Antes de começarmos de fato, creio que gostaríamos de dizer algumas palavras para esclarecer a natureza deste encontro.
Neste ano, estamos fazendo algo diferente dos anos anteriores. Chamamos este encontro de treinamento. Na verdade, já fizemos isso algumas vezes no passado, mas geralmente durante um fim de semana, com um número menor de pessoas, convidadas ou especialmente escolhidas.
Mas pensamos que, nesta conferência para as famílias, já que tantos irmãos e irmãs de diversas localidades estão aqui, provavelmente seria uma boa oportunidade para aproveitar as tardes e fazer algo que já vínhamos fazendo em menor escala. Foi por isso que, neste ano, transformamos o período da tarde no que chamamos de treinamento.
Agora, em primeiro lugar, gostaria de esclarecer isto: somente o nosso Senhor Jesus pode nos treinar. O Espírito Santo é o único Instrutor. Todos nós estamos em treinamento. Não sou qualificado para treinar ninguém; eu mesmo ainda estou sendo treinado.
Portanto, enquanto estivermos aqui nestas tardes, não olhem para mim, mas para o Senhor Jesus. Juntos, olhamos para Ele, para que Ele nos treine e faça de nós aquilo que deseja que sejamos, a fim de que possamos servi-Lo e ser úteis a Ele.
Nesses encontros de treinamento, normalmente nos concentramos em algumas áreas ou assuntos específicos. Desta vez, sentimos a direção de concentrar nossa atenção na questão do ministério e do governo nas assembleias locais, ou igrejas locais.
Agora, vocês sabem que, para obtermos o maior benefício possível, sentimos que deveríamos estabelecer alguns pré-requisitos, ou condições. Se vocês receberam o folheto enviado há alguns meses, encontrarão ali certos requisitos para participar deste treinamento.
Deveríamos ler 2 Coríntios, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito cinco vezes cada um. Também deveríamos estudar ou ler dois livros. Um deles é Repensando a Obra, também chamado A Vida Normal da Igreja Cristã ou Acerca da Nossa Missão — há diferentes títulos para o mesmo livro —, e o outro é O Ministério da Palavra de Deus.
Sentimos que esses requisitos não são muito exigentes. Na verdade, em um treinamento, deveria haver condições muito rigorosas. Lembro-me de que algumas irmãs certa vez pediram ao irmão Watchman Nee que estudasse o livro de Apocalipse com elas. Nosso irmão disse: “Leiam o livro de Apocalipse cem vezes; depois vocês podem vir, e nós o estudaremos”. E elas realmente o leram cem vezes.
Assim, quando estávamos considerando quantas vezes deveríamos estudar, pensamos que talvez cem vezes fosse exigir demais de nós. Na verdade, não é. Se vocês lerem 2 Coríntios, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, quanto tempo realmente levarão para terminar?
Suponhamos que vocês levem três horas para estudá-los uma vez. Cinco vezes são apenas quinze horas. Com vários meses pela frente, isso não deveria ser muito exigente.
Mas receio que muitos não tenham cumprido essas condições. Por isso, estou realmente lutando com essa questão. Não sei o que fazer. Perguntei a vários irmãos: “O que devo fazer?”
É um treinamento. Deve ser muito rigoroso, muito disciplinado; assim vocês obterão o melhor resultado. Se o tornarmos permissivo demais, fácil demais, na verdade perderemos muito. Mas, como esta é uma conferência para as famílias, e vocês, queridos irmãos e irmãs, estão aqui, não podemos impedir sua participação caso não tenham cumprido essas condições.
Portanto, estamos lutando com essa questão, e foi a isto que chegamos: esperamos que vocês tenham cumprido essas condições. Não quero pedir que levantem as mãos para me mostrar se as cumpriram ou não. Isso poderia constranger algumas pessoas. Sei que alguns cumpriram parte delas, mas não todas; e talvez alguns nem sequer conheçam as condições. Não leram o folheto.
Assim, tudo o que podemos fazer é isto: se vocês realmente têm um coração — e isso é mais importante —, se realmente têm um coração voltado para os interesses do Senhor e para a Sua igreja, então quem somos nós para dizer que vocês não podem participar? Talvez o Senhor fale com vocês e os ajude.
