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    The Horizon Of Divine Purpose #7 of 8 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Horizon Of Divine Purpose #7 of 8
    The Horizon Of Divine Purpose #7 of 8
    Austin-Sparks, T.

    O propósito divino e o ministério de Ezequiel

    Vamos, com apenas uma breve retrospectiva de tudo o que vimos até aqui, continuar exatamente de onde tivemos de parar nesta manhã.

    O propósito eterno de Deus

    Esta grande questão é o horizonte do propósito divino: Deus ordenou todas as coisas segundo um propósito definido e certo. De eternidade a eternidade, Deus tem agido, continua agindo e, enquanto durar o tempo, continuará agindo segundo um propósito específico. Tudo o que está sob o Seu domínio, que é universal, é governado por um propósito.

    Neste momento, não estamos tão preocupados com qual é esse propósito, embora façamos referências bastante definidas a ele. Na conferência da Páscoa, nós nos ocupamos de qual é o propósito. Desta vez, a ênfase está no propósito em si — no fato de haver um propósito.

    Temos visto que um grande intérprete dessa questão no Antigo Testamento é o profeta Ezequiel. Também vimos que as profecias de Ezequiel têm uma correspondência na Carta aos Efésios e no Livro do Apocalipse.

    Menciono isso porque quero que vocês percebam, desde já, que não estamos tratando apenas do Antigo Testamento, de uma época que passou há muito tempo. Estamos tratando de algo atual — muito atual. Espero que isso chegue a vocês com impacto divino à medida que prosseguirmos.

    Vimos, ou começamos a ver, que o Livro de Ezequiel é, particularmente, um livro da reação de Deus em relação ao Seu propósito, porque o Seu povo, de modo geral, havia perdido essa consciência do propósito divino — esse governo do propósito divino, esse tremendo incentivo do propósito divino — e havia se tornado apenas um povo que levava o Seu nome de maneira muito genérica.

    Havia muita mistura e confusão, resultando em fraqueza e em limitações cada vez maiores. O Senhor levantou o profeta Ezequiel, entre outros, mas de uma maneira particular, para chamar o Seu povo de volta; para declarar a grande realidade do propósito divino; e para advertir sobre as consequências inevitáveis de se desviarem do caminho de Deus quanto à própria eleição deles.

    Ezequiel é especialmente caracterizado por esse ministério. Mas não se trata de um ministério exclusivo dele. É exatamente aquilo de que o próprio Senhor Jesus Se ocupou, e é exatamente aquilo que encontramos com tanta clareza no ministério do apóstolo Paulo, particularmente em seu último escrito sobre a igreja, a Carta aos Efésios.

    A ênfase recai repetidamente sobre isto:

    Ele opera todas as coisas segundo o conselho da Sua própria vontade, conforme o propósito que estabeleceu em Cristo Jesus antes que o mundo existisse.

    Essa é a nota, e essa é a nota predominante.

    Voltando a Ezequiel, nosso intérprete, nosso grande instrutor nessa questão do propósito divino, queremos observar nesta tarde algumas coisas que se destacam com muita clareza quanto aos métodos de Deus nessa questão.

    Será necessário repetir, por causa de quem acaba de chegar, que a igreja é inteiramente eleita para esse propósito de Deus em Cristo? A existência da igreja na mente de Deus, desde os tempos eternos, quando foi escolhida, como diz Paulo, em Cristo Jesus antes da fundação do mundo — a própria existência da igreja — é explicada por esta palavra: propósito, tal como ele está na mente de Deus.

    O Espírito Santo assumiu essa questão desde o princípio e sempre a levou adiante com diligência e energia ao longo de toda a história. Ora, em Ezequiel, particularmente, temos uma revelação dos movimentos poderosos e vigorosos do Espírito de Deus exatamente nessa direção.

    Isso talvez seja visto com mais clareza e plenitude no dia de Pentecostes, e imediatamente depois, do que em qualquer outro momento. Aquela igreja, que no pensamento eterno de Deus era um instrumento eleito para esse propósito, nasceu então, no dia de Pentecostes. O Espírito veio sobre ela e entrou nela.

    A partir daquele momento, vemos essas energias do Espírito em movimento — sim, em movimento —, mas produzindo na igreja essa consciência de existir em relação a uma intenção divina. Essa poderosa energia não é simplesmente a energia abstrata do poder de Deus. Eles são um povo que tem o incentivo e a força dinâmica de um propósito particular.

    Eles passam a saber que existem para algo e começam, pelo Espírito, a enxergar — e continuam enxergando cada vez mais — qual é esse propósito, por meio do ensino dos ministros levantados por Deus.

