Gostaria de ler algumas passagens das Escrituras.
Êxodo 8:1
E disse o Senhor a Moisés: Vai a Faraó e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.
Romanos 12:1
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso serviço racional.
Mateus 9:37-38; 10:1
Então disse Ele aos Seus discípulos: A seara é, na verdade, grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a Sua seara. E, chamando a Si os Seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para que os expulsassem e curassem toda enfermidade e toda fraqueza do corpo.
1 Pedro 4:10-11
Cada um, conforme recebeu um dom, ministre-o aos outros, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus supre: para que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a Quem pertencem a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.
Esta é a primeira sessão do que chamamos de Capacitação para o Serviço Espiritual. Gostaríamos de aproveitar este tempo para compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, a respeito do serviço.
Esta primeira sessão trata do chamado. Naturalmente, sabemos que “chamado” é um termo muito abrangente. Se vocês consultarem o dicionário, ele dirá que chamado é um impulso interior, um forte ímpeto. Depois, dirá que é uma ocupação, uma profissão ou uma carreira. Se consultarem uma concordância bíblica, descobrirão que chamado é um modo de viver.
Do ponto de vista das Escrituras, sabemos que somos chamados por Deus para cumprir o Seu propósito em nós. Assim, o chamado se torna nossa ocupação, nossa vocação e nosso modo de vida. Como o chamado é um termo tão abrangente — somos chamados segundo um propósito e somos chamados para cumprir o propósito de Deus —, limitaremos esta sessão de capacitação à questão do chamado para servir.
Vocês sabem, primeiro somos chamados para ser, e depois somos chamados para servir. Deixaremos de lado aquela outra parte, o chamado para ser, e nos concentraremos no chamado para servir.
Gostaria de apresentar três perguntas a vocês. À medida que avançarmos, esperamos que, pela graça de Deus, essas perguntas sejam esclarecidas:
Penso que a primeira pergunta é realmente muito elementar. Por quê? Porque sabemos que todos somos chamados para servir.
Pode Deus libertar os filhos de Israel do Egito? Ele desafiou Faraó por meio de Moisés, dizendo:
Deixa ir o Meu povo.
Agora, por que o povo de Deus deveria sair? Por que essas pessoas deveriam ser livres?
Para que Me sirvam.
Sabemos por que somos libertos e por que somos salvos. Não é para que, daí em diante, vivamos a nossa própria vida. A razão de sermos libertos e salvos é que Deus está nos chamando para servi-Lo.
Somos um sacerdócio santo. Todo cristão é um sacerdote, e a ocupação de um sacerdote é muito clara: servir a Deus. Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembremos que todos somos chamados para servir. O chamado para servir não vem a alguns poucos; vem a todos nós — a todos, a cada cristão, a cada filho de Deus. Se você é um filho de Deus, é chamado para servir.
Em Romanos 12:1, Paulo diz:
Irmãos, pelas misericórdias de Deus, rogo-vos que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso serviço racional.
Vocês sabem, antigamente — e receio que ainda hoje —, quando as pessoas pregavam sobre esse versículo, geralmente diziam: “Bem, apresente o seu corpo como sacrifício vivo, para que você possa ser um ministro. Você pode ingressar no ministério. Pode se tornar um missionário”.
Mas, na verdade, vocês descobrirão que essas palavras são dirigidas aos irmãos, a cada filho de Deus. Todos os que receberam as misericórdias e a compaixão de Deus são exortados a apresentar o seu corpo. Em outras palavras, ninguém que tenha conhecido as misericórdias de Deus deveria conseguir se recusar a entregar o seu corpo a Deus como sacrifício vivo, porque pertencemos a Ele.
Um sacrifício vivo significa que, de agora em diante, vivemos para Ele, para o Seu propósito, e não para nós mesmos. Esse é o nosso serviço racional. É assim que o serviço começa.
Em outras palavras, se você não consagrou ou dedicou a sua vida ao Senhor, não pode servir a Deus, e o seu serviço ainda não começou. A maneira de começarmos o nosso serviço a Deus é apresentar os nossos corpos como sacrifício vivo. Essa é a base do serviço racional.
Portanto, não pensem que somente aqueles que são chamados para o chamado ministério precisam apresentar os seus corpos como sacrifício vivo, enquanto o restante de nós pode reservar o próprio corpo e usá-lo para si mesmo. Não, isso não é permitido.
Muitas vezes ouvimos as pessoas dizerem: “Bem, algumas pessoas são chamadas para servir a Deus em tempo integral”. Por serviço de tempo integral, querem dizer que você não exerce nenhuma ocupação considerada secular e dedica toda a sua vida ao chamado ministério espiritual. Então, o restante das pessoas, que não fez isso, talvez sirva em tempo parcial ou apenas aos domingos.
Ora, isso é totalmente contrário às Escrituras. Queridos irmãos e irmãs, logo de início, gostaríamos de deixar isso bem claro: todo cristão está no ministério em tempo integral. Todo cristão serve a Deus em tempo integral.
Todo o tempo pertence a Deus. Ter ou não uma profissão considerada secular não faz diferença alguma. Você pode ser o primeiro-ministro do império, como Daniel, e ainda assim servir a Deus em tempo integral. Até o rei sabia disso.
Irmãos e irmãs, lembremos que não existe essa ideia de algumas pessoas servirem a Deus em tempo integral, enquanto o restante de nós não Lhe dedica tempo algum, ou O serve em meio período, ou durante um terço do tempo. Isso não existe.
