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    Government In Local Church Part 2A © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Government In Local Church Part 2A
    Government In Local Church Part 2A
    Kaung, Stephen

    Governo e ministério nas assembleias locais

    Imagino que haverá menos pessoas nesta tarde, mas graças a Deus vocês estão aqui.

    Nestas sessões da tarde, concentramos nossa atenção no governo e no ministério nas assembleias locais. Ontem à tarde, começamos pelo governo local.

    A natureza do governo na igreja

    Quando falamos de governo, espero que não tenhamos a ideia de que seja algo opressivo, algo de que todos procuramos nos afastar. Pelo contrário, sinto que precisamos enxergar o governo como algo maravilhoso e belo. Ele é cheio de vida e deve ser acolhido.

    Porque, quando falamos de governo nas assembleias locais, sempre nos lembramos de que o governo está sobre os ombros do nosso Senhor Jesus. Ele é a Cabeça da igreja. Quando você considera que o governo pertence a Ele, e que Ele próprio é o governo, penso que não há nada que acolhamos com mais alegria do que o governo visto dessa maneira.

    Portanto, espero que não venhamos com uma atitude pesada. Na verdade, esperamos enxergar isso como Deus quer que enxerguemos.

    Ontem à tarde, falamos sobre o porquê do governo — sua necessidade e como Deus estabeleceu o governo não apenas neste universo, mas especialmente na igreja. Mesmo no universo, vemos que as pessoas não conhecem o governo de Deus e, muitas vezes, se rebelam contra ele. Mas, em Sua igreja, Seu governo deve ser reconhecido e obedecido.

    Percorremos brevemente o livro de Atos e procuramos observar a história do governo local. Agora, nesta tarde, gostaríamos de nos concentrar no que é o governo e em como ele é exercido.

    O governo como serviço

    Vocês se lembram daquela história registrada em Mateus 20 e Marcos 10. Nosso Senhor Jesus estava a caminho de Jerusalém e compartilhou com Seus discípulos que ia para lá a fim de ser rejeitado pelos principais sacerdotes e pelos escribas, sofrer e, depois de três dias, ressuscitar dentre os mortos.

    Mas, estranhamente, depois que nosso Senhor Jesus lhes revelou que ia a Jerusalém para morrer, os dois filhos de Zebedeu, acompanhados da mãe, vieram ao Senhor Jesus e Lhe fizeram um pedido. A mãe disse:

    No Teu reino, permite que estes meus dois filhos se assentem, um à Tua direita e outro à Tua esquerda.

    O Senhor acabara de lhes dizer que ia a Jerusalém para ser crucificado. Mas os discípulos — não apenas esses dois filhos de Zebedeu, os filhos do trovão, mas também os demais — estavam tão presos à sua maneira de pensar que acreditavam que o Senhor ia a Jerusalém para receber Seu reino.

    Pensavam que Ele ia a Jerusalém para estabelecer Seu governo nesta terra. Ele seria o Rei dos judeus; e não apenas o Rei dos judeus, mas o Rei do mundo inteiro.

    Para esses discípulos, aquele parecia ser um momento realmente decisivo. Durante os três anos em que seguiram nosso Senhor Jesus, esses doze discípulos — nenhum deles de origem nobre — estavam sempre disputando entre si para saber quem era o maior.

    Agora, naquele momento, ainda tinham essa mentalidade. Pensavam que o Senhor ia receber Seu reino e, naturalmente, no reino há governo. O Senhor certamente seria o Rei, mas haveria aqueles que se assentariam à Sua direita e à Sua esquerda.

    Na China, antigamente, durante o período dos impérios, o imperador estava no topo. Abaixo dele havia dois primeiros-ministros: o primeiro-ministro da direita e o primeiro-ministro da esquerda. Assim como neste país, talvez abaixo do presidente estejam o secretário de Estado e o secretário de Defesa.

    A ideia era que haveria duas posições logo abaixo do trono, e essas seriam as posições mais elevadas do governo. Todos procuravam ocupar esses lugares. Esses doze discípulos tentavam conseguir essas posições o tempo todo, e agora aquele parecia ser o último momento. De algum modo, os filhos de Zebedeu passaram à frente dos outros dez e vieram pedir esses dois lugares: governo, posição, autoridade, poder.

    O Senhor não negou que haveria um lugar à direita e outro à esquerda, mas disse:

    Não sabeis o que pedis.
    Podeis beber o cálice que Eu bebo?
    Podeis ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado?