    As igrejas são as expressões locais dessa obra, dessa energia do Espírito Santo, tendo esse propósito em vista.

    Ora, isso traz toda essa questão para bem perto de nós, não é? Dissemos nesta manhã: aqui está um grupo — não uma vasta multidão, mas, comparativamente, um pequeno grupo de pessoas reunidas hoje — que representa um bom número de grupos locais do povo do Senhor, assembleias do Senhor em diferentes lugares.

    O propósito na mente de Deus para a existência desses grupos do povo do Senhor, distribuídos aqui e ali pela terra, é exatamente este: estarem ali, nas mãos e no poder do Espírito Santo, com essa poderosa consciência de vocação em relação ao propósito de Deus.

    Vocês podem se apropriar disso. Isso ajudará muito à medida que prosseguirmos.

    Nesta tarde, vamos observar algumas dessas coisas que aparecem nas profecias de Ezequiel, ou em relação ao próprio instrumento, e que nos mostram o método de Deus para recuperar e restabelecer o Seu propósito em Seu povo, aqui e ali.

    As designações de Ezequiel

    Nesse contexto, temos as três principais designações do profeta Ezequiel. Elas estão cheias de ensinamentos.

    Filho do homem: identificação com a humanidade

    A primeira, que vocês conhecem muito bem — ou deveriam conhecer, se já leram este livro —, é a designação, ou o título, que lhe foi dado: filho do homem.

    Essa é uma designação singular para um profeta. Nenhum outro profeta é chamado assim. É o título próprio de Ezequiel: filho do homem. Nada menos que noventa vezes, em sua profecia, ele é chamado assim. Isso é impressionante. Vejam quantas vezes — quantas vezes — ele é interpelado dessa maneira, e que nenhum outro profeta é interpelado assim. Certamente isso deve ter um significado.

    Dissemos, logo no início deste período de ensino, que cada profeta — cada um dos quatro e dos doze — tinha um aspecto particular desse propósito de Deus ao qual estava comprometido. Esse título indica com muita clareza que o aspecto do propósito divino com o qual o próprio Ezequiel está identificado é o homem: filho do homem.

    É claro que sabemos que o Senhor Jesus adotou como Seu título predileto para Si mesmo: o Filho do Homem. Esse título não Lhe foi dado; os outros não o usavam para se referir a Ele. Ele próprio o escolheu. Ele o usava a respeito de Si mesmo. Oitenta e duas vezes o encontramos no Novo Testamento: o Filho do Homem.

    Agora, precisamos ser cuidadosos e claros. Ezequiel e Jesus não são idênticos por haver essa semelhança de título. O Filho do Homem é único. O artigo definido O coloca numa esfera e numa categoria em que Ele está sozinho. Não há outro Filho do Homem como Ele. Ele é singular.

    Mas, se Ezequiel, representando uma função no método de Deus — mais do que um indivíduo, uma função, um ministério —, é chamado filho do homem, a semelhança entre ele e o Senhor Jesus não está na pessoa; está na função. Vocês entendem? Isso deve nos ajudar.

    O que esse título, essa designação, realmente traz consigo, em significado e em realidade? Bem, certamente, à primeira vista, significa, antes de tudo, identificação com o homem no propósito de Deus: entrar numa relação muito próxima com a raça humana dentro do próprio propósito para o qual Deus a criou.

    É uma palavra de identificação. E, naturalmente, no caso do Senhor Jesus, de uma maneira mais profunda, mais plena e mais completa do que em qualquer outro. Mas aqui está: Deus tem o homem em vista. Deus tem o homem em vista.

    Deus não tem em vista um sistema de coisas; nem uma organização, uma instituição, uma máquina — não uma coisa, de modo algum. Deus tem o homem em Sua mente em relação ao Seu propósito. Todo movimento de Deus em direção à plenitude do Seu propósito é governado não por coisas — nem mesmo por coisas religiosas, nem por sistemas, nem por instituições. É governado por essa ideia do homem.

    Vocês veem quanto os profetas — e Ezequiel, em particular — se identificavam com o povo ao qual eram enviados, pelo qual trabalhavam e sofriam. Ele diz:

    Assentei-me onde eles se assentavam.

    Assentei-me onde eles se assentavam.

    Eu não era apenas um pregador que se mantinha separado, distante deles, pregando para eles ou contra eles. Eu não exercia simplesmente um ministério desligado deles. Assentei-me onde eles se assentavam. Isso indica: “Eu tenho uma identificação com o povo”.

