Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus — Mateus 6.
Vamos ler Mateus 6:9-13.
Portanto, orai vós deste modo:
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome;
venha o Teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu;
o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como também nós temos perdoado aos nossos devedores;
e não nos deixes entrar em tentação, mas livra-nos do maligno.
E, na versão King James, vocês dizem:
Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque nos reuniste em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. E Te agradecemos pela Tua preciosa promessa:
Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Assim, Senhor, cremos que Tu estás aqui em nosso meio. E a nossa oração é que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação, para que possamos Te ver, possamos Te ver, possamos Te ouvir e sejamos transformados e conformados à Tua imagem.
Senhor, confiamos que o Teu Espírito Santo Se moverá entre o Teu povo e completará a Tua nova criação. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
O encargo que o Senhor me deu diz respeito a esta questão do reino de Deus.
Na primeira sessão sob minha responsabilidade, dissemos: “Teu é o reino”. O reino pertence a Deus.
Mas, muitas vezes, percebemos que a nossa ênfase no conceito de reino recai mais sobre um lugar — um domínio, uma esfera, um território — do que sobre a Pessoa, sobre o governo soberano de Deus.
Acho que talvez a melhor maneira de entendermos o que é o reino de Deus, se me permitem usar aquilo que, segundo creio, Luís XIV disse certa vez, seja esta: “O Estado sou eu”.
Em outras palavras, o império da França não era apenas o domínio sobre o qual ele governava; ele dizia, com arrogância: “O Estado sou eu”. Ele imprimia a sua própria marca naquele país. Agora, é claro, no caso dele isso era vanglória, mas, no caso do nosso Senhor Jesus, é verdade.
Se queremos realmente entender o que é o reino de Deus, acho que a melhor maneira de expressar isso é: o Senhor é o reino. “Eu sou o reino”, porque Ele imprime a Sua marca no domínio sobre o qual governa.
Ele é o Criador. Ele criou tudo segundo o Seu caráter, para que aquilo que criou O manifeste. E, então, Ele governa sobre todas as coisas; e governa, mais uma vez, segundo o Seu caráter. Portanto, este é o reino de Deus.
O reino de Deus é espiritual. Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus. Para herdarmos o reino de Deus, precisamos nascer do alto.
Aquele que é nascido do Espírito é espírito, e aquele que nasce de novo pode não apenas ver, mas também entrar no reino de Deus.
O reino de Deus é o reino da verdade. É um reino de realidade. Tudo o que é falso, passageiro ou irreal não pertence ao reino de Deus. Somente aquilo que é eterno, que é real e que possui realidade espiritual pertence ao reino de Deus.
Dizemos que o reino de Deus é amor. O amor é a regra do reino de Deus. Tudo o que não procede do amor não pertence a esse reino.
O reino de Deus é o reino da luz. Deus é luz, e não há treva alguma nEle. Se há alguma escuridão em algum lugar, sabemos que ela não está no reino de Deus.
O reino de Deus é um reino de justiça, no qual todos os direitos de Deus são reconhecidos, honrados, respeitados e obedecidos. Este é o reino de Deus.
Agora, na segunda sessão sobre este assunto, dissemos: “Os céus governam”.
O reino de Deus, em sentido amplo, abrange tudo, porque Deus é o Criador de todas as coisas. Portanto, Ele governa sobre todos, sejam obedientes ou rebeldes.
Mas, no sentido mais estrito, ou no sentido verdadeiro, o reino de Deus está onde o governo soberano de Deus é aceito de bom grado e o Seu caráter é formado em Seu povo.
E esse povo, podemos dizer, é a verdadeira manifestação do reino de Deus, pois o reino de Deus é a expressão corporativa do próprio Deus.
Embora tenha havido rebelião entre os seres angelicais, e encontremos rebelião também entre os homens, aconteça o que acontecer, vemos que Deus continua no trono. Nada pode escapar do Seu governo. Os céus governam sobre o reino dos homens.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante, tratando desta questão: “Venha o Teu reino”.
Todos conhecemos bem esta oração. Nós a chamamos de Oração do Senhor. E alguém vai nos corrigir, dizendo: “Ora, esta não é a Oração do Senhor. É a oração que o nosso Senhor Jesus ensina os Seus discípulos a fazer”. Em outras palavras, é a oração da igreja. É a oração da igreja.
Bem, pessoalmente, creio que o nosso Senhor Jesus nunca ensinaria algo que Ele próprio não faz. Em outras palavras, é verdade que esta é uma oração que o nosso Senhor Jesus ensina a Sua igreja a fazer, mas certamente ela também é uma oração do próprio Senhor Jesus.
Esta é a Sua oração, e Ele nos pede que nos unamos a Ele nesta oração.
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o Teu nome.
Qual é o nome? “Pai nosso, que estás nos céus”. Como santificamos esse nome? Como honramos esse nome?
A melhor maneira de honrar, a maneira mais prática, a verdadeira maneira de santificar esse nome é nos apegarmos a esse nome, estarmos sob esse nome, nos colocarmos sob a autoridade desse nome e deixarmos que o caráter do nosso Pai celestial nos caracterize.
