Bom dia, senhores. Por favor, abram em 2 Coríntios 2.
Ao nos dedicarmos ao estudo da Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico absolutamente indispensável, quer nos acheguemos individualmente, quer nos reunamos, como estamos fazendo nesta manhã. Não podemos dar esse princípio por garantido. Esse princípio indispensável é a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Na verdade, todo o nosso culto foi uma aplicação desse princípio. Nós o expressamos em nossos cânticos e em nossas orações, e sei que, em nosso coração, ansiamos que Deus Se manifeste.
Precisamos, sim, de uma revelação desta revelação. Ele escondeu todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento em nosso Senhor Jesus. Não é maravilhoso que Ele nos diga onde os esconde? Então, ao revelar Cristo, Ele revela todos esses tesouros da sabedoria e do conhecimento.
Vamos fazer uma pausa e pedir Àquele que habita entre os querubins que resplandeça.
Pai, nós Te agradecemos novamente nesta manhã pela oportunidade de agora aguardarmos diante do Teu Espírito. Sabemos, Senhor, que esta Bíblia é como nosso Senhor Jesus: humana e divina.
Pedimos, Senhor, que, pelo Teu Espírito, desveles nosso Senhor Jesus Cristo ao nosso coração. Mostra-nos a Ele, nós Te pedimos. Livra-nos novamente, nós Te rogamos, de todas as ideias humanas.
Nós Te agradecemos em nome de Jesus.
Muito brevemente, permitam-me retomar algumas das coisas que examinamos ontem; depois, continuaremos de onde paramos. 2 Coríntios 4:5 é o texto em torno do qual giram estas reflexões:
Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
Conhecer o Senhor Jesus como Senhor incontestável e tornar-se servo uns dos outros — isso é um poderoso milagre de Deus. Não decidimos simplesmente, certo dia: “De agora em diante, vou servir ao meu próximo”. Não funciona assim. É um poderoso milagre de Deus.
Embora haja muitas coisas imperceptíveis na maneira como Deus trata conosco, pois Ele trata cada um de nós de modo diferente — há uma variedade infinita em Deus e em Sua maneira de tratar conosco —, ainda assim existe um processo que podemos perceber. Embora Ele trate conosco de maneiras diferentes, há certa uniformidade nos princípios amplos e fundamentais que Deus precisa gravar de modo indelével em cada um de nós, para que compreendamos alguns desses caminhos básicos de Deus.
Como sugeri ontem à noite, o Espírito Santo escolheu o apóstolo Paulo como o único modelo completo da vida cristã. Precisávamos de um modelo em algum lugar, um modelo completo. O Espírito Santo nos deu o apóstolo Paulo como uma salvaguarda contra qualquer modelo incompleto de Cristo.
Sem dúvida, podemos aprender muitas coisas com todos os que conhecem Cristo. Podemos ir à Bíblia, estudar aqueles santos das Escrituras, aprender com sua vida e ver Cristo em determinadas áreas de sua vida. Mas há apenas um — o apóstolo Paulo — que nos apresenta o equilíbrio completo da vida na nova aliança. Deus nos deu isso.
Portanto, precisamos estudar Paulo, e precisamos estudá-lo em 2 Coríntios, porque é em 2 Coríntios que o apóstolo revela seu próprio coração. Ele simplesmente abre o coração. Ao estudar 2 Coríntios e a vida de Paulo, vemos o processo pelo qual Deus cria um coração de servo: servo de Deus, servo dos homens.
Estamos estudando esse processo. Estamos examinando esse processo. Sugiro que, enquanto isso não acontecer em nossa vida, nunca compreenderemos plenamente 2 Coríntios 4:5. É isso que Deus precisa fazer em nós.
Ontem à noite, examinamos esse primeiro princípio, com base em 2 Coríntios 1:8-11. Para que Paulo se torne esse servo, esse servo de coração de Deus e dos homens, Deus precisa pressioná-lo para além de si mesmo e conduzi-lo à plena suficiência do Senhor Jesus.
Deus precisa levá-lo para além da linha, para além de todos os seus limites, à presença do próprio Deus. Deus não é cruel ao pressionar, pressionar, pressionar até o limite e para além do limite, porque Deus sabe o que há do outro lado dessa linha.
Eu lhes digo, irmãos: há glória ali. Alguns de vocês já estiveram lá e sabem o que há do outro lado dessa linha.
Terminamos a noite de ontem com o apóstolo Paulo tendo sido pressionado para além do limite. Agora ele está do outro lado de si mesmo. Ele passou por isso. Está do outro lado de Paulo, na plena suficiência do Senhor Jesus.
Ele morreu para Paulo. Morreu para o mundo. Morreu até mesmo para as misericórdias de Deus que o haviam atraído para fora do mundo.
Agora que ele está desse outro lado, é isso que gostaríamos de examinar nesta manhã. Seus olhos estão arregalados de admiração, e sua boca está aberta de espanto por causa do que vê do outro lado da linha.
