Bom dia. Gostaria de pedir que vocês abrissem comigo na Primeira Epístola de Pedro. Vamos ler alguns versículos de 1 Pedro e, talvez, alguns de 2 Pedro.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
para uma herança incorruptível, incontaminada e imarcescível, reservada nos céus para vós,
que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação, pronta para se revelar no último tempo;
na qual grandemente vos alegrais, ainda que agora, por um pouco de tempo, se necessário, sejais entristecidos por várias provações,
para que a provação da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, seja achada em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
a Quem, não havendo visto, amais; no Qual, embora agora não O vejais, crendo, vos alegrais com alegria indizível e cheia de glória:
recebendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
Agora, este é o versículo no qual quero que vocês se concentrem: 1 Pedro 1:7.
Para que a provação da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo.
Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, com prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, herdada de vossos pais;
mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.
Este é o versículo que quero que vocês observem:
Mas com precioso sangue […] o sangue de Cristo.
Despojando-vos, portanto, de toda maldade, de todo engano, de hipocrisias, invejas e de toda maledicência,
desejai, como crianças recém-nascidas, o leite espiritual sem engano, para que por ele cresçais para a salvação; se é que provastes que o Senhor é bondoso:
chegando-vos a Ele, pedra viva, rejeitada, de fato, pelos homens, mas eleita e preciosa para Deus,
também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Pois está contido na Escritura:
“Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa;
e aquele que Nele crê não será envergonhado.”
Portanto, para vós que credes, Ele é precioso.
Alguns desses versículos foram lidos esta manhã.
Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que obtiveram conosco fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:
graça e paz vos sejam multiplicadas no conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor;
visto que o Seu divino poder nos concedeu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, mediante o conhecimento Daquele que nos chamou por Sua própria glória e virtude;
pelas quais Ele nos concedeu as Suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina.
Vamos orar.
Senhor, nós cremos que a Tua Palavra é inspirada e nos aproximamos dela com um profundo senso de dependência: que Tu, pelo Teu Espírito Santo, nos concedas uma verdadeira compreensão da Tua Palavra; que Tu penetres nossas circunstâncias, nossos pensamentos e nossa mente — tudo o que possa nos impedir de ouvir hoje algo que vem de Ti.
É só isso que queremos, Senhor. Não estamos interessados em ouvir um homem falar. Estamos interessados apenas em ouvir o Senhor Jesus falar pelo Seu Espírito Santo. Pedimos que Tu nos vivifiques tanto no falar quanto no ouvir, para que, ao final, possamos dizer: “O Senhor falou”, e estejamos satisfeitos. Pois nós Te adoramos em nome de Jesus. Amém.
Irmãos e irmãs, ultimamente tenho sido atraído a esta Primeira Epístola de Pedro. O encargo que está em meu coração hoje vem de uma única palavra: precioso.
Talvez vocês não achem que essa seja uma palavra muito importante, mas, se não a compreenderem em seu contexto, realmente perderão algo que vem do Espírito Santo. Essa palavra, precioso, aparece mais vezes nessas duas pequenas cartas do que em qualquer outra parte de todo o Novo Testamento.
Na verdade, essa palavra, precioso, aparece nesses pequenos livros quase mais do que em qualquer outro livro da Bíblia. Se vocês considerarem 1 Crônicas e 2 Crônicas juntos, talvez ela apareça algumas vezes a mais. Mas ali se fala repetidamente de pedras preciosas — do sacerdote e do tabernáculo.
Mas o encargo que está em meu coração para nós hoje vem de uma dessas ocorrências da palavra precioso. É, de fato, a primeira ocorrência: 1 Pedro 1:7. O encargo que o Senhor colocou em meu coração é a preciosa provação da nossa fé.
Agora, se vocês querem compreender a importância dessa única palavra e sua importância em relação a esta epístola de 1 Pedro, há algo que precisam compreender primeiro: as circunstâncias em que se encontravam esses queridos crentes que receberam esta carta.
Dizem que, ao longo dos anos, este livro tem sido uma fonte extraordinária de encorajamento para aqueles que se encontram em circunstâncias difíceis e em duras provações. Irmãos e irmãs, aqueles que receberam esta carta estavam passando por dificuldades terríveis. Estavam passando por provas sem precedentes — provas impressionantes.