    Esses dois filhos de Zebedeu responderam sem pensar — creio que não entenderam coisa alguma. Desejavam tanto a direita e a esquerda que não se importaram. Queriam apenas esses dois lugares. Então disseram: “Claro, podemos”.

    O Senhor disse:

    De fato, sereis batizados com o Meu batismo e tereis de beber o cálice que Eu hei de beber.
    Mas assentar-vos à Minha direita ou à Minha esquerda não Me compete concedê-lo; compete ao Pai.
    Ele o concederá àqueles para quem está preparado.

    Os outros dez discípulos ficaram muito indignados. Por que ficaram indignados? Porque acharam que os dois haviam passado à frente deles — não porque considerassem o pedido errado. Eles mesmos queriam fazer aquele pedido.

    Então nosso Senhor Jesus começou a lhes ensinar sobre governo, domínio e autoridade. O Senhor disse que, neste mundo, os grandes governam os outros; os primeiros exercem domínio sobre as demais pessoas. Mas não é assim no reino de Deus.

    Quem quiser tornar-se grande entre vós será vosso servo;
    e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso escravo:
    assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir,
    e para dar a Sua vida em resgate por muitos.

    Agora, irmãos e irmãs, quando falamos de governo, imediatamente pensamos em posição. Pensamos em autoridade. Pensamos em domínio. Mas o Senhor disse: “O que é ser grande? O que é ser o primeiro? O que é realmente o governo?”. Governar é servir. Isso é governo.

    Pensamos em governar como se fosse estar muito acima de todos e simplesmente exercer domínio sobre as outras pessoas. Mas o Senhor disse: “Não”. O verdadeiro governo consiste em ser servo — não apenas servo, mas até mesmo escravo. Essa é a posição mais baixa que você pode ocupar.

    Em outras palavras, não é uma questão de posição. Se você procura uma posição, muito bem: ocupe a mais baixa. É disso que se trata. A questão é quanto você é capaz de servir.

    Quem é capaz de servir? Aquele que é batizado com o batismo com que o Senhor haveria de ser batizado e que bebe o cálice que o Senhor haveria de beber.

    O cálice e o batismo de Cristo

    Quando pensamos no cálice, naturalmente pensamos no jardim do Getsêmani. Ali, nosso Senhor Jesus estava orando:

    Pai, se for possível, passa de Mim este cálice;
    todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.

    Enquanto orava, Ele suava tanto que grandes gotas caíam como sangue. Ele estava em luta, e um anjo precisou aparecer para fortalecê-Lo. Orou três vezes:

    Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Depois de orar três vezes, Ele sabia que aquele era o cálice que o Pai Lhe havia dado para beber.

    Irmãos e irmãs, um cálice é uma porção. O cálice representa a vontade de Deus. Você é capaz de beber esse cálice? Está disposto a aceitar a vontade de Deus, seja ela qual for?

    Se for um cálice amargo, você está disposto a bebê-lo? Se for um cálice que lhe tira a dignidade, está disposto a bebê-lo? Está disposto a abrir mão de si mesmo, dos seus direitos, de tudo o que é seu, e aceitar a vontade de Deus para você em todas as coisas?

    Se você for capaz de fazer isso, então Deus lhe concederá autoridade e governo.

    Quanto a ser batizado com o batismo com que o Senhor haveria de ser batizado, sabemos que, no início de Seu ministério, o Senhor entrou no rio Jordão para ser batizado. Aquilo era um símbolo de entrar na morte. A realidade veio três anos e meio depois, no Calvário. Portanto, o batismo ao qual Ele Se referia era a cruz. Ele ia à cruz para ser crucificado.

    Irmãos e irmãs, estamos dispostos a ir à cruz? Estamos dispostos a entrar na morte — morrer para tudo o que é do mundo e de nós mesmos — para que sejamos levantados em ressurreição? Tudo é de Deus e tudo é de Cristo. Estamos dispostos a morrer?

    Se não bebermos o cálice e não formos batizados, então, irmãos e irmãs, Deus não poderá nos conceder autoridade ou governo. Portanto, quando falamos de governo, precisamos mudar completamente nosso conceito.

    Não estamos falando do governo deste mundo. Neste mundo, governo é posição, e quem ocupa essa posição tem autoridade. Quem tem autoridade governa os outros e exerce domínio sobre eles.

