No livro de Atos — Atos 3:15. Esta é apenas uma parte da declaração de Pedro, mas contém a expressão que quero considerar neste momento:
Vós negastes o Santo e o Justo,
e matastes o Príncipe da vida;
do que nós somos testemunhas.
Essa expressão e esse título: o Príncipe da Vida.
Nesta manhã, estivemos considerando a soberania do Espírito Santo, conforme ilustrada por nosso Senhor por meio do vento:
O vento assopra onde quer,
e ouves a sua voz,
mas não sabes de onde vem,
nem para onde vai;
assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
A soberania absoluta do Espírito é a base de uma vida cristã verdadeira — a vida do crente nascido de novo.
Nesta tarde, estivemos considerando o critério do Espírito. Isto é, o Espírito Santo tem um único objetivo e uma única medida para avaliar tudo: o próprio Cristo. Ele faz de Cristo a medida da vida, da obra, de tudo.
Ou seja, quanto de Cristo se encontra em nós, individual e coletivamente, e em todas as atividades da nossa vida? O critério do Espírito Santo é este: quanto de Cristo encontramos uns nos outros.
Muitas outras coisas são estabelecidas como critérios do cristianismo, mas esse é o critério do Espírito Santo. Tudo se resume a isso.
Agora, nesta noite, vamos falar um pouco sobre outra questão muito importante: a marca fundamental da presença e da atuação do Espírito Santo — aquilo que realmente evidencia a presença, a soberania e a obra do Espírito Santo.
Isso está contido nesta expressão, que é o nosso título: o Príncipe da Vida.
Bem, ao chegarmos a esse assunto, vamos retomar por um instante essa questão do objetivo do Espírito Santo. Esse objetivo é Cristo.
Em determinado momento da nossa meditação, mostramos como o Espírito Santo se opõe a tudo o que faz Cristo parecer menor do que Ele realmente é. Colocando isso de outra maneira: a obra, a ocupação e o propósito do Espírito Santo são mostrar quão grande é Cristo — quão imensamente grande é Cristo.
E a diferença dependerá inteiramente da nossa compreensão da grandeza de Cristo: que tipo de cristãos somos; se somos pequenos, limitados, mesquinhos, triviais, sem peso, insignificantes; ou se realmente temos significado, contamos, representamos alguma coisa por estarmos aqui neste mundo como cristãos.
Aquilo que determinará o nosso valor, o peso que temos, a nossa relevância espiritual — depois do que eu disse nesta tarde, ninguém deve pensar que estou falando de importância natural ou de grandeza humana — diz respeito à estatura, à medida e à relevância espirituais.
A medida disso, no que nos diz respeito, dependerá em grande parte, se não inteiramente, da nossa verdadeira compreensão espiritual da grandeza de Cristo. Não apenas da nossa visão intelectual, da conclusão a que chegamos pelo estudo, mas de quão grande Cristo é para nós interiormente, pela revelação do Espírito Santo.
E esta é uma coisa com a qual nós, crentes, nós, cristãos, devemos nos ocupar continuamente, porque é o efeito disso que fará de nós aquilo que seremos: ocupar-nos em conhecer Cristo em todas as dimensões da revelação do Espírito Santo.
Há muitas maneiras pelas quais podemos chegar a isso. Vou tentar mencionar uma que está intimamente ligada ao que temos aqui. Essa compreensão de quão grande é Cristo vem pelo reconhecimento dos títulos com os quais o Espírito Santo fala dEle.
Pergunto-me se vocês já fizeram alguma coisa a esse respeito — se já consideraram os títulos do Senhor Jesus que nos foram dados pelo Espírito Santo.
Compilei uma lista, a partir do Novo Testamento, de cerca de cinquenta e três títulos diferentes do Senhor Jesus. Voltemos ao Antigo Testamento, apenas aos escritos proféticos, e acrescentaremos muitos outros: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Todos esses são títulos — títulos descritivos.
E, como vocês sabem, há muitos outros, tanto em Isaías como em outras partes do Antigo Testamento. Calculo que, quando terminarmos, teremos um total de mais de oitenta títulos diferentes dados ao Senhor Jesus na Palavra de Deus.