O texto diz que eles estavam espalhados. Diz que estavam dispersos. Diz que enfrentavam todo tipo de provações e dificuldades. Chega até a dizer que passaram por sofrimento extremo. Pensem nisso.
Esses santos estavam passando por dificuldades tremendas, tremendas. Sabem, a palavra sofrimento é outra dessas palavras. Ela aparece em 1 Pedro — neste pequeno livro — mais do que em qualquer outro livro, com a possível exceção de Atos.
Isso deve nos dar alguma noção das circunstâncias em que esses crentes se encontravam. Isso é muito importante, porque, se vocês não enxergarem as circunstâncias desses crentes, nunca apreciarão essa palavra, precioso. Esse é o ponto.
Parece-me que toda a mensagem de 1 Pedro é que, na provação, na dificuldade, na luta, na prova — naquilo por que passaram —, eles puderam descobrir uma preciosidade do Senhor que era realmente singular.
Puderam descobrir uma preciosidade da Sua provisão que era absolutamente singular. Puderam descobrir uma preciosidade do Seu amor que era extraordinária.
Nós, aqui no Ocidente, estamos acostumados ao conforto, não à pressão. E espero que vocês não estejam desanimados demais, até aqui, com a ideia desta mensagem. O ponto é este: podemos descobrir algo por meio da pressão e da provação que não podemos descobrir de nenhuma outra maneira.
Vocês sabem disso? Já experimentaram isso? Já experimentaram aquilo que o salmista Davi disse em Salmo 4:1?
Na angústia, Tu me deste largueza.
Suponham que Deus nunca nos pusesse à prova. Suponham que Ele nos deixasse em paz ou nos deixasse apenas com prosperidade. Vocês acham que chegaríamos a crescer em Cristo?
Talvez vocês sejam tentados a olhar para aqueles que sofreram dificuldades tão grandes e pensar: “Puxa, que situação lastimável. Pobres santos”. Mas o registro deste livro não é o da pobreza deles, irmãos e irmãs. Não é apenas o das suas provações. É o fato de que, sob pressão, descobriram algo incrivelmente precioso.
Essa é a mensagem de 1 Pedro. Certamente, como diz 1 Pedro 1:7, eles foram provados como pelo fogo. Mas, no meio do fogo, creio que fizeram uma descoberta que os levou a uma condição mais elevada.
Agora, espero que vocês compreendam o paralelo, irmãos e irmãs. Penso que, à medida que nos aproximamos do fim desta era, talvez sejamos como aqueles de 1 Pedro. Talvez vocês se encontrem em circunstâncias difíceis. Talvez se encontrem pressionados além da medida. Alguns de vocês já estão assim.
Talvez vocês se encontrem em circunstâncias esmagadoras, nas quais não veem saída. E, ainda assim, se pela graça de Deus pudermos descobrir a preciosidade do Senhor no meio dessas circunstâncias — se pudermos conhecer o significado de a provação da nossa fé ser muito mais preciosa do que o ouro que perece —, então teremos feito uma boa descoberta.
Pergunto-me se não somos como aqueles que gostariam de sempre escapar da pressão. Achamos que a pressão é uma coisa terrível. Li uma história sobre um homem que encontrou uma mariposa-imperador em seu casulo. Ele ficou com pena da pobre mariposa-imperador e a levou para casa.
Ele viu essa mariposa-imperador se espremendo, fazendo força, tentando atravessar uma abertura minúscula no casulo. Ela lutava e se esforçava, e esse homem, em sua grande sabedoria, decidiu dar uma ajuda.
Então ele pegou uma tesoura. Acompanhem a história. Ele pegou uma tesoura e abriu o casulo com um corte. Aquela pobre mariposa simplesmente saiu aos tropeços, deformada, com pequenas asas murchas e um corpo grande e gordo. Não estava plenamente formada.
Aquela mariposa nunca voou.
Vejam, o plano de Deus era que ela passasse pela pressão. No propósito de Deus, essa mariposa não poderia ser formada de outra maneira. A luta era necessária: ela precisava fazer força e passar pelas horas necessárias para atravessar aquela passagem estreita.
