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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Los Angeles Conference #1 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Los Angeles Conference #1
    Los Angeles Conference #1
    Austin-Sparks, T.

    A soberania do Espírito Santo

    Olá, queridos amigos. Muito obrigado pela acolhida calorosa mais uma vez.

    Nosso irmão Harrison mencionou a ligação que resultou em sua presença aqui. Não tive muita certeza se deveria ser culpado ou elogiado por isso. Receio que terei de deixar essa dúvida com vocês. Mas ele pareceu achar que não foi algo tão ruim. Espero que esteja sendo assim. Creio que sim.

    Agora, sem perder mais tempo, vamos à Palavra. Peço que vocês examinem, antes de tudo, um trecho de um dos capítulos mais conhecidos da Bíblia, no Evangelho de João. O trecho que destaco desse relato tão conhecido é João 3:8.

    O vento assopra onde quer,
    e ouves a sua voz,
    mas não sabes de onde vem, nem para onde vai;
    assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

    Quero colocar ao lado desse trecho outros três, do livro de Atos.

    E, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso,
    e encheu toda a casa em que estavam assentados.

    — Atos 2:2

    Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós,
    quando cremos no Senhor Jesus Cristo,
    quem era eu, para que pudesse resistir a Deus?

    — Atos 11:17

    Agora, pois, por que tentais a Deus,
    pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo
    que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?

    — Atos 15:10

    O vento e o Espírito Santo

    Voltemos ao nosso trecho inicial, João 3:8:

    O vento assopra onde quer.

    Aqui, o Senhor estabelece uma semelhança entre o vento e o Espírito Santo. Ele diz:

    O vento assopra onde quer;
    assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

    A semelhança entre o vento e o Espírito não é exclusiva dessa passagem, como vocês sabem. Há outros lugares em que os dois são associados. Por exemplo, em Ezequiel, no vale dos ossos secos:

    Vem dos quatro ventos, ó espírito,
    e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

    E o Espírito entrou neles. O vento e o Espírito.

    Todos sabem que o dia de Pentecostes foi o dia do Espírito Santo, que veio como o som de um vento veemente e impetuoso.

    Agora, o ponto que o Senhor destaca aqui é a soberania absoluta conferida ao Espírito Santo: Sua atuação universal, livre e independente.

    Ele diz que há algumas coisas que vocês não sabem: de onde vem, para onde vai. Não sabemos. Há algo que vocês não sabem. Mas, quanto ao fato e ao efeito, não há como contestar. Não há dúvida alguma a esse respeito.

    O vento — e não estamos falando agora de uma brisa suave e delicada — é incontestável. Ter ou não capacidade de compreender e explicar não faz diferença. É o fato que importa, não se você consegue explicar o fato ou definir essa realidade.

    O maior de todos os fatos, queridos amigos — o maior de todos os fatos na relação entre Deus e o ser humano — é o Espírito Santo.

    Tudo, até mesmo Cristo, até mesmo a obra que Ele realizou, todo o significado e o valor de Sua cruz e de Sua Pessoa, de Sua encarnação, de Sua expiação, de Sua glória celestial e de tudo o mais, depende inteiramente do Espírito Santo para ter qualquer valor para nós.

    Ele disse:

    Convém-vos que Eu vá;
    porque, se Eu não for, o Espírito não virá.

    Isso claramente implica: “Ah, é mais importante que o Espírito venha do que Eu permaneça na carne”.

    Tudo depende do Espírito Santo:

    • Não há relacionamento vital com Deus sem o Espírito Santo.
    • Não há experiência cristã viva sem o Espírito Santo.
    • Não há conhecimento nem compreensão das coisas divinas sem o Espírito Santo.
    • Não há frutificação na vida ou no serviço sem o Espírito Santo.
    • Não há transformação à semelhança de Cristo sem o Espírito Santo.

    A soberania absoluta do Espírito

    Agora, é claro que eu poderia passar uma semana ou mais falando sobre o Espírito Santo, mas essa não é, em termos gerais, a mensagem desta manhã. O aspecto específico desse assunto para este momento é a soberania absoluta do Espírito.

    A exigência absoluta do Espírito Santo é que Sua vontade prevaleça, que Sua autoridade tenha todo o seu peso; e recusar ou resistir a essa exigência será à custa de sua vida espiritual.