Ora, é preciso ser uma pessoa muito grande para carregar tantos nomes assim. Vocês não gostariam de ter todos esses nomes para carregar pela vida. Se receberem um ou dois — se receberem três —, isso já é praticamente tudo o que conseguiriam suportar.
Mas aqui está: aqui temos um Homem, um único Homem, Que é tão grande que pode sustentar esse enorme conjunto de designações e títulos.
E lembrem-se: não são apenas nomes. São definições. Cada um deles é uma definição do Seu caráter, da Sua obra e do Seu significado no universo de Deus.
Não vou percorrer essa lista. Vocês percebem o domínio em que estamos: a grandeza de Cristo. Ah, se eu lhes dissesse que poderia ocupar uma semana inteira de reuniões com vocês sobre cada título individual — e até mais do que isso —, vocês precisariam de oitenta e tantas semanas apenas para cobrir o assunto superficialmente.
Mas não há como sondar a profundidade desses títulos, dessas definições. Quão grande Ele é!
E repito: se, pelo Espírito Santo, vocês e eu pudéssemos ser conduzidos a conhecê-Lo nesses termos — nos termos dessas maravilhosas designações —, que Cristo teríamos!
Mas tudo isso está aqui para nós. Está na Bíblia; nós a temos. Está num Livro à nossa disposição, e temos o Espírito Santo para tomar cada título e nos fazer desfrutar da realidade daquilo que ele significa.
Espero que, embora eu tenha de condensar tudo em um tempo muito curto nesta noite, vocês percebam algo do que quero dizer.
Agora, aqui está um desses mais de cinquenta e três títulos de Cristo no Novo Testamento: o Príncipe da Vida.
Talvez seja melhor eu parar imediatamente para fazer um pequeno ajuste técnico. Essa palavra, príncipe, pode nos induzir ao erro se pensarmos nela, como naturalmente faríamos, como referência a alguma dignidade principesca, alguma condição elevada, alguma posição honrosa, como quando falamos de outros príncipes.
Mas esse não é — embora isso, naturalmente, seja verdadeiro a respeito dEle — o sentido da palavra que realmente está aqui. A mesma palavra traduzida aqui como príncipe é traduzida de outras maneiras no Novo Testamento.
Na carta aos Hebreus, por exemplo:
Aperfeiçoasse, pelas aflições, o Autor da salvação deles.
Essa palavra, autor, é a mesma palavra traduzida aqui como príncipe.
O Autor e Consumador da nossa fé.
Mais uma vez, autor é a mesma palavra.
Mas, na língua original, a melhor tradução da palavra seria pioneiro. Vocês podem perceber que autor se encaixa nisso, assim como em outra passagem ela é traduzida como capitão:
O Capitão da nossa salvação.
É novamente a mesma palavra — capitão, autor, pioneiro.
Pioneiro da Vida. Que significado isso dá, não é mesmo, à declaração de Pedro dirigida àqueles líderes judeus, quando ele lhes lança a grande e devastadora acusação do crime que cometeram:
Vós matastes o Pioneiro da Vida.
Vocês percebem o que fazem se matam o pioneiro. O pioneiro, se há apenas um pioneiro — matem-no e vejam o que fizeram.
Ah, como essa palavra é rica: o Pioneiro da Vida.
Agora, então, vamos ampliar um pouco o assunto. Aqui temos uma palavra de dimensão imensa. Essa única palavra abrange, reúne em si, todo o significado do cristianismo.
Ela resume tudo o que o cristianismo — o cristianismo do Novo Testamento, quero dizer, o verdadeiro cristianismo — realmente significa: essa palavra, vida.
Esta é a questão eterna. Não se enganem a esse respeito. Isso que aqui se chama vida é a questão eterna.
É a questão central da criação. Isso é tão claro quanto qualquer coisa pode ser. Quando Deus criou o mundo e, depois, o homem sobre ele, Sua intenção era que, por meio de prova e provação, o homem que Ele havia criado se tornasse receptor e participante de algo chamado vida — algo além da vida animal, que ele já possuía; além da vida da alma, que Deus havia soprado nele.
Se isso é simbólico ou não, para mim não importa. De qualquer modo, não importa. O que importa é o princípio. Aquela árvore da vida, colocada no centro do jardim, representa esta grande realidade: havia ali algo para o qual Deus havia criado o homem, algo que ele deveria receber sob as condições de obediência e fé.