    Filho do homem: você faz parte do povo. Você é um homem. Mais do que um profeta, mais do que um ministro, mais do que um instrumento ou um vaso, você é simplesmente um homem. Você é uma pessoa viva e faz parte dessa mesma raça que Deus destinou a entrar na plenitude do Seu propósito.

    Filho do homem: identificação — ser um com eles, ser um com eles.

    Há muito mais nisso, queridos amigos, para nossa instrução e correção, do que talvez pareça à primeira vista. Nos últimos um ou dois dias, ouvimos — apenas ouvimos — sobre missionários, assim chamados; que Deus tenha misericórdia deles, que saem de um país do Ocidente para outro país e dizem ao povo daquele país que eles, naturalmente, os missionários, são muito mais civilizados e instruídos do que aquelas pessoas.

    Essas pessoas do Oriente precisam levar esse fato em consideração, e os missionários começam exatamente nesse ponto de superioridade. A superioridade cria grandes problemas naquilo que se chama governo e desacredita completamente a obra do Senhor Jesus.

    “Sou missionário, venho de um país civilizado e tenho formação universitária, e vocês, pobres pessoas, não têm nenhuma dessas vantagens. Portanto, rapaz, você tem de me ouvir e fazer o que eu mandar.” Que Deus nos livre de qualquer espírito assim.

    Isso não é ser um servo de Deus no sentido de Ezequiel, filho do homem. Por natureza, por natureza, você não é diferente de ninguém. Você precisa simplesmente tomar o seu lugar ali, na esfera de uma humanidade comum.

    Não é o que você é em si mesmo que importa; é o que você recebeu de Deus para dar. Isso define o seu ministério e lhe dá qualquer direito de exercê-lo. Todo ministério, queridos amigos, precisa ter esta base: não aquilo que alguém é em si mesmo, presume ser, finge ser, declara ser ou reivindica ser, mas simplesmente aquilo que recebeu de Deus. Isso é tudo.

    Agora, essa questão não diz respeito apenas, como procurei enfatizar nesta manhã, a uma determinada classe de pessoas chamadas ministros, missionários, apóstolos ou profetas. Isso é para a igreja. Isso é para as igrejas. Isso é para os grupos locais.

    Precisamos estar aqui sobre essa base: somente aquilo que recebemos do Senhor justifica estarmos aqui e reivindicarmos qualquer coisa. Mas poderíamos colocar isso de outra maneira: se realmente recebemos algo do Senhor que é inteiramente diferente e maior do que aquilo que somos em nós mesmos, isso de fato tem valor no ministério.

    Filho do homem é identificação — unidade com o povo, com o homem. Ninguém que assumiu essa posição a demonstrou mais do que o nosso próprio Senhor. Não havia nEle qualquer distinção de classe, de espécie alguma. Ele era um com aqueles a quem veio servir. Isso é claro.

    Esse título, essa designação, filho do homem, significa não apenas que somos um com os outros e nos identificamos com eles, mas também que os representamos diante de Deus.

    Esse é um grande princípio que percorre toda a Palavra de Deus. Já nos primeiros tempos, vocês veem o princípio de que o instrumento que Deus usará é alguém que se coloca diante dEle nessa identificação, representando todos os demais — estando ali como representante dos homens diante de Deus.

    Moisés era isso. Samuel era isso. Os profetas eram isso. Mas o Senhor Jesus estava ali, na presença de Deus. Ele podia dizer não apenas que Ele e eles eram um, identificados, mas: “Estou aqui representando-os. Estou aqui como eles. Eu os trago, na Minha própria pessoa, diante de Deus”.

    “Não estou aqui numa condição isolada. Estou aqui como uma representação coletiva.” Israel deveria ser isso para as nações: trazer as nações à presença de Deus de maneira representativa.

    Foi aí que eles falharam: pensavam que eram superiores. Eram especiais e assumiram uma atitude de exclusividade. Chamavam os gentios de cães. Não se colocavam diante de Deus dessa maneira, dizendo: “Ó Senhor, ó Senhor, não somos melhores do que todos estes; nós os trazemos, de maneira representativa, à Tua própria presença”.

    O fato de estarmos aqui implica que essas pessoas estão sendo trazidas à Tua presença. Ouçam a oração de Neemias. Ouçam a oração de Daniel. Ouçam esses homens. Eles não estão sozinhos diante de Deus. Vejam, todo o povo está presente quando eles oram. Eles levam o povo consigo.

    Filho do homem significa isso. Mas também indica o propósito. Esta é a questão importante: começamos dizendo que Deus está interessado no homem.