    Isso é uma questão de vida ou morte: o Espírito ser soberano, com tudo o que isso significa.

    Ora, isso é realmente demonstrado por essa mesma comparação: o vento, o vento soprando.

    Quando o vento sopra de verdade — e mal precisamos parar para dizer que não há nada indefinido no Espírito Santo, nada incerto no Espírito Santo —, se há algo que caracteriza o Espírito Santo desde a primeira referência a Ele, em Gênesis 1:2:

    O Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas.

    Até a última referência, no final do livro de Apocalipse:

    O Espírito e a esposa dizem: Vem.

    Se há uma característica do Espírito Santo, do princípio ao fim, é que Ele sempre age de maneira afirmativa, sempre afirmativa, sempre muito definida.

    Se vocês sabem alguma coisa sobre o vento quando ele sopra de verdade, sabem que o vento assume o controle. Ele assume o controle.

    Vocês já estiveram realmente no meio de um furacão? Já estiveram em alto-mar durante uma tempestade violenta? Já estiveram diante de um vento que soprava com muita força? Vocês sabem como é inútil tentar resistir.

    O vento assume o controle. Assim é todo aquele que é nascido de Deus, segundo o propósito divino: alguém cuja vida foi tomada sob Seu controle, retirada de suas próprias mãos, de seu próprio poder, de sua própria razão — inteiramente entregue, tudo nas mãos Dele.

    Ora, esse é o ensino do Novo Testamento sobre o Espírito Santo. Essa é a própria base de uma vida cristã verdadeira. Como isso não é reconhecido, admitido e aceito por tantos que levam o nome de cristãos, há tanta indefinição, incerteza, insegurança, hesitação, oscilação, duplicidade de ânimo e falta de confiabilidade em tantos cristãos.

    O cuidado apostólico em relação ao Espírito Santo

    Vocês percebem como os apóstolos eram meticulosamente cuidadosos com esse assunto?

    Vejam o livro de Atos. Filipe desceu a Samaria e lhes pregou Cristo. O Espírito começou a agir; não há dúvida alguma sobre isso. Então a notícia chegou aos ouvidos dos apóstolos em Jerusalém. O que eles fizeram? Disseram: “Bem, isso é uma boa notícia. É uma ocasião para nos alegrarmos”? Não. Provavelmente disseram isso, sim, mas foram até lá.

    Quando chegaram, examinaram a situação. O que aconteceu? Eles não simplesmente a aceitaram como estava. Então impuseram as mãos sobre aquelas pessoas, para que recebessem o Espírito Santo.

    Vocês percebem que esse procedimento foi seguido cuidadosamente, meticulosamente, do começo ao fim. No caso de Paulo, ele chegou a Éfeso e encontrou alguns discípulos, percebendo certa falta ou fraqueza. Talvez estivesse perplexo, pensando consigo mesmo: “Ora, o que é isso? Eles são discípulos. São cristãos. Conhecem o Antigo Testamento”.

    Apolo, aquele homem poderoso nas Escrituras — isso é um bom fundamento no Antigo Testamento. Era a única Bíblia que existia, naturalmente. Mas há alguma coisa. Eles têm o nome, a profissão de fé, as Escrituras, mas há alguma coisa faltando aqui.

    Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?

    Quando creram — será possível crer sem receber o Espírito Santo? Deixo que vocês respondam a essa pergunta.

    Aqui temos um caso concreto. Havia uma falha no fundamento deles. Não se deve tratar disso? Como poderiam prosseguir? Eles disseram:

    Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

    Ele havia posto o dedo no ponto fraco, não havia? Fez o diagnóstico correto.

    Bem, então ele tratou da situação, impôs as mãos sobre eles, e eles receberam o Espírito Santo. Aí está o complemento da fé — a conclusão da fé: o Espírito Santo.

    Meu ponto é este: como os apóstolos eram cuidadosos com esse assunto! Não aceitavam as coisas apenas pela aparência, mas procuravam ter certeza, muita certeza. Pois qualquer coisa aquém disso seria desastrosa, mais cedo ou mais tarde. Certificavam-se de que aquelas pessoas haviam realmente recebido o Espírito Santo.

