. Atos 11:28 fala de uma grande fome que ocorreu durante o reinado de Cláudio. Josefo descreve essa fome e faz questão de nos contar como ela atingiu Jerusalém.
Juntem tudo isso. Os cristãos de lá estavam sendo excluídos, oprimidos e perseguidos. Estavam passando fome; não tinham o que comer; a fome havia chegado. A notícia da pobreza da igreja-mãe, do povo de Deus, chegou a algumas dessas outras igrejas, especialmente às da Macedônia.
Havia muitas igrejas na Macedônia. Três são conhecidas: a igreja de Filipos, a de Tessalônica e a de Bereia. Essas três comunidades se uniram e começaram a se mobilizar.
Se vocês quiserem estudar todo esse Fundo de Auxílio à Palestina, terão de examinar 1 Tessalonicenses 2, 1 Coríntios 16:1-3, Romanos 15:26-27, Atos 24, e assim por diante.
Enfim, aqueles irmãos e irmãs macedônios ouviram falar de seus irmãos e irmãs necessitados. De maneira voluntária, alegre e sacrificial, começaram a reunir recursos para socorrê-los.
A Bíblia começa a nos contar como eles deram. Não deram apenas suas ofertas, mas também seu tempo, seus talentos e sua vida. Deram a si mesmos ao Senhor. Alimentos, roupas — eles reuniam, reuniam e reuniam.
O apóstolo viu essas igrejas da Macedônia nesse extraordinário transbordar de generosidade e liberalidade e disse: “Encontrei um exemplo. Encontrei uma ilustração”.
Agora, vocês poderiam dizer que é assim que deve ser. Quem tem deve socorrer quem não tem. Aqueles que são abençoados, ao ouvirem falar dos necessitados, devem se levantar, abrir a mão, sacrificar-se e dar aos que não têm.
Só que não era assim que as coisas estavam. É por isso que Paulo escolheu isso como ilustração. Foi isso que impressionou o apóstolo Paulo.
Vejam, os macedônios estavam em situação pior que a igreja-mãe. É por isso que ele escolheu isso como ilustração. Esse Fundo de Auxílio à Palestina foi criado e distribuído por meio de pessoas que viviam na pobreza — na verdade, em pobreza ainda maior que a daqueles a quem estavam socorrendo.
Eles também estavam passando fome. Eles também estavam sendo perseguidos. Vocês conhecem o contexto da igreja de Corinto. Muitos daqueles coríntios foram salvos e saíram diretamente das favelas. Eram pagãos, idólatras, ignorantes e atrasados.
Quando Paulo viu isso, disse: “Encontrei uma ilustração. Vou ilustrar todo dar, todo ministério, todo fluir por meio desses cristãos macedônios”.
Capítulo 8, versículo 1:
Fazemo-vos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia;
como, em muita prova de tribulação, a abundância do seu gozo e a sua profunda pobreza abundaram nas riquezas da sua liberalidade.
Porque testifico que, segundo as suas posses, e ainda acima das suas posses, deram voluntariamente,
rogando-nos com muita insistência a graça de participarem da assistência aos santos.
E fizeram isto, não como esperávamos, mas deram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor, e a nós, pela vontade de Deus.
—2 Coríntios 8:1-5
O apóstolo não achava que eles deveriam se envolver nisso, porque não tinham nada para dar. Ainda assim, estavam nos suplicando, com muita insistência, o favor de participar do sustento dos santos. E isso não foi como esperávamos; primeiro, deram a si mesmos ao Senhor.
Vocês já sabem para onde estamos indo. Como eu disse, o ponto central desses capítulos maravilhosos não é dinheiro, contribuição ou mordomia.
Alguns comentaristas ousaram dizer que o apóstolo estava tentando constranger os coríntios — tentando mostrar como aquelas pessoas deram e perguntando por que os coríntios não podiam abrir a mão. Dizem que ele estava usando um artifício para arrancar dinheiro dos cristãos de Corinto.
Não. Há um princípio espiritual nesses dois capítulos, e ele está ligado à grande mensagem do livro e à mensagem sobre os escravos de Jesus Cristo.
