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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Los Angeles Conference #3 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Los Angeles Conference #3
    Los Angeles Conference #3
    Austin-Sparks, T.

    O caminho da glória no Evangelho segundo João

    Estou feliz por ter esta oportunidade, amigos, de me reunir com vocês e compartilhar um pouco daquilo que o Senhor falou ao meu coração. Confio que isso também será um meio pelo qual Ele abençoará vocês.

    Vou pedir que abram a Palavra comigo, para percorrermos o caminho no Evangelho segundo João. Nossa passagem principal será João 17.

    Jesus falou estas coisas e, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica Teu Filho, para que o Filho Te glorifique.

    — João 17:1

    Eu Te glorifiquei na terra.

    — João 17:4

    E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha Contigo antes que o mundo existisse.

    — João 17:5

    Agora voltem a João 7:39:

    E isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que Nele cressem: porque o Espírito ainda não fora dado; por ainda Jesus não ter sido glorificado.

    Depois, João 11:4:

    Esta enfermidade não é para morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.

    Em João 12:16, lemos:

    Os Seus discípulos, porém, não entenderam isto a princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que estas coisas estavam escritas a respeito Dele, e de que estas coisas Lhe fizeram.

    E João 12:23-24:

    É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.

    Na verdade, na verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

    Em João 13:31-32:

    Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado Nele; e Deus O glorificará em Si mesmo, e logo O há de glorificar.

    E em João 16:32:

    Eis que vem a hora, e já é chegada, em que vós sereis dispersos, cada um para o que é seu, e Me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está Comigo.

    Depois, voltando a João 16:14:

    Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar.

    A centralidade da glória de Cristo

    Vocês devem ter notado a palavra que aparece em todas essas passagens. Afinal, fizemos apenas uma seleção inicial; há outras passagens que contêm a mesma palavra e poderiam ser acrescentadas. Essa palavra forma um caminho que atravessa todo o Evangelho segundo João. É o caminho da glória.

    Vocês devem ter percebido, mesmo nessa seleção de passagens que fizemos, como o Senhor Jesus colocou tudo sobre a base de Sua glorificação. Do começo ao fim, essa era, para Ele, a base de tudo: ser glorificado.

    Isso deve nos impressionar. Mesmo sem qualquer exposição ou explicação mais ampla, o fato é demonstrado, declarado e confirmado de maneira incontestável neste livro: para o Senhor Jesus, tudo se apoia na base de Sua glorificação.

    A hora que governava a vida de Cristo

    A expressão que Ele usou várias vezes parece ter governado profundamente Sua vida: a hora — “Minha hora”, “a hora é chegada”, “Sua hora ainda não havia chegado”. Havia uma hora que governava toda a Sua vida.

    A importância desse tempo — um tempo que governava tudo —, dessa hora, daquele momento específico, estava em Sua mente e reaparecia continuamente à medida que Ele prosseguia. Ele chamava Sua hora de a hora de Sua glorificação.

    É como se Ele trouxesse do futuro algo que governava a situação presente, qualquer que ela fosse em cada momento.

    Quando vocês perguntam: “O que é a glória do Senhor Jesus? O que significa a glorificação do Senhor Jesus?”, a resposta, em toda a Bíblia, é simplesmente esta: a glória de Deus é sempre a expressão de Sua completa satisfação.

    Quando Deus está perfeitamente satisfeito, plenamente satisfeito, então a glória de Deus sempre se manifesta. Vocês podem acompanhar isso ao longo do Antigo e do Novo Testamento. O Senhor Jesus vivia à luz de um momento que Ele chamava de a hora em que a plena satisfação do Pai se realizaria.

    O Pai plenamente satisfeito: glória. A glória da satisfação de Deus. Ele vivia à luz disso e trazia essa realidade para cada detalhe de Sua vida.

    A glória de Deus como fundamento da ação

    Comecemos em João 2: as bodas em Caná da Galileia, a água e o vinho. Voltaremos a isso daqui a pouco. A respeito desse acontecimento, está escrito:

    Jesus principiou assim os Seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a Sua glória.

