Vocês sabem, no mundo, o governo e o povo estão, de alguma forma, separados.
Bem, é o governo do povo, pelo povo e para o povo; mas, de alguma forma, vocês perceberão que, quando o governo é estabelecido, ele fica acima do povo. Há uma separação aí. Por quê? É por isso que digo: a autoridade acompanha a pessoa; a posição acompanha o povo. Quando você assume uma posição, ela o expõe. Faz você pensar que é maior, que está numa posição mais elevada e que está acima dos outros.
Mas, irmãos e irmãs, digo novamente: na igreja, não se trata de posição. Se vocês querem falar de posições, essa é a posição mais baixa. Vão e ocupem essa posição.
Há uma relação estreita entre o governo local e os irmãos e irmãs na assembleia local. Eles nunca estão separados.
Aqueles que são responsáveis pela igreja precisam buscar o Senhor para conhecer Seu pensamento e Sua vontade em tudo. Eles não são o Cabeça. Precisam olhar para o Cabeça e buscar nEle o Seu pensamento para o Seu povo.
E, muitas vezes, vocês perceberão que a maneira pela qual eles encontram o pensamento do Cabeça é por meio do corpo.
Então, em outras palavras, aqueles que exercem o governo local devem estar sempre em contato e em comunicação com os irmãos e irmãs, para encontrar, por meio do corpo, o pensamento de Cristo.
Eles identificam as necessidades do corpo e as levam ao Cabeça. Vocês sabem, é como o pescoço: tudo vem dos diferentes membros, passa pelo pescoço e chega ao Cabeça, para conhecer Seu pensamento. Do Cabeça, isso chega ao corpo inteiro.
Exteriormente, parece que eles decidem pela igreja o que deve e o que não deve ser feito. Exteriormente, parece ser assim; mas, na verdade, a decisão é tomada pelo corpo sob o Cabeça.
Creio que Atos 15 é muito claro. Vocês perceberão que, quando há um problema, os apóstolos e os presbíteros não se reúnem simplesmente e dizem: “Muito bem, aqui está o problema. Vamos conversar sobre ele e tomar uma decisão”. Não.
Vocês perceberão que, quando há um problema na igreja, eles apresentam a questão à igreja inteira. Cada irmão e irmã tem a oportunidade de expressar o que sente a respeito desse assunto — não na carne, é claro.
Então, esses presbíteros e apóstolos levavam o sentir do corpo ao Senhor e buscavam o Cabeça a respeito da questão. Assim, quando a decisão foi tomada, disseram:
O Espírito Santo e nós decidimos.
Portanto, irmãos e irmãs, deve haver uma verdadeira coordenação e ligação entre os irmãos responsáveis, ou aqueles que têm responsabilidade, e os irmãos e irmãs — nunca separados.
Vocês sabem, o problema hoje é que, quando as pessoas ocupam a posição de presbíteros, pensam que agora podem decidir tudo pelo povo. Simplesmente dão a ordem, e todos têm de cumpri-la. Não é assim.
Vocês precisam aprender a receber o sentir do corpo, para levá-lo ao Cabeça e receber dEle o Seu pensamento para o corpo. Portanto, há uma relação estreita entre o governo local e os irmãos e irmãs na assembleia local: nenhuma divisão, nenhuma divisão.
Por fim, gostaria de compartilhar algo. Talvez vocês não concordem comigo; e, se não concordarem, fico feliz. Estou aberto.
Que forma, se é que deve haver alguma, o governo local deve assumir no tempo de restauração?
Sabemos que hoje estamos no tempo da restauração da casa de Deus. Antes que nosso Senhor volte, a igreja precisa ser restaurada — restaurada ao propósito original de Deus.
Ao longo dos séculos, a igreja caiu. Tornou-se uma instituição terrena. Mas cremos que Deus está realizando uma obra de restauração. Ele está restaurando Sua igreja àquilo que originalmente desejou para ela.
Agora, no tempo de restauração, como fica essa questão do presbitério, do governo?