Receber o quê? Aquilo que aquela árvore representava. Ela é chamada de árvore da vida. Todas as outras árvores estavam vivas; todas estavam vivas. Todos os animais estavam vivos — as aves, todos os seres que rastejavam e todos os peixes estavam vivos. Adão estava vivo, mas não possuía aquela vida.
Não haveria lógica alguma, razão alguma, para colocar aquilo ali, separado deles, fora deles, como algo distinto e definido, se eles já possuíssem o que aquilo significava. Eles não possuíam.
E o próprio ato de Deus, depois da desobediência deles por incredulidade, confirma essa verdade. Ele os expulsou e colocou uma guarda de querubins ao redor da árvore da vida, dizendo: “Não, agora não. Agora, nunca. Nunca nessas condições, para esse tipo de homem — nunca”.
“Essa era a Minha intenção, mas agora, nunca.”
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
A sentença foi pronunciada, e o homem caiu na morte espiritual naquele dia. Todos os seus descendentes, desde então até nós e todos os demais hoje, e todos os que ainda possam nascer, estão mortos para Deus nesse sentido — nunca tendo possuído essa vida por natureza.
Essa é a questão central da criação. Essa é a questão ligada à encarnação do Filho de Deus. Por que Ele veio? Por que o Filho de Deus Se despojou de toda a Sua glória celestial e veio em forma humana?
Para tratar desta questão — desta questão:
Eu vim para que tenham vida.
Foi Ele Quem disse isso.
Mas dizer que eles deveriam ter vida implica que não a possuem. Sem a Sua vinda, jamais a teriam.
Eu vim para que tenham vida.
A questão central da própria encarnação — e, naturalmente, a questão central da redenção — é esta vida, esta vida específica.
A questão central da vinda do Espírito Santo é essa mesma questão. Ele é chamado de Espírito da Vida. Romanos 8:2:
A lei do Espírito de vida, em Cristo.
Ele é o Espírito da Vida. Onde quer que vocês encontrem o Espírito Santo em todo o nosso Novo Testamento, estão se deparando com a questão da vida — diretamente com a questão da vida — em símbolo, tipo, figura ou declaração. É esta a questão: vida.
Assim, essa palavra carrega consigo, em si mesma, a própria grandeza de Cristo. Se essa é a questão eterna na criação, na encarnação, na redenção, no Espírito Santo e em toda a Sua obra, então a questão é a vida, e essa vida está em Cristo, certamente, e somente em Cristo.
Que significado isso confere a Cristo! Quão grande Ele é, remontando à eternidade, atravessando todo o tempo, trazendo consigo essa questão em favor dos homens e alcançando a própria eternidade para ocupar-Se de uma única coisa: vida.
O Pioneiro da Vida.
É essa diferença, essa realidade específica, que torna Cristo único. Único.
NEle estava a vida.
E, mais uma vez, o que está implícito é: em ninguém mais. Somente nEle.
NEle estava a vida.
Vocês sabem que João escreveu vinte capítulos de um Evangelho e resumiu todos aqueles vinte capítulos numa única declaração abrangente:
Estes, porém, foram escritos
para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus;
e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome.
Obrigado, João. Agora sabemos o que você vinha buscando o tempo todo. Tudo o que você escreveu ao longo desse Evangelho se concentrou numa única coisa: vida. E isso se confirma à medida que vocês leem, não é mesmo? Capítulo após capítulo, a questão é a vida.
Depois, João escreveu suas cartas, e vocês sabem que essas cartas de João se concentram precisamente nisto:
Quem tem o Filho tem a vida;
quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Tudo trata da vida. A questão é a vida, centrada em Cristo.
E isso deixa tudo muito claro, porque ninguém faz esse tipo de coisa — ninguém escreve tudo isso, diz todas essas coisas — se, afinal de contas, todos já possuem essa vida.
Evidentemente, isso significa que Jesus é único nesse aspecto. Ele é diferente de todos os outros seres, dos seres criados. Ele é diferente, tão diferente quanto aquela árvore da vida era de todas as outras árvores.
A diferença, a singularidade de Cristo, está nisto: Ele tem em Si uma vida que nenhuma outra espécie da criação possui. Há uma diferença nEle porque se trata de uma espécie de vida diferente de todas as outras.
