Vemos, porém, Aquele que foi feito um pouco menor do que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem são todas as coisas, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoar, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Porque tanto Aquele que santifica como os que são santificados são todos de um só; por esta causa, Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: “Anunciarei o Teu nome a Meus irmãos; No meio da congregação cantarei o Teu louvor.” E outra vez: “Porei Nele a Minha confiança.” E outra vez: “Eis-Me aqui, e os filhos que Deus Me deu.”
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos pelo precioso sangue do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que nos dá ousadia para entrar no Santo dos Santos, para que possamos estar diante de Ti, sabendo que somos aceitos no Amado.
Agora, Pai celestial, pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, vivifiques a Tua Palavra para nós e abras o nosso coração à Tua Palavra, para que as Tuas palavras sejam verdadeiramente vida e espírito para nós, e para que Tu sejas glorificado. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.
Alguns de vocês talvez tenham chegado apenas neste fim de semana. E, se vocês estavam aqui no início da semana, espero que ainda se lembrem do que vamos considerar juntos diante do Senhor.
Sinto que o Senhor me deu um encargo de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, sobre esta questão da filiação. Vivemos no final dos últimos dias. Vivemos em um tempo muito crítico, muito importante, e realmente creio que é vital conhecermos o propósito eterno de Deus.
Porque, se não soubermos qual é o propósito eterno de Deus, poderemos desperdiçar o pouco tempo que Deus ainda nos concedeu. E, para aproveitarmos bem a nossa oportunidade, realmente creio que é importante conhecermos o propósito de Deus, para que possamos cooperar e permitir que o Espírito Santo opere em nós e manifeste essa obra para a Sua própria glória.
Qual é o propósito eterno de Deus? Qual é o propósito de Deus, aquele propósito que governa todos os outros propósitos? Em termos simples, o propósito de Deus está centrado em Seu Filho amado.
O interesse do Pai está em Seu Filho. Seu amor pelo Filho é tão imenso que é Sua vontade dar todas as coisas a Seu Filho, para que Ele seja o herdeiro de todas as coisas, tenha o primeiro lugar em todas as coisas e encabece todas as coisas. Esse é o propósito de Deus.
Como mencionamos antes, entre todas as coisas que o Pai deu a Seu Filho, há uma que tem um interesse especial para Ele. Ela proporciona grande deleite ao Filho e grande satisfação ao Pai. Curiosamente, esse presente dado ao Filho é o ser humano.
Deus dá o ser humano a Seu Filho de uma maneira muito especial, porque o ser humano deve ser o companheiro de Seu Filho e Sua auxiliadora idônea, Sua noiva.
O que Deus propôs para nós em Seu Filho é a filiação: que possamos compartilhar Sua vida, compartilhar Sua responsabilidade e até mesmo compartilhar Sua glória.
Esse Filho é o Filho eterno. Ele é o Verbo.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele possuía toda a glória que o Pai tinha antes da fundação do mundo. Ele é o Filho do amor do Pai. Nele estão centrados todos os desígnios, os planos e as obras de Deus. Ele é o significado de todas as coisas.
Ele é o Filho encarnado.
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.
E Ele é o Filho exaltado. É por isso que encontramos, na passagem que lemos no início:
Vemos, porém, Jesus.
Realmente creio que é isso que o Pai quer que vejamos. Ele quer que vejamos Jesus.
Vemos Jesus feito um pouco menor do que os anjos, e, naturalmente, isso fala de Sua encarnação. Ele, que era igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar, mas esvaziou-Se e tomou sobre Si a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens.
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente ao Pai até a morte, sim, a morte de cruz. Vemos Jesus feito um pouco menor do que os anjos por causa dos sofrimentos da morte.
Ele provou a morte por todos os homens. Na verdade, no original, está escrito que Ele provou a morte por todas as coisas, não apenas pelo ser humano. Ele provou a morte por toda a ordem criada. E agora está coroado de glória e honra.
Mas isso não é o fim, porque encontramos a continuação aqui, em Hebreus 2:10:
Ao conduzir muitos filhos à glória.
É a vontade de Deus Pai que Seu Filho não apenas retorne à glória, mas que também conduza muitos filhos à glória.
Nosso Pai celestial quer uma grande família. Graças a Deus, Seu propósito para nós é a filiação.
Sabemos que o ser humano foi criado no sexto dia. Quando Deus começou a restaurar a terra para torná-la habitável, vemos que, no sexto dia, Ele criou o ser humano à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança.
Na verdade, quando comparamos a idade da humanidade com a idade do universo, percebemos que o ser humano chegou tarde. Ele foi criado bem depois.
Você olha para o universo e começa a se perguntar: o ser humano foi criado tão tarde, e, no entanto, o coração de Deus está voltado para ele, a ponto de Deus dá-lo como um presente especial a Seu Filho amado.
Não é de admirar que o salmista tenha dito:
Quando considero os Teus céus, obra dos Teus dedos, Que é o homem, para que Te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?
Isso é verdade. Comparado ao universo, o ser humano é tão pequeno, tão insignificante, quase nada. Contudo, curiosamente, vemos que Deus coloca Seu coração no ser humano, e que o Filho tem tanto prazer nele. Amém.
