Por favor, abram em Mateus 24.
Mateus 24:3:
E, estando nosso Senhor assentado no monte das Oliveiras, os discípulos aproximaram-se Dele em particular, dizendo: “Dize-nos: quando acontecerão estas coisas, e qual é o sinal da Tua vinda e da consumação da era?”
Mateus 24:37-39:
Mas, como foram os dias de Noé, assim também será a vinda do Filho do Homem.
Pois, como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca,
e não o souberam até que veio o dilúvio e levou a todos; assim também será a vinda do Filho do Homem.
Mateus 24:27:
Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e brilha até o ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem.
Vamos orar?
Senhor, estamos na Tua presença e tiramos os nossos sapatos, porque estamos em terra santa. Pedimos, Senhor, que nos livres de tudo o que é da carne, de nós mesmos.
Oramos para que, neste exato momento, fales conosco por meio da Tua Palavra, para que não apenas compreendamos, mas entremos no espírito da Tua Palavra.
Senhor, oramos para que a Tua vinda não seja apenas algo que reconhecemos, mas pedimos que cries em nós um anseio pela Tua vinda.
Senhor, entregamos este tempo nas Tuas mãos e confiamos que o Teu Espírito Santo realizará a obra que ordenaste para esta hora. Nós Te damos todo o louvor, a glória e a honra, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Como vocês sabem, nós três irmãos temos tarefas diferentes. A minha tarefa é tratar do Discurso do Monte das Oliveiras, registrado em Mateus 24 e Mateus 25.
Na minha primeira sessão, compartilhamos sobre os sinais dos tempos. Irmãos e irmãs, estamos vivendo no tempo do fim, nos últimos dos últimos dias. Cabe a nós conhecer os sinais do nosso tempo.
A razão não é simplesmente adquirir algum conhecimento, mas, conhecendo os sinais dos tempos, sabermos como nos comportar. Precisamos saber como estar prontos, preparados diante do Senhor.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante. Gostaríamos de considerar juntos, diante do Senhor, a vinda do Senhor, ou a Parousia, porque a palavra “vinda” ali é Parousia: a presença do Senhor.
Em Mateus 23:39, nosso Senhor Jesus chorou sobre Jerusalém. Ele disse:
Jerusalém, Jerusalém, a cidade que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, mas vós não quisestes!
Eis que a vossa casa vos é deixada deserta.
Pois Eu vos digo: de modo algum Me vereis daqui em diante, até que digais: “Bendito Aquele que vem em nome do Senhor”.
Nosso Senhor Jesus contemplou a cidade de Jerusalém. Ele havia visitado aquela cidade muitas vezes durante os cerca de três anos e meio em que caminhou neste mundo. Mas aquela foi a última vez que Ele veio a Jerusalém antes da Sua crucificação.
Ele contemplou novamente aquela cidade e chorou sobre ela. Disse: “Como Eu desejo colocar vocês debaixo das Minhas asas, assim como a galinha cobre os pintinhos, mas vocês não quiseram. Portanto, a casa de vocês lhes será deixada deserta”.
Então Ele disse:
De modo algum Me vereis daqui em diante, até que digais: “Bendito Aquele que vem em nome do Senhor”.
Ou, literalmente: “Bendito é Aquele que vem em nome do Senhor”.
Em outras palavras, o Senhor disse: “Eu vim a vocês repetidas vezes, e agora esta é a última vez. Vou deixá-los. Vocês não Me verão novamente. Estarei ausente até o dia em que disserem: ‘Bendito Aquele que vem em nome do Senhor’”.
Assim, vemos nosso Senhor Jesus antes da Sua partida de Jerusalém, da nação de Israel. Seria uma longa ausência, mas Ele prometeu que viria novamente. Quando eles disserem: “Bendito é Aquele que vem em nome do Senhor”, será o momento em que Ele retornará.
Nosso Senhor Jesus veio pela primeira vez há cerca de dois mil anos. Quando veio pela primeira vez, veio como o Cordeiro de Deus. Veio para salvar, não para condenar.
Mas Ele virá pela segunda vez e, quando vier pela segunda vez, virá como o Leão de Judá, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Ele virá para julgar e governar.