Se você pertence ao Senhor e se ofereceu a Ele como sacrifício vivo, então está sobre o altar vinte e quatro horas por dia. Você pode estar trabalhando em um escritório ou em uma fábrica. Pode estar trabalhando em casa, estudando na escola ou pregando. Seja o que for, você está no serviço em tempo integral. Essa é a sua vocação.
Qualquer ocupação que você precise exercer, pela providência de Deus, para ganhar a vida é a sua ocupação secundária, não a sua vocação. A sua vocação é servir a Deus. Com ou sem uma ocupação secundária, você continua servindo a Deus. Esse é o nosso chamado, a nossa profissão, a nossa vocação, a nossa carreira e o nosso modo de vida.
Portanto, muitos são chamados. Todos somos chamados para servir. Mas, naturalmente, não somos chamados para servir na mesma área nem da mesma maneira.
Todos somos chamados para esse ministério que serve a Deus e ao Seu propósito. Mas o ministério é muito amplo. Todos estamos envolvidos nele, embora talvez de maneiras muito diferentes.
Quer você esteja trabalhando em uma fábrica, trabalhando em casa ou pregando o evangelho, aos olhos de Deus não há diferença. É a mesma coisa: estamos servindo a Deus.
Muitas vezes ouço as pessoas dizerem: “Se você pretende ingressar no chamado ministério, precisa de um chamado especial”. Ora, isso é verdade?
Na Bíblia, vocês descobrirão que ministério é um termo muito abrangente. Todos somos chamados ao ministério, servindo a Deus e uns aos outros. Contudo, nesse ministério abrangente, que inclui a todos, parecem existir duas áreas distintas.
Uma delas é o que Paulo chamou de “este ministério”. Em 2 Coríntios 4:1, ele diz:
Tendo este ministério.
Esse ministério é o ministério da Palavra de Deus. Paulo foi chamado para ser um arauto, um pregador, um mestre das nações e um apóstolo.
Em Efésios 4, vocês encontram que Cristo, depois de subir às alturas, deu dons à igreja: uns apóstolos, outros profetas, outros evangelistas e outros pastores e mestres. Essas pessoas são dádivas do Senhor à igreja para o aperfeiçoamento dos santos. Estão envolvidas no que Paulo chama de “este ministério”, o ministério da Palavra.
Em Atos 6, Pedro e os demais apóstolos não apenas ministravam a Palavra, mas também serviam às mesas. A tarefa se tornou tão grande que eles não conseguiam fazer bem nenhuma das duas coisas. Por isso, escolheram sete homens para servir às mesas, a fim de que os apóstolos pudessem se dedicar ao ministério da Palavra e à oração.
Portanto, irmãos e irmãs, é verdade que há alguns a quem o Senhor chamou para o ministério da Palavra — para serem apóstolos, profetas, mestres, pastores e evangelistas. Eles estão envolvidos na obra de levar os santos à maturidade, ajudando-os a crescer por meio da Palavra de Deus e capacitando-os para realizar a obra do ministério.
Em Efésios 4:12, por que os santos precisam amadurecer e ser aperfeiçoados? É com vistas ao ministério. O ministério ali é o ministério do corpo.
O bispo Lightfoot, um estudioso anglicano muito piedoso e erudito, disse que a expressão “com vistas ao ministério”, ali, não se refere àquelas pessoas dotadas de dons e ao ministério delas. Refere-se ao ministério do corpo. Em outras palavras, não é simplesmente um ministério que serve ao corpo; é um ministério que procede do corpo para servir ao corpo.
Nesse ministério do corpo, cada membro está envolvido. Cada parte, cada membro, deve cumprir a sua função para a edificação do corpo em amor.
Assim, em todo o âmbito do ministério, existem essas duas partes: o ministério da Palavra, para o qual Deus pode chamar alguns, e o ministério do corpo, para o qual Deus chamou a todos.
Mas a pergunta é esta: somente aqueles que são chamados para o que se denomina “este ministério” precisam de um chamado especial, ou todos os que estão envolvidos no ministério precisam de um chamado específico?
Penso que todos precisamos tanto de um chamado geral quanto de um chamado específico. De modo geral, todos somos chamados para servir a Deus. Esse é o chamado geral. Mas cada um de nós precisa de um chamado específico quanto à parte desse serviço para a qual Deus nos chamou.
Não são apenas aqueles chamados para o ministério da Palavra que precisam desse chamado específico. Creio que aqueles que estão no ministério do corpo também precisam dele. Se Deus chama você para ser uma mão e você tem apenas um chamado geral, talvez esteja tentando ser um pé. Nesse caso, o seu serviço ao Senhor não será apenas desajeitado; poderá também interferir no serviço dos outros membros do corpo de Cristo.
Portanto, cada um deve ter clareza diante do Senhor quanto à área específica de serviço para a qual Deus o está chamando: que membro do corpo de Cristo você é, que dom Deus lhe deu e em que função você precisa atuar fielmente.
Agora, nesta sessão, queremos ser muito práticos. Por isso, chegaremos à terceira pergunta: como o chamado acontece?
Gostaria de percorrer a Bíblia com vocês — o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Naturalmente, não tenho tempo para fazer isso de maneira completa, mas gostaria de usar alguns exemplos do Antigo Testamento, alguns do Novo Testamento e, depois, alguns dos últimos quatro séculos. A partir deles, tentaremos extrair algumas conclusões e alguns princípios sobre como entramos nessa questão do chamado.
Quando vocês pensam em servir a Deus, talvez o primeiro nome no Antigo Testamento seja Moisés, o servo do Senhor. Como o chamado chegou até ele?