No mesmo salmo, em Salmos 8:2, ele diz:
Da boca de pequeninos e crianças de peito estabeleceste força, Por causa dos Teus adversários, Para fazeres calar o inimigo e o vingador.
Não sei se meu entendimento está correto, mas é assim que penso. Os pequeninos e as crianças de peito aqui, na verdade, referem-se ao ser humano, porque, em relação ao universo, o ser humano é como um pequenino, uma criança de peito, pois chegou tão tarde.
Contudo:
Da boca de pequeninos e crianças de peito estabeleceste louvor, Por causa dos Teus adversários, Para fazeres calar o inimigo e o vingador.
Em outras palavras, Deus usará até mesmo o ser humano para fazer calar o inimigo e o vingador.
O ser humano não é apenas um vaso de Deus; ele também é feito um instrumento nas mãos de Deus. Agora, pensem: está além da nossa compreensão que Deus olhe para o ser humano dessa maneira.
Embora o ser humano tenha sido criado tão tarde, quando lemos Efésios 1:4, encontramos:
Assim como Ele nos escolheu Nele antes da fundação do mundo.
É verdade que o ser humano foi criado muito tarde no universo; contudo, no que diz respeito ao propósito de Deus, vemos que ele foi escolhido. Fomos escolhidos em Cristo Jesus antes mesmo da fundação do mundo.
Isso quer dizer que, antes de o tempo começar, antes de o universo ser formado, na eternidade passada, quando só havia Deus, Deus estabeleceu um propósito em Seu coração. Ali, Deus nos escolheu em Seu Filho, antes mesmo da fundação do mundo.
Naturalmente, isso é algo que não compreendemos. A eleição de Deus está além de nós; é um mistério, porque somos muito limitados. Nós, seres humanos, somos limitados pelo tempo e pelo espaço, mas precisamos nos lembrar de que Deus é infinito.
Nosso Deus não está sujeito aos fatores de tempo ou espaço. Ele não é limitado pelo tempo nem pelo espaço. Para Ele, é sempre agora; é sempre presente. Assim, embora ainda não tivéssemos aparecido, e talvez faltassem milhões de anos para aparecermos, Deus já nos havia visto. Ele nos havia escolhido em Cristo Jesus antes mesmo da fundação do mundo.
Isso não é por causa do que somos, nem por causa do que fazemos, porque ainda não estávamos lá e ainda não havíamos feito coisa alguma. É por causa do beneplácito de Sua vontade. É isso que Lhe agrada. É isso que Ele quer fazer, e Ele o faz.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, quando realmente chegamos a conhecer o propósito de Deus, temos de adorá-Lo. Temos de dizer que tudo vem Dele. Na verdade, nada vem de nós. Isso não depende de nós de maneira alguma. É o beneplácito de Sua vontade.
Mais uma vez, vemos que esse é um mistério oculto ao longo dos séculos. Ninguém realmente sabia o que Deus buscava. Mesmo depois de Deus criar o ser humano, ainda era um mistério o que Deus queria com ele. O ser humano era um mistério.
É um mistério que esteve oculto ao longo dos séculos, até que encontramos, em Efésios 3, que agora Ele revelou esse mistério pelo Espírito Santo aos apóstolos e aos profetas.
Agora começamos a conhecer e compreender o propósito de Deus para o ser humano. O propósito de Deus para o ser humano é a filiação: que possamos compartilhar com Seu Filho a responsabilidade e a glória; que possamos nos tornar companheiros de Cristo, individualmente falando; e que possamos nos tornar Sua auxiliadora idônea, Sua noiva, coletivamente falando. Esse é o propósito de Deus.
De todas as coisas que Deus criou, nenhuma pode se tornar a companheira de Cristo. Nenhuma pode ser a auxiliadora idônea do Filho de Deus — nem mesmo os anjos.
Às vezes, temos os anjos em tão alta consideração. Em certo sentido, no que diz respeito à ordem da criação, o ser humano foi feito um pouco menor do que os anjos. Os anjos pertencem a uma ordem superior. Os anjos são espíritos; não são como nós, limitados por um corpo.
Como somos limitados por um corpo, somos limitados pelo tempo e pelo espaço. Mas os anjos, sendo espíritos, são, em certo sentido, muito mais livres do que nós, e são mais inteligentes do que nós. É verdade: segundo a criação, somos um pouco menores do que os anjos.
Mas, irmãos e irmãs, Deus não pode encontrar entre os anjos uma companheira e uma auxiliadora idônea para Seu Filho. Os anjos são servos que ministram. Eles não possuem a vida de Deus. Não podem ser companheiros de Cristo nem Sua auxiliadora idônea.
E, naturalmente, todas as outras criaturas, vivas ou inanimadas, não podem ser companheiras, companheiras vivas, nem a noiva de Seu Filho.
Vocês já podem ver essa figura em Gênesis. Quando Deus criou Adão, aquilo era apenas uma figura, um tipo. Depois que Adão foi criado, Deus disse:
Não é bom que ele esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora idônea.
Então Deus começou a conduzir a Adão todos os animais que havia criado. Isso não era apenas para que Adão desse nome a essas criaturas. Adão era tão inteligente — nunca havia ido à escola — e, contudo, quando todos esses animais foram conduzidos a ele, bastava olhar para cada animal e lhe dar um nome.
