Esta é a última reunião desta conferência.
Também me lembro do que diz nosso querido irmão Austin-Sparks. Ele diz que, na Bíblia, encontramos esta palavra: “finalmente”. Quando vemos essa palavra, finalmente, podemos pensar que chegamos ao fim. Mas ele disse que essa palavra, no original, na verdade significa reunir tudo o que veio antes e elevá-lo a um nível mais alto. Isso é o que significa finalmente.
E eu realmente espero que nossa última reunião seja assim. Este não é o fim; será o começo.
Mencionamos, logo no início, que Deus está nos chamando à Sua plenitude. Essa é apenas outra maneira de dizer que Deus está nos chamando a Si mesmo, porque nosso Deus é um Deus de toda a plenitude. Ele não pode, e não vai, nos chamar a algo menor do que aquilo que Ele próprio é. Esse é o amor de Deus.
Deus nos chamou à Sua plenitude, e esse chamado é segundo um propósito — isto é, segundo o Seu próprio propósito. Esse chamado é segundo a Sua graça, porque somente a graça de Deus nos levará a esse propósito. E nós realmente louvamos e agradecemos a Deus por Ele nos ter chamado.
É extremamente importante considerarmos a maneira como respondemos ao Seu chamado. O chamado de Deus nunca muda; Ele não Se arrepende de nos ter chamado. E Aquele que nos chama é fiel. Mas, de nossa parte, temos uma responsabilidade: precisamos responder ao Seu chamado.
Vocês se lembram daquele versículo das Escrituras, em Mateus 22:14, que diz:
Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.
Como respondemos ao chamado de Deus à Sua plenitude?
Respondemos como Davi respondeu? Embora talvez não compreendamos plenamente a abrangência do Seu chamado — e creio que ninguém realmente a compreende —, sabemos que Ele nos faz um chamado tremendo. Ele está nos chamando a Si mesmo.
Embora talvez não compreendamos plenamente, precisamos ter o coração de Davi. Precisamos ir ao Senhor e dizer: “Senhor, quem somos nós? Mas é assim que Tu fazes as coisas. Realiza; cumpre segundo aquilo que disseste”. Creio que essa deve ser a atitude do nosso coração.
Mencionamos que, por Deus ser infinito e nós sermos tão finitos, precisamos de visão. A menos que Deus Se revele a nós, nunca poderemos conhecê-Lo. A menos que Deus nos mostre a Sua plenitude, ficaremos satisfeitos com o pouco que temos.
Por isso, precisamos de visão. Precisamos de uma visão da plenitude de Cristo. Precisamos ver que nosso Cristo não é pequeno de maneira alguma. Ah, Cristo é a plenitude da Divindade. Assim como não podemos sondar a plenitude da Divindade, também não há como conhecermos as profundezas da plenitude de Cristo.
É dessa plenitude que devemos receber. Como encontramos em Colossenses 2:9-10, toda a plenitude da Divindade habita corporalmente nEle, e estamos completos nEle.
Precisamos ter uma visão da plenitude da igreja, porque a igreja é o corpo, a plenitude dAquele que enche tudo em todos. Em outras palavras, a igreja não é nada menos que a plenitude de Cristo. Essa é a visão que precisamos ter.
É claro que, se Deus nos revelar a plenitude que há nEle, isso deverá criar em nós fome e sede dessa plenitude. Sabem, às vezes Deus primeiro cria em nós essa insatisfação. Como disse o irmão Fox, não aquele tipo errado de insatisfação que conhecemos muito bem e que não nos ajuda em nada.
Mas precisamos ter um tipo de insatisfação — uma santa insatisfação. Não estamos satisfeitos com o que somos agora, com nossa situação atual. Sabemos que não somos o que deveríamos ser. Por causa disso, estamos inquietos, insatisfeitos, e temos fome e sede de algo mais que há em Cristo.
À medida que buscamos algo mais dEle, Ele nos mostrará o caminho. Isso pode nos surpreender, e muitas vezes Ele nos surpreende.
Queremos plenitude, mas, quanto mais queremos plenitude, mais percebemos que estamos sendo esvaziados. Porque a lei da plenitude passa pelo esvaziamento. Assim como nosso Senhor Jesus Se esvaziou de toda a glória, honra, posição e poder, e Se humilhou como homem, Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu um nome que está acima de todo nome.
Diante desse nome, todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus é Senhor. O caminho para a plenitude passa pelo esvaziamento. O caminho para a verdadeira vida passa pela morte.
Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, fica só;
mas, se morrer, produz muito fruto.
Esse é o princípio divino que governa o propósito eterno de Deus.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de compartilhar algumas aplicações práticas da plenitude. Gostaríamos de considerar quatro áreas:
O que é a vida cristã? Qual é a vida que Deus nos chamou a viver? Qual é a vida que Deus determinou para nós, mesmo antes da fundação do mundo?