    — João 2:11

    Mas observem o que levou a isso: a festa, a falta de vinho, Sua mãe ansiosa e preocupada, voltando-se para Ele e dizendo:

    Não têm vinho.

    — João 2:3

    Jesus lhe disse:

    Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.

    — João 2:4

    Mas então Ele agiu, depois daquela pausa, enquanto esperava por algo. Era como se dissesse: “Nada posso fazer de Mim mesmo. Só posso fazer o que faço quando o Pai Me capacita e Me dá Sua aprovação para fazê-lo. Quando vem do Pai, está tudo certo. O Pai será glorificado”.

    “Não estou aqui para glorificar a Mim mesmo pelo que faço. Estou aqui para glorificar o Pai.” E, em Seu coração, Ele diria: “Pai, isto Te glorificará, se Eu fizer esta coisa?”. Então recebeu a resposta: “Sim”. Ele manifestou Sua glória.

    Essa hora — aquela grande hora futura em que viria a satisfação do Pai — foi antecipada. Isso não é imaginação nem uma interpretação forçada, porque houve uma ocasião concreta em que Ele disse:

    Pai, glorifica o Teu nome.

    — João 12:28

    E veio uma voz do céu. Ele vivia, entendem, nessa comunhão com o Pai.

    Houve outra ocasião em que Seus irmãos segundo a carne disseram: “É o tempo da festa em Jerusalém. Todo mundo está subindo a Jerusalém para a festa. Vai também”. Jesus disse: “Subam vocês; Eu não subo; Meu tempo ainda não se cumpriu”.

    Em outras palavras, Ele dizia: “Não sou governado simplesmente pelo que todo mundo faz. Não sou governado pelo que é geralmente aceito, pela opinião popular ou pelo que está na moda. Preciso receber isso do Pai. Esta ida à festa precisa, de algum modo, trazer satisfação ao Pai”.

    “Subam vocês.” E, depois que eles subiram, Ele também subiu. Um comportamento estranho, não é? Mas o que se passava em Seu interior? Era isto, o tempo todo: “Pai, Tu vais receber alguma coisa com isso? Isto será do Teu agrado? Não posso fazê-lo com base em nenhum outro motivo”.

    “Se Tu não vais encontrar satisfação nisso, então que eles tenham todas as festas que quiserem. Que façam o que sempre fizeram, mas Eu não participarei, a menos que haja nisso algo para a glória, a satisfação e o prazer do Pai.”

    Evidentemente, naquele momento Ele recebeu a confirmação do Pai: “Está bem. Sobe. Tenho algo nisso”. E Ele subiu. Vejam, o Pai realmente tinha algo nisso.

    Colocar tudo sobre a base da glória — a glória de Deus em Jesus Cristo, a glória de Cristo — traz tudo para debaixo desse único princípio governante.

    Isto realmente contribui para a glória de Cristo? Minha ida a algum lugar, ou minha decisão de não ir; o que faço, ou o que deixo de fazer; agir, ou deixar de agir — quanto isso contribuirá para Sua glória? Essa é a questão que governa tudo.

    É preciso haver comunhão com o céu. Posso fazer isto? Estarei fazendo para minha própria glória, meu próprio prazer, minha própria satisfação? Ou a glória Dele exige isso? Isso contribuirá para Sua glória?

    Essa era a base da vida do Senhor Jesus. Ele chamava isso de Sua hora, governada pela hora da satisfação do Pai; e essa era Sua glória.

    A Minha comida é fazer a vontade Daquele que Me enviou.

    — João 4:34

    É apenas outra maneira de dizer que Sua glória era Seu tesouro.

    O Espírito Santo e a glorificação de Cristo

    Essa glorificação do Senhor Jesus foi o sinal para a mudança de dispensação mediante a vinda do Espírito Santo.

    E isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que Nele cressem: porque o Espírito ainda não fora dado; por ainda Jesus não ter sido glorificado.

    — João 7:39

    Em outras palavras: Jesus glorificado, o Espírito é liberado. O Espírito vem. A grande vinda do Espírito acontece. A dispensação muda para a dispensação do Espírito Santo.