Assim como a Sua primeira vinda é um fato, também será a Sua segunda vinda.
Em Mateus 24, quando o Senhor saiu de Jerusalém e deixou o templo, vocês se lembram de que os discípulos se aproximaram Dele e disseram: “Olha estas pedras e esta beleza — magníficas, gloriosas”.
Mesmo assim, o Senhor disse: “Não ficará pedra sobre pedra”. Em outras palavras, haveria uma ruína completa.
Então os discípulos se aproximaram do Senhor em particular, quando Ele estava assentado no monte das Oliveiras, e disseram:
Quando acontecerão estas coisas? E qual é o sinal da Tua vinda e da consumação da era?
Já mencionamos que a pergunta “Quando acontecerão estas coisas?” se refere ao fato de não ficar pedra sobre pedra. Isso se cumpriu literalmente no ano 70 d.C.
Mas os discípulos perguntaram:
Quando acontecerão estas coisas? E qual é o sinal da Tua vinda e da consumação da era?
É claro que, naquele momento, os discípulos não sabiam que haveria um intervalo entre a destruição de Jerusalém e o sinal da Sua vinda e da consumação da era. Eles pensavam que todas essas coisas aconteceriam juntas. Se Jerusalém fosse destruída, se o templo fosse destruído, então, de repente, chegaria o fim da era e o Senhor retornaria.
Eles não sabiam, mas hoje nós sabemos que existe a era da igreja, a dispensação da graça, a longanimidade do nosso Senhor Jesus.
“Quando acontecerão estas coisas?” já se cumpriu. Agora a pergunta é: “Qual é o sinal da Tua vinda e da consumação da era?” Os discípulos criam na vinda do Senhor.
A vinda do Senhor na qual eles criam não se refere à Sua vinda no Espírito Santo. Lembramos que, em João 14, nosso Senhor Jesus disse: “Não fiquem entristecidos. Eu vou, mas é para o bem de vocês. Voltarei novamente. Enviarei a vocês o Consolador, o Espírito Santo, e Ele habitará em vocês. Ele nunca os deixará nem os abandonará”.
O Senhor disse: “Eu venho a vocês. Eu venho”. Mas, é claro, em João 14, quando Ele disse: “Eu venho”, isso se refere à Sua vinda no Espírito Santo.
Mas, quando os discípulos Lhe perguntaram: “Qual é o sinal da Tua vinda?”, não estavam se referindo à Sua vinda no Espírito Santo. Graças a Deus, Ele veio no Espírito Santo. Ele está conosco hoje. Nunca nos deixa nem nos abandona, e isso é verdade.
Mas a vinda sobre a qual os discípulos Lhe perguntaram não se referia a isso. Eles se referiam à vinda física do nosso Senhor Jesus. Assim como a Sua primeira vinda foi física, também será a Sua segunda vinda. Assim como a Sua primeira vinda foi literal, também será a Sua segunda vinda.
Portanto, irmãos e irmãs, nesta manhã não estamos falando da vinda espiritual do nosso Senhor Jesus — da Sua vinda no Espírito. Graças a Deus, Ele já veio. Mas estamos falando da Sua segunda vinda.
Assim como Ele veio pela primeira vez, virá fisicamente. Haverá a Sua presença neste mundo, e essa é a vinda que estamos considerando juntos.
Para conhecermos a vinda do Senhor, penso que precisamos conhecer a palavra “vinda”. No grego, são usadas diferentes palavras que são traduzidas como “vinda” em inglês. Basicamente, há três palavras diferentes.
Uma delas é Parousia. A palavra traduzida como “vinda” aqui em Mateus é justamente esta: Parousia. E Parousia significa simplesmente “presença”. Portanto, a vinda do Senhor aqui é, na verdade, a presença do Senhor.
Essa palavra é usada vinte e quatro vezes no Novo Testamento. Sete vezes se refere a homens, mas dezessete vezes se refere ao nosso Senhor Jesus.
Para que vocês possam consultar essas passagens depois, vou apenas dar as referências:
Nessas dezessete passagens, a palavra “vinda” é Parousia: a presença do Senhor.