    O Homem representativo e o descanso de Deus

    Quando Deus fez o homem, o homem saiu de Suas mãos, e esse foi o sinal para Deus dizer:

    É muito bom.

    Deus descansou de Sua obra. Aquilo para o que Deus trabalha, e em que encontra Sua satisfação e Seu descanso, é ter o homem segundo a Sua própria semelhança e imagem.

    Isso nos leva de volta ao início de nossa meditação, no começo da profecia de Ezequiel. O que governa tudo é um trono, e um homem — ou a semelhança de um homem — sobre ele, nas alturas. Dissemos então que é esse Homem no trono que governa tudo o que acontece naquele livro.

    Passando ao contexto mais amplo, é o Homem que Paulo nos apresenta no início de sua Carta aos Efésios, elevado à direita de Deus, muito acima de todo principado e autoridade. É esse Homem no trono que governa todas as coisas — o Homem que Estêvão viu:

    Vejo o Filho do Homem em pé à direita de Deus.

    Quando Deus encontra o Seu Homem — o grande Homem representativo, que Se identificou com o homem para levar o homem a Deus —, quando Deus encontra o Seu Homem, o Seu Filho, Ele descansa. Ele descansa. Ele está satisfeito.

    Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.

    Isso é apenas a correspondência de:

    É muito bom.

    “Estou satisfeito. Estou em descanso.”

    Mas então o Espírito vem, como procedendo desse Homem entronizado, para tornar esse único Homem entronizado — o Homem glorificado, aperfeiçoado —, para tornar aquilo que Ele representa no céu uma realidade aqui, no homem, nesta terra; para realizar de fato, de fato, isto: reproduzir esse Homem nos homens, nessa humanidade aqui, começando pela igreja.

    Agora, queridos amigos, é aqui que devemos encontrar ajuda e, certamente, instrução. O que o Espírito Santo está fazendo? O que o Espírito Santo está fazendo na sua vida e na minha, por meio de todas as experiências de dano, de sofrimento e, às vezes, de desilusão e decepção — por esse caminho difícil?

    Todos os caminhos de Deus conosco, todo o tratamento do Espírito Santo conosco pessoalmente, individualmente e como grupos do Seu povo, onde quer que estejam — aquela única coisa à qual o Espírito Santo realmente Se dedica, determinado a realizá-la, se puder —, qual é a explicação de tudo?

    Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.

    O que é isso? É uma coisa só: a reprodução desse Homem em você e em mim.

    A introdução dEle em nós pelo novo nascimento e pelo Seu Espírito; o desenvolvimento e o crescimento dEle em nós por meio da disciplina, do treinamento, de todas essas experiências; os efeitos do sofrimento, da adversidade, da tristeza segundo Deus — a tristeza que o Senhor permite que nos alcance —, o efeito de nossas dificuldades e problemas: o efeito correto deve ser mais de Cristo, mais semelhança com Cristo.

    Quando o Espírito Santo realmente tem liberdade para agir, como isso é verdadeiro! Saímos de algum período de experiência — de exercício interior profundo, profundo, de aflição e dificuldade — com algo mais da graça, da beleza, da compreensão e da compaixão do Senhor Jesus.

    Temos um conhecimento maior dEle, daquela maneira pela qual o conhecimento é o único conhecimento verdadeiro: conhecimento no nosso próprio ser, na nossa própria experiência, na nossa própria constituição. É parte de nós. Onde adquirimos isso? De onde veio? Como veio?

    Veio nos caminhos profundos, escuros e difíceis. O Espírito de Deus produziu essa semelhança com Cristo.

    Filho do homem: a reprodução. Estou consciente da imperfeição, da frieza das minhas palavras e da minha maneira de expressar isso, mas vejo nisso a resposta às nossas dores. Preciso perguntar ao meu coração: “O que o Senhor está buscando em tudo isso? O que Ele está buscando?”.

    Bem, pessoalmente, Ele deve estar buscando aumentar a medida do Seu Filho, desse tipo de homem. O que Ele está fazendo no grupo do povo do Senhor que atravessa tempos de dificuldade, escuridão, dor e sofrimento? Produzindo o Seu Filho em maior medida.

    Aquelas palavras aos gálatas são tão apropriadas a situações mais amplas como esta:

    Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até que Cristo seja plenamente formado em vós.

    É isso mesmo: dores de parto para uma formação mais plena de Cristo nos grupos locais, assim como nos indivíduos, e, por meio deles, de maneira cada vez mais ampla, na medida em que isso for acolhido, em toda a igreja.