    Quanto o Senhor Jesus vinculou a isso!

    Convém-vos que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós.

    — João 16:7

    É evidente que Ele deu muito mais importância à vinda do Espírito Santo do que à Sua própria permanência na carne.

    O sinal para a vinda do Espírito, como o Pentecostes declara tão claramente, tanto no próprio acontecimento quanto no que se seguiu, foi Jesus glorificado. O Pentecostes foi um dia de glória, cheio da glória do Senhor.

    Depois, aonde quer que fossem, eles estavam cheios dessa glória, pregando: “Jesus está glorificado. Jesus está nas alturas”. A glória se espalhou pela terra. Mas o sinal para isso foi Jesus glorificado.

    Isso é algo muito prático, queridos amigos. Seja o que for que desejemos a respeito do Espírito Santo, e seja como for que oremos pelo Espírito Santo — queremos poder, luz, direção e pedimos o Espírito Santo para muitas coisas e muitos propósitos —, lembrem-se disto: o Espírito Santo só agirá, de qualquer maneira que seja, se o motivo for a glorificação do Senhor.

    Vocês podem orar pelo Espírito Santo até não conseguirem mais orar, mas o Espírito Santo verdadeiramente não responderá enquanto o motivo não for que Jesus seja glorificado — não que eu possa ter alguma coisa, fazer alguma coisa ou ser alguma coisa. Não, nada disso.

    A glorificação de Jesus governa toda a questão do Espírito Santo. Jesus a colocou sobre essa base. Quando vocês estiverem inteiramente voltados para a glorificação do Senhor Jesus — e o Senhor sabe quando estamos verdadeiramente assim — e corretamente ajustados a isso, terão dado ao Espírito Santo a base que Ele deseja, e Ele agirá espontaneamente.

    Situações impossíveis transformadas para a glória

    Observem novamente: esta é uma porta pela qual vocês entram em tamanha riqueza nesse assunto. A glorificação do Senhor Jesus foi a base para reverter situações, passando do impossível ao possível, ou à realização concreta.

    Em certo sentido, todo este Evangelho segundo João é o Evangelho das situações impossíveis que se tornam realidade. Vocês encontram, do começo ao fim, toda uma série de situações absolutamente impossíveis do ponto de vista natural.

    As bodas em Caná

    Comecemos com as bodas em Caná da Galileia. Tudo está acontecendo e, de repente, tudo desmorona: “Não têm vinho”. Essa é a chave de toda a questão — a alegria e a comunhão —, e é justamente aí que tudo falha.

    É vergonha, decepção, desonra. Como costumamos dizer, tudo ficou sem chão por causa da falta de vinho. É uma situação sem esperança. O que vocês vão fazer? Não podem fazer nada. Tudo chegou ao fim.

    Imagino que aqueles que sabiam disso estivessem olhando uns para os outros, consternados, talvez com medo de deixar que as pessoas soubessem, por causa do desastre que sentiam ter acontecido — algo que estragava completamente a festa. Sem esperança.

    Notem que Jesus foi muito cuidadoso — e isso reaparece continuamente no Evangelho — em deixar claro que a situação era sem esperança. “Não têm vinho.” O que tenho Eu a ver com isso? “Não estou aqui apenas para salvar eventos sociais que deram errado. Não estou aqui apenas para tornar as coisas um pouco mais agradáveis para as pessoas e livrá-las do constrangimento.”

    “Estou aqui pelo Pai — para fazer aquilo que é absolutamente impossível aos homens.” Foi para isso que Ele veio. A vida desmoronou. A vida está cheia de vergonha, constrangimento, decepção e falta de esperança. É aí que vocês começam: uma situação sem esperança, impossível para o homem em sua condição natural.

    Ele entrou nessa situação, transformou-a e manifestou Sua glória, mudando aquela condição sem esperança para uma condição não apenas de esperança, mas de realização.

    Nicodemos e o novo nascimento

    Depois, João 3: esse homem, Nicodemos, está tentando encontrar o caminho para entrar no Reino, tentando descobrir o segredo do Reino de Deus. Ele tem tudo o que um homem poderia ter em termos de religião e conhecimento.

