Bem, boa noite, irmãos. É muito bom estar com vocês. Há bastante tempo, enquanto preparava meu coração diante do Senhor, tenho esperado por este momento de compartilhar com vocês o encargo que creio que Ele colocou em meu coração.
Estamos felizes por vocês estarem aqui, e oro para que tenham vindo para ver o Senhor Jesus. Certamente, é por isso que estou aqui. Oro para que Ele, como tem sido tão fiel em fazer, nos visite. Ele conhece o coração de vocês. Ele conhece a capacidade de vocês. Ele conhece a necessidade de vocês, e Ele é fiel para nos visitar.
Ao nos aproximarmos do estudo da Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável. Aqueles que já me ouviram antes provavelmente já me ouviram mencionar essa verdade.
Esse princípio é a dependência total do Espírito Santo de Deus. Precisamos do estudo acadêmico. Precisamos do aspecto humano deste Livro. Mas, se isso é tudo o que temos, então vocês poderiam ter aproveitado este fim de semana de uma maneira melhor.
Precisamos da revelação do Senhor, e somente Deus pode revelar Deus. Ele tem prazer em fazê-lo. Ele anseia por Se revelar, mas somente Ele pode revelar a Si mesmo.
Portanto, no fim das contas, você precisa vir — eu preciso vir — como uma criancinha diante do Senhor e simplesmente dizer: “Agora, Senhor, até onde sei, estes são os fatos. Fiz o trabalho pesado. Esta é a parte acadêmica. Agora, Senhor, ilumina estes fatos e revela o Senhor Jesus”.
Recentemente, tenho estudado o maravilhoso livro de Atos, e um versículo me chamou a atenção. Permitam-me colocá-lo diante do coração de vocês antes de examinarmos juntos a Palavra. É Atos 9:7, e tem a ver com a ocasião em que o Senhor apareceu a Saulo, vocês se lembram, no caminho de Damasco.
Em Atos 9:7, a Bíblia diz que aqueles que estavam ao redor dele, aqueles que estavam com ele, ouviram a voz. Mas, cerca de vinte anos depois, ele estava dando seu testemunho, contando a mesma experiência em Atos 22:9. Em Atos 22:9, diz que aqueles que estavam com ele não ouviram a voz.
Então, em Atos 9:7, diz que ouviram a voz, e depois, em Atos 22:9, diz que não ouviram a voz. Bem, eu não sei grego, mas sou grato às pessoas que escreveram sobre o grego em inglês, para que eu possa estudá-lo.
Estudei o que aquilo significava, e elas deram uma longa explicação sobre uma palavra especial e uma forma especial no caso genitivo. Essa é uma das poucas palavras usadas nesse caso, mas tudo se resume ao seguinte: em Atos 9:7, diz que ouviram algo da voz. Não ouviram a voz; ouviram algo da voz.
Provavelmente foi muito parecido com o que aconteceu em João 12:28, quando nosso Senhor Jesus ouviu uma voz do céu:
Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.
Os que estavam ao redor Dele disseram que parecia um trovão, e alguns disseram que era um anjo.
O ponto que estou procurando destacar é este: creio que o Senhor quer falar neste fim de semana, e seria uma pena se apenas ouvíssemos algo da voz, mas não ouvíssemos a voz.
Algumas pessoas ouvem algo da voz, mas não ouvem a voz. Seria uma pena se vocês fossem embora e alguém perguntasse: “Como foi o retiro?”, e vocês respondessem: “Ah, rapaz, parecia um trovão. Era algo como um anjo”.
Queremos ouvir o Senhor. Ele quer falar, e nós queremos ouvir — não apenas algo da voz; queremos ouvir a voz. Não queremos ouvir um trovão. Não queremos ouvir um anjo. Queremos que o Senhor fale conosco.
Ele prometeu que, se abríssemos bem a boca, Ele a encheria. É Seu prazer revelar Seu Filho a nós. Por isso, vou pedir a vocês, irmãos, que inclinem a cabeça comigo enquanto entregamos nosso tempo a Ele.
Nosso Pai, nós Te agradecemos porque podemos ouvir a voz, e não apenas ouvir algo da voz, e porque Tu falarás diretamente ao nosso coração.
Entregamos agora nosso tempo a Ti, e pedimos que, por Tua graça, retires o véu. Mostra-nos Jesus. Volta os olhos do nosso coração para Ele de maneira viva, de maneira nova.
Obrigado, Senhor, por Tua Bíblia, por cada parte dela. De modo especial, neste fim de semana, nós Te agradecemos por Juízes 6–8. Guia-nos enquanto meditamos juntos, e pedimos que possamos contemplar-Te.
Pedimos no precioso nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Embora eu já tenha indicado o texto, vou pedir que abram no Salmo 67, por favor. Ainda assim, vamos demorar um pouco para chegar lá, então deixem o dedo marcando a página, ou algo assim.
Permitam-me ir diretamente ao encargo que está em meu coração para este fim de semana. Vou apresentar vários versículos. Se quiserem procurá-los, podem fazê-lo, mas vou passar por eles bem depressa, apenas para expressar aquilo que considero o principal que quero compartilhar.
Em Gênesis 12:2-3, Deus dirigiu uma palavra ao pai da fé, a Abraão:
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei,
E engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
Apenas as duas partes desse versículo:
Abençoar-te-ei, e tu serás uma bênção.
Abençoar-te-ei, e tu serás uma bênção. Não posso ser uma bênção até que tenha sido abençoado, e você não pode ser uma bênção até que tenha sido abençoado.
