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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Horizon of Divine Purpose #1 of 8 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Horizon of Divine Purpose #1 of 8
    The Horizon of Divine Purpose #1 of 8
    Austin-Sparks, T.

    O horizonte do propósito divino

    Vamos ler três ou quatro breves passagens das Escrituras, duas das quais estão nas profecias de Ezequiel.

    Leituras das Escrituras

    Ezequiel 1:26

    E por cima do firmamento, que estava sobre as suas cabeças, havia a semelhança de um trono, como a aparência de uma pedra de safira;
    e sobre a semelhança do trono havia uma semelhança como a aparência de um homem, no alto, sobre ele.

    Ezequiel 48:35

    Dezoito mil côvados em redor;
    e o nome da cidade, desde aquele dia, será: O Senhor está ali.

    Efésios 1:9-14

    Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs em Si mesmo,
    para a dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão sobre a terra; Nele, digo,
    em Quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados segundo o propósito Daquele Que opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade;
    a fim de sermos para o louvor da Sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo:
    em Quem também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação — e tendo também Nele crido —, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,
    o Qual é o penhor da nossa herança, para a redenção da possessão de Deus, para o louvor da Sua glória.

    Efésios 3:14-19

    Por esta causa, dobro os meus joelhos perante o Pai,
    para que, segundo as riquezas da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior;
    para que Cristo habite, pela fé, nos vossos corações; a fim de que, estando arraigados e alicerçados em amor,
    possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,
    e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

    A realidade governante do propósito divino

    Queridos amigos, vamos nos ocupar, nesta ocasião, de um assunto que vem tão claramente à luz quando lemos passagens como as que acabamos de ter diante de nós: a grande realidade governante do propósito divino.

    Na última vez em que estivemos juntos, na Páscoa, nós nos ocupamos do horizonte de Cristo: Cristo, o horizonte de todas as coisas.

    Agora prosseguimos com aquilo que é o complemento disso: o horizonte do propósito divino. Ao dizer isso, naturalmente, não deixamos de lado Cristo como o horizonte de todas as coisas, mas apenas colocamos ao lado Dele aquilo que é o complemento de Sua Pessoa — o propósito que Deus propôs Nele.

    A Pessoa e o propósito são complementares. Formam um todo. O propósito é a extensão da Pessoa. A Pessoa é explicada e ampliada no propósito. Essas duas coisas caminham juntas.

    Permitam-me dar uma ênfase muito séria a isso. Sinto um peso muito grande quanto à importância desta palavra para o nosso tempo. Creio que posso dizer que nunca estive tão consciente de carregar o peso de uma mensagem para esta hora.

    Digo isso apenas para chamar a atenção de vocês, com muita humildade, para a importância essencial da nossa meditação. Confio que aquilo que tenho no coração para dizer será uma inspiração. Confio que será um encorajamento e um incentivo. Confio que será instrutivo. Mas sei que será desafiador.

    Talvez seja uma correção. Talvez seja uma repreensão. Talvez cause alguma ofensa. Mas precisa ser dito.

    Ezequiel e o trono de Deus

    Lemos em Ezequiel. Vamos nos ocupar bastante da mensagem de Ezequiel. A palavra do Senhor a Ezequiel, ao comissioná-lo, foi:

    Filho do homem, fala-lhes, quer ouçam, quer deixem de ouvir.

    Fala-lhes, filho do homem.

    Confio que a segunda parte seja inteiramente desnecessária aqui. Ninguém se recusará a ouvir. Estamos aqui, em sua maioria, porque queremos ouvir, seja o que for que isso implique.

    Por isso, peço a vocês: venham comigo para esta que é a mais séria e importante de todas as considerações — o horizonte do propósito divino.

    Nas Escrituras que acabamos de ler, vocês devem ter percebido que elas se organizam em dois pares. Em Ezequiel, no início, há o trono e o Homem sobre ele, no alto. Esse é o início: o trono e Aquele Que o ocupa.

    A última palavra dessas profecias, desse livro maravilhoso, é, de fato, o desfecho:

    O Senhor está ali.

    Tudo o que vem entre o início e o fim está direcionado para esse desfecho, avançando em sua direção.

    Esse é o fim de todas as coisas — não apenas o fim das profecias de Ezequiel, mas o fim de todo o conteúdo de Ezequiel. A última coisa que será dita é:

    O Senhor está ali.