Mas preciso dizer que aqueles que se prepararam já foram abençoados. Alguns já vieram falar comigo e me disseram que, ao lerem cada livro cinco vezes — mesmo apenas cinco vezes —, o Senhor abriu seu entendimento.
E, quanto aos livros, houve pessoas que os leram apenas uma vez e encontraram grande ajuda. Sinto que provavelmente vocês receberam mais ajuda ao ler esses livros bíblicos cinco vezes, e os outros dois livros duas vezes, do que receberão nestes quatro encontros. Eu realmente creio nisso.
Portanto, sinto que aqueles que se prepararam não devem se sentir prejudicados, porque já foram abençoados. E aqueles que não se prepararam, na verdade, perderam muito e precisam olhar para o Senhor para que Ele supra o que foi perdido.
Creio que estas são as palavras que precisava dizer antes de começarmos. Agora, vamos orar.
Querido Pai celestial, nós nos reunimos aqui em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus. Confiamos verdadeiramente que a Tua presença está aqui conosco.
Assim, nosso clamor a Ti nesta tarde é: “Mestre, fala; os Teus servos ouvem”. Unge-nos. Pedimos que sondes o nosso coração e nos purifiques de toda impureza, de todo preconceito e de toda ideia preconcebida.
Oramos para que possamos vir a Ti como crianças pequenas. Que sejamos capazes não apenas de ouvir, mas de obedecer. Entregamos este tempo em Tuas mãos e buscamos a ajuda do Teu Espírito Santo. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Nestas tardes, concentraremos nossa atenção no governo e no ministério das assembleias locais.
Agora, vocês percebem imediatamente que estamos tratando não apenas de princípios espirituais, mas da prática da verdade espiritual. Gostamos de falar sobre princípios espirituais porque esses princípios realmente nos elevam ao terceiro céu, e nós gostamos disso.
Mas, naturalmente, não gostamos de falar sobre a prática, porque, quando falamos sobre a prática, parece que somos trazidos de volta à terra e precisamos enfrentar problemas e realidades. É por isso que todos gostam da carta aos Efésios, e ninguém gosta muito de Coríntios.
Mas graças a Deus, nosso Deus não é apenas espiritual; Sua espiritualidade é prática. Por isso, Ele não nos deu apenas Efésios; também nos deu Coríntios. Nosso tempo juntos aqui estará mais voltado para o lado de Coríntios do que para o de Efésios. Deixamos aos nossos três irmãos a tarefa de nos suprir com o lado de Efésios.
Portanto, não se esqueçam do que os três irmãos estão compartilhando conosco, porque este treinamento não será eficaz se nos esquecermos disso.
Sabemos que a igreja é uma só. Há uma única igreja: a igreja universal. Embora o termo universal não esteja nas Escrituras, ele a descreve muito corretamente. Há uma única igreja no universo; ela é a igreja universal.
Todo aquele que crê no Senhor Jesus, que nasceu de novo, que foi redimido pelo precioso sangue, que pertence ao Senhor — esse irmão está nessa igreja; essa irmã está nessa igreja. Desde a primeira pessoa que confiou no Senhor no primeiro século até a última que crerá no Senhor por ocasião da Sua vinda, todos estão nessa única igreja universal.
Ela se estende por dois mil anos e abrange todos os cantos desta terra. Esta é a igreja de Deus. Esta é a igreja à qual vocês e eu pertencemos.
Vocês se lembram das palavras do nosso Senhor Jesus. Em Mateus 16:18, Ele diz:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Sobre esta pedra — isto é, sobre Ele mesmo. Ele é a Rocha. Ele disse:
Edificarei a Minha igreja.
Esta é a igreja universal, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Mas, ao mesmo tempo, vocês encontram em Mateus 18:20 estas palavras do Senhor:
Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome,
ali estou Eu no meio deles.
Quando há uma localidade, dois ou três naquela localidade se reúnem, congregam-se, em nome do Senhor Jesus. Isto é, dois ou três se colocam sob a autoridade de Cristo. O Senhor disse: “Eu estou ali. Estou no meio deles”. Esta é a igreja.
E esta igreja é a igreja local. Novamente, não temos a palavra local nas Escrituras, mas ela a descreve.
O Senhor disse:
Se teu irmão pecar contra ti.
