Por favor, abram em Mateus 24:42. Começaremos nesse versículo.
Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.
Mas considerai isto: se o pai de família soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.
Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis.
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu Senhor constituiu sobre a Sua casa, para dar o sustento a seu tempo?
Bem-aventurado aquele servo que o seu Senhor, quando vier, achar servindo assim.
Em verdade vos digo que o porá sobre todos os Seus bens.
Mas, se aquele mau servo disser no seu coração: O meu Senhor tarda em vir;
E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios;
Virá o Senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe;
E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas: ali haverá pranto e ranger de dentes.
Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do Noivo.
Mateus 25:14 diz:
Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens.
Por favor, abram também em 2 Coríntios 5:9-10.
Pelo que muito desejamos também ser-Lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes.
Porque todos devemos ser manifestados ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.
Querido Pai celestial, queremos mesmo louvar-Te e agradecer-Te por seres tão bondoso, tão gracioso, tão bom e tão misericordioso para conosco. Agradecemos-Te por nos trazeres a esta última manhã. Agradecemos-Te por toda a Tua graça e misericórdia até aqui, e confiamos este tempo às Tuas mãos.
Oramos, Senhor, para que tudo o que ainda precisa ser feito seja feito nesta manhã por meio da Tua Palavra. Cremos que a Tua Palavra é poder. Cremos que a Tua Palavra penetra e divide. Cremos que a Tua Palavra de fato mata e de fato cura. Por isso, entregamos esta manhã às Tuas mãos e pedimos-Te, Senhor, que fales; os Teus servos ouvem. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.
Temos considerado juntos Mateus 24 e Mateus 25. O Rei está vindo. Todos os sinais apontam para o retorno iminente de nosso Senhor Jesus.
Como aguardamos a vinda do Senhor — a Parousia, a presença de nosso Senhor! Ele tem estado ausente há tanto tempo. Temos esperado há tanto tempo. É mais do que justo que Ele venha muito em breve. É isso que aguardamos: a Sua presença.
E sabemos que Ele também tem esperado há muito tempo. Antes mesmo de nos deixar, Ele nos prometeu que voltaria para nos receber para Si mesmo. Durante todos esses anos, Ele tem esperado, esperado e esperado. Ele quer nos receber. Ele quer nos levar para Si mesmo.
Mas, infelizmente, não estamos prontos. A noiva não se preparou, e essa é a única razão pela qual Ele não pode vir para nos receber para Si mesmo.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de considerar juntos, diante do Senhor, o tribunal de Cristo.
Em Romanos 14:10, o apóstolo Paulo, em sua carta aos romanos, estava falando sobre como devemos acolher uns aos outros, até mesmo os que são fracos na fé. Então ele disse:
Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus.
Porque está escrito: Pela Minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de Mim, e toda língua confessará a Deus.
De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
Todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Em 2 Coríntios 5:10, que já lemos, encontramos:
Porque todos devemos ser manifestados ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.
Aqui encontramos o tribunal de Deus e o tribunal de Cristo. Na verdade, é o mesmo tribunal, porque nos lembramos de que, no Evangelho segundo João, o Senhor disse que o Pai entregou o julgamento ao Filho. Portanto, o tribunal de Deus é o tribunal de Cristo.
De acordo com o que lemos, vemos que esse “nós” não se refere aos incrédulos, mas aos crentes. Todos devemos ser manifestados diante daquele tribunal, para sermos julgados segundo as coisas que fizemos no corpo depois de sermos salvos, sejam boas ou más.
Agora, irmãos e irmãs, encontramos entre o povo de Deus um belo pensamento: nós, que cremos no Senhor Jesus, nunca seremos julgados. Bem, isso é verdade.
Cremos no Senhor Jesus como nosso Salvador. Ali, na cruz do Calvário, Ele levou em Seu próprio corpo os nossos pecados e suportou o julgamento que nos era devido. Por causa disso, não seremos julgados.
Em João 5:24, o Senhor disse:
Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a Minha palavra, e crê nAquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.
Porque Cristo foi julgado por nós na cruz, nós, que cremos nEle, não entraremos em juízo. Mas lembrem-se: esse julgamento diz respeito à passagem da morte para a vida. Em outras palavras, nós, que estávamos destinados à morte, fomos libertados da morte para a vida por causa da obra redentora de nosso Senhor Jesus. Ele nos deu a vida eterna.