Moisés nasceu sob uma sentença de morte. Mas seus pais temiam a Deus, por isso o esconderam durante três meses. Quando já não puderam mais escondê-lo, pela fé o colocaram em uma arca, um cesto, no rio Nilo, confiando que, de alguma maneira, Deus preservaria o seu filho.
Pela fé, seus pais viram que o bebê era formoso. Naturalmente, todo bebê é bonito, mas por que a Bíblia diz que, pela fé, eles viram que o bebê era formoso? Creio que havia ali uma beleza especial. Em outras palavras, os pais perceberam que Deus tinha uma missão para aquela criança. Por isso, procuraram mantê-lo vivo e confiaram em Deus para isso.
Vocês se lembram de como a filha de Faraó o recolheu e de como sua mãe se tornou sua ama. Depois de desmamado, ele foi levado ao palácio e cresceu ali. Foi instruído em todo o saber do Egito e se tornou poderoso em palavras e obras.
Mas, de alguma maneira, enquanto sua mãe o amamentava, ela conseguiu incutir naquela criança uma consciência de Deus e um senso de destino. Todo o saber e todos os luxos do Egito não puderam apagar isso. Estava ali, no fundo do seu coração.
Quando Moisés tinha quarenta anos, veio-lhe ao coração visitar seus irmãos, os hebreus, para ver como estavam. Ele saiu e tentou usar o seu poder em palavras e obras para salvar o seu povo, mas o seu próprio povo o rejeitou. Ele fugiu para salvar a vida.
Durante quarenta anos, esteve no deserto. Desaprendeu tudo o que havia aprendido no Egito e aprendeu a conhecer a Deus. Quando tinha oitenta anos, já havia perdido toda a esperança de um dia ser usado por Deus. Então Deus o chamou do meio da sarça ardente e disse, em essência: “Agora é a hora de você ir”.
Portanto, irmãos e irmãs, no caso de Moisés, vocês veem que Deus o havia separado desde o ventre de sua mãe. Ele sabia disso. Havia um impulso interior, uma convicção, um senso de destino. Mas ele tentou cumprir o chamado de Deus com sua própria força e eloquência, e Deus permitiu que fracassasse completamente.
Somente quando ele chegou ao fim de si mesmo é que Deus pôde começar. Então Deus o chamou para libertar os filhos de Israel do Egito e conduzi-los à Terra Prometida. Foi assim que Moisés foi chamado.
Como o chamado chegou a Josué? Depois que os filhos de Israel saíram do Egito, encontraram Amaleque. Os amalequitas foram o primeiro povo a atacá-los. Moisés escolheu o jovem Josué para liderar o povo contra Amaleque.
Não sabemos por que, dentre todos os jovens daquela época, Moisés fixou os olhos especialmente em Josué. Mas devia haver algo naquele jovem. Moisés percebeu que a mão de Deus estava sobre ele, levantando-o como um guerreiro para Deus.
Josué se tornou um auxiliar de Moisés. Se vocês lerem Êxodo e Números, descobrirão como esse jovem era fiel. Quando Moisés estava no monte recebendo os Dez Mandamentos, Josué também estava no monte. Moisés foi ao topo do monte para receber a aliança, e Josué provavelmente ficou esperando a meio caminho.
Muitas vezes pensamos em como Moisés foi grandioso, permanecendo ali quarenta dias e quarenta noites sem comer nem beber, na presença de Deus. Mas não se esqueçam de Josué. Ele esteve ali quarenta dias e quarenta noites, sem comer nem beber. Nem sequer tinha consigo a presença de Deus ou a companhia do povo. Mesmo assim, sendo jovem, conseguiu fazer isso.
Quando Moisés retirou sua tenda do acampamento, porque o acampamento havia se corrompido e contaminado, a Bíblia diz que Josué permaneceu na tenda. Ele continuou ali.
Depois de quarenta anos de treinamento sob Moisés — fico pensando se vocês gostariam de ser treinados por Moisés —, Deus disse: “Moisés, chame Josué para liderar o povo”. Foi assim que Josué entrou no seu chamado: Deus o chamou para conduzir o povo à Terra Prometida.
Como Samuel foi chamado? Como ele entrou nesse chamado? Tudo começou com sua mãe, Ana. Deus havia fechado o seu ventre, e ela orou com perseverança até prevalecer. Dessa oração perseverante nasceu o menino Samuel.
Depois que ele foi desmamado, Ana cumpriu o seu voto. Ela havia prometido que, se Deus lhe desse um filho, ela o devolveria a Deus. Assim, levou Samuel a Siló, a Eli, e deixou o menino ali para servir a Deus.
Em 1 Samuel, vocês encontram aquele menino servindo fielmente. Ele abria as portas da casa de Deus pela manhã, para que as pessoas pudessem entrar e adorar a Deus. As crianças gostam de dormir, mas esse menino se levantava pela manhã para abrir as portas.
Quando a voz de Deus veio a ele à meia-noite, ele se levantou e foi até Eli três vezes. Em outras palavras, vocês percebem que havia algo naquele menino: ele tinha um coração voltado para Deus.
Então a Palavra de Deus veio a ele, e Deus cuidou para que cada palavra que Ele falava por meio de Samuel se cumprisse. Todo Israel, desde Dã até Berseba, soube que Deus havia levantado um profeta. Foi assim que o profeta Samuel foi chamado.
Davi era negligenciado por seu pai e desprezado por seus irmãos. Como era o mais novo, ficava no deserto cuidando das ovelhas. As pessoas não lhe davam importância alguma, mas vocês descobrem que ele tinha um coração voltado para Deus.