Naturalmente, estou me referindo somente ao nosso Senhor Jesus Cristo, em toda a Sua beleza, toda a Sua glória, toda a Sua capacidade de suprir e toda a Sua autossuficiência.
Se o primeiro princípio é o esvaziamento — para tornar-se servo, você precisa ser esvaziado de si mesmo —, então esse segundo princípio deve ser a plenitude. Para tornar-me servo de Deus e dos homens, não basta ser levado para além de mim mesmo. Preciso ser conduzido à plena suficiência de Cristo: completamente vazio de mim mesmo, completamente cheio até a borda e transbordando por todos os lados, em todo o tempo, do Senhor Jesus Cristo.
É aí que Paulo está agora. Essa se torna a segunda etapa do processo pelo qual Deus cria um servo, alguém que é, de coração, escravo de Deus e dos homens.
Paulo descreve para nós o que vê: a glória de viver do outro lado da linha, a glória de viver do outro lado do limite. Vou descrever para vocês, nas palavras de Paulo, o que ele viu.
Não sei em que ponto vocês estão em seu relacionamento com Deus. Se já estiveram além da linha, mesmo que só um pouquinho, e depois ficaram indo e voltando — às vezes fazemos isso —, vocês reconhecerão algumas das coisas que Paulo viu.
Se ainda não estiveram além da linha, e isso é possível em um grupo deste tamanho, talvez fiquem intrigados com algumas das coisas que vou dizer e com algumas das coisas que Paulo viu e afirmou ter visto. Peço que ponderem essas coisas diante de Deus.
Se não forem de Deus, descartem-nas. Se forem, que Deus as grave de modo indelével em nossa vida.
Paulo agora está do outro lado da linha, do outro lado de Paulo, do lado da ressurreição. Não apenas sua visão foi transformada; suas concepções também foram transformadas.
A partir desse ponto no relato, o apóstolo nunca mais é o mesmo. Depois de atravessar essa linha, ele nunca mais será o mesmo. Agora ele vê tudo em Cristo Jesus e em relação a Cristo Jesus. Tudo mudou — não apenas algumas coisas. Tudo mudou do outro lado dessa linha.
É claro que, em uma sessão breve como esta, não temos tempo para examinar tudo. Mas permitam-me sugerir que, de 2 Coríntios 2:14 até o fim de 2 Coríntios 3, o apóstolo menciona pelo menos três coisas que mudaram radicalmente quando vistas da perspectiva de quem está além da linha.
Todo sermão precisa ter três pontos e um poema. Gostaria de mostrar essas três coisas que Paulo menciona. Acho que ficará claro quando vocês perceberem como tudo isso entra em foco à luz da plena suficiência do Senhor Jesus e de Sua capacidade de suprir.
2 Coríntios 2:14:
Graças, porém, a Deus, que sempre nos conduz em Seu triunfo em Cristo; e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o suave aroma do conhecimento dEle.
Muitos de vocês, irmãos, me disseram ontem que estudaram 2 Coríntios recentemente ou que estão estudando essa carta. Por isso, fiz algumas alterações em minhas anotações e vou pressupor que vocês conhecem parte desse contexto. Não vou gastar tempo com parte do trabalho pesado que havia planejado fazer. Então, espero que estivessem me dizendo a verdade a esse respeito, já que todos vocês são especialistas neste livro.
A primeira coisa que mudou para Paulo do outro lado da linha — uma coisa fundamental que mudou — foi todo o seu conceito de vitória. Quando Paulo se viu desse outro lado da linha, do outro lado de Paulo, ele viu a vitória.
Graças, porém, a Deus, que sempre nos conduz em Seu triunfo.
Ele viu a vitória em Cristo — não algumas vezes, não na maior parte do tempo, não quase o tempo todo. Viu algo que nunca havia visto: vitória cem por cento do tempo.
2 Coríntios 2:14 diz:
Que sempre nos conduz em Seu triunfo.
O mesmo versículo diz:
Em todo lugar.
Em todo lugar, sempre, em todo o tempo, em todo lugar.
Deixem-me voltar um pouco para o outro lado da linha. Quando Paulo estava em Paulo — e estou falando de uma época em que ele já havia avançado bastante em sua caminhada em Cristo —, ele acreditava na vitória. Já havia percorrido um longo caminho desde que Cristo o salvara.
Ele já não estava entre aqueles que acreditavam que era preciso confiar em si mesmo para ter vitória. O apóstolo Paulo não se levantaria para dizer: “Para ter vitória, você precisa ter um tempo devocional todos os dias”. Ele já havia ido além disso. Já havia percebido que a vitória não dependia de Paulo.
Ele percebeu que a vitória não dependia de sua própria fidelidade, de sua capacidade de reprimir o pecado ou de resistir ao diabo. Já havia ido além do sistema legalista. Mesmo antes de Deus pressioná-lo para além daquele limite, o apóstolo havia reconhecido que não era páreo para o mundo, a carne ou o diabo. Sabia que precisava confiar em Deus para obter vitória.
