E também Eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus:
e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus;
e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
Vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual,
para serdes um sacerdócio santo,
a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Porque ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.
Mas, se alguém edifica sobre o fundamento ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha;
a obra de cada um se manifestará: pois o dia a declarará, porque será revelada pelo fogo;
e o próprio fogo provará de que natureza é a obra de cada um.
Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá recompensa.
Se a obra de alguém se queimar, sofrerá perda: mas ele mesmo será salvo; todavia, como que através do fogo.
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular;
no Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor;
no Qual também vós sois juntamente edificados para morada de Deus no Espírito.
Nosso Pai celestial, ao nos reunirmos nesta noite em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus, nós Te louvamos e agradecemos porque amas a igreja e Te entregaste por ela. Nós Te agradecemos e louvamos porque também amas o Teu reino.
E, Senhor, pedimos que nós também possamos amar a Tua igreja e amar o Teu reino. Oramos para que aumentes em nossos corações esse amor pelo Teu reino e pela Tua igreja, porque são coisas que amas profundamente.
Ó Senhor, oramos para que, nesta noite, ao abrirmos a Tua Palavra, fales aos nossos corações pelo Teu Espírito Santo e nos conduzas àquilo que desejas. Entregamos este tempo em Tuas mãos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Vamos considerar o reino e a igreja sob quatro ângulos diferentes.
Primeiro: o reino é um com a igreja. Quando chegamos à realidade espiritual, descobrimos que o reino e a igreja são, na verdade, a mesma coisa. São dois aspectos da mesma realidade.
Como mencionamos antes, quando você pensa na igreja, pensa em vida. Quando pensa no reino, pensa em autoridade. Quando pensa na igreja, pensa em liberdade. Quando pensa no reino, pensa em governo.
Quando você pensa na igreja, pensa em comunhão. Mas, quando pensa no reino, pensa em ordem. Quando pensa na igreja, pensa em amor. Mas, quando pensa no reino, pensa em disciplina.
E descobrimos que esses dois aspectos precisam atuar juntos. Portanto, na realidade espiritual, o reino e a igreja são um.
O segundo ângulo é este: o reino é maior do que a igreja. Embora o conceito — a realidade — da igreja esteja em Deus desde antes da fundação do mundo, ele permaneceu um mistério.
Somente quando esse mistério foi revelado aos apóstolos e aos profetas pelo Espírito Santo é que viemos a conhecer esse mistério de Cristo, que é a igreja.
Nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, lançou pessoalmente o fundamento. Ele mencionou a igreja duas vezes, como encontramos registrado nos capítulos 16 e 18 de Mateus, mas ainda não havia igreja.
Ele lançou o fundamento por meio de Sua morte. Do Seu lado saíram sangue e água, e com esse material Ele edificaria a Sua igreja. No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre os cento e vinte que se reuniam em unanimidade e oravam, esses cento e vinte crentes foram batizados em um só corpo por um só Espírito. Esse é o começo da igreja.
Então, como dizemos, do ponto de vista histórico, a igreja começa com a primeira vinda do nosso Senhor Jesus. E ela continuará, continuará crescendo, continuará aumentando e amadurecendo até a segunda vinda do nosso Senhor Jesus. E Ele virá buscar a Sua igreja para que seja a Sua noiva.
Agora, quando pensamos no reino, dizemos que ele começa, na verdade, com a criação. Quando Deus criou os céus e a terra, Ele, Que é o Soberano, tornou-Se o Soberano do universo. Ele, Que é o Rei, passou a ter um domínio sobre o qual governa e no qual pode comunicar, manifestar e expressar o Seu próprio caráter.
Assim, estávamos dizendo que o reino de Deus começa com a primeira criação e continua através das eras — não apenas nos tempos do Antigo Testamento, mas também nos tempos do Novo Testamento. Em determinado período, ele corre paralelamente à igreja, mas, ainda assim, vemos que é maior do que a igreja.
Por quê? Porque, sempre que o evangelho do reino dos céus é pregado, onde quer que sua mensagem chegue e as pessoas fiquem sob a influência dessa mensagem, você encontrará uma manifestação exterior desse reino dos céus sobre a terra.
E essa manifestação exterior se encontra nas parábolas de Mateus, capítulo 13: os mistérios do reino dos céus. Agora, precisamos nos lembrar disto: essas parábolas, os mistérios do reino dos céus, representam a cristandade.
Ou seja, onde quer que a mensagem do evangelho se espalhe, você encontrará, reunidos nesse âmbito, trigo e joio. Isso é a cristandade; não é a igreja. Portanto, nesse sentido, o reino é maior do que a igreja.