    Tu és mestre de Israel?

    — João 3:10

    Foi o que Jesus disse: o mestre em Israel.

    Tudo em termos de tradição, herança, posição e prestígio — tudo o que um homem poderia ter — e, ainda assim, insatisfeito; ainda falando como um homem em desespero e decepção; vindo a Jesus de noite para tentar encontrar a solução para o problema de seu coração.

    Jesus se empenha em mostrar como a situação dele é sem esperança. Ele não aborda esse homem a partir de sua própria posição, encorajando-o e consolando-o. Ele lhe diz diretamente:

    Necessário vos é nascer de novo.

    — João 3:7

    Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

    — João 3:3

    Não pode, não pode, não pode. Sem esperança, mesmo para o melhor que este mundo pode oferecer. É uma situação impossível por meios naturais, não importa quanta religião vocês tenham. Sem esperança.

    Mas Jesus transformou aquela situação sem esperança, não apenas para Nicodemos, mas para tantos outros, em esperança e realização no Reino. O que quero destacar é que Jesus deixa continuamente bem claro que, para o homem, a situação é impossível; mas, com Ele, não existe impossibilidade.

    A mulher de Samaria

    Depois, João 4. Já houve um exemplo mais claro de falta de esperança do que aquela mulher de Samaria?

    Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido.

    — João 4:18

    Quando ela começa a falar, vocês ouvem seu tom de desespero:

    Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, nem venha aqui tirá-la.

    — João 4:15

    Esse é o clamor de uma mulher que esgotou todas as esperanças que a vida podia oferecer e ainda está em desespero.

    Vocês sabem o que Ele fez com isso. Ele trouxe à luz aquela situação sem esperança, não foi? Ele a tornou consciente disso e fez questão de fazê-la compreender. Parece cruel da parte Dele trazer à tona o passado dela, mas Ele estava lhe mostrando como sua própria condição era sem esperança, para que pudesse demonstrar que Ele é a esperança dos que não têm esperança.

    O filho do oficial do rei

    Em João 4, quando Jesus chegou à Galileia, certo oficial do rei foi até Ele e disse: “Senhor, desce; meu filho está à beira da morte. Vem”.

    Mais uma vez, parece tão cruel. Esse pobre pai, aflito e de coração partido, tinha toda a sua vida ligada àquele menino que estava à beira da morte. Jesus disse:

    Se não virdes sinais e prodígios, não crereis.

    — João 4:48

    É falta de bondade, crueldade, falta de compaixão? Não. Ele está levando esse homem ao limite, fazendo-o reconhecer e admitir que somente em Jesus existe alguma esperança.

    Ele diz:

    Senhor, desce, antes que meu filho morra.

    — João 4:49

    É um clamor quase de desespero, como se ele tivesse vindo buscar o último recurso. Somente Jesus — é isso que Jesus quer: “Ó Jesus, não há esperança!”. E Jesus não foi. Ele disse:

    Vai, o teu filho vive.

    — João 4:50

    Vocês sabem o restante da história.

    A alimentação da multidão

    Há mais um desses exemplos do impossível: João 6.

    Onde compraremos pão, para estes comerem?

    — João 6:5

    Cinco mil pessoas — e duzentos denários de pão não seriam suficientes para elas.

    Se vocês examinarem a Bíblia e fizerem as contas, isso representava o salário de um ano de um trabalhador: duzentos denários. Não era suficiente para atender àquela necessidade. Jesus havia feito a pergunta como uma prova: “Como isso pode ser feito?”. “Não, simplesmente não pode ser feito”, disseram os apóstolos. “Não há esperança. É impossível.”

    Mandai assentar os homens.

    — João 6:10

    E vocês sabem o restante da história. Mas aquilo era completamente sem esperança, completamente impossível, não era? No entanto, tornou-se realidade.