A mesma verdade é ensinada no final do Antigo Testamento, em Zacarias 8:13:
E há de suceder que, assim como fostes maldição entre as nações, ó casa de Judá e casa de Israel, assim vos salvarei, e sereis uma bênção: não temais, esforcem-se as vossas mãos.
Não é uma palavra maravilhosa? “Eu os salvarei para que possam se tornar uma bênção.” Não sei se vocês conhecem o cântico que costumávamos cantar bastante, o cântico de Daniel Whittle, “Haverá chuvas de bênçãos”.
Vocês conhecem esse cântico:
Haverá chuvas de bênçãos;
Gotas de misericórdia caem ao nosso redor,
Mas pelas chuvas suplicamos.
Essa expressão, “chuvas de bênçãos”, é uma expressão bíblica. Está na Bíblia: chuvas de bênçãos. Mas a versão King James, na verdade, não capta o sentido do original. A New American Standard consegue captar esse sentido.
A Bíblia não diz: “Haverá chuvas de bênçãos”. Na Bíblia, diz: “Eles serão chuvas de bênçãos”. Não “haverá”; “eles serão”.
Ezequiel 34:26:
E a eles e aos lugares ao redor do Meu outeiro farei uma bênção;
E farei descer a chuva a seu tempo;
Chuvas de bênçãos serão.
Deus quer abençoar, mas escolheu abençoar por meio dos abençoados. Parece que o Senhor procurou recuperar essa verdade nestes dias por meio da oração de Jabez. Lembram-se dessa oração?
Se me abençoares muitíssimo, e ampliares os meus termos…
A bênção de Deus é redentora. Toda vez que Deus abençoa, é uma bênção missionária. É uma bênção evangelística.
Pedi que vocês abrissem no Salmo 67. Se olharem para ele, considero este o maior salmo missionário de todo o hinário, de todo o livro de Salmos.
Quero que observem os pontos extremos do Salmo 67 — em outras palavras, como ele começa e como termina. Vejam como começa, em Salmos 67:1-2:
Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe,
E faça resplandecer o Seu rosto sobre nós;
Para que se conheça na terra o Teu caminho,
E entre todas as nações a Tua salvação.
Vocês percebem a ligação? “Senhor, abençoa-nos. Faz resplandecer o Teu rosto sobre nós, para que o Teu nome seja conhecido na terra.”
Agora vejam como termina, em Salmos 67:6-7:
Deus, o nosso Deus, nos abençoará.
Deus nos abençoará;
E todas as extremidades da terra O temerão.
É o plano de Deus nos abençoar de maneira redentora, de maneira missionária. Essa é a nossa oração: que Deus abençoe nossa reunião, nosso encontro neste fim de semana.
Provérbios 10:22 diz:
A bênção do Senhor é que enriquece;
E Ele não acrescenta dores com ela.
O que poderíamos desejar mais, realmente, do que Deus abençoar nosso encontro neste fim de semana?
Ao percorrer a Bíblia, encontramos muitas ilustrações e símbolos da bênção do Senhor. Mas, repetidamente, há um símbolo que Deus usa. Ele o repete muitas e muitas vezes como ilustração de Sua bênção. Estou falando do orvalho do céu.
O orvalho é uma ilustração da bênção do Senhor. É difícil para nós compreender essa imagem, porque não temos um orvalho como o que existe na Terra Santa.
Vocês sabem que não chove muito por lá, e o orvalho é abundante. Eles se banham com esse orvalho. Recolhem o orvalho que escorre do telhado em grandes recipientes. É um orvalho muito, muito abundante.
Deus promete ao Seu povo que, se viver em união com Ele, enviará o orvalho do céu. Ouçam alguns desses versículos.
Ele anunciou que, se o povo de Deus se afastasse Dele, se se rebelasse contra Ele, reteria Seu orvalho. Ageu 1:10:
Por isso, os céus retêm sobre vós o orvalho,
E a terra retém os seus frutos.
O orvalho era o símbolo revigorante que Deus usava para representar a Si mesmo. Ouçam Oseias 14:5:
Eu serei para Israel como orvalho:
Ele florescerá como o lírio,
E lançará as suas raízes como o Líbano.
Provérbios 19:12 diz:
Como o bramido do leão é a indignação do rei;
Mas como o orvalho sobre a erva é a sua benevolência.
O remanescente — essa é a palavra do Antigo Testamento que corresponde à palavra vencedor no Novo Testamento —, o remanescente. Miqueias 5:7:
E estará o remanescente de Jacó no meio de muitos povos como orvalho do Senhor,
Como chuvisco sobre a erva,
Que não espera pelo homem,
Nem aguarda os filhos dos homens.
E o salmo que cantamos — ou melhor, o salmo que lemos —, Salmos 133:1, 3:
Oh! Quão bom e quão suave é
Que os irmãos vivam em união!
Como o orvalho de Hermom,
Que desce sobre os montes de Sião:
Porque ali o Senhor ordena a bênção,
A vida para sempre.
O símbolo da bênção de Deus é o orvalho do céu.
Agora, se vocês abrirem em Juízes, apresentei isso como pano de fundo porque nos introduz a um personagem especial da Bíblia que ansiava pela bênção de Deus.
Estou falando do quinto juiz de Israel, o homem que está associado de maneira especial ao orvalho por causa de sua oração. Lembrem-se: Gideão pediu ao Senhor: “Encharca o velo com orvalho”, e depois: “Encharca a terra ao redor do velo com o orvalho do céu”.