Agora, muito provavelmente, o irmão que peca contra você está perto de você. Se ele estiver a milhares de quilômetros de distância, creio que será muito difícil pecar contra você. É por isso que amamos nossos irmãos que estão a milhares de quilômetros de distância.
Se dois ou três, ou mais, vivem na mesma localidade, eles se conhecem. Têm atritos uns com os outros. Reúnem-se. Servem ao Senhor juntos. Há muitas oportunidades para um pecar contra o outro, porque ainda estamos na carne.
Portanto, vocês percebem que isso não pode se referir estritamente à igreja universal. Refere-se, de fato, à igreja local, porque, onde vocês estão, têm atritos uns com os outros, pisam nos pés uns dos outros e pecam uns contra os outros.
Agora, se seu irmão pecar contra você, o que você fará? Segundo a lei:
Olho por olho e dente por dente.
Mas isso é a lei. Você não está debaixo da lei; está debaixo da graça.
Como você reagirá debaixo da graça quando seu irmão ou sua irmã pecar contra você? Você diz: “Infelizmente, somos irmãos e irmãs. Todos somos crentes, e tenho de perdoar você, porque esse é o mandamento do Senhor. Tenho de perdoar você de coração. Se eu não o perdoar de coração, o Senhor conhece o meu coração e me responsabilizará por isso”.
Então você diz: “Está bem, eu perdoo você”. Mas isso é tudo? Isso é graça? Não é suficiente. O Senhor disse que, se seu irmão pecar contra você e você realmente o tiver perdoado, então pensará no seu irmão; não pensará em si mesmo.
Ele pode pecar contra você sem realmente saber disso. Ou, às vezes, ele pode saber; às vezes, você pode não saber. Você percebe que, por causa disso, ele sofrerá diante do Senhor. Você ama seu irmão; não quer que ele sofra. Por isso, a Bíblia diz que você deve ir e lhe mostrar o que ele fez — não para tentar humilhá-lo ou defender a si mesmo, mas para procurar restaurar seu irmão em amor.
Se seu irmão não ouvir você, seu dever ainda não terminou, porque seu amor por ele é tal que você precisa procurar mais um ou dois irmãos a quem ele respeite, ir novamente até ele e tentar restaurá-lo.
Agora, se ele ainda não ouvir, o que você fará? A Bíblia diz:
Dize-o à igreja.
Ora, você não pode contar isso à igreja universal, porque ela é grande demais. É tão grande que você não consegue alcançá-la.
Portanto, evidentemente, quando a Escritura diz:
Dize-o à igreja.
Só pode ser a igreja local. Tem de ser a igreja onde você está, onde seus irmãos e irmãs se reúnem. Assim, vocês percebem que existe a igreja local.
Na igreja local, vocês têm muitos problemas. Os problemas surgirão e, graças a Deus, serão resolvidos. Ao resolver esses problemas, a vida da igreja cresce; a igreja cresce.
Mas não pensem que, porque existe a igreja universal e existe a igreja local, há duas igrejas. Não. Há apenas uma igreja. A igreja local é a expressão, ou manifestação, local da igreja universal.
Por quê? Por razões práticas. Ainda estamos na carne. Um dia, quando nos revestirmos de um corpo de ressurreição, um corpo espiritual, a igreja local desaparecerá. Mas hoje ainda estamos neste corpo mortal e, por estarmos nesta carne, somos limitados pelo tempo e pelo espaço.
Pelo tempo: se vivemos hoje, não vivemos no primeiro século. Pelo espaço: se vocês estão agora em Richmond, já não estão em Sydney, na Austrália. Somos limitados porque ainda estamos neste corpo mortal.
Por essa razão prática, vocês precisam se reunir com aqueles que estão com vocês no mesmo tempo e no mesmo lugar. Caso contrário, como vão se reunir com eles?
A igreja local existe para colocar em prática os princípios espirituais da igreja universal. A igreja local não é outra igreja, distinta da igreja universal, como se a igreja universal se ocupasse apenas de princípios espirituais, em algum lugar no céu, e nunca descesse à terra. Algumas pessoas gostariam que fosse assim.
E a igreja local não é algo inteiramente diferente: o povo de Deus reunido e organizado como uma espécie de clube religioso. Nesse caso, vocês não colocariam nenhum princípio espiritual em prática, mas praticariam aquilo que consideram certo.