Se lermos a Palavra de Deus, descobriremos que, no que diz respeito à vida que Deus determinou que vivêssemos, há apenas um estilo, um tipo de vida a viver.
É verdade que encontramos na Palavra de Deus descrições de um tipo de vida anormal. Por exemplo, em 1 Coríntios 10:1-11, encontramos uma referência aos filhos de Israel.
Todos eles saíram do Egito. Todos foram batizados em Moisés. Todos beberam a bebida espiritual que saiu da rocha ferida. Todos comeram o alimento espiritual, o maná que desceu do céu. E, no entanto, a Bíblia diz que Deus não Se agradou deles. Por quê?
Porque, embora tivessem saído do Egito e conhecido as provisões de Deus em sua vida, eram dominados pela cobiça. Eram murmuradores. Eram fornicadores. Eram idólatras.
Eles não viveram a vida que Deus os havia chamado a viver. Não viveram a vida que Deus havia providenciado para eles. Em vez disso, vemos que viveram em si mesmos. Viveram segundo a carne e, por causa disso, todos caíram no deserto.
O apóstolo Paulo usou isso para admoestar e advertir os crentes de Corinto. Por quê? Porque era exatamente dessa maneira, segundo esse estilo de vida, que os crentes de Corinto estavam vivendo. Eram carnais. Eram crianças em Cristo. Nunca cresceram; eram egocêntricos, vivendo segundo a carne.
Ora, essas palavras não foram dadas como uma permissão para vivermos assim. Foram dadas como uma advertência, como uma admoestação, dizendo-nos que esse não é o tipo de vida que devemos viver.
Se vivemos esse tipo de vida, desagradamos a Deus. Se vivemos esse tipo de vida, não sabemos o que Deus nos ofereceu. Não conhecemos a provisão de Deus para nós. Em certo sentido, Deus fez a provisão, mas nós não fazemos uso dela.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, no que diz respeito à nossa vida pessoal, individual, lembremo-nos de que fomos chamados a viver apenas um tipo de vida: uma vida de plenitude.
Qualquer estilo de vida que seja inferior à plenitude não é aquilo que Deus nos chamou ou determinou que vivêssemos. Agora, pensem por um momento.
Quanto à vida que Deus nos deu: quando cremos no Senhor Jesus, recebemos uma nova vida. Essa nova vida é chamada de vida eterna. Ora, o que é a vida eterna?
Espero que todos aqui saibam que têm a vida eterna porque creram no Senhor Jesus. Aquele que tem o Filho tem a vida. Nós, que temos o Senhor Jesus, temos a vida eterna em nós. Essa é a vida que Deus nos deu. Mas, queridos irmãos e irmãs, o que é a vida eterna?
Provavelmente pensamos na vida eterna mais em termos de tempo: que ela não está limitada ao tempo, que continuaremos a viver depois de morrer, e viveremos sem fim. Mas, queridos irmãos e irmãs, a vida eterna é mais do que uma questão de tempo.
É verdade: a vida eterna não está limitada ao tempo. Ela começa agora e nunca termina. Mas a vida eterna é mais uma questão de qualidade. Em outras palavras, a vida eterna é uma vida da mais elevada qualidade. É uma vida de plenitude.
Essa vida nos foi demonstrada na vida do nosso Senhor Jesus quando Ele esteve na terra. Encontramos nEle uma vida — uma vida de plenitude, uma vida vitoriosa, uma vida obediente, uma vida em perfeita harmonia com Deus, uma vida gloriosa.
Nada menos que essa mesma vida habita agora em cada um de nós que cremos. Irmãos e irmãs, vocês sabem que a vida que agora habita em nós, essa vida eterna, é exatamente a vida que nosso Senhor Jesus viveu durante trinta e três anos nesta terra?
Ele nos demonstrou que tipo de vida é essa. Não é nada menos que isso. É a própria vida que Cristo viveu na terra durante trinta e três anos. Agora, essa mesma vida está em vocês e em mim, e essa vida deve ser vivida.
Creio que todos nós já descobrimos que não podemos viver a vida cristã por nós mesmos. Nós tentamos. Depois de crermos no Senhor Jesus, creio que todos nós tentamos. Tentamos viver uma vida como a de Cristo, mas descobrimos que era impossível. Estava além da nossa capacidade.
Precisamos de visão. Precisamos de revelação. Precisamos ver que, para nós, o viver é Cristo. Em outras palavras, fomos crucificados com Cristo.
Quando Cristo morreu na cruz, Deus não apenas O colocou na cruz, mas colocou todos nós com Ele, nEle, na cruz, porque Deus diz que não há nada de bom em nós. Deus diz que não pode nos melhorar. Deus diz que pôs fim a nós.
Portanto, em Cristo, morremos. Quando Cristo morreu, nós morremos. Assim, hoje, nós que vivemos, vivemos por Aquele que vive em nós.