    Essa é a expressão final daquele trono. Esse é o triunfo daquele trono. É precisamente para isso que o trono existe: para assegurar ao Senhor um lugar de habitação eterna, em satisfação, em alegria e em paz, sob o governo do trono.

    Tudo tem isso em vista, como diz Ezequiel:

    O Senhor está ali.

    Onde? Bem, vocês sabem que os capítulos finais tratam da casa e do reino. O Novo Testamento se ocupa desse desfecho: a casa e o reino, e o Senhor está ali.

    E, como eu disse, esse é o resultado. Todas as atividades e todos os sofrimentos, e tudo o que está sob aquele trono, avançam para esse fim. Há muita coisa sob aquele trono, como este extenso livro — com seus quarenta e oito capítulos — deixa perfeitamente claro. Muita coisa mesmo; mas uma só coisa explica tudo e governa tudo:

    O Senhor está ali.

    Queridos amigos, se vocês e eu queremos uma interpretação — a interpretação divina — de tudo o que há em nossa história e experiência, e neste mundo, a resposta está aí: um trono no alto está governando, e governando em direção a um único fim.

    E esse fim é que, tendo sido vencido e expulso tudo o que se opõe a Ele:

    O Senhor está ali.

    A resposta a todo desafio; a resposta a tudo o que procura excluí-Lo ou negar-Lhe um lugar em vocês, em mim, em Sua Igreja, no mundo — a resposta, por fim, apesar de tudo, é:

    O Senhor está ali.

    Muitas vezes dissemos aqui que, no fim, alguns de nós olharão uns para os outros e dirão: “Bem, estamos aqui. Nunca pensamos que chegaríamos aqui; ou, em certos momentos, pensamos que nunca chegaríamos”. Essa é a glória. Há muitas perguntas ao longo do caminho, mas algo maior do que isso é esta realidade: “O Senhor está aqui”.

    Pois, se vocês e eu temos visto nosso progresso em direção à glória ser desafiado, frustrado e atacado por muitos conflitos e muitas dúvidas — “E quanto ao Senhor?” —, isso demonstra que todo o universo parece ter se colocado contra aquele trono. É assim hoje. Essa é a explicação de tudo o que está acontecendo.

    Há uma mão contra aquele trono. Há um poder tremendo contra aquele trono. O Senhor está sendo continuamente desafiado no coração de vocês, no meu coração, em nossa mente como cristãos e na Igreja. Seu lugar está sendo disputado.

    Se Ele puder ser removido, o inferno O removerá e não deixará pedra sobre pedra para conseguir isso. Se Ele puder ser impedido de ocupar Seu lugar definitivo, então tudo neste universo será mobilizado para que isso aconteça.

    Nem Ele nem nós estaremos ali sem a maior, a mais imensa vitória que já houve neste universo.

    E que brado ao final de tudo isso! Aqueles de vocês que conhecem o livro de Ezequiel sabem quanta coisa há nele. Quanta coisa o Senhor tem de vencer em Seu povo, com Seu povo e nos reinos deste mundo.

    Vocês atravessam tudo isso — cada acontecimento e cada detalhe — e então, como a última palavra:

    O Senhor está ali.

    Isso não é pouca coisa. É o triunfo do trono que, no início, está estabelecido no alto.

    Do Homem individual ao povo corporativo

    Vocês perceberão que, no início, tudo se concentra em um só indivíduo: aquele Homem no trono. Podemos dizer, à luz de todo este livro, que é uma figura um tanto solitária no trono — apenas Um.

    Quando chegam ao fim do livro, vocês encontram um povo. Encontram um povo, um reino, toda uma coletividade, em glória com Ele, em associação com Ele. Esse é o triunfo do trono.

    Agora vocês se voltam para a chamada carta aos Efésios. Talvez se perguntem por que a descrevo assim. Alguns de vocês talvez saibam, porque são estudiosos da Palavra. Ela não foi enviada especificamente a Éfeso; era uma carta circular.

    No final da carta aos Colossenses, vocês leem que Paulo se refere a duas cartas circulares que desejava que fossem lidas nas igrejas. Sem dúvida, esta é uma delas.

    Digo isso agora não apenas para fazer uma observação técnica, pois há aqui um ponto de importância vital. Esta mensagem é dirigida às igrejas. Tudo o que está aqui é para as igrejas, e as igrejas locais ouvirão tudo isso e deverão se alinhar com essa realidade. Deixaremos esse assunto para daqui a pouco.

