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    Government and Ministry In Local Church - Question and Answer Part A © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Government and Ministry In Local Church - Question and Answer Part A
    Government and Ministry In Local Church - Question and Answer Part A
    Kaung, Stephen

    Igreja Local, Governo e Ministério

    Senhor, ao nos reunirmos aqui nesta tarde em Teu nome, colocamo-nos sob a autoridade do Teu senhorio. Senhor, cria em nós um espírito de humildade, um espírito de obediência.

    Ao nos achegarmos a Ti, Senhor, estamos aqui para ouvir, não para falar. Senhor, oramos para que as palavras humanas não ocultem a Tua vontade, mas para que o Teu Espírito Se manifeste, usando a Tua Palavra para tocar nosso coração e nos conduzir àquilo que é a Tua vontade.

    Ó Senhor, vimos pedir-Te: não queremos conhecer as coisas apenas por conhecer. Queremos conhecer porque desejamos fazer a Tua vontade. Que esse seja o nosso espírito nesta tarde, ao iniciarmos esta sessão.

    Senhor, Tu és a nossa sabedoria. Tu és a resposta a todas as perguntas. Não permitas que respondamos a essas perguntas e tomemos as respostas apenas como soluções técnicas. Livra-nos disso. Oramos para que, em todas essas perguntas e respostas, o Teu Espírito nos conduza à Tua vontade.

    Senhor, entregamos este tempo em Tuas mãos, com temor e tremor, olhando para Ti. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    Bem, vocês podem ver que tenho um monte de perguntas. Não creio que teremos tempo para responder a todas, por isso procurei agrupá-las. Na verdade, a maioria dessas perguntas pode ser dividida em quatro grupos.

    Essas são as quatro áreas de que trataremos nesta tarde. Talvez não consigamos responder especificamente à sua pergunta, mas esperamos que, ao tratar dessas áreas, ela seja respondida.

    A primeira área diz respeito à igreja local, ou assembleia local. Já que estamos falando sobre o governo e o ministério da assembleia local, antes de tudo precisamos compreender corretamente o que é uma igreja local, ou assembleia local. Receio que haja confusão nesse ponto.

    A segunda área diz respeito ao governo: os presbíteros e o que acontece se um presbítero pecar ou se um deles assumir o controle da igreja. A terceira área diz respeito ao ministério: como o ministério se desenvolve, e assim por diante. A última área diz respeito ao lugar das mulheres na igreja local, no governo e no ministério. Essa é uma questão muito interessante, por isso deixarei a mais interessante para o final.

    A Natureza da Igreja Local

    Antes de entrarmos nessas perguntas específicas, creio que precisamos estabelecer os fundamentos do que é uma assembleia local, ou igreja local. Hoje falamos de igreja local ou assembleia local de maneira muito imprecisa. Qualquer grupo cristão, em qualquer lugar, diz: “Esta é uma igreja local”.

    Vocês dizem que são a igreja local, eu digo que sou a igreja local, e cada grupo afirma que é a igreja local. Então, o que é a igreja local nas Escrituras?

    Naturalmente, mencionamos logo no início que vocês não encontram o termo igreja local ou assembleia local nas Escrituras. É verdade que a palavra igreja é mais bem traduzida como assembleia. Portanto, quando falamos de igreja local ou assembleia local, estamos falando da mesma coisa. Mas vocês não encontram, de fato, o termo igreja local nas Escrituras.

    Usamos esse termo porque ele descreve a manifestação da igreja em uma localidade. Como mencionamos antes, somos seres humanos, ainda na carne, limitados pelo tempo e pelo espaço, embora pertençamos à igreja.

    Há somente uma igreja. O Senhor disse: “Edificarei a Minha igreja”, não “igrejas”.

    Edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
    —Mateus 16:18

    Todos nós pertencemos a essa igreja. Mas ela é universal; abrange dois mil anos e se estende pelo mundo inteiro. Como teremos contato uns com os outros, manteremos um relacionamento próximo, seremos edificados uns com os outros e serviremos juntos?

    A única maneira é esta: onde quer que o Senhor coloque você, juntamente com outros irmãos e irmãs que Ele colocou na mesma localidade, ali vocês podem conhecer uns aos outros, entrar em atrito uns com os outros, pisar no pé uns dos outros, ferir uns aos outros, consolar uns aos outros, amar uns aos outros, cuidar uns dos outros e servir juntos.

    Na Bíblia, vocês encontram que é assim que Deus põe em prática todos os princípios espirituais da igreja universal. A igreja local é um fato no Novo Testamento. Não é um ensinamento; é um fato.