Quando viu um elefante, ele disse: “Este é um elefante”. Nosso irmão costumava gostar de dar nome a um hipopótamo. Não sei. Quando você o vê, bem, é isso.
Qualquer nome que Adão desse, esse era o nome. Mas isso não era apenas para dar nome aos animais. A razão pela qual Deus trouxe todos esses animais diante de Adão era verificar se Adão poderia encontrar sua auxiliadora idônea, alguém que compartilhasse sua vida.
Mas não havia nada semelhante a ele. Um elefante não é como um homem — nem mesmo um macaco. Não havia nada que compartilhasse sua vida; portanto, nada poderia ser sua auxiliadora idônea.
Por essa razão, Deus fez Adão dormir, abriu seu lado, retirou algo — talvez uma costela — e, com aquilo, edificou uma mulher.
O homem foi criado quando Deus usou a terra vermelha e formou o corpo de um homem. Então Deus soprou o fôlego de vida nas narinas do homem, e o homem se tornou uma alma vivente.
Mas Eva foi feita de maneira diferente. Ela foi feita a partir do lado de Adão. A Bíblia usa essa palavra maravilhosa: com a costela, ou com aquilo que foi retirado do homem, Deus edificou uma mulher. A palavra edificou é um termo arquitetônico. Você edifica algo, e Ele edificou aquela mulher.
Quando Adão viu aquela mulher, disse:
Esta é agora osso dos meus ossos, E carne da minha carne.
Eles se tornaram um porque eram um.
Isso é apenas uma figura. Mas a realidade é que, ao criar todas as coisas — os céus e a terra, e todas as criaturas —, é como se Deus dissesse: “Não é bom que Meu Filho esteja só. Quero dar-Lhe uma companheira, uma auxiliadora idônea”.
Naturalmente, a companheira, essa auxiliadora idônea, precisa compartilhar Sua vida e ser semelhante a Ele. Olhem para os anjos — não, eles não são semelhantes a Ele. Olhem para todas as criaturas — não, elas não são semelhantes a Ele. Nem os céus, nem a terra, nem todas as coisas que estão nos céus e na terra, ou debaixo da terra.
E Deus criou o ser humano. Deus criou o ser humano à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança. Por quê? Porque, quando Deus criou o ser humano, criou-o de tal maneira que lhe deu a capacidade de receber Deus.
Ele deu ao ser humano a capacidade de receber a vida de Deus dentro de si. Com essa vida dentro dele, o ser humano pode ser semelhante a Ele e tornar-se Seu companheiro de vida.
Mas, quando o ser humano foi criado, no que diz respeito à sua condição moral ou espiritual, ele era neutro.
O ser humano foi criado com um corpo. Esse corpo foi feito de terra vermelha, e é por isso que o homem recebeu o nome de Adão. Adão significa terra vermelha.
Por meio desse corpo, existe uma espécie de afinidade com a terra e com as coisas ao nosso redor. Por meio dos nossos cinco sentidos, podemos nos comunicar; podemos entrar em contato com as coisas ao nosso redor. Assim, com esse corpo, temos consciência do mundo. Temos consciência das coisas que nos cercam.
Quando Deus soprou o fôlego de vida nas narinas do homem, alguém observa que, no original, a palavra vida está no plural, não no singular. Deus soprou no homem o fôlego de vidas.
Provavelmente, isso significa que, quando aquele sopro entrou no homem, deu-lhe não apenas um espírito, mas também uma vida corporal, uma vida humana animada. De qualquer maneira, vemos que o sopro que entrou no homem se tornou o espírito do homem.
O ser humano tem um espírito. Deus é Espírito.
Deus é Espírito; e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade.
Você não pode adorar a Deus apenas com seu corpo. Naturalmente, quando você adora, seu corpo pode acompanhar essa adoração, mas você não pode adorar a Deus com o corpo, porque Deus é Espírito. Você não pode tocar em Deus com seu corpo.
Lembramos que, alguns anos atrás, alguns astronautas russos foram ao espaço. Voltaram e disseram: “Olhamos ao redor e não vimos Deus; portanto, Deus não existe”. Isso é ridículo, porque você não pode ver Deus com seus olhos. Ele não é um corpo; Ele é Espírito.
Assim, o ser humano foi criado com um espírito, e, com o espírito, podemos entrar em contato com Deus. Podemos nos comunicar com Deus. Isso nos dá consciência de Deus. Dá-nos consciência do mundo espiritual.
Então, quando o espírito tocou o corpo, o homem se tornou uma alma vivente. É isso que o ser humano realmente é: uma alma, uma alma vivente. É nessa alma vivente que está nossa personalidade.
“Sei que existo”, como disse o filósofo grego, “porque penso”. Isso lhe dá consciência de si mesmo. Você tem consciência de si mesmo por meio de suas emoções, de sua vontade e de seu intelecto.
Assim, vemos que o ser humano foi criado de maneira maravilhosa. Foi criado com a capacidade de receber Deus, à Sua imagem, para receber a vida de Deus dentro de si e ser unido a Deus.
Mas, quando o ser humano foi criado e colocado no jardim do Éden, ele era, na verdade, neutro. Por quê? Porque ele foi criado com uma vida humana, mas ainda não havia recebido a vida de Deus.