Deixem-me examinar alguns pontos desse capítulo e apresentar outros versículos relacionados ao princípio. Depois voltaremos e enunciaremos o princípio com clareza e, conforme Deus nos conceder graça, o enxergaremos.
Além de 2 Coríntios 8:1-5, que nos falam de um povo que deu a partir da pobreza, vejam 2 Coríntios 8:9:
Porque conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo,
que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre,
para que, pela Sua pobreza, vos tornásseis ricos.
—2 Coríntios 8:9
Então, ele diz: “Tenho outra ilustração de Alguém que deu a partir da pobreza”.
Agora, vejam 2 Coríntios 9:8:
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça;
a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência,
abundeis em toda boa obra.
Palavras extraordinárias — todos os superlativos estão aí. Uma tradução diz:
Deus é poderoso para fazer superabundar toda graça para vós,
a fim de que, tendo sempre toda a suficiência em todas as coisas,
superabundeis para toda boa obra.
—2 Coríntios 9:8
Depois, 2 Coríntios 9:10:
E Aquele que fornece semente ao semeador e pão para alimento
fornecerá e multiplicará a vossa semente para semear,
e aumentará os frutos da vossa justiça.
Por fim, observem como o capítulo termina:
Graças a Deus pelo Seu dom inefável.
—2 Coríntios 9:15
Nesses dois capítulos, o apóstolo Paulo — o Espírito Santo por meio do apóstolo Paulo — chama a atenção repetidas vezes para a mesma coisa. Ele usa ilustrações extraordinárias, mas precisamos distinguir entre a ilustração e o princípio.
Os macedônios deram a partir da pobreza. Nosso Senhor Jesus Cristo, embora fosse rico, tornou-Se pobre, para que, por Sua pobreza, nos tornássemos ricos. Deus fornece a semente ao semeador. Cristo é o dom indescritível.
Mas chega de contexto. Deixem-me enunciar o princípio. Que Deus nos conceda graça para enxergar o que ouvimos.
Se há de haver ministério a partir da vida de vocês, da minha vida, de nossa vida, então precisa haver este princípio:
Não pode haver ministério que não flua da pobreza.
Não pode haver ministério — nenhum, absolutamente nenhum. Todo dar cristão, todo ministério cristão, flui da pobreza.
O apóstolo Paulo havia sido firmado pelo Senhor na verdade de que Jesus Cristo é tudo. Finalmente havia chegado a enxergar que o apóstolo Paulo não é nada. O apóstolo Paulo é insuficiente; o Senhor Jesus Cristo é suficiente — inteiramente suficiente.
Paulo viu que, em si mesmo, não havia suficiência alguma. Deus era suficiente, e Deus Se tornou a sua suficiência.
O apóstolo Paulo disse, em essência: “Não há nenhum Fundo de Auxílio à Palestina em mim. Não há nenhum Fundo de Auxílio à Palestina em vocês. Não há nada em nós”.
Falamos de ministério, irmãos. Não temos nada para dar. Não temos ministério, serviço, assistência ou auxílio. É isso que o Espírito Santo vem inculcando em nós ao longo de sete capítulos.
Deus diz: “Quero dar Meu Filho”. Isso é ministério. Vocês querem dar alguma coisa? Deus diz: “Deixem-Me quebrar o vaso e sair”. Isso é ministério.
Quando Cristo é liberado e as pessoas tocam Cristo, há ministério. Se Cristo não é liberado e as pessoas não tocam Cristo, não há ministério, seja qual for o nome que vocês deem a isso, seja como for que o chamem.
Vejam como isso está tão intimamente ligado ao vaso de barro de que falávamos ontem à noite. Temos um tesouro tão grande nesses vasos de barro. Cristo é a luz. Cristo é o alimento. Cristo é o rio de satisfação. Cristo é aquilo de que eles precisam.
O mundo precisa de provisão, sem dúvida. As pessoas precisam de ministério. Mas, com toda a sinceridade, irmãos, elas não precisam de mim. Não precisam de vocês. Não precisam de nós. Não precisam do nosso pequeno grupo. Não precisam da nossa pequena ênfase.