    Por quê? Por quê? Por esta única razão: quando o Espírito Santo está realmente presente no interior, o governo daquela vida, do centro à circunferência, passa às mãos do Espírito de Deus.

    Aquela pessoa já não pertence a si mesma, já não exerce sua própria soberania, já não se apoia em seus próprios direitos. Ele assumiu o controle de tudo — de tudo.

    A submissão ao governo do Espírito

    O vento assume o controle, e, se há algo que caracteriza o vento quando ele realmente começa a soprar, é que exige submissão — submissão absoluta.

    Assim é todo aquele que é nascido de Deus. Uma vida sob a direção do Espírito Santo é uma vida comprometida. Não pode ser de outra maneira.

    Você não está sob a direção do Espírito Santo se não estiver comprometido. Haverá um conflito contínuo entre você e o Espírito de Deus até que se alcance o ponto de submissão completa e total a Ele.

    Vejam o Senhor Jesus. O Espírito veio sobre Ele quando iniciou Sua missão de vida. Houve um momento em que se escreveu a respeito Dele:

    Manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém.

    Percebem o que isso significa? Sabemos tudo o que estava envolvido nisso.

    Mas Ele manifestou o firme propósito de subir a Jerusalém. Ele está comprometido. Está sob o governo do Espírito.

    Agora, vocês viajam de avião; percorrem longas distâncias de avião. Sempre há um ponto que o piloto reconhece como o ponto a partir do qual não se pode voltar. Já foram longe demais para voltar. Se alguma coisa der errado, voltar será muito mais perigoso. A partir desse ponto, a única coisa a fazer, aconteça o que acontecer, é seguir em frente. Estamos comprometidos.

    Jesus foi até o fim. Desde o dia em que o Espírito veio sobre Ele, em Seu coração já havia ido até o fim. Não havia volta. Ele manifestou Seu firme propósito.

    Repito: a vida sob o governo do Espírito Santo é uma vida comprometida, da qual não deveria haver recuo. Você chegou a esse ponto de compromisso? Já chegou a esse ponto por completo?

    Como costumamos dizer: todos os barcos queimados atrás de nós, todas as pontes destruídas — comprometidos.

    O vento assume o controle. Ocupa a posição de domínio: subjuga, controla, é uma força que subjuga todas as outras forças. Veremos como isso se manifesta daqui a pouco.

    A escolha do caminho pelo Espírito

    A primeira coisa acerca do Espírito Santo como o vento do céu — conforme vimos no dia de Pentecostes, que é o grande fundamento desta dispensação, a dispensação do Espírito Santo — é que Ele toma tudo em Suas mãos e exige essa posição de poder absoluto.

    Você vai discutir com o vento? Sabe que é inútil discutir com um furacão. É inútil medir forças com um vento veemente e impetuoso. Você será quebrantado de maneira desastrosa ou de maneira gloriosa.

    É possível ser gloriosamente quebrantado, mas tudo o que é de Cristo vem por esse caminho, seguindo o Espírito.

    A próxima característica do vento é que ele escolhe e segue seu próprio curso. Você não pode dizer ao vento por onde ir ou de onde vir. Não pode determinar ao vento qual deve ser sua escolha, esta ou aquela. Ele simplesmente escolhe seu próprio curso e o segue.

    Assim é todo aquele que é nascido de Deus, nascido do Espírito. O Espírito exige o direito de fazer isso conosco, queridos amigos: escolher Seu caminho para nós e conduzir-nos por ele. Ele exige o direito de fazê-lo.

    Pedro como exemplo do governo espiritual

    Ora, Pedro é um excelente exemplo de tudo isso. Em um sentido muito real, Pedro é a personificação de tudo o que estou dizendo. Não é sem significado que Pedro seja a figura de maior destaque no dia de Pentecostes.

    Não é sem significado, eu disse. Que significado? Ora, o significado da própria pessoa de Pedro.

    Lembrem-se das últimas palavras que o Senhor disse a Pedro na antiga ordem, antes da ascensão:

    Simão, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo,
    e andavas por onde querias;
    mas, quando já fores velho,
    estenderás as tuas mãos,
    e outro te cingirá,
    e te levará para onde tu não queiras.