Queridos irmãos e irmãs, vocês percebem que há apenas uma igreja. A igreja universal nos dá os princípios espirituais, mas a igreja local coloca esses princípios em prática. A igreja universal é o resultado final; a igreja local é o processo.
Quando vocês leem o livro de Atos, no que diz respeito à edificação da igreja, como Deus edifica a igreja universal? Ele o faz edificando a igreja local. No livro de Atos, vocês percebem, do início ao fim, que tudo começa com a edificação da igreja em Jerusalém e termina com a igreja em Roma.
É por meio da edificação da igreja local que a igreja universal é edificada. Caso contrário, a igreja nunca é edificada.
Vocês leem o livro de Apocalipse. Em Apocalipse 2:1-29 e Apocalipse 3:1-22, encontram as sete igrejas da Ásia, os sete candeeiros de ouro, como instrumentos para o testemunho de Jesus em sete localidades diferentes da Ásia.
O Senhor ressurreto, como Sumo Sacerdote e como Senhor sobre a Sua casa, anda entre os sete candeeiros de ouro, examinando-os, limpando-os, suprindo-os e edificando-os.
Mas, quando vocês chegam a Apocalipse 21:1-27 e Apocalipse 22:1-21, encontram a cidade santa, a Nova Jerusalém. A cidade santa, Jerusalém, se vocês puderem imaginá-la, é um candeeiro gigantesco. O fundamento é a base desse candeeiro, a muralha é edificada sobre essa base, e no alto vocês encontram o trono de Deus e do Cordeiro. É um candeeiro gigantesco.
Como essa Nova Jerusalém vem a existir? Como ela é edificada? Quando é edificada? Onde é edificada? Vocês percebem que isso acontece por meio da edificação das sete igrejas da Ásia e da edificação de todas as igrejas locais ao longo dos séculos.
No fim de tudo, vocês veem a igreja universal aparecer. Então, já não encontram a igreja local, porque a obra está concluída.
Qual é a obra de Deus? Nosso Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Qual é a obra do Pai? Qual foi a obra que nosso Senhor Jesus realizou enquanto esteve na terra? Qual é a obra que o Espírito Santo está realizando hoje?
Deus tem uma única obra, e essa obra é edificar a igreja, porque a igreja é o corpo de Cristo e será a noiva do Cordeiro. Deus ama Seu Filho. Ele disse que não é bom que Ele esteja só. Ele deseja dar-Lhe uma auxiliadora idônea, uma correspondente.
Essa é a obra do Pai. Essa é a obra do Filho. Essa é a obra do Espírito Santo. Ele está preparando a noiva para Seu Filho amado.
Irmãos e irmãs, alguém me fez esta pergunta, referindo-se às duas últimas conferências. Falamos sobre a vinda do Rei. Falamos sobre o reino de Deus. Alguém me perguntou: “Por que, desta vez, você está falando sobre a igreja local e sobre o ministério e o governo da igreja local? Você desceu do terceiro céu. Isso é uma decepção”.
Agora, irmãos e irmãs, como o reino pode vir? Como o Rei pode voltar se a noiva não estiver pronta? É a igreja que está retardando a Sua volta, porque a igreja não foi edificada e a noiva não se preparou.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não podemos ser tão espirituais a ponto de não sermos práticos. Precisamos entrar no aspecto prático para ver o aspecto espiritual se cumprir.
Eu realmente hesito muito, porque estamos tocando em algumas questões técnicas, talvez em assuntos práticos. Às vezes, vocês podem pensar: “Estamos tocando demais nas coisas da terra? Estamos permitindo que essas coisas nos façam perder o celestial?” Irmãos e irmãs, esse é um receio legítimo. Quando vocês tocam nas coisas da terra, isso pode afetar o celestial.
Mas esperamos que não. O tempo todo, minha esperança é que, embora estejamos falando mais sobre o governo e o ministério da assembleia local, os irmãos e irmãs se lembrem do que os três irmãos estão compartilhando conosco. Não separem completamente essas coisas, porque somente dentro desse contexto podemos tratar corretamente dessas questões práticas.