    Vocês abrem o livro de Atos, e sabemos que Atos nos conta a história da igreja primitiva. Ali vemos a igreja em Jerusalém, porque as pessoas estavam reunidas em Jerusalém. Depois temos as igrejas na Judeia. Por que igrejas na Judeia? Porque a Judeia é uma província, não uma cidade. Uma província tem várias cidades, e em diversas cidades havia cristãos reunindo-se em nome do Senhor Jesus.

    Depois temos a igreja em Antioquia, porque Antioquia é outra localidade. E assim por diante, até encontrarmos a igreja em Roma, quando Paulo estava em Roma.

    Portanto, no livro de Atos, o que vemos são assembleias locais, igrejas locais. A maneira pela qual Deus edifica a igreja universal é edificando essas assembleias locais. O termo igreja local é uma descrição, não um ensinamento; é história, não doutrina. Ele expressa a aplicação prática de todos os princípios espirituais da igreja universal.

    A Unidade da Igreja em Cada Localidade

    A igreja é uma só, e a expressão da igreja em cada localidade também é uma só. Caso contrário, vocês não conseguem expressar ou manifestar a igreja. Onde o povo de Deus está em determinada localidade, ele representa a igreja naquela localidade.

    A igreja universal inclui todo o povo de Deus, no mundo inteiro e ao longo de todos os séculos. Todos os que creem no Senhor Jesus pertencem à igreja universal; não há uma única exceção. O mesmo se aplica à assembleia local, porque a igreja local inclui todos os crentes daquela localidade específica.

    No Novo Testamento, a localidade é representada pelas cidades. Por quê? Porque as cidades são agrupamentos de pessoas, comunidades. Quando as pessoas habitam juntas dentro de determinado limite e sob determinado governo, elas formam uma unidade. Nos tempos do Novo Testamento, a cidade era o limite da igreja local.

    Vocês também encontram que, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele percorria cidades e aldeias. Assim, as cidades podem ser unidades, e as aldeias também podem ser unidades, porque a ideia básica é a de uma comunidade na qual as pessoas vivem juntas.

    Hoje, porém, usamos esse termo de maneira muito imprecisa. As igrejas batistas se chamam igrejas locais. Não apenas as igrejas batistas, mas todas as igrejas denominacionais se chamam igrejas locais. Até muitos grupos independentes se chamam igrejas locais.

    Em outras palavras, em uma cidade, aldeia ou localidade, pode haver muitas chamadas igrejas locais. Ora, isso não está de acordo com as Escrituras. Ninguém pode afirmar que é a igreja local, a menos que inclua todo o povo de Deus naquela localidade.

    Quando falamos de igreja local, referimo-nos a todo o povo de Deus em determinada localidade. Esse é o significado bíblico de igreja local.

    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
    —Mateus 18:20

    “Onde” indica uma localidade. “Dois ou três” indica pluralidade, porque uma pessoa não constitui uma assembleia. É preciso haver pelo menos dois ou três, e eles se reúnem — não apenas se encontram, mas se reúnem sob o nome do Senhor Jesus.

    Eles se colocam sob o senhorio de Cristo, porque Cristo é a Cabeça. Quando esses dois ou três, em uma localidade, se colocam sob o senhorio de Cristo, representam o Corpo naquela localidade. O Senhor disse:

    Aí estou Eu no meio deles.
    —Mateus 18:20

    A presença do Senhor entre o Seu povo é a evidência de que eles representam a Sua igreja naquela localidade.

    A Base da Assembleia Local

    Qual é a base de uma assembleia local ou igreja local? Em outras palavras, sobre que fundamento ou base nos reunimos? Sabemos que isso deve estar de acordo com a Palavra de Deus.

    Mais uma vez, a palavra base, nesse sentido, não se encontra na Bíblia. É uma linguagem moderna. Ela simplesmente procura nos dizer o seguinte: sabemos que a igreja local inclui todo o povo de Deus naquela localidade, mas como essas pessoas se reúnem? Sobre que base se reúnem para se tornarem a expressão da igreja naquela localidade?

    Para simplificar bastante, a primeira base da igreja local é a autoridade do Espírito Santo.

    Estamos chegando a questões muito práticas. Quem é a Cabeça da igreja? Cristo. Nós nos reunimos em Seu nome, o nome de Cristo. Quem, então, representa Cristo e o Seu nome na terra de maneira prática? O Espírito Santo.

    Quando chegamos à expressão prática dessa questão, dois ou três podem dizer que se reúnem em nome do Senhor Jesus, mas talvez não se coloquem realmente sob a autoridade de Cristo. Em vez disso, podem se colocar sob a autoridade de um homem, talvez um gigante espiritual. Isso não constitui uma igreja local.