Outra palavra usada para a Sua vinda é apokalypsis. Significa desvelamento, ou revelação. Essa palavra é usada em 1 Pedro 1:7, 13; 1 Pedro 4:13; 1 Coríntios 1:7; e 2 Tessalonicenses 1:7.
Há uma terceira palavra, epiphaneia, que significa aparecimento. Ela é usada em 1 Timóteo 6:14; 2 Timóteo 1:10; 2 Timóteo 4:1, 8; Tito 2:13; e 2 Tessalonicenses 2:8.
Além dessas três palavras gregas, há outra palavra relacionada à palavra “vinda”: erchomai. Significa “vir”; é um verbo.
Agora, é muito importante compreender a palavra Parousia, porque a falta de compreensão do significado dessa palavra causa muita confusão entre o povo de Deus quando falamos da vinda do Senhor.
Vou apresentar duas definições da palavra Parousia. No dicionário de palavras gregas do Novo Testamento de Vine, ele diz que Parousia é, literalmente, “uma presença”.
Para significa “com”, e ousia significa “ser”. A palavra denota tanto uma chegada quanto a presença junto a alguém que se segue a essa chegada.
Paulo fala da sua Parousia em Filipenses 2:12, em contraste com a sua apousia, a sua ausência. Quando escreveu uma carta aos filipenses, ele lhes disse que esperava estar presente com eles. Esperava ser libertado da prisão em Roma e estar presente com eles, assim como estava ausente deles no momento em que escrevia.
A mesma palavra também é usada para descrever a presença de Cristo com os Seus discípulos no monte da Transfiguração. Ali, nosso Senhor Jesus levou três discípulos ao monte e foi transfigurado. A palavra usada é Parousia: a Sua presença com eles.
Quando essa palavra é usada para o retorno do Senhor e o arrebatamento da igreja, ela não significa apenas a Sua vinda momentânea para buscar os Seus santos, mas a Sua presença com eles desde aquele momento até a Sua revelação e manifestação ao mundo.
Essa é a definição de Vine. Outro estudioso disse que a palavra Parousia era usada no Oriente, no primeiro século, como uma expressão técnica para a visita real de um rei ou imperador. A palavra significa “o estar ao lado”, ou seja, a presença pessoal.
Portanto, sabemos que essa palavra, Parousia, significa presença.
É uma palavra que não se refere apenas a um acontecimento. É uma palavra que abrange uma série de acontecimentos.
É uma palavra que não se refere apenas a um momento. É usada para indicar um período de tempo, e, durante esse período, vários acontecimentos ocorrem.
Às vezes, quando vocês leem a Escritura e a palavra Parousia aparece, percebem que ela se refere aos sinais da Parousia do Senhor. Como em Mateus 24:3, quando os discípulos disseram: “Qual é o sinal da Tua Parousia, da Tua presença?”
Em outras ocasiões, quando a palavra é usada, ela fala da promessa da Sua vinda:
Onde está a promessa da Sua vinda?
Como em 2 Pedro 3.
Às vezes, essa palavra se refere ao fato da Parousia, ao próprio fato da Sua presença. Em outras ocasiões, é usada para mostrar como precisamos nos preparar para a Sua presença, ou como estaremos diante da Sua presença. Em outras passagens, fala do que acontecerá na Sua presença.
Assim, vocês percebem que a palavra “vinda”, Parousia, na verdade abrange um período de tempo e uma série de acontecimentos.
Ela não se refere apenas a um momento ou a um acontecimento. Essa é a razão de estarmos tão confusos hoje a respeito da vinda do Senhor.
Normalmente, pensamos na vinda do Senhor como o Seu aparecimento nesta terra, e entendemos que isso é a vinda do Senhor. Bem, isso é verdade. Um dia Ele será manifestado; Ele aparecerá a este mundo.
Mas isso é apenas o fim da Parousia. A Parousia tem um começo e tem um fim.
Para compreendermos, penso que a melhor maneira de explicar isso é voltar ao livro de Atos. Por favor, abram em Atos 1.
Em Atos 1, vemos que, depois da ressurreição do nosso Senhor, Ele apareceu aos Seus discípulos durante quarenta dias. Então levou os Seus discípulos ao monte das Oliveiras, e ali ascenderia ao céu, retornando ao Seu Pai.