Então, pela graça de Deus e por Seu grande poder criador, os fluidos eram forçados a sair daquele corpo e a entrar nas asas. Aquela mariposa se formava em beleza, saía e alçava voo. Vocês compreendem?
Para mim, é isso que está acontecendo em 1 Pedro. Às vezes, achamos que o certo seria sair da pressão. Às vezes, achamos que seria bom escapar das nossas circunstâncias.
Mas creio que a mensagem simples de 1 Pedro é que aqueles que atravessam as circunstâncias e descobrem nelas a preciosidade de Deus voam alto como águias.
Parece-me que essa é toda a mensagem por trás dessa simples palavra, precioso. Com a sua mentalidade ocidental, você não pensaria que preciosidade e dificuldade na provação estariam ligadas, pensaria? Não pensaria que sofrimento e preciosidade andariam juntos, pensaria?
Mas, quando você descobre, assim como aquela mariposa descobre, que, naquela grande pressão que aperta, de algum modo Deus cria algo belo, então você é capaz de voar e subir às alturas. Essa era a mensagem de consolo aos oprimidos em 1 Pedro.
Se vocês examinarem 1 Pedro, descobrirão que Deus usou esse impetuoso apóstolo Pedro — não aquele que era tão impetuoso que cortou a orelha de Malco no jardim, mas aquele que havia se tornado tão terno que, quando estava com o Senhor à beira do mar, o Senhor lhe disse:
Apascenta as Minhas ovelhas.
Ele lhes deu uma palavra muito encorajadora. Irmãos e irmãs, penso que, se chegarmos a compreender que nossas pressões têm significado, nossas dificuldades têm propósito e nossas provações visam a um fim, isso mudará a maneira como as enxergamos.
Não se trata de passarmos por esta vida sem nunca sermos provados. Vocês conseguem imaginar se nunca fôssemos provados?
Passo o meu dia desenvolvendo materiais e testando materiais. Temos aqueles volumes enormes — às vezes acho que não servem para muita coisa além de peso de papel —, aqueles quatro livros enormes da ASTM, a Sociedade Americana de Ensaios e Materiais.
Nesses livros, está detalhado tudo a que cada material de construção precisa ser submetido: qual deve ser o ensaio e não apenas qual deve ser o ensaio, mas também quanto tempo ele deve durar. Se esses materiais passarem nesses ensaios, então você poderá usá-los na construção. Se não passarem, não servem.
Espero que vocês compreendam. Parece-me que é isso que o Espírito Santo diz em 1 Pedro: “Vocês estão passando por uma grande prova. Compreendem isso? Mas compreendem também que essa prova é necessária para demonstrar que Eu sou fiel, para demonstrar que posso conduzi-los através dela, para demonstrar que a Minha graça é plenamente suficiente e para demonstrar a vocês que Eu estou com vocês?”
Essa é a mensagem de 1 Pedro. Que o Senhor nos ajude, irmãos e irmãs, a compreender a provação. Não a considerem algo ruim. Na próxima vez que passarem por uma dificuldade, não a considerem uma maldição.
Talvez devêssemos enxergá-la como uma oportunidade de descobrir mais dessa preciosidade. Se fizermos isso, será uma grande descoberta. É por isso que a palavra precioso está neste livro de sofrimento.
Bem, o que vamos considerar é a preciosa provação da nossa fé. Há uma razão para a provação. Há um propósito para a provação. Há um objetivo na provação. Se não compreendermos essas coisas, nunca compreenderemos aquilo por que passamos nesta terra.
Você sempre enxergará isso apenas como sofrimento. Sempre verá as circunstâncias, quando forem contrárias a você, como vento contra o rosto — uma circunstância sem sentido. E nunca compreenderá a preciosidade da provação.
O que me vem à mente é que, quando você lê esses livros com atenção, começa a compreender que as circunstâncias deles tinham uma razão. Suas circunstâncias tinham significado. Suas dificuldades não eram apenas dificuldades. Como isso seria deprimente! Suas dificuldades tinham propósito.