    Como sabemos que realmente nos reunimos em Seu nome? Hoje Cristo está ausente; Ele está no céu. O Espírito Santo está aqui. Ele é o outro Consolador — outro da mesma natureza, não de natureza diferente.

    Em outras palavras, a autoridade de Cristo é hoje representada, manifestada e exercida pelo Espírito Santo. Em termos práticos, sempre que o povo de Deus se reúne e verdadeiramente se coloca sob a autoridade do Espírito Santo, o Espírito Santo tem autoridade ali. Então vocês sabem que estão reunidos em nome de Cristo.

    Leiam o livro de Atos. Vocês encontram as pessoas reunidas em nome de Cristo. Repetidas vezes, o nome do Senhor Jesus é mencionado. Eles exaltavam o Seu nome e se reuniam nesse nome. Por isso, a autoridade do Espírito Santo era muito evidente.

    Vocês se lembram de Atos 5:1-11. Ananias e Safira eram crentes, verdadeiros crentes, e tinham um coração voltado para o Senhor. Queriam ajudar. Venderam sua propriedade e deram uma parte à igreja, mas, infelizmente, conspiraram contra o Espírito Santo.

    A propriedade era deles. Pedro disse: “Ela é sua”. Não havia nada de errado nisso. Mesmo depois de vendê-la, o dinheiro ainda era deles. Não havia nada de errado em dar apenas uma parte. Mas, se tentavam enganar o Espírito Santo, como se Ele não estivesse presente na igreja, e dizer: “Isto é tudo”, para ganhar prestígio para si mesmos, o que era isso?

    Imediatamente, Ananias e Safira morreram. Em outras palavras, a autoridade do Espírito Santo era muito evidente.

    Irmãos e irmãs, quando nos reunimos em nome do nosso Senhor Jesus, colocamo-nos sob a autoridade do Espírito Santo? Isso é real? Ou a autoridade da igreja está em outro lugar, ou em outra pessoa? Isso determina se a reunião do povo de Deus naquela localidade pode representar a igreja local ou não. Esse é o teste — a base da assembleia local.

    A Localidade como Limite Prático

    Em segundo lugar, a igreja é tanto espiritual quanto física. A igreja universal é espiritual; não é física. Mas a igreja local não é apenas espiritual; também é física. Vocês não podem ver nem tocar a igreja universal, mas podem ver e tocar a igreja local.

    Dize-o à igreja.
    —Mateus 18:17

    Isso indica algo visível e prático. Por ser física, há um limite: o limite da localidade. Uma igreja local é uma igreja delimitada pela localidade. Todo crente naquela localidade pertence à igreja.

    Vocês não podem traçar um círculo menor que a localidade e dizer: “Esta é a igreja local”, porque ela já não é local. Local significa aquela localidade. Para representar a igreja local, vocês precisam incluir todo o povo de Deus naquela localidade. Então ela é a igreja local, se vocês quiserem chamá-la assim.

    A Localidade e a Unidade do Corpo

    É por causa da confusão ou da falta de compreensão desse conceito de igreja local que surgem todos os tipos de perguntas. Permitam-me dizer um pouco mais, porque sei que hoje há pessoas que enfatizam fortemente a localidade.

    Em outras palavras, elas fazem da localidade a única base da igreja local. Ao enfatizá-la dessa maneira, em vez de unir o povo de Deus, dividem o povo de Deus. Dizem que são a igreja local, e que aqueles que não se reúnem com elas não são. Então, onde estão esses outros crentes? Estão suspensos no ar?

    Em vez de unir o povo de Deus, elas o dividem ao reivindicar a localidade para si. Irmãos e irmãs, lembrem-se de uma coisa: a localidade não é um ensinamento na Bíblia. Em nenhum lugar da Bíblia vocês encontram o ensinamento da localidade. Se conseguirem encontrá-lo, por favor, avisem-me.

    A localidade é uma prática, um exemplo, história. Não é um ensinamento. Se alguém tenta ensinar a localidade como doutrina, isso leva à heresia, à divisão, à formação de uma facção — talvez, pior ainda, de uma seita.

    A localidade nunca é um ensinamento na Bíblia. Qual é, então, o ensinamento? O ensinamento é a unidade do Corpo de Cristo. Irmãos e irmãs, vocês encontram isso ensinado em todas as Escrituras.

    Somos um. Nosso Senhor Jesus disse:

    Para que sejam um, assim como Nós somos um.
    —João 17:22

    Vocês não estão divididos. Cristo não está dividido. Há um Corpo, uma Cabeça, uma igreja. O ensinamento das Escrituras é a unidade do Corpo de Cristo.

