Retomando o mínimo possível da mensagem desta tarde, quero prosseguir nesta noite exatamente de onde paramos.
Quero apenas lembrar-lhes que o assunto diante de nós, de maneira abrangente, é este: com Deus, tudo é governado por um propósito definido e claramente revelado. Esse propósito é a marca característica de toda a atuação do Espírito Santo.
Onde quer que encontremos o Espírito Santo na Palavra de Deus, desde a primeira referência nas primeiras palavras da Bíblia até a última, no livro de Apocalipse — no primeiro caso, o Espírito de Deus pairando sobre a superfície do abismo; no último, a declaração:
O Espírito e a noiva dizem: Vem!
Do princípio ao fim, ao longo de toda a Escritura, sempre que encontramos o Espírito Santo, encontramos um propósito definido. Encontramos o Espírito Santo como o Espírito de propósito.
Não apenas uma influência genérica, algo abstrato, em algum lugar no ar. Não, nada disso, mas uma manifestação positiva e definida de propósito. É com essa palavra e seu significado, com essa grande realidade espiritual, que estamos sendo confrontados neste momento.
Voltamos novamente ao profeta Ezequiel, que interpreta para nós tantas coisas no Antigo Testamento. Descobrimos que esse homem, de uma maneira muito particular, é o homem do Espírito.
Se vocês ainda não fizeram isso, podem percorrer o livro de suas profecias e simplesmente sublinhar a palavra “Espírito”. Será uma revelação para vocês perceber quanto o livro está repleto dos movimentos, das atividades e das energias do Espírito. De várias maneiras, por diferentes meios, o Espírito está presente.
O próprio profeta era um homem do Espírito. Quantas vezes, ao registrar sua experiência, ele disse: “E o Espírito me levantou, levou-me para fora, trouxe-me para dentro, conduziu-me ao redor, mostrou-me”. O próprio homem está verdadeiramente sob o governo do Espírito.
Há duas coisas a dizer sobre isso. Permitam-me fazer uma observação: não devemos olhar para isso apenas como uma história ou um registro do Antigo Testamento. É algo tremendamente atual — vitalmente atual — para nós mesmos.
Em primeiro lugar, então, observamos que, para o Espírito alcançar Seu objetivo e cumprir Seu propósito divino por meio de um vaso, esse vaso precisa estar absolutamente entregue: comprometido, rendido, inteiramente à Sua disposição.
Quando dizemos isso, a ideia pode nos atrair. Podemos concordar. Podemos até desejar que seja assim em nosso caso. Mas eu lhes digo, meus queridos amigos: não há nada que nos examine mais profundamente, que nos prove mais e que exija mais de nós do que essa questão de estarmos entregues ao Espírito Santo.
Olhem para a vida de Ezequiel e vejam o que significava estar entregue ao Espírito. Veremos muito disso, se o Senhor continuar a nos conduzir por esse caminho. Mas, apenas para lembrar-lhes, por estar entregue ao Espírito, Ezequiel teve de fazer muitas coisas contra as quais a carne se revolta completamente. O homem natural recua diante delas.
Você não vai se expor ao ridículo se puder evitar, e ele foi chamado a fazer exatamente isso. As pessoas riam dele: “O que ele está fazendo?”. Zombavam e escarneciam. Do ponto de vista do bom senso deste mundo, ele fazia coisas muito ridículas. Mas precisava fazê-las.
Por enquanto, isso basta. Mas é muito fácil dizer: “Estou rendido. Quero estar rendido. Vou ser um homem rendido, uma mulher rendida. Eu me entrego inteiramente”.
Bem, sejamos muito francos e fiéis quanto a isso: se você estiver realmente entregue, tudo será tirado de suas mãos. Você irá aonde jamais iria naturalmente. Seguirá por caminhos que jamais escolheria, dos quais voltaria ou se afastaria com toda a resistência de sua vida natural.
Há outros aspectos, é claro — talvez mais felizes e melhores —, mas talvez não. Ezequiel era um homem entregue, não apenas em palavras, mas dia após dia, dia após dia, diante de um novo desafio do Espírito.