Antes de ultrapassar a linha, Paulo sabia que precisava orar, sabia que precisava confiar em Deus, buscar o Senhor, buscar libertação. Ele sabia disso. Isso foi antes de atravessar a linha. Vocês precisam entender o que ele via antes para perceberem a mudança.
Era nisto que ele acreditava antes de atravessar a linha: “Para que eu tenha vitória em minha vida, preciso me achegar a Deus e saber que a vitória é um dom de Deus. Com fé simples, preciso me apropriar da Sua vitória. É um dom de Deus”.
Era nisso que ele acreditava antes de atravessar a linha. Quando passou para o outro lado, deixou de acreditar nisso e nunca mais voltou a acreditar.
A ideia de vitória que Paulo tinha, quando estava em Paulo, era que precisava confiar em Deus para obter vitória e apropriar-se dela. Deus lhe daria esse dom, e, se ele não se apropriasse dele, não o teria. Não havia nada nele que pudesse lhe dar vitória; Deus precisava lhe dar vitória. Se Deus não a desse, ele não a teria.
Mas, mesmo com essa concepção, se alguém perguntasse: “Paulo, em todo lugar, o tempo todo, você tem essa vitória?”, ele não conseguiria responder que sim — não o tempo todo. Haveria períodos de fracasso, períodos de dúvida, derrota e completo colapso.
Mesmo se nos limitarmos ao relato de 2 Coríntios: em 2 Coríntios 1:8, ele está desesperado; em 2 Coríntios 2:13, está ansioso; em 2 Coríntios 7:6, está deprimido; em 2 Coríntios 12:1, está orgulhoso; e em 2 Coríntios 12:13, está sarcástico. Isso apenas em 2 Coríntios.
Quando Paulo estava em Paulo, nunca imaginou que, fosse o que fosse a vitória, ele pudesse tê-la o tempo todo — não quando sofria naufrágio, não quando era açoitado, não quando estava preso no tronco, não quando estava na prisão, não quando tinha o espinho na carne, não quando era oprimido pelos legalistas. O tempo todo? Será mesmo?
Mas agora Deus pressionou Paulo. Paulo passou para o outro lado, e Paulo morreu. Paulo se viu como um homem morto. Uma das primeiras coisas que Deus faz é abrir seus olhos para a vitória — para aquilo que ela é.
Naquele momento, Paulo percebeu que a vitória não era um dom que Deus dá aos Seus filhos quando eles confiam nEle. Não é isso, de modo algum. Ele viu a vitória inteiramente contida em uma Pessoa: o próprio Jesus Cristo.
Quando Paulo viu esse Cristo, tudo ficou tão claro. Agora, ouçam, irmãos: Paulo descobriu que Deus nunca pretendeu que Paulo tivesse vitória. Foi isso que ele viu do outro lado da linha.
Muitas vezes pensamos na vitória como se fosse uma coisa, como se Deus nos desse Seu Filho e mais alguma coisa chamada vitória. Falamos assim: “Tenho vitória sobre isto em minha vida. Tenho vitória sobre aquilo em minha vida”. Oramos: “Senhor, dá-me vitória nessa questão. Dá-me libertação nesta área da minha vida. Liberta-me”.
Mas, do outro lado da linha, as coisas começaram a entrar em foco para o apóstolo Paulo. Paulo percebeu que não apenas não se esperava que ele tivesse vitória o tempo todo; ele descobriu — exatamente, irmão, li seus lábios — que nunca se esperou que ele tivesse vitória em momento algum, nem por um único instante.
Foi algo grandioso para Paulo aprender que Deus não esperava que ele tivesse vitória sobre a cobiça, sobre o orgulho, sobre o egoísmo, sobre sua ira, sua preguiça, sua procrastinação, sua amargura, seus pensamentos estranhos, sua incredulidade e seus hábitos viciantes.
Era isso que Paulo costumava pensar quando vivia em Paulo. Mas agora Paulo estava do outro lado da linha e viu algo muito maravilhoso. Viu que o Senhor Jesus tinha vitória sobre tudo.
Viu que Cristo era o Vencedor, e o único Vencedor. Ele tinha perfeita vitória sobre o mundo, a carne e o diabo. Havia vencido perfeitamente a cobiça dos olhos, a soberba da vida e a cobiça da carne.
Ao olhar para o Senhor Jesus, e à medida que Ele começava a preencher todo o horizonte de seu coração, Paulo viu Alguém que não tinha dificuldade alguma em refrear a própria língua. Ele tinha vitória sobre Sua língua. Viu Alguém que não tinha dificuldade alguma com pensamentos maus ou estranhos. Jesus tinha perfeita vitória.