E, naturalmente, na vinda do nosso Senhor Jesus, Ele estabelecerá o Seu reino sobre esta terra. Quando chegamos ao reino milenar, vemos que, na verdade, há duas partes.
A parte inferior é o reino milenar, o reino messiânico sobre esta terra, onde o Seu trono será estabelecido em Jerusalém. A nação de Israel será a principal entre as nações. Eles serão, como Deus lhes prometeu, um reino de sacerdotes. Sairão e conduzirão as pessoas a adorar a Deus — uma nação de sacerdotes.
Mas, nesse tempo, haverá a outra parte, que é a parte celestial. Nessa parte celestial, você encontrará os santos nas alturas, os vencedores da igreja. Eles reinarão com Cristo por mil anos. Será, portanto, o tempo em que os céus governarão sobre a terra.
Aqui, então, vemos que o reino é realmente maior do que a igreja. E, naturalmente, depois do milênio haverá a eternidade. Na eternidade, haverá os novos céus e a nova terra, e a Nova Jerusalém descerá do céu sobre essa nova terra.
Será nesse tempo que a igreja será incorporada ao reino eterno de Deus. Por isso dizemos que o reino é maior do que a igreja.
Na verdade, há duas sessões sobre o reino e a igreja. Estamos apenas lançando um fundamento. O que realmente pesa em nosso coração é aquilo que consideraremos nesta noite e, se Deus quiser, durante todo o tempo que tivermos: a inter-relação entre o reino e a igreja.
Nesta noite, gostaríamos de considerar juntos, diante do Senhor, esta questão: o reino edifica a igreja.
Nas quatro passagens que lemos, encontramos em todas elas a palavra edificar. A igreja precisa ser edificada.
Em Mateus 16:18, nosso Senhor Jesus diz:
Edificarei a Minha igreja.
A igreja não é simplesmente algo que surge de repente. A igreja não é apenas um amontoado de pedras. A igreja precisa ser edificada.
Mas como a igreja é edificada? Qual é a chave para a edificação da igreja de Deus?
Hoje precisamos reconhecer que, até onde podemos ver, parece que a igreja não está sendo edificada. Parece que essas pedras vivas não estão sendo edificadas juntas.
Embora creiamos que, quando o Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
Ele está de fato edificando, não nos parece que essa edificação esteja acontecendo tão rapidamente, nem de maneira tão ampla, quanto deveria. E provavelmente essa é uma das razões pelas quais o Noivo ainda está esperando pela noiva.
Por isso, é muito importante sabermos: como a igreja é edificada? Qual é a chave para a edificação da igreja?
Agora, em Mateus 16:18, nosso Senhor Jesus disse:
Tu és Pedro.
Uma rocha, uma pedra. E disse:
Sobre esta rocha […] edificarei a Minha igreja.
Isto é, sobre Ele mesmo, sobre aquela confissão de que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Isso é o que Ele vai fazer. Mas como?
No versículo seguinte, Ele disse a Pedro:
Dar-te-ei as chaves do reino.
E tudo o que ligares nesta terra será ligado nos céus,
e tudo o que desligares nesta terra será desligado nos céus.
No original, segundo nos dizem, tudo o que você ligar na terra já terá sido ligado nos céus, e tudo o que você desligar na terra já terá sido desligado nos céus.
E essas chaves do reino não foram dadas apenas a Pedro, porque há um versículo paralelo em Mateus, capítulo 18.
Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus;
e tudo o que desligardes na terra será desligado nos céus.
Outra vez vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem,
isso lhes será feito por Meu Pai, Que está nos céus.
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome,
ali estou Eu no meio deles.
Aqui, então, vemos que, em Mateus, capítulo 16, as chaves do reino dos céus foram dadas a Pedro, mas, em Mateus, capítulo 18, elas são, na verdade, dadas à igreja, aos crentes.
Porque tudo o que eles ligarem nesta terra será ligado nos céus, e tudo o que desligarem nesta terra será desligado nos céus. E quem são essas pessoas que ligam e desligam?
Se dois de vós concordarem […]
onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome,
ali estou Eu no meio deles.
Portanto, podemos dizer que essas chaves são, na verdade, dadas aos crentes, à igreja.
Há outro versículo que pode ser relacionado a isso. O que é uma chave? O que as chaves representam? Naturalmente, as chaves representam autoridade ou poder. É isso que elas representam. Você tem autoridade, o poder de desligar; tem o poder e a autoridade de ligar.