    Mas, na igreja, no reino de Deus, na assembleia local, o governo não é uma posição pela qual se deva disputar. O governo é para aqueles que estão dispostos a ir à morte, que estão dispostos a aceitar a vontade de Deus em sua vida e em quem a vida de Cristo se manifesta de tal maneira que são capazes de servir à igreja mais do que qualquer outra pessoa.

    Esse é o conceito de governo. É verdade que o governo tem o propósito de manter a ordem. Ele existe para oferecer liderança, ajudar os irmãos e irmãs a desempenhar sua função e a serem edificados juntos. Mas, irmãos e irmãs, para fazer essas coisas, não se trata de posição; trata-se de vida espiritual.

    A condição de Cristo como Cabeça e o presbitério

    O governo na assembleia local é representado pelo presbitério. Mas continuemos a nos lembrar de que Cristo é a Cabeça. Ele não abriu mão de Sua condição de Cabeça da igreja por ter estabelecido presbíteros como o corpo responsável pelo governo da assembleia local.

    Ele continua sendo a Cabeça da igreja. Pode delegar Sua autoridade ao presbitério, mas o presbitério não O substitui como Cabeça. Creio que é aqui que surgem muitos problemas.

    Muitos problemas surgem porque aqueles que estão na liderança, de algum modo, sentem que, uma vez que Deus lhes delegou autoridade, eles são a cabeça. Portanto, podem fazer tudo o que julgam certo e dar ordens aos irmãos e irmãs. Agora, irmãos e irmãs, lembrem-se disto: Cristo continua sendo a Cabeça.

    É por isso que procuro usar a ilustração de que o presbitério é como o pescoço. Não é a cabeça. Quando Lance ouviu isso, disse: “Pescoço duro”. E como isso é verdade! Há muitos pescoços duros. Por quê? Porque pensam que são a cabeça.

    Embora nosso Senhor Jesus tenha delegado autoridade a algumas pessoas para oferecer liderança, manter a ordem e ajudar os irmãos e irmãs, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de uma coisa: Ele continua sendo a autoridade.

    Ele pode delegar autoridade a algumas pessoas, mas nunca lhes concede toda a autoridade. Ele é a única autoridade no universo e é a autoridade na igreja.

    Nosso problema é que, quando o Senhor começa a conceder autoridade a algumas pessoas, de algum modo essa autoridade corrompe a pessoa. Ela pensa que, porque Deus lhe deu autoridade, agora ela própria é a autoridade. Mas por que Deus concede autoridade às pessoas? Porque elas se submetem à vontade de Deus, bebem o cálice e são batizadas com o batismo.

    É porque a vida de Cristo está nelas, e a autoridade lhes é concedida com base nessa vida. O mais estranho é que a autoridade pode corromper as pessoas, e elas se esquecem da vida e pensam que elas próprias são a autoridade. Irmãos e irmãs, nós nunca somos a autoridade. Somente Deus é a autoridade. Somente Cristo é a autoridade.

    A pluralidade de presbíteros

    Nas Escrituras, quando falamos de presbitério, precisamos nos lembrar de uma coisa: a Bíblia nunca menciona presbítero no singular. É sempre no plural: presbíteros, não presbítero.

    Creio que há uma razão para isso. Se nosso Senhor Jesus, como Cabeça da igreja, delegasse autoridade a uma única pessoa, como seria fácil essa pessoa pensar que agora ela é a cabeça! E como seria fácil as pessoas entenderem, equivocadamente, que esse homem é a cabeça da igreja e que precisam obedecer a ele em todas as coisas!

    Se houver apenas um homem, naturalmente todos olharão para ele e pensarão que ele é o líder e a autoridade. Muitos que realmente amam o Senhor e são usados por Ele foram tentados porque as pessoas os viam como a cabeça. Caíram na armadilha de pensar que eram, de fato, a cabeça.

    Assim, na igreja de hoje, muitas pessoas boas estão sendo corrompidas pelos irmãos e irmãs, porque olhamos para elas como a cabeça, em vez de olhar para Cristo como a Cabeça. É claro que a culpa não é inteiramente dos irmãos e irmãs. Essa pessoa, ou essas pessoas, precisa assumir sua responsabilidade. Mas há sabedoria nisso.

    Deus nunca estabeleceu, na igreja, um único homem como o presbítero. Os presbíteros são sempre mencionados no plural. Por quê? Porque, se houver mais de um — dois, três ou mais —, a atenção das pessoas não ficará concentrada em uma única pessoa. Além disso, nenhuma pessoa, sozinha, pode realmente representar a Cabeça.