Lembramos que, no chamado Sermão do Monte, está escrito:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
A melhor maneira de honrar o nome do Pai, de santificar o nome do nosso Pai celestial, é sermos semelhantes a Ele. Tal pai, tal filho. Esta é a melhor maneira de honrar o Pai.
A melhor maneira de santificar o Pai é deixar que o Seu caráter seja o nosso caráter, que aquele caráter celestial do nosso Pai seja o nosso caráter. E é assim que o Seu nome é honrado.
Sabem, às vezes pensamos que a Oração do Senhor, ou a oração da igreja, diz respeito a algo que está no futuro.
Um dia, no futuro, o nome de Deus Pai será santificado, será tratado como santo. E isso é verdade, porque um dia todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor. E, quando esse dia chegar, certamente o nome de Deus será santificado.
Mas, sabem, se vocês lerem o contexto, verão que a Oração do Senhor, ou a oração da igreja, não diz respeito apenas ao futuro. Na verdade, ela diz respeito ao agora.
Mateus 5, Mateus 6 e Mateus 7 — o chamado Sermão do Monte — tratam da realidade espiritual do reino de Deus.
Tratam dos princípios espirituais do reino de Deus. E sabemos que, quando entramos nessa questão dos princípios, ou nessa questão da realidade espiritual, já não estamos limitados pelo tempo ou pelo espaço. Isso está além do tempo. Está além do espaço. É eterno. É para sempre.
Portanto, toda a atmosfera do chamado Sermão do Monte é de princípios espirituais e de realidade espiritual. E, por causa disso, já não está limitada pelo tempo. É atemporal.
Assim, percebemos que esta oração também é atemporal. Não podemos simplesmente relegar esta oração ao futuro — isto é, dizer que um dia isso acontecerá. Que ela é uma expectativa, uma antecipação de algum dia futuro.
Bem, isso é verdade. Há uma expectativa nela. Há a antecipação da plena realização de todo o propósito de Deus. Isso é verdade. Mas lembremos que esta oração começa hoje.
Que o Teu nome seja santificado — não apenas em um dia futuro, mas agora mesmo, aqui nesta terra.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
A vontade de Deus é feita no céu. A vontade de Deus é feita pelas hostes angelicais no céu. Mas a vontade de Deus também precisa ser feita na terra, assim como é feita no céu.
E quem fará a vontade de Deus na terra? Os santos, os cristãos, os crentes, a igreja.
No céu, vemos que a vontade de Deus está sendo feita. Não há dúvida quanto a isso. As hostes angelicais simplesmente cumprem a vontade de Deus, executam a vontade de Deus e fazem aquilo que Deus deseja.
Mas o problema, agora, está na terra. A vontade de Deus deveria ser feita pelos santos, executada pela igreja. Mas a igreja tem executado a vontade de Deus na terra? Estamos fazendo a vontade de Deus na terra assim como ela é feita no céu?
E esta é a nossa oração — não apenas para um dia futuro. Um dia, a Sua vontade será feita em todo o universo. Todos os Seus planos, todos os Seus desígnios serão plenamente realizados. Isso é verdade.
Mas precisamos lembrar que, nessa oração, não estamos orando apenas por esse dia futuro. Estamos orando para que, agora, a Sua vontade seja feita na terra, em nós, assim como é feita no céu.
E então encontramos, entre essas duas petições: “Venha o Teu reino”.
Sabem, irmãos e irmãs, preciso confessar que sempre senti que, quando orava: “Venha o Teu reino”, estava pensando no futuro.
Eu pensava que deveria orar para que Deus, um dia, trouxesse o Seu reino a esta terra. “Venha o Teu reino” — ele ainda não está aqui. Mas quero orar para que ele venha à terra um dia.
Será que esse é o nosso conceito? Quando estamos fazendo a chamada Oração do Senhor, “Venha o Teu reino”, como vocês se sentem? Estão apenas olhando para o futuro?
Ou pensam que, ao orarem: “Venha o Teu reino”, ele deve vir agora? Deve vir à sua vida. Deve ser uma realidade já hoje. Vocês estão pensando dessa maneira?
Venha o Teu reino.
Agora, se “Santificado seja o Teu nome” é para hoje, se “Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu” é para hoje, então “Venha o Teu reino” também é para hoje.
Ao orarmos, queremos ver o reino de Deus vir sobre nós, tornar-se uma realidade em nosso meio, aqui e agora.
Nome. Reino. Vontade.
O nome fala da Pessoa — Deus, nosso Senhor Jesus. Que o Seu nome seja respeitado, não com os lábios, mas com uma vida que esteja sob o Seu nome.
E que o Seu nome não seja envergonhado por nossa causa. Pelo contrário, que o Seu nome seja glorificado, seja engrandecido.
O reino fala do governo soberano de Deus. Aqui estamos nós, chamados pelo Seu nome. Se nos colocamos sob o Seu nome, então certamente o Seu governo soberano está sobre nós. Tornamo-nos o Seu reino.
E a Sua vontade, sem dúvida, está sendo feita na terra, em nós, assim como é feita no céu.