Então, penso que a primeira coisa que compreendemos ao chegar à Primeira Epístola de Pedro, no que diz respeito à provação da nossa fé, é que há um grande desígnio por trás da provação. E, se descobrirmos esse grande desígnio, conheceremos a preciosidade.
Diz no versículo 7:
Na qual grandemente vos alegrais.
Agora, pensem nisso. Não sei quanto a vocês, mas, quando leem essas palavras, isso não parece uma contradição? Muitas vezes, parece uma contradição para mim.
Aqui estão essas pessoas em dificuldades tremendas. Talvez eu não tenha deixado suficientemente claro como eram difíceis as circunstâncias delas. Estavam prestes a entrar na mais severa opressão e perseguição que quaisquer crentes haviam enfrentado antes ou enfrentariam depois.
Em meio àquelas dificuldades, eles se alegravam. Vocês conseguem imaginar? Isso me parece uma contradição. Mas, quando lemos essa palavra, parece-me que há uma mensagem aqui: aqueles que conhecem a preciosidade sabem se alegrar na provação.
Aqueles que conhecem a preciosidade aprendem a se alegrar e a seguir adiante. E eu me pergunto, porque meditei nisso. Pensei: “Senhor, isso é verdade em minha vida?”
Bem, não sei quanto a vocês, mas frequentemente descubro que sou um reclamão. Você é espiritual? A maioria de nós é de reclamões espirituais. É só encostar em mim — ai, ai! Provações? Ah, como é difícil! A primeira coisa que dizemos é como disseram no barco:
Senhor, perecemos!
“Tira isso de nós, Senhor” é a primeira coisa.
Não dizemos: “Senhor, Tu tens algo aqui para mim? É esta a prensa que deve extrair o azeite? É esta a pressão que deve transformar aquele velho carbono bruto em diamante? É este o fogo que deve transformar este velho minério cheio de impurezas em ouro?”
Fazemos isso? Não sei. Ao orar sobre esta palavra, descobri o quanto essa atitude é diferente da minha. E, ainda assim, parece-me que, quando lemos 1 Pedro, descobrimos que aquelas pessoas conheciam algo do valor da sua provação. Que o Senhor nos ajude.
O texto chega a dizer que vocês estão em grande tristeza. Não associamos a bênção de Deus à tristeza, associamos? Na verdade, há quem diga: “Essa tristeza — Deus não poderia estar com eles”. No entanto, o próprio Senhor estava no meio daquelas circunstâncias. É isso que precisamos enxergar.
Que o Senhor use todas as nossas circunstâncias para provar a nossa fé. Ouçam esta palavra:
A provação da vossa fé é mais preciosa do que o ouro que perece.
Dá-me uma nova atitude. Eu digo: “Senhor, não me deixes escapar. Não me deixes sair desta dificuldade sem aprender a lição”.
Se Tu permitires isso, não haverá ganho. Se Tu permitires isso, não haverá preciosidade. Se Tu me deixares escapar simplesmente porque eu grito, como lamentarei isso na manifestação do Senhor Jesus!
Para mim, parece ser isso que o Senhor tem usado para tocar profundamente o meu coração. Você sabe que há uma razão para a sua provação? Sabe que foi por isso que você foi deixado aqui? Para ser refinado no fogo do Refinador e levado a uma compreensão gloriosa de quão precioso o Senhor Jesus realmente é.
Caso contrário, quando você foi salvo, Ele o teria levado imediatamente para junto Dele. Mas, em Sua sabedoria, Ele o deixou aqui. E, em Sua sabedoria, Ele o faz passar por coisas que talvez você não escolhesse, das quais talvez não gostasse e que talvez nem quisesse, para conduzi-lo a uma condição mais elevada no Senhor Jesus.
A provação da nossa fé é mais preciosa. Agora, na Versão Amplificada, diz: “infinitamente preciosa”. Você consegue quantificar o infinito? Eu sempre detestava quando nos davam problemas sobre o infinito. Pensava: “Como isso é inútil para nós!” Vocês sabem o que quero dizer. Sempre levar ao infinito.
Mas você consegue definir o infinito? A provação da nossa fé é infinitamente preciosa para Deus. E, se perseverarmos, e se descobrirmos Cristo no meio das nossas circunstâncias, ela se tornará infinitamente preciosa para nós.