O que é, realmente, essa autoridade? Em João 20:22, depois da ressurreição do nosso Senhor Jesus, Ele apareceu aos Seus discípulos.
E, havendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados;
àqueles a quem os retiverdes, são-lhes retidos.
Em outras palavras, o poder e a autoridade do reino dos céus são o Espírito Santo que é dado — não Pedro, não os crentes, mas o Espírito Santo neles. O Espírito Santo é a autoridade e o poder do reino dos céus.
Conhecemos o que está em Isaías 22:22:
E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro;
e ele abrirá, e ninguém fechará;
e ele fechará, e ninguém abrirá.
A chave de Davi. E, novamente, em Apocalipse 3:7:
E ao anjo da igreja em Filadélfia escreve:
Estas coisas diz Aquele Que é santo, Aquele Que é verdadeiro,
Aquele Que tem a chave de Davi,
Que abre, e ninguém fechará,
e Que fecha, e ninguém abre.
Aqui, então, encontramos a chave da casa de Davi e a chave de Davi. Creio que todos sabemos que Davi representa a realeza. Portanto, em outras palavras, essa é a chave do reino de Deus. Essa é a chave.
E, com essa chave, você pode abrir a porta da casa de Davi, do reino, ou pode fechá-la.
Há algo interessante: aqui encontramos a palavra chave no singular. Você não precisa de duas chaves, uma para abrir a porta e outra para fechá-la, para trancá-la. Uma chave é suficiente para abrir e fechar.
É por isso que, nos capítulos 22 de Isaías e 3 de Apocalipse, encontramos chave no singular. Mas, em Mateus, capítulo 16, chaves está no plural.
Naturalmente, a interpretação geralmente aceita é que Pedro usou duas chaves: uma para abrir a porta do reino aos judeus e outra para abrir a porta do reino aos gentios.
Em Atos, capítulo 2, no dia de Pentecostes, depois que o Espírito Santo veio sobre aquelas pessoas e elas começaram a engrandecer o Senhor, grandes multidões começaram a se reunir ao redor delas. Vocês se lembram de como Pedro se levantou, e os onze se levantaram com ele, e ele pregou o reino dos céus à multidão.
Ele concluiu sua mensagem dizendo que Deus havia feito daquele Jesus, a Quem eles tinham crucificado, tanto Cristo como Senhor. Ele foi exaltado. Ele é o Senhor do universo. Ele é Rei sobre tudo. Esse foi o evangelho do reino de Deus que Pedro pregou.
Enquanto ele pregava, as pessoas ficaram compungidas em seus corações. Foram convencidas de seu pecado. Então perguntaram:
Que faremos?
E Pedro disse:
Arrependei-vos e sede batizados em nome do Senhor Jesus para remissão dos pecados,
a fim de receberdes o dom do Espírito Santo.
Sabe, para os cristãos evangélicos — como nosso irmão mencionou os evangélicos, vou apenas seguir os seus passos —, para os cristãos evangélicos, nós diríamos: “Pedro, você está errado. Quando as pessoas são convencidas de seu pecado, você precisa lhes dizer que devem crer no Senhor Jesus. Você nem sequer lhes diz que devem crer”.
Mas Pedro não disse: “Creiam no Senhor Jesus”. Tudo o que ele disse foi:
Arrependei-vos e sede batizados em nome do Senhor Jesus para remissão dos pecados,
a fim de receberdes o dom do Espírito Santo.
Agora, por quê?
Porque, para os judeus daquela época, a crucificação, a morte e a ressurreição do nosso Senhor Jesus tinham acontecido diante dos seus próprios olhos. Em outras palavras, era algo que havia ocorrido diante deles. Portanto, tudo o que precisavam fazer era se arrepender — arrepender-se de terem rejeitado o Messias — e ser batizados em Seu nome; em outras palavras, passar a pertencer a Ele.
Ao fazerem isso, seus pecados seriam perdoados, e eles receberiam o dom do Espírito Santo. Assim, Pedro usou uma chave para abrir a porta do reino aos judeus.
Depois, encontramos em Atos, capítulo 10, a ocasião em que Pedro foi enviado à casa de Cornélio. Naturalmente, sabemos que a casa de Cornélio era composta inteiramente de gentios, e Pedro começou a pregar novamente.
Em Atos 10:43, Pedro ainda estava na primeira parte de seu sermão. Ainda não havia terminado a mensagem. Depois de ter ensinado algo sobre o Senhor Jesus, ele tinha mais a dizer. Então fez uma pequena conclusão, sem a intenção de encerrar sua mensagem.