Quando Deus enviou Samuel para ungir um rei, Ele disse:
Não olhes para a aparência exterior, porque o homem olha para a aparência exterior, mas Deus olha para o coração.
Deus viu naquele rapaz, talvez de dezesseis ou dezoito anos, um coração segundo o próprio Deus. Por isso, ele foi ungido.
Mas, depois de ser ungido, voltou a cuidar das ovelhas. Vocês talvez pensem que, uma vez que alguém é ungido, deve subir imediatamente ao trono. Mas esse não é o caminho de Deus.
Deus o ungiu e, sob aquela unção, ele voltou a cuidar das ovelhas. Provavelmente foi durante esse período que vieram o leão e o urso. Deus o provou e, sob aquela unção, ele despedaçou o urso e livrou as ovelhas. Ele teve uma experiência real do poder de Deus.
Então chegou o tempo de ele ser manifestado aos filhos de Israel. Todo Israel soube de Davi:
Saul matou os seus milhares, e Davi os seus dez milhares.
Mas isso lhe trouxe problemas. Ele se tornou um fugitivo durante muitos anos, escondendo-se em cavernas e fortalezas no deserto.
Deus o provou. Deus entregou Saul em suas mãos duas vezes, justamente para prová-lo. Contudo, o coração de Davi era sensível a Deus. Mesmo quando cortou a orla do manto de Saul, seu coração o acusou. Ele não ousou tocar no ungido do Senhor. Não ousou usar as próprias mãos para tomar o reino para si. Ele esperaria por Deus.
Foi assim que Deus o colocou no trono.
Como Elias entrou no seu chamado como profeta? Elias apareceu de repente diante do rei Acabe, vindo de lugar nenhum, e disse:
Vive o Senhor, Deus de Israel, perante Quem estou: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, senão segundo a minha palavra.
Não houve chuva durante três anos e meio. Como isso aconteceu? O segredo é este: “O Deus perante Quem estou”. Ali estava um homem que permanecia na presença de Deus. Porque tinha uma vida com Deus, uma história oculta com Deus, ele conhecia o pensamento de Deus e podia agir como Seu representante diante daquele rei perverso. Foi assim que ele foi conduzido ao seu chamado.
Como Eliseu foi chamado? Deus disse a Elias: “Sua missão está chegando ao fim. Agora, unja Eliseu para sucedê-lo”. Elias foi procurar Eliseu. O que Eliseu estava fazendo? Ele não estava sentado, esperando ser chamado. Estava arando o campo.
Muitos jovens ficam sentados, esperando ser chamados para o chamado ministério, sem fazer nada. Pensam que, se fizerem alguma coisa, vão interferir nesse chamado. Não é assim.
De alguma maneira, Eliseu sabia em seu coração que Deus o havia chamado para ser profeta. Ele sabia disso, porque, quando Elias veio e lançou sobre ele o seu manto, imediatamente disse: “Eu vou. Estou pronto”. No entanto, embora soubesse disso, estava arando o campo com doze juntas de bois.
Ele era um jovem diligente. Em tudo o que fazia, empenhava-se inteiramente para fazer bem. Deus ama esse tipo de pessoa. Deus o chamou, e ele partiu.
Então Eliseu se tornou um auxiliar de Elias, derramando água sobre as mãos dele. Quando estive na Índia, era assim que se fazia. Depois de comer com a mão direita, alguém derramava água sobre as suas mãos para que você pudesse lavá-las.
Eliseu foi chamado para ser profeta. Estava inteiramente pronto para profetizar, mas nenhuma palavra lhe vinha. Tudo o que Deus queria que ele fizesse era derramar água sobre as mãos de Elias. Agora, pensem nisso. Vocês seriam capazes de fazer isso?
Suponha que você se sinta chamado para ser profeta, mas Deus organize as circunstâncias de tal maneira que você tenha de derramar água sobre as mãos de outra pessoa. Você estaria disposto a fazer isso? Essa será uma prova.
Então, como vocês se lembram, Eliseu recebeu uma porção dobrada do espírito de Elias.
Vamos ao Novo Testamento. Certo dia, nosso Senhor Jesus caminhava junto ao mar da Galileia. Ele viu Pedro e seu irmão lançando uma rede e disse:
Vinde, segui-Me, e Eu vos farei pescadores de homens.
Os dois irmãos deixaram as redes e seguiram o Senhor. Indo um pouco adiante, Ele viu outros dois — os filhos de Zebedeu, João e Tiago — consertando suas redes. O Senhor disse:
Vinde, segui-Me.
Então eles deixaram o pai, o barco e as redes, e seguiram o Senhor.
Aqui vocês encontram o chamado: eles foram chamados para ser discípulos.
Vinde, segui-Me.
Irmãos e irmãs, a menos que primeiro respondamos ao chamado para o discipulado, não há como sermos chamados para o serviço. “Venham, sigam-Me. Sejam Meus discípulos. Coloquem-se sob a Minha autoridade. Deixem que Eu ponha a Minha mão sobre vocês, que os molde e os forme segundo a Minha vontade. Então vocês se tornarão pescadores de homens.” Depois vêm o ministério e o serviço.
Ele chamou doze para serem Seus discípulos, para estarem com Ele. Em Mateus 9, o Senhor viu as multidões como ovelhas sem pastor. Teve compaixão delas e disse: “Agora, orem. Orem ao Senhor da seara para que envie trabalhadores, pois a seara é grande e os trabalhadores são poucos”.
Depois que os discípulos oraram, curiosamente, vocês descobrem que o Senhor os chamou e os enviou como apóstolos. Primeiro, discípulos; depois, oração; depois, apóstolos.