Por um lado, cremos que, na restauração, o governo precisa ser restaurado. A autoridade espiritual precisa ser restaurada. O povo de Deus precisa conhecer a autoridade e a submissão. A ordem divina na casa precisa ser restaurada. Cremos nisso.
Mas, por outro lado, sentimos que há um problema real aí. Se vocês querem restaurar o governo local, ou o presbitério, conseguem fazer isso?
Em primeiro lugar, vocês veem que o povo de Deus está tão dividido. Já não é um.
Vocês dizem que a igreja é uma — uma universalmente e uma localmente. Mas aqui vemos o povo de Deus dividido em pedaços, partes e fragmentos. Como vocês vão reuni-los?
Vocês sabem, todo filho de Deus, todo aquele que ama o Senhor — ou, mesmo que você não ame o Senhor, mas saiba um pouco sobre o que a igreja deveria ser — sabe que somos um só corpo. Não deveríamos estar divididos. Todos sabem disso.
E é por isso que, para reunir o povo de Deus em um só, há todos esses anos um movimento ecumênico em andamento, procurando reunir as pessoas, conversar, fazer concessões, concordar em discordar e discordar para concordar. Vocês veem todo tipo de tentativa de manter uma unidade exterior.
É essa a unidade que Deus quer restaurar?
Quando nosso Senhor Jesus fez aquela oração em João 17:21, Ele disse:
Para que sejam um;
assim como Tu, ó Pai, estás em Mim, e Eu em Ti.
Não se trata de uma união exterior; trata-se de uma unidade interior, irmãos e irmãs. É a unidade interior que Deus está buscando. Aquela união exterior não é isso.
Se vocês forem a uma terra virgem, onde não havia nenhum cristão, e ali pregarem o evangelho de Jesus Cristo e reunirem as pessoas ao Senhor, então poderão restaurar a igreja — não apenas em realidade, mas também em nome. Poderão chamá-la de igreja em determinado lugar.
Mas hoje vocês não podem fazer isso. Hoje vocês não podem chamar a si mesmos de igreja em Richmond. Por quê? Porque há muitos do povo de Deus que não se reúnem com vocês em seu grupo.
Alguns podem estar na Igreja Católica Romana. Graças a Deus, há muitos do povo de Deus — pessoas verdadeiramente nascidas de novo — no sistema católico romano. Não estamos endossando esse sistema, mas agradecemos a Deus por nossos irmãos e irmãs.
Há muitos irmãos e irmãs em diversas denominações. Há muitos irmãos e irmãs em muitos grupos independentes, em muitas comunidades e em muitas reuniões nos lares. E, irmãos e irmãs, somos um. Podemos nos reunir todos, como na igreja primitiva em Jerusalém? Não conseguimos fazer isso.
E é por isso que não podemos chamar a nós mesmos de igreja em Richmond, pois a igreja em Richmond inclui todo o povo de Deus em Richmond. Graças a Deus por isso.
Então, o que estamos fazendo aqui?
Bem, esse é o princípio da restauração. Estamos aqui, firmados sobre a base da unidade do corpo de Cristo.
Recusamo-nos a ser divididos. Reunimo-nos sob Cristo como Cabeça. Não temos outro nome senão o nome de Cristo. Aprendemos a nos colocar sob Sua autoridade. Prezamos Sua presença. Permitimos que Ele seja nosso Cabeça e abrimos nosso coração e nossas mãos a todo esse povo em Richmond. Esse é o nosso testemunho.
Isso é tudo o que podemos fazer, e é isso que Deus quer que façamos.
Apesar de todas as dificuldades, o testemunho da unidade do corpo de Cristo precisa ser mantido.
Agora, por causa disso, surge um problema com o presbitério. Podemos nomear presbíteros hoje? Podemos dar às pessoas o título de presbítero?
Vocês sabem, na restauração, parece-me que Deus já não está buscando coisas exteriores. Ele está buscando aquela realidade interior.
Em outras palavras, já não é o título ou o cargo de presbítero que Ele está buscando. É a função dos presbíteros que Ele busca — o exercício da função, não um título, não uma posição.