Jesus não tinha dificuldade com hábitos escravizadores. Jesus era vitorioso sobre a ansiedade. Jesus era vitorioso sobre o medo. Jesus tinha um espírito perdoador. Jesus não era egoísta. Jesus era perfeitamente vitorioso.
Eu lhes digo: houve uma grande mudança na vida de Paulo quando ele percebeu isto: Jesus tem vitória, e eu tenho Jesus. Vocês percebem a diferença? Jesus tem vitória, e eu tenho Jesus.
Naquele momento, Paulo experimentou uma das maiores libertações de sua vida, porque foi liberto da vitória entendida como uma coisa. Foi liberto da libertação. Tirou os olhos da vitória e começou a se ver em Cristo, que sempre nos conduz em Seu triunfo.
Ele viu algo inteiramente novo, tão maravilhoso e tão libertador. Não era realmente novo em termos de palavras; ele já havia ouvido aquelas palavras antes. Mas, de repente, tornou-se vivo para a realidade, para a verdade.
João 16:33 diz a mesma coisa. Eu começo, e vocês terminam: “Tende coragem, tende bom ânimo. Vós vencereis o mundo”. Ele não diz isso.
Tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
A vitória é dEle. Mais tarde, Paulo escreveu em Romanos 8:37:
Somos mais que vencedores por meio dEle.
O apóstolo teve seus olhos abertos para perceber Quem era Aquele que havia vencido e Quem era o Vencedor.
Paulo começou a se ver em Cristo Jesus, compartilhando tudo o que Ele era e tudo o que Ele tinha. Isso me impressiona: nenhum cristão jamais imaginaria que possui uma justiça própria.
Todos nós diríamos: “Ah, não, não, não. Sou justo porque Ele é justo. Em Cristo, sou justo. Não tenho justiça própria”. Nenhum cristão jamais pensaria em dizer: “Tenho uma sabedoria própria”. Ele Se tornou para nós sabedoria, santificação, santidade. Temos essas coisas em Cristo Jesus.
Nenhum cristão diria: “Tenho uma glória própria”. Compartilhamos a Sua glória. Mas, de algum modo, quando se trata de vitória, pensamos que temos uma vitória própria.
Como Paulo ficou feliz quando começou a perceber: “Eu compartilho a Sua vitória”. Há apenas uma Pessoa vitoriosa em todo o universo, irmãos, e essa Pessoa é nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é a vitória. Somente Ele é vitorioso.
Esta é uma ilustração boba, mas acho que esclarece o ponto. Temos um irmão que participa de nosso estudo bíblico e possui um carro esportivo inglês, fabricado pela British Leyland, um carrinho simpático chamado Triumph.
Como você se sentiria se um amigo seu tivesse um desses carros esportivos? Você poderia ser tão pobre quanto o cachorro da velha Mother Hubbard, e seu amigo chegaria nesse carro e diria: “Vamos dar uma volta”. Vocês passeiam pela cidade e encontram seus amigos. Você está no carro esportivo.
Bem, 2 Coríntios 2:14 diz que o Senhor Jesus também tem um triunfo. Ei, eu avisei que era uma ilustração boba. Peguem leve comigo.
Graças, porém, a Deus, que sempre nos conduz em Seu triunfo.
Em todo lugar.
Eu lhes digo: essa foi uma grande notícia para o apóstolo Paulo, porque ele finalmente deixou de lado seu “carro da carne”. Ele vivia quebrando, de qualquer maneira. Jesus, em Sua graça, sempre o consertava para ele. Mas, finalmente, Paulo atravessou a linha e se tornou passageiro no triunfo de Deus. Começou a passear por toda a cidade.
Ele foi liberto dessa ideia de que precisava pedir vitória a Deus. Começou a ver Cristo como Aquele que é vitorioso e começou a entender o que significa compartilhar Sua vitória.
Não se trata de Deus me dar vitória. Não se trata de Deus me dar descanso. Deus tem um descanso, e eu entro no Seu descanso — não um descanso que Ele dá, mas o descanso que Ele tem.
Deus está completamente em descanso em relação ao que você está enfrentando agora? Entre nesse descanso — no descanso dEle —, entrando em Sua vitória.
Essa foi a primeira coisa que o apóstolo viu, e que mudança isso trouxe à sua vida! A partir daquele momento, ele foi liberto de toda essa ideia de que precisava reivindicar de Deus alguma vitória sobre isto ou aquilo em sua vida.
Ele já não dividia sua vida como se fosse uma torta: Deus tratando desta área, Deus tratando daquela área. Começou a se ver fora de Paulo e em Cristo Jesus, em toda a suficiência e capacidade de suprir dessa revelação — ver somente a Ele.
Outra coisa mudou quando ele passou para além da linha. Permitam-me ler novamente 2 Coríntios 2:14-17:
Graças, porém, a Deus, que sempre nos conduz em Seu triunfo em Cristo; e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o suave aroma do conhecimento dEle. Porque somos para Deus uma fragrância de Cristo entre os que estão sendo salvos; e entre os que estão perecendo: para uns, aroma de morte para morte; para outros, aroma de vida para vida. E quem é suficiente para estas coisas? Porque não somos como muitos, que mercadejam a palavra de Deus; antes, com sinceridade, como da parte de Deus, falamos em Cristo, na presença de Deus.