Primeiro vocês se tornam discípulos do Senhor. Deixem que Ele os forme, molde e prepare segundo a Sua vontade. Então Ele os chama para orar com Ele pelos Seus interesses. Enquanto vocês oram com Ele pelos Seus interesses, o Senhor diz: “Agora, vão. Eu os envio”.
E quanto a Paulo? Paulo era um vaso especial. No caminho de Damasco, ele tinha uma missão: destruir os seguidores de Jesus, aqueles que pertenciam ao Caminho. Naquela época, a palavra “cristão” ainda não era usada.
Paulo era Saulo, o fariseu. Ele tinha credenciais e cartas do sumo sacerdote para ir a Damasco, uma cidade gentia, prender os que pertenciam ao Caminho, trazê-los a Jerusalém, julgá-los e sentenciá-los. Era um inimigo da igreja de Deus, mas Deus conhecia o seu coração.
Ele pensava que estava servindo a Deus, mas estava prestando um grande desserviço a Deus. Deus permitiu que ele continuasse até que, antes de chegar a Damasco, ao meio-dia, uma luz mais brilhante que o sol resplandeceu sobre ele. Era a glória de Deus. Ele foi lançado ao chão e ouviu uma voz que dizia:
Saulo, Saulo, por que Me persegues? Duro te é recalcitrar contra os aguilhões.
Ele disse:
Senhor, Quem és Tu?
O Senhor disse:
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Levanta-te, vai a Damasco e espera até que te seja dito o que deves fazer.
Deus enviou Ananias a ele. Ananias impôs-lhe as mãos e disse: “Irmão Saulo, o Senhor, que Se encontrou com você no caminho, abriu os seus olhos. Ele o chamou e o designou para ser servo e testemunha às nações”. Foi assim que Paulo foi chamado.
Contudo, embora tenha sido chamado no caminho de Damasco, passou três anos na Arábia. Ele sabia o Antigo Testamento de cor, porque era fariseu, mas agora precisava ler o Antigo Testamento à luz de Jesus.
Quando voltou, era capaz de provar que Jesus é o Cristo. Ele não era apenas o Filho de Deus que havia Se encontrado com Paulo no caminho de Damasco; Ele era o Cristo, o Ungido, o Messias prometido. Paulo podia provar isso pelo Antigo Testamento.
Paulo era um homem zeloso. Foi a Jerusalém e começou a discutir com as pessoas. A igreja teve de mandá-lo embora, porque ele era impetuoso demais. Enviaram-no de volta à Cilícia, onde permaneceu por vários anos.
Então Barnabé foi procurá-lo, levou-o a Antioquia, e Paulo ficou sob a orientação e o encorajamento de Barnabé durante um ano inteiro. Certo dia, enquanto ministravam ao Senhor, o Espírito Santo disse:
Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra à qual os tenho chamado.
Foi assim que Paulo se tornou apóstolo.
Barnabé era o filho da consolação. Ele tinha um coração tão generoso! Vendeu sua terra e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos para cuidar dos necessitados. Era um homem de coração generoso.
Quando a igreja em Jerusalém soube que Deus estava realizando uma grande obra em Antioquia, enviou Barnabé para lá. Ele era um judeu helenista e conseguia compreender aqueles que tinham formação helenista. Quando chegou a Antioquia e viu a obra de Deus, seu coração se aqueceu. Ele exortou os cristãos a permanecerem com o Senhor.
Ele procurou servi-los com tudo o que podia, mas sabia que era limitado e incapaz de realizar sozinho uma obra tão grandiosa. Então pensou em Paulo. Foi procurá-lo e o levou a Antioquia para trabalharem juntos. Por fim, Deus disse: “Separem Barnabé e Paulo para a obra à qual os chamei”.
E quanto a Timóteo? Depois que ele foi salvo, provavelmente por meio do ministério de Paulo, Paulo o encontrou em sua própria cidade, Listra. Esse jovem conhecia a Palavra de Deus desde a infância, por meio de sua mãe e de sua avó.
Depois que ele foi salvo, Deus começou a abrir-lhe o entendimento da Sua Palavra. Ele começou a exortar e a ministrar na congregação local de que fazia parte. Era tão útil que, quando Paulo voltou, os irmãos e as irmãs de duas congregações deram um excelente testemunho a seu respeito. Ali estava um jovem muito promissor no ministério da Palavra de Deus. Por isso, Paulo o levou consigo e o ajudou a avançar na obra de Deus.
Silas era um dos principais irmãos na igreja em Jerusalém. Ele não era presbítero nem diácono; a Bíblia diz que era um líder e um profeta. Depois do concílio em Jerusalém, quando enviaram uma carta às igrejas do mundo gentio, enviaram dois homens com Paulo e Barnabé como testemunhas. Um deles era Silas.
Silas, sendo profeta, exortou as pessoas em Antioquia. Quando Paulo partiu novamente, escolheu Silas para ser seu companheiro. Foi assim que Silas entrou na obra de Deus.
Talvez isso seja suficiente quanto ao Novo Testamento. Permitam-me relatar alguns exemplos de pessoas que entraram no seu chamado durante os últimos quatro séculos.
Começamos com o século XVI e Martinho Lutero. Em 1505, Lutero já tinha um mestrado em artes e um doutorado em filosofia. Ensinava a ética de Aristóteles e outras disciplinas filosóficas. Contudo, no fundo do seu coração, estava inquieto. Sabia que precisava ter certeza da salvação de sua alma.
Dois acontecimentos precipitaram sua decisão. Seu melhor amigo, Alexis, foi assassinado. Quando soube da notícia, perguntou: “O que aconteceria comigo?”.