Precisam do Senhor Jesus Cristo. É por isso que ele termina em 2 Coríntios 9:15:
Graças a Deus pelo Seu dom indescritível.
Esse é o dom. Há apenas um dom, e é Cristo. Isso é ministério: quando O liberamos.
Não há como liberar Cristo, e não há como tocar Cristo, se não tivermos no coração esse princípio de ministrar a partir da pobreza.
Muitas vezes, limitamos essa ideia de ministério e de dar ao dinheiro e às coisas materiais — aluguel, abrigo, alimento, combustível e assim por diante. Isso está incluído, mas os capítulos 8 e 9 são maiores que isso. Trata-se de todo ministério.
Acho que uma das tragédias da igreja hoje, e das instituições que estão formando os chamados líderes, é que está tudo ao contrário. Estamos preparando pessoas para serem ricas e darem a partir de sua riqueza.
Em todo o nosso ministério, é preciso responder à pergunta: Liberei Cristo? Eles tocaram Cristo? Porque, independentemente de tudo o mais, se isso não aconteceu, não houve ministério.
Aqui está um mestre da Palavra de Deus. Ele dá a partir de sua riqueza — de seu estudo, de sua bagagem, de sua experiência, de sua formação.
Sabem o que as pessoas tocam? Tocam sua bagagem, sua erudição, sua eloquência, sua formação. Tocaram um vaso de barro. Não houve ministério, porque ele ministrou a partir de sua riqueza.
Agora, a partir do quebrantamento — porque é a partir do quebrantamento que Cristo é liberado, é a partir da pobreza, de “não tenho nada para dar” —, Cristo é liberado.
Aqui vem um conselheiro. Ele vai aconselhar; vai ajudar vocês. Ele dá a partir da riqueza de sua experiência, de tudo o que ouviu, de seu conhecimento da natureza humana e de sua capacidade de analisar e organizar as coisas logicamente.
Quando tudo termina, o que vocês tocaram? Tocaram o conselheiro humano. O que ele lhes deu? Uma nova fórmula, um conjunto de regras, outro programa.
Vocês podem tocar seu talento, sua habilidade, sua erudição, sua inventividade. Mas, meus irmãos, não é o vaso sofisticado; não é o vaso refinado. É o vaso quebrado que se torna o canal do nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é ministério.
Um homem pode ser muito rico. Um grupo pode ser muito rico em bens deste mundo. Podem ser muito generosos. Podem dar dinheiro, alimento, abrigo; podem pagar os estudos dos filhos de vocês.
Sabem, é possível que tudo isso seja apenas barro. Quando tudo termina, o que vocês tocaram? Talvez tenham tocado a generosidade deles, sua liberalidade e até sua compaixão. Mas tocaram Cristo? Vocês liberaram Cristo?
Há apenas um verdadeiro ministro. Deus é o único Doador. Cristo é o único dom. Deus é Quem precisa dar Seu Filho por meio de nós. Ele determinou fazer isso por meio do vaso quebrado.
Portanto, há uma pergunta que precisamos fazer constantemente diante de Deus: eles estão tocando a nós ou a Cristo? Nossa sabedoria ou a Ele? Nossa capacidade ou a Ele?
Quando vocês ministraram, quando deram, quando serviram, quando tudo terminou, as pessoas ficaram impressionadas com sua personalidade, sua bondade, suas percepções, sua inteligência? Então, o que demos? O que fizemos?
Não se trata de um pouco de nós e um pouco de Cristo. Se tudo o que tocam é você, tocaram a morte. Se tudo o que tocam sou eu, tocaram a morte. Se tudo o que tocam somos nós, tocaram a morte.
Não há vida na minha carne. Não há vida na carne de vocês. Não há vida na nossa carne. Todo ministério deve proceder da pobreza.
A firme convicção de que tudo o que temos é pobreza é fundamental para a liberação de Cristo. Precisamos compreender isso. Precisamos saber disso.
Porque, em tudo o que damos, de que adianta? Qual é o valor? É desperdício de tempo e de energia se Cristo não é a razão, se o Senhor Jesus Cristo não é o dom.