    — João 21:18

    “Por onde querias”, “para onde tu não queiras”. Naturalmente, aqui temos Pedro com seu próprio temperamento natural, esse homem volúvel como o mercúrio.

    Bem, a palavra é apropriada. Você já derramou mercúrio no chão e tentou recolhê-lo, juntá-lo novamente? Ora, é preciso ir atrás dele em todas as direções. Quando pensa que conseguiu, não conseguiu. Esse é Pedro, não é? Simão — uma descrição muito adequada.

    O velho Simão: seu temperamento, sua natureza, sua constituição e disposição, precipitando-se o tempo todo, frustrado de uma maneira após outra.

    Andavas por onde querias.

    Isso resume bem Pedro, não é? Por onde querias. Você determinava seu próprio curso. Escolhia seu próprio caminho. Seguia seus próprios gostos, aversões e preferências. Era o soberano de sua própria vida, senhor de seu próprio destino.

    Mas outro te cingirá; outro te cingirá. Tudo aquilo pertence à sua imaturidade espiritual. Sua maturidade espiritual se manifestará nisto:

    Outro te cingirá,
    e te levará para onde tu não queiras.

    Esse Espírito que o cingirá agirá de maneira totalmente contrária à sua própria natureza, ao seu temperamento, à sua disposição; tornará impossível que você simplesmente faça o que quiser ou aquilo que se sente inclinado a fazer. Outro te cingirá.

    O vento escolhe seu próprio curso; ele o segue. Assim é todo aquele.

    No dia de Pentecostes, Pedro passou a ser poderosamente cingido pelo Espírito, e agora começa a batalha entre o velho Simão e o novo Pedro.

    Pedro e Cornélio

    Vocês conhecem Atos 10. Pedro está no terraço, orando. Ele vinha jejuando e orando, sente muita fome, entra em êxtase e tem uma visão. Vocês se lembram do relato do lençol que desceu, cheio de criaturas impuras.

    E uma voz:

    Levanta-te, Pedro, mata e come.

    O velho Simão se levanta e diz:

    De modo nenhum, Senhor.

    Todos nós misturamos as coisas, não é? Entramos nessa esfera da natureza humana. “Senhor” — essa palavra não cabe quando vem acompanhada de “De modo nenhum”. Você não pode dizer “Senhor” e, ao mesmo tempo, dizer “De modo nenhum”.

    Isso aconteceu três vezes, e a visão passou. Pedro — ah, vocês conhecem o restante do relato, não conhecem? Chegaram os três homens de Cesareia, enviados por Cornélio, batendo à porta. Leiam o relato; não tenho tempo de repassá-lo agora.

    Pedro foi cingido. O Senhor disse: “Vai com eles”. O Espírito disse: “Vai com eles”. O Espírito disse: “Vai com eles”. Aí está uma dor de cabeça para Simão. E ele foi cingido e entrou na casa de um gentio, na companhia de gentios.

    Animais impuros, era assim que os chamavam no ritual judaico. Segundo as Escrituras do Antigo Testamento, ele tinha as Escrituras a seu favor, assim pensava. Estava firmado em sua interpretação das Escrituras. Elas o apoiavam. Mas Deus estava fazendo algo que parecia contradizer as próprias Escrituras e toda a sua posição.

    Sei do perigo do que estou dizendo, mas vocês entendem o ponto. O Espírito Santo sabe o que está fazendo, e exige soberania absoluta nesse assunto. Pois nem mesmo a nossa interpretação das Escrituras é definitiva; é a interpretação das Escrituras pelo Espírito Santo que é definitiva.

    Muitas vezes, à medida que prosseguimos com o Senhor, chegamos a um ponto — sim, repetidamente em nossa vida — em que precisamos dizer: “Tenho de fazer um ajuste nisso. Eu cria com muita convicção nisto e naquilo a esse respeito, mas preciso me ajustar. O Senhor exigiu que eu mude minha posição nessa questão”.

    Lembro-me de que, alguns anos atrás, um coronel aposentado do exército, amigo meu, havia escrito muitos e muitos livros sobre determinado assunto profético — publicados, conhecidos e lidos em toda parte. Ele me disse: “Sabe, preciso recolher todos eles. A verdadeira luz que o Senhor me deu sobre esse assunto torna necessário mudar toda a minha posição, a posição que mantive durante toda a vida sobre essa questão”.