Quando lhe era imposta alguma nova exigência contrária à sua natureza, sua entrega o fazia estar pronto — tão pronto que o Espírito podia fazer com ele o que quisesse. E é bem provável que Ele faça o mesmo conosco.
Eu lhes digo: isso nos examina profundamente. Isso revela quem realmente somos. Mas a realização de todo o propósito divino exige que haja homens e mulheres, e grupos de homens e mulheres, entregues dessa maneira ao Espírito Santo.
Você pode enfrentar uma batalha em relação a certas coisas, mas lutará até vencê-la. Lutará até vencê-la. Encare isso; compreenda o que implica, o que significa. Você pode recuar e pode hesitar. Pode sentir que não consegue, mas lutará até vencer. Pelo menos não desistirá de imediato; enfrentará essa questão e a superará, por mais tempo que isso leve.
Entregues: nossa mente entregue, nossa vontade entregue, nosso coração entregue, nosso corpo entregue — tudo entregue.
No caso de Ezequiel, isso chegou até à sua esposa. Ele teve de permitir que Deus fizesse Sua vontade, até mesmo ao levar sua esposa. Bem, vocês veem como ele se comportou. Era um homem entregue. Esse é o ponto.
Estamos falando do grande propósito de Deus, de tudo ser governado pelo propósito. O Espírito é o guardião do propósito eterno; o Espírito está encarregado disso. Mas Ele precisa de vasos entregues dessa maneira.
Há, é claro, paralelos no Novo Testamento. O livro de Atos é, em certo sentido, o paralelo das profecias de Ezequiel. Ali vocês encontram o Espírito, sem dúvida semelhante ao carro de fogo de Deus em Ezequiel — as rodas e os seres viventes.
Está escrito:
Para onde o Espírito havia de ir, iam eles.
Nesse sentido, Atos é, sem dúvida, o paralelo de Ezequiel no Novo Testamento.
Ali, às vezes, vocês se deparam com um obstáculo, até mesmo em um apóstolo. Ele é desafiado a fazer algo que, por sua natureza, por sua formação religiosa e, como julgava, pelas próprias Escrituras, jamais faria.
Pedro tinha as Escrituras a seu favor quando disse:
Nunca entrou em minha boca coisa alguma impura.
“De modo nenhum, Senhor. Tenho as Escrituras para sustentar minha posição.” O capítulo 11 de Levítico aparentemente o apoiava nessa posição.
O Espírito pensava de outra maneira. A Cruz havia se interposto entre Levítico e o tempo de Pedro e tratado de todas as coisas impuras, de modo que o Espírito podia dizer:
Não faças tu comum ao que Deus purificou.
Pedro teve de se ajustar, mas houve uma batalha. Houve um impedimento. O Espírito encontrou uma resistência na carne.
Era uma situação extremamente grave. Seu apostolado estava em jogo. O propósito de Deus por meio daquele homem estava na balança: “Pedro, você vai se entregar ao Espírito e permitir que Ele faça Sua vontade, ou vai permanecer no terreno de sua tradição, no terreno de suas próprias concepções?”.
Pois bem, graças a Deus, Pedro venceu aquela batalha e demonstrou sua entrega, e o Espírito prosseguiu. Mencionei isso apenas como uma ilustração do que quero dizer. Olhem para Atos: é assim. O Espírito tem o propósito em Suas mãos, mas precisa de instrumentos entregues.
Eu disse que havia duas coisas. Essa é uma delas. Podemos desenvolver bastante esse assunto, mas o que teremos a dizer mais adiante tratará do que decorre disso. A outra coisa é esta: queridos amigos, ajustem sua maneira de pensar a este fato: Deus levanta instrumentos e vasos em relação à plenitude de Seu propósito.
Esses instrumentos e vasos não são algo em si mesmos, e seu ministério não está restrito a eles.
O lugar em que Ezequiel se encontrava, a escolha de Deus, o fato de Deus tê-lo levantado, Seu uso dele e a entrega dele ao Espírito estavam relacionados a um povo — relacionados a um povo. Não era seu ministério particular, sua unção particular.
O povo seria responsabilizado por aquele ministério. Se aquele ministério fosse justificado e confirmado, isso seria demonstrado em um povo.