Gideão, filho de Joás — aqui estava um homem que ansiava que Deus abençoasse Seu povo. Ele orou para que o orvalho de Deus descesse do céu.
Deus respondeu à sua oração, e queremos examinar isso neste fim de semana. Deus lhe ensinou como ser abençoado para que pudesse ser uma bênção, para que Deus pudesse abençoar por meio dele.
Gostaria que, neste fim de semana, com a ajuda de Deus, olhássemos para Gideão, examinássemos sua vida e observássemos a mão de Deus enquanto Ele age em sua vida.
A história de Gideão, conforme vamos abordá-la, é um relato extenso. Vai de Juízes 6:1 até Juízes 8:35 — cem versículos. Mais adiante há outros relatos sobre a velhice de Gideão e sua família, mas não vamos entrar nisso.
Gostaria de separar a história de Gideão de seu contexto em Juízes. Creio que isto é suficiente como pano de fundo: a história de Gideão se passa nos dias dos juízes.
Os dias dos juízes abrangem cerca de trezentos e cinquenta anos da história de Israel. Às vezes, esse período é chamado de Idade das Trevas da história de Israel.
Vocês conhecem a expressão que aparece quatro vezes — em Juízes 17:6; 18:1; 19:1; 21:25:
Naqueles dias não havia rei em Israel: cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos.
Assim eram os dias dos juízes: anarquia, independência, idolatria, imoralidade — dias terríveis, sombrios, muito sombrios.
Juízes não registra tudo, mas nos apresenta a tragédia daquele tempo. Algumas pessoas percorrem o livro de Juízes e observam que há seis períodos de declínio espiritual.
Em outras palavras, naquele período de trezentos e cinquenta anos, seis vezes eles se afastaram do Senhor, e seis vezes Deus enviou um opressor estrangeiro para humilhá-los. Seis vezes clamaram ao Senhor, e seis vezes Deus levantou um juiz para libertá-los.
A história de Gideão corresponde ao quarto período de declínio espiritual. Estou apenas procurando situá-la para vocês. Ao todo, há treze juízes. Gideão é o quinto juiz. Deus nos conta a história de apenas oito desses treze juízes; os outros, Ele apenas menciona.
Dito isso, a atuação do juiz Gideão acontece nos dias sombrios, muito sombrios, dos juízes. Com a ajuda de Deus, quero destacar Juízes 6–8 do livro de Juízes e compartilhar com vocês a história desse homem e, assim espero, o coração de Deus.
Antes de começarmos propriamente em Juízes 6, permitam-me dar, para aqueles que gostam de uma conexão lógica, uma pequena visão geral do que gostaria de examinar.
Terei quatro oportunidades, pelas quais louvo ao Senhor, de proclamar a vocês as insondáveis riquezas do Senhor Jesus Cristo.
Nesta noite, gostaria de mostrar a vocês, em Juízes 6:1-24, a presença do Senhor. Isso fará mais sentido à medida que desenvolvermos o assunto, mas, apenas para dar uma ideia: a presença do Senhor.
Depois, amanhã de manhã, se o Senhor quiser, em Juízes 6:25–7:8, a preeminência do Senhor Jesus Cristo.
Amanhã à noite, em Juízes 7:1-21, a manifestação do Senhor Jesus Cristo: a liberação de Sua vida por meio de vasos quebrados.
Então, se o Senhor quiser, na manhã do Dia do Senhor, em Juízes 7:22–8:35, a glória do Senhor Jesus Cristo.
Oro para que vocês percebam, ao longo do estudo, como tudo isso se conecta.
Abram, por favor, em Juízes 6. Na primeira vez em que encontramos Gideão na Bíblia, ele está na presença do Senhor Jesus Cristo. É assim que ele nos é apresentado.
O Senhor Jesus Cristo veio na pessoa do Anjo do Senhor, e é ali que encontramos Gideão. Juízes 6:11:
Então o Anjo do Senhor veio, e assentou-Se debaixo do carvalho que estava em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita: e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o esconder dos midianitas.
Nossa primeira imagem de Gideão, enquanto está na presença do Senhor Jesus, é a de um homem malhando trigo no lagar. Agora, tentem visualizar isso: malhar trigo num lagar.
Dizem-nos que os lagares naquela época ficavam nas baixadas. Havia duas grandes lajes de pedra, uma um pouco mais alta que a outra. Esmagavam as uvas em uma delas, e a gravidade fazia o suco descer para ser recolhido na cavidade da outra.
O lagar ficava nas baixadas. As uvas são pesadas, então é mais fácil levá-las morro abaixo do que morro acima.
Mas o contrário se aplica à debulha do trigo. Não faziam isso nas baixadas. Procuravam o lugar mais alto que pudessem encontrar para malhar o trigo, e a razão era que aproveitavam o vento.
Malhavam o trigo, e o vento vinha e levava a palha. Então o grão bom caía. Era assim que faziam.
Então, por que Gideão está malhando trigo num lugar baixo, no lagar? Por que não está lá no monte, onde deveria estar, num lugar elevado? A resposta está em Juízes 6:1-6.
Deve ter sido frustrante para ele, lá embaixo, onde não havia vento, bater o trigo contra a pedra e ver a palha cair junto com o grão e tudo mais.
Juízes 6:1-6:
Porém os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor: e o Senhor os entregou na mão dos midianitas por sete anos.