Se dizemos que queremos ser escravos, as marcas da morte precisam estar sobre nosso serviço. As marcas da morte precisam estar sobre todo o nosso ministério.
Aqui está um músico, uma cantora com uma voz belíssima. Ela quer ministrar; ele quer ministrar. Eles se levantam e cantam. Se não houver marcas da morte sobre aquela canção, não houve ministério.
Talvez vocês tenham tocado uma música belíssima. Talvez tenham ouvido habilidade. Talvez tenham tocado talento. Mas, quando aquele cantor ou músico se apresenta diante de Deus e compreende: “Não há fundo de auxílio em mim. Não há ministério em mim. Senhor, não tenho nada para dar. Quero cantar a Ti”, vocês ouvirão as mesmas notas e as mesmas palavras, mas agora, interiormente, tocarão Cristo.
Temos uma palavra para isso, não temos? Unção. Vocês sabem do que estamos falando. Deus ministrou por meio do vaso quebrado. Deus liberou Cristo, e o espírito de vocês toca Cristo.
Vocês sabem, a cada vez, quando estão tocando Cristo e quando não estão tocando Cristo. Sabem a diferença entre vida e morte. Isso não nos torna juízes, para que saiamos por aí dizendo: “Ah, aquela pessoa tem vida; aquela não tem”. Esse não é o nosso lugar. Mas vocês entendem o que Deus está dizendo.
Aqui está um mestre. Ele pode ter percepções profundas. Pode falar com poder e eloquência. Pode usar uma linguagem sofisticada. Mas, se está se apoiando em suas anotações, em seu estudo, em suas capacidades e em suas ilustrações, a pergunta permanece: ele ministrou a partir da pobreza?
Porque conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo,
que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre,
para que, pela Sua pobreza, vos tornásseis ricos.
—2 Coríntios 8:9
Uma pessoa pode ser muito zelosa. Mas as marcas da morte estão sobre esse zelo? As marcas da morte estão sobre essa generosidade, esse sacrifício, essa dedicação?
Acompanhem este princípio espiritual, por favor. Há muitas maneiras de ser rico — dinheiro, dons, talentos, amigos, formação, bagagem e assim por diante. Não há ministério a partir da riqueza.
Posso ouvir alguém dizendo: “Bem, isso vai ser fácil para mim, porque, de qualquer maneira, não tenho nada para dar”. Mas dar a partir da pobreza é um princípio do coração, uma orientação do coração. Não tem nada a ver com o que vocês têm ou deixam de ter.
Precisamos orar para que, com nossos dons e com aquilo que damos, demos Cristo.
A pessoa mais pobre do mundo, sem dons, talentos ou qualquer outra coisa, pode dar a partir da riqueza. A pessoa mais rica da terra, um bilionário extremamente generoso, pode dar a partir da pobreza.
Vocês não precisam ser ricos para dar a partir da riqueza, e não precisam ser pobres para dar a partir da pobreza. A pobreza é um princípio. É uma atitude do coração: a ausência daquela segurança em si mesmo, daquela autoconfiança, daquele orgulho e daquela arrogância que dizem: “Posso ajudar fulano. Deixe-me telefonar para ele. Já passei por isso”.
Precisamos chegar ao fim de nós mesmos, e precisamos permitir que Ele nos quebre, para que Cristo seja liberado e as pessoas estejam tocando o Senhor Jesus Cristo.
Ah, precisamos servir, irmãos. É disso que se trata. Mas vocês precisam aprender a cantar a partir da pobreza. Precisam aprender a ensinar a partir da pobreza, visitar a partir da pobreza, escrever cartas a partir da pobreza, ouvir a partir da pobreza, consolar a partir da pobreza. Todo ministério que vocês tenham precisa proceder da pobreza.
Essa é a parte em que eu disse que insistiria, porque preciso transmitir isso com clareza. Ao concluirmos, deixem-me apresentar estes três princípios simples. Mais uma vez, há sobreposição. Já disse a maior parte disso para reunir tudo.
Primeiro princípio: no verdadeiro ministério — no ministério espiritual, no verdadeiro ministério —, somente Deus é o Doador, e somente o Senhor Jesus é o dom.