A oração que o nosso Senhor Jesus nos ensina a fazer deve começar com o nome de Deus, o reino de Deus e a vontade de Deus.
Sabem, muitas vezes percebemos que a nossa oração é bastante centrada em nós mesmos. Provavelmente, ela não vai além da nossa família mais próxima. Estamos mais interessados em nossos interesses e preocupados com nossas preocupações.
Mas o Senhor Jesus quer nos conduzir à ordem correta: devemos nos preocupar primeiro com aquilo que preocupa a Deus. Devemos nos interessar por aquilo que interessa a Deus.
Não devemos estar sempre, o tempo todo, preocupados apenas conosco, com o nosso próprio bem-estar, com os nossos próprios interesses. Precisamos ser libertos disso e nos interessar pelo que interessa a Deus, nos preocupar com o que preocupa a Deus.
E isso é o Seu nome, o Seu reino, a Sua vontade. Estas são as coisas que precisamos buscar primeiro: o reino de Deus e a Sua justiça.
É claro que, quando fazemos esse tipo de oração, ela pode parecer um pouco objetiva — isto é, pode parecer que se trata de algo fora de nós. Estamos orando pelo Seu nome, pelo Seu reino, pela Sua vontade.
Mas, irmãos e irmãs, vocês perceberão que estamos profundamente envolvidos nessa oração. Porque, quando oramos para que o Seu nome seja santificado, por quem ele será santificado? Por nós.
Estamos orando para que o Seu reino venha. Onde? Sobre nós. Estamos orando para que a Sua vontade seja feita na terra assim como é feita no céu. Onde, na terra? Entre nós, em nós.
Estamos profundamente envolvidos quando fazemos esse tipo de oração. Isso não significa que estamos apenas à distância, fazendo essa oração, e que Deus a responderá fora de nós.
Não, Deus responderá a essa oração dentro de nós — em nós e entre nós. Estamos profundamente envolvidos nessa oração.
Dito de outra forma, se vocês não querem que o Seu reino venha, então não façam essa oração.
Porque, se começarem a fazer essa oração e Deus estiver respondendo, vocês vão se ver em apuros.
E então, depois de orarmos: “Teu nome, Teu reino e Tua vontade”, o Senhor disse: “Vocês podem continuar e orar”:
O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Isso diz respeito à nossa necessidade física. Deus conhece a nossa necessidade física. Ele suprirá as nossas necessidades.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Perdoa-nos as nossas dívidas, as nossas transgressões, assim como perdoamos aos nossos devedores.
Esta é a nossa necessidade psicológica, ou a necessidade da nossa alma.
Como nosso irmão mencionou, Deus nos criou com espírito, alma e corpo. Agora, o nosso corpo tem uma necessidade. Precisamos do pão diário, e podemos orar por isso.
Não recebemos a ordem de orar pelo pão de amanhã, mas somos instruídos a orar pelo pão de hoje. Deus conhece a nossa necessidade diária. Dependemos dEle para suprir a nossa necessidade física.
E também fomos criados com uma alma, e a nossa alma tem necessidades. E, para a necessidade da nossa alma:
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.
Como nosso irmão mencionou na oração da manhã, se não perdoamos as pessoas, se temos um espírito que não perdoa, então vocês perceberão que a sua alma está em dificuldades.
Precisamos perdoar aos nossos devedores porque Ele nos perdoou tanto. E quem somos nós para guardar alguma coisa contra alguém?
E, se perdoarmos, Ele nos perdoará. Assim, a nossa alma será saudável. A nossa alma estará sã. Estaremos em paz e em descanso. E Deus sabe que precisamos disso. Precisamos fazer essa oração.
Muitas vezes encontramos entre o povo de Deus um espírito que não perdoa.
Se um incrédulo fizer alguma coisa contra nós, é fácil perdoarmos, porque, afinal de contas, ele está nas trevas.
Mas, se um irmão ou uma irmã nos ofender, é muito difícil perdoar, porque pensamos que eles deveriam ter mais discernimento — especialmente alguns irmãos e irmãs mais experientes.
Mas, se nos apegarmos a essa amargura, a essa falta de perdão, perceberemos que quem mais sofre somos nós mesmos. A nossa alma fica doente, sem saúde, sem equilíbrio, inquieta.
Oh, que, ao fazermos esta oração — e ela precisa ser feita todos os dias —, Deus mantenha a nossa alma em paz; que saibamos que não temos nenhuma pendência, que não guardamos nada contra ninguém; e que saibamos que Deus não tem nenhuma pendência conosco. Ele não está guardando nada contra nós.
Não nos deixes entrar em tentação, mas livra-nos do maligno.
Fomos criados com um espírito, e o nosso espírito também tem necessidades. E a necessidade do espírito é que não entremos em tentação.
Agora, é verdade: enquanto estivermos na carne, a tentação parece inevitável. Mas, graças a Deus, há muitas tentações que podem ser evitadas.
Em outras palavras, muitas vezes, em certo sentido, procuramos atrair tentações sobre nós. Nós nos lançamos nas tentações. Muitas tentações são desnecessárias.
