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    Horizoned By The Resurrection #1 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Horizoned By The Resurrection #1
    Horizoned By The Resurrection #1
    Austin-Sparks, T.

    O horizonte da ressurreição

    Vamos estabelecer na Palavra de Deus o fundamento para a nossa reflexão neste momento.

    Romanos 1:1-4

    Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, acerca de Seu Filho, que foi declarado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos; Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Voltaremos a essa passagem em breve, porque é nela que encontramos a palavra fundamental para este momento. Abram na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 15.

    1 Coríntios 15:1-4, 12-23, 45

    Ora, irmãos, faço-vos conhecer o evangelho que vos anunciei, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se retiverdes a palavra que vos anunciei, a menos que tenhais crido em vão.

    Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? Mas, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E somos também considerados falsas testemunhas de Deus; porque testemunhamos de Deus que Ele ressuscitou a Cristo, a Quem não ressuscitou, se é verdade que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é vã; ainda estais nos vossos pecados. Logo, também os que adormeceram em Cristo pereceram. Se temos esperado em Cristo somente nesta vida, somos os mais dignos de compaixão de todos os homens.

    Mas agora Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dos que dormem. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.

    Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente. O último Adão tornou-Se espírito vivificante.

    2 Coríntios 5:14-17

    Porque o amor de Cristo nos constrange; pois assim julgamos: Um morreu por todos, logo todos morreram; e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.

    Assim, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, agora já não O conhecemos desse modo. Assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

    Cristo como o horizonte de uma nova criação

    Agora voltemos à passagem do primeiro capítulo da Carta aos Romanos:

    Que foi declarado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos.

    “Declarado” poderia ser traduzido como “designado” ou “determinado”. Esse é o ponto central da nossa meditação neste momento.

    Essa palavra é o termo grego horizō, do qual deriva a palavra “horizonte”. Assim, somos apresentados a outro aspecto do horizonte que é Cristo.

    A afirmação é que Cristo Se torna o horizonte de uma nova criação pela ressurreição dentre os mortos. Portanto, vamos considerar esse horizonte da ressurreição — o horizonte constituído pela ressurreição.

    Agora entendemos o que é o horizonte: é o limite e o conteúdo do conhecimento, daquilo que apreendemos e compreendemos.

    Essas cartas aos Coríntios revelam o que significa Cristo ter sido, pela ressurreição, constituído, designado, declarado o horizonte — toda a extensão e abrangência — de uma nova criação.

    Pela ressurreição, Ele Se torna esse horizonte, de modo que tudo em Cristo é conhecido, apreendido e vivenciado sobre a base da ressurreição, e de nenhuma outra maneira.

    Esse não é um assunto novo para vocês, se posso chamá-lo assim. Ao longo de muitos anos, vocês têm se familiarizado com o grande significado da ressurreição em Cristo. Mas, em todas as nossas considerações sobre a ressurreição, temos nos ocupado principalmente de seus aspectos de poder e vida.

    A expressão:

    O poder da Sua ressurreição.

    Tornou-se muito familiar para nós. Não é especificamente esse aspecto que estará diante de nós neste momento.

    Há outro aspecto que governa os fatores de poder e vida na ressurreição: o aspecto do caráter. A ressurreição implica um tipo de pessoa, e um tipo de pessoa é produzido pela ressurreição.

    Para que todo o poder e toda a vida da ressurreição sejam eficazes, é preciso haver o tipo de pessoa que a ressurreição produz. Esse poder — a suprema grandeza do Seu poder, pelo qual Ele ressuscitou a Cristo dentre os mortos —, esse poder, essa força da vida de ressurreição, depende do tipo de pessoa, ou de pessoas, necessário para a sua expressão.

    Isso não vai acontecer de qualquer maneira, sobre qualquer base. Há uma exigência aqui.