Ele apenas resumiu o que havia dito antes e ia continuar. Provavelmente tinha muito mais a dizer. Então concluiu:
A Ele todos os profetas dão testemunho,
e todo aquele que Nele crê receberá remissão dos pecados.
“A Ele”, isto é, ao Senhor Jesus, de Quem estou lhes falando.
Aqui vemos sua mensagem se tornando evangélica. Ele disse: “Creiam. Vocês precisam crer no Senhor Jesus para a remissão dos seus pecados”.
Aquelas pessoas eram gentios. Nem sequer sabiam que o Senhor havia ressuscitado. Portanto, precisavam crer no Senhor Jesus para a remissão dos seus pecados.
Por isso, as pessoas dizem que Pedro realmente teve de usar duas chaves diferentes: uma para os judeus e outra para os gentios. Pode ser. Eu não sei.
Naturalmente, se você quiser encontrar mais de uma chave, encontrará nas Escrituras outras passagens que mencionam mais de uma chave.
Em Apocalipse 1:18, nosso Senhor declarou ao Seu discípulo amado, João:
Eu sou o primeiro e o último.
Eu sou Aquele Que vive.
Estive morto, mas vivo para sempre.
E tenho em Minha mão as chaves da morte e do Hades.
Aqui encontramos, então, as chaves no plural: da morte e do Hades. Agora, pergunto-me se há aí uma espécie de contraste ou de complementaridade. As chaves da morte e do Hades dizem respeito ao aspecto negativo; as chaves do reino dos céus, ao positivo.
Do lado negativo, vemos que nosso Senhor Jesus tem as chaves da morte e do Hades. Nosso irmão já mencionou: quem tem o poder da morte? Quem tem o poder da morte é Satanás, porque o salário do pecado é a morte.
Enquanto ele consegue tentar as pessoas a pecar, elas ficam sob o seu domínio. Em outras palavras, ele tem a chave da morte. Usa essa chave para ameaçar as pessoas, porque, em Hebreus, capítulo 2, como nosso irmão já mencionou, vemos que as pessoas têm medo de morrer, e ele usa esse medo da morte para escravizá-las.
Isso é tão poderoso. Quando a morte chega, você não pode pedir cinco minutos de prorrogação. É tão poderosa. Uma vez que ela o agarra, nunca mais o solta.
Ao longo dos séculos, inúmeras pessoas entraram na morte, e ninguém jamais havia retornado. Satanás tem a chave da morte. Ele abre a porta para todos os que pecam e depois simplesmente a fecha.
Mas, graças a Deus, há um Homem. Na mensagem de Pedro no dia de Pentecostes, em Atos, capítulo 2, ele citou o Salmo 16, uma profecia sobre o Messias, e disse que o Hades não podia retê-Lo.
Em outras palavras, nosso Senhor Jesus entrou na morte de propósito, voluntariamente, para despojar a morte de seu poder, para tirar a chave da mão de Satanás e tomá-la em Sua própria mão.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos que Ele nos libertou do medo da morte.
Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá.
É por isso que, quando um santo, um filho de Deus, morre fisicamente, a Bíblia diz que ele adormece. Você não tem medo de dormir. Acho que você gosta de dormir. Depois de um dia muito cansativo, você anseia por uma noite de sono tranquilo.
E “tranquilo” significa que você vai acordar. Você espera despertar. Portanto, para os crentes, o aguilhão da morte já foi removido. O aguilhão da morte é o pecado, e o poder da morte foi tragado pela vida.
Nosso Senhor Jesus entrou na morte, despojou-a de seu poder e saiu dela em ressurreição. Ele tem a chave da morte. Irmãos e irmãs, não estamos sob o medo da morte.
Espiritualmente falando, há uma lei da morte, assim como há uma lei do pecado. Mas nós, que pertencemos ao Senhor, estamos em Cristo. Estamos acima dessa lei, porque a lei do Espírito da vida venceu a lei do pecado e da morte.
A lei do pecado é que você tem de fazer aquilo que sabe que não deveria fazer. A lei da morte é que você não faz aquilo que deveria fazer. Mas, graças a Deus, Ele venceu isso, e nós somos capazes de fazer a Sua vontade.
Ele tem não apenas a chave da morte, mas também a chave do Hades.
Agora, o Hades é o lugar para onde vão os ímpios que morreram. É como uma casa de detenção. Todos os que são ímpios — e, por ímpios, quero dizer aos olhos de Deus — vão para lá.