    Aqui, não podemos dizer que, à medida que o fim da dispensação se aproxima e a consumação das energias do Espírito Santo entra em vista, a igreja passará por um tempo de dores de parto e angústia no qual terá de descobrir e experimentar o Senhor, e conhecer o Senhor, numa medida muito maior do que conhece hoje? É assim que o Senhor está fazendo isso.

    Filho do homem. Filho do homem é conformidade com o Homem, a reprodução do Homem.

    Preciso prosseguir depressa, porque há muito mais do que temos tempo de sequer examinar.

    Ezequiel como sinal para Israel

    As outras duas designações do profeta indicam o método de Deus — o método de Deus, observem, em relação ao Seu propósito. Estamos muito preocupados com métodos para realizar a obra de Deus, para cumprir a comissão: métodos, métodos, métodos.

    Deus realmente tem apenas um método. Bem, sei que Ele age de várias maneiras, mas há um método: fazer o Seu Filho crescer até encher todas as coisas.

    Mas há, então, esta segunda designação do profeta, mencionada em Ezequiel 12 e Ezequiel 24:

    Filho do homem, Eu te fiz um sinal para a casa de Israel.

    Dize-lhes:

    Eu sou o vosso sinal.

    O próprio profeta é o sinal. Haverá muitos sinais em seu comportamento, naquilo que faz, naquilo que é chamado a fazer, e quantas coisas estranhas, peculiares — algumas coisas que, como dissemos antes, o mundo chamaria de loucuras — o Senhor o chamou a fazer. Quantas coisas difíceis, dolorosamente difíceis.

    Todas eram sinais, mas todas se reuniam no próprio homem. Não eram coisas externas a ele. Era o homem — o homem. Imagino as pessoas que o observavam, que o viam fazendo todas aquelas coisas estranhas, singulares, enigmáticas, dizendo: “Mas o que esse sujeito está fazendo? O que ele está querendo agora? Deve estar louco”.

    Eles concentravam tudo no homem. Esse é o ponto. As coisas que ele fazia, as coisas que dizia, não eram apenas coisas transmitidas. Eram vividas em sua própria experiência. Faziam parte de sua própria história.

    O homem e sua mensagem — fosse como fosse que essa mensagem viesse, por atos ou por palavras, por experiências que lhe aconteciam e que os outros podiam ver, como a morte de sua esposa — não eram uma encenação dele, nem uma escolha dele, mas algo que lhe sobreviera: coisas que compunham a vida desse homem, coisas que faziam parte dele mesmo.

    A mensagem e o mensageiro eram um.

    Eu sou o vosso sinal.

    “Não estou apenas dando sinais a vocês. Eu sou o sinal de vocês.”

    Muitas vezes, as coisas que aconteciam na vida desse homem eram, tanto para ele como para os outros, completamente incompreensíveis — inteiramente insondáveis. Os outros tinham de dizer: “Bem, não sei o que esse homem está tentando dizer. Não entendo o que está acontecendo ali. Tudo isso, eu não consigo entender. É inteiramente incompreensível”.

    Tenho certeza de que Ezequiel às vezes deve ter sentido isso a respeito de sua própria experiência. Ele era levado muito além da sua capacidade de compreender. Isso não é verdade também em nossa experiência? Há momentos em que nos encontramos numa situação em que simplesmente não conseguimos entender qual é o sentido que Deus dá a esta ou àquela experiência — àquilo por que somos chamados a passar ou àquilo que somos chamados a fazer.

    Um grande “Por quê?” paira sobre nosso coração e nossa mente nos caminhos de Deus. Por quê? Por quê?

    Houve um momento de eclipse na vida do Senhor Jesus na cruz, quando essa palavra irrompeu de Seus lábios, de Seu coração:

    Meu Deus, por quê?

    Somente a eternidade poderia responder plenamente, mas o tempo, depois, explica isso. Por quê? Agora sabemos por quê.

    Às vezes, somos levados a experiências e profundezas que não conseguimos compreender, que estão além da nossa capacidade de investigar. Mas Deus está fazendo algo.

    Agora, Paulo tem algo a dizer sobre isso, e eu desafio vocês a explicarem. Desafio vocês a explicarem. Ficaria muito contente se houvesse alguém aqui que pudesse me explicar. Tenho me ocupado disso há cinquenta anos, e ainda não encontrei a explicação.

    Para que, pela igreja, seja conhecida dos principados e potestades nas regiões celestiais a multiforme sabedoria de Deus.