    Cristo, na ressurreição, pertence a uma ordem inteiramente nova, uma nova ordem de criação. O poder demonstrado e exercido ao ressuscitá-Lo dentre os mortos só é transmitido àqueles que pertencem a essa mesma nova ordem de ressurreição: uma nova criação em Cristo.

    Essa expressão com a qual estamos tão familiarizados:

    Se alguém está em Cristo, há uma nova criação.

    Significa que, em Cristo ressuscitado, há uma nova criação. É a ordem das coisas — o tipo, se preferirem, a espécie de humanidade — que surge na ressurreição e é eternamente aceitável diante de Deus.

    É aí que o poder da ressurreição é eficaz, é manifestado, pode ser comprovado.

    As cartas aos Coríntios e o significado da ressurreição

    Vocês podem perceber isso com bastante facilidade quando reconhecem o significado particular dessas duas cartas aos Coríntios.

    Sobre a primeira carta, vocês podem escrever uma palavra que abrange praticamente tudo o que há nela: vergonha. Não se pode ler, basicamente, a primeira metade dessa carta sem corar, sem dizer: “Que vergonha!” É uma situação vergonhosa.

    Sobre a segunda carta, vocês podem escrever outra palavra: glória.

    A glória de Deus na face de Jesus Cristo.

    O que faz a diferença? Vejam, o coração de tudo está no capítulo 15 da primeira carta: a ressurreição.

    Depois de tratar de todos os aspectos vergonhosos, o apóstolo começa essa parte de sua carta falando do evangelho que pregou, que eles receberam, no qual permaneceram e pelo qual foram salvos. O evangelho está no início do capítulo 15, mas o que ele revela ser? É o evangelho da ressurreição.

    O evangelho tem um significado, e o apóstolo está dizendo: “Vocês, coríntios, que se encontram no estado descrito na primeira metade da minha carta, ainda não apreenderam o significado do evangelho”.

    Vocês aceitaram minha pregação. Creram no que eu disse. Assumiram uma posição com base nisso e, quanto à profissão de fé, estão corretos. Mas, quanto a uma compreensão real da sua posição, o conhecimento de vocês é muito pobre.

    O evangelho é algo mais do que concordar com uma pregação, ou ouvi-la e fazer algum tipo de gesto, ou mesmo assumir um compromisso com ela. Exige-se uma expressão correspondente à do Senhor Jesus na ressurreição. É o evangelho da ressurreição.

    O evangelho da ressurreição é o evangelho de uma nova criação.

    Agora, o que abrange e predomina em tudo aqui é o lugar de Cristo na ressurreição. Podemos nos contentar com isso nesta manhã, porque é um fundamento e uma chave para tudo o que há de seguir.

    O apóstolo abordou essa situação deplorável em Corinto — e “deplorável”, afinal, é uma palavra muito fraca, se vocês realmente compreenderem como as coisas estavam ali — prendendo-os firmemente ao nome de Cristo.

    Em nenhuma outra de suas cartas o nome de Cristo é reiterado e introduzido com tanta frequência. Nos primeiros nove versículos da primeira carta, o nome de Cristo é mencionado nada menos que nove vezes.

    Quando vocês percebem essa ênfase, sabem muito bem o que precisam ser e fazer. Tenho certeza de que, enquanto eu lia aquela passagem do capítulo 15, vocês ficaram impressionados com a constante repetição do nome de Cristo: Cristo, Cristo, Cristo, Cristo.

    Sublinhem em vermelho o nome de Cristo nessas cartas e verão que esse é o ponto central de tudo.

    Repito: para realizar essa transição da vergonha para a glória, do primeiro Adão para o segundo Adão, da velha criação para a nova, o apóstolo concentra e firma tudo no nome de Cristo.

    Isso tem uma aplicação abrangente.

    Aliás, a primeira carta chega a essa questão bem cedo. Não demora muito para o apóstolo dizer:

    Um diz: Eu sou de Paulo; e outro: Eu sou de Apolo; e outro: Eu sou de Cefas.