O segundo acontecimento ocorreu quando ele voltava à faculdade depois de visitar seu pai. Um raio caiu perto dele. Ele foi lançado ao chão e, naquele instante, a angústia e o terror da morte se apoderaram dele.
De joelhos, orou: “Deus, se Tu me salvares, deixarei tudo para Te seguir”. Levantou-se e correu de volta à escola. De maneira curiosa, reuniu os amigos em seu apartamento para uma festa, com música e canto, sem lhes dizer o que pretendia fazer. Depois que a festa terminou, bateu à porta de um mosteiro agostiniano, pedindo para ser aceito.
Ele buscava a salvação de sua alma. Como se batia, como se flagelava, como chegou à beira da morte, porque queria cumprir todas aquelas penitências para obter mérito diante de Deus e ser salvo! Até que, finalmente, Deus abriu seus olhos para ver que o justo viverá pela fé.
Então ele se tornou professor de teologia e começou a ensinar em Wittenberg. As circunstâncias o levaram a afixar suas teses na porta da catedral, desafiando a Igreja Católica em sua venda de indulgências.
Irmãos e irmãs, vocês conhecem a história. Um acontecimento após outro o impeliu, por assim dizer, à obra da Reforma, para a qual Deus o havia chamado.
No século XVII, considerem John Bunyan, o autor de O Peregrino. Se vocês lerem sua autobiografia, Graça Abundante, descobrirão que, depois de cinco ou seis anos de despertamento espiritual, ele realmente conheceu a obra de Cristo e começou a compreender a Palavra de Deus.
Alguns santos mais experientes, bem capacitados para avaliar o caráter e o entendimento das pessoas, perceberam que aquele jovem conhecia a Palavra de Deus e que Deus lhe havia dado a capacidade de explicá-la. Por isso, o encorajaram a exortar os santos.
Com muito encorajamento, providenciaram para que ele falasse em duas ocasiões na congregação. Naturalmente, ele o fez com temor e tremor. Mas, quando começou a ministrar, veio-lhe a certeza de que Deus lhe havia dado o dom de ministrar a Palavra.
Assim, começou a ministrar a Palavra de Deus. Como não quis fazer concessões ao mundo religioso, foi lançado na prisão. Ali, na prisão, escreveu O Peregrino.
No século XVIII, considerem o conde Zinzendorf, a quem chamamos de fundador da missão morávia e da Igreja Morávia. Se vocês lerem o que ele escreveu a respeito de si mesmo, encontrarão estas palavras: “Em toda a minha vida, nunca houve um momento em que meu coração não estivesse voltado para Deus. Nunca houve um momento em que eu não estivesse interessado na Sua causa”.
Quando ele tinha seis anos, seu tutor conversou brevemente com ele sobre o Senhor Jesus e Seus méritos — sobre o fato de pertencermos ao Senhor Jesus. Aquelas poucas palavras tocaram profundamente o coração do menino. Ele chorou e decidiu que, daquele momento em diante, queria entregar-se a Deus, a Cristo Jesus.
Às vezes, sentava-se à janela de seu castelo, escrevia em pedaços de papel: “Jesus ama você”, e os jogava pela janela, esperando que as pessoas que passavam os apanhassem. Era assim que procurava servir a Deus.
Para resumir a história, quando tinha dezenove anos, concluiu a faculdade. Como era um nobre, foi enviado para uma viagem pela Europa, a fim de completar sua educação. Muitos jovens iam a Paris e eram atraídos por seus prazeres, mas Paris não exercia atração alguma sobre Zinzendorf.
Certo dia, ao visitar uma galeria de arte, viu uma pintura da cabeça de Cristo, coroada de espinhos. Abaixo da pintura havia uma inscrição em latim:
Sofri isto por ti; que fizeste tu por Mim?
Ele ficou ali parado e não conseguia sair. Por fim, o responsável pela galeria tocou em seu ombro e lhe disse que precisavam fechar as portas. Ele foi para o hotel e se entregou inteiramente ao Senhor.
Como era um nobre, não lhe foi permitido de imediato servir a Cristo como desejava. Precisava servir na corte, conforme a vontade de sua família. Contudo, seu coração estava voltado para o Senhor e, por fim, o Senhor o liberou.
Naquela época, os cristãos eram perseguidos por causa de sua fé. Zinzendorf abriu sua propriedade e os acolheu. A princípio, pensava que eram simplesmente cristãos que amavam o Senhor, mas não conhecia todas as complicações existentes entre eles. Deus colocou em seu coração o encargo de reunir aquelas pessoas com suas diferentes ideias e pensamentos. Elas firmaram uma aliança entre si, e esse foi o início da Igreja Morávia.
Um em cada quatro saiu como missionário. Alguns chegaram a se vender como escravos para ministrar aos escravos.
No século XIX, considerem J. N. Darby. Ele era um jovem irlandês brilhante que estudava direito. Quando tinha dezoito ou dezenove anos, foi salvo. Depois disso, sentiu que sua consciência não lhe permitia continuar estudando direito.
Ele tinha uma mente brilhante e contatos importantes no Judiciário. Seu cunhado era o presidente do tribunal na Irlanda. Todos pensavam que aquele jovem se tornaria uma figura brilhante no mundo jurídico irlandês.
Mas ele sentiu que o Senhor não lhe permitia prosseguir no direito, porque temia usar sua mente analítica para defender o que era errado, em vez do que era certo. Ele passou por sete anos de escuridão.
Durante aqueles sete anos, disse que havia apenas um salmo que o consolava: Salmos 88. As primeiras palavras o sustentaram durante aqueles anos de escuridão:
Ó Senhor, Deus da minha salvação.