    Porque obedecemos ao ensinamento da unidade do Corpo de Cristo e queremos expressar essa unidade, como vamos expressá-la? No lugar onde vocês estão, devem ser um. Essa é a maneira prática de expressar a unidade.

    Se vocês vivem em uma localidade, não podem expressar sua unidade de maneira prática com pessoas que estão a oito mil quilômetros de distância. Em espírito, vocês podem ser um com elas, mas, na prática, não conseguem fazer isso. A única maneira de praticar a unidade do Corpo de Cristo é em uma localidade. Se vocês vivem em uma localidade, são um e expressam juntos sua unidade.

    Para que o mundo saiba que Deus enviou o Seu Filho ao mundo. Irmãos e irmãs, ouçam a oração do nosso Senhor Jesus em João 17:1-26. Quando uma pessoa está prestes a partir, suas últimas palavras certamente expressam o que há de mais profundo e precioso em seu coração.

    Antes de nosso Senhor Jesus ser crucificado, em Sua oração ao Pai, Ele derramou o Seu coração. O que Ele desejava mais do que qualquer outra coisa?

    Para que todos sejam um; assim como Tu, ó Pai, és em Mim, e Eu em Ti, que também eles sejam em Nós: para que o mundo creia que Tu Me enviaste.
    —João 17:21

    Irmãos e irmãs, a unidade do povo de Deus convencerá o mundo de que Deus enviou o Seu Filho ao mundo. É um testemunho tremendo. Por quê? Porque, neste mundo, as pessoas não conseguem ser um. Nem duas pessoas são um.

    A carne é independente. Se o mundo quer produzir unidade, faz isso por meio da uniformidade: procura forçar todos a entrar no mesmo molde e então diz: “Somos um”. Mas não é assim na igreja.

    Na igreja não há coerção, e, mesmo assim, nós, com toda a nossa diversidade e todas as nossas origens, podemos ser um. Todas as distinções de raça, língua, condição social, formação e origem são eliminadas pela cruz do nosso Senhor Jesus.

    Somos um em Cristo Jesus, e expressamos ao mundo que somos um. Vejam a igreja primitiva. Parece que eles não realizavam reuniões evangelísticas todos os dias.

    Na verdade, as únicas reuniões evangelísticas que podemos identificar são duas. Uma ocorreu no dia de Pentecostes, quando Pedro e os onze se levantaram. A outra foi quando o homem coxo foi curado e um grupo se reuniu ao redor de João e Pedro. Foi simplesmente uma oportunidade para pregar o evangelho; não havia sido planejada.

    Mesmo assim, o evangelho se espalhou. Por quê? Porque as pessoas olhavam para aqueles crentes em Jerusalém e perguntavam: “O que aconteceu com eles?”. Eles amavam uns aos outros, cuidavam uns dos outros, estavam em unanimidade e ajudavam uns aos outros. Com todas as diferenças que havia entre eles, eram um.

    O mundo tinha de dizer: “Deus enviou o Seu Filho a este mundo”. Caso contrário, algo assim não poderia acontecer. Isso é verdade hoje?

    Quando pregamos o evangelho, muitas vezes nos deparamos com esta pergunta: “Todos vocês proclamam que creem no Senhor Jesus. Por que existem católicos romanos, metodistas, Assembleias de Deus e todas essas coisas? Se todos proclamam que creem em um só Deus, um só Cristo e um só Espírito, por quê? Onde está o testemunho de vocês?”.

    Mas, se somos verdadeiramente um, irmãos e irmãs, nossa própria vida convencerá o mundo de que Deus enviou o Seu Filho a este mundo. A unidade do Corpo de Cristo é o testemunho da igreja.

    A Restauração do Testemunho da Unidade

    Para expressar isso de maneira prática, todos os crentes de uma localidade deveriam ser um. Naturalmente, hoje dizemos que isso é impossível.

    Nos primeiros tempos, talvez fosse assim — em Jerusalém, Antioquia, até mesmo em Roma. Em Corinto, eles ainda eram um, mas estavam à beira da divisão. Alguns começaram a dizer:

    Eu sou de Paulo;
    Eu, de Apolo;
    Eu, de Cefas;
    Eu, de Cristo.
    —1 Coríntios 1:12

    E essa última afirmação era feita de maneira exclusivista.

    Hoje, porém, vocês veem por toda parte esse “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”, “Eu sou de Cefas” e “Eu sou de Cristo”, nesse sentido exclusivista. Algo se quebrou e, humanamente falando, não há como juntar tudo novamente.

    Isso significa que, por causa disso, devemos simplesmente nos contentar em ser de Paulo, de Apolo, de Pedro ou de um Cristo reivindicado de maneira exclusivista? Então o testemunho do Senhor Jesus está perdido.