    Naquilo que chamamos de carta aos Efésios — precisamos lhe dar algum título —, começamos, no capítulo um, com Aquele Que foi exaltado. Deus:

    O ressuscitou dentre os mortos e O fez assentar à Sua direita nos lugares celestiais,
    muito acima de todo principado e autoridade.

    Aqui está o trono outra vez: o Homem sobre ele, no alto. Quando vocês chegam ao fim desta carta incomparável — pois nunca, em todos os escritos produzidos sob a ação do Espírito de Deus, houve algo que se igualasse a este documento —, encontram Aquele indivíduo com Sua Igreja, e Sua Igreja com Ele em Deus.

    Começa com um indivíduo e termina com uma coletividade. O fim é o resultado e o triunfo daquele trono. A Igreja deve chegar ali com Ele, em glória. Isso está muito claro nesses dois livros, não está?

    Esse fator comum justifica reunirmos Ezequiel e Efésios. Ambos são documentos do trono e deste resultado poderoso: o lugar onde o Senhor está, e está em plenitude de satisfação.

    O Senhor está ali.

    O propósito e a energia de Deus

    Agora, há duas coisas que surgem com muita clareza e se destacam nitidamente nesse contexto. Uma delas é que existe, acima de todas as coisas e em todas as coisas, um propósito governante.

    Vocês estão tão familiarizados com essa linguagem, mas talvez ela já não os impressione. Não somos, às vezes, tentados, mesmo como cristãos, a nos perguntar se há um propósito em tudo isso que está acontecendo conosco, em tudo o que estamos atravessando? Onde está o propósito nisso? Tantas vezes tudo parece não ter propósito.

    Vou dizer de outra forma, ou usar outra palavra: há um sentido em tudo isso que está acontecendo? Em nossa própria experiência, na experiência de grupos do povo do Senhor, na experiência da Igreja, em tudo o que está acontecendo no mundo — não há um sentido? Não há um propósito?

    Aqui vocês têm a afirmação categórica de que Ele:

    Opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade.

    E vocês perceberão que, nessa apresentação do Homem no trono, estão incluídas todas as esferas: céu e terra, as coisas celestiais, as coisas terrenas e as coisas satânicas. Todas estão servindo a um propósito.

    Não se enganem a esse respeito. Precisamos nos firmar nisso, ou ficaremos em completa confusão, perplexidade e fraqueza. A menos que tenhamos certeza desta única coisa — de que há um sentido no que está acontecendo, de que há um propósito para o qual aquele trono está operando em todas as coisas —, seremos esmagados.

    Segundo o Seu propósito.

    Creio que é principalmente em torno disso que estaremos reunidos nestes dias: o propósito que governa tudo.

    A segunda coisa que vem tão claramente à luz nesses dois livros — e, naturalmente, em toda parte, mas aqui se destaca de modo tão evidente — é a poderosa energia do Espírito de Deus.

    Ninguém que tenha lido as profecias de Ezequiel deixou de perceber que este é um livro das energias do Espírito de Deus. Naturalmente, voltaremos muito a esse assunto.

    Quando vocês tomam esta carta aos Efésios, encontram o Espírito Santo. Encontram-No em ação poderosa:

    Fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior.

    Um fragmento, mas um fragmento poderoso. Aqui estamos, então, na presença dessas energias do Espírito de Deus em relação a esse propósito que governa tudo.

    Naturalmente, elas aparecem aqui em dois contextos. Em Ezequiel, temos Israel: o aspecto histórico, terreno e temporal desta grande verdade acerca do propósito e da energia do Espírito Santo.

    Em Efésios, trata-se da Igreja, não de Israel; e aqui estamos na esfera não do histórico, terreno e temporal, mas do eterno — a esfera celestial e espiritual.

    Mas, embora isso seja verdade — duas esferas, a terrena e a celestial —, o princípio é o mesmo. A verdade é idêntica. Um grande propósito está em vista, e o Espírito de Deus está comprometido, com toda a Sua energia, em realizar esse propósito divino.

    O fim, com tudo o que significa, está expresso no nome hebraico Yahweh-shammah:

    O Senhor está ali.

    Ah, como isso é abrangente! Quanta coisa está contida nisso!

    O testemunho divino de Israel e da Igreja

    Agora, em ambos os casos — Israel e a Igreja —, há este ponto em comum: ambos foram escolhidos por Deus para um único propósito, e esse propósito é o testemunho de Deus neste universo.