    Mas foi honesto — foi honesto. Não há dúvida alguma disso. O Espírito Santo havia assumido o controle da maneira como sua mente tratava as Escrituras e sua interpretação. Há uma diferença enorme entre uma interpretação intelectual e uma revelação espiritual.

    Bem, aqui está Pedro na casa de Cornélio, nesse relato maravilhoso. O que Pedro estava realmente fazendo — ou o velho Simão — nessa questão? Ouçam: ele estava tornando Cristo muito menor do que Ele realmente é.

    Se há uma coisa à qual o Espírito Santo Se opõe, é a isso. Ele Se opõe a isso.

    Israel — os eleitos, a aristocracia espiritual; os gentios, os cães, os animais impuros. Israel.

    O Espírito Santo está dizendo a Pedro, com muita ênfase: “Jesus Cristo é um Cristo muito maior do que você jamais viu, Pedro. Sim, você terá de se ajustar a isso”.

    Se há uma coisa à qual o Espírito Santo Se opõe, é ao exclusivismo. Não se enganem a esse respeito. Quando o exclusivismo torna Cristo menor do que Ele é, o Espírito Santo Se opõe a isso.

    Essa é a tragédia de Israel. Escolhido, sim. Eleito, sim. Recebeu os oráculos, sim. Tudo isso. Mas por quê? Por causa das nações — para ser um testemunho de Deus no meio das nações, a fim de que elas vissem, cressem e se voltassem para o Senhor. Esse é o horizonte de Deus para Israel.

    Ah, Jonas — Jonas é realmente um exemplo disso.

    Vai a Nínive, à grande cidade.

    Vocês conhecem o relato de Jonas. Mas Jonas representa a posição tradicional de Israel: exclusivista, fechado em si mesmo. “Nós somos o povo, e ninguém mais. Nós somos os filhos. Recebemos a luz. Temos a verdade.”

    Mas por quê? Por quê? Não para nós mesmos, não para nos tornar alguma coisa em nós mesmos, não para erguer ao nosso redor uma cerca que exclua todos os outros, mas por causa de todos os outros. Por causa de todos — isso é tudo.

    Esta é a questão final diante de nós, queridos amigos, para toda esta dispensação. Esses dois mil anos de história trágica, tão trágica, desembocam nisto: estamos tornando o Filho de Deus menor do que Ele realmente é — menor do que Deus pretendia que Ele fosse para Israel e para o mundo?

    É nesse mesmo capítulo que encontramos as palavras mais conhecidas de todas:

    Porque Deus amou o mundo de tal maneira…

    Todo aquele…

    É preciso nascer do alto, sair desse exclusivismo, desse tradicionalismo estreito, dessa posição rígida de orgulho, nascer para fora de tudo isso, para a grandeza do propósito de Deus que abrange tudo em Seu Filho.

    Como Cristo é grande! Ah, que sejamos salvos de ter um Cristo menor do que Deus pretende que tenhamos.

    Não há perigo nisso. O Espírito Santo pode cuidar disso. Mas meu ponto é que o Espírito Santo, nesse décimo capítulo de Atos, está simplesmente dizendo: “Não aceitarei que vocês limitem Cristo sob fundamento algum”.

    Você pode citar Levítico 11 para mim, se quiser.

    Não faças tu comum ao que Deus purificou.

    A cruz resolveu toda essa impureza cerimonial e abriu os vastos horizontes da graça para todas as pessoas.

    Pedro em Jerusalém e Antioquia

    A terceira ocasião envolvendo Pedro. Primeiro, seu temperamento; depois, seu sectarismo espiritual.

    Em Atos 15, Pedro é chamado a prestar contas disso aos anciãos de Jerusalém. Como costumamos dizer, ele está na berlinda, sendo questionado, tendo de responder por esse comportamento incomum, sem precedentes.

    Pedro resume tudo nisto: “Quem era eu?”

    Quem era eu, para que pudesse resistir a Deus?

    É a isso que tudo se resume: quem era eu para resistir?