Vocês não devem dizer: “Ah, esse é o ministério de fulano”, ou: “Esse é o ministério que eles exercem em tal lugar. É uma linha de ensino”, ou: “É essa ênfase específica”. Tenham cuidado. Tenham cuidado.
Pensem bem: eles poderiam ter dito: “Vejam, esse é o ministério de Ezequiel. Ele tem toda a liberdade para cumpri-lo e realizá-lo. Que o faça. Quando terminar, bem, nós continuaremos com outra pessoa, ou com outras”. E pronto — descartariam aquilo.
Toda luz que Deus concedeu, ou todo ministério que esteve sob o Espírito Santo, não é apenas para um tempo; é para a eternidade. Não é particular. É para o povo de Deus.
O povo de Deus que toma conhecimento disso será responsabilizado por isso. Não se atrevam a descartá-lo dessa maneira: “Bem, isso é apenas algo próprio deles, a linha de ensino deles”.
Digam antes, por exemplo: “Foi Deus Quem concedeu isso? Há nisso marcas ou evidências da unção? O Senhor está com isso?”. Se assim for, vocês são responsáveis por isso, para todo o tempo e por toda a eternidade. É em um povo que isso deve se manifestar.
Eles podem se recusar. Podem deixar de atender, e aquilo pode não se concretizar. Muito bem, então o que acontece? O que aconteceu no caso de Ezequiel se repetiria. Em uma de suas visões de Deus, ele viu a glória sendo retirada de Jerusalém, em etapas, para muito longe.
Isso é algo terrível: a glória se retirando, a glória se retirando.
Bem, essa é a situação geral. Eu disse nesta tarde: “Tenho um encargo e preciso expressá-lo”. Perdoem-me se pareço enfático demais, mas é muito necessário, queridos amigos, que encaremos seriamente essa questão. Que Deus nos ajude.
Se não estivermos alinhados com o Espírito Santo e em sintonia com Ele, não haverá auxílio nem esperança para nós. A grande necessidade de nosso tempo é que o povo de Deus seja novamente envolvido em um movimento poderoso e vigoroso do Espírito de Deus.
Sim, mas o Espírito tem Seus caminhos e tem Suas bases de atuação. Bem, apresentei isso de maneira abrangente. Agora estamos diante desta realidade: de um lado, o Espírito é o Espírito de um propósito; de outro, o Espírito precisa de um vaso entregue, ou de vasos entregues.
Posso acrescentar: isso nem sempre é individual. Muitas vezes Deus levantou um pequeno grupo de pessoas no qual depositou Seu tesouro e o tornou um exemplo para outros.
Digo isso porque alguns de vocês talvez digam: “Bem, nem todos somos Ezequiéis. Não podemos ser todos Ezequiéis”. Repito: essa é uma questão relacional ou coletiva. Não é, de modo algum, uma questão meramente pessoal.
Assim, chegamos diante do fator principal e da característica distintiva do propósito de Deus: a energia do Espírito Santo. O livro de Ezequiel, assim como o livro de Atos, é o livro dos movimentos do Espírito — o Espírito movendo-Se com propósito.
Agora queremos entrar nisso, entrar profundamente nisso e saber o que encontraremos se estivermos realmente sob esse poderoso impulso do Espírito de Deus, como devemos estar, como podemos estar e como, de fato, temos a obrigação de estar.
Quando dizemos que Ezequiel era um homem do Espírito, em que sentido ele era um homem do Espírito? O que o caracterizava como o homem do Espírito? Quando dizemos que o livro de Atos é o livro dos movimentos poderosos e vigorosos do Espírito, o que queremos dizer? O que encontramos ali?
Ah, queridos amigos, tenham paciência comigo enquanto lhes insisto, de todo o coração, que estejam absolutamente certos e esclarecidos quanto a essa questão.
Podemos usar toda a linguagem, conhecer todas as expressões e falar sobre visão. Podemos afirmar com insistência que vimos tudo isso e que não perdemos a visão. De uma maneira ou de outra, podemos falar assim.
Mas o que quero enfatizar tão fortemente aqui é isto: se perdemos ou não a visão e o propósito, isso jamais poderá ser comprovado pelo nosso ensino, nem pela ordem de nossos cultos, nem pela nossa forma de adoração.