    Israel foi escolhido para isso. A Igreja foi escolhida para isso. E tanto Israel quanto a Igreja são tratados por Deus à luz desse único propósito abrangente.

    Observem como Deus tratou Israel: de muitas maneiras, por muito tempo, com paciente perseverança. Todo o Seu tratamento com Israel foi à luz do propósito para o qual Israel havia sido escolhido: o testemunho de Deus neste mundo.

    Ampliem o horizonte, e verão que a Igreja foi escolhida não como algo pertencente ao tempo e à terra, mas escolhida Nele antes da fundação do mundo, e para esse mesmo propósito: o testemunho de Deus neste universo.

    O que significa o tratamento de Deus conosco — com vocês, comigo, com Seu povo, com Sua Igreja? O que significa? Deixar de reconhecer isso, realmente deixar de enxergar isso, é perder inteiramente o caminho e ficar perplexo, como Israel ficou.

    O que o Senhor está fazendo com vocês e comigo? Por que Ele nos trata da maneira como nos trata? Por meio de todo esse tratamento de Deus conosco, Ele quer, por fim, fazer de nós, individualmente e junto com todos os demais que formam esse santo santuário, um lugar onde Ele possa estar sem impedimento, sem nenhuma nuvem ou sombra.

    Um lugar onde se possa dizer de vocês, de mim e de todos os crentes:

    O Senhor está ali.

    O Senhor está ali.

    E, queridos amigos, se temos a experiência mais simples, mais fragmentária disso, que bênção! Não é verdade que aquilo que mais desejamos, nossa aspiração e nosso anseio, é a presença do Senhor?

    A presença do Senhor. Colocamos isso diante de nós como o primeiro pensamento quando nos reunimos. Sabemos que tudo depende disso. Mas, se essa presença se torna realidade, tudo está bem.

    Se ao menos soubermos, em nossa vida cristã individual, que o Senhor está conosco, quanta coisa poderemos enfrentar e atravessar!

    E ter isso não como algo periódico, ocasional, que vai e vem em nossa consciência, mas em plenitude — uma plenitude eterna, sem qualquer variação —, uma consciência plena e eterna da presença do Senhor, e de nenhuma outra presença: certamente esse é o fim para o qual nosso coração se volta.

    Aquilo que é verdadeiro dia após dia é o desejo do nosso coração para sempre: que o Senhor esteja presente.

    O Senhor está ali.

    Em uma reunião do povo do Senhor, as pessoas podem dizer: “Bem, isto ou aquilo”, seja o que for que tenham a dizer; mas, se vocês encontram o Senhor ali, o Senhor está ali. Essa é a resposta a tudo. O que mais vocês querem? Sem isso, tenham tudo, e não terão nada.

    Sim, Ele nos trata dessa maneira para esse fim. Assim como trata cada um, também trata Sua Igreja e Seus membros.

    O mistério revelado do propósito de Deus

    Esta é a revelação divina: isso, com tudo o que exige, e todos os meios e métodos de que o Senhor dispõe para realizá-lo.

    Isto, queridos amigos, é um mistério que foi revelado. Este é o propósito que Ele propôs em Cristo Jesus: reunir todas as coisas Nele.

    Esta é a revelação que veio nesta dispensação — o propósito dos séculos, como é chamado aqui, o propósito dos séculos.

    E faço questão de enfatizar que se trata de uma revelação. Eu poderia desenvolver isso com muitos detalhes dentro desta carta:

    Sendo iluminados os olhos do vosso coração,
    para que saibais qual é a esperança da Sua vocação.

    O que é isso? Vocês perguntarão: “Diga em poucas palavras: qual é a esperança da Sua vocação?”. O que vocês responderiam?

    As riquezas da Sua herança nos santos.

    O que vocês desejariam? As riquezas da Sua herança nos santos. Mas o que são elas? Qual é a riqueza da Sua herança na Igreja?

    Qual é a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos?

    O que é isso? O que significa? É força? É algo concreto e definido?

    A resposta é esta: isso é a revelação do que Deus está fazendo e do que terá por fim. Não há nada de místico nisso. O Espírito Santo está comprometido, com toda a Sua energia divina, com essa realidade, e Ele a está realizando em vocês e em mim, agindo sobre vocês e em mim.