    Cefas é Pedro. Assim, eles estão fazendo de nomes — nomes de apóstolos de Cristo e de servos do Senhor, nomes humanos, afinal — o ponto central em torno do qual se agrupam e para o qual se reúnem.

    Quanto a si mesmo, o apóstolo disse: “Não quero nada disso. Não quero nada disso”.

    Quem é Paulo? Quem é Apolo? Quem é Cefas? São ministros por meio dos quais crestes.

    Não teremos outros nomes — nenhum desses homens pode corrigir essa situação. Nenhum outro nome é suficiente para atender a essas necessidades. Um único nome.

    Tomo esse ponto particular — deixar de lado todos os nomes em favor do único Nome — como uma ilustração de tudo o que há nessas cartas. Trata-se de compreender Cristo e de compreender que Cristo é o horizonte de tudo.

    A ressurreição como uma nova base de vida

    A acusação é claramente esta: se essas condições, algumas delas ou todas, existem entre os crentes ou numa igreja, isso é uma indicação clara de que Cristo, na ressurreição, não foi verdadeiramente compreendido.

    Aqueles que são responsáveis por essas condições, seja no coração, seja numa igreja, ainda não chegaram a compreender o significado da ressurreição.

    Ah, o homem da ressurreição não é assim. Ele não é assim de modo algum. É um tipo de homem muito diferente. É um homem da nova criação. Ele deixou uma base para trás.

    Quando, na segunda carta, Paulo diz:

    Se alguém está em Cristo.

    Agora sobre a base da ressurreição, a nova criação em Cristo, e acrescenta:

    Daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne.

    Ele está dizendo: “Nossa base não é esta: ‘Eu sou de Paulo’”. Isso é conhecer um homem segundo a carne. “Eu sou de Apolo” — isso é conhecer um homem segundo a carne. “Eu sou de Pedro” — aí não há resposta para a carne. E até “Eu sou de Cristo”, quando é apenas linguagem de partido, já não é segundo o Espírito.

    Essa é uma nova base de relacionamento, uma nova base de conduta e comportamento. É uma esfera inteiramente nova na ressurreição, na qual não se trata do primeiro Adão, em quem todos morrem, mas do último Adão, em Quem todos são vivificados na ressurreição.

    Portanto, talvez seja importante voltarmos ao próprio fundamento das coisas. Reconheçam isto: o apóstolo designa o evangelho como o evangelho da ressurreição.

    Para a maioria das pessoas, o evangelho significa apenas as coisas mais elementares: expiação, pecado, perdão, redenção — e graças a Deus por elas também. Mas o evangelho é algo muito maior do que isso. O evangelho é o evangelho de uma nova ordem de criação em Cristo pela ressurreição.

    É a transição completa, pela morte e pela ressurreição, de uma representação federal no primeiro Adão para outra no último Adão. Portanto, compreender o evangelho é compreender o significado da ressurreição como o de uma nova criação, uma ordem diferente e transformada.

    A Bíblia como o livro de pessoas vivas

    Neste ponto, ampliamos um pouco mais a nossa consideração. É por isso que a Bíblia é um livro de pessoas vivas — pessoas com uma experiência viva.

    A Bíblia não é, em sua essência e acima de tudo, um livro de coisas. Não é um livro de doutrina, de forma, de ordem, de sistemas e de técnicas.

    Se alguma dessas coisas está presente — e há doutrinas na Bíblia, é claro, há ordens na Bíblia, há maneiras de fazer as coisas —, se elas estão na Bíblia, só aparecem em relação com pessoas vivas.

    Fora dessa relação com pessoas vivas, não têm significado, sentido nem lugar.

    Deus não está nem um pouco interessado em coisas. Ele não está nem um pouco interessado em sistemas, lugares ou nomes em si mesmos. Ele usa lugares, usa instrumentos e vasos, usa alguma coisa, mas sempre e somente em relação com a história espiritual de pessoas vivas.