Alguns de vocês estão franzindo a testa. “O que o senhor quer dizer com isso?” Repito: vocês podem ter toda a verdade e todo o ensino, toda a linguagem, e podem ter a mais exata ordem em suas reuniões. Podem ter uma forma perfeitamente neotestamentária e, ainda assim, ter perdido a visão e o propósito.
Houve o clamor de Isaías:
Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao Meu povo a sua transgressão.
Todavia, procuram-Me cada dia e têm prazer em saber os Meus caminhos.
Como vocês conciliam isso? “Meu povo, a sua transgressão”; e, no entanto, “têm prazer em saber os Meus caminhos” e “procuram-Me cada dia”. Em outras palavras, eles afirmam que está tudo bem. Diriam: “Não perdemos a visão”.
Eles têm tudo exteriormente. Vocês sabem quanto os profetas falam disso: continuar o ritual, oferecer os sacrifícios, cumprir a rotina do templo — está tudo ali. E, no entanto, Icabode está escrito sobre tudo: a glória se foi.
Não, repito: não podemos comprovar isso por nossas palavras. Não podemos comprová-lo por nossas formas. Não é isso. Não é isso.
Isso não significa que o ensino não importa, ou que nosso modo de proceder não tem valor. Não é essa a questão. Podemos ter tudo isso; ainda assim, não temos a prova. A prova está nas características.
Afastem-se, então, por um momento, de todo o ensino; afastem-se de toda a ordem e de todos os procedimentos cuidadosos; e façam perguntas sobre essas coisas que vamos mencionar. Vejam, confiram o que digo pelas Escrituras. Vejam se isso não é verdade.
A evidência, a prova de que o Espírito estava realmente no comando e em movimento desde o início — a evidência naqueles envolvidos, fosse Ezequiel, fosse um grupo, fosse a igreja no livro de Atos — encontrava-se nisto: um impulso dinâmico que havia tomado conta das pessoas, voltando-as para um único e poderoso objetivo.
Um povo dotado de tremendo impulso. Ezequiel era um homem movido por esse impulso.
Observem como começam suas profecias:
Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel.
Logo ali, no início, estabelece-se a nota dominante de todo o livro.
O que vocês encontram, sentem e percebem ao longo de todo o livro? O elemento da precisão, o elemento da urgência. Vocês o encontram de cem maneiras diferentes. Ora, ele dá uma data para tudo: isso aconteceu naquele dia específico, naquele mês específico, naquele ano específico. “Eu lhes digo o dia exato em que aconteceu.”
Isso é precisão. Isso é definição. Não há nada genérico nisso, nada vago. Os lugares que ele menciona lhes dizem exatamente onde aconteceu, e sua apresentação cronológica chega aos detalhes.
Cada ponto é assinalado. Estou apenas lhes dando um panorama geral das coisas, mas ele registra cada ação de maneira precisa. Este livro é um livro de caráter expresso, se posso dizer assim. A palavra veio a Ezequiel expressamente.
Aqui está um homem que segue essa linha; ele é assim. Precisão. Ah, você é uma pessoa assim? Eu sou uma pessoa assim? Vocês são um grupo de pessoas assim?
Sempre que vocês se reúnem como um grupo, percebem a atmosfera de pessoas que estão concentradas — realmente concentradas e cativadas — por um objetivo em direção ao qual avançam sem nenhuma reserva? Pessoas movidas por um impulso.
Essa é a prova de que vocês têm a visão da qual estou falando. Essa é a prova de que têm o propósito; de que estão dentro do propósito do qual estou falando. Essa é a prova de que compreendem o ensino: ele os alcançou, os agarrou, tomou conta de vocês.
Para usar a expressão de J. H. Jowett: “É um fogo em seus ossos”.
Talvez esses profetas estivessem muito desanimados, às vezes quase paralisados por suas dificuldades e perplexidades. Eu lhes digo: é algo terrível falar de ser um homem ou um filho de Deus com um ministério específico. Passem pelo que eles passaram, e vocês compreenderão momentos assim.
Mas o fato é que eles prosseguiram e cumpriram seu ministério, não por causa de sua própria determinação. Esse fogo estava em seus ossos — um poderoso impulso.
O profeta disse:
Eu disse: Não falarei mais.