    O homem cego de nascença

    Depois, João 9: o homem cego de nascença — cego de nascença. Uma linguagem estranha, um tipo estranho de argumentação; fizeram muito caso disso, disseram todo tipo de coisa a respeito. Os discípulos perguntaram:

    Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

    — João 9:2

    Jesus respondeu:

    Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

    — João 9:3

    Cego de nascença. As próprias palavras do homem mostram como ele reconhecia a falta de esperança de sua condição. Quando as autoridades o atacaram e o interrogaram sobre Quem lhe havia dado a visão, dizendo que esse Homem era pecador, o homem disse: “Ora, nisso está a maravilha!”.

    Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.

    — João 9:32

    Era assim que ele entendia a questão. Para ele, não havia dúvida alguma. Era algo sem esperança, de que nunca se ouvira falar desde a fundação do mundo. Isso é bastante sem esperança, não é? Sim, Jesus quis que fosse assim por causa da glória — por causa da glória.

    Lázaro e a glória de Deus

    Depois, João 11. Vocês conhecem Sua atitude ali. Mandaram dizer a Ele:

    Aquele que Tu amas está enfermo.

    — João 11:3

    Não havia como contestar essa declaração — Seu amor. Mesmo assim, Ele permaneceu dois dias onde estava.

    Quando finalmente chegou e Se dirigiu ao túmulo, a irmã disse:

    Senhor, já cheira mal.

    — João 11:39

    O Senhor havia deliberadamente deixado a situação chegar àquele ponto, do ponto de vista natural, para torná-la tão sem esperança quanto qualquer situação poderia ser.

    Esta enfermidade não é para morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.

    — João 11:4

    O Senhor ressurreto e a rede vazia

    Vocês podem prosseguir até o fim, até o último capítulo. “Mestre, trabalhamos a noite toda e nada apanhamos.” Toda a perspicácia, todo o conhecimento e toda a habilidade adquiridos ao longo da vida de um pescador, esgotados — nada. O resultado de tudo aquilo foi nada.

    Bem, vocês sabem o restante.

    Lançai a rede à direita do barco.

    — João 21:6

    Uma situação impossível transformada em realização para Sua glória. Ele colocou tudo sobre a base de Sua glória.

    Há muito consolo nisso para nós, não é, amigos? Ah, quantas vezes nos desesperamos e sentimos que as coisas não têm esperança. Enquanto Jesus vive, não existe impossibilidade nem falta de esperança.

    Podemos dizer isso, e eu posso dizer isso, mas não é preciso muito para perceber que, às vezes, essa é uma das maiores provas que podemos enfrentar: crer que, afinal, isso é possível. Mas é. Muitos de nós temos experiência suficiente, porque Ele fez questão de nos levar ao ponto em que, para o homem, tudo chegou ao fim; mas, para o Senhor, não há impossibilidade.

    Vez após vez, Ele transformou aquela situação sem esperança e impossível em algo para Sua própria glória. Tudo está sobre a base de Sua glória.

    O destino da igreja na glória de Deus

    O que Ele está fazendo em tudo isso? Está colocando nossa vida sobre a mesma base que a Sua. Ele veio e colocou Sua vida sobre esse fundamento: a glória do Pai. Nada que não fosse para a glória do Pai deveria ter lugar. Tudo era provado e questionado por isto: “Quanto isso contribui para a glória do Pai?”.

    Se não contribui, não há lugar para isso. Só o considero se contribuir. Agora Ele aplica isso à nossa vida e a coloca sobre essa base. Ele colocou as pessoas em Caná sobre essa base. Colocou a mulher de Samaria sobre essa base. Colocou Nicodemos sobre essa base.

    Pensem no homem junto ao tanque de Betesda. Que história de falta de esperança encontramos em João 5! Trinta e oito anos, e, toda vez que tentava entrar na água, alguém chegava antes dele. Desespero completo. Jesus mudou isso. Ele estava colocando a vida daquele homem sobre a mesma base que a Sua.

    Ao longo de todo o caminho, Ele estava colocando a vida humana sobre a mesma base que a Sua, dessa maneira. É uma posição muito segura, queridos amigos, ter a vida sobre a mesma base em que o Senhor Jesus tinha a Dele.

    Esse é o destino da igreja. O que Paulo diz em Efésios 3:21?