Os discípulos se reuniram diante Dele e Lhe perguntaram: “Senhor, é este o tempo em que restaurarás o reino a Israel?” E Ele lhes disse:
Não vos pertence conhecer os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu pela Sua própria autoridade.
Mas recebereis poder, ao vir sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.
Atos 1:9-11 diz:
E, tendo dito estas coisas, foi elevado, enquanto eles O contemplavam, e uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos.
E, estando eles com os olhos fitos no céu enquanto Ele subia, eis que dois homens se puseram ao lado deles, vestidos de branco,
os quais também disseram: “Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Este Jesus, que dentre vós foi recebido no céu, assim virá, da mesma maneira como O vistes ir para o céu”.
O Senhor foi elevado ao céu. Eles O viram subir, e então uma nuvem O recebeu. Não podiam mais vê-Lo, mas continuavam olhando para cima.
Enquanto olhavam para cima, dois homens apareceram com vestes brancas e disseram: “Homens da Galileia, por que estão olhando para cima? Esse mesmo Jesus, que foi elevado dentre vocês, voltará da mesma maneira”.
Em diferentes versões, encontramos “de igual modo”, “da mesma forma”, “do mesmo jeito” ou “da mesma maneira”. Todas significam a mesma coisa. Em outras palavras, a maneira como Ele retornará será a mesma como Ele foi.
Agora, como o Senhor Jesus foi? Vemos que o Senhor Jesus estava entre outras pessoas e, do meio delas, foi elevado.
Quando Ele foi elevado do monte das Oliveiras, todos os discípulos O viram. Então uma nuvem O recebeu e, quando a nuvem O recebeu, eles ainda podiam vê-Lo? Não, não podiam vê-Lo. Mas Ele continuava subindo.
Como sabemos que Ele ascendeu ao céu? Vocês se lembram de quando Elias foi levado? Os filhos dos profetas não acreditaram. Disseram a Eliseu: “Permita que enviemos um grupo de busca, porque provavelmente Deus o tomou e o lançou em algum outro lugar”.
Então enviaram um grupo de busca, mas não conseguiram encontrá-lo, porque o Senhor o havia levado.
Portanto, irmãos e irmãs, sabemos que o Senhor deixou o monte das Oliveiras. Sabemos que Ele subiu. Mas como sabemos que Ele chegou ao céu? Onde está a evidência? Como sabemos?
Graças a Deus, nós sabemos. Em primeiro lugar: no dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi derramado.
Nosso Senhor Jesus foi elevado ao céu e, ali, ao entrar no céu, foi ungido por Deus como Cristo, o Senhor.
No Salmo 133, vemos essa figura: o óleo caiu sobre a cabeça de Arão, desceu pela sua barba e desceu até cobrir as suas vestes, chegando à orla delas.
Essa é a figura. Nosso Senhor Jesus ascendeu ao céu e Se tornou nosso Sumo Sacerdote. Ele foi ungido por Deus e, porque foi ungido, o Espírito Santo desceu sobre a igreja.
Assim, no dia de Pentecostes, vemos que o Espírito Santo veio. Essa é a prova de que nosso Senhor Jesus havia chegado ao céu e fora ungido como o Senhor do universo, como o Ungido de Deus.
Há outra prova. Vocês a encontram em Apocalipse 5. Ali, João, no Espírito, foi levado ao céu e viu uma representação da ascensão do nosso Senhor Jesus.
Havia Alguém assentado no trono, com um livrinho na mão, o título de propriedade do universo. Então um anjo proclamou com voz poderosa: “Quem é digno de tomar esse livro e abrir os selos?”
A voz foi ouvida no céu, na terra e debaixo da terra, mas ninguém era digno. Por causa disso, João chorou, pois compreendeu que aquele livrinho era o título de propriedade do universo. Se não houvesse ninguém capaz de tomá-lo e abrir os selos — isto é, de executar o plano eterno de Deus —, então tudo estaria acabado.
Então um dos vinte e quatro anciãos o consolou e disse: “Não chores, porque há Um que é digno: o Leão de Judá. Ele venceu”.