    Vocês entendem isso? Bem, é claro que podem dar algum tipo de explicação: os principados e potestades nas regiões celestiais estão observando; estamos no palco desse grande teatro, e Deus está fazendo essas coisas, e eles estão aprendendo. Mas isso nos ajuda?

    Vocês acham que isso realmente os consola na hora do eclipse, no dia da escuridão, num dia de tristeza e sofrimento? É realmente consolador saber que os principados e potestades no céu estão aprendendo alguma coisa? Preciso ser muito franco e dizer que nunca encontrei muito consolo nisso. Essa experiência é real demais, terrível demais enquanto está acontecendo.

    Mas aqui está: nos caminhos insondáveis, impenetráveis, incompreensíveis de Deus, Ele está fazendo algo que produz instrução e uma mensagem, e faz do instrumento um mensageiro — um mensageiro de vida para além da compreensão do próprio mensageiro.

    Deus está fazendo algo que ultrapassa nossa inteligência. Vai além do nosso entendimento.

    Li esses capítulos sobre o comportamento de Ezequiel. Olhem para ele, para aquilo que é chamado a fazer. Vejam essas pessoas observando, e um dia elas dizem: “Mas o que esse sujeito está fazendo? Olhem para ele. Está abrindo um buraco no muro. Agora entrou em casa, arrumou a bagagem, colocou-a nos ombros e está passando por aquele buraco no muro com seus móveis nas costas. O que ele está fazendo?”.

    Entendem o que quero dizer? Ele fez muitas coisas assim. Mas ele, em sua própria experiência e história, estava escrevendo de antemão e revelando a história daquele povo: o cerco que viria, a tentativa deles de romper o cerco, passar por ele, escapar e levar seus móveis.

    A história deles estava profundamente escrita na experiência dele.

    Bem, não sei quanto isso ajuda vocês, queridos amigos, mas o ponto é este: Deus não está tão preocupado em ter pregadores como tais, ou mestres como tais, ou igrejas como tais, ou quaisquer coisas como tais.

    Ele está realmente interessado em ter uma expressão orgânica, pessoal ou coletiva, do Seu propósito, para que, quando observarem — sejam anjos, principados, potestades ou homens —, se olharem sem espírito de crítica, sem preconceito, possam ver algo que Deus está fazendo.

    Deus está fazendo algo. Não entendemos, mas Deus está fazendo algo. Deus está dizendo algo. Aquele povo, aquela pessoa, não está apenas dizendo coisas, mas é a expressão viva de algo que Deus está fazendo.

    Vocês estão me acompanhando? Essa deve ser a marca da nossa vida. Essa deve ser a verdade das nossas assembleias: que realmente somos a concretização de algo que Deus está fazendo.

    Muitas vezes dissemos aqui, em Honor Oak, que o apóstolo Paulo era o grande sinal da dispensação. Sua incumbência dizia respeito às igrejas, ao Corpo de Cristo, ao mistério.

    Vejam como o próprio apóstolo não apenas recebeu isso de maneira externa para depois reproduzi-lo de segunda mão. Vejam como a verdade — profunda e, às vezes, angustiante — do Corpo de Cristo foi trabalhada na própria história daquele homem. Ele é isso. Ele é essa concretização.

    A mensagem que ele tem não é algo de que se apropria e depois transmite. Ele é essa mensagem antes de falar e enquanto fala. Vocês podem vê-la, e sua história confirma o que ele diz. Pode ser uma história de sofrimento, mas é o sinal. Ele é o sinal. Ele é o sinal.

    Mensagem e mensageiro não são duas coisas; são uma só. Isso é realidade — a realidade que se exige.

    Não estamos cansados, muito cansados, cansados de ensino como mero ensino e doutrina como mera doutrina? Há muita coisa em nosso cristianismo de que estamos cansados, quase prontos a jogar fora. Não estou dizendo: “Abandonem isso”. Ansiamos por realidade. Vocês anseiam? Anseiam?

    Tenham cuidado. Tenham cuidado. Se vocês dizem isso sinceramente diante de Deus, realidade significa que as coisas de Deus serão trabalhadas no próprio ser de vocês por meio da experiência. Vocês passarão por elas. Elas não apenas passarão por vocês; vocês passarão por elas.

    Agora, dissemos no início que Ezequiel era um homem comprometido — um homem comprometido. Deus, o Espírito, podia fazer o que quisesse com a vida dele. É isso que significa.

    Vocês que ministram, vocês que ministram ou querem ministrar, levem isso a sério. Muitas vezes, vocês descobrem que, antes de algo vital ser transmitido por seu intermédio, ou pouco tempo depois, passam por um período muito difícil. Passam por um período muito difícil.