Portanto, não seremos julgados nessa questão de vida e morte — vida eterna e morte eterna. Isso já foi resolvido. Louvado seja o Senhor.
Um dia, como vemos em Apocalipse 20, este velho céu e esta velha terra passarão. Então será estabelecido o grande trono branco, e todos os que estavam mortos ressuscitarão e comparecerão diante do grande trono branco. Eles serão julgados nessa questão de vida eterna ou morte eterna.
Mas, graças a Deus, nós, que cremos no Cristo crucificado, não passaremos por esse julgamento do grande trono branco. Isso é seguro e certo.
Isso, porém, não significa que não compareceremos perante o tribunal de Cristo. Como povo de Deus, ainda compareceremos perante o tribunal de Cristo.
Antes de entrarmos nesse assunto, creio que há uma questão que precisa ficar clara: precisamos distinguir entre dádiva e recompensa.
Na Bíblia, encontramos a palavra charisma. Ela significa uma dádiva da graça. Deus é um Doador; Ele é Aquele que concede graça a todos. Por ser graça, ela é dada gratuitamente.
Por ser graça, ela é concedida a todos. Em outras palavras, a graça de Deus é dada gratuitamente a todos os que estão dispostos a recebê-la. Sendo graça, ela não exige nada de você. Não exige pagamento. Tudo já foi feito. O Senhor disse:
Está consumado.
Você não pode, nem deve, acrescentar coisa alguma a isso. Tudo o que precisa fazer é recebê-la com gratidão. Isso é dádiva.
A Bíblia nos diz que os dons de Deus são sem arrependimento. Romanos 11:29. Isso significa que, quando Deus nos dá uma dádiva, Ele nunca a toma de volta.
Às vezes, vocês veem crianças brincando juntas com seus brinquedos. Depois de brincarem por algum tempo, curiosamente, parece que todas elas ficam de olho em determinados brinquedos. Então uma delas agarra o brinquedo e não o solta. Às vezes, outra criança chega e diz: “Este brinquedo é meu, não é seu”. Ela quer tomá-lo de volta para si.
Agora, irmãos e irmãs, às vezes sentimos que o nosso Deus é como uma criança. Ele nos deu dádivas. Ele nos deu a vida eterna quando estava contente conosco, ou quando estava de bom humor. Mas, quando está de mau humor, ou descontente conosco, então Ele diz: “Isto é Meu”, e o toma de volta.
Receio que, entre muitos crentes, ainda exista esse tipo de pensamento infantil a respeito de Deus. Nosso Deus não é uma criança; mais do que isso, a Bíblia diz que Ele não é homem para que Se arrependa. Qualquer dádiva que Ele tenha dado gratuitamente a você, Ele não a tomará de volta. Irmãos e irmãs, essa é a segurança da nossa salvação.
Mas há outra palavra: recompensa. A palavra grega é misthos. Ela significa salário, pagamento por serviço e, de modo geral, recompensa.
Por ser uma recompensa, você precisa conquistá-la. Precisa ser considerado digno dela. A recompensa não é dada gratuitamente nem indiscriminadamente. A recompensa só é dada aos que são dignos, aos que a merecem.
A vida eterna é a dádiva de Deus. Portanto, Ele não Se arrependerá de tê-la dado. O reino, o trono, a coroa, o governo e o reinado — essas coisas são recompensas, concedidas apenas aos que demonstraram ser dignos. E elas podem ser retiradas.
Vocês se lembram, em Apocalipse 3, da palavra de Deus à igreja em Filadélfia. É claro que a igreja em Filadélfia é a única igreja para a qual o Senhor não tem censura nem repreensão, somente elogios. Mesmo assim, há uma advertência em Apocalipse 3:11:
Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
Portanto, irmãos e irmãs, lembremo-nos disto: há uma diferença entre dádiva e recompensa. A dádiva é dada gratuitamente, é oferecida a todos, e o Doador nunca Se arrepende de tê-la dado. A recompensa é concedida somente aos que demonstraram ser dignos dela, e existe a possibilidade de ela ser retirada.
Se isso estiver claro em nossa mente, então podemos entrar nessa questão do tribunal de Cristo. Primeiro, a palavra “tribunal”.