Foi isso que o salmista quis dizer:
Na angústia, Tu me deste largueza.
Parece que isso não pode acontecer de nenhuma outra maneira, de nenhuma outra forma, a não ser por meio de alguma dificuldade.
A vida cristã, querido santo — não sei de onde surgiu essa ideia de que a vida cristã é só bênção. Graças a Deus, é uma vida abençoada. Mas, a menos que haja alguma dificuldade, você nunca entrará na plenitude da herança. Essa, para mim, parece ser a mensagem.
Agora, há uma razão para a nossa provação. Tudo isso é para provar a nossa fé. F. B. Meyer, em seu livro Provados pelo fogo, uma breve exposição de 1 Pedro, disse que nossas provações e dificuldades vêm de três fontes. Gostaria de acrescentar uma quarta.
Ele disse que elas nos são trazidas por outras pessoas. Vocês conseguem imaginar? Acho que é com essas outras pessoas que mais gritamos — seres humanos que são a fonte das nossas dificuldades e provações.
Talvez esteja tudo bem se Deus fizer isso. Afinal, vocês sabem, Ele é Deus. Quero dizer, como reclamar? Mas, se outra pessoa for usada, bem, aí é outra história. Primeiro bata, depois faça perguntas.
Elas não vêm apenas por meio de outras pessoas; vêm também por meio dos nossos próprios pecados e erros. Não sei se é possível quantificar isso, mas acredito que grande parte das nossas dificuldades é causada por nós mesmos. Vocês concordam?
Costumo citar a tirinha Pogo: “Encontramos o inimigo, e ele somos nós”. Você descobrirá que a maioria dos seus problemas vem de você mesmo. Mas, de algum modo, Deus usa isso para nos conduzir a uma condição mais elevada.
Muitas das nossas provações vêm diretamente do próprio Deus. O próprio Deus está no centro de muitas coisas. Ele nos disciplina como filhos. Usa muitas coisas para nos conduzir a um lugar mais amplo.
E penso que devemos acrescentar que muitas tentações vêm do inimigo. Mas sabem de uma coisa? Quando vocês leem este livro, o inimigo não é mencionado com tanta frequência. Ouçam-me com muita atenção: Deus pode usar o inimigo para nos conduzir a uma condição mais elevada.
Vocês conseguem imaginar isso? Quando Judas veio, com maldade, ira e cheio de ódio, para trair o Senhor com aquela multidão cheia de ódio, vocês acham que Deus não estava naquilo? Judas foi inspirado pelo diabo. Um dos Evangelhos diz que Satanás entrou nele. Era o inimigo. Vocês acreditam, por um momento sequer, que Deus não usou aquilo?
E quanto a Jó? Pensem em Jó. Vocês percebem que foi Deus Quem mencionou Jó a Satanás? Acho isso tão terrível. Se eu fosse Jó, diria: “Deus, por que Tu precisaste falar de mim?”
Mas Ele fez isso. Satanás compareceu diante de Deus, diz em Jó 1, com os filhos de Deus. Deus disse: “E quanto ao Meu servo Jó?” Jó talvez tivesse pensado: “Eu gostaria que Tu não tivesses dito nada”. Mas Deus pode usar o inimigo.
Vocês se lembram de Pedro? Lembram-se da história em Lucas 22? Diz:
Simão, Simão, Satanás vos reclamou para vos peneirar.
Agora, eu pensaria que a coisa certa a fazer, se pudesse aconselhar Deus com toda a minha sabedoria, seria dizer: “Tu deverias ter dito não. Deus, basta dizer não. Dize a Satanás: ‘Pedro é Teu. Deixa-o em paz’”.
Impressionante. Jesus não fez isso. Ele disse:
Mas Eu roguei por ti.
Muito obrigado! Vocês compreendem? Deus pode usar até mesmo o Seu inimigo para nos conduzir a um lugar mais amplo em Cristo Jesus.
Ah, penso que precisamos enxergar a razão da nossa provação. É para nos provar. É para nos conduzir a um lugar mais amplo.