Ele tinha a capacidade, mas ainda não havia recebido a vida de Deus dentro de si. Essa é a razão, creio eu, pela qual Deus o colocou no jardim diante de duas árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
A árvore da vida fala da vida de Deus em uma forma que pode ser recebida. Ou seja, Deus disse: “Agora Eu criei você com a capacidade de Me receber e de se unir a Mim, para que viva pela Minha vida”.
“Vocês podem tornar-se companheiros de Meu Filho, uma auxiliadora idônea para Meu Filho, se assim escolherem. Mas, ao mesmo tempo”, disse Deus, “há outra árvore: a árvore do conhecimento do bem e do mal”.
Agora, irmãos e irmãs, não pensem que a árvore do conhecimento do bem e do mal é uma árvore má. Ela não é uma árvore má, porque, se fosse uma árvore má, Deus não a teria colocado no jardim do Éden.
Na verdade, é uma árvore superior a todas as outras árvores, mas inferior a uma delas: a árvore da vida. É algo melhor, mas não o melhor de tudo.
Todas as árvores do jardim eram boas para alimento — isto é, para o nosso corpo. No princípio, o ser humano comia frutos, e Deus supria nossas necessidades físicas. Deus disse que o ser humano poderia comer de todos os frutos das árvores do jardim.
O que é a árvore do conhecimento do bem e do mal? A árvore do conhecimento do bem e do mal é o conhecimento ético. Ou seja, você pode distinguir o que é bom e o que é mau.
Penso que não há conhecimento na terra, à parte da vida de Deus, que seja maior do que o conhecimento do bem e do mal. Podemos pensar que o conhecimento científico e o conhecimento tecnológico são extraordinários, mas vocês precisam se lembrar de que eles tratam apenas das coisas físicas.
Mas esse senso moral, que distingue o que é bom e o que é mau, tem relação com o nosso próprio ser. É um conhecimento superior. Não há na terra conhecimento superior a esse tipo de conhecimento.
Embora seja algo desejável, há algo muito melhor que Deus nos ofereceu. Em outras palavras, Deus nos oferece Sua vida.
Deus disse: “Se você tiver Minha vida, alcançará o próprio propósito para o qual Eu o criei. Você poderá alcançar a filiação. Mas precisa fazer a escolha. Não vou forçá-lo a nada”.
Irmãos e irmãs, se vocês têm uma escolha, e uma opção é boa e a outra é realmente ruim, não creio que haja muita hesitação. Vocês sabem o que escolher. Mas, quando vocês têm algo melhor e algo que é o melhor de tudo, então precisam realmente fazer a escolha. Foi isso que Deus colocou diante do ser humano.
Se o ser humano comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, sim, será capaz de saber o que é bom e o que é mau. Em outras palavras, não precisará ir a Deus e perguntar: “O que é isso? É bom ou é mau?”. Não precisará mais depender de Deus. Ele se torna independente.
Sua alma se desenvolve a tal ponto que ele se torna um deus para si mesmo.
O que Deus procura dizer é: “Você quer Me escolher? Dependa de Mim. Viva por Mim. Cumpra o propósito para o qual foi criado. Ou quer desenvolver sua própria vida da alma e tornar-se independente de Mim, como se não precisasse de Mim e pudesse viver por si mesmo? Se fizer isso, morrerá”.
Essa é a razão pela qual Deus disse:
De todas as árvores podes comer, exceto desta.
Porque, sem a vida de Deus, o conhecimento do bem e do mal só pode nos condenar. Nunca pode nos justificar.
Creio que todos nós temos esta experiência: é melhor não saber. Se você sabe, está perdido. É assim que acontece.
Foi o amor de Deus que proibiu o ser humano de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não é que Deus quisesse manter o ser humano nas trevas — de maneira alguma. A própria vida do Senhor é conhecimento.
Conhecê-Lo e conhecer Aquele que Ele enviou: isso é a vida eterna. Em outras palavras, a vida eterna é um conhecimento vivo, um conhecimento de Deus, e esse é o conhecimento mais elevado.
Infelizmente, nossos antepassados Adão e Eva escolheram ser independentes. Rejeitaram a vida de Deus. Quiseram viver sua própria vida por sua própria força. Quiseram desenvolver a si mesmos.
Caíram na tentação de Satanás:
Então sereis como Deus.
Na verdade, tornaram-se semelhantes ao diabo.
O ser humano morreu. O espírito deles morreu naquele mesmo dia em que comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal. Embora a alma e o corpo deles tenham continuado por centenas de anos, seu espírito estava morto. Em outras palavras, sua comunicação com Deus foi completamente interrompida.
Não é verdade? Hoje, você pode encontrar uma pessoa muito inteligente, que sabe quase tudo debaixo da terra, mas, quando começa a falar sobre Deus, tudo fica escuro. Não há comunicação. Está completamente morto.
A morte veio primeiro ao espírito; depois, gradualmente, chegou à alma; e, por fim, alcançou o corpo. O ser humano tornou-se carne.
O ser humano foi expulso do jardim do Éden. Mas, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus: Deus não desistiu. O que Ele propôs, Ele realizará. O que Ele disse, Ele cumprirá.