Segundo o Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento, de Vine, a palavra traduzida como “tribunal” é bēma, não thronos. Seu significado primário é um passo, uma passada, como em Atos 7:5, na expressão “pôr o pé”. Literalmente, significa uma medida de um pé.
Ela era usada para designar um lugar elevado ou uma plataforma à qual se chegava por degraus. Portanto, bēma é um lugar elevado, uma plataforma.
Originalmente, em Atenas, na colina de Pnyx, onde havia um local de assembleia, os discursos eram proferidos de uma plataforma — isto é, do bēma. Os oradores subiam ao bēma e faziam seus discursos.
Mais tarde, a palavra passou a ser usada para designar um tribunal. Nos tribunais gregos, havia dois lugares elevados: um para o acusado e outro para o defensor. Posteriormente, ela foi aplicada ao tribunal de um magistrado romano.
Vocês se lembram de Mateus 27:19 e João 19:13, onde encontramos Pilatos subindo ao tribunal, ou bēma. Em algumas versões, vocês podem encontrar “trono”, porque os tradutores daquela época não perceberam a diferença entre bēma e thronos.
Em duas passagens, essa palavra é usada para o tribunal divino diante do qual todos os crentes deverão comparecer no futuro. Já lemos essas duas passagens: Romanos 14:10 e 2 Coríntios 5:10.
Ali, eles receberão recompensas por sua fidelidade ao Senhor. Por tudo o que, em sua vida, tiver sido contrário à vontade dEle, sofrerão perda. 1 Coríntios 3:15.
Em 1 Coríntios 3, o apóstolo Paulo disse que era como um sábio construtor — ou, para ser mais exato, como um mestre de obras — e que havia lançado um fundamento. O fundamento não pode ser outro senão Cristo Jesus. Mas então ele disse: “Veja como você edifica sobre ele”.
Em outras palavras, todo crente edifica sobre o fundamento, Cristo, ao longo de sua vida. Depois de crermos no Senhor Jesus, estamos edificando diariamente sobre esse fundamento, seja por nossa vida, nosso trabalho, nossas palavras, nossas ações, nossos pensamentos ou qualquer outra coisa. Todos os dias estamos edificando sobre esse fundamento, Cristo.
Ele disse: “Agora, tenha cuidado com a maneira como você edifica”. Na verdade, o que ele mencionou depois não foi como você edifica, mas com o que você edifica. Alguns edificam com ouro, prata e pedras preciosas; outros edificam com madeira, feno e palha.
Pois chegará o dia em que o fogo aparecerá, e então provará a obra de cada pessoa. Se for madeira, palha e feno, será queimada. Contudo, a própria pessoa será salva. Se for ouro, prata e pedras preciosas, ela será recompensada.
O tribunal deve ser distinguido do trono terreno de Cristo, anterior ao milênio, em Mateus 25:31. Sabemos que, depois de o Senhor vir a esta terra, Ele estabelecerá o trono de Sua glória. Ali, todas as nações que restarem comparecerão diante de Seu trono.
Haverá as nações representadas pelos bodes e as nações representadas pelas ovelhas. Será o julgamento das nações, que acontece antes do milênio. Agora, o bēma, o tribunal de Cristo, não é esse julgamento.
Também não é o mesmo que o julgamento do grande trono branco, posterior ao milênio, em Apocalipse 20:11, diante do qual os mortos comparecerão. Portanto, vocês veem que o tribunal de Cristo não é nem o trono de glória — o julgamento das nações antes do milênio — nem o julgamento dos mortos diante do grande trono branco, depois do milênio. É outra coisa.
O tribunal será realizado em Sua Parousia — isto é, em Sua presença com os Seus santos, depois de Seu retorno para recebê-los para Si mesmo.
Um escritor disse que o tribunal diante do qual os discípulos comparecem é peculiar. É bēma, não thronos: um tribunal para o exame dos discípulos, não um trono para o julgamento de rebeldes. Pois o Juiz é certo Rei que fará um acerto de contas com os Seus servos. Mateus 18:23.
É o primeiro dos três julgamentos de nosso Senhor: Romanos 14:12, Mateus 25:31 e Apocalipse 20:12. Em Seu retorno, o julgamento começa pela casa de Deus.
Os que serão examinados são todos cristãos — somente cristãos. Somente os crentes comparecerão perante o tribunal de Cristo. “Todos nós” significa aqueles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, juntamente com todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor. 1 Coríntios 1:2.