Ao ler este livro, parece-me que Deus, em Sua misericórdia, permite muitas coisas na vida do cristão das quais você esperaria que Ele o livrasse. Vocês entendem o ponto. Isso é algo muito humilhante, porque a minha teologia — talvez seja também a sua — é: “Senhor, livra-me”.
Parece-me que Ele não livrou imediatamente aqueles queridos irmãos, porque, no meio da pressão, no meio da provação, havia uma razão. Ele queria provar a preciosidade da fé deles.
Irmãos e irmãs, que Deus nos leve àquele ponto em que possamos aceitar de bom grado tudo o que vem da Sua mão e dizer ao Senhor: “Não me deixes ir. Não cedas ao meu clamor. Leva-me até lá. Mantém-me ali até que eu descubra a preciosidade”.
Há não muito tempo, fui conversar com Stephen, junto com os outros irmãos, a respeito de tudo por que temos passado nestes últimos anos. Aqueles de vocês que conhecem Stephen sabem que ele é um homem de pouquíssimas palavras. Às vezes, alguns de nós falamos demais — inclusive este que lhes fala.
Eu disse: “Irmão Stephen, como isso pode ser? Que ajuda você pode nos dar?” E ele disse esta palavra simples. Ela nunca mais me deixou. Ele disse: “Isto é uma prova. Isto é uma prova”.
E, com suas poucas palavras, ele disse: “Nossa oração deve ser para que sejamos aprovados na prova”.
Ó Deus, todos os dias, todos os dias, essa tem sido a minha oração: “Conduze-nos através desta prova. Que ela resulte na preciosa provação da nossa fé, que é mais preciosa do que o ouro que perece”. Então ela terá valor.
Parece que não há outro caminho. Parece que Deus precisa nos conduzir através da provação para nos provar. Outro dia, ouvi uma história sobre as rosas que produzem o perfume mais doce. Elas são encontradas nas montanhas dos Bálcãs e só podem ser colhidas à meia-noite.
Vocês compreendem? Se forem colhidas durante o dia, perdem quarenta por cento da sua fragrância. A provação tem uma razão.
A segunda coisa que parece vir a mim e me tocar neste versículo 7 é que descobrimos Quem é o Refinador na provação. Irmãos e irmãs, vocês não ficam felizes por não ser eu? Sem ofensa — por favor, não se ofendam —, mas fico feliz por não serem vocês.
Quando Davi foi levado diante de Deus para ser disciplinado, ele não quis ser entregue às mãos dos homens. Preferiu ser entregue às mãos do Deus vivo.
Ah, graças a Deus, o Refinador não é outro senão o próprio Deus. Graças a Deus, irmãos e irmãs, Aquele que tem a chama em Sua mão não é outro senão o próprio Deus. Que misericórdia é essa!
Penso que a segunda coisa que precisamos enxergar é que o próprio Refinador é Deus. Ah, como isso é belo! Não há ninguém mais misericordioso. Ele sabe exatamente quando aumentar a chama e, no momento em que você pensa que está prestes a ser consumido, Ele sabe exatamente quando diminuí-la.
Se dependesse de mim, eu não saberia quando aumentar a chama nem quando diminuí-la. Você viraria um pedaço de carvão. Graças a Deus, a chama está na mão Dele. Quanta misericórdia!
Para mim, esse é o maior de todos os consolos. Essa é uma descoberta preciosa: o Refinador é o próprio Deus.
Vocês sabem que, quando Daniel entrou no fogo — vocês conhecem a história; eu sempre digo: “Vocês sabem?”, mas vocês conhecem a história —, quando Daniel entrou no fogo, o que ele descobriu? O quarto Homem no fogo.
O Refinador estava no fogo com eles. Ah, que consolo é esse! Não estamos sozinhos no fogo. Há um quarto Homem no fogo. A história chega a dizer que, quando saíram do fogo, suas roupas nem sequer tinham cheiro de fumaça. Essa é uma boa notícia.
Ah, como isso deveria nos encorajar! Pergunto-me se Davi, caso não tivesse passado pelo vale da sombra da morte em Salmo 23, teria feito esta descoberta:
Porque Tu estás comigo.