    É uma liderança coletiva. Um equilibrará os outros. Mantém-se um equilíbrio — freios e contrapesos —, e isso protegerá a liderança e o governo de serem corrompidos. Portanto, nas Escrituras, os presbíteros são sempre mencionados no plural.

    A ordem divina no presbitério

    Há outra coisa de que precisamos nos lembrar. Nas Escrituras, vocês não encontram um presbítero presidente. Podemos pensar: “Os presbíteros são vários, sim; mas, entre eles, haverá o presidente do presbitério, um presbítero que preside e que está acima dos demais”. Vocês verão que não existe esse tipo de organização nas Escrituras.

    É verdade que há uma ordem divina entre o povo de Deus. Na família, há os pais, os irmãos e irmãs mais velhos e os irmãos e irmãs mais novos. Há uma ordem na família de Deus. Isso é verdade.

    Sempre que o povo de Deus está reunido, se realmente vivemos na vida de Cristo e andamos no Espírito, irmãos e irmãs, sabemos interiormente que há uma ordem ali. Lembro-me de que o irmão Nee costumava nos dizer que, quando dois ou três irmãos e irmãs estão juntos, há uma ordem entre eles.

    Precisamos ter discernimento espiritual para reconhecer essa ordem. Ela é de acordo com a vida. A vida de Cristo é dada igualmente a todos nós, mas nem todos a recebem na mesma medida ou se desenvolvem igualmente.

    Por causa das diferentes medidas de vida em nós, quando nos reunimos, logo percebemos que determinado irmão tem uma medida maior de Cristo. Ele está à minha frente, e preciso aprender mais com ele. Há uma ordem divina ali. Não é algo estabelecido artificialmente.

    É como numa família: seu irmão mais velho nasceu antes de você. Não é um arranjo artificial; acontece naturalmente. Você sabe que ele é mais velho e que precisa se submeter a ele. É natural.

    Assim, entre os irmãos e irmãs, embora a vida seja dada igualmente, ela não é recebida nem desenvolvida igualmente. Por isso, há uma ordem divina entre o povo de Deus. Os presbíteros são constituídos pelo Espírito Santo justamente por essa razão: sua vida está um pouco mais desenvolvida do que a dos outros, de modo que podem liderar.

    Suponhamos que haja cinco, sete ou mais presbíteros. Eles compartilham a responsabilidade de supervisionar. Contudo, vocês perceberão que também há uma ordem entre eles, mas não uma ordem estabelecida artificialmente. É uma ordem de vida, e essa ordem muda de tempos em tempos.

    Portanto, não há um presbítero presidente. Isso depende da medida de Cristo nessas pessoas. Precisamos reconhecer Cristo em cada irmão e em cada irmã.

    É por isso que as Escrituras dizem:

    Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

    Precisamos nos submeter uns aos outros no temor de Cristo. Não nos submetemos ao homem; submetemo-nos a Cristo — ao Cristo que está em nosso irmão e em nossa irmã. Sempre que Cristo Se manifesta naquele irmão ou naquela irmã, nós nos submetemos, ainda que ele seja o menor dos irmãos ou ela seja a menor das irmãs.

    Naturalmente, aqueles que estão mais adiantados no Senhor manifestam mais de Cristo, e a eles precisamos nos submeter mais. Esse é o caminho da ordem, do governo e da autoridade.

    Os presbíteros como representantes do governo de Cristo

    Cristo estabeleceu presbíteros na igreja para ajudar no crescimento da igreja. Quando a igreja está sem liderança, é como areia espalhada. Não há edificação. É preciso haver governo, liderança e ordem para que a igreja seja realmente edificada em conjunto.

    É por isso que nosso Senhor estabeleceu presbíteros como representantes de Seu governo na igreja. Lembrem-se: é o governo Dele. Eles apenas representam Seu governo.

    Em 1 Timóteo 3:1, está escrito:

    Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, deseja uma boa obra.

    Aqui vemos que o apóstolo nos diz que, se alguém aspira a exercer a supervisão — em outras palavras, se alguém deseja ser presbítero —, na verdade deseja uma boa obra.

    Então, qual é a natureza do presbitério? Não é uma posição que você procura ocupar. Em 3 João, havia um homem chamado Diótrefes. Ele era ambicioso. Desejava ser o primeiro entre os irmãos e irmãs e, de algum modo, por meio de manobras, colocou-se nessa primeira posição.