Imediatamente, João viu um Cordeiro, recém-morto, em pé diante do trono. Ele tomou o livro da mão Daquele que estava no trono.
E, irmãos e irmãs, que adoração se levantou no céu! Não apenas dos vinte e quatro anciãos e dos seres viventes: houve uma proclamação, e o universo inteiro adorou e louvou, porque há Um que é digno, e Ele executará o plano de Deus.
Essa é a evidência pela qual sabemos que nosso Senhor Jesus chegou.
Assim, vemos que, na Sua partida, a primeira etapa foi visível: do monte das Oliveiras até a nuvem. Mas a segunda etapa foi invisível: da nuvem até o trono.
Esses dois homens disseram: “Ele virá da mesma maneira, da mesma forma”. Só que em ordem inversa.
Em outras palavras, a Sua Parousia, a Sua presença, a Sua vinda, começará quando Ele deixar o trono e vier para os ares. Mas essa etapa é invisível.
Então, na segunda etapa, Ele virá dos ares ao monte das Oliveiras. Como vemos em Zacarias 14, os Seus pés tocarão o monte das Oliveiras, e o monte das Oliveiras se dividirá em dois. Isso é visível.
Portanto, irmãos e irmãs, a Sua vinda começa quando Ele deixa o trono para vir aos ares, e depois vem dos ares à terra. Tudo isso está incluído na Sua vinda, na Parousia, na presença do Senhor.
Assim, vocês percebem que ela realmente inclui uma série de acontecimentos.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse que a Sua vinda é como a de um ladrão. Em Mateus 24:42-44, vamos ler:
Vigiai, pois, porque não sabeis em que hora vem o vosso Senhor.
Mas sabei isto: se o dono da casa soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não permitiria que a sua casa fosse arrombada.
Por isso, estai vós também preparados, porque o Filho do Homem vem numa hora em que não pensais.
Aqui, o Senhor Jesus disse que não sabemos a hora da Sua vinda. Ninguém sabe. Não sabemos a hora, nem a época, nem o tempo. Somente o Pai sabe.
A nossa curiosidade realmente toma conta de nós. Ao longo da história da igreja, sempre houve entre os crentes essa curiosidade de saber exatamente o tempo, a hora da Sua vinda. Tentamos calcular e descobrir exatamente em que ano, em que mês, em que dia, ou até em que hora Ele virá.
Na história da igreja, vemos que as pessoas têm feito isso, e muitas foram enganadas por essas previsões. Mesmo recentemente, surgiu outra previsão assim, e muitos cristãos evangélicos se deixaram levar por ela.
Mas o Senhor já nos disse: “Vocês não sabem”. Ele não nos permite saber, e a razão de não nos permitir saber é para que estejamos sempre vigilantes, preparados e prontos.
Se Ele nos dissesse que viria no ano 2000 d.C., então, irmãos e irmãs, pensaríamos que ainda teríamos alguns anos para viver a nossa vida e fazer as nossas próprias coisas. Depois, quando a Sua vinda estivesse próxima, despertaríamos.
Mas o Senhor conhece a nossa natureza. Essa é a razão de Ele não nos dizer. Se Ele não nos diz, não tentem descobrir, porque, de qualquer maneira, vocês não saberão.
Ele disse que a Sua vinda é como a de um ladrão. Se vocês souberem quando o ladrão virá, estarão preparados para ele. Será que o ladrão tocará uma trombeta e dirá: “Estou chegando”? Não.
Hoje, quando pensamos na vinda do Senhor, nós a relacionamos com a trombeta e com o som da trombeta. Então o Senhor vem. É verdade: Ele virá com uma trombeta. Mas Ele disse que virá como um ladrão.
Curiosamente, o ladrão parece sempre saber quando vocês não estão preparados. Parece que ele tem um instinto. Quando vocês estão preparados e prontos, ele não aparece. Mas, curiosamente, no exato momento em que vocês não estão vigilantes, ele vem.
Ele vem silenciosamente, secretamente, inesperadamente. De repente, vocês percebem que ele já veio. Roubou o que havia de melhor e foi embora. É assim que ele vem: de modo invisível. Um ladrão é quase como uma pessoa invisível.