E a mão dos midianitas prevaleceu contra Israel; e, por causa dos midianitas, fizeram os filhos de Israel para si as covas que estão nos montes, e as cavernas, e as fortificações.
Porque sucedia que, semeando Israel, os midianitas e os amalequitas e os filhos do oriente subiam contra ele;
E acampavam-se contra eles, e destruíam os frutos da terra, até chegarem a Gaza, e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.
Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos em multidão; tanto eles como os seus camelos eram inumeráveis: e entravam na terra para a destruir.
Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor.
Gideão está se escondendo dos midianitas. É por isso que não está no lugar alto. Se estivesse lá, o inimigo veria a nuvem de palha, e então viria e confiscaria toda a comida.
Durante sete anos, eles passaram por isso. A cada colheita — e havia umas duas colheitas por ano — os invasores subiam: os filhos do oriente, os amalequitas e os midianitas.
Eles subiam, diz Juízes 6:5, como gafanhotos. Enchiam a terra. Devoravam as plantações, e a Bíblia diz que aquilo que não devoravam, destruíam.
Gente cruel, muito cruel. Em Salmos 83:12, Asafe olha para esse mesmo relato e cita o que os líderes deles disseram:
Tomemos para nós em possessão
As pastagens de Deus.
É isso que o inimigo diz. O inimigo é um usurpador. Ele quer entrar e tomar posse das pastagens do Senhor.
Já seria grave se o inimigo simplesmente entrasse e levasse toda a comida de um povo agrícola, mas, segundo o relato de Juízes 6:4, eles não levavam apenas as colheitas; levavam também os animais. Levavam os bois. Levavam as ovelhas. Levavam tudo.
Eles não apenas invadiam, nem traziam apenas soldados. Como isso era intimidador! Traziam suas famílias, seus camelos e seus servos para levar todos os despojos. Traziam os servos para levar os animais. Simplesmente enchiam a terra.
Juízes 6:5 diz:
Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos em multidão; tanto eles como os seus camelos eram inumeráveis.
Gideão nos é apresentado como um homem que, naquela situação, está tentando fazer o melhor que pode em meio a uma situação horrível.
Foi uma ideia bastante inteligente, na verdade, encontrar uma maneira, com esses inimigos chegando, de pegar o trigo e batê-lo contra as pedras no lagar, nas baixadas. Era um trabalho árduo, e demorava muito mais para conseguir um pouco de grão para fazer algum pão.
Acho que foi uma ideia bem esperta. Ele está tentando ser mais esperto que o inimigo.
Não sabemos exatamente o tamanho de sua família. Ele está tentando sustentar a família. Em Juízes 6:15, sabemos que ele é o mais novo na casa de seu pai. Mas onde estão seus irmãos? Por que não estão malhando trigo no lagar?
Não temos certeza absoluta, mas Juízes 8:18-19 conta como os midianitas haviam matado seus irmãos. Não sabemos quando. Pode ter sido nessa época, e talvez seja por isso que Gideão está sozinho.
Sabemos que sua família tinha pelo menos dez servos. Gideão está trabalhando em circunstâncias impossíveis, tentando conseguir pão suficiente para si mesmo, para sua família, para seus servos e, provavelmente, para seus vizinhos, se vocês perceberem o coração de Gideão.
Essa é nossa primeira visão de Gideão. É nesse momento que Jesus aparece. Esse é Gideão visto por fora. Esse é Gideão, malhando trigo contra a pedra no lagar.
Vamos olhar para o interior de Gideão. Olhem para seu coração. Olhem para seu encargo.
Ao meditarmos na conversa que Gideão teve com o Anjo do Senhor — a segunda Pessoa da Divindade, nosso Senhor Jesus —, ouçam Juízes 6:12:
Então o Anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso.
Gideão Lhe disse, em Juízes 6:13:
Ai, Senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio? E que é feito de todas as Suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém agora o Senhor nos desamparou, e nos entregou na mão dos midianitas.
Então o Senhor olhou para ele e disse, em Juízes 6:14:
Vai nesta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas: porventura não te enviei Eu?
Voltem, por favor, a Juízes 6:12:
O Senhor é contigo, homem valoroso.
Os comentaristas dedicaram tanto tempo à última metade do versículo — “homem valoroso” — que deixaram de perceber a primeira metade:
O Senhor é contigo.
Vocês notaram que Gideão não ficou muito surpreso quando Ele disse isso? “O Senhor é contigo, homem valoroso.” Será que Gideão havia conquistado a reputação de guerreiro valente? Talvez por meio de alguma guerra de guerrilha, táticas de atacar e fugir, e assim por diante.
Parece que o inimigo sabia quem ele era. Conheciam seu nome. Lembram-se de quando, mais tarde, um dos midianitas teve um pesadelo? Disseram: “Esta é a espada de Gideão, filho de Joás”. Sabiam quem ele era.
Talvez ele fosse um guerreiro valente, que atacava e fugia. Não sabemos. Algumas pessoas entendem que essa expressão era profética: que o Anjo não estava dizendo “ó guerreiro valente”, mas declarando o que ele seria — que Deus faria dele um guerreiro valente. Isso também é possível.
Mas, como eu disse, dedicamos tanto tempo a “guerreiro valente” que esquecemos a primeira parte: “O Senhor está com você”. O Senhor está com você. Não leiam isso como quem diz: “Lá, lá, lá”.