    Esta é a revelação: o propósito eterno. Agora, temos essa revelação incorporada e contida neste volume. Ela está ali para que o Espírito Santo a revele ao nosso coração, se somos homens e mulheres do Espírito.

    Observem o que lemos: tendo crido,

    Fostes selados com o Espírito Santo da promessa,
    o Qual é o penhor da nossa herança.

    A fidelidade à luz divina

    Por enquanto, o ponto que quero destacar é este — e é aqui que precisamos prestar atenção, pois talvez não estejamos tão esclarecidos. Tanto no caso de Israel quanto na história da Igreja, uma coisa vem à luz e se torna muito evidente.

    É isto: não há substituto para a luz que Deus já concedeu.

    Não há substituto para a luz que Deus concedeu. A infidelidade à luz recebida resulta, inevitavelmente e de modo incontornável, em confusão, fraqueza, escravidão, limitação e suspensão de tudo — em um estado de indefinição.

    Todas essas coisas caracterizaram a situação de Israel. Eles tinham a revelação. A luz havia sido dada. E foram infiéis àquilo que Deus havia tornado conhecido como o propósito para o qual tinham sido escolhidos.

    Infiéis à luz. O resultado? Uma nação em confusão — completa confusão. Toda a história de Israel foi confusão. Voltem ao seu início: Babel — confusão.

    Porque a luz que Deus havia concedido foi perdida, desobedecida, deixada de lado.

    Fraqueza? Essa nação está em fraqueza na Babilônia? Não há dúvida. Eles não têm força. Simplesmente não podem fazer nada ali. Estão desamparados e impotentes.

    Estão em escravidão? Não há dúvida quanto a isso. Há limitação? Sim. E, evidentemente, uma coisa que paira no ar o tempo todo é justamente essa indefinição, essa suspensão de tudo.

    Esperando por alguma coisa, esperando por alguma coisa — dia após dia, mês após mês, ano após ano —, esperando, esperando, em um estado de suspensão. Ansiando, sim; clamando, sim. Tudo está parado. Tudo está suspenso. A luz se foi.

    Não é impressionante que, quando o profeta Isaías vê o dia em que tudo isso será mudado, quando eles estarão voltando, ele clame:

    Levanta-te, resplandece; porque é chegada a tua luz.

    Esse é o caminho de volta. Esse é o caminho para sair de todas essas condições.

    Essas condições são o resultado da infidelidade à luz, e não há substituto para a luz. Tenham isso como algo estabelecido. Não, senhor. Seja o que for que vocês tentem introduzir, construir, organizar ou ordenar, se houve infidelidade à revelação de Deus, não há substituto.

    A consciência de poder e de propósito

    Alguém disse que a Igreja no século passado tinha consciência de poder; a Igreja no século vinte tem consciência de problemas.

    Nunca se disse algo mais verdadeiro. Certamente não posso melhorar essa afirmação, nem tentaria; mas poderia parafraseá-la dizendo que a Igreja no primeiro século tinha consciência de propósito, e a Igreja no século vinte tem consciência de perplexidade.

    Não é verdade? Consciência de poder; consciência de propósito; consciência de problemas e de perplexidade. É nesse último estado que nos encontramos, em grande medida.

    Vocês podem contestar isso: temos consciência de poder? Quanta verdade, quanto ensino e tantas outras coisas temos, mas nossa consciência é de falta de poder — uma verdadeira falta de poder.

    Como estamos conscientes de problemas e de perplexidade, em vez de propósito!

    Quando qualquer coisa se torna um fim em si mesma — ensino, doutrina, prática —, ela passa a andar em círculos, girando, girando e girando, em vez de ser um meio que conduz a um grande fim divino, maior do que ela mesma, maior do que o ensino, a doutrina, a prática, maior do que tudo: o grande fim ao qual deveria conduzir.

    Então isso acontece. Então eles estão na Babilônia. Então tudo se reduz a estreiteza, limitação e impotência, em vez de um propósito que nos leva de semana em semana com uma perspectiva grandiosa.

    O caráter distinto do testemunho

    Vamos examinar esse assunto muito mais de perto à medida que prosseguirmos: o caráter distinto do testemunho.

    O caráter distinto do testemunho exigido por Deus é inequívoco quando vocês leem a Bíblia. Se há uma coisa que a Bíblia diz, e diz abundantemente, é que a mistura é uma abominação para Deus.

    Ele estabeleceu proibições contra isso na antiga lei: nenhuma mistura. Leis simbólicas, nas quais estão incorporados princípios espirituais.