Mas, quando ficou em silêncio, o que aconteceu? Bem, o fogo ardia, e ele teve de falar novamente.
Isso pode se estender por uma longa história. Você pode ser abatido pelo desânimo e pela perplexidade, até mesmo ficar com o coração partido, sentindo que as coisas chegaram a um ponto em que não consegue mais continuar. Mas, de alguma maneira — sim, sabemos como —, o Espírito está no comando. Ele tomou conta de sua vida. E você volta a prosseguir.
Se isso não fosse verdade, podem ter certeza de que aquele que lhes fala não estaria nesta plataforma hoje. É assim. Essa é a prova de que vocês têm visão, de que estão no propósito.
O Espírito é o impulso vigoroso e dinâmico do propósito.
Paralelamente a isso, há esta característica: o impacto do propósito. Não apenas sua energia e seu impulso dinâmico, mas o fato de que ele se faz sentir. Essas pessoas sabem o que buscam. Esse homem sabe para onde vai.
Não há nada de hesitante neles, nada de indeciso, nada de indefinido. Essas pessoas, essa pessoa, não estão dando golpes no ar. Ele ou ela não está dando golpes no ar.
Há esse efeito perceptível do impacto de um propósito. Assim foi, talvez de modo preeminente, com o apóstolo Paulo:
Uma coisa faço.
“Uma coisa faço.”
Agora, queridos amigos, qual é o propósito único e abrangente de nossa existência? Vocês têm um? Foram dominados por um único propósito na vida?
Um propósito que vocês levam para seus negócios, para sua profissão, para seu lar, para onde quer que estejam. Seja o que for que as pessoas tenham a dizer a seu respeito — e podem dirigir muitas críticas a você, talvez com razão em muitos pontos, e ter coisas desanimadoras a dizer —, elas precisam voltar a isto: essa pessoa tem um grande impulso para Deus. Está empenhada nos interesses do Senhor, e não há dúvida quanto a isso.
Essa é uma característica do Espírito. O Espírito Santo nunca está distraído, nunca é indefinido, nunca é passivo. O Espírito Santo nunca é indeciso.
Encontre-O em qualquer lugar, e você encontrará Alguém firme e resoluto, que sempre traz Consigo isto: “Estou ocupado com Minha obra. Venha Comigo; siga Comigo. Ou, se você não quiser, não Me deterei. Estou prosseguindo. Estou prosseguindo”.
Ah, graças a Deus pelo Espírito Santo, Aquele que prossegue. Vocês O encontram prosseguindo. Podem parar ou tomar um desvio. Voltam ao Senhor e ainda O encontram prosseguindo.
Fico muito feliz, sabem, porque, em meio a todas as nossas dificuldades e problemas, encontramos o Senhor prosseguindo. O Senhor está prosseguindo. Ah, acompanhemos o Senhor.
Permitam-me deter-me um pouco aqui: temos essa profunda consciência de termos sido alcançados, tomados e dominados por um único propósito que permeia todos os aspectos de nossa vida? Temos algum aspecto da vida separado desse único objetivo para o qual fomos alcançados por Cristo Jesus?
Permitam-me repetir: isso nem sempre diz respeito apenas a indivíduos. O Senhor chamou Sua igreja para ser assim. Se Ele não puder obter isso no todo, obterá em uma parte. Vinculem-se a algo que seja assim, ou peçam ao Senhor que os introduza em algo assim, porque o resultado final, como dissemos nesta tarde, precisa ser plenamente corporativo e coletivo.
Bem, prossigamos. Outra característica: quando o Espírito está realmente em movimento e tem Seu objetivo muito presente — temos em mente também muito mais do Novo Testamento —, vocês notarão que, quando o Espírito realmente toma as rédeas e assume o governo, surge um entendimento crescente naqueles que estão envolvidos.
Isto é, um entendimento, um conhecimento, que cresce sob o governo do Espírito Santo.
Pensando em Ezequiel, é claro que se trata de algo simbólico. Ali vocês encontram Ezequiel dizendo: “Eu vi. Eu vi. No Espírito, eu vi”. Então se lembram daquele carro simbólico de Deus, dos querubins, das rodas.
Estavam cheios de olhos.