Pode haver muitas pessoas muito corretas moralmente, muito religiosas, mas que não têm a vida, a vida eterna. Quando morrem sem crer no Senhor Jesus, sem serem salvas, vão para o Hades. Esse é o lugar dos ímpios.
Aqui vemos que nosso Senhor Jesus disse que também tem essa chave. É por isso que Ele disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha,
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Segundo nos dizem, em Mateus, capítulo 16, não há artigo definido antes de “portas”. O Hades parece ter muitas portas, porque o caminho para o Hades é largo, e há muitas portas pelas quais se pode entrar. É muito fácil entrar.
Mas, segundo nos dizem, em Mateus, capítulo 16, não há artigo definido antes de “portas”. Quando isso acontece, indica que a expressão se refere à natureza desse poder, em vez de a um objeto definido.
Portanto, em outras palavras, o Hades representa o poder maligno, o poder das trevas, a habitação da maldade. Aqui vemos que nosso Senhor Jesus disse:
As portas do Hades não prevalecerão contra a igreja que Eu edifico.
Todas as portas podem estar abertas, mas somente com a Sua permissão. Ele tem a chave. Ele pode abrir as portas do Hades e permitir que a maldade venha tentar e provar a Sua igreja, mas também pode fechá-las.
Portanto, irmãos e irmãs, seja o que for que aconteça — perseguições, ataques, qualquer poder que pareça sair do Hades —, lembrem-se: tudo está sob controle, sob o controle do nosso Senhor. Ele permite isso; Ele o permite por uma razão: para nos aperfeiçoar.
Agora, graças a Deus, vemos que nosso Senhor Jesus tem as chaves da morte e do Hades. Não precisamos temer nem a morte nem o poder das trevas.
Esse é o aspecto negativo. Depois encontramos algo positivo: nosso Senhor Jesus tem as chaves do reino dos céus, e Ele as deu ao Seu povo.
E eu me pergunto — vocês não precisam concordar comigo — por que Ele diz “as chaves”. Se há chaves da morte e do Hades, e o Hades é, na verdade, o passo seguinte à morte, pergunto-me se as chaves do reino dos céus têm um significado semelhante.
Com isso quero dizer que Ele usa uma chave para abrir a porta de entrada no reino dos céus, mas o reino dos céus tem muitos compartimentos, e você precisa de mais chaves para abrir as portas de cada compartimento, a fim de realmente entrar no reino de maneira abundante.
E, sabe, no que diz respeito à nossa experiência, parece ser assim.
Entramos por meio do nascimento.
Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito,
não pode entrar no reino de Deus.
Essa é a chave. A porta é aberta, e nós nascemos no reino. Mas isso não significa que, por estar no reino, você seja do reino. Você precisa ser impetuoso, tomá-lo à força. Talvez essa seja outra chave.
De qualquer forma, aqui descobrimos que a chave para a edificação da igreja é o reino.
Deixem-me explicar. Como o reino edifica a igreja? Em primeiro lugar, pela pregação do evangelho do reino. Sem a pregação do evangelho do reino, não haverá materiais para edificar a igreja.
Mas, infelizmente, quando pregamos o evangelho, como nosso irmão já mencionou, pregamos o Evangelho segundo Lucas e paramos por aí.
Quando você lê o Evangelho segundo Lucas e chega ao capítulo 24, depois que nosso Senhor Jesus ressuscitou e apareceu aos Seus discípulos, Ele disse:
Ide e pregai o arrependimento e a remissão dos pecados.
Por isso, às vezes dizemos que o Evangelho segundo Lucas é o evangelho da graça. Em outras palavras, você apenas diz às pessoas: “Cristo morreu por você na cruz. Portanto, seus pecados podem ser perdoados. Basta que você se arrependa e creia Nele; então seus pecados serão perdoados, e tudo estará bem com você”.
Esse é o evangelho que pregamos hoje. Mas, quando vamos à Palavra de Deus, descobrimos que, dos quatro Evangelhos, Deus coloca o Evangelho de Mateus em primeiro lugar.
Em outras palavras, o Evangelho de Mateus é o evangelho do Rei, o evangelho do reino. Esse parece ser o aspecto principal do evangelho de Jesus Cristo.
Nós dizemos que há apenas um evangelho. Não é que exista um evangelho da graça e um evangelho do reino, como se fossem dois evangelhos diferentes. Não. São aspectos diferentes do evangelho de Jesus Cristo.