    Irmãos e irmãs, Deus está buscando restaurar o Seu testemunho na terra. Todo aquele que ama o Senhor sabe, em seu coração, que há algo errado e que Deus quer restaurá-lo de acordo com a Sua própria satisfação. Vocês têm esse anseio no coração. Mas como isso será feito?

    Não há como restaurá-lo exteriormente. Como mencionamos antes, em Sua obra de restauração, Deus está restaurando a realidade, não a aparência. A aparência exterior nunca será restaurada. As Escrituras não nos dizem que ela pode ser restaurada dessa maneira.

    Pelo contrário, vocês encontram a igreja caminhando para a apostasia. Já estamos em apostasia. Mas Deus não foi derrotado. Ele está trabalhando para restaurar o testemunho da unidade do Corpo de Cristo na terra — não apenas em nossa mente.

    Como? Ao longo da história da igreja — isso não começou hoje —, sempre que a igreja começou a se desviar, a sair do rumo e a se tornar algo diferente daquilo que Deus pretendia que ela fosse, Deus reagiu.

    Sempre que a igreja se tornou uma instituição, uma organização, um sistema, uma forma, uma divisão ou uma tradição, Deus reagiu. A maneira pela qual Deus reagiu foi tocando certas pessoas que verdadeiramente amavam o Senhor de coração puro.

    Ele tocou o coração delas, de modo que se recusaram a aceitar o estado de coisas vigente. Queriam voltar à Palavra de Deus. Queriam voltar ao coração de Deus. Recusaram-se a ser divididas. Recusaram-se a se chamar por qualquer outro nome que não fosse o nome de Cristo.

    Recusaram-se a se conformar a determinados sistemas. Confessaram que eram um com todo o povo de Deus.

    Na história da igreja, essas pessoas foram perseguidas. Foram mortas, não pelo mundo, mas pela cristandade. Suas histórias foram apagadas. Somente nas últimas décadas começamos a descobrir, por exemplo, a história dos anabatistas.

    Seus livros foram destruídos porque a igreja oficial não permitia que essas coisas permanecessem. Irmãos e irmãs, graças a Deus, ao longo dos séculos houve remanescentes fiéis ao Senhor.

    Eles preservaram a unidade do Corpo de Cristo. Não reivindicavam ser alguém nem alguma coisa. Mas permaneciam sobre a base de querer se colocar sob a autoridade do Espírito Santo e abrir o coração e as mãos a todo o povo de Deus, onde quer que estivesse.

    Embora fossem rejeitados, incompreendidos e perseguidos, ainda assim acolhiam todo o povo de Deus. Vocês os encontram na história da igreja. Isso é a restauração.

    A restauração da igreja local consiste em Deus levantar um povo que dê testemunho da realidade da unidade do Corpo de Cristo e do senhorio de Cristo. É isso. Ninguém pode reivindicar ser a igreja local, porque ela pertence a todo o povo de Deus. Mas o testemunho precisa ser restaurado.

    Queridos irmãos e irmãs, que o Senhor toque nosso coração para que, por Sua graça, sejamos fiéis a Ele e conheçamos o senhorio de Cristo e a unidade do Corpo de Cristo. É um testemunho que pode ser restaurado hoje, não apenas um sentimento.

    Questões Relativas à Localidade

    Com essas questões compreendidas, podemos tratar das perguntas que foram feitas.

    Aqui está uma pergunta baseada em Repensando a Obra. Essa é uma das condições para participar da sessão da tarde; se vocês a cumpriram ou não, é outra questão.

    Em Repensando a Obra, o irmão [nome pouco claro] dedica algum tempo a discutir o fato de a igreja local estar em uma única localidade. Em nossa comunhão, temos famílias de diferentes localidades, situadas a cerca de cinquenta quilômetros de onde nos reunimos. Isso é um problema?

    Como dissemos, a localidade não é um ensinamento; é um fato, um exemplo. Por localidade, nas Escrituras, entendemos uma comunidade. Portanto, não tratem a localidade de maneira excessivamente técnica.

    Os princípios espirituais devem ser aplicados espiritualmente, não tecnicamente. Se vocês tentarem aplicar um princípio espiritual de maneira técnica, ele se torna morto. É preciso aplicá-lo espiritualmente.

    Suponham que, em uma localidade, haja alguns crentes verdadeiramente reunidos sob o nome do Senhor Jesus e cujo coração esteja aberto a todos os crentes dali. Embora sejam poucos, eles dão testemunho do Senhor de maneira representativa.

    É como o remanescente judeu que retornou do cativeiro babilônico. Embora fossem apenas um remanescente, representavam todas as tribos de Israel.