“Cheios de olhos.”
Isso é simbolismo do Antigo Testamento, se quiserem. É repetido no livro de Apocalipse. Mas o que significa do ponto de vista do Novo Testamento e, portanto, para nós?
Paulo está de joelhos na presença de Deus. Está de joelhos, orando pelos santos — e isso significa vocês e eu, a igreja ao longo de toda esta dispensação. Embora, naquela ocasião, tivesse sobretudo em mente as igrejas de seus dias, o Espírito deu à oração um alcance maior.
O que ele está pedindo em oração?
Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento dEle;
sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da Sua vocação;
quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos;
e qual a suprema grandeza do Seu poder.
Um espírito de sabedoria e de revelação, abrindo os olhos do coração — aí está: o Espírito como o Espírito de entendimento espiritual.
Queridos amigos, estou certo de que a maioria de vocês concorda comigo quando digo que talvez uma das maiores necessidades entre o povo do Senhor hoje seja a compreensão e o entendimento espirituais.
Ah, a ignorância dessas coisas. Vocês podem percorrer este país chamado cristão; podem encontrar, espalhados por toda a extensão desta terra — e isso também é verdade em outras terras —, salões e locais de reunião chamados capelas e igrejas, onde os cristãos se reúnem. Ouvem a leitura da Bíblia, ouvem sermões e participam de reuniões de oração.
Vocês começam a lhes falar sobre o Senhor, e eles olham como se vocês fossem estrangeiros falando uma língua estrangeira. “Não sei do que você está falando.” Isso não é exagero. É comprovado. Alguns de vocês sabem que é assim.
Vocês não conseguem ir além das coisas mais elementares com um vasto número de cristãos que são cristãos há décadas. Eles não os compreendem.
Não é de admirar, não é? Há confusão, fraqueza e falta de impacto — falta de impacto.
Creiam em mim, queridos amigos: esse impacto, esse efeito perceptível do qual estamos falando, vindo do Espírito Santo, virá por meio de pessoas que conhecem o Senhor, que sabem onde estão firmadas e cujo conhecimento cresce continuamente.
Entendimento espiritual. Orem por isso:
Sendo iluminados os olhos do vosso coração.
Isso não é uma prerrogativa exclusiva do profeta Ezequiel.
Nessa grande carta da qual acabamos de citar, Paulo está orando exatamente por isso em favor dos santos. Nessa mesma carta, ele diz a todos:
Enchei-vos do Espírito.
O que ele quer dizer? Muita efervescência, transbordamento, barulho, emoção? Ah, sejam pessoas com entendimento! Ele é tanto o Espírito de entendimento quanto o Espírito de energia e emoção.
Isso, então, é um teste. Temos a visão? Temos? Estamos no propósito?
Mais uma coisa por enquanto. Observem: o movimento do Espírito em Ezequiel, em Atos e em Efésios revela um Espírito de integração.
Tomo das profecias de Ezequiel a conhecida ilustração do vale cheio de ossos secos. Examinem-nos novamente. Façam o que Ezequiel fez: percorram o vale de um lado a outro. São muitos, muitíssimos, e muito secos.
Embora isso não seja dito especificamente, o texto mostra, na prática, que estão muito espalhados e desconectados, porque, quando o Espírito Se moveu, eles se juntaram. Ali estão: tantos e tantos ossos sem ligação entre si — ossos separados, secos, sem nutrição, mortos, espalhados.
Que quadro. Como é verdadeiro — até demais. Vocês conhecem esse estado: desintegrados, separados, divididos, existindo isoladamente?
Agora, o Espírito:
Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.
Enquanto eu profetizava, houve um ruído, e eis que se fez um movimento, e os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso.
Todos foram articulados e integrados, revestidos de carne, cheios de vida e cheios de poder: um poderoso exército.
Agora, meu ponto em tudo isso é simplesmente este: quando o Espírito Se move, Ele integra. Ele supera as divisões. Supera a separação. Supera o isolamento. Supera o individualismo.
Ele é o Espírito de integração.
É perfeitamente claro que a situação apresentada em Ezequiel não correspondia à intenção de Deus para Seu povo, porque, quando o Espírito Se move, Ele mostra qual é realmente a intenção de Deus.