É um exame final de toda a igreja de Deus. Nenhum livro da vida é apresentado, pois não se trata do julgamento dos perdidos. Salmos 1:5:
Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
Portanto, lembrem-se: no tribunal de Cristo, somente os crentes comparecem. É o exame final da casa de Deus. Não tem nada a ver com os incrédulos.
Também não é um julgamento para decidir sobre a vida. Já lemos João 5:24. O crente foi crucificado com Cristo, e, no Calvário, Cristo esgotou as penalidades do inferno. Com base nisso, ele não pode mais ser julgado nessa questão de vida ou morte.
O processo é individual, de modo que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Romanos 14:12. “Nós” significa os cristãos. “Devemos” significa que é inevitável. É universal. “Ser manifestados”, ou “comparecer”, significa que é público. O tribunal tem caráter judicial. Cada um é considerado individualmente, e cada um prestará contas. É responsabilidade diante de Deus; é divino.
Há outra ilustração que podemos usar a respeito dessa questão do tribunal, o bēma. Vocês sabem, no Oriente temos famílias grandes e clãs. De tempos em tempos, há uma reunião familiar.
Todos os membros da família se reúnem em um só lugar. Naquela sala, há um lugar elevado onde se senta o ancião da família, ou o chefe do clã. Todos os membros da família ficam diante dele.
Por ser uma reunião familiar, ninguém além dos membros da família pode participar. Se você não é membro da família, fica de fora. Se é membro da família, precisa comparecer. Portanto, todos os membros da família estarão ali.
Para que serve essa reunião? De tempos em tempos, o chefe da família distribui recompensas ou punições. Se um membro da família fez algo que traz honra e glória ao nome da família, ele será elogiado e recompensado diante de todos os membros da família.
Mas, se algum membro da família fez algo que traz vergonha e desonra à família, então será repreendido diante de todos. Será punido de acordo com o que merece.
Portanto, é uma questão de família. Não é um julgamento de vida ou morte. Quando você comparecer a esse bēma, nunca será excluído da família. Uma vez que nasceu na família, você pertence à família, aconteça o que acontecer.
Mas, como membro da família, você tem certas responsabilidades para com o nome da casa. Por isso, haverá dias em que seremos elogiados ou repreendidos. Bem, esse é o bēma, o tribunal de Cristo.
Vamos considerar a Parousia do Senhor, o arrebatamento dos santos, juntamente com o tribunal de Cristo, porque acontecem juntos.
Irmãos e irmãs, já mencionamos como aguardamos a Parousia de nosso Senhor, a presença de nosso Senhor. Como ansiamos por ser levados, por ser arrebatados à Sua presença e estar ali com Ele!
Esse é o dia que todos aguardamos. É o dia pelo qual esperamos com expectativa e antecipação. É o dia de Cristo, como Paulo mencionou em suas epístolas. Oh, que possamos comparecer diante dEle no dia de Cristo! Aguardamos esse dia com alegria.
É o dia em que estaremos em Sua presença. Sua presença estará conosco, e estaremos todos juntos. Que reunião será aquela! Isso nos introduzirá nas bodas do Cordeiro. Isso abrirá o caminho para o reino milenar, para reinar e governar com Cristo.
Irmãos e irmãs, esse é o dia que todos aguardamos. Até em nossos cânticos e hinos, cantamos sobre esse dia. Louvado seja Deus por isso, porque é assim que deve ser.
É a vontade de Deus que, quando chegar a Parousia, quando acontecer o arrebatamento, seja um dia de alegria. Deve ser um dia de grande regozijo. É um dia em que entraremos em tudo o que Deus preparou para os Seus, em Cristo Jesus, antes mesmo da fundação do mundo.
Mas, irmãos e irmãs, quero realmente chamar a atenção de vocês para o fato de que, na Parousia do Senhor, quando todos formos levados e reunidos em Sua presença nos ares, esse será o momento do tribunal de Cristo.
Antes da manifestação da Parousia de nosso Senhor nesta terra, antes que Ele desça a esta terra, antes que inicie Seu governo e Seu reino nesta terra, quando estivermos reunidos em Sua presença, todos seremos manifestados perante o tribunal de Cristo.
Todos seremos julgados segundo o que fizemos neste corpo depois de sermos salvos, depois de nos tornarmos filhos de Deus, depois de nos tornarmos membros da família de Deus — seja bem, seja mal.