    Todo o inferno se agita e se enfurece contra aquilo que sabe que está vindo, seja para estragar antes, incapacitar e paralisar antes, seja, logo depois, para levá-los a uma condição que os faça duvidar da própria mensagem, questionar a própria mensagem.

    Esse tipo de ministério é marcado pelas experiências mais reais e, muitas vezes, mais terríveis da vida espiritual. Muitos de vocês entenderão o que estou dizendo. Alguns não entendem; não se preocupem, mas é verdade.

    Estou dizendo tudo isso apenas para chegar a este ponto. Deus não quer pessoas andando por aí com a Bíblia, dando palestras e mensagens bíblicas e repassando coisas que estudaram na Bíblia. Deus quer homens, pessoas, grupos que sejam a concretização da Sua verdade; que sejam, em si mesmos, o sinal do Seu propósito.

    Eles são os homens, a humanidade, que Ele procura revelar para Sua própria satisfação. Ezequiel não apenas profetizava; ele era a profecia — mais naquilo que era do que naquilo que dizia.

    O ministério do atalaia

    Chegamos ao fim, muito rapidamente, com a terceira designação, novamente mencionada em Ezequiel 3 e Ezequiel 33:

    Filho do homem, Eu te fiz atalaia sobre a casa de Israel.

    Eu te fiz atalaia sobre a casa de Israel.

    Se vocês examinarem, verão que o contexto é muito solene. Se você advertir, e a advertência não for acolhida, o sangue das pessoas estará sobre a própria cabeça delas. Se você não advertir, o sangue delas estará sobre a sua cabeça.

    Eu te fiz atalaia sobre a casa de Israel.

    Uma vocação solene para o povo do Senhor.

    É claro que essa não é uma ideia nova. Não é exclusiva de Ezequiel. Nós a encontramos várias vezes em Isaías. Vamos nos lembrar do grande clamor de Isaías:

    Atalaia, que há de noite?

    E o atalaia diz:

    Vem a manhã, e também a noite.

    Mas aqui em Ezequiel, aplicada a esse homem logo no início de sua comissão — e observem que é no terceiro capítulo que ela aparece pela primeira vez —, qual é a função do atalaia?

    Queridos amigos, vocês estão aplicando tudo isso a si mesmos? Porque isso se aplica aos cristãos, e se aplica aos grupos de cristãos de maneira muito, muito definida.

    Qual é a função de um atalaia? Bem, a função do atalaia era, e é, conhecer e anunciar o significado da hora, do tempo: ter esse entendimento da situação.

    Por que as coisas estão como estão? Por que as coisas seguem como seguem? Que sinais há nas coisas tal como estão? O que acontecerá se continuarem como estão? O que Deus quer nesta hora? O que Ele está buscando?

    Ser o entendimento do povo num dia em que esse entendimento é escasso, porque o atalaia atua durante a noite. Seu trabalho é o trabalho noturno.

    Atalaia, que há de noite?

    Repito: ter entendimento em favor do povo do Senhor como um todo. Muitos, por uma razão ou outra, carecem desse entendimento, desse discernimento.

    Mas essas pessoas — sejam indivíduos, e neste momento tenho especialmente em mente os grupos do povo do Senhor; eles são o encargo do meu coração —, esses grupos do povo do Senhor aqui e ali, precisam estar ali como testemunhas de Deus quanto ao significado das coisas em seu tempo.

    Por que as coisas estão como estão? Como Deus gostaria que fossem? O que acontecerá se não forem mudadas, se não se conformarem à mente de Deus? É uma nota de advertência. É uma nota de exortação. É uma nota de esclarecimento. Esse é o trabalho do atalaia.

    Alerta, atento ao tempo. Isso é verdade em nossos grupos locais? É verdade?

    Que, por nosso intermédio, por nosso intermédio, o povo de Deus receba esclarecimento quanto ao significado das coisas, advertência quanto ao perigo de certos sinais, de certos rumos, e a mão que o detenha nos caminhos contrários à vontade de Deus, à mente de Deus.

    Que o Senhor nos torne mais assim — olhos para o Seu povo, olhos para o Seu povo.

    Já quase gastamos esta expressão de tanto repeti-la, no que diz respeito às palavras:

    Que Ele vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento dEle; sendo iluminados os olhos do vosso coração.

    Mas não apenas para você mesmo; é toda a igreja que está em vista. Que eles possam ser beneficiados, salvos, libertos e instruídos pelo discernimento e pelo esclarecimento espiritual que recebemos.