Tenham em mente todos esses princípios espirituais, porque, quando tratamos dessas questões práticas, estamos apenas aplicando princípios espirituais. Se não procede da vida, então não é nada. Tudo precisa estar na vida.
Portanto, estas são as considerações preliminares que sinto que preciso compartilhar com vocês, irmãos e irmãs. Precisamos ter a perspectiva correta ao tratar desses assuntos.
A razão pela qual desejamos tratar desses dois aspectos das assembleias locais — governo e ministério — é que, por um lado, sentimos que essas duas coisas são muito essenciais à edificação das assembleias locais. Por outro lado, pelo que temos observado, percebemos que essas são duas coisas que não apenas faltam nas assembleias locais hoje, mas a respeito das quais há muita confusão.
Por isso, buscamos o Senhor para que, nestes momentos em que estamos juntos, possamos aprender com Ele e com a Sua Palavra o que é o governo local e o que é o ministério local. Esperamos que o Senhor fortaleça as assembleias locais e edifique Seu povo conjuntamente.
Teremos quatro encontros. Os dois primeiros serão dedicados ao governo nas assembleias locais, e os dois últimos, ao ministério nas assembleias locais. Se Deus quiser, o quinto encontro será de perguntas e respostas.
Se vocês tiverem alguma pergunta, depois dos quatro encontros, a respeito do que compartilhamos, esperamos ter um tempo juntos para perguntas e respostas, a fim de esclarecer melhor as coisas. Portanto, é isso que faremos desta vez.
Agora, reconhecemos que há muitas coisas essenciais à edificação da assembleia local. Por exemplo, se queremos que a igreja local seja edificada, a estatura espiritual dos nossos irmãos e irmãs precisa crescer. Em outras palavras, o crescimento espiritual individual é muito essencial.
Se não crescermos espiritualmente — isto é, na vida espiritual, conhecendo o Senhor e experimentando-O —, então realmente não podemos falar sobre a edificação da igreja local, porque não temos o material adequado para a edificação.
É muito importante que não apenas nossa vida espiritual seja edificada, mas também que conheçamos nosso relacionamento não só com o Senhor, mas uns com os outros. Em outras palavras, precisamos estar vinculados uns aos outros.
Percebemos que muitos dentre o povo de Deus podem buscar o Senhor individualmente e amá-Lo individualmente, mas, de alguma forma, nunca se vinculam aos seus irmãos e irmãs. Se não há vínculos, não há edificação. Vemos muitas pessoas reunidas, mas muito pouca edificação conjunta.
É claro que também há a questão da coordenação do funcionamento dos diferentes membros do corpo de Cristo. Cada membro do corpo de Cristo precisa funcionar, mas, ao funcionar, como todos devem ser coordenados entre si? Isso é muito essencial à edificação do corpo de Cristo.
Também é muito importante saber o que é autoridade e o que é obediência; qual é o nosso relacionamento uns com os outros; e quais são nossas responsabilidades e nossos privilégios. Todas essas coisas são essenciais à edificação das assembleias locais.
Mas, por causa da limitação de tempo, mais uma vez nos limitamos. Vocês veem: estamos limitando, limitando e limitando. Portanto, vamos nos limitar a apenas duas coisas: governo e ministério, porque sentimos que essas duas coisas são urgentemente necessárias em nossos dias.
Primeiro: o governo nas assembleias locais. Por que governo? Sem entrar em detalhes — porque, se entrarmos em detalhes, teremos de percorrer a Bíblia inteira —, toda a Bíblia fala sobre governo.
Nosso Deus é o Criador. Ele governa este universo. Seu domínio está sobre tudo. Ele exerce Seu governo neste universo — não apenas no universo que vocês podem ver, mas também no universo invisível. Ele é Deus e governa sobre tudo.
Mas pensemos apenas na igreja. Na igreja, vocês percebem que Deus tem Seu governo. Cristo é a Cabeça da igreja, que é o Seu corpo. O governo está sobre o Seu ombro.
Queridos irmãos e irmãs, na igreja precisamos reconhecer Cristo como a Cabeça. Ele é o nosso governo. Ele é o Governante, o Rei. Ele é a nossa autoridade.