É assim que o Senhor virá: como um ladrão.
Curiosamente, Ele também disse que a Sua vinda é como um relâmpago. Em Mateus 24:21-27, lemos:
Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.
E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne seria salva; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados.
Então, se alguém vos disser: “Eis aqui o Cristo”, ou: “Ei-Lo ali”, não acrediteis.
Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e mostrarão grandes sinais e prodígios, de modo a enganar, se possível, até os eleitos.
Eis que de antemão vos tenho dito.
Portanto, se vos disserem: “Eis que Ele está no deserto”, não saiais; “Eis que Ele está nos aposentos interiores”, não acrediteis.
Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e brilha até o ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem.
A grande tribulação virá. Estritamente falando, essa passagem se refere aos eleitos, ao povo escolhido, ao povo judeu, porque a grande tribulação para o povo judeu é a angústia de Jacó.
Nos últimos dias, haverá a angústia de Jacó, como foi profetizado em Jeremias. Eles passarão por grande aflição e, quando passarem por essa grande aflição, naturalmente esperarão que o Messias venha para libertá-los.
Por haver essa expectativa dentro deles, surgirão falsos profetas e falsos cristos. Eles poderão até realizar falsos prodígios para enganar, se possível, até os eleitos.
Haverá profetas dizendo: “Cristo veio. Ele está no deserto”. O Senhor diz: “Não saiam”. Ou algumas pessoas dirão: “Ele está escondido nos aposentos interiores”, de maneira muito misteriosa. Não acreditem.
Quando Ele vier, virá como um relâmpago. Quando o relâmpago brilha, é visto do oriente ao ocidente. Em outras palavras, todos o veem. É público e manifesto. Todos O veem.
É assim que Ele virá.
Agora, irmãos e irmãs, parece que essas duas metáforas são contraditórias. Por um lado, vemos que Ele virá como um ladrão: oculto, secreto, invisível, de repente. Por outro lado, Ele virá como um relâmpago: público, manifesto, visível. Todos saberão.
Há alguma contradição? Não. A razão é que a palavra “vinda”, Parousia, significa presença. A Sua presença começa como a de um ladrão e termina como um relâmpago.
Em outras palavras, irmãos e irmãs, um dia o Senhor virá como um ladrão — sem aviso, sem anúncio. De repente, Ele virá e levará aqueles que Lhe são mais preciosos.
Um dia, de repente, em todo o mundo, vocês perceberão muitas ausências. Certas pessoas terão desaparecido. Isso dá início à Parousia.
Depois que esses forem levados ao trono, acontecerá o que vemos em Apocalipse 12: quando o filho varão nascer, será levado ao trono. Haverá guerra no céu, e Satanás será lançado dos ares à terra.
Vocês sabem, o quartel-general de Satanás hoje está nos ares. Essa é a razão de, em Gênesis 1, quando Deus restaurou esta terra arruinada, no segundo dia, ao restaurar o firmamento, Ele não ter dito que era bom.
Os ares se tornaram o quartel-general do inimigo. Ele é o poder maligno dos ares, governando sobre esta terra, assim como os ares envolvem a terra.
Mas Satanás será lançado dos ares à terra. Por quê? Os ares precisam ser desocupados para que o Senhor desça do trono aos ares. Isso faz parte da Parousia, invisível ao homem.
Quando o Senhor vier aos ares com aqueles que já tiverem sido levados, considerem o que acontecerá nesta terra.
Quando Satanás estiver literalmente nesta terra com as duas bestas — o anticristo e o falso profeta, a trindade do mal —, o que se poderá esperar neste mundo, senão a grande tribulação, a angústia de Jacó?
Será uma grande provação para aqueles que ainda permanecerem nesta terra. Será uma grande provação para o povo judeu, que crê em um só Deus, porque a besta mandará erguer uma imagem, e todos terão de adorá-la como Deus. Não lhes será permitido adorar nenhum outro.
A grande tribulação estará acontecendo nesta terra, e isso faz parte da Parousia.
Depois da grande tribulação, lembrem-se de Apocalipse 14. Vemos Alguém assentado sobre a nuvem, com uma coroa de ouro. Ele tem uma foice na mão, e uma voz vem do trono e diz: “A seara está pronta. Lança a foice e faze a colheita”.