    Ele se tornou muito autoritário, a ponto de rejeitar até os apóstolos e o apóstolo João. Governava os irmãos e irmãs com mão de ferro, e expulsava quem não lhe obedecesse.

    Esse era um conceito errado de liderança, governo e presbitério. Se alguém aspira a ser supervisor, deseja uma boa obra. Em outras palavras, o presbitério é trabalho — um bom trabalho.

    O que é uma boa obra? Nas Escrituras, uma boa obra significa simplesmente fazer a vontade de Deus. Portanto, o presbitério é uma obra; não é uma posição. Se aspiramos a ser presbíteros porque procuramos uma posição, estamos completamente errados.

    Mas, se você realmente quer servir aos seus irmãos e irmãs, se realmente deseja trabalhar mais do que qualquer outra pessoa na igreja, se realmente quer ser o servo de todos, se realmente quer ser o escravo de todos — permitindo que cada irmão e irmã pise em você e coloque sobre você seus fardos e suas cargas —, então, se deseja essa boa obra, pode desejar ser presbítero.

    Agora, quem quer ser presbítero? O problema hoje é que as pessoas querem ser presbíteros na igreja porque pensam que isso significa estar muito acima de todos, ser servido e dar ordens. Não é assim.

    Lembro-me de que, nos primeiros séculos, quando a igreja procurava escolher pessoas para serem bispos, ninguém queria ser bispo. Bispos são presbíteros. Bispo designa a função, e presbítero, a pessoa. Ninguém queria essa função. Era preciso obrigar as pessoas a serem bispos.

    Por quê? Porque ser constituído bispo significava tornar-se o servo de todos, o escravo de todos. Todos pisavam em você. Durante os períodos de perseguição, geralmente, depois de se tornar bispo, você seria decapitado em pouco tempo. Por isso, ninguém queria ser bispo.

    Somente quando o Espírito Santo constrangia uma pessoa é que ela se dispunha a ocupar essa posição humilde de presbítero, a fim de servir aos irmãos e irmãs. Esse é o conceito bíblico de presbítero.

    A pirâmide invertida da liderança

    Infelizmente, hoje, não apenas os presbíteros pensam que estão numa posição elevada; também nós, irmãos e irmãs, os imaginamos lá em cima. Mas, na realidade, trata-se de uma pirâmide invertida.

    Os irmãos e irmãs estão lá em cima; os presbíteros estão lá embaixo, na ponta. Quando Paulo escreveu a carta aos filipenses, escreveu aos santos em Filipos, com os bispos e diáconos. Ele não disse: “Aos bispos e aos santos”. Disse: “Aos santos, aos bispos e aos diáconos”.

    Pensem em nosso Senhor Jesus. Na noite de Sua traição, quando participou da última ceia com Seus discípulos, tirou Suas vestes, cingiu-Se com uma toalha e lavou os pés deles.

    Depois de terminar, disse:

    Vós Me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque Eu o sou.
    Se Eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés,
    também vós deveis lavar os pés uns dos outros.

    Irmãos e irmãs, isso é governo. Isso é liderança. Isso é presbitério. O Senhor disse:

    Não vim para ser servido, mas para servir,
    e para dar a Minha vida em resgate por muitos.

    O presbitério e os sofrimentos de Cristo

    Abram em 1 Pedro 5:1. Pedro era presbítero na igreja em Jerusalém, além de ser apóstolo. Ele escreveu:

    Aos presbíteros que estão entre vós, exorto eu, que também sou presbítero com eles,
    e testemunha dos sofrimentos de Cristo,
    e participante da glória que há de ser revelada.

    Irmãos e irmãs, aqui encontramos “presbítero com eles” e “testemunha dos sofrimentos de Cristo” ligados um ao outro. Se você quer ser presbítero, também é testemunha dos sofrimentos de Cristo.

    O que isso significa? Significa que você é mais do que alguém capaz de contar aos outros sobre os sofrimentos de Cristo. Você participa dos sofrimentos de Cristo e, por isso, seu testemunho é forte e real.

    É como diz o apóstolo Paulo:

    Completar o que falta das aflições de Cristo,
    por amor do Seu corpo, que é a igreja.

    Irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus amou a igreja. Ele Se entregou por ela. Depois de conquistá-la, Ele a acolhe e a alimenta. Ele a lava com a água, pela palavra, a fim de apresentá-la como uma igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e sem defeito.

    Nosso Senhor Jesus ama a igreja, e quanto Ele sofre por ela! Ele sofreu pela igreja ao entregar Sua vida na cruz. Ele sofre pela igreja ao interceder incessantemente por nós.