É extremamente essencial que nos mantenhamos firmemente ligados à Cabeça. Em Colossenses 2:19, está escrito:
Mantendo-se firmemente ligado à Cabeça,
da Qual todo o corpo,
suprido e unido
por meio das juntas e ligamentos,
cresce com o crescimento de Deus.
Como a igreja pode ser edificada? Como o corpo pode crescer com o crescimento de Deus? Mantendo-se firmemente ligado à Cabeça. Quando vocês pensam na cabeça, pensam em governo, porque é a cabeça que governa o corpo.
Irmãos e irmãs, nós nos mantemos firmemente ligados à Cabeça? Isso diz respeito a cada membro do corpo. Cada membro do corpo precisa se manter firmemente ligado à Cabeça. Permitimos que Seu governo seja exercido sobre nós em nossa vida pessoal?
Permitimos que Ele seja a nossa Cabeça? Houve um momento em sua vida em que você se entregou a Ele e O tomou como seu Senhor, seu Rei, seu governo, dizendo ao Senhor que, daquele momento em diante, Ele seria seu Mestre e você Lhe obedeceria em todas as coisas? Você já fez isso? Ou faz isso todos os dias? Renove sua consagração todos os dias. Mantenha-se firmemente ligado à Cabeça.
Em toda a nossa vida espiritual e cotidiana, vocês percebem que há uma luta constante dentro de vocês e ao seu redor quanto a quem é a cabeça. Todas as tentações que lhes sobrevêm os tentam a não se manterem firmemente ligados a Cristo como sua Cabeça.
Como precisamos vigiar e orar para que, diariamente, a cada hora, a cada momento, nos mantenhamos firmemente ligados a Cristo como Cabeça! Se todos nos mantivermos firmemente ligados a Cristo como a Cabeça, a Escritura diz que todo o corpo estará unido.
A razão pela qual o corpo não está unido é que não estamos nos mantendo firmemente ligados à Cabeça. Alguém não está firmemente ligado à Cabeça, ou ninguém está firmemente ligado à Cabeça, e esse é o problema.
Se todos nós, em nossa vida diária, nos mantivermos firmemente ligados a Cristo como a Cabeça — o governo está sobre o Seu ombro, não sobre o meu, mas sobre o Seu —, então, irmãos e irmãs, todo o corpo estará automaticamente unido. Não apenas unido, mas ministrando uns aos outros por meio das juntas que suprem e conectam, e crescendo com o crescimento de Deus.
Portanto, não há como enfatizar isso demais. Vejam, isto é um princípio espiritual aplicado. Precisamos nos manter firmemente ligados à Cabeça. Na igreja, não há outra cabeça além de Cristo. Não somos de Paulo, não somos de Apolo, não somos de Cefas; todos somos de Cristo.
O problema na igreja hoje é que tiramos Cristo da posição de Cabeça e O substituímos por outra coisa. Pode ser uma pessoa espiritual, um gigante espiritual. Pode ser um ensinamento, uma doutrina, um sistema, uma forma ou uma tradição.
Queridos irmãos e irmãs, sempre que não nos mantemos firmemente ligados a Cristo como a Cabeça, o corpo se desintegra. Portanto, em primeiro lugar, precisamos enxergar que devemos nos manter firmemente ligados a Cristo como a Cabeça.
Cristo é a Cabeça de todo homem — e isso inclui a mulher. Ele é a Cabeça de cada pessoa, de cada crente. Não perguntem por que a igreja não é edificada. Não perguntem por que não estamos unidos. Não perguntem por que não vemos o corpo funcionando. Façam apenas uma pergunta: “Eu me mantenho firmemente ligado a Cristo como a Cabeça?”
A cabeça é governo, sim. É nela que estão a sabedoria, o controle e a vontade. Mas, debaixo da cabeça, vocês têm o corpo. A cabeça precisa de um corpo para se expressar, e a igreja é o Seu corpo.
Agora, irmãos e irmãs, o que é um corpo? Um corpo é um organismo vivo. Não é uma organização morta. É um organismo vivo, cheio de vida.
Porque há vida, há ordem. Existe organização na igreja local? Sim, mas essa organização não é algo estabelecido de fora para dentro. Ela é organizada pela vida.
Olhem para o próprio corpo. Ele é uma organização perfeita. Tudo está perfeitamente organizado. Nenhum órgão ou membro está no lugar errado. Suponham que algum órgão ou membro esteja no lugar errado — vocês sabem o que acontecerá.