    Vocês perceberam? Era justamente isso — exatamente isso — que constituía o campo de batalha o tempo todo. Balaão não conseguiu amaldiçoar. Ele disse:

    Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoou?

    Mas, pela sedução, a mistura entrou em Israel; e a pior maldição que Balaão poderia pronunciar veio sobre o povo.

    Era algo terrível, uma ameaça constante. Mesmo com o remanescente que voltou, vocês leem o livro de Neemias — toda aquela maravilhosa obra de restauração nesse livro —, mas, antes de chegar ao fim, já se deparam novamente com essa questão.

    O inimigo do lado de fora era mantido à distância. Eles não podiam fazer nada enquanto o povo era puro de coração, por dentro, com um olhar indiviso e uma única motivação.

    Nenhum inimigo do lado de fora podia fazer nada. Mas o grande inimigo por trás de todos os inimigos, percebendo que não conseguiria avançar pelo lado de fora, disse: “Preciso entrar”. E foi isso que fez.

    Ele introduziu a mistura no interior. Vocês sabem, uma nova forma de paralisia começou então — ah, questões mais sérias.

    Motivações misturadas, ideias misturadas, pontos de vista misturados, propósitos misturados por dentro, e vocês se desintegram. Confusão.

    Mais sério do que no Antigo Testamento — hesitamos em censurar ou criticar, mas creio que não nos afastaremos da verdade se dissermos que a fraqueza, a indefinição, a frustração e a confusão entre o povo do Senhor em nosso tempo podem ser atribuídas, em grande parte, a isto: a falta de uma motivação única.

    Digamos de outra forma: mistura. “A multidão mista” murmurou, diz o relato antigo. A multidão mista.

    Divisão por dentro — desastrosa, extremamente desastrosa. Deus exige aquilo que Ele chama de pureza; isto é, unidade de mente, de coração, de propósito. Uma mente indivisa. Nenhuma mistura.

    Um povo de propriedade exclusiva

    A Bíblia nos conduz a partir da casa de Israel. A palavra frequentemente usada pelo próprio Senhor a respeito de Israel é “peculiar”:

    Sereis a Minha propriedade peculiar.

    O Senhor vos escolheu para serdes um povo peculiar.

    A palavra hebraica é segullah: um recinto cercado, um recinto cercado. Vocês levantam uma cerca, delimitam um recinto, porque aquilo que está dentro é exclusivamente seu — de mais ninguém. Aquilo que está dentro é especialmente valioso. Vocês querem protegê-lo, conservá-lo, cuidar dele, guardá-lo.

    Então vocês levantam uma cerca por causa do seu valor, da sua preciosidade e do seu propósito. Na prática, eles são um povo peculiar e cercado — um povo separado — para Mim, Meu tesouro peculiar, separado para Mim, com uma cerca ao seu redor para um propósito: ser Meu de uma maneira especial.

    Vocês encontram a mesma palavra no Novo Testamento. Sabem que, em Tito e em 1 Pedro, essa palavra, “peculiar”, é usada novamente, citada do Antigo Testamento.

    Mas a palavra grega também é interessante. Ela significa algo adquirido como algo fora do comum — algo fora do comum que foi adquirido, assegurado para o Senhor: um povo peculiar, separado.

    Essa é a ideia do Senhor acerca de Seu povo. Israel era distinto de todos os povos da terra por causa de um propósito distinto para o qual havia sido escolhido: um testemunho distinto neste mundo.

    No Novo Testamento, os cristãos passaram a ser conhecidos como o povo do Caminho. O mundo de fora os chamava assim, deu-lhes esse nome: o povo do Caminho. Evidentemente, reconhecia que eram diferentes.

    Eram diferentes. Seu caminho era diferente. Seu modo de vida — tudo a respeito deles — era diferente. O povo do Caminho: um único caminho, um caminho claramente definido.

    Ah, o caminho de um testemunho específico de Deus neste universo.

    O chamado profético à pureza

    Toda a obra dos profetas hebreus estava relacionada a esta única questão. Todos os livros dos profetas se concentram nisso: a contaminação, a corrupção, a mistura entrou. Os profetas são levantados para removê-la.

    Toda a obra à qual se entregaram, pela qual se desgastaram, sofreram e, às vezes, morreram, foi para trazer esse povo de volta à sua condição de pureza, para esse testemunho puro de Deus neste mundo.