Embora o ser humano, por sua própria vontade, tenha escolhido viver separado de Deus, nas trevas e na morte, damos graças a Deus por Sua misericórdia. Ele não desistiu do ser humano. Ele continua a buscá-lo.
Como sabemos disso? Porque vemos que, três mil anos depois, quando Davi escreveu Salmos 8:4, ele disse:
Que é o homem, para que Te lembres dele? Que é o homem, para que lhe dês atenção?
O que significa isso? Tu ainda pensas nele. Tu ainda Te preocupas com ele. Tu ainda Te interessas por ele. Ao longo dos séculos, Deus continua buscando o ser humano. Ele continua buscando o ser humano para fazer dele o companheiro, a auxiliadora idônea, de Seu Filho amado.
Onde Ele encontrou o ser humano? Vemos no Antigo Testamento que, aqui e ali, Deus tomou para Si uma pessoa, como Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e Moisés. Deus tomou para Si, aqui e ali, um ou dois.
Deus chegou a tomar para Si uma nação. Ele adotou uma nação, a nação de Israel, para a filiação. Mas vemos que, mesmo assim, nenhuma pessoa e nenhuma nação alcançou essa realidade.
Isso só aconteceu quando, na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho a este mundo, nascido de mulher, nascido sob a lei, para nos resgatar da lei, a fim de que recebêssemos a filiação.
Queridos irmãos e irmãs, quando o Senhor Jesus veio a esta terra, Deus disse: “Eis o Meu Filho. Eis o Homem. O Homem que Eu vinha buscando — aqui está o Homem. O próprio Filho é o Homem”.
É por meio do Filho que somos redimidos da maldição da lei. Queridos irmãos e irmãs, todos nós pecamos e carecemos da glória de Deus, seja quem você for.
Você está sob a maldição da lei. A lei o amaldiçoa. Por quê? Porque você transgrediu a lei. Você transgrediu a lei de Deus no universo, e o salário do pecado é a morte.
Não apenas seu corpo um dia se deteriorará e se corromperá, mas haverá uma segunda morte, e morte significa juízo.
Graças a Deus, Deus enviou Seu Filho amado a este mundo. Ele veio para encontrar Sua noiva. Não podia encontrá-la em nenhum outro lugar. Precisava edificar Sua auxiliadora idônea.
Ele nos redimirá. Redimir significa que Ele nos comprará de volta. Ele pagará o preço que deveríamos pagar e não podíamos. Mas Ele pagou o preço. Morreu na cruz do Calvário. Derramou Seu sangue para a remissão dos nossos pecados.
Ele nos traz de volta. Ele nos compra de volta para Deus. Ele nos liberta da maldição da lei. E isso não é tudo: Ele nos dá a filiação, para que recebamos a filiação.
Irmãos e irmãs, em João 1:12-13 está escrito:
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no Seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
Depois que nosso Senhor Jesus veio a esta terra, depois que morreu na cruz e concluiu a obra da redenção, a todos quantos creem Nele — a todos quantos, e, naturalmente, isso inclui qualquer pessoa que crê —, a todos quantos creem Nele, Ele dá o direito de se tornarem filhos de Deus.
Aqui vemos que nós, que cremos no Senhor Jesus e O recebemos dentro de nós — esse receber e esse crer nos mostram que não se trata de algo meramente mental. Não é apenas dar nosso consentimento mental. Não, é recebê-Lo. É crer Nele, recebê-Lo dentro de nós, crer para dentro Dele.
Isso é para que sejamos unidos a Ele. Quando você crê no Senhor Jesus, quando O recebe, na verdade Ele entra em você, e você entra Nele. Vocês se tornam um, unidos a Ele.
Quando você é unido a Ele, Ele lhe dá o direito. Aqui está o direito: você tem um direito. Ele lhe dá o direito de ser filho de Deus.
Como filhos, temos direitos em relação aos nossos pais. Um menino ou uma menina na rua não pode correr até alguém e dizer: “Dê-me comida. Dê-me roupa. Dê-me abrigo”. Não tem esse direito, porque não é filho daquela pessoa.
Mas seus próprios filhos têm esse direito, porque você lhes deu a vida. Você lhes deve algo. Eles têm o direito de exigir abrigo, alimento e roupa.
A palavra direito é uma palavra forte. Na verdade, significa autoridade, reivindicação. Eles têm uma reivindicação legítima em relação aos pais.
Queridos irmãos e irmãs, pensem nisso. Quando recebem Cristo e creem Nele, vocês se tornam filhos de Deus e têm um direito em relação a Deus, porque Ele é o Pai de vocês.
Você não nasceu do sangue — isto é, pelo nascimento natural. Não nasceu da vontade da carne — isto é, da sua própria vontade. Você não pode nascer por querer. Não nasceu da vontade do homem. Ninguém mais pode desejar que você nasça de novo e fazer isso acontecer. Você nasceu de Deus.
Nós nascemos na família de Deus.
A palavra adoção é uma palavra curiosa. Disseram-me que, entre as famílias judaicas de antigamente, havia adoção. Por exemplo, Mardoqueu adotou Ester. Havia adoção na família judaica.
Mas, na família judaica, adotavam apenas pessoas da própria família — talvez um filho de um tio, talvez de uma tia. Não adotavam estranhos.