Agora, vocês aguardam esse dia com expectativa? Sabem, o tribunal de Cristo deveria ser um momento de alegria. Por quê? Porque no tribunal de Cristo haverá recompensa.
Haverá recompensa para os que vigiam e oram em todo tempo; para os que guardam a palavra da Sua paciência; para os que vencem pelo sangue do Cordeiro, pela palavra de seu testemunho, e que não amam a vida da própria alma, mesmo diante da morte.
Haverá recompensa para os que negam a si mesmos, tomam a cruz e seguem o Senhor; para os que recebem de boa vontade a disciplina do Pai; para os que são guiados pelo Espírito de Deus.
Irmãos e irmãs, o tribunal de Cristo será, para eles, um dia em que serão vindicados. Todos os seus sofrimentos, tudo aquilo de que abriram mão, tudo aquilo que os fez parecer tolos aos olhos das pessoas — naquele dia, no tribunal de Cristo, eles serão vindicados.
Mas aqueles crentes que não vigiam, que não oram, que estão ansiosos para conseguir tudo o que puderem neste mundo, que não conseguem esperar pelo futuro, que não guardam a palavra da Sua paciência, que insistem em seus direitos aqui e agora, na terra — esses estão derrotados.
O coração deles está ocupado com festas, bebidas e os cuidados da vida. Podem ser vistos pelas outras pessoas como sábios, mas, no tribunal de Cristo, serão desmascarados. Para eles haverá pranto e ranger de dentes.
Queridos irmãos e irmãs, não pretendo jogar um balde de água fria em vocês, mas sinto que há necessidade de uma advertência. Existe uma concepção falsa de que, quando o Senhor vier e formos reunidos a Ele, todos seremos coroados, todos nos sentaremos em tronos e todos governaremos e reinaremos com Cristo.
Estejamos preparados ou não, estejamos prontos ou não, sejamos maduros ou não, pensamos que isso é automático. Mas, se essa é a nossa concepção, de que adianta dizer: “Vigiai e orai”? Por que deveríamos guardar a palavra da Sua paciência?
Por que não aproveitar o melhor dos dois mundos? Hoje procuramos conseguir tudo o que podemos neste mundo, e amanhã reinaremos com Cristo. Irmãos e irmãs, não se deixem enganar.
É importante como vivemos depois de sermos salvos.
Agora, é verdade: não podemos trabalhar para obter a salvação. Ela é a dádiva de Deus. Efésios 2:8 diz:
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não podemos trabalhar para obter a salvação. Mas, em Efésios 2, nessa mesma linha, diz-se que nós, que somos salvos pela graça mediante a fé, fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas.
Em outras palavras, não podemos alcançar a salvação por nossas obras, porque todas as nossas obras são obras mortas, feitas por pessoas mortas. Todas são como trapos de imundícia e não nos cobrirão.
Mas, depois de sermos salvos, depois de termos a vida de Cristo em nós, a nova vida e a nova natureza em nós, é justo que essa nova vida e essa nova natureza se desenvolvam em um novo caráter.
Isso é justo porque vivemos — não nós, mas Cristo em nós. Portanto, deve haver boas obras. Devemos fazer a vontade de Deus.
A maneira como vivemos e o que fazemos depois de O recebermos como nossa vida determinarão, no tribunal de Cristo, o nosso destino: se seremos recompensados ou se sofreremos perda. Mas isso não significa que você perderá a sua salvação.
Não, ela é a dádiva que não conhece arrependimento. Mas você pode perder o reino — o governo e o reinado com Cristo por mil anos.
A. J. Gordon, um querido servo de Deus, disse:
Assim como o legalista se ressente da doutrina de que as boas obras não podem ter nenhuma participação em efetuar o nosso perdão, o evangélico recua diante da ideia de que elas possam constituir qualquer fundamento para a nossa recompensa.
Sabem, o legalista se ressente da doutrina de que ele não pode fazer coisa alguma para obter o perdão, porque pensa que pode. Ele quer obter o perdão e a vida eterna por suas próprias obras. Mas sabemos que ele não pode.
Porém, quando vocês se voltam para os evangélicos, aqueles que creem que somos salvos pela graça mediante a fé, percebem que, entre eles, há uma resistência à ideia de que as obras possam constituir qualquer fundamento para a recompensa. Ambas as posições estão erradas.