    Quando pensamos nos sofrimentos de Cristo, todos esses sofrimentos existem porque Ele ama a igreja. Ele nos ama tanto, e parece quase não haver fim para Seu sofrimento — um sofrimento indizível, indescritível por nós — por causa de Seu amor.

    Aqueles que estão no governo local são testemunhas dos sofrimentos de Cristo. Em outras palavras, o amor de Cristo os constrange de tal maneira que estão dispostos a dar a vida pela igreja.

    Estão dispostos a completar o que falta das aflições de Cristo pela igreja. Sabemos que os sofrimentos de Cristo são de dois tipos. Um deles é o sofrimento vicário: Ele sofreu para expiar nossos pecados.

    Nesse sofrimento, Ele estava inteiramente sozinho. Pisou o lagar sozinho. Não podemos ter participação nisso. Recebemos seus benefícios, mas não participamos dele.

    Mas há outra dimensão de Seu sofrimento para a qual Ele nos chama: a comunhão dos Seus sofrimentos. Esse é Seu sofrimento pela igreja — Seu amor pela igreja. Ele a acolhe, a alimenta e ora por ela. Irmãos e irmãs, isso é presbitério.

    Não pensem que ser presbítero é receber honra e glória hoje. É verdade, Pedro diz que um dia vocês receberão glória, mas não hoje. Hoje, tudo o que vocês recebem é sofrimento. Se você não tem disposição para sofrer, não aspire a ser presbítero.

    Quando seus irmãos e irmãs interpretam mal suas intenções, quando culpam você por tudo na igreja, consegue suportar isso? Consegue encontrar alegria nisso?

    Seu amor pela igreja é tão grande que, por mais que você seja mal compreendido, desprezado, pisado, culpado, ignorado, desrespeitado ou passe despercebido, ainda esteja disposto a amar e servir ainda mais?

    Eu diria: “Quanto menos sou amado, mais eu amo”. Essa é a natureza do governo. Essa é a natureza do presbitério.

    O pastoreio do rebanho de Deus

    Como se exerce a supervisão? O apóstolo Pedro disse:

    Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós,
    exercendo a supervisão, não por constrangimento, mas voluntariamente, segundo Deus;
    nem por torpe ganância, mas de boa vontade;
    nem como dominadores dos que vos foram confiados,
    mas tornando-vos exemplos para o rebanho.

    Os presbíteros são pastores. Eles pastoreiam o rebanho de Deus. Nosso Senhor Jesus é o Bom Pastor. O Bom Pastor deu Sua vida pelas ovelhas.

    Nosso Senhor Jesus é o Grande Pastor do rebanho. Em Hebreus 13, pelo sangue de Sua aliança eterna, Ele nos aperfeiçoa. Nosso Senhor Jesus é o Supremo Pastor do rebanho, como nos diz 1 Pedro 5.

    Irmãos e irmãs, os presbíteros na igreja são pastores subordinados a Ele. São pastores do rebanho de Deus. Se vocês querem saber como pastorear o rebanho, leiam o Salmo 23.

    O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
    Ele me faz repousar em pastos verdejantes;
    guia-me para junto das águas tranquilas.
    Restaura a minha alma:
    guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome.

    Ali vocês encontram o trabalho de um pastor: como ele conduz, encontra pastagens, protege as ovelhas, prepara uma mesa diante delas, unge as ovelhas e faz tudo por elas. Isso é pastorear.

    Como fazer isso? Exercendo a supervisão não por obrigação, mas voluntariamente. Em outras palavras, quando você exerce a supervisão, é por amor, não por dever.

    Se for uma posição, então ela traz consigo certa noção de dever. Se você considera o presbitério uma posição, então é seu dever desempenhá-lo. Quer goste, quer não, você precisa fazê-lo. Mas não é por dever. É mais do que dever. É vida. Portanto, não é por obrigação, mas voluntariamente.

    Não por ganho desonesto, mas de boa vontade. Você não procura essa posição para obter algo para si — fama, um nome, poder ou qualquer outra coisa. Não, não é para obter ganho.

    Mas deve haver disposição. Você está sempre pronto a dar — não a ganhar, mas a dar.

    Aqui se diz:

    Não como dominadores dos que vos foram confiados,
    mas tornando-vos exemplos para o rebanho.

    Não considerem o povo de Deus como propriedade de vocês.