E, de fato, no princípio era assim. É uma função que pode ser restaurada.
Comparem as sete cartas escritas por Paulo com as sete cartas escritas por João — embora, na verdade, João estivesse apenas escrevendo o que lhe era ditado.
Mas, quando vocês leem as sete cartas escritas por Paulo, embora haja problemas nas igrejas, percebem que Deus ainda reconhece que elas estão em seu estado normal. Por isso, ali nas igrejas, há diáconos, presbíteros e pessoas que ocupam cargos.
Mas, quando vocês chegam às sete cartas de Apocalipse 2 e 3, essas cartas são escritas ao mensageiro da igreja.
Em Filipenses, Paulo pode escrever aos santos em Filipos, com os bispos e diáconos. Mas, em Apocalipse 2 e 3, as cartas são escritas ao mensageiro da igreja em Éfeso, em Esmirna, em Pérgamo, em Tiatira, em Sardes, em Filadélfia e em Laodiceia.
Agora, quem são os mensageiros? Sabemos que a palavra mensageiro pode se referir a dois tipos diferentes de mensageiros. Podem ser mensageiros celestiais — anjos — ou mensageiros terrenos — homens.
Neste caso, cremos que não são mensageiros celestiais, porque o Senhor está escrevendo às igrejas. Portanto, deve se referir a homens como mensageiros. Mas não há título, não há presbíteros — há mensageiros.
Aqueles que recebem uma mensagem do Cabeça ressurreto e a transmitem ao povo são como estrelas na mão direita do Senhor ressurreto.
Eles têm uma vida celestial. Têm em si a luz que brilha por Cristo, como luzes que resplandecem nas trevas. E estão na mão do próprio Senhor. O Senhor os sustenta.
Eles são responsáveis diante do Senhor pela assembleia local. Nenhuma posição, nenhum título — é uma função espiritual. Eles atuam como aqueles que são responsáveis pela igreja em Éfeso.
Irmãos e irmãs, isso significa que hoje, na obra de restauração de Deus, a função de governo — a função dos presbíteros — precisa ser restaurada? Sim, precisa. De fato, tem de ser.
Onde quer que o povo de Deus esteja reunido, deve haver algumas pessoas que exerçam a função de presbíteros. Mas não há título, não há posição. E, por não haver título nem posição, é mais difícil exercer essa função. Mas isso demonstra se você foi escolhido pelo Senhor ou não.
Novamente, leiam 1 Timóteo e 2 Timóteo. Vocês veem uma diferença tão grande entre essas duas cartas, escritas com apenas alguns anos de intervalo.
Paulo escreveu sua primeira carta a Timóteo depois de ser libertado da prisão romana, por volta do final de 63 ou de 64 d.C. Ele foi a Éfeso e viu que a igreja estava ali. Vocês sabem, ele havia permanecido em Éfeso por três anos. Escreveu a carta aos Efésios na prisão e depois foi a Éfeso.
É claro que aqueles presbíteros que haviam sido nomeados antes já estavam todos mortos. Portanto, novos presbíteros precisavam ser escolhidos, e ele não tinha tempo. Por isso, deixou Timóteo ali e começou a lhe dizer como se comportar na casa de Deus.
Aqui, em 1 Timóteo, vocês veem que ele chamou a igreja de:
A casa do Deus vivo, a coluna e o fundamento da verdade.
Grande é o mistério da piedade.
E, ao tratar desse assunto, ele nos apresenta as qualificações dos presbíteros e dos diáconos.
Apenas alguns anos depois, toda a situação mudou. Vocês sabem, em 64 d.C., Nero incendiou a cidade de Roma e colocou a culpa nos cristãos. Os cristãos foram os bodes expiatórios.
E, por causa disso, todo o ambiente mudou. Se você fosse cristão, seria um criminoso aos olhos do governo. Os cristãos eram perseguidos e mortos. Tudo mudou.
E, irmãos e irmãs, quando Paulo escreveu a segunda carta a Timóteo, antes de seu martírio, ele havia sido preso novamente e levado a Roma. Foi colocado numa masmorra, aguardando ser condenado e decapitado. E ele sabia que isso estava para acontecer.