    Assim que a coisa — a doutrina, o sistema, a técnica, a ordem — se torna algo em si mesma, o Senhor simplesmente a deixa entregue a si mesma e diz: “Eu vou prosseguir com pessoas vivas. Vocês podem assumir a responsabilidade por isso; Eu já não a assumo”.

    A responsabilidade recai sobre aqueles que levam qualquer coisa para o domínio das coisas mortas, ainda que invoquem o nome do Senhor sobre elas. Assim que algo usado pelo Senhor se torna uma coisa em si mesma e é separado da história espiritual viva de um povo, o Senhor o descarta.

    Digo que vocês podem ter um templo ou uma tenda em Siló que não passe de uma estrutura vazia. Podem ter uma Jerusalém com toda a sua maravilhosa história de uso divino e encontrá-la reduzida a uma ruína — sem a glória de Deus, de fato.

    Assim, hoje vocês podem ir às chamadas terras bíblicas, seja na Ásia Menor, seja em qualquer outra região da história do Novo Testamento, e não encontrar nada — nada além de lugares visitados pelo apóstolo e pelos apóstolos, nos quais Deus fez algo muito maravilhoso. Estruturas vazias, se é que ainda resta alguma coisa.

    Deus não Se compromete com uma coisa ou com um lugar. Ele Se compromete com um povo vivo.

    Esse é todo o argumento dos três primeiros capítulos do livro de Apocalipse. Deus não tem interesse, Cristo não tem interesse em coisas, mesmo que tragam o Seu nome. Ele só tem interesse em pessoas vivas — pessoas vivas com uma história espiritual.

    Deus não é Deus de mortos, mas de vivos.

    Isso não se aplica apenas a pessoas; aplica-se também a coisas. Ele é o Deus de pessoas vivas. Ele é o Deus dos vivos.

    Isso nos traz de volta ao ponto, vejam: designado, horizonte, o Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos.

    Sempre, em todo tempo, incessantemente, Cristo é o objeto do interesse de Deus — o ponto central e o horizonte abrangente daquilo com que Deus Se ocupa. Em Cristo ressuscitado, o que significa em Cristo vivo, vocês encontram o interesse de Deus.

    A dedicação integral ao nome de Cristo

    Agora, a aplicação prática disso aos coríntios, a todos os demais e a nós mesmos é esta: Em que vocês estão empenhados? O que estão buscando? O que querem? Para que estão realmente trabalhando? O que estão edificando?

    É uma única paixão, que abrange tudo, pelo nome de Cristo, ou é alguma outra coisa?

    Se é uma paixão pelo nome de Cristo, então tudo isso que aparece na primeira parte das cartas aos Coríntios não pode ter lugar. Ninguém pode dizer: “Eu sou deste, daquele ou daquele outro”. Ninguém pode edificar alguma outra coisa sobre Cristo. Só pode ser Cristo sobre Cristo — somente Cristo.

    Como isso seria corretivo se o nosso coração realmente ardesse por esse único nome de Cristo, que abrange tudo. Quanto isso eliminaria; quanto excluiria; como isso seria triunfante.

    Aí está a sua vitória na ressurreição — não apenas sobre a morte como costumamos entendê-la, mas sobre todas essas manifestações da morte.

    Em Adão todos morrem.

    Todas essas manifestações da morte.

    O apóstolo está indicando claramente que essas coisas pertencem a Adão; pertencem à velha criação e estão na morte. Na ressurreição, elas não podem existir. Simplesmente não podem existir na ressurreição.

    Na ressurreição, é Cristo — apenas e somente Cristo.

    Uma coisa, queridos amigos, que temos acima de tudo é o semblante de Deus — o olhar favorável do Senhor. Se a luz do Seu rosto resplandece sobre nós, tudo está ali. Podemos atravessar qualquer situação se tivermos certeza disso. Atravessaremos qualquer situação se isso for verdade.