    A Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

    Como — como há glória na igreja para todo o sempre? Exatamente desta maneira: a vida da igreja tem sido uma vida de situações impossíveis transformadas em gloriosa realização. Não é essa a história da igreja ao longo de todo o seu percurso?

    Desde o começo, tudo parecia impossível. A matança de cristãos por Nero mostrou quanto a igreja havia crescido, com que rapidez e força. Calcula-se que ele tenha massacrado nada menos que dez milhões de cristãos. Isso deixa tudo bastante reduzido, bastante fraco e bastante sem esperança.

    Vez após vez, a igreja passou por isso ao longo da história — sofreu retrocessos assim —, mas segue adiante, segue adiante, maior do que nunca hoje. Sem esperança? Sim. Impossível? Sim, não fosse Jesus.

    Qual é o objetivo? O que governa tudo isso? Não é porque a igreja seja alguma coisa, nem porque vocês e eu sejamos alguma coisa. Sua glória governa tudo:

    A Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus.

    — Efésios 3:21

    Cristo revelado por meio da frutificação

    Há muito mais naquelas passagens que li. Lembrem-se de uma ocasião durante a festa da Páscoa. Em Jerusalém, entre a multidão, havia certos gregos que tinham subido para a festa. Enquanto passeavam e conheciam os lugares de Jerusalém, incluíram em seu roteiro Aquele de Quem todos estavam falando — Jesus de Nazaré.

    Eles vieram aos discípulos e disseram:

    Senhor, queríamos ver Jesus.

    — João 12:21

    Filipe veio e contou a André; André veio e contou a Jesus. O que Jesus disse imediatamente?

    É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.

    Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

    — João 12:23-24

    Como Jesus é glorificado? Como Jesus é realmente visto? Eles disseram: “Queríamos ver Jesus”, e Ele disse, em outras palavras: “Vocês não Me veem simplesmente quando Me veem segundo a carne. Vocês Me veem quando veem uma grande multidão que ninguém pode contar, de toda tribo, língua, povo e nação”.

    Um grão que morreu, reproduzindo-se numa colheita imensa — isso manifestará Minha glória. Isso permitirá que vocês saibam Quem Eu sou: não apenas uma das coisas a se ver em Jerusalém, mas uma das coisas a se ver no céu.

    Uma nova revelação, um novo conhecimento do Senhor Jesus — esse era o motivo. Jesus é realmente conhecido e visto na maneira como Ele Se reproduz em outros grãos, nos muitos outros.

    Ele coloca nossa vida sobre essa base. Ele nos diz que deve acontecer conosco o mesmo que aconteceu com Ele: cair na terra e morrer. E acrescenta imediatamente:

    Quem ama a sua vida perdê-la-á; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.

    — João 12:25

    A mesma base que a Minha. Vocês abrem mão da vida por Cristo. Derramam sua vida até a morte em favor dos interesses Dele. A glória virá disso. Esse é o caminho da glória.

    O motivo que governa a vida

    Creio que já disse o suficiente para deixar claro o ponto. Esse é o caminho. Eu poderia continuar, é claro, por horas, mas não é necessário. Temos isso aqui.

    O Senhor Jesus colocou tudo em Sua própria vida e na nossa sobre este único fundamento: Sua glória. Questionando tudo à luz disso, provando tudo à luz disso, governando tudo por isso.

    Ele está nos dizendo: “Agora deve ser verdade a respeito de vocês, como foi a respeito de Mim, que sua vida seja governada por um único motivo e um único interesse: quanto isso contribui para a Minha glória?”.

    Isso elimina toda conversa do tipo: “Bem, preciso mesmo?”, ou: “Não posso?”, ou: “Sou obrigado?”. Não há lugar para esse tipo de conversa, queridos amigos, quando somos dominados por isto — Sua glória.

    Se isso não contribui para Sua glória, então deixem de lado. Se este caminho pode ser para Sua glória, não importa o que signifique para mim, então é por esse caminho que vou. É o caminho da glória o tempo todo — a base da glória.

    Que o Senhor faça esta verdade repousar profundamente em nosso coração e nos torne homens e mulheres comprometidos — pessoas comprometidas — com a glória de nosso Senhor.