Ele escreveu esta carta a Timóteo e, ao escrevê-la, disse:
Todos os da Ásia me abandonaram.
Ele trabalhou durante anos na Ásia, e eles o abandonaram. Foi tão difícil. Talvez não tivessem abandonado o Senhor, mas se afastaram de Paulo, abandonaram Paulo.
Durante sua primeira defesa, ninguém quis defendê-lo, apresentar-se como testemunha de seu caráter. Todos se esconderam, para que não fossem presos também. Foi difícil, podem acreditar. Ele ficou sozinho, mas o Senhor estava com ele. Tudo mudou.
E, quando Paulo mencionou a igreja, disse:
O Senhor conhece os que são Seus.
Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.
Ora, numa grande casa não há somente vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro;
e uns para honra, outros para desonra.
Se, pois, alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado, útil ao Senhor, preparado para toda boa obra.
Confiem isso a homens fiéis, queridos irmãos e irmãs. Aqui vocês veem que já não se trata da casa do Deus vivo; ela se torna uma grande casa.
Ela já não é pura. Há vasos para honra e vasos para desonra: ouro e prata. Ouro, a natureza de Deus; prata, a redenção de Cristo. Em outras palavras, há pessoas que vivem pela vida de Cristo nelas.
Mas há pessoas que pertencem ao Senhor e, ainda assim, vivem pela própria carne — madeira, o homem; terra e barro, a obra do homem.
Irmãos e irmãs, o chamado é: “Purifique-se”. Não aceitem ser vasos que desonram o Senhor. Não vivam na carne. Não trabalhem na força do homem natural.
Apartem-se da iniquidade. Vivam pela vida de Cristo em vocês e sejam fiéis até o fim. Irmãos e irmãs, que mudança!
Vocês veem que já não se trata de aparência exterior. Trata-se de realidade interior.
Então, fico pensando se hoje, na obra de restauração de Deus, o governo na igreja local precisa ser restaurado. Infelizmente, em muitos grupos, o que se vê é anarquia. É a chamada democracia. Mas não há ordem, não há disciplina, não há governo, não há coordenação. Como a igreja pode ser edificada?
Que Deus levante alguns que, por amor à igreja, estejam dispostos a dar sua vida por ela, a representar Cristo como Cabeça e a servir aos irmãos e irmãs — sem nome algum, sem título algum, sem posição alguma.
Incompreendidos, pisoteados, mas servindo fielmente ao Senhor, servindo aos irmãos e irmãs, cuidando da casa de Deus. Irmãos e irmãs, isso é indispensável.
Que o Senhor levante pessoas que exerçam a função de presbíteros, que ocupem o lugar mais baixo, que sirvam, liderem e sofram, mas não busquem um título. Não busquem uma posição.
Creio que isso nos livrará de sermos corrompidos pela posição, pelo poder em nós.
Pergunto-me se esse é o caminho do Senhor para Sua igreja hoje. Quero apenas compartilhar isso com vocês. Levem isso ao Senhor e vejam se esse é o caminho do Senhor quanto ao governo local.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, nós nos humilhamos diante de Ti, reconhecendo que ou não temos governo, ou corrompemos o Teu governo.
Oramos, Senhor, para que nos reveles o Teu conceito de governo. Oramos para que levantes algumas pessoas dispostas a assumir a supervisão por amor ao Teu povo.
Oramos para que, nesta restauração do governo, ele seja de vida, e não de organização.
Senhor, oramos para que abras os olhos do Teu povo para reconhecer o governo que estabeleceste em Tua igreja, a fim de que saibamos como nos comportar na casa de Deus.
Ensina-nos a nos sujeitarmos uns aos outros no temor de Cristo, para que a ordem divina na igreja seja estabelecida para a glória de Deus e para a edificação da igreja.
Senhor, nossa oração é que Tua igreja seja edificada, preparada para Ti, nosso Rei, nosso Noivo, nosso Cabeça.
Oramos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.