Somos salvos pela graça mediante a fé. Mas, depois disso, como membros da família de Deus, nosso Pai celestial espera, sim, que nos comportemos como Seus filhos.
É por essa razão que, em Mateus 24, o Senhor diz:
Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.
Vocês não sabem. Não sabemos quando o Senhor virá — não sabemos a hora nem o dia. Mas uma coisa sabemos. Ele disse: “Mas considerai isto”. Isso é algo que vocês devem saber: se o pai de família soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que sua casa fosse arrombada.
Em outras palavras, não sabemos quando Ele vem, mas sabemos que Ele vem. Por isso, vigiamos, preparados e prontos para Ele a qualquer momento.
Se estamos esperando por Ele e vigiando, então Sua vinda não nos surpreenderá. Não seremos pegos desprevenidos, não porque já sabemos a hora de Sua vinda, mas porque sabemos que Ele vem. Por isso, estamos sempre prontos para Ele.
Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis.
Estejam prontos. Diante da vinda do Senhor, devemos estar sempre prontos. Você pode estar pronto depois desta conferência. Pode voltar para casa e estar pronto durante uma semana, e depois já não estar pronto.
Bem, se o Senhor voltar naquela semana, louvado seja Deus. Mas e se Ele não voltar? Por isso, devemos estar sempre prontos. Contudo, de uma maneira curiosa, sentimos que nunca estamos prontos. Esta é a maneira de estar pronto: sempre pronto e nunca pronto — não o contrário.
Sempre pronto, nunca pronto. Esta é a maneira de estar pronto para a Sua vinda.
Em Mateus 24:45, lemos: “Quem é, pois?”. Sublinhem a palavra pois. Ela indica o momento. Vocês percebem que a parábola contada por nosso Senhor Jesus se refere a esse momento específico. Ela se refere à vinda do Senhor.
Porque o Senhor está vindo, Ele nos desafia. Ele faz a pergunta: “Quem é, pois?”. Ao lerem essa parábola, não pensem que há dois servos aqui. Na verdade, há apenas um. Esse único servo representa todos nós.
Ou você é o servo fiel e prudente, ou você, a mesma pessoa, torna-se o servo mau.
Irmãos e irmãs, no que diz respeito à graça de Deus, à dádiva de Deus e à vida de Deus, todos somos filhos de Deus. Mas, ao mesmo tempo, no que diz respeito à nossa responsabilidade e ao nosso serviço, todos somos servos.
Todos fomos comprados por um preço. Não pertencemos a nós mesmos, e devemos servir ao nosso Senhor. Portanto, aqui vocês encontram a responsabilidade cristã. Nós, que recebemos a graça de Deus, temos uma responsabilidade para com essa graça.
Ele agora está ausente, mas nos confia a Sua casa. A casa aqui é a casa de Deus. Irmãos e irmãs, estamos na casa de Deus.
Nosso Senhor agora está ausente, mas nos confiou os assuntos da casa. Ele quer que cuidemos de fornecer alimento à casa no tempo devido, que nutramos e edifiquemos a Sua casa. Isso Ele nos confiou.
O que é fidelidade? Fidelidade é cumprir diligentemente a vontade do Senhor. O que se exige de um despenseiro é fidelidade. Deus está procurando fidelidade entre o Seu povo.
O que é prudência, ou sabedoria? É conhecer a vontade e o coração do Senhor. Irmãos e irmãs, nós, como servos de Cristo, devemos conhecer a mente e o coração de nosso Senhor.
Devemos compreender como nosso Senhor ama a Sua casa. Ele amou a igreja e entregou-Se por ela. Precisamos conhecer Sua expectativa para essa casa: como Ele a nutre e cuida dela, como Ele a purifica e como espera que essa casa, esse corpo, cresça até a plena maturidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Ele deseja recebê-la como Sua noiva — uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, santa e irrepreensível. Sabem, esse é o coração do Senhor. Devemos conhecê-lo e, conhecendo-o, ser fiéis no cumprimento dessa vontade.
Nós, como servos na casa de Deus, precisamos servir fielmente, distribuindo alimento no tempo devido. É claro que o alimento aqui é Cristo. Ele é o pão da vida.