Vejam 2 Coríntios 9:6-7:
Aquele que semeia pouco também ceifará pouco;
e aquele que semeia com abundância também ceifará com abundância.
Cada um contribua segundo propôs no seu coração;
não com tristeza, ou por necessidade:
porque Deus ama ao que dá com alegria.
—2 Coríntios 9:6-7
Depois, 2 Coríntios 9:15:
Graças a Deus pelo Seu dom inefável.
—2 Coríntios 9:15
Não quero gastar tempo examinando isso versículo por versículo. Mas, em 2 Coríntios 9:6-15, Deus apresenta outra ilustração — uma ilustração dentro da ilustração — sobre semear e colher.
Há duas verdades básicas sobre semear e colher. A primeira é que aquilo que um homem semeia será da mesma natureza daquilo que ele colhe. Se vocês semearem milho, não vão colher cheques. Se semearem feijão, é isso que vão colher. Tudo o que um homem semear, isso ele colherá.
A segunda verdade é que a colheita é sempre maior que a semeadura. Semeiem um punhado; colham um campo. Oseias expressou isso assim:
Porque semearam vento, e colherão tempestade.
—Oseias 8:7
A colheita é sempre maior que a semeadura. Chamo a atenção para isso porque Deus chama o Fundo de Auxílio a Jerusalém de semeadura. Eles semearam.
O que semearam? A colheita precisa ser da mesma natureza. Vocês podem dizer: “Bem, semearam dinheiro”. É assim que isso costuma ser aplicado: se você tem dinheiro, semeie dinheiro e receba dez ou cem vezes mais dinheiro. Eu poderia entrar aqui num dos meus assuntos prediletos, mas não vou fazer isso.
Vejam o final do capítulo 9. Vocês sabem o que eles semearam porque Deus lhes diz qual foi a colheita. Vejam a colheita, começando em 2 Coríntios 9:10:
E Aquele que fornece semente ao semeador e pão para alimento
fornecerá e multiplicará a vossa semente para semear,
e aumentará os frutos da vossa justiça:
sendo em tudo enriquecidos para toda a liberalidade,
a qual, por nosso intermédio, produz ações de graças a Deus.
Porque a administração deste serviço não somente supre as necessidades dos santos,
mas também transborda em muitas ações de graças a Deus;
visto que, pela prova deste serviço, glorificam a Deus.
—2 Coríntios 9:10-13
Aí está a colheita: a colheita de justiça, de ações de graças a Deus e de glória a Deus. Essa é a colheita da semeadura deles.
Agora vocês dizem: “Mas eles não semearam dinheiro?” Se tivessem semeado dinheiro, colheriam dinheiro. Não semearam dinheiro. Semearam Cristo.
Digamos que eu tenha dado a vocês um presente de Natal, e esse presente fosse um belo relógio cheio de funções. Esses relógios de hoje fazem de tudo. Eu o coloquei numa bonita caixa de feltro, embrulhei com um maravilhoso papel de presente natalino, coloquei um belo laço de seda e o entreguei a vocês.
Alguém chega e pergunta: “O que o Ed deu a você de Natal?” Você responde: “Ah, você precisava ter visto — um laço de seda! Nossa, que laço e que papel bonitos. Ele me deu um lindo papel de presente e uma caixa de feltro”.
Isso seria verdade, não seria? Mas você não disse o que eu lhe dei. Você perdeu de vista o meu presente.
Os cristãos macedônios não deram dinheiro aos cristãos de Jerusalém. Deram Cristo aos cristãos de Jerusalém e O embrulharam em dinheiro.
Vocês estão ouvindo o que estou dizendo? Isso é tão importante, porque, se não compreenderem, talvez estejam dando embalagens às pessoas e pensando que estão lhes oferecendo ministério.
Deus nos chamou para dar Cristo e para embrulhá-Lo. Vocês querem ser um instrumento de ministério? Embrulhem Cristo em seus pés. Embrulhem Cristo em suas mãos. Embrulhem Cristo em suas visitas. Embrulhem Cristo naquilo que compartilham.