E, por não sermos cuidadosos, acabamos sendo tentados por todos os lados. Precisamos pedir ao Senhor:
Não nos deixes entrar em tentação.
Precisamos conhecer a nossa fragilidade. Sabem, às vezes nos sentimos tão fortes. Sentimos que somos tão espirituais. Sentimos que podemos fazer qualquer coisa, então desafiamos o diabo a nos tentar.
Irmãos e irmãs, se estamos fazendo isso, não pensem que Deus sempre nos protegerá. Às vezes Ele nos protegerá, mas nem sempre.
Precisamos conhecer a nossa fraqueza. Precisamos ser humildes diante de Deus, sabendo que somos frágeis, e pedir ao Senhor:
Não nos deixes entrar em tentação.
Tememos que, se cairmos em tentação, possamos ceder a ela e pecar. Sabem, a tentação em si não é pecado. Se vocês são tentados, isso não é pecado. Mas, se cedem à tentação, isso é pecado.
Conhecendo a nós mesmos, pedimos ao Senhor: “Não nos deixes entrar em tentação”. Mas, se o Senhor entender que precisamos ser testados, que precisamos ser provados, e permitir que a tentação venha sobre nós, então pedimos ao Senhor: “Livra-nos do maligno”.
Porque é o maligno que está por trás de toda tentação, e o seu propósito é mau. Ele quer nos desviar, nos fazer cair em pecado, afastando-nos do reino de Deus e levando-nos ao reino das trevas.
Por isso pedimos ao Senhor: “Livra-nos do maligno”. Irmãos e irmãs, não sei quanto a vocês, mas sinto isso muito intensamente dentro de mim: “Oh, diariamente faço esta oração: ‘Não me deixes entrar em tentação, mas livra-me do maligno’”.
Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
Por que oramos dessa maneira? Porque Teu é o reino. O reino pertence a Ti. Queremos ver Deus governar sobre a nossa vida.
Teu é o poder. Tu tens o poder para realizar isso. E Tua é a glória. Tudo retorna a Ti. Amém. Assim seja.
Esta, portanto, é a Oração do Senhor, a oração da igreja. E é assim que devemos orar.
Por quê? Por que precisamos orar: “Venha o Teu reino”? O reino de Deus não virá simplesmente de maneira automática? Deus tem um cronograma e, quando chega o momento, o reino vem?
Por que precisamos fazer esta oração: “Venha o Teu reino”?
Uma razão é esta: existem agora dois reinos, e esses dois reinos se opõem um ao outro.
Percebemos que esses dois reinos não estão apenas fora de nós; na verdade, estão dentro de nós. Estão em nós.
Mencionamos anteriormente que um reino não é apenas um domínio, um território ou uma esfera, algo que nos dá a ideia de uma realidade exterior. Sim, ele é isso, mas percebemos que o reino é, fundamentalmente, algo interior.
O reino está de acordo com uma natureza. Em outras palavras, o reino de Deus é a manifestação, a expressão, o governo da Sua natureza. Isso é o reino.
Agora, quando chegamos a essa questão da natureza, se um reino é uma questão de natureza — da natureza de uma pessoa —, a personalidade dessa pessoa caracteriza o seu reino. Ela imprime o seu próprio caráter no domínio que governa.
Então percebemos que o reino é mais do que algo exterior. O reino é algo interior.
Agora, irmãos e irmãs, vemos que existem dois reinos opostos um ao outro porque as suas naturezas são inteiramente opostas.
O reino de Deus está de acordo com a natureza de Deus. O reino de Satanás está de acordo com a natureza de Satanás. E é isso que caracteriza esses dois domínios.
Vemos que, neste universo, ou nesta terra, esses dois reinos existem, mas não podem coexistir. É uma contradição. Ambos estão aqui, mas não coexistem. Se este reino vem, então aquele reino vai embora.
E percebemos que isso não é verdade apenas exteriormente; é uma realidade interior. Mesmo dentro de nós existem esses dois reinos opostos, e eles lutam um contra o outro pela supremacia.
Quem vai governar? Qual reino estará ali? Dentro do nosso próprio ser, encontramos esses reinos lutando um contra o outro. O conflito espiritual, a guerra espiritual, está dentro de nós.
Esses dois reinos lutam um contra o outro porque não podem coexistir. E, por causa disso, precisamos orar: “Venha o Teu reino”.
Sabem, antes de conhecermos o Senhor Jesus, antes de sermos salvos, pertencíamos ao reino satânico. Estávamos sob o poder das trevas. Estávamos sob o governo de Satanás, e ele governa de acordo com a sua natureza.
E a sua intenção é nos destruir.
Mas, graças a Deus, um dia fomos salvos pelo nosso Senhor Jesus. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Portanto, falando exteriormente, falando em termos de posição, nós, que cremos no Senhor Jesus, fomos libertos do reino de Satanás. Já não pertencemos a ele.
Fomos transportados para o reino do Filho do amor de Deus. Agora estamos no reino de Deus. Graças a Deus, irmãos e irmãs, agora estamos no reino de Deus. Isso é verdade.