Tudo está perfeitamente unido, ajustado, e cada parte ministra às outras. Há uma ordem divina ali, e essa ordem divina é segundo a vida divina. Ela vem de dentro.
Posso usar uma ilustração? O que realmente conecta o corpo à cabeça? Que parte do corpo fica junto à cabeça? O pescoço.
Todo o sistema nervoso, tudo passa pelo pescoço. Todos os impulsos recebidos de todos os membros passam pelo pescoço e chegam à cabeça, e todas as ordens e respostas vêm da cabeça, passam pelo pescoço e chegam aos diferentes membros do corpo.
Agora, posso usar essa ilustração, embora ela não seja uma boa ilustração. Cristo é a Cabeça. Ele nunca deixa de ser a Cabeça da igreja — não apenas da igreja universal, mas também da igreja local.
Não pensem que, na igreja local, Ele já não é a Cabeça. Ele continua sendo a Cabeça. Mas, por razões práticas, a maneira como Ele governa Seu corpo como assembleia local é estabelecendo ali um pescoço. O pescoço é o presbitério que vocês encontram nas Escrituras. Esse é o governo.
Explicaremos isso mais adiante. Mas, de qualquer modo, vocês percebem que há um pescoço ali, e ele é, por assim dizer, a passagem, a ligação entre a Cabeça e as outras partes do corpo.
O pescoço não é o centro de comando; a Cabeça é. Mas, infelizmente, às vezes, na igreja local, os presbíteros pensam que são a cabeça, e então surgem problemas, porque eles não são a cabeça. São o pescoço. É tudo o que podemos dizer.
Se o pescoço não estiver ligado à cabeça, será inútil. Portanto, vocês percebem que no corpo de Cristo há uma ordem; há um governo.
Naturalmente, não gostamos disso. Em nossa vida natural — e o que é a vida natural? É “eu, eu mesmo” —, vocês percebem que não gostamos de ser governados. Gostamos de governar.
Essa foi a situação de Adão e Eva desde o princípio. Com esse tipo de vida em nós, isso nos é natural. Não gostamos de governo. Por isso, quando falamos de governo, reagimos contra ele. Mas, se vocês realmente souberem o que é governo, vão amá-lo. Explicaremos isso mais adiante.
De qualquer modo, vocês percebem que, no corpo, Deus de fato estabelece Seu governo na igreja local para a edificação do corpo.
Ou podemos usar outra ilustração. O que é a igreja? A igreja é a casa de Deus. Essa casa, mais uma vez, é uma casa orgânica. Na casa, há ordem.
Nosso Senhor Jesus é o Filho sobre a Sua casa. Mas Ele também estabelece Seu governo e Sua ordem em Sua casa.
Em 1 Timóteo, vocês encontram Paulo dizendo a Timóteo que escreveu essas coisas para que ele soubesse como se comportar na casa de Deus. Agora, irmãos e irmãs, nós somos a casa de Deus, mas precisamos saber como nos comportar na casa de Deus.
Em nosso comportamento na casa de Deus, vocês percebem que há uma questão de governo. Se vocês nunca reconhecem o governo na assembleia local, não sabem como se comportar na casa de Deus. Precisam reconhecê-lo.
Vocês também encontram Paulo dizendo a Tito que pusesse em ordem as coisas que ainda estavam desordenadas. Novamente, vocês percebem que há governo; há ordem na casa de Deus. Mas, mais uma vez, queremos enfatizar que isso é segundo a vida.
Ou podemos usar outra ilustração: a igreja é a família de Deus. Somos uma família. Nosso Pai celestial é o Pai da família. Nosso Senhor Jesus é o Irmão mais velho.
Quando o Pai está presente, é claro que Ele é o governo. Se um pai não estiver presente, o filho mais velho assumirá. Suponham que o filho mais velho não esteja presente — então o que acontecerá?
Na igreja, na casa, na família de Deus, vocês têm irmãos e irmãs. Alguns são mais velhos, e outros são mais novos. Mais velhos significa mais velhos espiritualmente; mais novos significa mais novos espiritualmente. Aqueles que são mais velhos espiritualmente cuidarão da família.
Há ordem ali. Novamente, há governo. Caso contrário, haverá caos.