Aqui está algo extraordinário, irmãos. A segunda Pessoa da Divindade, nosso Senhor Jesus Cristo, veio lá do céu para ficar ao lado de Gideão enquanto ele malhava trigo no lagar e dizer: “O Senhor está com você”.
Vocês podem olhar para a resposta de Gideão, para sua reação, e dizer: “Parece que Gideão teve dificuldade com o que o Senhor disse”. O Senhor disse: “O Senhor está com você”. Se lerem de determinada maneira, talvez pensem que ele respondeu: “Ah, sei”.
Mas creio que, se lerem com mais atenção, não verão essa dificuldade. Não acho que Gideão estivesse contestando isso. “O Senhor está com você” — creio que ele sabia disso. Não acho que tivesse qualquer dificuldade com isso.
O país inteiro está empobrecido — Gideão, não. Gideão, não. Ele não está empobrecido. Eles não têm colheitas; Gideão tem. Ele está malhando trigo.
Eles não tinham pão; Gideão tinha. Eles não tinham animais. Daqui a pouco, vamos vê-lo oferecer animais ao Senhor. Ele tinha animais.
De onde ele tirou tudo isso? Não acho que ele esteja tendo dificuldade com essa afirmação. Mais adiante, vamos vê-lo oferecer esses animais. Ele traz uma grande medida de farinha. De onde tirou isso? Ele traz pães sem fermento. De onde os tirou?
Um dia depois, ele oferece um touro de sete anos. Isso corresponde a todo o período da opressão. De onde tirou todas essas coisas? Como é que ele tem servos, pão, trigo, carne, animais, cabritos e touros?
Creio que ele está se saindo bem, e creio que é porque o Senhor está com ele. Ele sabe disso. “O Senhor está com você.” Ele não tinha dificuldade com isso.
Olhem para o comentário dele ao Anjo do Senhor, e creio que verão seu coração, seu encargo e sua paixão. Juízes 6:13:
Gideão Lhe disse: Ai, Senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio?
Gideão não teve dificuldade quando o Senhor disse: “Ó guerreiro valente”. Não teve dificuldade com isso. Gideão não teve dificuldade quando Ele disse: “O Senhor está com você”. Ele não contestou isso de modo algum.
O que estava incomodando Gideão? Vocês perceberam em Juízes 6:13? Ele mudou o pronome. Mudou o pronome do singular para o plural.
O Senhor disse: “O Senhor está com você”. Gideão, um homem — você —, o Senhor está com você. E Gideão olhou ao redor, para seu povo, e disse: “Sim, mas e nós?”
“Sei que o Senhor está comigo, mas, quando olho para essas pessoas, quando vejo o Teu rebanho…” O coração de Gideão ardia pelo corpo. Seu coração ardia pelo povo de Deus.
Ele disse: “Sei que o Senhor está comigo, mas Ele não está conosco. Olha ao redor. O inimigo está nos oprimindo. Não há milagres. O Senhor não está fazendo nada. O povo está vivendo nas trevas, em cavernas, em buracos no chão”.
Vejam Juízes 6:2:
E a mão dos midianitas prevaleceu contra Israel; e, por causa dos midianitas, fizeram os filhos de Israel para si as covas que estão nos montes, e as cavernas, e as fortificações.
Aquilo estava acabando com Gideão.
Uma das maneiras pelas quais Deus respondeu à oração, ao clamor de Seu povo, foi enviar um profeta antes de levantar o juiz. Vocês notaram o que o profeta disse em Juízes 6:8-10?
Eu vos fiz subir do Egito, e vos tirei da casa da servidão;
E vos livrei da mão dos egípcios, e da mão de todos quantos vos oprimiam;
E os expulsei de diante de vós, e vos dei a sua terra.
Gideão olha para tudo aquilo e diz: “Olha para o Teu povo. Eles foram salvos para algo maior do que isso. Não deveriam estar vivendo assim”.
Estão vivendo nos montes, em buracos no chão. Estão vivendo como animais — como toupeiras, como ratos — nas cavernas, afastados da luz do dia.
Sabem, ver todas aquelas cavernas nos montes do Afeganistão realmente tornou isso vivo para mim. Imaginem o povo de Deus, redimido para viver na terra e desfrutar da plenitude, agora vivendo como ratos que se alimentam de restos — reduzido a viver em buracos, cavernas e trevas.
Esse é o povo redimido do Senhor. Até no deserto eles viviam melhor do que isso.
Estou sugerindo a vocês, irmãos, que esse é Gideão. Aquilo estava partindo seu coração. Pessoalmente, ele estava bem. O Senhor estava com ele. Ele era um guerreiro valente. Estava sobrevivendo. Estava se saindo bem.
Estava descobrindo como enganar o inimigo e conseguir comida suficiente para sua família, seus servos e assim por diante. Mas, quando olhava para fora e via o povo de Deus, seu grande coração começava a se partir.
Ele disse ao Anjo do Senhor: “Olha para eles. Olha para eles — para a maneira como estão vivendo. Sei que Tu estás comigo, mas Tu os abandonaste”.
Havia sete anos que viviam assim. Tudo o que faziam acabava fracassando. Chegava até o momento da colheita, e então morria, porque os inimigos a levavam. Na verdade, “fracassando” provavelmente não é uma palavra forte o bastante. Era um aborto. O inimigo entrava e simplesmente levava tudo antes que eles pudessem desfrutar de qualquer coisa.