Queridos irmãos e irmãs, lembrem-se: é Cristo Quem agora vive em nós. Ele é a nossa vida. E, porque Ele é a nossa vida, vocês conseguem imaginar que Ele viverá uma vida muito diferente — uma vida muito inferior, pobre, fraca — daquela que viveu há dois mil anos? É impossível.
Precisamos ver que é Cristo Quem vive em nós. E, se permitirmos que Ele viva, se crermos que Ele vive em nós e O deixarmos viver em nós, essa vida será uma vida de plenitude.
Colossenses 2:9 diz que toda a plenitude da Divindade habita corporalmente nEle. Sabem, encontramos isso duas vezes na carta aos Colossenses.
Em Colossenses 1:19, está escrito que toda a plenitude da Divindade teve prazer em habitar nEle. Depois, em Colossenses 2:9, está escrito que a plenitude da Divindade habita corporalmente nEle.
Agora, não sei se podemos fazer essa distinção. Talvez essa seja uma maneira de entender. No primeiro capítulo, aprouve a Deus que a plenitude habitasse em Cristo. Talvez isso se refira à eternidade.
Em outras palavras, de eternidade a eternidade, a plenitude da Divindade habita no Filho. Ele é a plenitude de Deus. Não há interrupção. Eternamente, isso é verdade. Na eternidade passada, a plenitude da Divindade habita nEle. Na eternidade futura, a plenitude de Deus continua habitando nEle. A plenitude de Deus fez nEle Sua morada permanente, e não há interrupção.
Mas, quando chegamos a Colossenses 2:9, está escrito que toda a plenitude da Divindade habita corporalmente nEle. Agora, eu me pergunto se isso se refere aos dias em que nosso Senhor Jesus esteve na terra.
Se for assim, vemos que, mesmo quando Ele esteve na terra, assumindo a forma de homem e esvaziando-Se de toda a glória, honra e todas essas coisas, toda a plenitude da Divindade ainda habitava nEle em forma corporal.
Em outras palavras, quando o Senhor Jesus esteve na terra, Ele era a própria expressão corporal da plenitude da Divindade.
Essa plenitude da Divindade foi manifestada em forma corporal, para que pudéssemos ver, ouvir e tocar. Não apenas isso: essa plenitude da Divindade agora foi disponibilizada a nós.
Porque nosso Senhor Jesus veio, morreu, foi sepultado e ressuscitou dentre os mortos. Assim, hoje, a plenitude da Divindade não está apenas nEle; ela agora também foi disponibilizada a nós.
A plenitude da Divindade habitava nEle, mas agora está aberta a nós. É por isso que Colossenses 2:10 diz:
Estais completos nEle.
A palavra completos é a mesma palavra: tornados plenos nEle.
Não apenas Ele é tão pleno, mas agora Sua plenitude está disponível a nós, para que sejamos tornados plenos.
Essa é uma revelação que precisamos receber. Irmãos e irmãs, esqueçam por um momento a condição em que vocês se encontram. Sabem, às vezes ficamos tão presos à nossa própria condição.
Em chinês, temos um provérbio: você se senta no fundo de um poço e olha para o céu; então acha que o céu é apenas daquele tamanho, porque isso é tudo o que consegue ver.
Irmãos e irmãs, como isso é verdadeiro. Estamos sempre conscientes da nossa própria condição e, por causa disso, nosso horizonte fica tão estreito. Só conseguimos ver aquela área muito pequena, e não conseguimos ver o vasto horizonte.
Irmãos e irmãs, a única maneira de receber uma visão é esquecer de si mesmos por um momento. Não façam nada agora a respeito da própria condição; olhem para cima e vejam o que Deus fez por nós.
Toda a plenitude da Divindade habita em Cristo, e habita corporalmente. Nós O vimos, O ouvimos, O contemplamos e O tocamos. Essa é a plenitude da Divindade.
Mas, graças a Deus, não se trata apenas de haver um homem em Quem toda a plenitude da Divindade habita e é demonstrada. Vemos que Ele a disponibilizou a nós por meio da redenção eterna que realizou.
Por meio da Sua morte e ressurreição, essa plenitude agora é a nossa porção. Ela foi disponibilizada a nós. Se vocês lerem Colossenses 2:10, verão que está escrito:
Estais completos nEle.
Toda a plenitude da Divindade habita corporalmente nEle. Não há dúvida. E, em seguida, vem a afirmação:
Estais completos nEle.
Ele não diz: “Havereis de estar completos nEle”, ou: “Estareis completos nEle”, ou: “Provavelmente estareis completos nEle”. Não. Ele diz:
Estais completos nEle.
Em outras palavras, a provisão já foi estabelecida. Deus já nos deu Sua provisão para vivermos uma vida de plenitude. Ela é nossa. Vocês foram tornados plenos nEle. No que diz respeito a Deus, isso já está feito.