Ora, este é o próprio cerne do significado de Ele ser o Filho de Deus. Filho de Deus.
No âmbito espiritual e divino, isso segue a linha, o paralelo, da filiação natural. Filiação — afinal, o que é filiação? Não é apenas um título, não é mesmo? Não é apenas uma associação.
A filiação, em sua própria essência, é isto: a mesma vida do pai habita no filho. Como sei que sou filho do meu pai?
E o extraordinário é — não sei até que ponto isso é verdade no caso de vocês; talvez nunca tenham pensado nisso, talvez não se confirme no caso de vocês —, mas sei que se confirma no meu. Suponho que eu seja tão velho quanto qualquer pessoa aqui. Isto é o que me impressiona: quanto mais velho fico, mais vejo meu pai em mim.
Quanto mais vivo, mais me deparo com meu pai em mim, à medida que me lembro dele e agora consigo compreendê-lo. Não conseguia quando era criança, nem mesmo quando era jovem. Eu simplesmente aceitava sua presença como algo natural. Ele era alguém exterior a mim. Mas agora, ora essa, esse meu pai está se manifestando o tempo todo.
Ninguém pode levantar qualquer dúvida quanto a eu ser filho do meu pai. Eu sei. Eu sei. Por quê? Porque sou chamado pelo mesmo nome? De maneira nenhuma.
Você não é filho de Deus porque se chama de cristão ou porque carrega determinado nome. Não, nada disso.
O que constitui a filiação é isto: a vida do Pai, Deus, reside no Filho; foi transmitida a Ele; tornou-se o fator, a realidade e o poder fundamentais do Seu ser. A vida de Seu Pai está nEle.
E isso, queridos amigos, vai diretamente ao cerne desta questão de uma nova família: a nova família que Deus está formando, que ocupará o Seu domínio por toda a eternidade, quando todos os outros tiverem sido afastados da Sua esfera.
Todos os outros terão sido afastados, terão ido embora. Uma família, e somente uma família, permanecerá. Essa família será constituída em termos de filiação, neste sentido: seus membros possuem essa vida singular de Jesus Cristo, transmitida por Ele mesmo a eles por meio do Espírito Santo, o Espírito da Vida.
Por que diferente? Talvez não inteiramente na aparência exterior. Pois aqueles que olhavam, que eram apenas espectadores, não percebiam a diferença entre Ele e os outros homens.
O Seu aspecto estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer.
E:
Olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos, para que O desejássemos.
E assim por diante. Não na aparência exterior, embora eu até ache que Pilatos percebeu alguma coisa a respeito dEle.
Contudo, é por possuir essa realidade oculta que Ele é diferente de todos os outros. E Ele era diferente. Havia ali algo que não era verdadeiro a respeito de nenhuma outra pessoa, entre todos os milhões que viviam na terra quando Ele esteve aqui.
É algo singular — completamente diferente.
Agora ele diz: “Aqui está o pioneiro”. O que é o pioneiro? Bem, a palavra pioneiro não tem significado se ninguém mais vem depois. Mas o próprio significado da palavra indica que Ele está à frente de outros. Ele é Aquele Que desbrava e abre o caminho para outros.
O escritor da carta aos Hebreus, naturalmente, coloca isso desta maneira:
Trazendo muitos filhos à glória,
aperfeiçoasse o Pioneiro pelas aflições.
Se isso é verdade, vocês e eu passamos a possuir essa vida singular, essa vida que é diferente em sua própria essência. Então vocês e eu, queridos amigos, na realidade mais profunda do nosso ser, somos diferentes — somos diferentes.
Ora, essa é uma afirmação, uma declaração de um fato. Mas o que isso representa? Eu realmente quero ser útil. Declarar fatos e doutrinas — isso, por si só, não ajuda muito. O que isso representa?
A coisa mais abençoada que vocês e eu podemos conceber. Isso não significa apenas que fazemos parte de uma família, uma família divina, a família eterna, a resposta ao desejo eterno de Deus para os homens; significa isto: há algo depositado num filho de Deus nascido do alto, pelo próprio Espírito Santo, presente nele como o Espírito da Vida.
Isso é depositado como um poder e uma energia extraordinários, aos quais vocês e eu deveremos tudo.