    Mas aconteceu outra coisa. Pedro está em Antioquia. Gentios em Antioquia haviam sido salvos. O Espírito havia feito algo entre os gentios, e Pedro estava ali se alegrando. Em Antioquia, ele dava continuidade, com alegria, ao que acontecera em Cesareia, comendo e bebendo com eles, tudo bem.

    Então alguns vieram de Jerusalém, da parte de Tiago e de outros. Quando chegaram, Pedro se afastou. Pedro se afastou. Pedro se afastou.

    Aí está o afastamento. Isso é uma ofensa perigosa ao Espírito Santo, uma violação daquilo que Ele está fazendo. Paulo reconheceu o significado disso e disse:

    Resisti-lhe na cara.

    Por causa de sua dissimulação.

    Resisti-lhe na cara.

    Simão está passando por dificuldades, não está, sob essa direção do Espírito Santo? Está mesmo.

    O que aconteceu agora? Aqui surgiu algo no velho Simão: a escravidão à opinião humana. “O que os irmãos vão dizer? O que os líderes vão dizer? O que os principais homens vão dizer? Preciso, preciso ter cuidado por causa do que vão dizer — talvez por causa do que vão fazer.”

    Esse tipo de coisa se contrapõe à soberania do Espírito Santo. São duas coisas em conflito — você não pode ter as duas.

    Fico muito feliz porque Pedro certamente superou isso. Ele não poderia ter escrito suas duas cartas se não tivesse superado. Não poderia ter dito, mais tarde, a respeito desse homem que lhe resistiu face a face e disse: “Pedro, você está condenado diante de Deus. Está condenado. É culpado de dissimulação” — mais tarde, Pedro escreveu:

    O nosso amado irmão Paulo…

    E, referindo-se a todas as suas cartas:

    Entre as quais há pontos difíceis de entender.

    Mas ele superou seu obstáculo. O Espírito Santo, que escolhe o caminho e o segue, encontra Pedro se ajustando, entrando na vida.

    Houve alguns, vejam bem, que não se ajustaram.

    Demas me desamparou, amando o presente século.

    Não sei o que aconteceu com Demas. Não sei a esse respeito.

    Até Barnabé — ah, até Barnabé foi levado por isso. O querido e amado Barnabé, o bom Barnabé, que significava tanto para a igreja em Antioquia. Até Barnabé foi levado por isso.

    Barnabé deixa de aparecer no Novo Testamento. Espero não exagerar no julgamento ou na condenação, mas há aqueles que simplesmente saem do caminho do vento quando Ele sopra em direção a esse grande e pleno propósito de Deus — para dissimular, para se afastar.

    A obra do Espírito na prova dos fundamentos

    Não sei onde encerrar isso. O vento perscruta. Posso terminar com isso? Deixemos o restante.

    O vento perscruta e prova tudo, especialmente os fundamentos e as estruturas — para mostrar de que natureza são.

    Passei uma grande parte da minha vida na Escócia, durante a infância e depois. Há uma cena comum na Escócia. Tínhamos muitos pinheiros, florestas de pinheiros e pinheiros crescendo à beira das estradas. É uma terra em que, às vezes, o vento sopra.

    Depois de qualquer um de nossos grandes vendavais, você pode percorrer as estradas e ver esses pinheiros arrancados pela raiz, estendidos no chão, com as raízes voltadas para o céu.

    Antes, as pessoas os admiravam, diziam coisas muito bonitas sobre eles: “Que belas árvores! Que vista magnífica!”. Então o vendaval irrompeu, e o vento soprou, provando a profundidade de suas raízes, sua capacidade de resistir, seu vigor.

    Muitas dessas árvores, antes admiráveis e dignas de elogio, caíram sob o vento, desabando no chão. O vento sopra.

    É exatamente isso que o Espírito Santo faz, sabem, amigos. É isso que Ele está fazendo. O Espírito Santo vai soprar sobre todos nós.

    A experiência cristã é exatamente isto: sob a soberania do Espírito Santo, nossos fundamentos serão provados. Não se enganem a esse respeito, eles serão provados — nossa estrutura, nossa construção, nosso vigor, nossa capacidade de resistir.

    É o que acontece com o ministério hoje. O vento está soprando sobre ele. Vejam todas as provas. Vejam todas as trágicas quedas por terra.