Mas, é claro, no que diz respeito a nós, existe o lado subjetivo. Objetivamente falando, por meio da vida, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus, essa plenitude nos foi dada. Portanto, fomos tornados plenos nEle. Deus fez isso.
Agora, subjetivamente, o Espírito Santo, que habita em cada um de nós, trabalha para nos levar a essa plenitude, ou para trazer essa plenitude para dentro de nós, de modo que ela se torne nossa experiência. Queridos irmãos e irmãs, isso leva tempo.
O que Deus fez em Cristo a respeito dessa plenitude foi feito de uma vez por todas. Foi aperfeiçoado. Nada pode ser acrescentado. É de vocês. Já lhes foi dado.
Mas, queridos irmãos e irmãs, no que diz respeito ao lado subjetivo da experiência, é verdade que precisamos explorar. Precisamos tomar posse. Precisamos colocar os pés no chão, e cada lugar onde pusermos os pés será nosso.
O Espírito Santo não pode fazer nada além daquilo que Cristo já realizou. Tudo o que Ele faz é aplicar a nós aquilo que Cristo já realizou. Ele nos comunica o que Deus já deu em Cristo, para que possamos entrar nisso e experimentar essa plenitude.
Assim, irmãos e irmãs, encontramos o apóstolo Paulo em Filipenses 3:1-16. Essa é a atitude de coração que devemos ter hoje.
Aqui encontramos esse homem, um fariseu, que possuía todas as credenciais do judaísmo e se orgulhava dessas coisas. Mas, no caminho de Damasco, quando o Senhor o encontrou e o transformou, vemos o que ele disse:
Considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus.
Ele teve um vislumbre do Senhor Jesus, e esse vislumbre do Senhor despertou nele, criou nele, um desejo tão profundo pelo Senhor Jesus. Ele estava disposto a considerar tudo como escória, como nada; disposto a esvaziar-se e abrir mão de tudo para ganhar Cristo.
Ah, para que eu O conheça,
e o poder da Sua ressurreição,
e a comunhão dos Seus sofrimentos,
sendo conformado à Sua morte;
para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Irmãos e irmãs, aqui encontramos Paulo. Ele teve uma visão da plenitude de Cristo e, por causa dessa visão da plenitude de Cristo, prosseguiu em sua busca. Isso criou nele uma única paixão. Aqui há apenas uma paixão, e essa paixão é conhecer Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, temos essa paixão dentro de nós?
Houve um homem chamado Zinzendorf. Provavelmente vocês já leram sobre ele na história da igreja. Ele nasceu em uma família nobre, mas, quando era menino — acho que tinha quatro ou seis anos; não me lembro bem —, conheceu o Senhor de uma maneira muito real.
Ele amava o Senhor. Muitas vezes se sentava à janela do seu castelo. Queria fazer alguma coisa para o Senhor, mas era uma criança pequena — o que poderia fazer? Então costumava escrever: “Jesus ama você”, e coisas assim, e jogava esses bilhetes pela janela, esperando que alguém os apanhasse. Essa era sua maneira de expressar seu amor por Deus.
Depois de se formar na universidade, ele viajou pela Europa, porque essa era a maneira de educar os nobres. Quando outros jovens da sua idade chegavam a Paris, perdiam-se nas atrações da cidade. Mas, para Zinzendorf, aquilo não era nada. Não era nada.
Então ele viajou para Düsseldorf e ali viu um quadro do Senhor Jesus, pintado por um artista. Essa é outra história. Debaixo do quadro, estava escrito:
Tudo isso fiz por ti; o que fizeste por Mim?
Ele ficou ali, imóvel, profundamente tocado, até que o responsável pelo museu precisou lhe dizer: “Está na hora de fechar o museu”. Ele foi para seu quarto de hotel e se ofereceu ao Senhor.
Deus o usou para levantar um tremendo movimento do Espírito de Deus — a missão morávia. Zinzendorf disse: “Tenho apenas uma paixão: Jesus”.
Ah, irmãos e irmãs, temos uma visão de Cristo? Se realmente O vemos, isso não deveria criar em nós uma paixão — uma paixão por Cristo?
Essa é a paixão que encontramos no apóstolo Paulo: “Conhecê-Lo. Isso é tudo o que quero. Estou disposto a abrir mão de tudo, de qualquer coisa, contanto que eu O ganhe”.
Mesmo quando Paulo escreveu sua carta aos Filipenses, ele estava na prisão. Estava nos últimos anos da sua vida e, ainda assim, disse: “Não digo que já tenha alcançado”.
Prossigo para alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus.
Ele havia alcançado Paulo, e Paulo queria alcançá-Lo assim como Ele o havia alcançado. Queridos irmãos e irmãs, certamente o Senhor alcançou vocês. Se o Senhor não os tivesse alcançado, vocês não estariam aqui. Mas vocês O alcançaram como Ele os alcançou?