Mas, infelizmente, percebemos que, embora em nossa posição estejamos fora do poder das trevas e dentro do reino do Filho de Deus, interiormente esses dois reinos ainda existem em nós.
Permitam-me usar uma ilustração. Quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, sabemos que eles atravessaram o mar Vermelho. E, depois de atravessarem o mar Vermelho, estavam fora do Egito.
Foram libertos de Faraó, do seu governo. E, quando estavam sob o governo de Faraó, no Egito, nem sequer lhes era permitido viver. Eram submetidos a trabalhos forçados. Os meninos deveriam ser afogados.
Em outras palavras, vemos que o propósito de Faraó era aniquilá-los, matar todos eles.
Mas, graças a Deus, Ele enviou Moisés para libertá-los do Egito. E, depois de atravessarem o mar Vermelho, o Egito ficou para trás.
E, se vocês lerem o Novo Testamento, encontrarão em 1 Coríntios 10 que eles foram batizados em Moisés. Isto é, já não estavam sob Faraó. Agora estavam sob Moisés, e Moisés representava Deus.
Agora pertenciam ao reino de Deus. E como cantaram o cântico de vitória em Êxodo 15:
O Senhor reinará para todo o sempre.
Agora estavam no reino de Deus.
Mas vocês se lembram de que, enquanto viajavam pelo deserto, sempre que enfrentavam um problema, a mente deles voltava ao Egito.
Pensavam no alho, nas cebolas e nos peixes do Egito — em todas essas coisas. Toda vez que alguma coisa acontecia, a mente deles corria de volta ao Egito.
Em outras palavras, percebemos que foram libertos do Egito fisicamente, mas, na alma, o Egito estava dentro deles.
Fisicamente, estavam fora do Egito, mas, espiritual e moralmente, o Egito ainda estava dentro deles. O Egito ainda tentava mantê-los presos.
E somente quando atravessaram o rio Jordão — e vocês se lembram de que, depois que atravessaram o rio Jordão, Ele disse: “Hoje removi de sobre vós o opróbrio do Egito” — é que foram libertos do Egito não apenas exteriormente, mas também interiormente.
Só então vemos que eles não apenas estavam fora do Egito, mas que o Egito estava fora deles.
E, irmãos e irmãs, isso é uma figura e nos mostra a nossa situação.
Em certo sentido, fomos libertos do poder das trevas. Não pertencemos ao reino do inimigo de Deus. Graças a Deus, estamos no reino de Deus. Ele nos transportou para esse reino. Isso é verdade.
Mas, por outro lado, percebemos que, de alguma maneira, por se tratar de algo moral e espiritual — não é algo físico; é algo espiritual, moral; está de acordo com uma natureza —, parece haver duas naturezas dentro de nós.
E essas duas naturezas representam dois reinos. Esses dois reinos são governados por essas duas naturezas diferentes, opostas. E estão lutando um contra o outro dentro de nós, dia após dia, noite após noite.
É a vontade de Deus que o reino das trevas seja completamente destruído.
Deus exaltou o nosso Senhor Jesus no trono, aguardando até que todos os Seus inimigos sejam postos por estrado dos Seus pés. O reino das trevas será completamente destruído, eliminado da nossa vida, e o reino de Deus será plenamente estabelecido dentro de nós.
Em outras palavras, o senhorio de Cristo não será contestado. Esta é a vontade de Deus. Mas ainda vemos esses dois reinos lutando um contra o outro.
Dizemos que um reino está de acordo com uma natureza. Em outras palavras, o reino satânico é governado pela sua natureza.
E qual é a natureza de Satanás? A natureza de Satanás é o pecado.
É por essa razão que, quando Adão caiu, o pecado entrou no mundo por um só homem.
E, em Romanos 7, ele disse:
O pecado habita em mim, isto é, na minha carne.
O pecado não é apenas um ato, ou muitos atos. Percebemos que o pecado é uma natureza, a natureza de certo tipo de vida. É um poder. Ele reina e governa.
E, infelizmente, percebemos que o pecado governa dentro de nós — isto é, em nossa carne.
Portanto, vejam, o reino das trevas não é apenas algo exterior. Quando Adão pecou, quando traiu a confiança de Deus, entregou-se a Satanás. E toda a terra que lhe havia sido dada, ele a entregou ao inimigo de Deus.
E vemos que Satanás tomou posse do homem e da terra e os organizou naquilo que hoje chamamos de mundo, o sistema, o cosmos.
E ele é o príncipe deste mundo. Ele o organizou de acordo com o seu caráter, com a sua natureza, e o governa de acordo com o seu caráter. Existe esse mundo organizado, que é o reino de Satanás. Ele é o governante deste mundo.
Meus irmãos e irmãs, há mais do que isso.
Quando Adão caiu e pecou, ele não apenas entregou a si mesmo e toda a terra ao inimigo, para que fossem organizados como um reino contrário ao reino de Deus; percebemos também que, quando ele pecou, o pecado entrou nele.
O pecado habita nele. Governa a partir do seu interior. Portanto, o reino do inimigo não está apenas ao seu redor, mas também dentro dele.