Hoje em dia, naturalmente, talvez neste país, adoção significa adotar um estranho. Você adota um bebê que não tem nenhum vínculo com sua família. Adota um estranho na família e o cria como um de seus filhos.
Mas, no sentido bíblico, adoção é adotar um estranho, não há dúvida. Éramos estranhos no que diz respeito à aliança de Deus, no que diz respeito à vida de Deus. Éramos completamente estranhos.
Pensem nisso. Éramos pecadores. Éramos rebeldes. Éramos inimigos de Deus. Éramos filhos da ira. Éramos completamente estranhos à promessa de Deus e à aliança de Deus.
Contudo, Deus, em Sua misericórdia, adotou estranhos em Sua família. Mas o maravilhoso é que, ao nos adotar como estranhos, Ele nos gera.
Ele não apenas adota alguém na família sem lhe dar a vida, mas realmente nos gera. Ele nos acolhe e nos faz nascer. Agora somos nascidos de Deus.
Portanto, nossa adoção é um pouco diferente. Nascemos na família de Deus — estranhos que nascem na família de Deus.
Não é de admirar que o apóstolo João tenha dito em 1 João 3:1:
Vede que grande amor o Pai nos concedeu, para que fôssemos chamados filhos de Deus.
Não é algo maravilhoso? É verdadeiramente um amor maravilhoso. Vejam que amor o Pai nos concedeu, para que fôssemos chamados filhos de Deus. Não somos apenas chamados filhos de Deus; nós somos filhos de Deus. Todo crente é filho de Deus por nascimento.
Você nasceu na família de Deus? Essa é a única maneira de ser adotado. Se você não nasceu na família de Deus, então não pertence à família de Deus.
Mas você nasceu.
O que é nascido do Espírito é espírito.
É a obra de Deus — maravilhosa.
Mas o que Deus realmente busca não são apenas crianças. O que Ele realmente busca são filhos maduros.
O Espírito Santo é muito cuidadoso no uso das palavras. Ele não confunde as palavras. Nas nossas traduções da Bíblia, vemos que os tradutores às vezes confundem palavras que o Espírito Santo nunca confunde.
Como nosso irmão mencionou ontem à noite, no que diz respeito às palavras originais para criança, há diferentes palavras gregas usadas para representar uma criança. Creio que há três palavras que mencionarei especialmente, e nosso irmão já mencionou duas delas.
Uma palavra é teknon. Ela significa gerar ou dar à luz. Essa é a palavra usada em João 1:12:
A todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus.
A palavra ali é teknon, que significa filhos.
Há outra palavra, huios. Ela significa filho. Vocês a encontram em Romanos 8:14:
Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
Guiados pelo Espírito de Deus. Nem todos os filhos são guiados pelo Espírito de Deus. Você tem o Espírito de adoção, tem o Espírito de Deus, mas é guiado pelo Espírito de Deus? Há uma condição ali.
Você nasce para ser filho de Deus, mas só quando é guiado pelo Espírito de Deus se torna um filho maduro de Deus. Assim, teknon apresenta o fato do nascimento, mas huios enfatiza a dignidade e o caráter dessa vida.
Então há outra palavra, nēpios. Essa é a palavra que vocês encontram, por exemplo, em 1 Coríntios 3:1.
E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo.
Crianças em Cristo. A palavra significa, literalmente, sem a capacidade de falar. É uma criança pequena, um bebê. Vocês também a encontram, naturalmente, em Gálatas 4 e Efésios 4. Uma criança é levada de um lado para o outro por todo vento, e assim por diante.
Essas três palavras são importantes no que diz respeito a uma criança. Quando cremos no Senhor Jesus, tornamo-nos filhos de Deus, e damos graças a Deus por isso. Mas, quando você acaba de nascer, é um bebê em Cristo.
Todo mundo ama um bebê. Os bebês são lindos. Nunca vi um bebê feio, especialmente aos olhos dos pais.
Mas, se a criança permanece um bebê, isso é a coisa mais feia de se ver. Embora os bebês sejam lindos, o anseio dos pais é que o bebê cresça e se torne um homem ou uma mulher. Essa é a expectativa dos pais, e também deveria ser o desejo da criança.
Espiritualmente, acontece a mesma coisa. Nascemos na família de Deus. Somos filhos de Deus, e começamos como bebês.
Em 1 Coríntios 3:1, Paulo diz:
E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo.
Na verdade, a palavra carnais, se quisermos ser mais exatos, seria de carne. Porque, quando você é um bebê, é muito “de carne”. Os bebês são assim porque, quando querem chorar à meia-noite, não se importam com quem você é.
São muito centrados em si mesmos, muito “de carne”. Como bebês, vocês são assim, e não há nada de errado nisso. Mesmo no âmbito espiritual, quando um irmão ou uma irmã acaba de nascer na família de Deus, manifesta algumas características “de carne”. Embora sejam “de carne”, isso é bonito.
Mas, se um adulto faz essas coisas, ninguém pode aprovar ou suportar. Não é verdade? Para um bebê, tudo bem; é natural. Um bebê se comportar como uma pessoa de oitenta anos não está certo. Não é normal. Um bebê é um bebê. Ele será “de carne” por algum tempo, e nós toleramos isso; até gostamos disso.