Vocês estão satisfeitos, pensando que sabem tudo e têm tudo? Vocês dizem: “Não há mais progresso, não há mais de Cristo para alcançar”. Ah, irmãos e irmãs, Paulo disse:
Esquecendo-me das coisas que para trás ficam,
e avançando para as que estão diante de mim,
prossigo para o alvo,
para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
O que é essa soberana vocação? Não pode ser nada menos que a plenitude de Cristo.
Paulo disse que qualquer pessoa perfeita, qualquer pessoa madura, qualquer pessoa que esteja crescendo deve ter essa maneira de pensar. Essa deve ser a atitude do seu coração. Mas, é claro, damos um passo de cada vez.
Portanto, irmãos e irmãs, lembremo-nos: a plenitude de Cristo não é uma teoria sobre a qual devemos especular. A plenitude de Cristo é uma vida que Ele nos chamou a viver.
Ah, precisamos prosseguir em direção a Cristo, à Sua plenitude. É uma busca sem fim, e creio que é isso que a torna tão empolgante — uma busca sem fim em direção a Ele.
Imagino que muitos de vocês já tenham ouvido o nome Madame Guyon. Essa senhora amava o Senhor, e sua vida era bela.
Ela escreveu um livro chamado Torrentes Espirituais. Não é um livro fácil de ler. Mas a senhora Jessie Penn-Lewis fez uma versão resumida desse livro e publicou um livreto chamado A Vida que Procede da Morte.
Essa irmã conhecia o lado subjetivo de prosseguir em direção à plenitude de Cristo na vida. Gostaria de ler para vocês alguns trechos.
Depois de termos nossa fé firmada em Cristo — isto é a conversão —, assim que a alma se volta para Deus e é purificada dos seus pecados, ela deseja instintivamente estar inteiramente unida a Ele.
Agora, irmãos e irmãs, depois de sermos salvos, depois de nossos pecados serem perdoados, depois de estarmos na fé, então, intuitiva, natural e espontaneamente, desejamos estar completa e inteiramente unidos a Ele.
Creio que esse é um desejo espontâneo dentro de nós. Em outras palavras, a plenitude de Deus está nos chamando. Ouvimos o chamado, e dentro de nós há uma vida que responde a ele. Queremos estar completa e inteiramente unidos a Ele.
Seu progresso pode ser comparado a rios que correm em direção a Deus como seu oceano.
Agora ela procura descrever uma alma que busca a plenitude de Deus.
O primeiro estágio: alguns se movem em direção a Ele de maneira lenta e fraca. Ocupam-se muito com a vida exterior e dependem bastante de fontes externas de ajuda. São como bombas de água: só fornecem água quando acionadas. Têm grande desejo de estar sempre fazendo alguma coisa. Estão cheios de planos sobre como buscar a Deus e permanecer em Sua presença. Mas tudo isso se dá pelos próprios esforços, e não pela graça.
Isso descreve a experiência de altos e baixos e o esforço próprio inconstante de muitos verdadeiros filhos de Deus. Como isso é verdadeiro. Alguns filhos de Deus são realmente filhos de Deus, mas se movem em direção a Ele de maneira lenta e fraca. Têm todo tipo de plano. Confiam em coisas boas. Sua experiência tem altos e baixos e depende principalmente do esforço próprio.
Então, o segundo estágio: alguns avançam decidida e rapidamente — o caminho da luz. Tão cheios de luz e de amor ardente, despertam a admiração dos outros. Pois Deus parece lhes dar dons sobre dons: graça, luz, visões, revelações, êxtases. As tentações são repelidas; as provações mais profundas são suportadas com força. Seu coração se amplia, e eles fazem de bom grado grandes sacrifícios por Deus e pelas almas.
Quando vocês entram no segundo estágio, percebem que estão se movendo rapidamente em direção a Deus. É o caminho da luz. Parece que recebem grandes revelações, e parece que estão fazendo grandes coisas para Deus. Vocês despertam a admiração dos outros.
Mas esse é apenas o segundo estágio.
E então, o terceiro estágio: alguns avançam com impetuosidade arrebatadora — o caminho da fé. Não descansam em nada até alcançar o alvo. Cristo é revelado interiormente. A alma parece transbordar de alegria indizível e cheia de glória. Nessa fase inicial, há muito da vida emocional e da manifestação de Deus, que ocorre em alto grau.
Então vem o despojamento das riquezas espirituais, até que a alma, em todos os aspectos, naufrague sobre Deus. O despojamento começa pela veste: dons e graças; depois, pelos adornos: dons e graças; depois, pelas vestes: o poder para o serviço; e então, pela beleza: o poder para praticar as virtudes divinas. A perda de tudo a que o amor-próprio poderia se apegar. A alma, reduzida a nada, é unida, por meio de Cristo, a Deus. Então a alma é vivificada novamente.