Irmãos, permitam-me concentrar a atenção nesta grande verdade. Gideão estava se esgotando, por assim dizer, batendo trigo contra uma pedra para poder ser uma bênção para sua família, uma bênção para seus servos e uma bênção para o povo de Deus.
Não creio que haja qualquer dúvida quanto ao encargo de Gideão, e não há dúvida de que ele estava fazendo tudo o que podia. Não sabia o que mais fazer.
Então ele desce e encontra a única coisa que pode fazer. “Se vou abençoar, se vou ajudá-los, se vou alimentá-los, se vou sustentá-los…”
Gideão tinha a resposta na própria boca, no próprio coração. Ele a disse, mas não sabia. Vocês sabem como às vezes podemos dizer algo — conhecemos a verdade —, mas Deus precisa nos ensinar aquilo que sabemos. Deus precisa revelar aquilo que já sabemos.
Vamos ver isso três ou quatro vezes na experiência de Gideão.
Por que você é abençoado, Gideão? Resposta: “O Senhor está comigo”. É por isso que sou abençoado.
Por que eles não são abençoados, Gideão? “O Senhor não está com eles.” É por isso que não são abençoados.
Ele tinha a resposta. É a presença do Senhor que traz bênção. Se não há a presença do Senhor, não há bênção.
“Sou abençoado porque Tu estás comigo. Eles não são abençoados porque Tu não estás com eles.” Ele tinha a resposta, mas não sabia.
Agora Deus está prestes a ensiná-lo, a torná-lo vivo para aquilo que já sabe. Assim que Gideão expressou essa verdade — “Ele está comigo; sou abençoado. Ele não está com eles; eles não são abençoados” —, vem Juízes 6:14.
O Anjo do Senhor olhou para ele. Gosto muito disso. O Anjo do Senhor olhou para ele — aquele olhar precioso. Creio que Ele olhou para ele, olhou dentro dele, olhou através dele. É como o olhar que Ele dirigiu a Pedro. Há algo no olhar do Senhor.
Então Ele disse:
Vai nesta tua força.
“Vai nesta tua força.” O que isso significa? Alguns dizem que se refere ao que vem depois: “Porventura não te enviei Eu?” Certamente isso é verdade. Grande parte de nossa força está em nossa comissão: o Senhor nos enviou.
Mas creio que é possível — e estou sugerindo que esse seja o sentido — que não esteja se referindo ao que vem depois: “Vai nesta tua força. O Senhor está com você”. Em vez disso, refere-se ao que veio antes.
É como se o Anjo estivesse dizendo a Gideão: “Gideão, embora você não saiba, você sabe. Você descobriu um grande segredo. Descobriu uma grande verdade”.
“Você é abençoado por causa da presença do Senhor. Eles não são abençoados porque não estão na presença do Senhor. A presença do Senhor é o que traz bênção. A única esperança de bênção é a presença do Senhor.”
“Essa é a coisa suprema. É isso que importa. Gideão, diga outra vez: a presença do Senhor é bênção. Vá nesta sua força — nessa descoberta, nesse segredo, nessa revelação.”
“Você já disse isso. Agora compreenda o que está dizendo. A presença do Senhor traz bênção, e isso o fortalecerá enquanto você avança para libertar Meu povo.”
Irmãos, não tenho tempo para desenvolver tudo isso, mas é um fato triste que o povo de Deus hoje não esteja realmente preocupado com a presença do Senhor.
Falam muito da bênção do Senhor, mas não da presença do Senhor. Pensam que, de alguma maneira, podem fazer descer o orvalho do céu e a bênção do Senhor por meio de programas, métodos, números, livros, fitas, conferências ou todo tipo de coisa.
Quem está clamando pela presença do Senhor? É ali que está a bênção. É ali que está a bênção.
Foi isso que Gideão descobriu. Quando disse: “A presença do Senhor é bênção”, Deus olhou diretamente para ele e disse: “Sim. Agora vá nessa sua força”.
Na compreensão de que é a presença do Senhor — não se pode separar a presença do Senhor da bênção do Senhor. Elas estão unidas assim. Pertencem uma à outra.
Agora acompanhem, por favor, o que acontece no coração de Gideão. Ele deseja tanto ser uma bênção. Deseja tanto transmitir a bênção do Senhor, e quase se esgotou tentando, com sua própria sabedoria e energia, trazer uma bênção.
Mas agora ele recebeu uma revelação do Senhor. Conversou com Jesus. Viu o Senhor e compreendeu o princípio: na presença do Senhor, há bênção.
Seu encargo não foi em vão, porque agora Deus lhe comunicou este grande princípio:
Vai nesta tua força.
A próxima pergunta é: “Como?” Essa é uma boa pergunta. “Obrigado. Eu quero. Como?”
Juízes 6:15:
E ele Lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai.
O restante da história de Gideão é a resposta a essa pergunta: “Como posso libertar?”
Bem, há uma resposta simples: você não pode. Ele disse: “Não há sangue real em minhas veias. Não tenho dons especiais. Não tenho talentos especiais. Não sou ninguém. Como posso libertar?”
Juízes 6:16:
E o Senhor lhe disse: Porquanto Eu hei de ser contigo, tu ferirás os midianitas como se fossem um só homem.
Quando ele perguntou: “Como posso libertar?”, naquilo que vem a seguir o Senhor escreveu uma sentença de morte sobre essa pergunta.
Gideão começa a experimentar a emoção de descobrir o que significa entrar na bênção para poder abençoar. Gideão não será o juiz. Não será o libertador.