Ah, sim. Nesta tarde, estávamos falando do lado negativo — aquilo que o Espírito Santo faz para nos levar ao lugar da Sua soberania absoluta. Isto é, Ele nos quebranta. Ele nos esvazia. Ele nos leva ao esgotamento total no que diz respeito aos nossos próprios recursos naturais.
Ele simplesmente nos despedaça e nos reduz a zero para nos introduzir na gloriosa soberania e plenitude de Jesus Cristo. Esse é o lado negativo.
Mas vejam bem: quando o Espírito Santo está fazendo essa obra, Ele nunca, nunca a faz com um objetivo negativo. Aquilo que o Espírito Santo está fazendo positivamente é isto: fazer-nos conhecer a poderosa, poderosa e persistente realidade da ressurreição.
A obra da morte está em nós; isso é verdade, pela operação do Espírito. Mas a vida também — a realidade da ressurreição — está em nós.
Ah, realmente sinto que isso é importante: se vocês esquecerem todo o resto, apeguem-se a essa diferença.
Não sei quantos de vocês aqui — talvez alguns ainda não sejam idosos, e outros venham a passar por esse caminho, se isso não os perturbar demais — sabem muito bem o que é ser levado a um estado muito, muito baixo.
Abatidos na vida espiritual, abatidos na vida física, abatidos na fé: um lugar em que tudo parece ter desaparecido, acabado e se tornado sem esperança. Tudo. Tudo.
Alguns de vocês talvez tenham experimentado isso, em maior ou menor medida. E não se esqueçam — desculpem-me, não quero ser deprimente, realmente não quero ser deprimente —, mas estou tratando do lado positivo quando digo isso.
É isso que o Espírito Santo fará se tiver soberania. Ele vai desestabilizar vocês. Vai quebrantá-los. Vai levá-los ao fim de si mesmos. Vai virá-los de cabeça para baixo.
Ah, sim, vocês sabem, talvez estejam de um jeito ou de outro. Simplesmente chegam ao ponto em que tudo isso se completa e perdem toda a esperança em si mesmos.
Mas o Espírito Santo realmente assume a soberania por uma razão, e é uma razão positiva: fazer vocês conhecerem a realidade do poder dessa vida que Ele depositou em vocês.
Ela é mais forte do que a morte. É mais forte do que o inferno. É mais forte do que todo o poder de Satanás. É mais poderosa do que toda a força da natureza humana e toda a fraqueza da natureza humana.
É algo que se levanta outra vez, e se levanta outra vez, e ainda outra vez se levanta, quando vocês pensavam que havia desaparecido para sempre, sumido por toda a eternidade. Ela se levanta novamente e segue adiante mais uma vez, para o próximo ciclo.
Isso é verdade. Isso é verdade. É verdadeiro no Novo Testamento, se vocês observarem — o Espírito Santo operando nessa direção. É verdadeiro na experiência espiritual quando o Espírito Santo toma as rédeas.
Isso não é extraordinário? Ah, graças a Deus por isso. Essa vida foi depositada em nós quando recebemos pela primeira vez o Espírito da Vida, pela fé em Jesus Cristo, e nascemos de novo. Foi depositada.
E, desde então, cem vezes, mil vezes, para alguns de nós, nossa sobrevivência — nossa própria sobrevivência — tem se apoiado nesta base: há algo operando em nós que é mais poderoso do que todas essas forças que procuram nos arruinar e destruir.
Algo que sobrevive, se ergue, ressuscita e nos leva mais adiante, até enfrentarmos a próxima luta. Então acontece de novo. Está ali. É real.
Talvez eu não devesse me aventurar a usar ilustrações, mas vocês sabem, estão familiarizados neste país, talvez mais do que em qualquer outra parte do mundo, com aquilo que chamam de injeções — aplicações. O que é isso? Bem, algo que é introduzido no organismo, que age e pode continuar agindo durante anos.
A presença disso dentro de vocês, embora não tenham nenhuma consciência dela, está ali, operando silenciosa e secretamente. A presença desse antídoto estabelece uma poderosa resistência contra algo que, de outra forma, invadiria o organismo e teria um desfecho fatal.
Está ali dentro, operando secretamente. Há muitas doenças e enfermidades que são evitadas mais tarde na vida por causa desse algo que foi colocado ali anteriormente.
Bem, vocês percebem: não permanecemos conscientes disso ao longo de toda a vida, mas está ali. Devemos muitíssimo a isso.