Essa é uma grande descoberta. Essa é uma descoberta preciosa. Quando descobrimos que, no meio das nossas dificuldades, no meio das nossas circunstâncias, Ele está ali — e não apenas que Ele está ali, mas que a chama está em Sua mão e que Ele é Quem está realizando a prova —, que grande descoberta! Que paz isso traz ao nosso coração!
Lembro-me de quando cursei a disciplina de ensaios de materiais de construção: nós costumávamos quebrar coisas. Agora, senhoras, estou avisando: os homens gostam de quebrar coisas. Talvez vocês já tenham percebido isso. Kelly, estou avisando antes do casamento, para que você esteja preparada.
Entrávamos no laboratório, pegávamos barras de aço e as colocávamos nas grandes garras daquela máquina gigantesca de ensaios. Havia um enorme mostrador, e a máquina podia aplicar toda aquela força. Tracionávamos aquelas barras de aço, e a ruptura dúctil é uma coisa linda.
Tracionávamos aquelas barras de aço, e elas começavam a se estreitar como uma ampulheta. Então, de repente, rompiam e se fraturavam. Achávamos aquilo o máximo. “Puxa, me deem mais. Tragam um pouco de concreto.” Quebrávamos até a ruptura; a poeira voava por toda parte. Ah, aquilo era muito legal.
Mas Ele nos conduz através da prova. Há um limite. Mesmo nos ensaios de materiais, existe um estado-limite. Ele sabe qual é o nosso limite.
Diz em 1 Coríntios 10:13 — talvez eu esteja com a referência errada — que Ele não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar, mas, com a tentação, providenciará uma saída.
Ele sabe quando aplicar a pressão e sabe quando retirá-la. Se dependesse de mim, você seria uma barra quebrada. Mas, nas mãos do Refinador, Ele é muito gentil conosco. Vocês entendem o ponto? Para mim, esse é o maior encorajamento.
Ah, que Refinador amoroso nós temos! Isaías 43 — se vocês quiserem abrir, vou apenas ler estes versículos. Isaías 43:1-3. Acho que são versículos que vocês conhecem.
Mas agora assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque Eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és Meu.
Quando passares pelas águas, Eu estarei contigo; e, pelos rios, eles não te submergirão:
quando andares pelo fogo, não serás queimado; nem a chama arderá em ti.
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador.
Quando você passar pelas águas, elas não o submergirão. Quando passar pelo fogo, ele nem sequer o queimará. Por quê? Porque Ele é o Refinador. Essa é uma boa notícia.
Muitas vezes, ficamos com a impressão de que Deus é cruel. “Como Ele pôde me fazer passar por isso? Como Ele pôde fazer isso?”
Não sei se algum de vocês gosta desses programas sobre animais, mas também não sei quantos sabem como é o nascimento das girafas — já que vocês não são girafas. Mas parece um nascimento cruel.
A primeira coisa que acontece é que aqueles pequenos cascos e aquele focinho aparecem. Então a girafinha é expelida e cai de uma altura de três metros, de costas no chão. Uma maneira difícil de nascer.
A girafinha fica meio em choque, encolhida no chão. Ela sacode os resíduos do nascimento, e você pensaria que aquela mãe, com toda a sua doçura, se inclinaria para dar um beijo de girafa e dizer: “Minha doce girafinha”.
Mas a mãe usa uma de suas quatro patas e derruba aquela girafinha. Vai entender. O que deu naquela mãe girafa para fazer uma coisa dessas?
Ela faz isso de novo, e de novo, e de novo. Aquela pobre girafinha está dizendo: “Mamãe!” Ela continua fazendo isso até que a girafinha se levante e consiga ficar de pé sozinha.
Essa é a provação da fé. Vocês compreendem? Ah, que possamos reconhecer que as misericórdias de Deus às vezes parecem cruéis, mas Ele está procurando realizar algo. Ele está procurando fortalecer e provar a nossa fé por meio daquilo que permite e, no instante exato, realizará a Sua obra.
Para mim, essa é uma boa notícia.
Bem, estou ouvindo alarmes de relógios e todas essas coisas irritantes. Último ponto — apenas alguns pensamentos. Qual é o resultado da provação? Até mesmo a provação tem um fim.