Depois de sete anos, Deus o tirou daquela escuridão e o trouxe para uma luz resplandecente e para a alegria do Senhor. Ele se ofereceu como diácono na igreja oficial. Era tudo o que sabia fazer.
Então se tornou sacerdote. Aquele jovem brilhante, altamente instruído, foi trabalhar entre pessoas sem instrução. Ele as servia dia e noite. Ia a cavalo visitá-las e as servia fielmente.
Mas o Senhor falava com ele e abria o seu entendimento. Ele viu que muitas coisas feitas no sistema religioso não se encontravam na Palavra de Deus.
Por fim, quando lhe foi exigido prestar um juramento de fidelidade a algo que sentia não poder aceitar, deixou a igreja organizada. Ele se posicionou em favor da unidade do corpo de Cristo.
Serviu a Deus fielmente durante toda a vida. Seja qual for a opinião que vocês tenham a respeito dele, precisam concordar que esse homem foi usado por Deus de maneira extraordinária. Ele traduziu a Bíblia dos idiomas originais para o francês, o alemão e outros idiomas.
Talvez vocês tenham percebido que uso a Bíblia de Darby, porque ela é muito precisa. Às vezes, ele sacrificou a fluidez da linguagem em favor da fidelidade ao sentido original. Mas Deus o usou poderosamente. Foi assim que ele entrou no seu chamado.
No século XX — e, se vocês me permitem —, mencionarei Watchman Nee.
Quando o irmão Nee foi salvo, ele disse que não tinha dificuldade em crer que Jesus era seu Salvador. Mas seu problema era saber que, se aceitasse Cristo como Salvador, precisaria, ao mesmo tempo, entregar sua vida a Cristo como Senhor. Isso ele achava difícil.
Ele era um jovem capaz, com planos para o futuro. Por fim, depois de vários dias de luta, rendeu-se e se entregou ao Senhor. Portanto, quando foi salvo, também se ofereceu ao Senhor.
Sem que ele soubesse, antes de seu nascimento, sua mãe havia feito um voto diante de Deus: se Deus lhe desse um menino, ela entregaria esse menino a Deus para servi-Lo. O irmão Nee não sabia disso na época e não teria concordado se soubesse. Mas Deus sabia.
Ele começou a servir ao Senhor em sua faculdade, o Trinity College. Procurava testemunhar do Senhor. Era tão zeloso que as pessoas começaram a evitá-lo. Depois de fazer isso por algum tempo, ninguém havia sido salvo, e ele se perguntava por quê.
Uma missionária lhe perguntou: “Você orou?”. Ele disse: “Não”. Então começou a orar. Anotou nomes em seu caderno e, por fim, uma após outra, as pessoas foram salvas.
Deus trouxe um grande avivamento àquela faculdade. Os melhores e os piores alunos, de todas as turmas, começaram a sair às ruas para pregar o evangelho. Foi assim que tudo começou.
Deus desfez seus planos para o futuro, e ele não conhecia outro caminho senão servir ao Senhor.
Naturalmente, estou mencionando apenas alguns. Há muitos outros: Amy Carmichael, Charles Spurgeon, F. B. Meyer e muitos mais. Quando vocês leem essas biografias e voltam à Bíblia, tanto ao Novo Testamento quanto ao Antigo Testamento, como o chamado de Deus vem sobre essas pessoas?
Vocês não encontram uma maneira padronizada. Deus é um Deus vivo e, quando o Seu chamado vem, ele é vivo e diferente em cada caso.
Irmãos e irmãs, hoje temos um problema. Vamos a uma convenção ou conferência. Nosso coração se aquece, e realmente queremos servir a Deus. Então o pregador diz: “Muito bem, quem está disposto a se entregar para servir a Deus como missionário, pregador ou pastor? Levante a mão”. Naturalmente, vocês levantam as duas mãos.
Depois, vocês dizem: “Bem, prometi a Deus que vou servi-Lo como missionário, como pregador, no ministério. Agora, o que faço? Fui chamado”.
Ora, quem chamou você? O pregador ou Cristo? “Ah, sim, fui chamado e fiz meu voto a Deus. Agora, o que faço?”
Você não sabe nada sobre a Bíblia e tem pouquíssima experiência. O que faz? Bem, simplesmente traçam um caminho para você: vá para um seminário. Deus não necessariamente disse: “Vá para um seminário”, mas eles dizem: “Vá para lá e receba treinamento. Então você conhecerá a Bíblia. Depois aprenderá todos os métodos. Então se tornará um reverendo”.
Vocês sabem, é isso que a palavra significa: reverendo significa terrível. E você é realmente terrível! Então está apto a fundar uma igreja e ser pastor do rebanho.
Ora, é assim que Deus levanta Seus trabalhadores? É verdade que a seara é grande e os trabalhadores são poucos. Precisamos orar para que o Senhor envie trabalhadores. Mas, irmãos e irmãs, é assim que Deus envia Seus trabalhadores?
A partir de todos os exemplos da Bíblia e das experiências do povo de Deus, talvez possamos deduzir quatro pontos.
Primeiro: o chamado é soberano. Em outras palavras, o chamado vem de Deus e somente Dele. Ele reserva para Si o direito exclusivo de chamar você para o serviço, e já exerceu esse direito ao chamá-lo para servi-Lo.
Ele é soberano no chamado, no sentido de que designa você para a área de serviço em que deve servi-Lo. Não cabe a você fazer essa escolha.