Posso dizer que o evangelho da graça existe em função do evangelho do reino. O reino é o propósito de Deus; a graça é o Seu meio para alcançar esse fim. Porque, sem a graça, você jamais conseguirá alcançar o reino.
O que é graça? Nossos dois irmãos já falaram sobre isso, e mais uma vez vou seguir os seus passos. O que é graça?
Bem, dizemos que graça é o favor imerecido que Deus concede a pessoas que não o merecem, gratuitamente, universalmente, sem acepção de pessoas, liberalmente, a todos. Dizemos: isso é graça. É verdade.
Mas você sabia que a palavra graça, no grego original, reúne três significados diferentes?
A graça concedida liberalmente, gratuitamente e universalmente — esse é o segundo dos três significados, e é o único que estamos alcançando e recebendo. Mas, na verdade, a palavra graça, em primeiro lugar, significa que há um objeto ou uma pessoa que é bela, cuja contemplação é agradável.
A graça não começa com a dádiva. A graça começa com o Doador. Agora, tudo o que nos interessa é receber a dádiva, mas nos esquecemos do Doador.
Portanto, graça, em primeiro lugar, é contemplar Aquele Que é tão belo, tão cheio de graça. E Quem é Aquele Que é tão cheio de graça, tão belo? Naturalmente, nosso Deus. Naturalmente, nosso Senhor.
Primeiro, a Pessoa. Depois, dessa Pessoa cheia de graça, vêm as dádivas que Ele concede graciosamente. Essa é a segunda parte.
E a terceira parte é esta: em quem recebe a graça, essa graça age de tal maneira, move essa pessoa de tal maneira, transforma-a de tal maneira, que ela também se torna cheia de graça, como Aquele Que é tão cheio de graça.
Se dizemos que recebemos graça e, no entanto, não somos transformados, não somos cheios de graça, não somos belos — somos feios —, irmãos e irmãs, vocês não sabem o que é graça.
É como aquele servo a quem seu senhor perdoou uma dívida tão grande, mas que saiu e agarrou pelo pescoço seu companheiro por causa de uma dívida tão pequena. Ele o lançou de volta na prisão.
Portanto, irmãos e irmãs, lembremo-nos disto: na verdade, não há oposição entre graça e reino.
Sabe, às vezes pensamos: a graça é gratuita — você não faz nada. E o reino, nossa, exige muito. É muito custoso. Você precisa trabalhar por ele. Parece que são dois polos inteiramente opostos.
Mas, irmãos e irmãs, não é assim. Eles são um. Se você realmente sabe o que é graça, quando contempla uma Pessoa tão bela, tão cheia de graça — nosso Senhor —, Que Se entregou por você, é tão constrangido pelo Seu amor que não pode deixar de se entregar a Ele.
Você O reconhece como seu Rei, como seu Senhor, e permite que Ele governe sobre você. Isso é natural, espontâneo. E isso é o reino: o governo do Rei.
Portanto, não há oposição aí. É justamente pela graça que entramos no reino ou o alcançamos.
Por que a igreja não está sendo edificada? Porque hoje há uma deficiência na pregação do evangelho de Jesus Cristo. Pregamos um evangelho barato.
Como pregamos um evangelho barato, qual é o resultado? Bem, graças a Deus, somos salvos. Graças a Deus, recebemos vida. Mas é praticamente só isso.
Sabemos que estamos seguros para a eternidade e, então, vamos embora e vivemos nossa própria vida. O reino não está em vista. O Rei não está em vista.
Nós O aceitamos como nosso Salvador, Que nos salva, mas não nos submetemos a Ele como nosso Senhor, nosso Rei.
Você pode edificar uma igreja com pessoas que são salvas, mas carnais? Não há como edificar uma igreja assim.
O evangelho do reino precisa ser pregado. O que é o evangelho do reino? Jesus é Senhor. Jesus é Rei. Jesus é Soberano. O evangelho não é apenas para ser crido; é para ser obedecido.
Em Romanos, capítulo 1, Paulo disse:
Obediência da fé.
Em 1 Pedro, capítulo 1, ele disse:
A obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo.
No evangelho, não há apenas o crer, mas também o obedecer. Hoje, porém, as pessoas creem, mas aquilo em que creem é tão deficiente. Elas não conhecem Aquele em Quem creem — que Ele é o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, a Majestade — e que é preciso se submeter e obedecer.
É por isso que, em Romanos, capítulo 12, encontramos:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
Graças a Deus, nós, que estávamos mortos, agora estamos vivos. Somos pedras vivas. Vocês se lembram de que Pedro disse que essas pedras vivas seriam edificadas juntas como uma casa espiritual.