Se vocês voltarem ao nosso texto, ele diz:
Recebendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
Irmãos e irmãs, é uma boa notícia saber que toda provação tem um fim.
Você não está nesse cadinho para sempre. Toda provação é medida pela mão do misericordioso Refinador. Toda provação tem um propósito, e toda provação tem um fim. Vocês compreendem isso? Isso é muito importante.
Recebendo o fim da nossa fé: a salvação das nossas almas. Graças a Deus, toda provação tem um fim.
Irmãos e irmãs, essa expressão, salvação da alma, é pouco compreendida no cristianismo atual. Sempre pensamos na salvação como nascer de novo. Isso vai muito além de nascer de novo.
Há algo que Deus faz profundamente dentro de nós pela obra do Espírito Santo, para que, ao final, o caráter do Senhor Jesus se manifeste por meio de nós. É isso que o processo de refinamento realiza. A salvação da alma é uma obra profunda.
Enquanto o próprio Refinador permanece sentado, acompanhando o refinamento do ouro e esperando que toda a escória seja removida, Ele olha para aquele ouro e vê o reflexo do Seu rosto. Essa é a salvação da alma. O fim é que Ele veja a Si mesmo em você. Essa é a razão. Esse é o fim.
Diz também em 2 Coríntios 4:17-18:
Porque a nossa leve aflição, que é momentânea, produz para nós um peso eterno de glória, sobremodo excelente;
não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que não se veem:
porque as coisas que se veem são temporais; mas as que não se veem são eternas.
Observem isso: nossa aflição momentânea e leve. A menos que vocês enxerguem a preciosidade, nunca pensarão nela dessa maneira. Mas ela produz para nós uma medida incomparavelmente maior de glória eterna.
Graças a Deus, há um fim; e, graças a Deus, o fim é Cristo.
Diz no versículo 8:
A Quem, não havendo visto, amais; no Qual, embora agora não O vejais, crendo, vos alegrais com alegria indizível e cheia de glória.
O fim da nossa fé, o fim da provação da nossa fé, talvez tenha a mais simples de todas as explicações: amar mais a Cristo.
Costumo cantar aquele cântico, embora eu não saiba cantar. Canto este cântico:
Mais amor a Ti, ó Cristo,
mais amor a Ti.
Se tudo por que passamos, queridos santos, puder, ao final, produzir mais amor a Cristo — se, ao final, Ele puder ver a Si mesmo no reflexo —, então tudo terá valido a pena, e a provação da nossa fé é preciosa.
Essa é a mensagem aqui. A provação da nossa fé é muito mais preciosa do que o ouro que perece. Você já descobriu que a razão de tudo por que passamos não é a destruição, mas a prova, o fortalecimento, a capacitação e a eternidade?
Você já viu, no meio da provação, o grande Refinador, com a chama em Sua mão? Que Refinador misericordioso! Você enxerga o fim? Tudo isso resulta em mais amor a Cristo?
Essa me parece ser a mensagem de 1 Pedro. Ah, pensem naquele hino, “Que firme fundamento”. Não sei se vocês têm meditado muito nessas estrofes, mas ele diz:
Quando teu caminho passar por provações de fogo,
Minha graça, plenamente suficiente, será o teu sustento;
a chama não te ferirá; Meu propósito é somente
consumir tua escória e refinar teu ouro.
A preciosa provação da nossa fé é mais preciosa do que o ouro.
Senhor, entregamos a Ti estes poucos e simples pensamentos. Como oramos para que o Teu Espírito Santo nos ensine os Teus caminhos!
Muitos aqui provavelmente estão passando por coisas que muitos nem sequer conhecem. Mas graças a Deus porque a Tua misericórdia está em nossas circunstâncias; porque Tu usas as nossas provações, as mais variadas provações; porque Tu usas as dificuldades; porque Tu podes até mesmo usar o inimigo para nos conduzir a um lugar mais amplo em Cristo Jesus.
Toma estas palavras que foram oferecidas e, de algum modo, ensina-nos a nos apoiar em Jesus como nunca antes. E, ao final, nossa oração é que Tu vejas em nós, como testemunho coletivo e em cada um individualmente, o perfeito reflexo do Teu próprio rosto. Amém.