Mas como é que você já é “de carne” há tanto tempo e ainda continua carnal? Você continua sem crescer. Não, isso é feio, porque é a vontade de Deus que alcancemos a filiação madura.
Queridos irmãos e irmãs, Deus quer filhos maduros, não apenas bebês. Deus não quer abrir um berçário. Ele quer filhos maduros. Precisamos crescer até a maturidade da filiação.
Dizem-nos que, no mundo antigo, a passagem da infância para a vida adulta era muito bem marcada.
No mundo judaico, quando um menino completava doze anos, no primeiro sábado depois de seu aniversário, o pai o levava à sinagoga, onde ele se tornava um filho da lei.
Naquela ocasião, o pai pronunciava uma bênção. Dizia: “Bendito sejas Tu, ó Deus, que tiraste de nós a responsabilidade por este menino”.
Em outras palavras, o pai assumia diante de Deus a responsabilidade por essa criança até que ela completasse doze anos. Então, a própria criança precisava assumir sua responsabilidade diante de Deus.
Então o menino fazia uma oração em que dizia:
Ó meu Deus e Deus de meus pais, neste dia solene e sagrado, que marca minha passagem da infância à vida adulta, levanto humildemente meus olhos a Ti e declaro, com sinceridade e verdade, que, de agora em diante, guardarei os Teus mandamentos e assumirei e levarei a responsabilidade pelos meus atos diante de Ti.
O menino assumia a responsabilidade diante de Deus porque agora era um homem.
Também nos dizem que, na Grécia, um menino ficava sob os cuidados do pai dos sete aos dezoito anos. Então o pai entregava o rapaz ao Estado, para ser treinado pelo Estado durante dois anos, como um cadete.
No mundo romano, não havia uma idade fixa para uma criança se tornar adulta. Essa data era flexível. Em outras palavras, dependia do pai.
Quando o pai via que a criança havia crescido e alcançado a maturidade, ele marcava a data para declará-la adulta. Não havia uma idade fixa para isso, mas geralmente acontecia entre os quatorze e os dezessete anos.
Como nosso irmão mencionou ontem à noite, quando o pai marcava a data, havia uma festa sagrada na família chamada Liberalia.
O pai tirava do rapaz a veste que ele usava. A veste de um menino romano era uma toga, mas a toga tinha uma borda roxa na parte inferior, para mostrar que ele ainda era menor de idade.
O pai retirava do rapaz aquela toga, chamada toga praetexta. Então o vestia com a roupa de um adulto. Era a mesma toga, mas sem a faixa roxa na parte inferior.
Depois, seus amigos e parentes o conduziam ao Fórum, e ele era formalmente apresentado à vida pública.
Em outras palavras, chega um momento em que você cresce e alcança a vida adulta. Quando alcança a vida adulta, começa a assumir responsabilidades.
Esse é o dia que todos os pais aguardam, e é o dia que a criança espera com entusiasmo. Um dia, aquela criança, aquele bebê, cresce até certo ponto e se torna um homem ou uma mulher.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que Deus realmente busca.
Em Cristo Jesus, Ele nos escolheu antes da fundação do mundo. Na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho a este mundo para nos redimir da maldição da lei, a fim de que recebêssemos a filiação.
Quando recebemos o Senhor Jesus e cremos Nele, tornamo-nos filhos de Deus e temos direitos. Clamamos: “Aba, Pai”. Mas ainda somos crianças pequenas. Precisamos crescer.
É a vontade de nosso Pai que cresçamos. À medida que crescemos em Sua semelhança, à medida que somos transformados e conformados à imagem do Filho amado de Deus, então o Pai dirá: “Este é o dia em que os estabelecerei como filhos maduros”.
“Vocês podem compartilhar não apenas a glória de Meu Filho, mas também Sua responsabilidade.”
Irmãos e irmãs, vocês estão aguardando isso? O Pai está aguardando. O Filho está aguardando. Ele quer conduzir muitos filhos à glória. Vocês estão aguardando isso?
Até mesmo toda a criação está aguardando isso, porque em Romanos 8 somos informados de que toda a criação hoje está sujeita à escravidão da corrupção e da vaidade, aguardando a manifestação dos filhos de Deus. Então ela será libertada.
Por fim, uma palavra de advertência. Encontramos no cristianismo de hoje um ensino chamado “os filhos manifestos de Deus”.
Há muita verdade nele. Mas, como acontece com toda heresia, sempre há alguma verdade nela. Quando a verdade é estendida além de seus limites, torna-se heresia. O mesmo acontece com o ensino dos filhos manifestos de Deus.
É verdade que Deus quer filhos, e que um dia os filhos de Deus serão manifestados. Mas lembremos: somos filhos de Deus pela graça, não filhos de Deus por natureza.
Há um imenso abismo entre Deus, o Filho amado, e nós, como filhos de Deus. Graças a Deus, recebemos a vida do Filho de Deus. Graças a Deus, a natureza da vida do Filho dentro de nós se desenvolve até começarmos a manifestar o caráter do Filho de Deus, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Graças a Deus por isso.
Mas lembrem-se: vocês nunca são deificados.