Dizemos que a igreja é o reino de Deus. Ora, ela é um reino. Deve haver um Rei ali. Deve haver governo ali.
Portanto, irmãos e irmãs, creio que está muito claro nas Escrituras que há governo na assembleia local. A igreja é uma teocracia, não uma democracia.
Em nossa concepção, especialmente neste país, pensamos que até mesmo a igreja é uma democracia. Mas não, a igreja não é uma democracia. É uma teocracia. Deus governa sobre tudo e estabelece Seu governo em Sua igreja.
Gostaríamos de percorrer o livro de Atos e ver como o governo na igreja local se desenvolveu.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele pregava a uma multidão, a muitas pessoas. Mas depois escolheu doze discípulos. Esses doze estavam com Ele dia e noite. Ele os treinou por mais de três anos.
Eles eram apóstolos. Ele os treinou para a liderança. Embora Judas tenha falhado, se vocês lerem o livro de Atos, encontrarão Pedro falando da função de supervisão de Judas, ou de sua liderança, ou de seu ofício.
O Espírito Santo confirmou Matias como um dos doze. Matias, embora não tivesse sido escolhido pelo Senhor enquanto o Senhor estava na terra, era alguém que O seguia desde o princípio. Eles escolheram dentre aqueles que haviam seguido o Senhor desde os dias de João Batista até que Ele foi elevado ao céu.
Portanto, em outras palavras, vocês percebem que Matias havia seguido o Senhor durante todos aqueles anos, e foi escolhido pelo Espírito Santo como um dos doze. Mas, de qualquer modo, vocês percebem que o próprio Senhor havia treinado essas pessoas por mais de três anos — treinado para o governo e treinado para a liderança.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu e batizou os cento e vinte que estavam orando em unanimidade naquele cenáculo. Eles foram batizados em um só Espírito, em um só corpo. Esse é o começo da igreja na terra.
Imediatamente, por meio da pregação do evangelho de Jesus Cristo e da proclamação da Sua ressurreição, três mil foram acrescentados em um único dia. Ali vocês encontram a igreja em Jerusalém, a igreja local, começando em Jerusalém.
Agora, com três mil cento e vinte membros no corpo de Cristo, como eles funcionavam? Em Atos 2:42, está escrito que perseveravam, continuavam, dedicavam-se diariamente à doutrina e à comunhão dos apóstolos, ao partir do pão e às orações.
Vocês percebem que a vida dentro deles os uniu, e eles dedicaram sua vida ao ensino dos apóstolos, que nada mais é do que o ensino de Cristo. Também se dedicavam à comunhão dos apóstolos. Novamente, é a comunhão de Cristo, porque todos fomos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Eles não tinham apenas o ensino, mas também a comunhão. Partiam o pão juntos para se lembrar do Senhor, manifestar Sua vitória e aguardar Sua volta. Oravam juntos, pedindo que o reino viesse, que a vontade de Deus fosse feita na terra como no céu e que o nome de Deus fosse santificado.
Estavam juntos como um só homem. Amavam uns aos outros. Viviam uns para os outros. Viviam para Cristo. Essa é a igreja primitiva, a igreja em Jerusalém.
Mas, com tantas pessoas, e com o Senhor acrescentando outras diariamente, irmãos e irmãs, calculamos que, nos primeiros anos, a igreja em Jerusalém provavelmente chegou a cerca de vinte mil pessoas.
Com vinte mil pessoas, vocês têm muitos problemas — talvez vinte mil problemas, ou mais. E, de fato, eles tinham problemas. É claro que tinham. Mas, com tantas pessoas, para que não houvesse caos, era necessário algum governo.
É verdade que todos se mantinham firmemente ligados à Cabeça. Mas, ainda assim, por razões práticas, vocês percebem que o próprio Senhor havia treinado os doze para serem o grupo responsável pelo governo na igreja em Jerusalém. O Senhor já havia providenciado isso.
Ali vocês encontram esses doze. Eles não apenas ministravam a Palavra, mas também serviam às mesas. Em outras palavras, cuidavam de todos os irmãos e irmãs. Eles eram a liderança. Eram o grupo responsável pelo governo. Haviam sido preparados de antemão pelo nosso Senhor para aquele momento.