Todo o seu conceito de ministério mudou quando ele passou para além da linha. Permitam-me ilustrar isso com um acontecimento muito comum na vida romana. Estamos bastante distantes dessa realidade, por isso acho que um pouco de contexto ajudará.
Chamava-se triumphus romano e era muito comum nos dias de Roma. Era uma celebração, um desfile realizado em Roma após uma vitória romana.
Alguns historiadores descreveram como ele era. Permitam-me apresentar a descrição de Josefo desse triunfo romano. Havia quatro partes nesse desfile.
Não vou lhes apresentar a primeira parte — é claro, esse é o meu ponto principal. É preciso guardá-lo para o final e chegar com ele com toda a força, entendem? Deixem-me começar com o segundo elemento do desfile; depois, examinaremos o desfile. Então lhes apresentarei o primeiro elemento, e acho que vocês entenderão toda a história.
O segundo elemento do desfile militar era o general romano. Ele não vinha em primeiro lugar; vinha em segundo. Era aquele que havia conduzido o exército à batalha e obtido a vitória. Naturalmente, estaria em seu cavalo branco, com louros, pompa e músicos ao seu redor. O general romano.
Atrás do general romano vinham os orgulhosos soldados. Estariam com seus uniformes de gala, inteiramente equipados. Eles também estariam a cavalo. Teriam seus escudos, espadas, armaduras e guardas.
Depois, a pé, atrás dos soldados romanos, vinham os prisioneiros de guerra. Muitas vezes estariam nus, vergonhosamente expostos diante do povo. Marchariam atrás como troféus da vitória daquele exército.
Por último, havia as multidões. Elas se alinhavam dos dois lados da rua, zombando dos prisioneiros de guerra e louvando seus deuses pelo livramento.
Os comentaristas entendem que Paulo provavelmente estava se referindo a esse triumphus romano. Dizem que o Senhor Jesus também tem uma procissão triunfal. Ele tem Seus soldados, tem Seus prisioneiros de guerra e tem aquelas multidões que O louvam.
Alguns comentaristas entendem que Paulo está dizendo que os cristãos são como soldados. Estamos seguindo Cristo; Cristo é o General. Ele nos conduziu à vitória, e marchamos atrás dEle. Somos os soldados.
Outros dizem: “Não, isso é verdade. Há um sentido em que somos soldados, mas, nesta imagem, somos os prisioneiros de guerra. Somos os cativos. Somos os troféus de Sua graça. Cristo nos conquistou. Somos aqueles que estão acorrentados, Seus servos, por assim dizer, seguindo atrás”.
Não sei se vocês conhecem a New English Bible, mas sua tradução diz:
Que constantemente nos conduz como cativos na procissão triunfal de Cristo.
Segundo essa tradução, somos os cativos. Jesus venceu, e somos troféus de Seu poder.
Mas vou sugerir que o apóstolo Paulo viu algo diferente. Ele não está comparando o cristão a um soldado, embora haja lugar para isso. Nem sequer está comparando o cristão aos prisioneiros de guerra que eram arrastados para dentro da cidade, embora isso também seja verdade.
Quem vinha à frente do desfile?
Um mensageiro chegava correndo do campo de batalha e anunciava a um grupo chamado espalhadores de incenso que a vitória havia sido conquistada. Segundo os historiadores, esses espalhadores de incenso começavam a percorrer a cidade. A ideia era que estavam adorando seus deuses, louvando seus deuses e espalhando incenso em agradecimento pela vitória que seu exército acabara de obter.
À medida que as pessoas reconheciam aquele cheiro, ao sentirem o incenso, entendiam que haviam conquistado uma vitória. Todos saíam e esperavam a chegada do desfile. Os espalhadores de incenso eram os precursores que preparavam todos para aquele grande desfile.
Sugiro que, quando Paulo estava ali do outro lado da linha, ele se viu como um espalhador de incenso.
[Deus], por meio de nós, manifesta em todo lugar o suave aroma do conhecimento dEle. Somos para Deus uma fragrância de Cristo entre os que estão sendo salvos; e entre os que estão perecendo.
Toda a ideia de Paulo sobre o ministério cristão mudou aqui. Ele percebeu que o perfume, a fragrância, o aroma era o próprio Cristo.
2 Coríntios 2:14 diz:
O suave aroma do conhecimento dEle.
O próprio Cristo. 2 Coríntios 2:15 torna isso mais claro:
Somos uma fragrância de Cristo.
A NVI diz:
Para Deus, o aroma de Cristo.