Ora, isso pertence ao âmbito físico, e é uma ilustração limitada, mas ilustra esta realidade: o Espírito Santo introduz essa vida, deposita essa vida — essa vida divina.
E, secretamente, muitas vezes sem que tenhamos consciência disso, essa vida está ali, operando como uma poderosa força divina para nossa redenção, nossa libertação, nossa perseverança, nossa sobrevivência, nosso progresso espiritual, nosso avanço, nossa resistência e vitória após vitória.
Na vida cristã, quando a batalha se intensifica e, de uma maneira ou de outra, volta a ser uma questão de vida ou morte, isso nos sustenta: essa vida divina.
Por causa de quê? Há Alguém Que desbravou esse caminho da vida.
Vocês, neste país, sabem alguma coisa sobre o trabalho dos pioneiros aqui no Oeste. Estão desfrutando dos seus benefícios, não é mesmo? Os pioneiros que atravessaram todo esse território, abriram caminho, desbravaram a passagem, enfrentaram as dificuldades e os obstáculos, derrubaram a floresta e lhes deram acesso a esta terra boa e agradável.
Mas vocês sabem o que eles tiveram de fazer — trabalho pioneiro. Pagaram o preço disso. Assumiram tudo o que estava envolvido. Tomaram sobre os ombros todas as responsabilidades. Suportaram todas as dificuldades e os sofrimentos. E tudo isso, creio eu, para lhes proporcionar esta vida.
Aqui está o Pioneiro de algo maior do que os benefícios da Califórnia: o Pioneiro da Vida.
Ele veio. Tomou sobre Si tudo o que estava envolvido nessa questão de morte, trevas e mal. Deus sabe — como estávamos dizendo nesta tarde, e somente Deus sabe — quão profunda é essa iniquidade em nós, quão terrível é o que aconteceu à humanidade por meio de Adão.
Ah, quão terrível, quão terrível é aquilo que aconteceu em nós. Mas Ele tomou tudo isso, a soma de tudo, a totalidade, sobre Si mesmo.
E, através da morte, do sangue, da agonia, das trevas, do abandono por Deus — o estágio final do pecado —, através de tudo isso, Ele abriu o caminho para a vida e saiu vitorioso do outro lado da provação sangrenta da cruz.
E, como o Pioneiro, Ele disse: “Eu sou o primeiro. Você pode ser o segundo, e o terceiro, e o quarto, e assim por diante, até uma grande multidão que ninguém pode contar — dez mil vezes dez mil, e milhares de milhares —, possuindo essa mesma vida”.
Essa é a nossa perspectiva. Isso é o que Ele nos trouxe.
Mas o ponto que mais quero enfatizar é a realidade do Espírito da Vida que habita em nós. Ah, apeguem-se a isso. Apeguem-se a Ele. Tomem posse da vida.
Como Paulo disse a Timóteo:
Toma posse.
Recusem — recusem a morte. Recusem o velho argumento da falta de esperança e do desespero por causa disto ou daquilo, de qualquer coisa neste universo que possa significar desespero.
Tudo seria motivo de desespero, não fosse o fato de que o Pioneiro atravessou para o outro lado por nós, com a vida como uma tocha em Sua mão, oferecida a nós.
À luz do que tenho dito, basta olhar um pouco para o lado para perceberem a coisa terrível, terrível, que resultou quando mataram o Príncipe da Vida.
Dois mil anos de miséria, falta de esperança, desespero; um Muro das Lamentações em Jerusalém, aonde vão continuamente, dia e noite, lamentar sua terrível sorte.
Repetidas vezes, ao longo desses dois mil anos, permitiu-se que as terríveis consequências do ato deles irrompessem e se manifestassem no Holocausto, nos terríveis pogroms.
Vós matastes o Príncipe da Vida.
E isso tem significado morte para vocês.
É verdade, não é mesmo? A história declara quão terrível é rejeitar o Príncipe, o Pioneiro da Vida. Nunca se chega do outro lado fazendo isso.
Mas, graças a Deus, recebemos fé no Senhor Jesus, e essa terrível condenação não é a nossa.
Hoje, vivemos com um céu aberto — um céu aberto até a própria presença de Deus — porque o Pioneiro atravessou por nós.