Quem é Aquele que está assentado sobre a nuvem, com uma coroa de ouro? É o nosso Senhor. Ele colherá o Seu povo.
Isso está em 1 Tessalonicenses 4. Quando os mortos em Cristo forem ressuscitados, e aqueles que estiverem vivos e permanecerem — agora, lembrem-se de que há uma expressão que diz “vivos e permanecerem”. Em outras palavras, haverá alguns vivos que não permanecerão; eles já terão ido.
Os mortos em Cristo serão ressuscitados, e aqueles que estiverem vivos e permanecerem serão transformados. Todos serão arrebatados aos ares para encontrar o Senhor nos ares.
Quando isso acontecer, haverá a trombeta: a colheita.
Quando toda a igreja estiver reunida na presença do Senhor, haverá o tribunal de Cristo. O julgamento começará pela casa de Deus. Isso está incluído na Parousia.
Sobre a terra, a ira de Deus será derramada nas sete taças. O dia do Senhor terá chegado. Essas coisas estão incluídas na Parousia.
Quando essas coisas chegarem ao fim, então nosso Senhor Jesus virá com o Seu exército — chamados, escolhidos e fiéis. Ele será revelado em grande glória.
Haverá a última guerra, a guerra do Armagedom. Satanás será preso, acorrentado e lançado no abismo. O falso profeta e o anticristo serão lançados no lago de fogo.
Irmãos e irmãs, esse é o fim da Parousia. Assim, vemos que a Parousia, a presença do Senhor, inclui um período de tempo e abrange uma série de acontecimentos.
Agora, qual é o sinal da Tua vinda — o sinal da presença do Senhor?
Temos um sinal de início e um sinal de término. O sinal de início é o arrebatamento dos santos preparados.
Irmãos e irmãs, um dia — não sabemos quando, provavelmente no momento mais inesperado —, de repente, em todo o mundo, certas pessoas desaparecerão.
Quando isso acontecer, vocês saberão que a Parousia começou.
Até onde compreendo, não há nenhuma profecia que precise se cumprir antes que isso possa acontecer. É verdade que há profecias referentes à Sua vinda que ainda precisam se cumprir. Mas, até onde consigo compreender, não vejo nenhuma profecia que precise se cumprir antes que esse sinal possa acontecer.
Isso pode acontecer a qualquer momento. Irmãos e irmãs, essa é a razão de precisarmos vigiar e orar. Bem-aventurados os que forem levados.
Esse será o sinal do início da Sua vinda.
Há outro sinal, o sinal do término da Sua vinda. Ele se encontra em Mateus 24:30:
E então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e então todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória.
Na verdade, não sabemos qual é esse sinal. Diferentes comentaristas, ao longo dos séculos, tentaram descobrir qual é esse sinal.
Na primeira vinda do Senhor, houve um sinal: a estrela de Belém. Por isso, alguns comentaristas dizem que provavelmente é a estrela de Belém. Mas isso não parece correto, porque somente os magos compreenderam a estrela de Belém. Outras pessoas viram o sinal, mas não entenderam.
Portanto, não poderia ser isso, porque esse sinal terá de ser algo que as pessoas reconhecerão imediatamente.
Outras pessoas pensam que talvez seja um tipo de glória, a glória da Shekinah. Antes de vocês verem o Filho do Homem vindo, a Sua glória resplandece. Quando vocês veem a glória da Shekinah do Senhor, esse é o sinal de que Ele está vindo.
Eu não sei. Algumas pessoas dizem — e eu concordo com elas — que provavelmente é o sinal da cruz.
Por quê? Porque, quando vocês leem o contexto, percebem que, quando esse sinal do Filho do Homem aparece no céu, todas as tribos da terra se lamentam. As tribos da terra sempre se referem às doze tribos de Israel.
Isso está de acordo com a profecia de Zacarias.
Irmãos e irmãs, para o povo judeu, a cruz é uma maldição. Eles não aceitam o Cristo crucificado, porque estão procurando um Cristo assentado no trono.
Mas um dia, quando a cruz aparecer, eles chorarão, porque Aquele que crucificaram é o seu Messias. Ele vem para libertá-los.