Agora, irmãos e irmãs, estamos completos em Cristo, mas precisamos ser completados. O Espírito de Deus está trabalhando em nós para nos conduzir, ou nos impelir, àquela plenitude que há em Deus. Não podemos parar em nenhum outro ponto.
Portanto, na vida pessoal, precisamos experimentar a plenitude de Cristo.
Agora, a segunda área que gostaríamos de considerar é a vida comunitária.
Aqui, na carta aos Efésios, em Efésios 1:22-23, Deus constituiu Cristo como Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu corpo, a plenitude dAquele que enche tudo em todos.
Ora, isso é uma revelação. Paulo orou para que Deus lhes desse o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus. O que é a revelação do pleno conhecimento de Deus? Uma parte dessa revelação é que a igreja é o corpo de Cristo.
O que é um corpo? O corpo é a plenitude dAquele que enche tudo em todos. Essa é a revelação, e essa revelação é um chamado. Somos chamados a ser o corpo de Cristo.
Sabem, se vocês lerem a carta aos Efésios, descobrirão que o chamado de Deus é coletivo. Muitas vezes pensamos no chamado como algo pessoal, mas veremos que ele é coletivo. Deus não está nos chamando a fazer algo, mas a ser o corpo de Cristo. Não consigo imaginar nenhum chamado mais elevado do que esse.
Pensem nisso. Deus nos chamou a ser o corpo de Cristo. O que é o corpo de Cristo? O corpo de Cristo não é outra coisa senão a plenitude de Cristo.
É por isso que o apóstolo Paulo às vezes usa a expressão o Cristo.
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também é o Cristo.
Por quê? Porque esse corpo não é outra coisa senão a plenitude de Cristo, que enche tudo em todos. Em outras palavras, não encontramos nada nesse corpo além de Cristo.
Esse corpo não é um corpo vazio. O corpo não está cheio de vocês e de mim, de Adão, da nossa carne. Vemos que esse corpo é saudável, é puro. Nesse corpo, não encontramos nada além de Cristo. Ele enche tudo em todos.
Essa é a visão, a revelação da igreja. Já que recebemos essa revelação, o que devemos fazer agora? Não é algo apenas para conversarmos a respeito.
Mas chegamos a Efésios 4:1, que diz:
Andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.
Irmãos e irmãs, somos chamados a ser o corpo de Cristo. Agora, vivamos de modo digno desse chamado.
O que diz Efésios 4:3?
Procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
Já que somos chamados a ser o corpo de Cristo, e existe apenas um corpo, não deveríamos viver de modo digno do nosso chamado? Como vivemos de modo digno do nosso chamado? Guardando diligentemente a unidade do Espírito no vínculo da paz.
Isso significa que Deus colocou todos nós nesse único corpo. Porque somos todos membros uns dos outros, não podemos estar divididos. Cristo está dividido? Se Cristo não está dividido, então a igreja não está dividida.
Precisamos guardar diligentemente a unidade do Espírito. O Espírito Santo já nos deu essa unidade. Temos um só Espírito, um só Senhor, um só Pai e Deus de todos.
Precisamos permanecer firmes nessa base, e é sobre essa base que temos comunhão uns com os outros.
Agora, é verdade que temos muitas diferenças. Não somos diferentes apenas no temperamento — graças a Deus, Ele criou nossos temperamentos. Costumo dizer que o temperamento é a forma da nossa alma.
Sabem, quando Deus nos criou fisicamente, fez cada pessoa diferente, e aí está a beleza da criação. Cada pessoa é diferente. Não tentem ser outra pessoa.
Isso não é verdade apenas fisicamente. No que diz respeito à nossa alma, Deus criou nossas almas com formas diferentes, e esse é o nosso temperamento. Todos temos temperamentos diferentes. Agora, o temperamento parece ser um grande problema na igreja hoje, mas não deveria ser.
Temos interpretações diferentes das Escrituras. Temos experiências diferentes de Cristo. Temos ideias diferentes. Somos diferentes em nossa formação, cultura, raça, cor, ou seja lá em que aspecto for. Vocês perceberão que estamos cheios de diferenças.
Mas, apesar de todas essas diferenças, precisamos manter a unidade do Espírito no vínculo da paz. É sobre essa base que temos comunhão uns com os outros.
Não excluímos uns aos outros. Estamos abertos uns aos outros. Não tentamos impor nada uns aos outros. Mas estamos abertos uns aos outros. Amamos uns aos outros. Suportamos uns aos outros. Procuramos encorajar e edificar uns aos outros.
Se fizermos isso, a Bíblia diz, em Efésios 4:13-14:
Até que todos cheguemos à unidade da fé,
e do pleno conhecimento do Filho de Deus,
ao estado de homem maduro,
à medida da estatura da plenitude de Cristo;
para que não sejamos mais crianças.