E, sabem, isso é ainda pior do que aquilo que está fora.
Um irmão diz: “Queremos atacar o reino de Satanás”. Como vocês o atacam?
Bem, talvez vocês vão à China para converter os pagãos. Talvez vão às favelas da cidade e tentem arrancar pessoas das mãos do inimigo. Talvez tentem atacar a ele e à sua organização.
Mas, se Satanás não for destronado na sua vida, isso não adianta, porque ele governa por meio da sua natureza. É assim que ele governa.
A menos que essa natureza seja tratada, perceberemos que o reino dele continua ali. Vocês podem atacá-lo aqui e ali, pensando que estão fazendo algum progresso, mas, se essa natureza não for tratada, ele ainda mantém as rédeas.
A natureza de Satanás é o pecado.
Teologicamente, as pessoas falam sobre o pecado original.
Sabem, dizemos que não apenas temos pecado — cometemos muitos pecados —, mas que dentro de nós existe o pecado original. Nascemos com ele. Todos nascem com o pecado original.
E esse pecado original habita em nós, governa sobre nós e nos faz fazer coisas que talvez não queiramos fazer, ou que sabemos que não deveríamos fazer.
Ele nos impede de fazer coisas que sentimos que deveríamos fazer. Mas somos simplesmente incapazes. Por quê? Porque existe ali o pecado original.
E, segundo a Escritura, somos pecadores antes de pecar. Pecamos porque somos pecadores.
Sabem, Adão, é claro, é uma exceção. Ele pecou e se tornou pecador, e o pecado passou a habitar nele. Então continuou a pecar, e não podia fazer outra coisa senão pecar.
Mas, quanto a nós, que nascemos de Adão, percebemos que nascemos com esse pecado original em nós. E, porque nascemos pecadores, não podemos deixar de pecar.
Pertencemos ao reino de Satanás, governados pela sua natureza.
Pelo que ouço, penso que o pecado original começa com Adão. Mas a Escritura me corrige. Pecado original — quando o pecado se origina?
Ele não se origina com Adão. Remonta a muito antes. Remonta ao arcanjo.
Sabem, não havia pecado em todo o universo que Deus havia criado. Dizemos que o reino de Deus, no princípio, era tão abençoado, tão glorioso. Por quê?
Porque tudo foi criado segundo a natureza de Deus, e todo ser criado se submetia à autoridade de Deus. A autoridade de Deus não era contestada, e Ele governava sobre todos com o Seu governo benevolente.
A bênção que havia no universo é algo que vocês simplesmente não conseguem imaginar. Não havia pecado.
Mas, um dia, aquele arcanjo, como já mencionamos, começou a se interessar por si mesmo.
No princípio, naquele estado abençoado do reino de Deus, ninguém pensava em si mesmo. Todos pensavam em Deus. Todos os olhos estavam voltados para Deus. Ninguém procurava olhar para dentro de si mesmo.
Mas havia aquele arcanjo. Ele começou a se voltar para si mesmo: “Eu, eu, eu. E quanto a mim?”
O pecado começa com o “eu”. A sede do pecado é a vontade.
Quando começamos a nos voltar para o “eu”, então vem: “Eu quero”.
Subirei ao céu;
acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono.
No monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte;
subirei acima das alturas das nuvens;
serei semelhante ao Altíssimo.
Portanto, em outras palavras, é assim que o pecado começa. O pecado começa com o “eu” — a consciência de si mesmo, o interesse próprio, a busca dos próprios interesses, a ambição pessoal, o egocentrismo.
Esse é o começo do pecado. É isso que o pecado é. E a vontade começa a se exercer: “Eu quero isto. Eu quero aquilo. É isto que mereço ter. É assim que deveria ser”.
E, em vez de olhar para Deus e se submeter a Deus, contente com o lugar em que Deus o havia colocado, vemos que ele começou a se opor a Deus, tentando se exaltar.
O orgulho é a essência do pecado.
É por isso que encontramos na Escritura muitas, muitas palavras fortes contra o espírito de orgulho.
Deus odeia o soberbo. Isso é uma abominação para Ele.
Por quê? Porque alguém que é soberbo, que tem um espírito de orgulho — sabem, aquele arcanjo — começou a se orgulhar de si mesmo porque Deus o havia dotado de tamanha sabedoria. Deus lhe havia dado tantos talentos.
Deus havia colocado em suas mãos tamanho domínio e o havia estabelecido como querubim ungido que cobre. Ele era tão inteligente, cheio de sabedoria. Começou a se orgulhar de si mesmo.
“Eu mereço algo mais do que a posição em que Deus me colocou. Por que não sou igual a Deus? Por que deveria estar sob Ele?”
Isso resulta em rebelião, em perversidade. Essa é a natureza de Satanás. Esse é o pecado original.
O pecado original é uma natureza, e essa natureza é “eu”, “mim”, vontade própria, orgulho, eu mesmo. Isso é pecado.
E não sabemos, não temos experimentado que existe esse outro reino em nós?