Essas coisas são a embalagem. Não são o presente. A semente precisa ser fornecida por Deus. Deus é Quem fornece a semente para a semeadura. Todo o resto é barro.
Irmãos em Cristo, às vezes meu coração se entristece ao pensar no esforço, no trabalho, no suor, nos programas e na energia que as pessoas estão constantemente gastando.
Ah, que desperdício — estudar, escrever livros, ensinar, pregar, evangelizar — se não há a semente de Deus.
Deus é o único Doador. É Ele Quem dá. Cristo é o único dom.
Todo o meu ensino, tudo o que compartilho, todo o meu ouvir, todas as minhas visitas, todo o meu aconselhamento, todo o meu serviço para aliviar a vida dos outros — essas coisas só são ministério na medida em que Cristo é dado por meio delas.
Mais uma vez, sei que as pessoas tomam esses versículos apenas na superfície e dizem: “Aqui está uma grande passagem sobre contribuição proporcional”. Certamente é uma passagem sobre isso. Mas vocês precisam ir além da figura e chegar ao princípio.
É isto que Deus está dizendo. É um pouco mais profundo do que dar o dízimo. É muito simples: Vocês não podem dar o que não têm. Vocês não podem dar o que não têm.
Estamos falando de ministrar Cristo. Não posso dar Cristo a alguém como descanso, a menos que conheça Cristo como meu descanso. Não posso dar Cristo a alguém como vitória, a menos que conheça Cristo como minha vitória. Não posso dar Cristo a alguém como consolo, a menos que Cristo seja consolo para mim.
Dar é uma questão espiritual. A plena suficiência de Cristo por meio de mim é diretamente proporcional à plena suficiência de Cristo em mim.
Se levássemos o ministério a sério, tiraríamos os olhos do ministério e começaríamos a correr para Jesus. Começaríamos a correr para o Senhor, dizendo: “Senhor, apenas enche-me de Cristo, para que eu esteja disponível para ministrá-Lo quando essa necessidade surgir”.
Apropriem-se de Cristo. É assim que se prepara para o verdadeiro ministério. Vocês não precisam correr para algum seminário — embora Deus possa conduzi-los a isso. Mas não se preparam para o ministério apenas estudando livros. Preparam-se para o ministério esperando diante de Deus e apropriando-se de Cristo em toda a Sua plenitude. Isso é preparação.
Mais um: 2 Coríntios 8:13-15.
Porque não digo isto para que outros tenham alívio, e vós, aflição;
mas para que haja igualdade:
suprindo, no presente, a vossa abundância a falta deles,
para que também a abundância deles venha a suprir a vossa falta;
a fim de que haja igualdade:
como está escrito,
O que muito colheu não teve de mais;
e o que pouco colheu não teve falta.
—2 Coríntios 8:13-15
Durante muitos anos da minha vida cristã, pensei que isso significava: “Não tenha uma conta de poupança”. Vivi assim. Acreditava que era isso que Deus estava dizendo: se você tem mais nesta semana, dê; então, na semana seguinte, outra pessoa dará o que tem, e tudo dará certo. Todos ficarão em equilíbrio.
É muito mais espiritual que isso. Não se trata apenas de suas economias. Não é disso que estamos falando. O dinheiro é apenas a ilustração.
O que Deus está dizendo, pelo menos em um sentido, é isto: não pense que você será sempre a pessoa que tem tudo a oferecer. Estamos tratando da verdade do Corpo — da igualdade.
Deus diz: “Vejam, vou encher você de Cristo. Vou enchê-lo de Cristo. Um dia, você terá falta e precisará do Cristo que ele tem. Um dia, ele terá falta e precisará do Cristo que você tem. Todos precisaremos uns dos outros, para que haja igualdade”.
Não pensem que têm todos os ovos numa só cesta. Não me deixem pensar que tenho todo o Cristo. Precisamos dos irmãos e das irmãs.
Deus está comunicando a Si mesmo a cada um de nós para que, juntos, sejamos edificados; juntos, cresçamos; e juntos, recebamos a revelação que cada um de nós recebeu.
Para concluir esse ponto, vou pedir que abram em duas passagens. É bem breve, eu prometo. Lucas 4.