    Agora, suponham que vocês morem a cerca de cinquenta quilômetros de distância, mas, infelizmente, não haja outros cristãos ali — nenhum outro crente que deseje estar sob a autoridade do Espírito Santo, nenhum outro cristão que queira acolher todos os crentes. Eles querem permanecer divididos. O que vocês fazem? Como serão edificados, ajudados e fortalecidos?

    Não há nada de errado em percorrer cinquenta quilômetros de carro até um lugar onde exista essa expressão. Juntem-se a eles, sejam edificados juntos e aprendam as lições que Deus quer que aprendam, até que o Senhor levante algo na localidade de vocês. Então haverá ali um testemunho para o mundo. Não há nada de errado nisso.

    Se vocês se tornarem excessivamente técnicos, como traçarão a linha divisória? As cidades modernas são diferentes das cidades antigas. Nova York tem cinco distritos. A região metropolitana de Londres é outro exemplo. Como vocês traçam os limites? Consideram a região metropolitana de Londres uma única unidade da igreja, ou consideram um distrito, um município ou uma zona postal como unidade?

    Sejam flexíveis conforme o Senhor os conduzir. Não sejam excessivamente técnicos nisso. Pode ser uma unidade ou podem ser várias, porque há muitas comunidades ali.

    A única questão é esta: não tentem estabelecer outra reunião porque discordam de alguns irmãos e irmãs. Nesse caso, vocês tratam a questão tecnicamente e dizem: “Bem, mudei para o outro lado do rio; portanto, estou em uma localidade diferente. Posso ter a minha própria reunião”.

    É como as sinagogas. Durante o cativeiro babilônico, não havia templo, e os judeus queriam adorar a Deus. A sinagoga foi uma invenção maravilhosa. Se houvesse dez homens com tempo disponível — isto é, dez homens dispostos a dedicar tempo a propósitos religiosos —, vocês poderiam formar uma sinagoga.

    Assim, todos podiam formar uma sinagoga de acordo com seu próprio gosto. Era muito conveniente. Mas, queridos irmãos e irmãs, vocês não precisam ser excessivamente técnicos nisso. Apenas cuidem para que seu espírito esteja correto.

    A Comunhão Onde Não Existe uma Assembleia Local

    Aqui está outra pergunta:

    Muitos de nós não moramos em uma localidade onde haja uma reunião em torno do Senhor como a que existe em Richmond. A escolha é entre percorrer uma distância considerável para nos reunir com outros sobre essa base ou permanecer em uma localidade onde viajar não é viável e muitas vezes é impossível por questões familiares e financeiras. Como as questões de governo da igreja e ministério da Palavra se aplicam àqueles de nós que estão nessas circunstâncias? Como podemos crescer e nos desenvolver nessas áreas, para que os princípios espirituais que ouvimos sejam colocados em prática em seus desdobramentos?

    Richmond é um exemplo muito ruim. Vocês não nos conhecem. Estou sendo sincero. Diante do Senhor, tenho realmente um temor. Receio que as pessoas nos vejam como mais do que somos. Que o Senhor tenha misericórdia de nós.

    Antes de tudo, já explicamos que, se vocês realmente querem fazer parte do testemunho que o Senhor está restaurando e não há ninguém onde moram, não há nada de errado em viajar para outro lugar. Se viajar for difícil demais, não há nada de errado em se reunir com cristãos, seja qual for a base sobre a qual se reúnam, contanto que preguem Cristo e amem o Senhor.

    Por quê? Porque os cristãos não podem viver sozinhos. Por mais espirituais que sejam, não podem permanecer sozinhos. Vocês precisam de comunhão. Se o Senhor não levantou algo na localidade de vocês, procurem um lugar onde possam receber ajuda e ter comunhão.

    Isso está bem. Mas, se vocês sabem o que é a igreja local, não há necessidade de se filiarem a uma igreja, porque já estão na igreja. Quanto ao governo ou ao ministério, provavelmente, nesse tipo de situação, ainda não é possível falar de governo e ministério.

    A Saída de uma Assembleia

    Aqui está outra pergunta:

    Tendo lido A Igreja e a Obra e compreendido que nossa unidade está somente em Cristo, e não no fato de concordarmos ou discordarmos, existe algum momento em que podemos deixar uma igreja local sem sair da cidade? Em outras palavras, se depois de vinte anos ainda há uma atitude fechada em relação à obra viva do Espírito Santo, somos obrigados a permanecer nessa igreja local? Existe um momento em que podemos sair e nos reunir com outros crentes da localidade?

    Muito técnico e muito confuso. Se vocês realmente sabem o que é uma igreja local, e se ela verdadeiramente representa o testemunho, então, irmãos e irmãs, não há como sair. Vocês não podem deixar o Corpo.