Depois que somos salvos, temos a vida de Cristo em nós. Uma nova natureza entrou em nós, e essa nova natureza deve governar e reinar para que estejamos no reino de Deus.
E, sempre que permitimos que essa natureza se desenvolva, sempre que seguimos essa natureza, oh, irmãos e irmãs, há paz, há alegria, há descanso, há bem-aventurança. É o reino de Deus.
Há justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Não é isso que acontece em nossa experiência pessoal?
Mas, infelizmente, percebemos que existe outra natureza dentro de nós: o pecado. E ele tenta levantar a cabeça repetidas vezes e lutar contra o reino dentro de nós, para nos arrancar do reino de Deus e nos colocar sob o seu governo.
O “eu” aparece, o pecado levanta a cabeça e grita: “Siga-me”. E, quando estamos nesse tipo de situação, sabem o que acontece? Sentimos morte dentro de nós.
Os dois reinos estão dentro de nós. Existe alguma salvação?
Graças a Deus, existe.
Graças a Deus, um dia o Filho de Deus veio a este mundo para ser homem.
Nesse Homem não há pecado original. É por isso que Ele precisava nascer de uma virgem, porque Ele nasceu do Espírito. O Espírito Santo cobriu com Sua sombra o ventre da virgem Maria, e ela deu à luz o Santo.
Todos nós nascemos com o pecado original. O reino das trevas está dentro de nós. Mas aqui está um Homem: quando nasceu, Ele era o Santo. Não havia pecado original nEle.
E, se vocês lerem sobre a vida do nosso Senhor Jesus, perceberão que toda a Sua vida é o reino de Deus.
Ele é o reino de Deus. Ele não apenas veio como Rei dos judeus, mas Ele próprio é o reino de Deus.
Por quê? Vemos que, em Sua vida, Deus é tudo em todos. O governo pessoal de Deus é evidente em toda a Sua vida. Nem uma vez Ele Se rebelou contra Deus. Nem uma vez pensou em Si mesmo. Ele negou a Si mesmo. Fez a vontade de Deus. Ele é o reino de Deus.
Mas vocês acham que Ele não passou pela batalha entre os dois reinos? Ele passou — não dentro dEle, mas fora dEle.
Logo depois que Ele nasceu, o reino das trevas ficou muito agitado. Eles sabiam que o reino de Deus finalmente havia chegado a esta terra e que, um dia, esse reino destruiria o reino das trevas.
Vocês se lembram de que, imediatamente depois que o nosso Senhor Jesus nasceu, Herodes quis matá-Lo. Era Satanás, por trás de Herodes, que queria matá-Lo quando Ele ainda era um bebê. Ele precisou fugir para o Egito.
Quando Ele começou o Seu ministério, aos trinta anos, foi ser batizado. E, depois do Seu batismo, o Espírito Santo O impeliu ao deserto para encontrar o Seu inimigo.
E ali vemos Satanás tentando-O com tudo o que podia. Não existe tentação com a qual alguém neste mundo possa ser tentado e com a qual o nosso Senhor Jesus não tenha sido tentado.
Em outras palavras, Satanás esgotou todas as suas táticas contra o nosso Senhor Jesus, tentando invadir o reino de Deus, tentando vencê-Lo e colocá-Lo sob o seu reino.
“Tu estás com fome. Se Tu és o Filho de Deus, transforma a pedra em pão e come. Tu podes fazer isso.”
Mas o nosso Senhor Jesus disse:
Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
O reino de Deus estava em Sua vida.
Satanás O levou ao pináculo do templo e disse: “Ora, Tu nasceste Rei. Tu terás o Teu reino. Muito bem, lança-Te daqui. Todos verão Alguém descendo do céu, e Te adorarão, e Te seguirão. Tu terás o Teu reino imediatamente”.
Um atalho.
Mas o nosso Senhor Jesus disse: “Não”.
Não tentarás o Senhor teu Deus.
Deus tem o Seu tempo. Deus tem o Seu caminho. É preciso fazer as coisas à maneira dEle.
Então Satanás O levou a um alto monte, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e toda a glória deles, e disse: “Tudo isso é meu. Se Tu Te prostrares diante de mim, eu Te darei tudo isso. Será Teu”.
E o Senhor Jesus disse:
Ao Senhor teu Deus adorarás,
e só a Ele servirás.
Satanás ofereceu o seu reino ao nosso Senhor Jesus, mas o nosso Senhor Jesus o rejeitou. O Senhor disse: “Não. Este não é um reino que Eu queira. Este é outro reino. Eu vim estabelecer o reino de Deus”.
E, no entanto, vemos como, ao longo de toda a Sua vida, Ele foi novamente desafiado, novamente tentado pelo reino exterior, pelo reino deste mundo: “Fica com ele agora. Tu podes tê-lo agora”.
E o Senhor Jesus disse: “Não, não. Um dia Eu o terei. O reino do mundo se tornará o reino do nosso Deus e do Seu Cristo, mas não dessa maneira. Isso precisa começar de dentro. Precisa ser transformado”.
Não é fácil rejeitar o mundo quando ele está ao alcance das mãos. Por causa disso, Ele foi crucificado.