A sogra de Pedro — vamos ver se conseguimos reunir tudo. Vejam Lucas 4:38-39, e talvez queiram deixar um dedo em Mateus, porque iremos para lá em um momento.
E, levantando-Se da sinagoga, entrou em casa de Simão.
E a sogra de Simão estava enferma com muita febre;
e rogaram-Lhe por ela.
E, inclinando-Se sobre ela, repreendeu a febre, e esta a deixou:
e ela, levantando-se logo, servia-os.
—Lucas 4:38-39
Temos aqui uma passagem maravilhosa sobre o serviço cristão. Acho que é um resumo maravilhoso do que temos conversado, porque a sogra de Pedro estava totalmente incapaz de prestar qualquer serviço.
Vocês falam de alguém sem nenhuma força natural — aqui está ela. Se há algo que retrata o esgotamento das forças, é a febre. Ela está completamente imobilizada.
Não sei se vocês já tiveram febre alta. Quando ela passa, precisam de algum tempo para se recuperar. Não se sai simplesmente da febre direto para a cozinha. O médico diz: “Fique na cama por um tempo, até recuperar as forças”.
Fico imaginando qual era a temperatura da sogra de Pedro. Cerca de 39 graus? 39,5? 40? Não sei; o texto não nos diz. Mas o Espírito Santo inspirou o doutor Lucas a dizer que era uma febre muito alta.
Não creio que o doutor Lucas usaria essa expressão, “uma febre muito alta”, sem um significado real.
Acho evidente que a sogra de Pedro não passou da fraqueza natural para a força natural. De repente, ela se levanta. Não está simplesmente se recuperando.
Creio que o relato mostra que ela passou da fraqueza natural para a força sobrenatural a fim de servir, em um instante. Não foi por etapas. Não foi gradual. Da febre alta, ela passou imediatamente a servi-los.
A maior parte do serviço cristão, como vocês provavelmente sabem, não é serviço sobrenatural de modo algum. Vai da fraqueza natural para a força natural. Funciona aos trancos e barrancos. Vai e volta.
Primeiro, vocês se matam de trabalhar. Depois, vão para a cama com febre. Alguém aparece e os faz sentir culpados por não estarem novamente se matando de trabalhar. Então, vocês descansam, dizendo: “Vou voltar àquilo”.
Depois, saem outra vez com novo ânimo e, após algum tempo, perdem as forças de novo. Estão de volta à cama com febre. Então, outra pessoa aparece e diz: “Sabe, nós realmente deveríamos estar fazendo isso”, e vocês dizem: “Está bem, um novo programa. Lá vamos nós”.
Bem, depois de algum tempo, todos ficamos envergonhados e desistimos, abandonamos tudo de vez.
Aqui, com a sogra de Pedro, foi diferente. Como ela pôde passar da fraqueza natural para o serviço?
Mateus nos diz. Observem primeiro que Lucas 4:39 diz que ela os servia. Agora, abram em Mateus 8:14-15:
E Jesus, entrando em casa de Pedro,
viu a sogra deste deitada, e com febre.
E tocou-lhe a mão, e a febre a deixou:
e ela se levantou e O servia.
—Mateus 8:14-15
Vamos encerrar, irmãos, e quero encerrar com este pensamento. Que Deus nos ajude a enxergá-lo.
A sogra de Pedro pôde passar da fraqueza natural para a força sobrenatural e servir a eles — a Ele — pelo toque de Cristo.
Permitam-me sugerir que, se vamos ser servos, precisamos do toque dEle. Precisamos que Deus nos toque, que nos faça passar da fraqueza natural para a força sobrenatural, para que, esperando nEle, possamos ministrar Cristo.
Ah, que Deus nos livre do mero serviço cristão e nos conduza ao ministério da manifestação de Cristo.
Nosso Pai, nós Te agradecemos porque Tu operarás em nosso coração tudo o que sabes que isso significa. Toca-nos individualmente. Toca-nos como Corpo, para que possamos avançar em força sobrenatural e ministrar Cristo. Pedimos isso no nome que tudo vence. Amém.
Obrigado, irmãos, pelo tempo.