    Mas, se a autoridade do Espírito Santo e o senhorio de Cristo não estão ali, ela não representa uma igreja local. Não sei exatamente o que se quer dizer com “a obra viva do Espírito Santo”, mas, se a autoridade do Espírito Santo e o senhorio de Cristo não estão ali, então ela não representa uma igreja local.

    As Relações entre Assembleias Locais e Ministérios

    Como vocês se relacionam de maneira viva com outras assembleias locais e com ministérios translocais?

    Vocês se lembram da visão que João teve na ilha de Patmos. Ele viu sete candeeiros de ouro, sete candeeiros de ouro separados, e Alguém semelhante ao Filho do Homem no meio dos sete candeeiros. Cada candeeiro representa uma igreja local.

    Elas são independentes na administração, mas estão unidas por Cristo em um relacionamento espiritual. Assim, as assembleias locais têm comunhão espiritual umas com as outras, mas não têm vínculo administrativo.

    Vocês encontram isso no livro de Atos. As igrejas gentias tinham comunhão com as igrejas da Judeia e com a igreja em Jerusalém. Quando houve necessidade em Jerusalém e na Judeia, elas expressaram sua unidade enviando auxílio aos irmãos e irmãs dali.

    Elas visitavam umas às outras e mantinham comunhão umas com as outras. Quando souberam que havia crentes em Antioquia, os irmãos de Jerusalém enviaram Barnabé para visitá-los e manter uma comunhão espiritual ali.

    Deve haver relacionamento, mas ele deve ser espiritual, não administrativo. Isto é, uma igreja não deve controlar outra igreja.

    Quanto aos ministérios translocais, creio que a pergunta se refere aos dons que Deus deu à igreja em Efésios 4:11: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. São pessoas levantadas por Deus para ministrar a Sua Palavra à igreja universal — isto é, a diferentes igrejas locais.

    Como nos relacionamos com elas? Se uma assembleia é uma igreja local, em primeiro lugar, deve estar aberta à comunhão com todo o povo de Deus naquela localidade. Se essas pessoas têm ensinamentos diferentes, experiências diferentes ou ênfases diferentes, mas pertencem ao Senhor, vocês devem recebê-las.

    Como encontramos em Romanos 15:7, recebam aqueles que Cristo recebeu. Vocês não podem excluir alguém porque tem uma experiência diferente ou um ensinamento diferente, desde que o ensinamento fundamental sobre Cristo e Sua obra não seja violado.

    Se uma pessoa não crê que Jesus é o Filho de Deus ou não crê em Sua morte expiatória, então ela não é crente. Mas, desde que uma pessoa creia no Senhor Jesus e em Sua obra consumada na cruz, ainda que saiba muito pouco, ou saiba muitas coisas que não deveria saber, irmãos e irmãs, não pode haver exceção. Uma igreja local deve receber todo o povo de Deus.

    Em segundo lugar, se uma assembleia é uma igreja local e representa a igreja local, então deve receber todos os ministérios que Deus dá à igreja, porque esses ministérios foram dados por Deus à igreja. Em princípio, vocês devem receber todos os ministérios.

    Mas, na prática, precisam ter cuidado. Por quê? Porque hoje há muitos chamados servos de Deus que talvez não tenham sido enviados por Deus. Há muitos que são verdadeiramente servos de Deus e têm um ministério, mas, infelizmente, misturam esse ministério com muitas outras coisas.

    Em outras palavras, os ministérios de hoje não são puros. Pode haver uma mistura de motivações. Se vocês abrirem a porta, eles podem entrar e assumir o controle.

    É por isso que nas Escrituras há presbíteros. Por que a igreja precisa de governo? Ela precisa de pessoas que exerçam supervisão.

    Os Presbíteros e o Governo Espiritual

    Esses presbíteros são pastores; eles guardam o rebanho. Estão abertos a todos os ministérios de Deus, mas precisam discernir qual ministério, em determinado momento, beneficiará o rebanho de Deus ali.

    Não se trata de rejeitar ministérios. Pelo contrário, eles precisam ter sabedoria para determinar que tipo de ministério é necessário em determinado momento, que ministério não prejudicará o povo de Deus e que ministério o ajudará. Essa é a responsabilidade dos presbíteros, daqueles que são espiritualmente responsáveis diante de Deus. Deus fez provisão para todas essas coisas.

    Bem, creio que preciso deixar as outras perguntas sobre a igreja local, porque tratamos de apenas uma área, e ainda há mais três. Temos de parar às quatro e meia da tarde, porque às seis e quinze as crianças serão trazidas de volta para nós. Então preciso me apressar agora. Desculpem-me, porque sou muito prolixo.