    Atalaias, atalaias. A mensagem do atalaia precisa ser inequívoca. Não adianta um atalaia estar lá na torre de vigia, à noite, e dar uma mensagem confusa, um som indistinto. “Não consigo entender do que ele está falando. O que você disse?”

    Quando o clamor surgisse, se o atalaia dissesse: “Bem, realmente não sei. Não sei onde estou. Não sei o que as coisas significam. Não adianta me perguntar”, de que serviria um atalaia assim?

    Mas observem: muitas, muitas igrejas são assim, e muitos do povo do Senhor são assim. “Não adianta me perguntar. Não sei onde estou. Não sei o significado das coisas. Não entendo.”

    O Senhor quer levantar pessoas que saibam — que saibam aonde vão, que conheçam o significado das coisas, que tenham uma nota e uma mensagem claras. Todos os que as encontram deveriam poder dizer: “Bem, são pessoas que sabem qual é sua posição e sabem algo que é muito importante saber”.

    Esse é um ministério de muita responsabilidade, algo de muita responsabilidade. Muitos, muitos podem ter seu destino afetado pela nossa fidelidade a esse ministério, ou pela nossa falha nele.

    Ah, peçam ao Senhor, em todas as suas orações, por seu grupo local, exatamente onde vocês estão: constitui-nos juntos como um povo, um atalaia, com discernimento, com conhecimento, com entendimento e com uma mensagem clara e inequívoca para o Teu povo.

    Quando virem vocês, quando os encontrarem, quando os ouvirem, encontrarão pessoas em quem não há nada indefinido, absolutamente nada incerto. Elas representam algo muito definido e claro.

    A impressão que damos é: sabemos onde estamos, sabemos aonde vamos e somos um povo que avança. Que isso deixe clara a firmeza da nossa direção.

    Ora, disse o Senhor:

    Eu te fiz atalaia. Eu te fiz atalaia sobre a casa de Israel.

    Vocês percebem o que acontece quando o povo, de maneira tão ampla e geral, rejeita o atalaia, rejeita o ministério que Deus levantou.

    Tudo o que Deus pretendia foi perdido, no que dizia respeito a eles. Com o ministério, foi-se o propósito.

    No fim, encontraram-se completamente perdidos — isto é, inteiramente confusos, destituídos de todo significado, desamparados, impotentes, limitados e presos.

    Quando o ministério foi rejeitado, o propósito foi perdido. É algo de muita responsabilidade.

    A igreja como um povo de propósito

    Mas isso certamente nos dá, sim, nos dá algo muito vital em nossa busca. Sei que não estou conseguindo transmitir a vocês o que está no meu coração. Pelo menos é assim que me sinto. Mas quero encerrar com esta nota.

    Queridos amigos, estamos aqui como povo de Deus. Onde estamos, em nossos grupos e como grupos, estamos aqui para um propósito muito definido, e a firmeza desse propósito deve nos caracterizar.

    Precisamos ser um povo sobre o qual Deus colocou um grande encargo, uma grande preocupação, uma grande responsabilidade. Precisamos sentir isso. Precisamos ter consciência disso. Precisamos estar comprometidos com isso. Precisamos estar.

    Paulo se chamava escravo de Jesus Cristo — simplesmente capturado, cativado e dominado por uma consciência, uma poderosa consciência de que fomos chamados segundo um propósito.

    Deus está trabalhando isso em nossa história, assim como o fez em Ezequiel, a fim de nos colocar aqui e ali, e as pessoas poderem dizer de nós: “Ora, ele não é, e ela não é, apenas uma pessoa religiosa, não é simplesmente um cristão comum. Puxa, ele ou ela, ou eles, têm alguma coisa. Têm alguma coisa”.

    Mas vocês sabem que esse é um caminho custoso — um caminho muito custoso. Não há como exagerar isso. Ser assim, aqui e ali, significa às vezes ser profundamente dilacerado, levado a uma perplexidade que ultrapassa nossa capacidade de compreender.

    Paulo diz tudo isso, vocês sabem. Ele usa estas palavras:

    Abatidos, mas não destruídos; perplexos, mas não desesperados.

    Mas disso, disso, surge esse ministério rico e eficaz.

    Ah, temos uma herança muito custosa e um chamado muito vital. Que o Senhor grave isso profundamente em vocês.

    Que aquilo que está sendo dito alcance a todos nós. Há necessidade de recuperar essa realidade chamada propósito, de fortalecer esse elemento, essa força, essa dinâmica do propósito. Estamos aqui para algo nos conselhos eternos de Deus.

    Que Deus nos abençoe.