O apóstolo Paulo viu a simplicidade, a beleza do ministério cristão. Viu que era simplesmente uma pessoa tão cheia de Cristo que o aroma de Cristo subia até Deus, e todos ao redor podiam senti-lo. Eles participariam daquele aroma. Sua vida era uma fragrância.
Isso era inteiramente novo para o apóstolo Paulo, porque, quando Paulo estava em Paulo, o ministério cristão, o serviço cristão, ganhar almas, as missões e alcançar outras pessoas eram objetivos. Eram objetivos para ele.
De repente, ele percebeu que o ministério era uma consequência, e não um objetivo. Que revelação tremenda foi perceber isso! Toda a direção do serviço cristão havia mudado para ele.
Antes, tratava-se de ministrar às pessoas, atender às suas necessidades, fazer coisas uns pelos outros, ajudar as pessoas e prestar-lhes assistência. Agora, de repente, ao estar ali do outro lado da linha, em Cristo Jesus, ele percebeu que o ministério diz respeito à alegria do coração de Deus. O ministério diz respeito a satisfazê-Lo.
Cristo era uma fragrância para Deus entre os homens. Que diferença isso faz! Em 2 Coríntios 2:15: de Cristo, para Deus, entre os homens. Essa é a ordem de Deus, e qualquer alteração dessa ordem é legalismo.
O apóstolo percebeu que Deus Se agradava quando sua vida estava cheia do aroma de Cristo, da fragrância de Cristo. Isso satisfazia o coração de Deus. Depois, os outros sentiam esse aroma.
Naquele triunfo romano, era o mesmo cheiro, mas ele produzia dois efeitos diferentes. Quando a multidão o sentia, dizia: “Louvado seja Deus, vencemos”. Quando os prisioneiros de guerra sentiam o mesmo cheiro, diziam: “Perdemos. Isso significa morte para nós”.
Eles estavam levando os prisioneiros de guerra para uma execução pública, bem na praça da cidade de Roma. Portanto, quando sentiam aquele incenso, para eles era um aroma de morte para morte; mas, para os outros, era um aroma de vida para vida.
Quando o apóstolo começou a perceber e compreender isso, toda a sua vida começou a ser transformada. Ele sabia, em seu coração, que nunca mais seria o mesmo. Dali em diante, tudo o que faria seria estar cheio de Cristo e satisfazer o coração de Deus. As pessoas sentiriam esse aroma.
Alguns o sentiriam e diriam: “Louvado seja Deus por haver um homem assim na terra”. Outros o sentiriam e diriam: “Fora da terra com um homem assim”. Aroma de vida; aroma de morte.
Em João 12, quando Maria derramou aquela libra de perfume precioso, ela não estava pensando em ministrar aos homens. Queria apenas ministrar a Deus. Queria satisfazer o coração de Jesus. Ela compreendia o ministério.
Mas João 12:3 diz:
A casa encheu-se da fragrância do perfume.
Um único propósito voltado para Ele; mas, como consequência, os outros participaram daquilo.
Irmãos, tentem participar da alegria do coração de Paulo quando ele estava ali, do outro lado de Paulo, na plena suficiência de Jesus. Seu coração vibrava por ter sido liberto da vitória entendida como uma coisa e por saber que estava em Cristo Jesus. Jesus tinha vitória; ele tinha Jesus.
Eu não consigo voar; o avião voa. Estou no avião; eu voo. Ele estava em Cristo Jesus.
Que alívio ser liberto do serviço cristão como objetivo e perceber que tudo o que precisava ser era uma fragrância de Cristo para Deus! Isso se tornaria um ministério.
Já não se tratava do que ele precisava fazer para alcançar as pessoas e ministrar. Agora era uma questão de estar em um relacionamento correto com Ele.
Fico impressionado ao ver tantos cristãos lutarem com algumas dessas verdades. Pergunto-me se talvez isso aconteça porque ainda não foram para além da linha. Do lado errado da linha, isso não faz sentido. Não tem importância.
Quando você está em si mesmo, faz muito sentido pensar que precisa confiar em Deus para que Ele lhe dê alguma coisa chamada vitória. Quando está em si mesmo, faz muito sentido pensar que precisa carregar o fardo do mundo e que é responsável por sair, ministrar e fazer isto e aquilo.
Mas, depois que você atravessa essa linha, tudo começa a se encaixar.
Vou pular muita coisa aqui, porque Paulo viu muitas outras coisas, ao estar em Cristo Jesus, por meio de uma revelação transformadora. Ele percebeu que possuía todas as coisas em Cristo.
Paulo não perdeu nada ao ser pressionado para além daquela linha. Deus lhe devolveu tudo, mas, desta vez, em liberdade. Ele recebeu todas aquelas coisas de volta da mesma maneira que Abraão recebeu Isaque de volta.
Todas as coisas estavam em Cristo. Paulo não perdeu sua vida ao ser empurrado para além da linha; ele encontrou sua vida ao ser empurrado para além da linha. Não perdeu sua vontade ao ser empurrado para além da linha; encontrou sua vontade. Tudo lhe foi devolvido em Cristo.