    O Reconhecimento dos Presbíteros

    Já mencionamos a importância do governo. O governo está sobre os ombros do nosso Senhor Jesus, e Ele é Quem escolhe e designa aqueles que assumem responsabilidade no governo local.

    Eles não são escolhidos pelos homens. São escolhidos pela Cabeça da igreja. A maneira pela qual Ele escolhe é esta: o Espírito Santo torna esses homens manifestos na igreja. Portanto, é uma questão espiritual, não técnica.

    Infelizmente, hoje muitas vezes escolhemos presbíteros olhando ao redor e encontrando membros que são ricos e capazes. São executivos de grandes empresas, e nós os escolhemos como presbíteros. Então os problemas financeiros são resolvidos, os problemas administrativos são resolvidos, e eles dirigem a igreja como uma empresa.

    E, de fato, acabam transformando-a em uma empresa. Irmãos e irmãs, não. Nosso Senhor escolhe aqueles que assumem responsabilidade pela casa de Deus de maneira muito diferente. Isso depende da vida que há dentro deles.

    O Espírito Santo torna essas pessoas manifestas aos irmãos e irmãs. É evidente. Se seus olhos estão fechados, vocês não conseguem discernir quem o Senhor levantou. Mas, se seus olhos estão abertos, vocês veem.

    Não há necessidade de uma ocasião de ordenação, apresentando determinados homens de maneira oficial e dizendo: “De agora em diante, eles são os presbíteros. Têm a posição. Têm a autoridade. Obedeçam a eles”. Não há necessidade dessas coisas.

    A igreja é espiritual por natureza. Quando vocês não são espirituais, surgem problemas. Mas, se são espirituais, os problemas se resolvem. É algo simples. Sejamos simples.

    Os presbíteros são reconhecidos por suas obras e por seu trabalho. Se alguém aspira à supervisão, deseja uma boa obra. Como reconhecemos aqueles que assumem responsabilidade na igreja? Observem sua vida diária. Observem o que fazem.

    Vejam como servem aos irmãos e irmãs, como se tornam servos de todos, como acolhem os irmãos e irmãs no coração e como dedicam tempo, esforço e até a si mesmos para cuidar deles. Deus os levantou para cuidar do rebanho. É muito simples.

    A Duração do Exercício do Presbiterato

    A duração do exercício de um presbítero — há muitas perguntas sobre isso. Se um presbítero é designado, é para a vida toda, ou ele tem um mandato?

    Infelizmente, as Escrituras não dizem nada a respeito. Vemos presbíteros designados pelo Espírito Santo e confirmados pelos apóstolos, mas não vemos por quanto tempo um presbítero deve exercer essa função. Não há um prazo estabelecido nas Escrituras.

    Por quê? Porque é uma questão espiritual. Como um homem se torna presbítero? Ele se torna presbítero porque sua vida espiritual parece estar um pouco à frente da dos outros irmãos e irmãs e, por isso, ele pode conduzi-los.

    Ele se torna presbítero porque trabalha mais. Todos exercem sua função, mas ele a exerce mais. É assim que se torna presbítero.

    Qual é a duração do seu exercício? Seu exercício termina quando ele não cresce espiritualmente e outros irmãos o ultrapassam. Seu presbiterato termina quando ele já não exerce essa função.

    Como diz uma das perguntas: se ele não exerce a função há dez meses, ainda é presbítero? É claro que não.

    É por isso que digo que é mais conveniente não tornar isso uma questão oficial. Assim, vocês não precisam considerar a duração do exercício; a questão se resolve automaticamente. Eles entram pelo Espírito Santo e saem pelo Espírito Santo. Não é mais conveniente? Vocês ainda querem presbíteros oficialmente designados?

    Algumas perguntas indagam se, quando um presbítero se torna um problema, devemos pedir que tire uma licença sabática. Não sabemos como contornar a situação com ele, ou se podemos fazê-lo, porque ele está ali.

    Bem, nós lhe demos um afastamento permanente, não apenas uma licença sabática. Creio que é muito simples. Quando vocês se tornam muito técnicos, as coisas ficam muito complexas. Mas, quando tratam dessas questões espiritualmente, elas são muito simples.

    O Ministério e o Desenvolvimento Espiritual

    Muito bem, essa questão do ministério: como o ministério é produzido? Como vamos incentivar as pessoas a se desenvolverem? Quem vai cuidar dessa questão? Os presbíteros são responsáveis? Sim.

    Os irmãos e irmãs mais espirituais têm a responsabilidade de ajudar os mais jovens a se desenvolverem. Devem ajudar a desenvolver o ministério da Palavra.