    Será força; será consolo; sim, será tudo, contanto que possamos ter a luz do rosto de Deus.

    Da mesma maneira, é igualmente verdade que perder a luz desse rosto é perder tudo. Nada — nada — tem valor se o Seu rosto não estiver voltado para nós.

    Onde encontraremos esse semblante? Não nas nossas coisas cristãs, mas em Cristo. O rosto do Senhor está voltado para o Seu Filho. Ele O constituiu, O determinou, O designou como o horizonte — o horizonte de tudo.

    O evangelho de Deus diz respeito a Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, a Quem Ele designou como o horizonte pela ressurreição. Ali encontraremos o rosto do Senhor.

    Uma nova paixão pelo Seu nome, pela Sua honra, pela Sua glória e por todo o seu maravilhoso significado de ressurreição: a Ele foi dado o Nome que está acima de todo nome.

    A paixão por esse Nome nos introduz em tudo o que significa nos encontrarmos dentro de todo esse horizonte, dessa nova criação, onde o Filho ressuscitou, onde a luz brilha — o rosto do Senhor.

    A igreja e o indivíduo na ressurreição

    Agora, observem que a Primeira Carta aos Coríntios começa assim:

    À igreja de Deus que está em Corinto.

    A igreja de Deus que está em Corinto.

    A segunda carta concentra isso no indivíduo:

    Se alguém está em Cristo.

    Tudo o que está aqui é para as igrejas, mas vocês não vão escapar por estarem numa multidão. Não vão ficar escondidos naquilo que talvez chamem de igreja.

    A igreja precisa ser uma igreja de ressurreição, mas não pode ser isso a menos que seus membros sejam pessoas de ressurreição. Assim, do coletivo, a questão se concentra na pessoa: “Se alguém, se alguém”.

    É o conjunto desses “alguéns” — todos aqueles de quem se pode dizer que são assim, em Cristo, uma nova criação — que forma uma igreja. Sim, exatamente isso, e somente isso: homens e mulheres de ressurreição vivendo no significado da ressurreição de Cristo.

    E tudo o mais vem em seguida.

    Tudo o que preciso dizer nesta manhã é apenas isto: concentrem-se no aspecto do poder, concentrem-se no aspecto da vida, e vocês poderão perder tudo, a menos que reconheçam que os aspectos de poder e vida da ressurreição repousam sobre a base da ressurreição no caráter, na natureza, na condição.

    A primeira carta me mostra isso com muita clareza. Sim, vocês creem; não há dúvida quanto ao seu fundamento. O seu fundamento está correto. Mas, mesmo com um fundamento assim, vocês podem estar edificando, edificando, edificando sobre esse fundamento algo que simplesmente vai se desfazer em fumaça — nada disso vai permanecer.

    Ah, aquilo que é edificado sobre o fundamento não corresponde ao fundamento, Cristo.

    Então, a sua posição pode garantir que vocês passem. Vocês serão salvos:

    Salvos, todavia, como através do fogo.

    Mas nada além disso.

    Ou, se sobre o fundamento vocês estiverem edificando aquilo que é Cristo na ressurreição, poderão ter uma entrada abundante no reino eterno.

    Estas são as alternativas: apenas entrar, nada mais; ou entrar de maneira poderosa e gloriosa, triunfante, com a plena aprovação, a bênção do Pai:

    Muito bem. Muito bem.

    Perder isso, entrar sem isso, seria uma perda. É assim que a Bíblia fala: entrar no céu e não encontrar a porta, por assim dizer, aberta com um “Muito bem”; apenas entrar, receber permissão para entrar, sem isso. Algo terá faltado terrivelmente, terrivelmente, se assim for.

    Não, o apóstolo diz que o fundamento é Cristo, e tudo o que fazemos depois precisa ser Cristo. Ah, Cristo, Paulo, Cristo!

    Assim, ele examina essas condições: divisão, escárnio, preferências humanas por este ou aquele, simpatias e antipatias, separações — esse cisma incipiente.