Nós, que recebemos Cristo, nós, que O experimentamos, devemos contribuir. Devemos compartilhar o Cristo que conhecemos com os membros da casa — para nutri-los e ajudar a edificá-los. Devemos fornecer-lhes alimento no tempo devido.
Essa é a nossa responsabilidade. Infelizmente, vemos que a maioria dos crentes não cumpre sua responsabilidade na casa de Deus.
Lá estamos nós, esperando ser servidos. Nem sequer nos ocorre que Deus nos confiou a casa, que temos uma parte nela. Precisamos contribuir. Precisamos compartilhar com nossos irmãos e irmãs o Cristo que temos conhecido.
Não devemos ser como o mar Morto, que só recebe e nada dá. Na verdade, quanto mais você dá, mais recebe. Mais bem-aventurado é dar do que receber.
Se todos os irmãos e irmãs na casa de Deus fossem fiéis e prudentes, e se todos, segundo a direção do Cabeça e a orientação do Espírito Santo, contribuíssem com alimento para a casa, o povo de Deus não passaria mais fome.
Mas hoje o povo de Deus está morrendo de fome — não apenas porque poucos estão exercendo sua função, mas também porque aquilo que damos não é Cristo.
É por essa razão que precisamos conhecê-Lo: conhecer o poder da Sua ressurreição, a comunhão dos Seus sofrimentos e ser conformados à Sua morte. Não para nós mesmos, mas para que possamos edificar a casa de Deus em amor.
Então seremos servos fiéis e prudentes. Irmãos e irmãs, quando o Senhor voltar, Ele colocará nas mãos do servo fiel e prudente todos os Seus bens.
Nosso irmão já mencionou Daniel. Vocês veem que, quando Cristo vier, não somente Ele possuirá o reino, mas também os santos do Altíssimo possuirão o reino.
Mas a mesma pessoa pode se tornar um servo mau. Por que ele é mau? Tudo começa com um pensamento, e o pensamento é este:
O meu Senhor tarda em vir.
Irmãos e irmãs, se temos esse pensamento mau — de que Ele demora a vir, de que ainda haverá muitos dias, muitos meses e muitos anos pela frente —, então não precisamos ser cuidadosos, vigilantes ou diligentes.
Então vocês veem que essa mesma pessoa se torna má e começa a espancar os seus conservos. Sabem, irmãos e irmãs, se não temos amor pela igreja, se não servimos aos nossos irmãos e irmãs, então, quando somos incomodados e ficamos descontentes, espancamos os nossos conservos.
Vejam como o povo de Israel tratou Moisés e Arão. E não é só isso: eles também comem e bebem com os ébrios. Em outras palavras, tornam-se amigos do mundo.
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Embora seja salvo, um crente, ele se comporta como um incrédulo. Faz de seus irmãos e irmãs seus inimigos; faz do mundo seu amigo.
Você pode fazer isso, mas tenha cuidado. No dia e na hora em que ele não espera, o Senhor vem. E então, o que acontece?
Entre o povo de Deus, nem sequer ousamos falar sobre essas passagens. Procuramos evitar essas mensagens. Às vezes, quando falamos sobre essas passagens, dizemos: “Ah, isso se refere aos incrédulos. Não é para nós”.
Mas, se você é servo de Cristo, se foi comprado por Ele, então todas essas palavras se referem aos crentes.
Está escrito em Mateus 24:51:
E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas: ali haverá pranto e ranger de dentes.
É claro que se trata de uma figura. Se uma pessoa é cortada em duas, o que isso significa? Significa morte — morte — e ter sua parte com os hipócritas, porque ela age como um hipócrita.
Por outro lado, ele é um crente, mas age como uma pessoa mundana. Portanto, aos olhos de Deus, é um hipócrita. Em outras palavras, durante o tempo do reino, ele não poderá desfrutar da vida. Para ele, será morte. Isso não significa que ele perde a vida eterna.
Nas Escrituras, há várias passagens que nos dizem que, na era vindoura, existe, para os crentes, a possibilidade de não desfrutar da vida.
Como em Apocalipse, onde é prometido aos vencedores que Ele não apagará seus nomes do livro da vida. Isso se refere à era do reino. Na era do reino, o nome de alguém que não vence pode ficar encoberto, porque ele é cortado em duas partes.