    Vocês sabem, queridos amigos, que o cristianismo como o conhecemos hoje será despedaçado pelo vento — completamente despedaçado — e nada dele restará? O cristianismo como o conhecemos.

    Todas estas coisas hão de ser desfeitas.

    É o que diz Pedro. A ordem cósmica e todo esse sistema cristão como o conhecemos — tudo isso passará.

    Você diz: “Essa é uma afirmação terrível. Com que autoridade?”. Bem, há muita base para isso. Vivi duas guerras mundiais. O que vimos?

    Como apenas um exemplo simples e muito pequeno do que estou dizendo, vimos muitos e muitos lugares com uma grande tradição cristã, algo que representava alguma coisa, simplesmente reduzidos ao chão — sem uma pedra sobre outra. Destruição por toda parte. Sem preferência, sem favoritismo.

    “E Deus — onde está Deus? Onde está Deus? Ah, se alguma coisa deveria ser preservada, seria isso. Deus deveria proteger isso.” Não. A resposta é não.

    Por quê? Porque Deus não está interessado em coisas. Deus está interessado em uma única questão. O Espírito Santo está preocupado com uma única questão, queridos amigos — uma única questão.

    A medida de Cristo

    A história confirma isso. O Espírito Santo está interessado somente em Cristo — em Cristo, naquilo que é Cristo, naquilo que é de Cristo, na medida de Cristo.

    O Espírito Santo tem somente Um diante de Seus olhos: Cristo. Ele está sempre dizendo: “Quanto da medida eterna de Cristo há realmente aqui?”.

    Vocês podem ir à Ásia Menor hoje e não encontrar vestígio das igrejas da Ásia. Podem ir à Galácia. Podem ir a todos esses lugares do Novo Testamento e não encontrar nada hoje, em termos de lugares.

    Ora, os três primeiros capítulos do livro de Apocalipse enfatizam exatamente isso. Observem: às sete igrejas da Ásia,

    O que o Espírito diz…

    O que o Espírito diz…

    O que o Espírito diz…

    Sete vezes:

    O que o Espírito diz…

    Sobre o que o vento está soprando? Apenas para revelar, não se isso tem uma tradição, não isto, aquilo ou alguma outra coisa; não se eles têm um edifício e um local de reunião, ou um método de culto, ou algum tipo de ordem neotestamentária — mas, tenham essas coisas ou não, quanto do Cristo ressuscitado, vivo e exaltado há aqui.

    O Espírito Santo chegará a dizer:

    Arrepende-te; quando não, em breve a ti virei,
    e tirarei do seu lugar o teu castiçal,
    se não te arrependeres.

    — Apocalipse 2:5

    Porque a luz se apagou. De que serve um candeeiro se não há luz? Meros enfeites — o Espírito Santo não está interessado.

    Vocês entendem o ponto? A questão é Cristo, a medida de Cristo. É Cristo — Cristo.

    O que o Espírito diz não é apenas:

    Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência.

    Ah, isso é muito bom, mas:

    Tenho, porém, contra ti…

    Mas, mas, mas — e quanto a Cristo em vocês, em sua assembleia, em sua reunião, em sua vida coletiva, em seu testemunho no mundo?

    Se esse lugar de Cristo se perder, tudo aquilo se perderá — ou, perdoem-me, acabará se perdendo depois. Acabará se perdendo. Não está aqui se não temos Cristo.

    Todos os outros lugares, por mais que tenham representado o Senhor, passarão. A grande questão final, queridos amigos, não é o lugar, nem muitas coisas às quais vocês dão tanta importância, coisas que consideram muito importantes. A questão é essa medida do Espírito de Jesus Cristo.

    Contra a dissimulação, o afastamento, a divisão — o Espírito nos traz a todos para o terreno comum, o único fundamento, que é o fundamento único e exclusivo:

    Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.

    — 1 Coríntios 3:11

    O Espírito Santo está interessado nisso, e somente nisso. Ele exige — volto a esse ponto — a soberania, esse tipo de submissão, sujeição e entrega de nosso temperamento e de nossa tradição, todas as coisas em nós e fora de nós entregues a Ele, para que Sua vontade prevaleça de maneira completa, sem reservas e sem divisão.