Ele será o canal por meio do qual o Libertador libertará. Será o instrumento por meio do qual o Salvador poderá salvar e Aquele que abençoa poderá abençoar.
Quero chegar ao cerne desta próxima parte e deixar que vocês meditem, em oração, sobre Juízes 6:17-24, sobre esse grande acontecimento entre Gideão e o Senhor.
Vejam Juízes 6:17-18:
E ele Lhe disse: Se agora tenho achado graça aos Teus olhos, dá-me um sinal de que és Tu Que falas comigo.
Rogo-Te que daqui não Te apartes, até que eu venha a Ti, e traga a minha oferta, e a ponha perante Ti.
E Ele disse: Eu esperarei até que voltes.
O que é essa oferta que ele trouxe? Vocês dizem: “Bem, está claro. Basta ler Juízes 6:19. Ele trouxe um cabrito, pães sem fermento, um efa de farinha e um pouco de caldo numa panela”.
Não, é mais profundo do que isso, irmãos. Isso é apenas uma representação daquilo que ele trouxe. Alguém diz: “Bem, ele apenas trouxe um dízimo”. Não, ele não trouxe um dízimo. “Trouxeram uma refeição de comunhão. É apenas um símbolo de hospitalidade.” Não, há um segredo nisso.
Vou dizer o que ele trouxe. Vejam, aquilo foi uma entrega.
Era isso que ele vinha fazendo. Vinha batendo trigo contra a pedra. Vinha tentando prover o sustento. Vou dizer o que ele colocou diante do Senhor: ele entregou seu ministério.
Aquilo era uma oferta. Era seu trabalho. Era seu próprio esforço e sua própria tentativa de abençoar o povo de Deus.
Ele trouxe essa grande oferta, esse trabalho de amor que havia realizado, e a colocou sobre uma rocha. Para Gideão, foi um tremendo passo de fé. Não se esqueçam dos dias em que ele estava vivendo. Ele trouxe uma oferta enorme aqui.
Creio que seu coração estava dizendo: “Senhor, tenho estado tão cansado, batendo meu trigo contra uma pedra, e o povo de Deus não tem sido abençoado. Estou tão cansado”.
Creio que, se algum de nós esteve envolvido em um ministério desse tipo, isso se parece mais com bater a cabeça contra uma pedra — trabalhar tanto e por tanto tempo para obter tão pouco.
Então você olha para fora, e o povo de Deus continua vivendo nas cavernas e nas trevas, empobrecido e escravizado pelo inimigo. Seu coração quer saltar do peito e dizer: “Senhor, o que vou fazer? Como posso ajudar nessa situação?”
“Eu estou bem. Obrigado, Senhor, por Tua presença. Obrigado pela revelação que me deste. Tu tens suprido minhas necessidades. Mas Teu povo, Tuas ovelhas — olha para eles. Estão vivendo num buraco. Estão vivendo debaixo da terra.”
“Estão como animais que vivem de restos. Não deveriam estar vivendo de restos. Foram redimidos para algo maior do que isso. Foram salvos para algo maior do que isso, e quero ver mais do que isso.”
Deus diz: “Aqui está o segredo. Você o aprendeu. Você o disse. Saiu de sua boca. Na Minha presença, há plenitude de alegria. Na Minha presença, há bênção”.
“Você é abençoado porque está na Minha presença. Eles não são abençoados porque não estão na Minha presença. É a presença do Senhor. Vá nesta sua força — no conhecimento desta verdade: que é a presença do Senhor.”
Então Gideão pega seu programa, seu ministério engenhoso, suas ideias, e os coloca sobre uma rocha diante do Senhor.
Observem Juízes 6:21:
E o Anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado que estava na Sua mão, e tocou a carne e os bolos ázimos; então subiu fogo da rocha, e consumiu a carne e os bolos ázimos: e o Anjo do Senhor desapareceu de seus olhos.
Cinzas. Tudo aquilo pelo que ele havia trabalhado — todo o seu ministério — virou fumaça. Acabou.
E o Senhor também foi embora. Ótimo — agora Ele também foi embora. Tudo se foi, e Gideão está ali, de pé.
Não me entendam mal. O Senhor não está zangado com Gideão por causa daquele ministério. Ao consumi-lo, Ele o aceitou. “Obrigado pelo seu coração. Obrigado pelo seu encargo. Obrigado pela sua paixão. Mas entregue tudo isso. Não é assim que você vai abençoar alguém.”
Para Gideão, seus dias de bater trigo contra uma pedra haviam terminado.
Irmãos, apenas uma breve palavra de testemunho. Quase consigo me lembrar do dia — certamente me lembro da época — em que coloquei meu ministério sobre uma rocha.
Eu me esforçava tanto para ser uma bênção. Não compreendia a presença do Senhor. Não compreendia o que era conhecer o Senhor.
Lembro-me tão bem de me esforçar tanto, e tive de entregar tudo. Deus consumiu aquilo, e eu estava completamente sozinho, e Ele havia ido embora. Não sabia o que fazer nem para onde me voltar. Tudo o que sabia era que queria morrer.
Em certo sentido, é nessa situação que Gideão está. Ele só quer morrer. Não sabe o que fazer. Viu o Senhor. Foi uma revelação tão gloriosa.
Mas agora está sozinho, despojado e abalado. Então Deus fala do céu. Ele já não está visivelmente ao seu lado; fala do céu.
Juízes 6:22-24:
Então viu Gideão que era o Anjo do Senhor; e disse Gideão: Ah, Senhor Deus! Pois vi o Anjo do Senhor face a face.
Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo; não temas: não morrerás.
Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou: O Senhor é Paz.
Deus é paz. Deus é paz.
Aquele foi o começo de seu destino. Foi o começo da vida de Gideão, realmente, bem ali. Ele ansiava tanto por ser uma bênção e ansiava que o povo de Deus saísse de suas cavernas. Não deveriam ser moradores de cavernas. Deveriam estar desfrutando da plenitude do Senhor.
Agora Deus vai ensiná-lo a ser abençoado para poder abençoar. Eles nunca mais serão os mesmos.
Mas, enquanto ele está ali, agora sem seu ministério — deixou seu trabalho, deixou o pastorado e não tem mais nada —, simplesmente fica de pé e diz: “E agora? Fiz a coisa certa? Cometi um erro? Foi uma grande tolice entregar tudo?”
Não. Ele aceitou aquilo e, de repente, Deus lhe deu paz. Havia feito a coisa certa, e sabia, no mais íntimo de seu coração, que havia feito a coisa certa.
Não sabia para onde aquilo o levaria dali em diante. Tudo o que sabia era: “Não vou mais bater trigo contra a pedra para abençoar o povo de Deus. Toda essa maneira de viver e servir a partir das baixadas não é o caminho de Deus”.
“Aprendi o segredo: na presença do Senhor, há bênção.”
Quero colocar mais um conceito diante do coração de vocês nesta noite, para apresentar o encargo que está em meu coração. Depois vamos desenvolvê-lo, se o Senhor quiser, nos próximos dias.
Com base nessa verdade — que na presença do Senhor há bênção —, vocês não pensariam que o novo ministério de Gideão consistiria em Deus ensiná-lo a levar a presença do Senhor ao povo?
Já que a presença do Senhor traz bênção, vocês pensariam: “Aqui está a maneira de levar a presença do Senhor ao povo”. Mas não é isso que acontece. Que história maravilhosa! Acompanhem a história de Gideão. É tão extraordinária.
Não é isso que Deus ensina a Gideão: como levar a presença do Senhor ao povo. Embora seja o povo que esteja vivendo sob opressão, vivendo em cavernas, vivendo nas trevas, vivendo na pobreza, e embora seja o povo que tenha uma necessidade desesperadora, Deus trata com o povo apenas indiretamente.
“Você quer ajudar o povo? Então preciso tratar com você, Gideão”, diz o Senhor.
Vocês dizem: “Pensei que Gideão estivesse bem. Pensei que o Senhor estivesse com ele”. Ele aprendeu este segredo: na presença do Senhor, há bênção.
Agora, aqui está a sabedoria de Deus. Deus Se coloca ali e diz: “Gideão, aqui está o segredo. Você o aprendeu. Essa será sua força. Na Minha presença há bênção”.
Então Deus diz: “Agora venha para a Minha presença, Gideão”. Gideão começa a entrar no grande mistério que é Deus. Vamos observar o Senhor tomar sua mão.
Esse é o esboço que vamos seguir. Deus diz: “Venha, Gideão. Preciso lhe mostrar Minha preeminência”. À medida que Gideão vê a preeminência de Deus, algo acontece lá fora, onde o povo vive nas cavernas.
Depois que ele vê isso, Deus diz: “Venha, Gideão. Entre mais na Minha presença e aprenda o que é liberar Minha vida por meio de um vaso quebrado”. À medida que Gideão entra na presença do Senhor, o inimigo começa a perder terreno e as pessoas começam a sair das cavernas.
Então Deus diz: “Venha, Gideão, para o lugar secreto, para a glória do Senhor”. Vamos observar Gideão, não o povo.
À medida que Gideão se aprofunda no Senhor, no conhecimento de Deus e na presença de Deus; à medida que abraça a preeminência de Cristo; à medida que compreende o que significa liberar a vida de Deus; à medida que se apropria da glória de Deus, o inimigo é derrotado e o povo sai para a luz do dia.
Irmãos, esse é o encargo que está em meu coração para compartilhar neste fim de semana. Essa é a mensagem do Senhor para este fim de semana: como avançar para dentro da presença do Senhor.
Como consequência, vocês serão uma bênção. Isso é uma consequência. Mas toda a importância está em acompanhar Gideão em direção ao próprio Deus.
Tudo começa quando o Anjo de Deus, o Senhor Jesus, desce e diz: “Você está cansado de bater seu trigo contra uma pedra? Está cansado desse ministério? Está pronto para entregá-lo?”
“Está pronto para Me deixar consumi-lo? Está pronto para Me deixar pronunciar uma sentença de morte sobre tudo isso, de modo que não haja mais ninguém — apenas você e Eu? Então venha para a Minha presença.”
Ah, irmãos, isso é extraordinário. Que Deus nos ajude a preparar nosso coração enquanto caminhamos com Gideão para dentro da presença do Senhor.
Vamos orar.
Pai, nós Te agradecemos muito, muito, por Tua preciosa Palavra — não pelo que pensamos que ela possa significar, mas pelo significado que Tu lhe deste por inspiração.
Opera isso em nosso coração. Ensina-nos o que significa haver plenitude de alegria em Tua presença.
Conduze-nos, nós Te pedimos. Atrai-nos; correremos após Ti. Atrai-nos para a Tua presença, para que possamos ser abençoados e para que possamos ser uma bênção.
Pedimos no precioso nome de nosso Senhor Jesus. Amém.