Mas você sabe que, embora seja uma pedra, uma pedra viva — há vida ali —, também há muito entulho, muita terra e muitas outras coisas sobre você?
Disseram-me que, quando se procura extrair ouro, talvez seja necessário extrair uma tonelada de minério para obter um pouquinho de ouro. Todo o restante é resíduo.
Irmãos e irmãs, vocês sabem que, embora sejamos salvos, embora haja vida em nós, nós nos tornamos pedras? Antes, éramos terra, sabe. Fomos feitos de pó, de terra. Mas o Senhor disse: “Agora você é Pedro. Agora você é uma pedra”.
Embora haja uma mudança dentro de nós, em nosso espírito — nascemos de novo, tornamo-nos pedras —, ainda assim o pó da terra envolve essa pedra. Tudo o que se vê é pó, não pedra.
É como Paulo disse: é como um tesouro em vasos de barro. Nós somos os vasos de barro, e o tesouro está escondido ali. Enquanto esse vaso de barro não for rachado ou quebrado, não há como o resplendor do tesouro brilhar.
Irmãos e irmãs, é isso que somos. Somos pedras vivas, mas há tanto pó e tanta terra ao nosso redor: nossa carne, nossos velhos hábitos, nós mesmos.
A menos que essas coisas sejam tratadas e removidas, como se pode edificar com essas pedras? Elas não conseguem se unir.
Agora, suponha que você tenha uma pedra aqui, uma pedrinha, e que ela esteja envolvida por muita terra. Há outra pedra na mesma condição. Quando você as coloca juntas, elas nem sequer se tocam.
O que se toca é a terra. É exatamente isso que está acontecendo na igreja hoje. Irmãos e irmãs, não encontramos Cristo uns nos outros; encontramos Adão uns nos outros.
E é por isso que a igreja jamais pode ser edificada assim.
É por isso que a cruz precisa operar. Sabe, a cruz é a lei do reino.
A cruz precisa operar em nossa vida para remover todas essas coisas terrenas. Aquilo que é terreno precisa ser removido, para que sejamos um povo celestial.
Aquilo que é natural precisa ser tratado, para que aquilo que é espiritual se manifeste. Aquilo que é de nós mesmos precisa ser tratado, para que aquilo que é de Cristo seja expresso.
Irmãos e irmãs, por quanto tratamento precisamos passar! Isso é a cruz.
A cruz é onde somos crucificados: “Fora com ele”. A cruz é onde somos entregues à morte, para que todas essas coisas sejam removidas.
É muito, muito interessante, porque, quando examinamos as Escrituras, vemos que o apóstolo Paulo, em 1 Coríntios, capítulo 3, disse que o fundamento já foi lançado.
O fundamento não é outro senão Jesus Cristo. Não pode haver outro fundamento. Mas ele disse:
Tenha cada um cuidado de como edifica sobre ele.
Se você edifica com ouro, prata e pedras preciosas, ou se edifica com madeira, feno e palha, um dia o fogo aparecerá.
Se forem madeira, palha e feno, serão queimados. Você será salvo, mas por pouco, por muito pouco. Mas, se edificar com ouro, prata e pedras preciosas, o fogo apenas fará sobressair o brilho. Você será recompensado.
E, naturalmente, conhecemos a recompensa. Isso é suficiente? Vá aos capítulos 21 e 22 de Apocalipse, e você encontrará a Nova Jerusalém. O que encontra ali? Esse é o projeto edificado, concluído.
O que você encontra ali? Descobre que toda a cidade, a Nova Jerusalém, é edificada com ouro, pedras preciosas e ouro — nada mais.
A prata não é mencionada ali porque a obra da redenção já cumpriu sua função.
Sabemos que o ouro representa a natureza divina, a vida de Deus. As pedras preciosas representam o caráter de Cristo. A prata representa a obra paciente do Espírito Santo.
Sabe, as pedras preciosas: nós não somos apenas pedras vivas; devemos ser pedras preciosas. Apenas estar vivo não basta. Você precisa ser precioso.
Nosso Senhor Jesus é, Ele mesmo, uma pedra preciosa. Em Isaías — acho que no capítulo 28 —, Deus disse:
Porei em Sião, como fundamento, uma pedra provada,
uma pedra angular preciosa, de fundamento seguro.
Portanto, nosso Senhor Jesus não é apenas uma pedra, uma pedra provada, uma pedra que foi testada; Ele é uma pedra preciosa. Esse é o fundamento. Agora, a edificação sobre esse fundamento precisa ser feita com pedras preciosas.