    Se não tivesse havido esse triunfo, entre essas duas cartas ou pouco depois da segunda — e parece ter havido, em grande medida, um triunfo assim, pelo que se lê na segunda carta sobre arrependimento, tristeza segundo Deus e correção das coisas —, se não fosse por isso, vocês sabem o que teria acontecido.

    Vocês teriam ido a Corinto e encontrado meia dúzia de igrejas diferentes: esta chamada pelo nome de São Paulo; aquela, São Pedro; outra, Igreja de São Apolo; e ainda outra diria: “Esta é de Cristo”.

    Uma situação deplorável! Cristo não reconhecerá isso como Seu, de modo algum. Não, a igreja é outra coisa.

    Está Cristo dividido?

    Ele apresenta isso em forma de pergunta; a nota à margem o apresenta de modo afirmativo: “Cristo foi dividido pelo comportamento de vocês”.

    Seja uma pergunta, seja uma afirmação, a implicação é a mesma: uma compreensão correta de Cristo jamais resultará nesse tipo de coisa. De modo algum.

    Uma compreensão correta do evangelho e de Cristo corrigirá tudo isso.

    A vida de ressurreição como história espiritual

    Bem, amigos, vocês estão se perguntando: “Por que isso?” Eu também estou me perguntando. Não há outra razão senão esta: sinto que o Senhor quer nos dizer: “Vamos cuidar disso. Vamos cuidar de compreender corretamente o que significa estar em união com Cristo na ressurreição”.

    Tenhamos plena certeza de que compreendemos o evangelho, que é o evangelho da ressurreição, significando outra ordem de pessoas — uma ordem de pessoas que não tolerará, que não poderá permitir nenhuma dessas coisas.

    É claro que sei muito bem que, de modo geral, as condições de Corinto talvez não estejam presentes nas comunidades do povo do Senhor hoje. Talvez não haja coisas como incesto; algumas das outras coisas, sabemos, ainda são encontradas hoje entre o povo do Senhor.

    Mas não se trata de mais ou menos pecado, da medida ou do grau de determinada espécie de pecado. Trata-se da natureza que se recusa a aceitar esse tipo de coisa e que, por sua própria natureza, o lança fora, o mantém afastado e rompe essas amarras.

    Vocês plantaram sua semente, seu grão, e o que estão vendo ao redor? Estão vendo o resultado de algo que aconteceu quando aquela semente, aquele grão ou aquele bulbo foi colocado na terra.

    Chegou um momento em que ele disse: “Não vou aceitar isso. Isso é morte. Recuso e rejeito essa limitação. Vou romper isso e sair livre”.

    Assim, por toda parte vocês veem os efeitos e o resultado: uma reação contra a limitação — pequena, estreita, escura, morta —, rompendo tudo na reivindicação da vida e do viver.

    Esse é o poder da Sua ressurreição. É isso que a vida de ressurreição fará onde quer que esteja em ação. Ela dirá: “Não vamos aceitar esse estado de coisas. Não vamos tolerar isso. Vamos romper essas barreiras e sair disso. Vamos nos livrar disso. Vamos deixar tudo isso para trás. Vamos nos erguer e reivindicar nossa liberdade em Cristo de tudo isso”.

    Isso é história espiritual. É por isso que eu disse que a Bíblia era um livro de pessoas vivas — pessoas vivas, não coisas, coisas mortas.

    Deus quer pessoas nas quais haja a vida do Seu Filho ressuscitado, que digam: “Escutem, não vamos tolerar isso. Não vamos aceitar isso. Não quero nada disso. Isso é morte. Isso é escuridão. Isso é escravidão. Isso é limitação. Isso é vergonha. Nada mais disso!”

    Erguer-se e sair pelo poder de Deus: a gloriosa liberdade da ressurreição do Filho de Deus.

    Que sejamos realmente dessa ordem: nova criação.