Quando fui chamado pela missão para sair como missionário, disseram-me que eu poderia escolher para onde queria ir. Escolhi a Mongólia, mas nunca estive lá.
Não cabe a você escolher como servir, onde servir ou em que área servir. Talvez Deus queira que você seja médico e que, em sua profissão médica, sirva a Deus. Talvez Ele queira que você seja enfermeiro. Talvez Deus queira que você seja dona de casa e O sirva em seu lar. Talvez Ele queira que você seja professor, engenheiro, executivo ou operário.
Seja o que for — ou caso Deus queira que você seja pregador, mestre, profeta ou evangelista —, isso cabe a Ele, não a você.
O chamado é soberano. Portanto, precisamos esperar no Senhor para descobrir, da parte Dele, qual é o nosso chamado específico.
Mais uma vez, quero enfatizar isto: não há diferença. Não pensem que ser chamado para ser pregador é mais espiritual do que ser chamado para ser operário. É o mesmo chamado e tem o mesmo valor diante de Deus.
Segundo: muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. Em outras palavras, o chamado é soberano, mas, quando Deus chama, Ele procura algo em nós. Esse algo determina se somos escolhidos ou não.
Esse algo é a fidelidade. O que se exige de um servo do Senhor? O que se exige dos despenseiros do Senhor? Fidelidade. Você é fiel? Se for fiel nas pequenas coisas, Deus lhe dará coisas maiores.
Ao olhar para a vida desses homens e mulheres de Deus, vocês invariavelmente descobrirão que, depois de serem salvos, voltaram o coração para o Senhor e começaram a servir de maneira simples.
Pensem no grande pregador, o príncipe dos pregadores, Charles Spurgeon. Todos querem ser o príncipe dos pregadores, com uma língua de prata e uma voz de ouro. Mas, depois que Spurgeon foi salvo, o que ele fez? Tornou-se recepcionista. Não pensava que pudesse pregar; simplesmente recebia e acomodava as pessoas.
Na primeira vez em que ele e outro jovem foram enviados para pregar no interior, enquanto caminhavam até aquele lugar, Spurgeon disse ao outro jovem: “Bem, vou orar por você, para que o Senhor lhe dê a palavra”. Ele nem sequer imaginava que ele próprio deveria falar.
Foi assim que tudo começou. Se você for fiel nas pequenas coisas, Deus lhe dará coisas maiores.
Algumas pessoas dizem: “Bem, se eu vou pregar, três mil pessoas precisam ser salvas. Se três mil não forem salvas, não abrirei a boca”. Você nunca se tornará um evangelista desse jeito.
Seja fiel nas pequenas coisas, no lugar onde você está, na comunhão em que se reúne. Procure servir a Deus fielmente, conforme o Senhor tocar o seu coração. Talvez você possa distribuir os hinários, abrir as portas, limpar os banheiros ou dar algumas palavras de exortação.
Irmãos e irmãs, se vocês forem fiéis nas pequenas coisas, Deus lhes dará coisas maiores. Ele procura fidelidade. É por isso que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.
A razão de você não ser escolhido pode ser a falta de fidelidade. A fidelidade sempre é provada nas pequenas coisas. É fácil ser fiel nas grandes coisas, porque você sente o peso da responsabilidade delas; mas é nas pequenas coisas que a sua fidelidade é provada.
Terceiro: se você está ansioso demais para servir, talvez não seja chamado para aquele serviço. Não é estranho?
Algumas pessoas não conseguem passar pela prova. Mas, graças a Deus, a Sua graça nos basta.
Você pode ser provado pelas circunstâncias e pode ser provado pelo tempo. O tempo é uma grande prova. Às vezes, tentamos nos lançar em algo antes do tempo de Deus, como Moisés fez, e temos de aprender a lição da maneira mais difícil.
O tempo pode nos provar a ponto de desistirmos. Talvez tenhamos de esperar, permanecer ocultos, ser preparados e ser fiéis em algo que parece muito pequeno. Mas o tempo de Deus é sempre certo.
Por fim, não fiquem tão ansiosos quanto ao chamado. Tenham cuidado quanto ao envio.
Penso que o ponto central é que a ênfase não deve estar no chamado: “Sou chamado? Qual é o meu chamado? Deus me chamou para fazer isso?”. Não se preocupem excessivamente com isso. Antes, lembrem-se de esperar até serem enviados.
É assim que acontece. Deus atrai o profeta para Si e o envia. O Espírito Santo diz: “Separem Barnabé e Paulo”. Então Ele os envia para a obra.
Orem para que o Senhor da seara envie trabalhadores. Nunca vão antes de serem enviados.
Penso que, se vocês procurarem aplicar esses quatro princípios, eles nos ajudarão a compreender o serviço para o qual Deus chamou cada um de nós.
Mais uma vez, digo que todos somos chamados para servir. A pergunta é: em que área e de que maneira? Embora todos possamos servir de maneiras diferentes e em áreas diferentes, servimos ao mesmo Senhor, e nosso serviço, na verdade, é um só. Servimos juntos. Juntos, servimos ao propósito de Deus.
Vamos fazer uma oração.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque, embora sejamos pó, Tu não apenas nos salvaste, mas também nos chamaste para o Teu serviço. Que privilégio, que honra, que glória!
Nós nos humilhamos diante de Ti, Senhor. Aqui estamos. Envia-nos. Envia-nos para a obra que Tu designaste a cada um, em favor do Teu reino e do Teu propósito.
Oramos para que nenhum de nós fique para trás, mas para que todos sejamos escolhidos. Pela Tua graça e pelo poder do Espírito Santo, que juntos possamos servir ao Teu propósito.
A Ti seja a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.