Será então que todo o Israel será salvo. Portanto, irmãos e irmãs, é possível que o sinal do término da Parousia seja a cruz.
Mas, é claro, quando falamos do sinal da Sua vinda, nosso propósito não é apenas tentar conhecer esses sinais.
De que adianta conhecer os sinais se vocês não aprendem? De que adianta conhecer o tempo se vocês não agem de acordo?
Salomão disse que o coração do sábio conhece o tempo e o juízo. O importante é isto: diante do retorno iminente do Senhor, diante da vinda do Senhor, que pode acontecer a qualquer momento e a qualquer hora, irmãos e irmãs, qual é a nossa atitude em relação à Sua presença?
Somos indiferentes? Não nos importa se Ele vem ou não vem?
Nosso coração está completamente ocupado com comer, beber e com os cuidados desta vida, de modo que nem sequer pensamos na Sua presença? A Sua presença não significa nada para nós. Não sentimos falta Dele.
Irmão, irmã, vocês sentem falta Dele?
Lembro-me de um poema escrito pelo nosso querido irmão Watchman Nee. Ele o escreveu depois que a China foi ocupada pelos comunistas. Não me lembro de todos os versos, mas lembro que, naquele poema, ele disse: “Desde que nos separamos em Betânia”.
Isto é, desde que o Senhor partiu, há um vazio no meu coração. Embora Tu estejas presente comigo no Espírito, ainda há algo que falta.
Irmãos e irmãs, sentimos falta Dele?
Somos como o filho pródigo, desperdiçando todos os bons bens e a herança que recebemos, sem jamais pensar no Pai? Qual é a nossa atitude?
Ou somos como o servo mau, dizendo: “O Senhor demora a vir”? Sim, Ele virá, mas tem demorado a vir. Não virá agora. Não virá este ano. Não virá antes do fim do século XX, talvez no século XXI.
Se tivermos esse tipo de pensamento, isso afetará a nossa vida. Bateremos nos nossos conservos. Comeremos e beberemos com os bêbados. Não seremos fiéis nem responsáveis por aquilo que o Senhor nos confiou.
Então, num momento em que não esperamos, Ele virá de repente. Como poderemos encontrá-Lo?
Ah, irmãos e irmãs, temos medo da Sua vinda? Sabemos que Ele está vindo, mas temos medo? Secretamente, em nosso coração, esperamos que Ele não venha? Por quê? Porque não estamos prontos.
Ah, temos alguns planos que ainda não se cumpriram. “Espera até que eu tenha terminado tudo, e então Tu poderás vir.”
Irmãos e irmãs, temos medo da Sua vinda? Ou O acolhemos — aguardando, ansiando, suplicando, orando, implorando que Ele venha? “Vem depressa. Vem agora.”
Essa é a nossa atitude?
Assim como uma virgem pura, prometida em casamento a um homem, anseia pelo dia das bodas, também devemos ser como virgens puras prometidas a Cristo, ansiando pelo dia da festa de casamento.
Irmãos e irmãs, qual é a nossa atitude? Ele está vindo. Mas vocês querem que Ele venha? Estão prontos para que Ele venha? Aguardam com expectativa a Sua vinda? Apressam a Sua vinda?
Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Vamos orar?
Querido Senhor, como nós Te louvamos e agradecemos por nos teres prometido que voltarás e nos receberás para Ti mesmo.
Ah, como nós Te louvamos e agradecemos, Tu que és o Noivo, aguardando aquele dia em que poderás receber a Tua noiva para Ti mesmo.
Mas, Senhor, nós, que somos a Tua noiva, nos sentimos envergonhados porque, por não estarmos prontos, temos retardado a Tua vinda.
Senhor, oramos para que cries em nós um anseio por Ti, pela Tua vinda.
Senhor, reconhecemos que, embora não Te vejamos, nós Te amamos. Quanto melhor será se pudermos ver-Te face a face.
Ó Senhor, cria em nós esse anseio, esse desejo. Restaura em nós aquele primeiro amor, para que sejamos o povo que apressa o Teu retorno.
Vem, Senhor Jesus, vem. Amém.