Irmãos e irmãs, somos pedras vivas, mas somos realmente pedras preciosas? Tornamo-nos pedras vivas ao receber a Sua vida em nós. Mas como nos tornamos pedras preciosas?
Sabe, as pedras preciosas não são elementos; são compostos. Diferentes elementos são reunidos soberanamente, unidos organicamente, sob pressão, sob calor, na escuridão, durante um longo período. Isso produz pedras preciosas.
Por isso, as pedras preciosas não são baratas. São preciosas.
Como podemos nos tornar pedras preciosas que possam ser incorporadas à edificação daquela cidade, a Nova Jerusalém? Somente se permitirmos que o Espírito Santo disponha assim as nossas circunstâncias.
Chamamos isso de disciplina do Espírito Santo. Essa é a lei do reino. Ele organizará nossas circunstâncias, nos colocará com certas pessoas, nos colocará em determinados lugares, em determinadas situações, e permitirá que certas coisas nos aconteçam.
Tudo isso é pressão. Você sente a pressão do dia a dia? Há calor. Você o sente? Às vezes, parece que tudo é escuridão.
Não é apenas por um dia. Essas coisas vêm sobre você repetidas vezes, durante um longo período. Você não entende por quê. Pensa que sua vida cristã é uma navegação tranquila. Não sabe que ela é o caminho da cruz.
Você está sob pressão, sob fogo, na escuridão. Irmãos e irmãs, o Espírito Santo está reunindo em sua vida as diferentes características do nosso Senhor Jesus.
Uma pessoa pode ser como uma pedra de jaspe. Sabe, na Nova Jerusalém, toda a cidade — o brilho da cidade — é como uma pedra de jaspe. A muralha é construída de jaspe.
Quando você volta a Apocalipse, capítulo 4, encontra Alguém sentado no trono, e a aparência Daquele Que está sentado no trono é como uma pedra de jaspe.
O jaspe representa a aparência de Deus, o resplendor de Deus.
É a primeira pedra que constitui o fundamento da Nova Jerusalém. É a última pedra no peitoral do sumo sacerdote.
Tem uma cor azul, a cor do céu. Fala daquilo que é celestial.
Na antiguidade, acreditava-se que o jaspe representava satisfação. Na igreja primitiva, a tradição associava o jaspe a Pedro.
Pedro encontrou sua satisfação no Senhor:
Senhor, Tu tens as palavras da vida eterna;
e para onde iremos?
Depois de tanto tratamento, Pedro tornou-se uma satisfação para o coração de Deus. Tornou-se celestial, não terreno. Não mais Simão, mas Pedro.
Irmãos e irmãs, uma transformação assim está acontecendo em nossa vida?
Você espera poder viver uma vida carnal durante todos os seus dias e, quando o Senhor vier, ser de repente transformado em jaspe, semelhante a Ele? Nunca.
Você deve ser transformado hoje. A obra está sendo realizada enquanto você está vivo.
Sabe, às vezes, quando acordo pela manhã, agradeço ao Senhor por ainda estar vivo. Ele me deu mais um dia de oportunidade.
Ele quer nos transformar de terrenos em celestiais. Nada terreno pode entrar no céu. Somente aquilo que é celestial pode herdar o reino celestial.
Irmãos e irmãs, encontramos satisfação em nosso Senhor? Precisamos ir ao mundo para obter nossa satisfação? Somos uma satisfação para o nosso Senhor? Ele está satisfeito conosco?
Isso é uma pedra de jaspe. Essa pedra pode ser incorporada à edificação daquela cidade santa, a Nova Jerusalém.
Consideremos outra pedra: o sárdio.
O sárdio é a primeira pedra no peitoral do sumo sacerdote. É a sexta no fundamento da Nova Jerusalém. Voltando a Apocalipse, capítulo 4, você encontra a aparência de Deus no trono semelhante ao jaspe e ao sárdio.
Quanto ao sárdio, ensinam-nos que, em hebraico, אָדֶם significa vermelho. É uma pedra vermelha.
Tradicionalmente, ela é associada ao nosso Senhor Jesus, nosso Salvador, Que derramou o Seu sangue.
Segundo nos dizem, essa é uma pedra que, dentre todas as pedras, pode receber um polimento muito fino. É tão transparente que, quando você a coloca diante da luz, a luz brilha através dela.
Agora, irmãos e irmãs, isso não lhes diz que, por meio do sangue do nosso Senhor Jesus, Ele nos purificou a tal ponto que nos tornamos transparentes?