Irmãos e irmãs, em toda a Sua vida vocês veem o reino de Deus. E veem o reino de Deus em supremacia. Veem que o reino das trevas foi destruído.
A própria vida do nosso Senhor Jesus na terra destruiu o reino das trevas.
Vocês se lembram do que o nosso Senhor Jesus disse? Ele disse:
O príncipe do mundo veio; e ele nada tem em Mim.
Nenhuma parte em Mim, nenhum lugar em Mim.
O reino das trevas tentava encontrar um ponto de apoio em Sua vida, mas não havia terreno para ele. Ele derrotou Satanás removendo a sua base de atuação.
E o Senhor Jesus disse, a respeito do juízo:
O príncipe deste mundo já foi julgado.
Sabem, como o Senhor Jesus julga o príncipe deste mundo? Primeiro, moralmente, espiritualmente, destruindo a sua base, tirando-lhe o terreno. E é assim que ele é derrotado. É assim que ele é julgado.
E, depois, por fim, é claro, ele será lançado no lago de fogo. Portanto, primeiro espiritualmente e, depois, fisicamente.
Muitas vezes penso que, no que diz respeito ao Senhor, isso é suficiente. O reino de Deus veio nessa Pessoa, e o reino de Deus derrotou o reino de Satanás.
Mas, por nossa causa, Ele foi à cruz.
Sabem, ali na cruz, Ele derrotou o reino de Satanás por nossa causa.
A Sua vida já havia vencido, mas ali na cruz Ele removeu, por nós, a base de atuação do inimigo, para que sejamos completamente libertos do poder das trevas e também possamos vencer.
Todos conhecemos bem Romanos 6:6:
O nosso velho homem foi crucificado com Cristo,
para que o corpo do pecado fosse anulado,
a fim de que não mais estejamos sob o domínio do pecado.
Aqui vemos que temos esse pecado original dentro de nós, e esse pecado original habita no velho homem. Esse é o seu domínio. Ele habita na carne.
E vemos que o nosso Senhor Jesus levou esse velho homem Consigo e o crucificou na cruz. Ele isolou esse pecado, para que o pecado já não possa alcançar o corpo e ordenar que o corpo peque. Assim, o corpo fica sem serviço a prestar ao pecado.
E, se vocês enxergarem isso, então cantarão com Paulo e dirão:
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne, vivo na fé, na fé que é no Filho de Deus,
o Qual me amou e Se entregou por mim.
“Eu”, a própria natureza do pecado, fui crucificado com Cristo. Aquele velho “eu” foi crucificado. O que resta é aquele “eu” que Deus criou, e é Cristo Quem vive. É o reino de Deus.
Oh, irmãos e irmãs, precisamos ter os nossos olhos abertos pelo Espírito de Deus. Precisamos de revelação. Precisamos ver que, quando Cristo morreu na cruz, nós morremos. O “eu” foi crucificado.
Já não sou “eu”. O terreno que Satanás tem para atuar está sendo removido. É Cristo Quem vive em mim.
E, é claro, se o pecado é o princípio do reino de Satanás, então o Espírito de Deus é o princípio do reino de Deus.
Deus colocou o Seu próprio Espírito em nós. O Espírito Santo agora habita em nosso espírito. Ele é a natureza de Deus. Ele é vida. E Ele está à frente do reino de Deus em nós.
E é por isso, irmãos e irmãs, que precisamos tanto obedecer ao Espírito Santo.
O Espírito Santo nos ensina em todas as coisas. O Espírito Santo glorifica a Cristo. O Espírito Santo nos conduz a toda a verdade. O Espírito Santo está desenvolvendo essa nova natureza dentro de nós, para que essa nova natureza se desenvolva em caráter.
E esse é o caráter de Cristo. Este é o reino de Deus.
Oh, irmãos e irmãs, o Espírito Santo nos convencerá sempre que o ego tentar levantar a cabeça. Sempre que o “eu” começar a aparecer, o Espírito Santo nos lembrará disso e o entregará à morte.
Oh, precisamos cooperar com o Espírito Santo.
E, à medida que seguimos o Espírito Santo, que andamos segundo o Espírito, irmãos e irmãs, perceberemos que o reino das trevas recua. Ele desaparece, e o reino de Deus se ergue em glória — algo dentro de nós.
Agora, não temos tempo para falar sobre a igreja. E, é claro, sabemos que a igreja é a expressão corporativa do reino de Deus.
Querido Pai celestial, oh, como Te louvamos e agradecemos porque, quando estávamos presos em uma condição sem esperança e sem recursos, Tu enviaste o Teu Filho amado para vir nos libertar.
Tu não apenas nos libertaste do mundo e nos transportaste para o Teu reino, mas nós Te louvamos e agradecemos porque colocaste o Teu reino dentro de nós.
Oh, pedimos que o Teu Espírito Santo assuma de tal maneira o governo sobre nós, para edificar o Teu reino dentro de nós, que possamos ver a Tua glória.
Senhor, a nossa oração nesta manhã é: “Venha o Teu reino”. Em Teu precioso nome.