Há muitas passagens das Escrituras que eu poderia citar. Isso é muito sério, irmãos e irmãs. O pranto e o ranger de dentes serão um grande pesar: por amor a um pouco de conforto, prazer e ganho, e ao pouco tempo que vivemos hoje, perdemos o grande peso de glória que Deus destinou para nós.
Não temos tempo para entrar nas parábolas das virgens e dos servos. Mas, ao concluir, gostaríamos de considerar o que lemos em 2 Coríntios 5.
Pelo que muito desejamos também ser-Lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes.
Diante do fato de que todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, fazemos disso o nosso alvo. Diferentes versões usam palavras diferentes. Algumas dizem: “Nós trabalhamos”. Outras dizem: “Nós nos esforçamos”. Ou: “Temos essa ambição”.
Sabem, irmãos e irmãs, devemos ter ambição. Diante da vinda do Senhor, diante do tribunal de Cristo, devemos ter uma ambição.
Qual é a nossa ambição? Quer presentes, quer ausentes — isto é, quer vivamos, quer morramos —, queremos ser agradáveis a Cristo. Ou, como dizem algumas versões, queremos agradar-Lhe.
Irmãos e irmãs, o Senhor está vindo. O Rei está vindo. Ele está vindo com glória. Ele está vindo com o Seu reino. Ele está vindo para julgar os Seus santos. Ele está vindo para recompensar os que são fiéis.
Se sabemos disso, não devemos ser zelosos? Não podemos nos dar ao luxo de ser mornos. Não devemos nos esforçar e trabalhar? Não podemos ser preguiçosos e indolentes. Não devemos ter ambição — em vez de ser passivos, em vez de ser negativos?
Deve haver um desejo ardente dentro de nós. Oh, porque Ele está vindo em glória, queremos viver de modo que Lhe agrade. Queremos agradar-Lhe. Queremos fazer tudo o que O deixe feliz.
Se fizermos isso, então, quando comparecermos diante dEle, não seremos envergonhados, e Ele não Se envergonhará de nós.
Portanto, irmãos e irmãs, o que precisamos fazer é simplesmente isto: precisamos viver diariamente à luz do tribunal de Cristo.
Todos os dias, deixemos que a luz do tribunal de Cristo brilhe sobre nós. Não permitam que um dia passe deixando alguma coisa pendente: um pecado não confessado, uma desobediência não tratada, uma controvérsia não resolvida.
Irmãos e irmãs, vivemos diariamente à luz do tribunal de Cristo, como se o tribunal de Cristo fosse agora. Deixemos que essa luz brilhe sobre nós.
Que, a cada dia, todos os nossos fracassos, todos os nossos pecados e todas as nossas faltas sejam confessados. Não somos perfeitos, mas que todos os nossos pecados e faltas sejam confessados e colocados sob o sangue do Cordeiro.
Tudo o que estiver sob o sangue não será exposto no tribunal de Cristo. Mas tudo o que não estiver sob o sangue será anunciado e declarado pública e abertamente no tribunal de Cristo.
Oh, o sangue do Cordeiro — como precisamos do sangue!
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Andemos diariamente à luz do tribunal de Cristo. Diariamente, neguemos a nós mesmos, tomemos a nossa cruz a cada dia e sigamos a Ele. Diariamente, façamos a Sua vontade — não para agradar a nós mesmos, nem mesmo para agradar a outras pessoas, mas vivamos para agradar a Ele.
Assim como nosso Senhor agradou ao Pai em todos os dias de Sua vida na carne, se fizermos isso, irmãos e irmãs, não haverá necessidade de temer o tribunal de Cristo. Pelo contrário, vocês aguardarão esse dia com expectativa, porque sabem que Lhe agradaram, porque sabem que tudo será vindicado.
Portanto, irmãos e irmãs, não quero terminar deixando vocês com uma nota negativa. Ela deve ser positiva. O tribunal de Cristo acontece naquele dia glorioso de Sua presença e de nossa reunião com Ele.
Meus queridos irmãos e irmãs, que seja glorioso quando Ele vier.
Querido Pai celestial, nossa oração nesta manhã é que, por termos aprendido a agradar-Te hoje, possamos aguardar com expectativa o dia de Cristo, quando compareceremos perante o Teu tribunal, sabendo que Te agradamos. Não há nada a temer.
Senhor, pedimos-Te que possamos viver diariamente à luz daquele dia, para que, quando ele chegar, seja verdadeiramente um dia glorioso. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.