Finalmente, para Paulo, não importava se estava com fome ou saciado, se prosperava ou sofria aflição, se vivia em conforto ou em sofrimento, porque seu contentamento agora estava em Cristo Jesus. Ele era sua satisfação. Ele era suficiente.
Ele não apenas possuía todas as coisas em Cristo; de modo ainda mais maravilhoso, possuía Cristo em todas as coisas.
Ele não possuía uma casa, um carro, um negócio e roupas. Possuía Cristo em uma casa, Cristo no transporte, Cristo nas roupas. Paulo se via como rico, rico, rico do outro lado daquela linha.
Quando não tinha nada, possuía todas as coisas em Cristo. Quando tinha tudo, possuía Cristo em todas as coisas. O que poderia ser maior?
É emocionante ler sobre algumas dessas descobertas que ele fez. Permitam-me compartilhar mais uma, e terminaremos. Ele não apenas recebeu uma nova visão da vitória, não apenas recebeu uma nova visão do ministério; enquanto estava ali, Deus lhe deu uma nova Bíblia.
Por favor, abram em 2 Coríntios 3. Deixem-me ler alguns versículos, de 2 Coríntios 3:12-18.
Tendo, pois, tal esperança, usamos de grande ousadia no falar; e não somos como Moisés, que punha um véu sobre o rosto, para que os filhos de Israel não olhassem atentamente para o fim daquilo que se desvanecia. Mas a mente deles foi endurecida; pois, até o dia de hoje, na leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece sem ser levantado, porque é removido em Cristo. Mas, até hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está sobre o coração deles; porém, sempre que alguém se volta para o Senhor, o véu é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como em um espelho, a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
Quando Paulo estava em Paulo, a Bíblia era um livro velado. Era um livro fechado: só fatos, só informações, filosofia de vida, erudição acadêmica.
Às vezes tendemos a esquecer que Paulo era teólogo antes de atravessar a linha. Era um teólogo extraordinário. Sabia tudo sobre profecia, anjos, dons espirituais, doutrina, história e o contexto de Israel.
Se ele se levantasse para pregar, poderia apresentar um sermão extraordinário sobre a cruz, a expiação, a natureza de Deus, as missões, o Espírito Santo e a inspiração das Escrituras. Tudo era morte.
O estudo bíblico estava morto. Tudo era uma casca. Tudo era externo — apenas um verniz, apenas o lado de fora. Ele não ia além da página sagrada.
Apenas fatos, apenas conhecimento. Quanto mais estudava, mais orgulhoso se tornava, porque o conhecimento ensoberbece.
Quando Paulo estava em Paulo, era um mestre de um livro morto. Era teólogo. Era estudioso. Era o especialista na Bíblia.
Tinha um véu sobre o rosto, um véu sobre o coração e um véu sobre o Livro. Mas agora está do outro lado da linha.
Sempre que alguém se volta para o Senhor, o véu é retirado.
Agora ele se aproxima do mesmo Livro, mas, desta vez, com o rosto desvendado.
Desta vez, não vem estudar casamento, família, doutrina, igreja local, evangelismo, os últimos tempos, mordomia cristã ou mesmo o coração de servo. Nem sequer vem estudar isso.
Na verdade, não vem estudar Gênesis, Êxodo, Mateus, Marcos ou Lucas, porque o objetivo do estudo bíblico não é o estudo bíblico. Ele começou a perceber isso.
Agora não está tentando estudar fé, entrega, arrependimento ou a Trindade. Deus lhe deu uma nova Bíblia.
Ele percebeu que, ao se aproximar agora com o rosto desvendado, podia ver a glória do Senhor. Podia ver o próprio Deus.
De repente, não estava estudando Mateus para conhecer Mateus; estava estudando Mateus para conhecer Deus. Não estava estudando Isaías para ver Isaías; estava estudando Isaías para ver Deus, para ver a glória de Deus.
Era uma Bíblia inteiramente nova. Tudo ganhou vida, e seu coração começou a arder dentro dele à medida que passou a buscar Cristo nas Escrituras. Tremendo. Uma nova Bíblia.
E isso não é tudo. Em 2 Coríntios 3:18, cada vez que ele via Cristo, era transformado nessa mesma imagem, de um grau de glória para outro. Isso era tão maravilhoso para Paulo!
Ele começou a perceber: “Agora as coisas serão diferentes quando eu começar a viver. Ele é minha vitória. Esqueça a vitória; Ele é minha vitória. Vou viver em Cristo e andar em Seu triunfo. Ele é minha vitória”.
Tudo era diferente para Paulo agora. Nada mais de ministério em si. Dali em diante: “Vou estar cheio de Cristo, satisfazer o coração de Deus e deixar que os outros sintam esse aroma, se quiserem”. Uma mudança gloriosa.