    Muitas vezes ouvimos pessoas dizerem: “Meu rebanho”, como se o povo de Deus fosse propriedade delas. Ele não é propriedade de vocês. Pertence a Deus. Portanto, vocês não podem exercer domínio sobre ele como se fosse sua propriedade e pudessem fazer com ele o que bem entendessem. Ele não pertence a vocês.

    Você é apenas um administrador, um servo, um escravo chamado por Deus para servir ao rebanho de Deus. O que deve fazer? Deve ser um exemplo, um modelo para o rebanho.

    O pastor geralmente vai à frente das ovelhas. Ele é um modelo vivo. Todos os presbíteros devem ser modelos para o rebanho. Na verdade, você olha para os presbíteros e sabe que tipo de rebanho eles têm, porque eles são os modelos.

    Somente quando o Supremo Pastor voltar é que aqueles que forem fiéis em servi-Lo receberão a coroa de glória que não murcha.

    As qualificações para o presbitério

    Quais são as qualificações dos presbíteros? Se vocês abrirem em 1 Timóteo 3 e Tito 1, encontrarão muitas qualificações mencionadas ali. Não vamos examiná-las uma por uma, mas considerá-las como um todo.

    Em primeiro lugar, as listas em Timóteo e Tito são um pouco diferentes. Mas lembrem-se: não são listas exaustivas; são listas ilustrativas. Em outras palavras, dão alguns exemplos das qualidades que Deus procura em um presbítero.

    Não é uma lista completa. Você não deve percorrê-la item por item e dizer: “Sou qualificado nisso, mas não sou qualificado naquilo”, e assim por diante. Não, esse não é seu propósito. Mesmo que você atenda a cada um desses requisitos, talvez ainda não seja qualificado.

    Não é uma lista exaustiva. Ela simplesmente nos dá uma ideia do tipo de pessoa que Deus procura para cuidar de Seu próprio rebanho. Ele ama tanto Seu rebanho que deseja confiá-lo a mãos boas e adequadas. Essas são as qualidades que Ele procura.

    É interessante: no mundo, quando você quer que um trabalho seja feito e contrata uma pessoa para determinada função, o que procura? Procura sua formação, experiência, capacidade e habilidade. Verifica se ela é qualificada para realizar o trabalho.

    Seu caráter, seu modo de vida e seus relacionamentos são questões secundárias; às vezes, você nem se preocupa com isso. Esse é o modo de agir do mundo.

    Mas, na casa de Deus, quando Deus procura pessoas que O representem em Sua igreja, representem Sua autoridade, exerçam a supervisão em Seu nome e representem Seu governo, o que Ele procura? Se vocês lerem essas duas listas, verão que tratam principalmente, predominantemente, de caráter, não de capacidade.

    Apenas dois itens em toda a lista podem ser considerados capacidades: governar bem a própria casa e ser apto para ensinar. Se você governa bem sua própria casa, então pode governar a casa de Deus. Também precisa ter aptidão para ensinar, seja publicamente, seja pessoalmente.

    Essas são as duas únicas capacidades listadas ali. Todo o restante diz respeito ao caráter: que tipo de homem você é.

    Irmãos e irmãs, não pensem que essas coisas listadas sejam apenas moralidade. Vocês podem encontrar pessoas no mundo tão corretas moralmente que poderiam atender à maioria desses requisitos.

    Mas isso não é apenas uma moralidade produzida pelo homem. É Cristo sendo formado na vida dessas pessoas. Em outras palavras, não se trata do nosso temperamento natural ou da nossa moralidade; trata-se da transformação do nosso caráter. Somos caracterizados pelo caráter de Cristo.

    É isso que o Senhor procura em um presbítero, em alguém que exercerá a supervisão sobre o rebanho de Deus. Portanto, vocês veem novamente: é uma questão de vida. É uma questão de vida, mais do que de dom, mais do que de talento.

    Ele está nos conformando à imagem de Cristo, e o presbitério está relacionado ao caráter. Quando a igreja é edificada? Quando o caráter de Cristo se manifesta, então a igreja é edificada.

    A igreja não é edificada por ser tão bem organizada e tão bem-sucedida, com tantas pessoas e tantas atividades. Não. A igreja é edificada quando Cristo nasce e Se manifesta.

    A visão necessária ao presbitério

    O caráter é aquilo que se procura em um presbítero. Mesmo sem que isso precise ser mencionado explicitamente, para ser presbítero é preciso ter visão.