Chegamos ao livro de Atos, e vocês encontram a mesma coisa. Há integração desde o início do movimento do Espírito.
O apóstolo, na carta aos Efésios, está preocupado em que o Espírito possa realizar exatamente essa obra. Ele vê isto: é necessário um exército — a igreja na forma de um exército —, porque lutamos contra principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas e contra espíritos malignos. De fato, vocês estão em uma batalha.
A igreja precisa estar de pé, integrada, para enfrentar isso. Deus sabe muito bem que o inimigo pode fazer tudo como quer se, antes de tudo, conseguir se colocar entre os membros do povo do Senhor e dividi-los. Então poderá introduzir a cunha cada vez mais profundamente, afastando-os cada vez mais uns dos outros. Essa é a sua oportunidade. A igreja está fora da luta.
Por isso, o apóstolo, nessa mesma carta, fiel ao contexto e a todo o tema, diz:
E não entristeçais o Espírito Santo.
Preciso deixar com vocês, queridos amigos, a tarefa de aplicar isso e levá-lo à prática, como eu mesmo faço. Preciso deixar isso com vocês: descubram se o caminho que estão seguindo entristece o Espírito Santo, pessoal ou coletivamente. O Espírito está entristecido?
Se o Espírito está entristecido, estamos desintegrados e estamos fora da luta. Não conseguimos resistir ao inimigo. Onde há desintegração, ele faz tudo como quer.
Mas, se o Espírito está entristecido, nós realmente nos desagregamos. Isso acontece. Seja qual for a razão pela qual o Espírito esteja entristecido, nós nos desagregamos; e o Espírito fica entristecido quando estamos desagregados.
Não se enganem quanto a isso. É terrível ter de viver e prosseguir com o Espírito Santo entristecido. Isso realmente tira todo o ânimo, suga toda a vitalidade, esgota toda a luz e torna a caminhada muito difícil quando o Espírito está entristecido.
Ah, precisamos dar atenção a isso, identificar onde está o problema e trabalhar para resolvê-lo. Por isso, o apóstolo diz não apenas:
Não entristeçais o Espírito Santo.
Mas também: “Empenhem-se. Façam disso sua responsabilidade”:
Guardar a unidade do Espírito.
Por razões muito maiores do que simplesmente convivermos bem e felizes, desfrutando de momentos agradáveis, todas as questões do propósito eterno de Deus estão ligadas a isso.
Há coisas para as quais vocês foram salvos, escolhidos em Cristo, chamados por Sua graça, guardados por Seu poder. É algo grandioso que está em vista. Tudo isso fica comprometido quando o Espírito está entristecido e nós estamos desintegrados.
Não se esqueçam: o inimigo vê o valor e a vantagem de um estado de desintegração entre o povo do Senhor muito mais claramente do que nós, e atribui a isso muito mais valor e muito mais importância do que nós.
Ele sabe que seu reino permanecerá intacto enquanto a igreja estiver dividida e desintegrada. Sabe que seu reino é ameaçado quando o povo de Deus está unido nessa integração do Espírito Santo.
Que o Senhor nos ensine. Acho que isso é tudo o que ouso dizer, realmente. Talvez vocês achem que é suficiente. Bem, é suficiente para encararmos; é suficiente para colocarmos em prática.
Posso voltar ao início? Ainda há muito a ser dito, se o Senhor permitir, mas volto a este ponto. Era isso que eu queria dizer no começo, quando afirmei que o Senhor precisa de pessoas entregues.
Vejam o que Ele quer dizer. Aqui está. Essas são as questões envolvidas. Isso tem uma importância tremenda.
Ah, então, Senhor, eu me entrego a isso de uma maneira nova. Eu me entrego.
Firmem-se na autoridade do próprio Senhor Jesus:
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos;
quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que Lhe pedirem?
Com base nisso: “Pai, Teu Filho disse: ‘Quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo’. Eu Te peço”.
Não deixem o Senhor sem resposta quanto a isso nesta noite. Entreguem-se. Que todos nós nos entreguemos de uma maneira nova a esse poderoso governo e à energia do Espírito Santo, em relação ao propósito pelo qual somos cristãos reunidos neste lugar nesta noite.