Agora ele diz: “De agora em diante, este Livro está vivo. Vou me achegar a este Livro para conhecer Deus. Vou me achegar para ver Jesus”. Ao se aproximar desse Livro, cada vez que via Cristo, ele era mudado — transformado.
Ele começou a recordar todas aquelas mudanças que haviam ocorrido em sua própria vida porque tinha sido mais disciplinado e se esforçado mais. Começou a entender que qualquer mudança em sua vida que não tivesse vindo pela revelação de Jesus Cristo era uma mudança sem realidade.
As mudanças acontecem quando começamos a ver Cristo no Livro. Paulo tinha toda essa nova compreensão. Era uma nova dimensão. Era uma nova vida do outro lado da linha.
Ele não estava triste porque Deus o havia empurrado para além da linha. Aquilo era glória para ele, porque agora Deus lhe havia dado essa nova Bíblia.
Alguém poderia dizer: “Bem, o que exatamente você quer dizer quando afirma: ‘Vou ver Cristo’? Eu nunca realmente vi Cristo na Bíblia”.
Sim, você já O viu, se é salvo. Você já teve pelo menos uma revelação de Cristo. Um dia, o Espírito Santo, da maneira como fez isso em sua vida, levou você ao ponto em que viu Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
O que aconteceu quando vocês viram isso, irmãos? Foram transformados? Ah, meu irmão, você se tornou uma nova criatura em Cristo!
Algumas pessoas pensam que isso é o fim de tudo. “Vi Cristo como meu Salvador. Estou salvo, vou para o céu, não vou para o inferno”.
Há revelações ilimitadas de Cristo neste Livro. Da mesma maneira como vocês vieram, como receberam Cristo, assim andem nEle. Da mesma maneira como O viram como Cordeiro e foram transformados, agora precisam se achegar, e um dia Deus, quando vocês estiverem prontos, O revelará como o fim da lei para todo aquele que crê.
Quando Deus O revela, isso não acontece por você pegar uma concordância e procurar “fortaleza” por toda a Bíblia — não é assim que você O vê como Fortaleza, nem é assim que O vê como Rocha. Mas, quando você está pronto, quando Deus conduz sua vida de modo que você precise dessa revelação, então Deus vem e revela Cristo como o Consolador.
Quando você O vê por revelação, é transformado. Quando O vê como Videira por revelação, é transformado. Quando O vê como Refinador por revelação, é transformado. Quando O vê como Noivo por revelação, é transformado. Quando O vê como Sacerdote por revelação, é transformado.
À medida que Deus começa a vivificar seu coração, e você O vê como Pai, Criador, Rocha, Fortaleza e Aquele que levanta sua cabeça, cada revelação de Deus neste Livro precisa de uma revelação especial do Espírito Santo.
Quando o Espírito Santo revela Cristo dessa maneira, você é mudado. Você é transformado.
Quando Paulo percebeu isso, disse: “Vou viver do outro lado para sempre. Nunca sairei daqui. Vou viver aqui. Cristo é minha vitória. Estou em Seu triunfo. O ministério é apenas um transbordamento dessa fragrância de Cristo. Meu estudo bíblico não é nada além disto: vê-Lo, ser transformado; vê-Lo, ser transformado; vê-Lo. É glorioso”.
Ele ainda não é um servo. Precisa voltar hoje à noite e ouvir o que tenho a dizer.
Vocês pensaram que era só isso? “Agora posso ser servo se chegar ao ponto de ir além de mim mesmo e ser cheio de Cristo”. Há outra etapa — uma etapa maior — que foi necessária para o apóstolo Paulo antes que pudesse se tornar esse servo de Cristo. Gostaríamos de continuar com isso hoje à noite.
Eu avisei: três pontos e um poema. Aqui está meu poema, do meu autor favorito. Tenho três autores favoritos de poemas: Desconhecido, Anônimo e Se É.
O mundo, eu pensava, pertencia a mim — Bens, ouro e prata, terra e mar. Onde quer que eu andasse sob o céu de Deus, Naqueles velhos dias, a palavra era “eu”.
Os anos passaram. Perto do meu caminho brilhou O fragmento de uma visão preciosa. Aquela antiga palavra já não bastava; Então, o que eu dizia era: “Eu e Cristo”.
Quanto mais eu olhava para Ele, Mais Sua glória crescia, e a minha diminuía. Eu me tornava tão pequeno, Ele Se erguia tão alto, Que tudo o que ousava dizer era: “Cristo e eu”.
Por mais anos, aquela visão permaneceu; Fitava-me firmemente no rosto. Agora falo em um tom mais humilde: Tudo o que posso dizer é: “Somente Cristo”.
Vamos orar.
Nosso Pai, pedimos que, em Tua graça, nos mostres a plena suficiência de nosso Senhor Jesus.
Cria em nós, nós Te pedimos, a realidade de sermos servos. Pedimos isso em Seu nome, que prevalece sobre tudo.