    Os que chamamos de profetas maiores apresentam quatro das principais características de Deus. Não vou dizer quais são; vocês podem examinar isso. Quatro profetas maiores. Os doze chamados menores recebem esse nome simplesmente porque seus escritos ocupam um espaço menor, não porque sejam menos importantes.

    Examinem novamente, e verão que cada um deles apresenta algum aspecto particular de Deus com o qual Ele está preocupado.

    Todos juntos — os quatro e os doze — convergem para esta única questão: pureza absoluta, em favor de um testemunho eficaz de Deus neste mundo.

    O desafio deles era recuperar o caráter distinto do testemunho para o qual haviam sido chamados.

    Agora, para que vocês não entendam mal nem interpretem de maneira equivocada, o caráter distinto do testemunho não significa algum testemunho separado do propósito integral de Deus. Não significa isso. A própria expressão “caráter distinto do testemunho” só surge quando a realidade como um todo está sendo contestada. Deus está procurando recuperar algo que Ele precisa ter.

    Não se trata de algo particular e peculiar, à parte de tudo o mais que Deus está fazendo. É o coração de tudo o que é de Deus.

    O caráter distinto do testemunho não é algum ensino, alguma forma de prática, algum método de procedimento. Certamente não é uma posição exclusivista.

    É a expressão clara, clara, da vida do Espírito de Deus entre Seu povo.

    Bem, aquele rio, cristalino, fluindo em santidade — o rio da vida, onde está a justiça, ainda que agora imperfeita e, em grande medida, limitada, mas avançando para a plenitude final:

    O Senhor está ali.

    Esse é o testemunho.

    Nenhum de nós, com toda a nossa generosidade, magnanimidade e amplitude de coração, dirá que essa é a característica geral entre o povo do Senhor:

    O Senhor está ali.

    Bem, o caráter distinto do testemunho é justamente isso:

    O Senhor está ali.

    Não há dúvida a respeito.

    Exortação final

    Bem, queridos amigos, preciso interromper aqui por enquanto. Mais tarde, se o Senhor quiser, voltaremos a alguns dos principais fatores desse caráter distinto do testemunho.

    Encerramos, então, por agora, lembrando a vocês que toda a batalha se trava em torno desta única coisa: o impacto da presença do Senhor.

    Ah, se acontecer de a presença do Senhor não ser sentida, percebida, reconhecida e encontrada, seja o que for que exista além disso, o testemunho se foi — se foi.

    Qualquer outra coisa que se encontre, seja boa, ruim ou indiferente, não pode compensar isso. Uma única coisa:

    O Senhor está ali.

    Precisamos orar por isso de coração, pessoalmente. Assumo solenemente essa responsabilidade; façam o mesmo. Uma coisa está muito clara: precisamos trabalhar, orar, sofrer e nos derramar, se necessário, não para ter alguma coisa, por melhor que seja, mas para que a presença do Senhor seja a realidade preeminente onde estamos reunidos, onde estamos.

    Lembrem-se: esse é o grande triunfo sobre o colapso universal.

    Ah, sim, o fracasso — a própria característica da Queda, da grande queda no princípio —, a marca do triunfo satânico naquele momento, foi a perda do caráter distinto em toda parte. Isso atingiu o ser humano; ele se tornou uma mistura. Atingiu a terra; ela se tornou uma mistura.

    Duas coisas atuando uma contra a outra no ser humano, na natureza. Sabemos como isso é universal: mistura e contradição, perda do caráter distinto — a marca da interferência satânica. É sempre assim.

    E, pessoalmente, não gosto de dizer isso, mas, se há perda do caráter distinto do testemunho, essa é a mão de Satanás em nossa vida, até mesmo em nossa comunidade como povo do Senhor. Há essa perda.

    Se todos os que são espirituais não têm a sensibilidade para dizer: “O Senhor está ali”, se isso não é verdade, então Satanás fez aquilo que sempre se propôs a fazer desde o princípio.

    E essa é uma palavra forte. Eu disse que talvez causasse ofensa. Bem, que cause, se for necessário; mas precisamos, nestes dias, queridos amigos, chegar a uma posição em que Deus esteja conosco — Deus esteja conosco.

    Precisamos entrar no curso das poderosas energias do Espírito Santo. Essa é a nossa única esperança, nossa única esperança: o caminho da Sua presença, o caminho da Sua preeminência, o caminho de uma vida com um caráter claramente distinto.