    Por visão, queremos dizer que você precisa conhecer o propósito de Deus — o propósito eterno de Deus. Sem visão, o povo se desintegra. Como você pode conduzir as pessoas, uni-las, orientá-las, ajudá-las, consolidá-las e edificá-las juntas se não tem visão?

    Você precisa saber o que o Senhor está fazendo e o que Ele busca. Caso contrário, como poderá conduzir, orientar e ajudar?

    Um presbítero precisa ser alguém que tenha visão. E, por visão, repito, não estamos falando daquele tipo de visão que diz que Deus quer que alguém seja missionário em um país estrangeiro, evangelize o mundo, abra um orfanato, estabeleça uma escola ou realize alguma obra específica.

    Estamos falando do propósito no coração e na mente de Deus: o propósito que Ele tem para Seu Filho e em Seu Filho. Com esse propósito, Ele tem trabalhado ao longo de todas as eras para que ele se realize. Essa é a visão que você precisa ter. Caso contrário, não sabe para onde conduzir o povo de Deus.

    Para dizer isso de maneira muito simples, pois não temos tempo de aprofundar o assunto: trata-se de Cristo e da igreja. Essa é a visão celestial que Paulo viu no caminho de Damasco. Essa é a visão que João viu na ilha de Patmos: os sete candeeiros com Cristo no meio deles — Cristo e a igreja.

    Irmãos e irmãs, precisamos enxergar isso em nosso espírito. Esse é o mistério de Deus. Esse é o mistério de Cristo que foi revelado. Precisamos receber o espírito de sabedoria e de revelação, que chamamos de visão. Isso é para a edificação da igreja.

    A constituição dos presbíteros pelo Espírito Santo

    Ontem já mencionamos isto: como surge o presbitério? Curiosamente, embora as Escrituras digam que os apóstolos escolheram presbíteros, isso não aconteceu em todos os casos. Na verdade, não sabemos como os presbíteros surgiram em todos os diferentes lugares.

    Vejam que Deus não está preso a nenhum método rígido. Mas uma coisa é certa: os presbíteros são constituídos pelo Espírito Santo. Isso é certo.

    Com base em quê o Espírito Santo constitui presbíteros? Com base na medida de Cristo naquela pessoa, porque o Espírito Santo sempre procura glorificar Cristo.

    Então, por que os apóstolos os confirmavam? Pessoalmente, sinto que isso era feito por causa dos fracos entre o povo de Deus. Se você realmente vive na vida de Cristo e anda no Espírito, percebe interiormente quem são as pessoas que Deus escolheu para exercer a supervisão. Você sabe. O Espírito Santo lhe mostrará essas pessoas.

    Somente os fracos precisam de algo externo que os ajude a saber quem exerce a supervisão. Isso não é necessário — realmente não é necessário —, porque vocês não encontram, em todos os casos, um apóstolo vindo, impondo as mãos e, por assim dizer, ordenando essas pessoas como presbíteros.

    Mesmo quando os apóstolos os escolhiam e oravam por eles, não eram os apóstolos que os ordenavam. Eles eram ordenados divinamente pelo Espírito Santo.

    Portanto, irmãos e irmãs, toda essa questão, mais uma vez, é espiritual. É uma questão de vida. Se o povo de Deus realmente vive na vida de Cristo e sob o governo do Espírito Santo, então, quando nos reunimos por algum tempo, naturalmente aqueles que estão mais adiantados na vida e sobre os quais Deus colocou mais responsabilidade começam, por amor, a servir com mais diligência e a cuidar dos irmãos e irmãs.

    Sempre que vocês têm um problema, irmãos e irmãs, sabem a quem recorrer. Ninguém precisa lhes dizer: “Este é o irmão responsável a quem você deve procurar”. Naturalmente, vocês sabem a quem recorrer, porque sabem que aquela pessoa pode ajudá-los no Senhor. É dessa maneira que isso se manifesta.

    Vocês conseguem aceitar isso? Precisam que algumas pessoas recebam uma posição antes de poder aceitá-las? Isso diz muito sobre a vida de vocês. Se vocês realmente vivem no Espírito, não precisam dessas coisas. Sabem a quem se submeter.

    Portanto, não vou lhes dizer como escolher os presbíteros — se por votação, por voto secreto ou de qualquer outra maneira. Não sei. Deixo isso com o Espírito Santo e espero que todos vocês também deixem isso com o Espírito Santo.

    Qual é a relação entre o governo e os irmãos e irmãs?