O ensino dos filhos manifestos de Deus afirma que podemos ser filhos de Deus exatamente como Cristo é o Filho de Deus. Em outras palavras, eles deificam o ser humano.
Lembrem-se: Deus compartilha Sua vida conosco, mas não compartilha Sua deidade conosco.
Há uma grande diferença entre deidade e divindade. Deidade fala do Ser absoluto de Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo — ninguém mais, eternamente o mesmo, muito acima de todos.
Divindade é a manifestação dos atributos de Deus. Assim, a divindade é manifestada em toda a natureza. Vemos em Romanos 1 que, pelas coisas que Deus criou, podemos conhecer Seu poder e Sua divindade, porque a divindade de Deus, Seus atributos, é manifestada em tudo o que Ele cria.
Há divindade em nós também, mas não há deidade. A deidade — o próprio Ser de Deus — é única. Nós não somos deificados.
É verdade que às vezes as pessoas dizem: “A Bíblia não diz: ‘Vós sois deuses’?”. Isso não significa que somos deificados — de maneira alguma.
Porque, se vocês olharem para Salmos 82:1, verão que Deus está na assembleia de Deus; Ele julga entre os deuses.
Eu disse: Vós sois deuses, E todos vós sois filhos do Altíssimo. Todavia, morrereis como homens, E caireis como qualquer dos príncipes.
A rigor, os deuses aqui se referem aos anjos, porque o texto diz: “Morrereis como homens”. Se são homens, como podem morrer como homens? Naturalmente, morrem como homens. Não faz sentido.
Portanto, a rigor, Salmos 82 se refere aos anjos. Às vezes, os anjos são chamados de deuses. Os anjos são chamados de filhos de Deus.
Vocês se lembram de Jó 38:7: quando Deus lançou os fundamentos da terra, as estrelas da manhã cantaram juntas, e os filhos de Deus gritaram de alegria. Tanto as estrelas da manhã como os filhos de Deus se referem aos anjos, porque eles foram criados primeiro. São como estrelas da manhã, e são filhos de Deus porque foram criados por Deus — não por nascimento, mas por criação.
O mesmo acontece aqui. Eles são chamados de deuses, mas não são Deus em Sua deidade. Não, são chamados de deuses porque Deus lhes deu autoridade e posição para julgar. É nesse sentido.
Nosso Senhor Jesus Se referiu a isso em João 10. Quando o Senhor Jesus disse:
Eu e o Pai somos um.
Quiseram apedrejá-Lo, porque pensaram que Ele havia blasfemado.
Então o Senhor disse em João 10:34-36:
Não está escrito na vossa lei: “Eu disse: Vós sois deuses”? Se Ele chamou de deuses aqueles a quem veio a palavra de Deus — e a Escritura não pode ser anulada — Àquele a Quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: “Tu blasfemas”, porque Eu disse: “Sou o Filho de Deus”?
Aqui vemos que o Senhor aplicou isso aos homens. Mas em que sentido? Ele explicou. Disse: “Vós sois deuses”, se Ele chamou de deuses aqueles a quem veio a Palavra de Deus.
Em outras palavras, os homens são chamados de deuses porque têm a Palavra de Deus, não porque sejam Deus eternamente — de maneira alguma. É porque têm a Palavra de Deus.
Se aqueles que têm a Palavra de Deus são chamados de deuses, então, para o Filho de Deus, que é o Filho eterno de Deus, chamar a Si mesmo de Filho de Deus é, naturalmente, correto.
Isso não significa que estamos no mesmo nível de Cristo, o Filho de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar disso. Graças a Deus pelo elevado privilégio, pela graça, pela honra e pela glória que Ele nos concedeu. Não é por causa de nós; é tudo por causa Dele e de Seu Filho. É tudo obra do Filho amado. É em Cristo Jesus.
Mas não deixem entrar na mente de vocês a ideia de que agora são iguais ao Filho de Deus. Isso é satânico. Foi nesse ponto que o arcanjo caiu e se tornou Satanás, o adversário, porque queria ser igual a Deus.
Queridos irmãos e irmãs, quando recebemos tamanha misericórdia de Deus, isso deve nos humilhar, em vez de nos tornar arrogantes e orgulhosos.
Querido Pai celestial, nós simplesmente nos prostramos diante de Ti. Não compreendemos como podes nos amar tanto em Cristo Jesus, e como Cristo pôde nos amar tanto, vindo a este mundo e morrendo na cruz por nós.
Oh, como Te louvamos e Te agradecemos, Pai, por nos teres dado a Teu Filho. Como Te louvamos e Te agradecemos, nosso Senhor Jesus, por desejares que sejamos Teus companheiros, Tua auxiliadora idônea.
Nosso Pai, reconhecemos que há tanto em nós que não corresponde à Tua glória — tanta coisa imprestável, tanto de nós mesmos, tanta coisa que não se parece com Teu Filho.
Oh, nosso Pai, desejamos simplesmente nos colocar sob a Tua luz, sob o Teu Espírito. Oh, que o Teu Espírito opere em nós, nos transforme e nos conforme à imagem do Teu Filho amado.
Não é para nós mesmos. É para Teu Filho, e é para Ti, nosso Pai. Ouve o nosso clamor, em nome do Senhor Jesus. Amém.