Irmãos e irmãs, precisamos viver de modo digno do nosso chamado como corpo de Cristo. Somente quando mantemos essa unidade e aprendemos a compartilhar tudo o que Cristo depositou em cada um de nós é que enriquecemos e edificamos uns aos outros.
Por fim, chegaremos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, alcançando a medida da estatura da plenitude de Cristo. Por quê? Porque o alvo de Deus para a igreja é a plenitude de Cristo.
Irmãos e irmãs, cada um de nós é apenas um membro desse único corpo. Cada um de nós tem capacidade limitada. Cristo é tão pleno que são necessários todos nós para contê-Lo e manifestá-Lo.
É por isso que precisamos uns dos outros. Não podemos ser independentes. Precisamos estar relacionados uns com os outros. É verdade que, no corpo, por estarmos tão próximos, inevitavelmente haverá muitos problemas. Mas, graças a Deus, enquanto houver amor, o amor será o cimento que nos mantém unidos.
Assim, podemos chegar à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Sabem, quando chegamos a Efésios 5:25-27, descobrimos que é exatamente isso que o Senhor está fazendo. Ele amou a igreja. Entregou-Se por ela. Fez a igreja nascer.
Mas será que Ele fez a igreja nascer e depois a deixou sozinha, permitindo que encontrasse seu próprio caminho, travasse sua própria batalha e descobrisse se conseguiria sobreviver? De maneira alguma.
Vemos que Aquele que fez a igreja nascer a santifica, purificando-a pela lavagem de água com a Palavra, para apresentar a Si mesmo uma igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e sem defeito.
Irmãos e irmãs, o Senhor Jesus está trabalhando. Como disse nosso irmão, Ele está edificando Sua igreja. Ele está trabalhando. Está santificando-a, purificando-a pela água com a Palavra.
Usando a Palavra viva — e a água também representa a vida —, Sua vida, juntamente com Sua Palavra, purifica a igreja de todas as manchas, rugas e coisas semelhantes, para que ela seja uma igreja gloriosa a ser apresentada a Ele.
Irmãos e irmãs, a igreja não deve ser uma igreja em pobreza, mas uma igreja gloriosa. É isso que o Senhor busca. Ele procura plenitude em Sua própria igreja.
Não temos tempo para examinar as primeiras sete cartas às igrejas escritas por Paulo, que nos mostram o tipo de igreja que Deus determinou que ela fosse. Depois, nas sete cartas de Apocalipse 2:1–3:22, encontramos Cristo andando entre essas igrejas, procurando algo.
O que Ele procura? Vemos que essas sete igrejas têm muitas coisas para Lhe oferecer, mas não é isso que Ele procura. Ele procura a Si mesmo. Procura Sua plenitude.
Foi para isso que Ele trouxe a igreja à existência. Ele nunca ficará satisfeito até ver Sua plenitude manifestada na igreja. Deveríamos nos contentar com menos?
Na terceira área, preciso ser rápido: o ministério. Agora, irmãos e irmãs, o que é ministério? Qual é o alvo, a meta, o propósito do ministério? Em outras palavras, por que ministramos? O que queremos realizar no ministério?
Se vocês lerem a carta aos Colossenses, verão que Paulo deixa muito claro que o propósito do ministério é conduzir à plenitude.
Por exemplo, em Colossenses 1:24-25, ele diz:
Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós,
e preencho, da minha parte, na minha carne,
o que resta das aflições de Cristo,
a favor do Seu corpo, que é a igreja;
da qual me tornei ministro,
segundo a dispensação de Deus
que me foi confiada para convosco,
para cumprir a palavra de Deus.
A palavra cumprir significa tornar plena a Palavra de Deus.
O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações;
mas agora foi manifestado aos Seus santos,
aos quais Deus quis dar a conhecer
quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios,
que é Cristo em vós, a esperança da glória:
a Quem proclamamos, admoestando todo homem
e ensinando todo homem em toda a sabedoria,
para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;
para isso também trabalho, lutando segundo a Sua operação,
que opera poderosamente em mim.
Em outras palavras, vemos que o alvo do ministério é a plenitude: que, por meio do ministério, possamos apresentar todo homem perfeito, completo, tornado pleno em Cristo.
Se vocês forem ao último capítulo de Colossenses, em Colossenses 4:12, verão que Epafras fazia a mesma coisa — como ele se esforçava em oração para que eles fossem perfeitos e completos em Cristo. Esse é o alvo do ministério.
Qualquer ministério que tenha um alvo inferior a esse fica aquém daquilo que o ministério deve ser.
Agora, o que é ministério? Ministério é comunicar Cristo. Ministério não é comunicar a si mesmo, seu conhecimento ou sua inteligência. Ministério é comunicar Cristo.
Por causa disso, nós que ministramos — ah, como precisamos conhecer a plenitude de Cristo. Não precisamos apenas conhecer a plenitude de Cristo; nós, como vasos de barro que contêm essa plenitude, precisamos ser quebrados para que ela possa fluir para as pessoas a quem ministramos.
Como Paulo disse, em 2 Coríntios 4:10:
Levando sempre no corpo o morrer de Jesus,
para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Isso é ministério.
Não tenho tempo para entrar em detalhes. Preciso passar ao último ponto, porque preciso tratar dele para concluir: a plenitude na restauração do testemunho de Jesus.
Vou apenas ler para vocês um trecho daquele artigo do nosso querido irmão T. Austin-Sparks. É o mesmo artigo, “Alcançando a Plenitude do Pensamento de Deus”. Vou lê-lo bem devagar. Espero que o Espírito de Deus realmente o grave em nosso coração, para que o levemos ao Senhor com toda a seriedade.
Foi isto que ele disse:
Leio certas cartas que Paulo escreveu no fim da sua vida, numa época em que o cristianismo, quanto à sua beleza, glória e pureza originais, estava se desintegrando.
Sabemos quais são essas cartas. Vejo que as condições iniciais, primitivas, como as encontramos nos primeiros capítulos de Atos, mudaram. As coisas parecem estar indo mal. A pureza das coisas, seu caráter celestial, está se perdendo. A igreja está se tornando algo terreno.
No fim da sua vida, diante dessas condições, Paulo escreve algumas cartas. Ninguém pode afirmar que essas cartas sejam uma concessão, uma adaptação à situação que está se desenvolvendo. Elas são a contradição mais radical e absoluta dessa situação. São uma revelação maravilhosamente plena do pensamento, da mente e da posição celestiais.
Qual é o significado disso? Não será que, nessas cartas, Deus soberanamente estabeleceu Sua provisão para todos os tempos de declínio? Essa é Sua reação soberana, na qual Ele diz, em essência: “Sempre que o declínio se instalar e as coisas começarem a perder sua pureza, aqui está a provisão de vocês. Eu a reservei para vocês. Tudo está providenciado para enfrentar a situação”.
Não fomos deixados sem orientação. Não fomos deixados sem luz num dia escuro. Podemos nos apegar a essas cartas posteriores e dizer: “Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz. As trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas aqui está a nossa luz”.
Deus não Se adapta à situação e diz: “Precisamos tirar o melhor proveito de uma situação ruim. Precisamos nos contentar com pouco”. Ele tomou uma precaução soberana contra isso ao nos dar estas cartas: Efésios, Filipenses, Timóteo.
E quanto à fidelidade do homem? Seremos infiéis, completamente infiéis, se adotarmos esta atitude: “Bem, tudo deu errado. Não há nada hoje que represente o original. É melhor nos adaptarmos à situação como ela está”.
Por muito tempo, o verdadeiro valor dessas cartas ficou perdido na igreja. Só em tempos recentes o valor das cartas de Paulo passou a ser realmente compreendido pelos cristãos. Elas pareciam profundas demais, abstratas demais, celestiais demais. Durante muito tempo, os Evangelhos foram praticamente a Bíblia da igreja.
Então Lutero viu o verdadeiro significado de Romanos, e isso provocou uma ruptura. Depois veio outro movimento de Deus, e a igreja viu a implicação espiritual de Efésios, o que provocou outra ruptura.
Precisamos reconhecer o significado de todas as epístolas de Paulo e ver que a posição apresentada por elas é considerada alcançável e sustentável pela graça de Deus, e que devemos permanecer firmes em fidelidade num dia de declínio.
Infelizmente, irmãos e irmãs, vivemos de fato num tempo de declínio. As coisas não são o que deveriam ser, não são o que Deus determinou que fossem.
Mas será que, por causa disso, Deus desiste? Será que Ele diz: “Vou tirar o melhor proveito de uma situação ruim e ver se consigo conviver com ela”? Ou será que cabe a nós desistir e dizer: “Bem, não há nada melhor, então preciso conviver com isso, acomodar-me, fazer concessões”?
Deus nunca muda Seu propósito. O propósito de Deus é ver Sua plenitude expressa em um povo na terra, e Ele nunca muda isso.
Sabemos disso porque Paulo, quando escreveu essas últimas cartas, estava nesse tipo de situação. Mas a revelação de Deus é radical e mantém o padrão original.
Deus não faz concessões. Ele continua procurando plenitude em Seu povo. Se é assim, seremos infiéis se desistirmos facilmente e fizermos concessões.
Ah, que o Senhor nos capacite a ser tão tomados pelo que está no coração de Deus — essa plenitude que Ele tanto deseja ver expressa em um povo — que, pela graça de Deus, cheguemos a isso.
É difícil, mas é alcançável. É possível permanecer nessa posição. Não é uma teoria. O testemunho de Jesus precisa ser restaurado nos últimos dias, e será restaurado.
Vamos orar?